Estudo mostra que produção
local pode gerar alimentos saudáveis para toda a população da região
metropolitana de São Paulo/SP.
Estudo do Escolhas mostra que
agricultura urbana é opção para prover alimentos saudáveis para toda a
população da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP).
A Região Metropolitana de São
Paulo (RMSP) possui quase 22 milhões de habitantes, cerca de 10% do total da
população brasileira. Para alimentar essa quantidade enorme de pessoas, todos
os dias chegam à metrópole toneladas de insumos, de diferentes partes do país.
Porém, novo estudo do Instituto Escolhas mostra que, com algumas medidas, é
possível abastecer toda essa população com legumes e verduras produzidos
localmente, o que diminui as perdas com o transporte e deixa a metrópole de São
Paulo menos sujeita a problemas de oferta, como aconteceu durante a greve dos
caminhoneiros de 2018 ou cogitou-se no início da pandemia de Covid-19.
Lançado em 24/11/2020, o estudo “Mais perto do que se imagina: os desafios da produção de alimentos na metrópole de São Paulo” traz dados de consumo, distribuição e comercialização de alimentos na RMSP hoje e, por meio de análises de caso, identifica entraves e traz recomendações do que pode ser feito para avançarmos nesse potencial de produção e abastecimento por meio da produção local. O estudo do Instituto Escolhas é realizado em parceria com o Urbem e tem o apoio da Porticus.
Entenda o estudo
Atualmente, a agricultura
urbana e periurbana (dentro e nos arredores da cidade) já ocupa um lugar de
relevância na região metropolitana de São Paulo. São mais de 5 mil
estabelecimentos agropecuários ou 15,5% da área total da RMSP, sendo que os 39
municípios dessa região produzem 52% dos cogumelos e espinafre e cerca de 10%
do repolho e alface de todo o país. O município com a maior participação é o de
Mogi das Cruzes, com 35% do valor bruto da produção da região.
Em toda RMSP, mais de 1
milhão de pessoas, ou 13% da população local, estão diretamente ocupadas com
alimentação, seja na produção, indústria e, principalmente, no comércio e
serviços alimentares. O estudo partiu da análise desses dados secundários, que
caracterizam o sistema alimentar da RMSP, para então analisar o potencial que
essa produção local de alimentos tem para tornar esse sistema mais resiliente e
sustentável.
Foram identificados
diferentes tipos de agricultura existentes na metrópole, desde agriculturas
comerciais (que têm maior capacidade de investimento e operam em pequena, média
e grande escala), agriculturas multifuncionais (que, além da comercialização,
também estão voltadas para o sustento da família), até mesmo iniciativas não
voltadas à comercialização, como hortas institucionais, comunitárias e quintais
produtivos. Em seguida, foi realizada uma avaliação da viabilidade
econômico-financeira de alguns desses casos e uma simulação do seu potencial de
abastecimento da metrópole.
Resultados
Os estudos de caso
evidenciaram que o agricultor comercial de médio e grande porte na RMSP tem
enfrentado altos custos de produção e baixos preços nos circuitos de
comercialização convencional, com mais de um atravessador. Já o agricultor
familiar que opta pela produção orgânica precisa garantir preços mais altos na
comercialização, geralmente obtido por meio de circuitos curtos (venda direta
ou com até um atravessador) e do acesso garantido à terra para se viabilizar
economicamente.
Nas simulações realizadas
pelo estudo, 200 hectares de áreas cultivadas por propriedades modelo em áreas
urbanas da metrópole teriam o potencial de prover verduras e legumes para cerca
de 80 mil pessoas e ocupar 1 mil trabalhadores. Essa extensão equivale à área
de terrenos vagos no distrito de Sapopemba, no município de São Paulo, e o
número de famílias que poderiam consumir os alimentos, 24 mil, corresponde a
1,5x o número de famílias beneficiárias do Bolsa Família naquele distrito. De
forma mais expressiva, 60 mil hectares cultivados em propriedades modelo na
área periurbana da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) teriam o potencial
de abastecer com verduras e legumes 20 milhões de pessoas por ano e criar 180
mil novos postos de trabalho na metrópole. As duas simulações foram realizadas
considerando a produção orgânica de alimentos.
“As simulações do estudo
destacam o potencial da produção local de alimentos de abastecer a metrópole
com alimentos saudáveis, como verduras e legumes, e de gerar emprego e renda
para os seus moradores. Os números reforçam a importância dos gestores públicos
passarem a considerar a agricultura no planejamento e políticas urbanas”,
comenta Jaqueline Ferreira, Gerente do Instituto Escolhas e Coordenadora do
estudo.
Link
para o estudo: “Mais
perto do que se imagina: os desafios da produção de alimentos na metrópole de
São Paulo”
Link para o relatório, clique aqui e link para a apresentação, clique aqui.
(ecodebate)



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