quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Queima de plástico para aquecimento e cozimento em países do Sul Global

Estudo revela a queima de plástico para aquecimento e cozimento em países do Sul Global.
Queima de plástico como combustível para cozimento.

Pesquisa revela que famílias em países em desenvolvimento utilizam resíduos plásticos como combustível básico para cozinhar e se aquecer.

Estudo inédito aponta que a pobreza energética e a falta de coleta de lixo forçam comunidades vulneráveis a queimar plásticos, liberando toxinas perigosas e contaminando a cadeia alimentar.

A Crise Oculta: Plástico como combustível para aquecimento e cozimento

Um novo estudo liderado pela Curtin University trouxe à tona uma realidade alarmante em países em desenvolvimento: o uso generalizado de plástico como fonte de energia cotidiana em residências de baixa renda. A pesquisa, publicada na prestigiada revista Nature Communications, revela que a queima desses resíduos não ocorre apenas para descarte, mas como uma necessidade básica para cozinhar alimentos, aquecer casas, iluminar ambientes e até repelir insetos.

O levantamento ouviu mais de mil especialistas, líderes comunitários e trabalhadores governamentais em 26 países. Os resultados são contundentes: um em cada três entrevistados afirmou ter conhecimento de famílias que queimam plástico, com muitos presenciando a prática pessoalmente. De acordo com o Dr. Bishal Bharadwaj, pesquisador principal do Curtin Institute for Energy Transition (CIET), essa prática tem ocorrido longe dos olhos do público e das estatísticas globais devido à marginalização dessas comunidades.

Lixo plástico em combustão. Produto é tóxico.

Sem acesso à energia limpa, famílias pobres recorrem à queima de plástico para aquecer ambientes e até cozinhar alimentos, alerta estudo global.

Pesquisa aponta que pobreza energética e falhas na coleta de lixo impulsionam prática tóxica em países do Sul Global.

Pobreza energética e falta de saneamento

A queima de plásticos — que inclui desde sacolas e embalagens até garrafas — é impulsionada por dois fatores críticos: a incapacidade financeira de adquirir combustíveis limpos e a ausência de serviços de coleta de resíduos confiáveis. Quando famílias não têm alternativas, o plástico deixa de ser apenas lixo para se tornar um combustível de última instância.

O estudo destaca que a prática é realizada em fogões rudimentares, como fogueiras de três pedras ou fogões a carvão improvisados. Essa combustão em áreas densamente povoadas gera uma fumaça densa e altamente tóxica que afeta diretamente os residentes, sendo que mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência são os grupos mais expostos aos riscos respiratórios e sistêmicos.

A queima de resíduos plásticos para combustível doméstico põe milhões em perigo

O perigo invisível do PVC e das toxinas

Um dos pontos mais preocupantes da pesquisa refere-se à queima de policloreto de vinila (PVC), identificado como o terceiro tipo de plástico mais comumente queimado. Segundo o Professor Hari Vuthaluru, da Western Australian School of Mines, a queima do PVC libera dioxinas e furanos, substâncias que figuram entre os poluentes mais perigosos conhecidos pela ciência.

Esses compostos são persistentes no ambiente e acumulam-se na cadeia alimentar, podendo causar:

• Câncer;

• Distúrbios reprodutivos;

• Danos severos ao sistema imunológico.

Contaminação de alimentos e água

A crise não se limita à inalação da fumaça. O Dr. Pramesh Dhungana alertou que 60% dos entrevistados consideram extremamente provável que os produtos químicos tóxicos da queima de plástico contaminem a água e os alimentos locais.

Evidências em locais próximos a áreas de queima já detectaram compostos tóxicos em amostras de solo e até em ovos. Quando o plástico queima perto de onde a comida é preparada, as toxinas se depositam nas plantações e infiltram-se nas fontes de água, criando uma crise de saúde silenciosa.

ONU Meio Ambiente alerta para poluição causada pela queima de lixo plástico

Processo de queima de lixo plástico agrava efeito estufa e contribui para o aquecimento global. Gases liberados ainda comprometem a saúde da população.

Caminhos para a solução

Para a Professora Peta Ashworth, diretora do CIET, o problema não pode ser resolvido apenas com proibições ou campanhas educativas. “As pessoas só fazem isso porque não têm alternativas seguras”, afirma a pesquisadora, apontando a pobreza energética extrema como a causa raiz.

Com a projeção de que o uso de plástico triplique até 2060, o estudo defende que intervenções urgentes são necessárias, incluindo:

1. Melhoria drástica nos serviços de saneamento e gestão de resíduos.

2. Apoio ao acesso a energias modernas para cozinhar.

3. Desenvolvimento de soluções práticas e culturalmente relevantes junto às comunidades vulneráveis.

Este estudo fornece a base de evidências necessária para que governos e organismos internacionais desenhem políticas que protejam os moradores urbanos mais vulneráveis do mundo contra essa ameaça invisível, mas devastadora. (ecodebate)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Milhões de toneladas de lixo plástico são arrancadas do oceano e levadas para terra firme anualmente

Milhões de toneladas de lixo plástico estão sendo arrancadas do oceano e levadas para terra firme todos os anos: megaoperações industriais com alto consumo de energia tentam transformar resíduos marinhos em matéria-prima valiosa e conter uma crise ambiental que ameaça ecossistemas e cadeias produtivas globais.
“Descubra como o lixo plástico está sendo transformado em valiosos recursos a partir de iniciativas de reciclagem que buscam limpar os oceanos e reduzir a poluição marinha”.

Milhões de toneladas de lixo plástico seguem do oceano para a terra firme todos os anos, em missões que recolhem 5 a 10 toneladas por turno e alimentam usinas que lavam, separam, trituram, extrusam e renascem o material em pellets e garrafas.

O lixo plástico deixou de ser apenas um símbolo de poluição distante e passou a se comportar como uma força que invade cadeias produtivas inteiras. Ele aparece como fragmento que flutua, se acumula em zonas de giro, trava rios e canais, forma camadas espessas, vira ilha de detritos e, ao mesmo tempo, infiltra-se na cadeia alimentar. O impacto não é discreto: afeta mais de 700 espécies marinhas e, no fim, alcança seres humanos.

A resposta que cresce nas bordas do mar e em portos industriais é uma corrida contra o tempo. Megaoperações recolhem, transportam e processam o lixo plástico em escala crescente, tentando interromper o avanço de uma crise ambiental e, ao mesmo tempo, transformar resíduos marinhos em matéria-prima valiosa. É um caminho tecnológico e físico, com alto consumo de energia, que começa no oceano hostil e termina na precisão quase microscópica de sensores que classificam fragmentos a milhares por segundo.

Da água para o convés: a coleta do lixo plástico em alto mar

A ONG The Ocean Cleanup é uma organização sem fins lucrativos holandesa que desenvolve tecnologias para remover o plástico dos oceanos e interceptá-lo nos rios. A organização holandesa The Ocean Cleanup já realizou e continua realizando operações de retirada de lixo plástico no Giro do Pacífico Norte.

A jornada do lixo plástico começa onde ele parece invisível, mas se concentra de forma brutal.

Em grandes zonas de acúmulo, como o Giro do Pacífico Norte e o Golfo da Tailândia, embarcações de limpeza dedicadas atuam como linha de frente. É uma operação desenhada para capturar resíduos flutuantes sem depender de improviso.

Dois braços mecânicos hidráulicos se estendem das laterais de cada navio e varrem a superfície da água em movimento de leque.

Garrafas plásticas, sacolas de nylon e redes de pesca abandonadas entram em canais flutuantes conectados à embarcação e seguem para esteiras de aço inoxidável no convés.

Ali, o lixo plástico é afunilado e empurrado para grandes compartimentos de armazenamento.

Uma missão de limpeza dura de 8 a 10 horas. O resultado típico é direto e mensurável: coleta de 5 a 10 toneladas de resíduos mistos em um único turno.

É um ritmo que parece alto, mas que se torna pequeno quando confrontado com a escala anual do problema.

A escala que não para de crescer: mais de 20 milhões de toneladas por ano e 80% de plástico

Enquanto as operações avançam, o volume global continua a subir.

A cada ano, mais de 20 milhões de toneladas de resíduos são despejadas no oceano, e quase 80% desse volume é lixo plástico.

É justamente essa proporção que torna o material tão dominante e tão persistente no ambiente marinho.

O lixo plástico é resistente a ponto de sobreviver por séculos debaixo d’água. Em vez de desaparecer, ele fragmenta, muda de forma e se espalha, criando um problema que não é apenas visual.

Fragmentos entram em ecossistemas, interferem em rotas e comportamentos de espécies e empurram o impacto para dentro da cadeia alimentar.

Rios e canais como armadilhas: quando o lixo plástico bloqueia o fluxo da água

Uma parte do lixo plástico não fica solta em mar aberto. Ela se prende em rios, reservatórios e canais, formando camadas espessas que bloqueiam o fluxo da água.

Nesses pontos, o combate vira operação de força concentrada, com equipamentos mecânicos compactos que trabalham para retirar o emaranhado antes que ele se torne uma barragem de detritos.

O cenário típico envolve escavadeiras com garras de concha montadas em caminhões basculantes.

Cada garra de aço, pesando quase 1000 libras, mergulha na água e puxa uma mistura de lixo plástico, garrafas, sacos, galhos e até pneus velhos. Cada içamento remove entre 500 e 1000 libras de detritos.

A consequência é um salto de produtividade. Uma equipe consegue limpar uma sessão de rio de centenas de pés em poucas horas, em um ritmo cerca de 10 vezes mais rápido do que o trabalho manual.

Mesmo assim, esse ganho não elimina a necessidade de outras etapas, porque o lixo plástico retirado ainda chega misturado, contaminado e salgado.

Onde a máquina não alcança: pescadores e voluntários como primeiro elo do ciclo

Em muitas áreas costeiras, a coleta ainda depende do esforço humano. Pescadores locais e voluntários trabalham sob sol intenso, usando pequenas redes e ganchos a partir de seus barcos.

O ritmo é muito mais limitado: cada pessoa recupera apenas algumas centenas de libras de resíduos por dia.

Mesmo com a lentidão, essa etapa é descrita como indispensável. Sem essa ação inicial, o lixo plástico continua circulando, acumulando e migrando, e parte do material que poderia ser recuperado se torna mais fragmentado e mais difícil de transformar em algo útil.

Trash skimmers: do lixo plástico flutuante ao descarregamento em terra firme

Depois da coleta, entra a logística de retirada do lixo plástico do ambiente aquático. Barcos conhecidos como trash skimmers são projetados especificamente para recolher detritos flutuantes e transportar o material até áreas de recebimento em terra.

Um skimmer de 25 a 30 pés pode acumular aproximadamente 5 toneladas de resíduos durante um turno de 8 horas.

Quando cheio, uma esteira hidráulica na proa se eleva e descarrega o material na área de recebimento. É nesse ponto que o lixo plástico cruza a fronteira simbólica do mar para a indústria.

Triagem inicial: separar lixo plástico, metal, madeira, algas e lodo

O material recém descarregado não é “plástico limpo”. Ele chega como mistura pesada: plástico, metal, madeira, algas marinhas e lodo orgânico.

A triagem começa com uma remoção rápida de itens grandes ou perigosos, como redes de aço, boias de óleo e pneus.

Depois, o restante segue por uma esteira de alimentação até a sessão de peneiramento. Uma peneira rotativa separa os resíduos por tamanho: areia, lama, conchas e pequenos detritos caem pela malha, enquanto garrafas e embalagens maiores continuam.

Em seguida, uma esteira de triagem manual prepara o material por grupos, deixando o lixo plástico e o nylon prontos para a transformação.

Aqui a lógica industrial aparece com força: o lixo plástico precisa virar um fluxo ordenado. Sem ordem, não há reciclagem confiável. Sem reciclagem confiável, não há matéria-prima de valor.
Oceanos 'recebem mais 8 milhões de toneladas de plástico por ano'

Existem muito mais de 80 milhões de toneladas de plástico no mar, mas o total de resíduos é ainda maior.

Lavagem e descontaminação: sal, algas, óleo e microrganismos

Arrancado do oceano, o lixo plástico carrega o que o mar impregna. Por isso, a sessão de lavagem é tratada como etapa fundamental. Detritos marinhos ficam imersos em água salgada por longos períodos e chegam cobertos por algas, óleo e microrganismos.

Os resíduos entram em um tanque de lavagem mecânica. Eixos rotativos com pás agitam a água em turbilhão para arrancar contaminantes superficiais. A água contém detergentes suaves e uma solução que neutraliza o sal, removendo cloretos e óleo.

Algumas instalações usam água quente entre 160 e 180 Fahrenheit para aumentar a eficiência da esterilização. O processo dura de 15 a 30 minutos, dependendo do nível de contaminação.

Depois, o material passa por um lavador de tambor com jatos de alta pressão para remover areia e algas mais resistentes. Um tanque de flutuação e decantação separa plásticos por densidade: PET afunda, enquanto HDPE e PP flutuam, permitindo classificação precisa.

Por fim, um secador centrífugo retira umidade residual, e a secagem a ar quente ocorre a cerca de 170 Fahrenheit. Sistemas de desodorização por ozônio tratam emissões, eliminando odores orgânicos e bactérias.

Pré-seleção: os tipos de plástico e o foco em PET e HDPE

Com o lixo plástico reunido na instalação, entra a pré-seleção, etapa em que os plásticos são separados por tipo e tamanho para que o processamento seguinte não seja sabotado por incompatibilidades.

Há sete tipos de plástico de uso comum, mas PET de número um e HDPE de número dois são apontados como os mais eficientemente recicláveis.

Por isso, o sistema foca em isolar esses dois tipos e remover materiais incompatíveis. O fluxo de plástico misturado entra em um grande tambor de aço rotativo.

Pequenas perfurações deixam poeira, areia e fragmentos menores caírem, enquanto garrafas maiores avançam. Essa separação inicial por tamanho evita obstruções nas fases seguintes.

Em uma esteira de triagem manual, operadores removem itens indesejados como latas de metal, nylon e papelão. Um separador automático de tampas e rótulos usa vórtice de ar para destacar componentes plásticos.

Sensores magnéticos fazem varredura contínua e rejeitam fragmentos de metal ou grampos remanescentes. Ao final, o fluxo se concentra principalmente em garrafas PET limpas e uniformes, prontas para a moagem.

Brasil lança milhões de toneladas de lixo plástico no mar por ano

Moagem: de garrafa a floco e o ganho energético de até 40%

Quando a montanha de garrafas vira alimentação contínua, o som não é de destruição, mas de transformação. Garrafas entram em um granulador de alta velocidade.

Centenas de lâminas de liga metálica giram a milhares de rotações por minuto e trituram o plástico em fragmentos chamados flocos.

Uma única máquina processa entre 2000 e 3000 litros de plástico por hora, convertendo grande volume de garrafas em material uniforme em minutos.

Os flocos, pequenos o suficiente para passar por sistemas térmicos sem entupimento, também melhoram a eficiência energética.

Com o plástico triturado, ele derrete mais rapidamente na extrusora, economizando até 40% de eletricidade em comparação com o derretimento de blocos de plástico sólido.

A moagem, portanto, não é apenas redução de volume. Ela é uma preparação que afeta custo, energia e estabilidade das etapas seguintes.

Triagem óptica: 1000 fragmentos por segundo e precisão acima de 95%

Depois da moagem, a tecnologia assume o controle em escala quase imperceptível. Câmeras ópticas e sensores de alta velocidade escaneiam cada floco individualmente em milésimos de segundo, analisando cor, transparência e textura de superfície.

Quando o sistema identifica um floco de PET transparente, um floco de PET verde, um pedaço de HDPE branco ou um material estranho como madeira ou vidro, jatos de ar comprimido o ejetam do fluxo principal com precisão.

Uma única máquina processa mais de 1000 fragmentos por segundo, alcançando taxa de precisão superior a 95%.

Cada pulso de ar atua sobre um fragmento extremamente leve sem perturbar o material ao redor. O resultado é um fluxo homogêneo de flocos puros, separados por grupos distintos, pronto para virar matéria-prima industrial.

Um esforço global silencioso tenta enfrentar um dos maiores problemas ambientais do nosso tempo, unindo tecnologia, indústria e preservação.

Extrusão e peletização: o lixo plástico vira pellets de grau industrial

Os flocos qualificados seguem para uma máquina de extrusão. Sob temperatura de aproximadamente 520 Fahrenheit, o plástico derrete e percorre um eixo de rosca giratório.

A pressão crescente força o fluxo derretido através de um filtro de metal ultrafino que retém impurezas remanescentes.

O plástico fundido e purificado entra em um peletizador subaquático, onde é cortado instantaneamente em milhões de pequenas partículas conhecidas como pellets.

Um sistema de resfriamento de água em circuito fechado solidifica os pellets imediatamente, garantindo tamanho uniforme e acabamento liso.

Esses pellets tornam-se matéria-prima de grau industrial para fabricação de embalagens, fibras sintéticas e até novas garrafas, completando o ciclo de resíduo a recurso.

O lixo plástico, que antes era fragmento sem destino, passa a ser material padronizado que se encaixa em linhas de produção.

Pré-forma: moldagem por injeção e logística eficiente

A partir dos pellets de plástico PET reciclado, a fábrica entra na etapa de moldagem da pré-forma. A pré-forma é a estrutura semiacabada que depois será soprada para virar garrafa completa.

O material é inspecionado quanto à qualidade e alimentado em uma máquina de moldagem por injeção aquecida a cerca de 480 Fahrenheit.

O plástico amolecido flui para um molde de aço e forma um tubo de parede espessa com gargalo rosqueado já pronto para receber tampa.

Cada pré-forma é construída para suportar calor e pressão, garantindo estabilidade no transporte e no reaquecimento posterior para moldagem por sopro.

O tamanho compacto permite armazenamento e logística eficientes. Há fábricas que se especializam apenas na produção de pré-formas e enviam para instalações de engarrafamento próximas aos mercados consumidores.

Moldagem por sopro: ar comprimido e milhares de garrafas em segundos

Na etapa seguinte, as pré-formas são aquecidas até ficarem macias e flexíveis e entram na máquina de moldagem por sopro e estiramento.

Ar comprimido em alta pressão é injetado pelo gargalo, expandindo o plástico e pressionando-o contra as paredes internas de um molde metálico com o formato final da garrafa.

Uma pré-forma de 4 a 5 polegadas de altura pode se expandir para quase quatro a cinco vezes seu tamanho original. Cada linha de produção automatizada fabrica milhares de garrafas em segundos, com margem de erro próxima de zero.

Sensores a laser inspecionam continuamente espessura da parede, circularidade e transparência para manter qualidade consistente.

O sistema também permite personalizar capacidade, curvas do corpo e posicionamento do rótulo conforme requisitos de design.

O lixo plástico, agora em forma de garrafa, volta ao mundo do consumo sob regras industriais de precisão.

Resfriamento e recuperação de calor: estabilizar a forma com consumo controlado

Ao sair do molde, a garrafa permanece quente e pode se deformar. Por isso, entra uma câmara de resfriamento rápido com ar frio ou água em circulação. O processo dura poucos segundos, mas estabiliza a estrutura e preserva a forma.

Algumas fábricas recuperam o calor liberado pelas garrafas para reaquecer a água de resfriamento, reduzindo significativamente o consumo de energia.

Brasil despeja milhões de toneladas de plásticos no oceano anualmente

A taxa de resfriamento é calculada para equilibrar velocidade de produção com clareza e rigidez ideais.

Inspeção final: câmeras, pressão e rastreabilidade antes de sair da fábrica

Antes de deixar a fábrica, cada garrafa plástica passa por inspeção rigorosa. Sensores ópticos, câmeras e sistemas de medição de pressão detectam defeitos como rachaduras, bolhas de ar e desvios dimensionais.

Amostras são retiradas para testes mecânicos de tensão, compressão e impacto para garantir durabilidade. Para garrafas destinadas ao uso alimentar, análises químicas verificam se não restam resíduos tóxicos.

Somente após atender a critérios, as garrafas são agrupadas, empilhadas em paletes e embaladas com filme termoencolhível. Robôs de paletização organizam milhares de unidades e etiquetam cada lote com código de rastreabilidade único.

Do armazém central, os produtos seguem para fábricas de bebidas, supermercados e pontos de venda. O lixo plástico completa um ciclo que tenta unir tecnologia, logística e controle de qualidade para converter poluição em recurso.

De resíduo a recurso: quando o lixo plástico vira matéria-prima valiosa

Há um símbolo poderoso nessa transformação. Um disco de vinil pode parecer comum, mas existe um caso em que sua matéria-prima foi lixo.

Um álbum da banda Coldplay, Moon Music, foi produzido como o primeiro disco prensado com plástico reciclado retirado do oceano na costa da Guatemala, com material recolhido de rios e oceanos.

Esse exemplo ajuda a explicar por que organizações ambientais afirmam que, se devidamente coletada, grande parte da poluição pode renascer como matéria-prima de valor.

O resultado não é único: plásticos reciclados, fibras sintéticas para a indústria têxtil e até metais recuperados.

O processo também carrega um argumento de eficiência ambiental. Ele economiza milhares de kilow hh de eletricidade e reduz milhões de toneladas de emissões de CO2, além de abrir caminho para uma economia oceânica circular, onde o que foi descartado pode voltar ao uso.

No fim, o lixo plástico continua lá fora, acumulando e ameaçando. Mas também existe uma cadeia tecnológica que tenta puxá-lo de volta para a terra firme, higienizá-lo, separá-lo e devolvê-lo ao mundo como material industrial.
Se a humanidade continuar a caminhar desta mesma maneira, até 2050 poderá haver muito mais plásticos do que peixes nos oceanos.

O oceano ainda espera para reconquistar seu azul, e esse ciclo começa no ponto em que a coleta deixa de ser apenas limpeza e vira transformação em escala. (clickpetroleoegas)

domingo, 25 de janeiro de 2026

As tecnologias de um futuro que já começou

O futuro tecnológico não é mais uma projeção distante; ele já está integrado ao cotidiano em 2025 e 2026, com foco em inteligência artificial avançada, sustentabilidade e conectividade. Tecnologias que antes pareciam ficção científica, como robôs humanoides funcionais e computação espacial, já operam em setores industriais e corporativos.

Aqui estão as principais tecnologias de um futuro que já começou:

1. IA Generativa e Agentes Inteligentes

A inteligência artificial evoluiu de simples chatbots para agentes autônomos (Agentic AI) capazes de realizar tarefas complexas, tomar decisões estratégicas em tempo real e personalizar experiências.

Impacto: Automatização de processos, criação de conteúdo e suporte hiperpersonalizado.

2026: Previsão de que 40% das aplicações corporativas incluam agentes de IA específicos para tarefas.

2. Robótica Humanoides e Física (Physical AI)

Robôs com forma humana, como o Engine Ait800, já estão sendo implantados em fábricas e armazéns, operando com movimentos dinâmicos e coordenação para tarefas pesadas.

IA Física: A convergência de IA com robótica permite que máquinas naveguem e manipulem objetos em ambientes industriais não estruturados.

3. Computação Espacial (RA/RV)

A mistura do físico com o digital (Realidade Aumentada e Virtual) consolidou-se como ferramenta de trabalho e design, não apenas entretenimento.

Uso: Treinamentos imersivos, design industrial e colaboração remota.

4. Tecnologias Verdes e Sustentabilidade Digital

Em 2025, a sustentabilidade digital tornou-se prioridade, com o desenvolvimento de tecnologias para reduzir a pegada de carbono do setor de TI.

Exemplos: Baterias de estado sólido (mais eficientes e seguras), captura de carbono e otimização energética por IA.

5. Edição Genética e Biotecnologia

A biotecnologia está avançando rapidamente, com destaque para a edição genética e o uso de IA para descoberta de novos medicamentos.

Biotecnologia: O mercado global deve se expandir, impactando profundamente a saúde e a agricultura.

6. Cibersegurança Proativa (Cybersecurity Mesh)

Com o aumento da IA, a cibersegurança deixou de ser apenas defensiva para se tornar uma estratégia de continuidade de negócios, utilizando IA para antecipar ameaças.

7. Conectividade e Computação Avançada

O 5G, junto com a Computação em Borda (Edge Computing), permite processamento de dados quase instantâneo, essencial para a Internet das Coisas (IoT) e veículos autônomos.

Essas inovações marcam uma era onde a inteligência artificial, a automação e a sustentabilidade moldam o mercado de trabalho e a sociedade.
Transformação digital e tecnologias emergentes: o futuro que já começou

A transformação digital tem se consolidado como uma das principais pautas em empresas, instituições e governos em todo o mundo. O conceito envolve o uso de tecnologias digitais para aprimorar ou reinventar processos, estruturas e modelos de negócio, com o objetivo de gerar novos valores para usuários, clientes e demais públicos.

Entre os exemplos mais recorrentes estão a automação de processos, o uso de grandes volumes de dados (Big Data), a aplicação de inteligência artificial (IA), a computação em nuvem (Cloud Computing) e a integração de dispositivos conectados à Internet das Coisas (IoT). As chamadas tecnologias emergentes são o alicerce desse processo. Elas representam inovações ainda em fase de desenvolvimento ou de adoção inicial, mas com alto potencial de impacto em mercados e na sociedade. Entre as mais relevantes estão:

Inteligência Artificial (IA) e Aprendizado de Máquina (Machine Learning);

Internet das Coisas (IoT);

Blockchain;

Computação Quântica;

Redes móveis de nova geração (5G e 6G);

Computação em Nuvem e Edge Computing.

Essas tecnologias permitem avanços em diferentes setores, promovendo eficiência, conectividade e inteligência nos processos.

Aplicações práticas em diferentes setores

Na saúde, a transformação digital se reflete no uso de telemedicina, dispositivos vestíveis conectados e na análise de dados para diagnósticos mais precisos e tratamentos personalizados. Na educação, plataformas de ensino online integram IA e Big Data para personalizar jornadas de aprendizado e formar profissionais mais capacitados. Tecnologias como realidade aumentada (AR) e realidade virtual (VR), combinadas às redes 5G e 6G, oferecem experiências imersivas e interativas.

Na indústria e manufatura, a chamada Indústria 4.0 se apoia em IoT, IA e conectividade avançada para monitorar operações, prever falhas e tomar decisões em tempo real, com alta confiabilidade e baixa latência. No varejo, chatbots inteligentes e sistemas de recomendação baseados em IA estão transformando o atendimento ao cliente e a experiência de compra online.

Mais do que tecnologia: uma mudança cultural

A transformação digital também envolve uma mudança de mentalidade. Empresas que adotam uma cultura de inovação contínua incentivam seus colaboradores a explorar novas ferramentas e propor soluções. Plataformas colaborativas e o trabalho remoto exemplificam como a tecnologia pode impulsionar uma cultura organizacional mais ágil e integrada. Entre os principais benefícios, destacam-se:

Maior eficiência operacional, por meio da automação e da otimização de recursos;

Personalização de produtos e serviços, com base na análise de dados e comportamento dos usuários;

Inovação constante, abrindo espaço para novos modelos de negócio e mercados globais.

Entretanto, há desafios significativos: a resistência à mudança, o alto custo de implementação e a necessidade de capacitação das equipes são obstáculos comuns. Além disso, cresce a importância da cibersegurança e da adequação às regulamentações, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil.
A convergência entre IA, 5G, IoT e computação em nuvem já molda o futuro das redes e da interação humana. A transformação digital deixou de ser uma opção e tornou-se um caminho inevitável para a competitividade, a inovação e a sustentabilidade das organizações em um mundo cada vez mais conectado. (inatel)

60% do litoral fluminense é vulnerável à elevação do nível do mar

Maior parte da costa fluminense é vulnerável a mudanças climáticas

A maior parte da costa do estado do Rio de Janeiro pode sofrer com as consequências das mudanças do clima.

A conclusão é de um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF) que calcula 60% do litoral com vulnerabilidades médias e elevadas, o que indica riscos de inundações e de erosão causada por ondas. 

A pesquisa foi desenvolvida pelo doutorando do Programa de Pós-Graduação em Dinâmica dos Oceanos e da Terra Igor Rodrigues Henud, com orientação do professor Abílio Soares. Segundo Henud, soluções naturais, como a restauração de ecossistemas e a ampliação de áreas protegidas, podem ser eficazes para enfrentar os impactos climáticos.

“O intuito foi mostrar que existem regiões e populações vulneráveis. Só que a vegetação e os habitats naturais, englobando dunas, restingas, manguezais, Mata Atlântica, ainda exercem uma influência positiva nessa proteção e, por isso, eles precisam ser preservados”, disse Igor Henud à Agência Brasil.

Reconhecendo essa influência positiva, o estudo defende a implementação de soluções baseadas na natureza (NbS, na sigla em inglês) como a estratégia mais eficaz para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Isso envolve a restauração de ecossistemas, o manejo adaptativo do território e a proteção de habitats naturais. Além de reduzir riscos, as NbS oferecem benefícios adicionais, como a melhoria da qualidade da água, a mitigação de poluentes atmosféricos e o aumento da resiliência a desastres.

Henud acredita que essas soluções “são ecologicamente sensíveis, economicamente viáveis e sustentáveis no longo prazo”, ao contrário das infraestruturas convencionais.

Os pesquisadores defendem também a proteção dos chamados habitats costeiros, que são considerados ecossistemas estratégicos e que estão fora do escopo de preservação oficial, mas podem ajudar a aumentar a resiliência climática.
Maior risco

Maior parte do litoral do RJ é vulnerável às mudanças climáticas

A pesquisa considera impactos já observados no litoral fluminense, como ressacas mais frequentes, tempestades intensas e a elevação do nível do mar.

De acordo com o estudo, as duas regiões que estão mais propensas a sofrer impactos das mudanças do clima são o Norte Fluminense e as Baixadas Litorâneas, também conhecidas como Região dos Lagos.

Nessas regiões, características naturais como ventos, ondas e relevo se somam à fragmentação de habitats costeiros, como a remoção de restingas e manguezais, o que aumenta significativamente o alto risco dessas áreas.

Henud e o professor Abílio Simões chegaram a essa conclusão utilizando metodologia desenvolvida por uma universidade nos Estados Unidos, que reúne variáveis ambientais e socioeconômicas.

Foram coletadas várias informações, como dados da Marinha sobre ventos e ondas, dados globais de profundidade dos oceanos, dados de plataforma continental e de vegetação, inseridas depois no software InVEST, que simula o que acontece naturalmente, informou Henud.

Os resultados indicam que a supressão contínua de habitats naturais intensifica os riscos ambientais e amplia a exposição do estado do Rio de Janeiro a desastres de maior magnitude no futuro.

“Por exemplo, se a gente falar de restinga, de manguezal e de Mata Atlântica, se a gente tem essa vegetação próxima da praia, se uma onda bater nessas regiões, ela perde força. Então, geram uma proteção, sim”, explicou o doutorando.
Em agosto/2024, em um trecho da orla de Piratininga, o mar chegou a jogar areia no calçadão e uma escada ficou praticamente toda soterrada.

Niterói aparece no mapa de risco da mudança climática; 60% da orla do estado está vulnerável.

Fatores

Com cerca de 1.160 quilômetros de extensão, a zona costeira fluminense abriga 33 municípios e concentra aproximadamente 83% da população do estado, configurando-se como um território ao mesmo tempo sensível e fundamental para o desenvolvimento socioeconômico.

Essa faixa enfrenta pressão crescente da urbanização desordenada, do turismo de massa e da exploração econômica intensiva, fatores que aceleram a degradação ambiental e comprometem a capacidade de resposta aos eventos extremos.

Por isso, é preciso pensar no fator da proteção porque, quanto mais vegetação houver, maior vai ser a proteção que se vai ter na linha de costa, reforçou. Ele esclarece que não se conseguirá alterar a força das ondas ou o relevo, mas é possível alterar o local onde aquelas populações que estão vulneráveis vão se localizar. A adoção de soluções baseadas na natureza é a maneira de minimizar o impacto das mudanças climáticas, conclui.

Soluções cinzas e verdes

Henud explica ainda que a mitigação das consequências das mudanças climáticas conta com diferentes ferramentas, e algumas soluções foram denominadas soluções cinzas e outras, de soluções verdes.

As soluções cinzas envolvem posicionar grandes pedras na região costeira ou construir muros com concreto, por exemplo. Pode-se ainda colocar sacos de cimento ou de areia para diminuir a intensidade das ondas, ou construir recifes artificiais.
Brasil possui várias cidades entre as vulneráveis para riscos da elevação do nível do mar.

“O cinza vem do concreto, da parte mais urbana”.

As verdes, por sua vez, priorizam o reflorestamento, ou seja, usar a natureza em benefício do ser humano e da própria natureza. (ecodebate)

Cidades brasileiras podem ser engolidas pelo avanço do nível do mar

NASA aponta cidades brasileiras que podem ser engolidas pelo avanço do nível do mar. Aumento do nível do mar ameaça cidades litorâneas e exi...