sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Degradação induzida pelo aquecimento global

Degradação induzida pelo aquecimento global pode aumentar o LCOE de solar em telhados em até 20%.

Um estudo global concluiu que as mudanças climáticas aumentarão drasticamente os riscos de altas temperaturas, acelerarão a degradação e elevarão os custos dos sistemas fotovoltaicos em telhados, afetando principalmente as regiões economicamente desfavorecidas. Os pesquisadores alertam que as normas IEC atuais subestimam os riscos futuros e necessitam atualizações urgentes para evitar ativos obsoletos e o aumento dos custos de energia elétrica.
Um estudo realizado por uma equipe internacional de pesquisadores concluiu que as mudanças climáticas aumentarão os riscos de altas temperaturas, degradação acelerada e custos mais elevados para sistemas fotovoltaicos em telhados em todo o mundo. Combinando modelos climáticos com simulações de degradação de painéis fotovoltaicos e análises econômicas, os pesquisadores projetaram quais regiões do mundo com sistemas solares em telhados seriam mais afetadas e identificaram onde os módulos provavelmente sofrerão mais com o aumento das temperaturas.

“Esta é a primeira análise global que quantifica como as mudanças climáticas afetarão os riscos de altas temperaturas para painéis solares em telhados, que são particularmente vulneráveis à degradação porque os espaços de montagem restritos retêm o calor”, disse o autor principal, Haochi Wu, à pv magazine. “Estudos anteriores examinaram as perdas de eficiência devido ao aquecimento ou às mudanças na irradiação solar — fatores que causam impactos modestos e, muitas vezes, incertos. Nós abordamos um ponto cego: a degradação acelerada devido às altas temperaturas operacionais sustentadas, que ninguém havia modelado sistematicamente em escala global sob cenários climáticos futuros”.

Wu destacou que suas descobertas mostram que a indústria solar precisa adaptar “urgentemente” seus padrões de risco de alta temperatura para um futuro mais quente.

“A norma internacional atual, IEC-63126, define onde ocorre o risco de altas temperaturas com base em dados meteorológicos históricos — aproximadamente o período de 1998 a 2020”, disse ele. “Nossa análise mostra que essa norma representa apenas 74% da capacidade global em risco sob um aquecimento de 2°C e apenas 48% sob um aquecimento de 4°C. Se as normas não forem atualizadas para refletir as projeções climáticas futuras, tanto investidores quanto instaladores subestimarão o risco de degradação, levando a ativos obsoletos e custos inesperados de substituição”.

Para elaborar suas projeções, a equipe utilizou uma cadeia de modelos com diversos componentes. O primeiro incorporou dados climáticos futuros de 20 modelos do CMIP6, uma coleção de simulações climáticas de última geração que projetam as condições até 2100. Seguindo o crescente consenso sobre a quantificação dos impactos climáticos, eles avaliaram os efeitos de um aquecimento de 1 a 4°C, em intervalos de 0,5°C, em relação ao período pré-industrial.
Em seguida, os modelos operacionais de sistemas fotovoltaicos calcularam a temperatura que os sistemas instalados em telhados atingiriam. Utilizando dados de modelos climáticos — incluindo a irradiação solar projetada, a temperatura do ar e a velocidade do vento — eles estimaram as temperaturas dos módulos e a geração de energia por hora em todo o mundo. Todas as simulações consideraram módulos de silício cristalino (c-Si) em telhados inclinados a 20° voltados para o equador (azimute de 180° ou 0°). De acordo com as normas da Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC), um risco de alta temperatura (HTR) padrão ocorre quando o percentil 98 das temperaturas dos módulos excede 70°C, enquanto um HTR extremo ocorre acima de 80°C.

Por fim, a equipe aplicou o modelo físico-químico de Arrhenius para simular o envelhecimento dos módulos com base na temperatura. Considerando uma degradação inicial de 0,66% ao ano e definindo um módulo como inutilizável após uma perda de potência de 20%, eles calcularam o custo nivelado da energia (LCOE) para módulos submetidos a temperaturas mais altas, vidas úteis mais curtas e produção anual reduzida.

“A magnitude do aumento do LCOE realmente chamou a atenção. Com um aquecimento de 2,5°C, algumas regiões veem aumentos no custo nivelado de energia de até 20% — aproximadamente 3 vezes maiores do que os impactos das mudanças na eficiência ou na irradiação solar, que foram o foco de pesquisas anteriores”, disse Wu. “A desigualdade desse aumento também se destacou. Áreas economicamente desfavorecidas — África, Sul da Ásia, partes da América do Sul — enfrentam aumentos de custos substancialmente maiores do que as regiões mais ricas. Com um aquecimento de 4°C, o impacto do LCOE dobra nas regiões mais vulneráveis em comparação com as menos vulneráveis. A indústria solar frequentemente apresenta a energia fotovoltaica distribuída como uma ferramenta para a equidade energética, mas nossos resultados mostram que, sem adaptação, as mudanças climáticas podem comprometer essa promessa. As mudanças climáticas não apenas aumentam a degradação globalmente; elas ampliam a desigualdade entre as regiões”.

A equipe também descobriu que, com um aquecimento de 4°C, a capacidade global de energia fotovoltaica em telhados exposta ao risco de altas temperaturas quase dobra em comparação com os níveis históricos.

“Fornecemos mapas de referência globais atualizados que podem servir de base para revisões de normas”, concluiu. “Durante nossa pesquisa, estivemos em contato com especialistas do Comitê Técnico 82 da IEC — o órgão responsável pelas normas de sistemas de energia solar fotovoltaica. Eles demonstraram grande interesse em nosso trabalho de mapeamento do risco de altas temperaturas em cenários climáticos futuros. Aguardamos com expectativa uma colaboração mais aprofundada com o comitê para ajudar a traduzir essas descobertas em diretrizes atualizadas”.
Os resultados da pesquisa foram apresentados no artigo “Climate change will increase high-temperature risks, degradation, and costs of rooftop photovoltaics globally”, publicado na revista Joule. Cientistas da Universidade de Pequim e da Universidade de Zhejiang, na China, bem como da Universidade de Michigan e da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, contribuíram para a pesquisa. (pv-magazine-brasil)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Maior obra do mundo avaliada em R$ 875 bilhões pode mudar a rotação da TERRA

A represa das Três Gargantas na China, frequentemente citada em conjunto com novos megaprojetos hidrelétricos orçados em cerca de R$ 875 bilhões (US$ 167 bilhões), é uma obra tão massiva que tem o potencial de alterar a rotação da Terra. A retenção de 40 bilhões de m3 de água pode aumentar a duração do dia em microssegundos.

Pontos principais sobre a obra e seu impacto:

A "Obra que Muda a Terra": A represa das Três Gargantas, no rio Yangtzé, é a maior usina hidrelétrica do mundo. Estudos da NASA indicaram que o armazenamento de sua imensa massa de água deslocou o eixo da Terra em cerca de 2 centímetros e desacelerou sua rotação.

**Novo Megaprojeto de R$ 875 bilhões), visando gerar 300 bilhões de kWh anuais.

Consequências Geofísicas: A redistribuição de uma quantidade tão grande de massa altera o momento de inércia da Terra, causando um efeito mensurável na rotação, embora pequeno em escala humana.

Impacto Energético e Preocupações: O projeto visa garantir segurança energética e controle de inundações, mas gera preocupações em países vizinhos como Índia e Bangladesh devido ao impacto no fluxo de rios e riscos ambientais.

A obra representa uma das maiores intervenções de engenharia já feitas pelo ser humano, capaz de impactar a física do planeta.
A maior obra do mundo está sendo realizada na China, gigante país asiático que constrói a represa conhecida como Três Gargantas. O projeto é tão grandioso que fez com que o planeta Terra tivesse sua rotação alterada e o eixo deslocado, de acordo com informações divulgadas pela NASA.

Como foi apontado pela NASA, a Terra viu sua rotação desacelerar em 0,06 microssegundos por dia e o eixo deslocado em 2 centímetros devido à grande massa de água de 40 bilhões de metros cúbicos abrigados na represa. No ano passado, uma nova obra no local foi confirmada sob o investimento de US$ 167 bilhões (cerca de R$ 875 bilhões na cotação atual).

A nova represa será ainda maior do que a das Três Gargantas e vai produzir uma quantidade estimada de energia quase três vezes superior à da construção anterior. Ao todo, serão 5 represas em cascata que gerarão 300 bilhões de kWh anuais para a China e que tem levado nações vizinhas, como Índia e Bangladesh, a muitas preocupações.

Obra gigante na China foi capaz de mudar a rotação da Terra

A estimativa é de que a construção só seja 100% concluída em 2030, fazendo com que a China avance ainda mais na transição energética. Por outro lado, Índia, Bangladesh e o próprio Tibete acreditam que a obra dessa magnitude pode trazer graves consequências para a região.

O maior temor é que haja terremotos na região e o que poderia acontecer caso a represa tivesse algum problema no futuro. Essa grande massa de água deixou os moradores da região em alerta para possíveis desastres. A represa chinesa será a maior do mundo, assim como o maior projeto hidrelétrico já construído. (correiodoestado)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Missão contra o plástico

Em missão contra o plástico, projeto que limpa a maior ilha de lixo do planeta bate recorde de coleta.
Nova tecnologia retira mais de 100 mil toneladas de lixo do oceano

Organização anuncia marco e afirma que resíduos coletados passam por certificação.

A organização The Ocean Cleanup, fundada por Boyan Slat, bateu recorde histórico em 2025 ao remover 25 milhões de kg de plástico da Grande Mancha de Lixo do Pacífico, totalizando mais de 45 milhões de kg retirados do oceano. Utilizando barreiras em formato de "U", o projeto visa limpar 90% do lixo flutuante até 2040.

Aqui estão os detalhes da operação:

Recorde de 2025: A coleta de 25 milhões de kg representa um marco significativo, superando expectativas anteriores.

Tecnologia (Sistema 03): O projeto utiliza barreiras flutuantes gigantescas de cerca de 800 metros, que navegam lentamente para concentrar o lixo, utilizando o próprio movimento das correntes oceânicas.

Foco Duplo: Além de limpar o Pacífico, a organização atua na fonte, instalando barreiras em rios poluídos na Ásia e América para impedir que o plástico chegue ao mar.

Meta Ousada: A iniciativa busca remover 90% do plástico flutuante dos oceanos até 2040, combatendo o "lixo legado" (antigo) e impedindo novos detritos.

Impacto Ambiental: O sistema foi projetado para evitar que os detritos se transformem em microplásticos, protegendo a fauna marinha durante a coleta.

O sistema, frequentemente aprimorado, iniciou testes com cerca de 9 toneladas e evoluiu para escalas maciças de remoção.

The Ocean Clean Up quer limpar 90% do plástico dos oceanos até 2040 e já retirou 45 milhões de quilos de lixo do mar.
Inconformado com a poluição dos mares, o inventor holandês Boyan Slat, de 31 anos, estabeleceu a meta de retirar plásticos de oceanos e rios ao redor do mundo até 2040. A iniciativa ganhou escala após o empreendedor apresentar, em 2012, então com apenas 16 anos, um projeto para remover resíduos marinhos durante uma palestra no TED que se tornou viral e impulsionou uma campanha de financiamento coletivo.
Slat fundou a organização The Ocean Cleanup, que já arrecadou cerca de 40 milhões de euros e lhe rendeu o título de “Campeão da Terra”, concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU). A ideia surgiu após o jovem relatar frustração ao observar, durante mergulhos, a presença de mais plásticos do que peixes em áreas oceânicas.
Resíduos plásticos coletados dos mares pelo projeto The Ocean Cleanup.

O principal laboratório da organização é a chamada Grande Mancha de Lixo do Pacífico, um aglomerado de resíduos plásticos com cerca de 1,6 milhão de km² localizado entre o Havaí e a Califórnia. Para enfrentar o problema, a iniciativa desenvolveu sistemas conhecidos como “interceptores”, que funcionam como barreiras capazes de capturar resíduos que variam de pequenos fragmentos, com poucos milímetros, a grandes detritos, como redes de pesca descartadas.

Os equipamentos utilizam modelagem matemática para prever a movimentação do lixo conforme as correntes marítimas, permitindo otimizar a coleta. Três sistemas de remoção já estão em operação e, segundo estimativas do fundador, a implantação de dez unidades poderia viabilizar a limpeza da mancha no Pacífico antes da expansão do projeto para outras regiões.

Sistema usado por ONG na Grande Mancha de Lixo do Pacífico utiliza redes e embarcações para remover plástico flutuante do oceano.

Os resultados recentes indicam avanço na operação. Em 2025, a The Ocean Cleanup retirou mais de 25 milhões de quilos de resíduos de ambientes aquáticos, elevando o total acumulado para mais de 45 milhões de quilos. Segundo a organização, o desempenho é resultado de anos de pesquisa, decisões orientadas por dados e da adaptação das tecnologias às realidades locais.

Para alcançar a meta de remover 90% do plástico flutuante nos oceanos até 2040, o projeto aposta em uma estratégia integrada. Além da retirada de resíduos já presentes no mar, a organização investe na interceptação de lixo em rios, em ações de limpeza em áreas costeiras e no uso de pesquisas sobre poluição marinha para embasar políticas públicas internacionais.

Interceptador de lixo instalado pela The Ocean Cleanup em parceria com a ONG Marea Verde, no Panamá.

Entre as novas frentes, a The Ocean Cleanup lançou o programa 30 Cities, apresentado na Conferência dos Oceanos da ONU, em Nice, no ano passado. A iniciativa pretende atuar em áreas urbanas consideradas entre as maiores responsáveis pela entrada de plástico nos mares, com potencial de reduzir até um terço dessa poluição.

A organização também afirma trabalhar em parceria com autoridades locais, comunidades e empresas para estruturar soluções de gestão de resíduos que mantenham resultados de longo prazo. Graças à parceria com a ONG panamenha Marea Verde, por exemplo, a startup já atua no Rio Abajo, no Panamá. A parceria tem como objetivo atuar em sete bacias dentro da cidade para impedir que o lixo chegue ao Golfo do Panamá.

Ações de limpeza costeiras com parceiros locais e voluntários, responsáveis por remover o lixo acumulado no litoral.

Para livrar o ambiente marinho do lixo, a organização afirma que não é suficiente apenas interromper a entrada de resíduos, sendo necessário também enfrentar o chamado "lixo legado, já presente no ambiente antes do início das operações. Por esse motivo, passaram a organizar limpezas costeiras com parceiros locais e voluntários, responsáveis por remover o lixo acumulado no litoral.

Para 2026, a expectativa é ampliar o número de equipamentos em operação em todas as frentes e intensificar a remoção de lixo, dando continuidade à missão de reduzir a poluição plástica nos ecossistemas aquáticos. (umsoplaneta.globo)

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Cidades devem proteger os mais pobres dos impactos do aquecimento global

Porto Alegre (RS), 20/06/2024 – Moradores em rua alagada pela enchente no município de Eldorado do Sul.

Jardins de chuva, telhados brancos, arborização urbana e infraestrutura resiliente são soluções já disponíveis; o que falta é vontade política e investimento público integrado

As mudanças climáticas deixaram de ser uma ameaça distante para se tornarem uma realidade cotidiana, com seus impactos recaindo de forma desproporcional sobre os mais vulneráveis.

Aproximadamente 80% das pessoas pobres do mundo estão concentradas em regiões gravemente expostas a ameaças climáticas e ambientais, tornando a vulnerabilidade uma característica estrutural da pobreza moderna.

No cenário de crise climática global, as cidades emergem como o palco central onde as consequências são sentidas e onde as soluções de mitigação e adaptação devem ser implementadas com urgência.

A importância crítica do nível municipal

Os habitantes urbanos são os primeiros a sentir as consequências das alterações climáticas. A crise climática é também uma crise de saúde pública, sobrecarregando sistemas médicos e causando picos de até 40% a mais em atendimentos de emergência após eventos como enchentes ou ondas de calor.

Além disso, a inação municipal amplifica as injustiças sociais. No Brasil, a ausência de políticas públicas urbanas sérias leva famílias pobres a ocupar áreas de risco, resultando em tragédias previsíveis. A falta de políticas eficazes, especialmente no âmbito urbano e social, aumenta a vulnerabilidade da população, em particular dos mais pobres.

Para combater a pobreza e a crise climática simultaneamente, as estratégias tradicionais de redução da pobreza devem integrar a resiliência climática em seu cerne.

O investimento na adaptação climática é considerado um investimento inteligente que protege e fortalece as economias, pois os custos da inação (apenas reparar os estragos) são sistematicamente subestimados pelos modelos tradicionais.
Relatório do IPCC acende alerta vermelho para cidades costeiras do Brasil

Ações prioritárias para mitigação e adaptação urbana

As cidades devem criar e implementar políticas públicas municipais abrangentes de mitigação e adaptação.

1. Resiliência hídrica e infraestrutura inteligente

Os eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e inundações, exigem uma revolução na gestão hídrica urbana, tal como indicado nas cidades-esponja.

• Drenagem e Microdrenagem: É fundamental investir em sistemas de drenagem e microdrenagem urbana para evitar alagamentos, que causam danos materiais, transtornos à mobilidade e riscos à saúde. Tais sistemas devem ser planejados para evitar a erosão do solo e o desgaste da infraestrutura urbana. A drenagem eficiente e a microdrenagem são um conjunto de obras públicas que captam, transportam e armazenam as águas pluviais.

• Soluções Baseadas na Natureza (SbN): Devem ser utilizadas para reduzir os riscos de inundações. Os jardins de chuva se destacam como uma das ações mais eficazes de mitigação e adaptação, funcionando como reservatórios para o excesso de água. Eles também filtram poluentes da chuva, garantem água mais limpa para rios e córregos, e enriquecem a biodiversidade local.

• Infraestrutura Resiliente: Investir infraestrutura e sistemas de drenagem que resistam a volumes extremos de chuva, além da implementação em larga escala de obras de contenção de encostas em áreas de risco de deslizamento e desabamento.

• Pavimentação Permeável: Adotar a pavimentação de vias públicas com insumos e métodos de construção planejados para aumentar a drenagem.

2. Combate ao calor urbano e políticas de resfriamento

As ondas de calor transformam centros urbanos em “armadilhas térmicas”, exigindo ações imediatas para combater as ilhas de calor urbanas.

• Telhados frios: O incentivo à adoção de telhados frios (superfícies brancas ou reflexivas) é a medida eficaz para reduzir as temperaturas externas, podendo reduzir a temperatura em até 2°C em algumas localizações. Para o Brasil, com sua tradição de telhas cerâmicas vermelhas que absorvem muito calor, a transição para telhados brancos têm um potencial de resfriamento ainda maior. Essa solução passiva também reduz a demanda por ar-condicionado e as emissões de CO2.

• Arborização urbana: Deve ser adotada como política pública. As árvores são essenciais para promover o conforto térmico, podendo reduzir a temperatura ambiente de 2°C a 8°C. A arborização, que inclui espécies nativas adaptadas ao ambiente local, também captura CO2, melhora a qualidade do ar e recupera a biodiversidade. É crucial um planejamento estratégico e manejo cuidadoso da arborização.

• Infraestrutura passiva: Implementar massivamente telhados frios e pavimentos permeáveis para reduzir a absorção de calor, e incentivar calçadas verdes para auxiliar na drenagem.

3. Saúde, educação e justiça social

A adaptação deve ser integrada com o desenvolvimento social, abordando as vulnerabilidades específicas das populações.

• Saúde e emergência: É crucial adaptar o sistema público de saúde para o aumento das ondas de calor e desastres. Isso inclui construir hospitais resilientes com energia solar e sistemas de refrigeração eficientes, e criar uma ampla e acessível rede de hidratação pública, incluindo bebedouros, que pode salvar vidas durante ondas de calor.

• Educação adaptada: As prefeituras devem planejar a adaptação das escolas às novas condições climáticas. A exposição prolongada ao calor extremo compromete o rendimento escolar e a saúde de estudantes e professores.

• Gerenciamento de riscos: Criar sistemas públicos de gerenciamento de riscos e desastres, adaptando as defesas civis e mapeando as áreas de riscos. O monitoramento em tempo real é vital para prever surtos de doenças (como dengue, zika e chikungunya, exacerbadas pelo clima) e alocar recursos.

• Reassentamento: Criar condições para que moradores de áreas de riscos sejam reassentados em áreas seguras, garantindo moradia digna e qualidade de vida.
Financiamento e política integrada

Apesar de as cidades estarem na linha de frente dos impactos e as soluções serem necessárias, a inércia política e a falta de investimento são obstáculos severos.

A implementação dessas ações demanda um financiamento robusto. Os esforços necessários estão além da capacidade financeira e econômica da maioria dos municípios do Brasil, exigindo, portanto, grandes investimentos de estados e do governo federal.

Investir em adaptação não é apenas uma questão de infraestrutura, mas uma questão de justiça social, saúde pública e direito à vida digna. A mensagem para os formuladores de políticas é clara: adiar a preparação é a opção mais cara.

O desafio é imenso, mas as soluções baseadas na natureza e na tecnologia urbana estão disponíveis e são tão possíveis quanto necessárias.

As cidades precisam priorizar a natureza como infraestrutura essencial. Elas são protagonistas de um multilateralismo renovado, e o futuro do desenvolvimento passa, inevitavelmente, pela construção de um mundo não apenas mais rico, mas também mais justo e resiliente. (ecodebate)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Cientistas alertam para risco de aquecimento global extremo

Cientistas afirmam que vários sistemas críticos da Terra parecem estar mais perto da desestabilização do que se pensava. Isto coloca o planeta em maior risco de seguir uma trajetória de "estufa" impulsionada por ciclos de feedback que podem amplificar as consequências do aquecimento global.
Pesquisa internacional aponta que 16 pontos de inflexão do sistema terrestre estão mais próximos do limite crítico do que se previa e o efeito dominó pode ser irreversível.

Múltiplos componentes do sistema terrestre parecem estar mais próximos da desestabilização do que se acreditava anteriormente, colocando o planeta em maior risco de uma trajetória de aquecimento global extremo impulsionada por ciclos de retroalimentação capazes de amplificar dramaticamente as consequências das mudanças climáticas.

O alerta vem de uma colaboração internacional liderada por William Ripple, da Universidade Estadual do Oregon (OSU), e foi publicado na revista científica One Earth.

O que são os pontos de inflexão e por que eles assustam os cientistas

O estudo analisa 16 elementos de inflexão — subsistemas da Terra que podem sofrer perda irreversível de estabilidade caso limites críticos de temperatura sejam ultrapassados. Entre eles estão as calotas polares da Antártida e da Groenlândia, as geleiras de montanha, o gelo marinho, as florestas boreais, o permafrost, a floresta amazônica e a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC), sistema de correntes oceânicas que regula o clima global.

A preocupação central é que essas mudanças bruscas não ocorram de forma isolada. Segundo os pesquisadores, elas provavelmente resultariam em uma cascata de interações entre subsistemas, levando o planeta a um caminho de aquecimento extremo e elevação do nível do mar — condições que poderiam ser extremamente difíceis de reverter em escalas de tempo humanas, mesmo com cortes profundos nas emissões de gases de efeito estufa.

Temperatura global já ultrapassou o limite do Acordo de Paris

Quase 10 anos após o Acordo de Paris — que buscava limitar o aquecimento médio a longo prazo a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais —, o aumento da temperatura global já ultrapassou essa marca por 12 meses consecutivos. Esse mesmo período foi marcado por incêndios florestais extremos, inundações mortais e outros desastres naturais relacionados ao clima ao redor do mundo.

“A ultrapassagem do limite de temperatura geralmente é avaliada usando médias de 20 anos, mas simulações de modelos climáticos sugerem que a recente violação em 12 meses indica que o aumento médio de temperatura a longo prazo está em ou próximo de 1,5°C”, afirmou Christopher Wolf, coautor do estudo e cientista da Terrestrial Ecosystems Research Associates (TERA). “É provável que as temperaturas globais estejam tão altas ou mais altas do que em qualquer momento nos últimos 125.000 anos”.

Os níveis de dióxido de carbono na atmosfera também estão nos patamares mais altos em pelo menos 2 milhões de anos: com mais de 420 partes por milhão, a concentração de CO2 é cerca de 50% maior do que era antes da Revolução Industrial.

Como os ciclos de retroalimentação amplificam o aquecimento

Quando o clima muda, podem ser desencadeadas respostas que retroalimentam o próprio sistema climático, amplificando ou atenuando a mudança original. Esses mecanismos são conhecidos como ciclos de retroalimentação climática e estão no centro das preocupações dos pesquisadores.

“O derretimento do gelo e da neve, o degelo do permafrost, a morte das florestas e a perda de carbono do solo podem amplificar o aquecimento e, por sua vez, afetar a sensibilidade do sistema climático aos gases de efeito estufa”, explicou Ripple. O derretimento do gelo, por exemplo, reduz o albedo — a capacidade da superfície terrestre de refletir a luz solar —, acelerando ainda mais o aquecimento.

O efeito dominó: da Groenlândia à Amazônia

Um dos cenários mais preocupantes descritos no estudo envolve uma reação em cadeia entre diferentes regiões do planeta. À medida que a camada de gelo da Groenlândia derrete, isso pode enfraquecer ainda mais a AMOC, que já apresenta sinais de enfraquecimento. A desaceleração dessas correntes oceânicas, por sua vez, pode levar partes da Amazônia a se transformarem de floresta tropical em savana.

“Isso pode aumentar o risco de declínio da Amazônia, com grandes impactos negativos no armazenamento de carbono e na biodiversidade”, alertou Ripple. “O carbono liberado pelo declínio da Amazônia amplificaria ainda mais o aquecimento global e interagiria com outros ciclos de retroalimentação”.

Os cientistas afirmam que o colapso das calotas polares da Groenlândia e da Antártida Ocidental já pode estar em curso, enquanto o permafrost boreal, as geleiras de montanha e a floresta amazônica parecem estar à beira do colapso.

“Estabilidade de 11 mil anos está sendo destruída”

Para contextualizar a gravidade da situação, Ripple recorre à história geológica da Terra. “Após um milhão de anos oscilando entre eras glaciais separadas por períodos mais quentes, o clima da Terra se estabilizou há mais de 11.000 anos, possibilitando a agricultura e sociedades complexas”, disse o pesquisador. “Agora estamos nos afastando dessa estabilidade e podemos entrar em um período de mudanças climáticas sem precedentes”.
O que os cientistas recomendam para evitar o colapso

Diante do quadro, os autores defendem que estratégias urgentes de mitigação e adaptação são necessárias. As recomendações incluem a expansão da energia renovável, a proteção dos ecossistemas que armazenam carbono, a incorporação da resiliência climática nas políticas governamentais e a eliminação gradual e socialmente justa dos combustíveis fósseis.

Os pesquisadores também apontam para a necessidade de novas abordagens, como o monitoramento global coordenado dos pontos de inflexão e melhores planos de gestão de riscos climáticos.

“Os formuladores de políticas e o público em geral permanecem em grande parte alheios aos riscos representados pelo que seria, na prática, uma transição sem retorno”, disse Wolf. “Evitar a trajetória de aquecimento global extremo não é fácil, mas é muito mais viável do que tentar reverter a situação depois de já termos entrado nela”. (ecodebate)   

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Diferenças regionais do envelhecimento populacional no Brasil

O envelhecimento populacional no Brasil é heterogêneo, com o Sul e Sudeste apresentando estruturas mais envelhecidas (cerca de 18% da população com 60+ anos) e o Norte mais jovem (25,2% até 14 anos). Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro têm as maiores proporções de idosos, enquanto Roraima e Amapá são os mais jovens.

Regiões Envelhecidas (Sul/Sudeste): Lideram o processo devido a taxas de fecundidade menores e maior expectativa de vida, com destaque para o RS com 115 idosos para cada 100 crianças.

Regiões Jovens (Norte/Nordeste): Apresentam maior proporção de crianças e adolescentes, embora o envelhecimento esteja ocorrendo de forma acelerada em todo o país.

Desigualdade nos Municípios: Municípios pequenos (< 5.000 hab.) tendem a ser mais envelhecidos, pois jovens migram para metrópoles (acima de 500 mil hab.) em busca de trabalho, resultando em concentrações de idosos no interior.

Impactos Socioeconômicos: O envelhecimento rápido, especialmente no Sudeste, exige readequação de políticas de saúde e previdência.

A diferença é marcada por dinâmicas de fecundidade e migração, com o Norte mais rejuvenescido e o Sul mais envelhecido.

O envelhecimento populacional no Brasil é um processo irreversível, estrutural e generalizado, mas profundamente marcado por desigualdades regionais

O Brasil está passando por uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço tem sido diferenciado para as Grandes Regiões do país.

O gráfico abaixo, com dados dos Censos Demográficos de 1970 a 2022, do IBGE, mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o Brasil e as Grandes Regiões. O Brasil tinha um IE de 12 idosos de 60 anos e mais para cada 100 crianças e adolescentes de 0-14 anos, passando para 16 idosos para cada 100 jovens em 1980, para 29 em 2000, 45 em 2010 e 80 idosos 60+ para cada 100 jovens de 0-14 anos em 2022.

As regiões Sul e Sudeste possuem IE acima da média nacional e as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste possuem IE abaixo da média nacional. A região Norte apresenta a estrutura etária mais jovem, com um IE que passou de 8 idosos para cada 100 jovens em 1970 para 41 idosos para cada 100 jovens em 2022. No mesmo período, na região Centro-Oeste o IE passou de 7 para 63 e na região Nordeste passou de 11 para 69 idosos por cada 100 jovens.

Na região Sul o IE passou de 11 idosos para cada 100 jovens em 1970 para 95 idosos por 100 jovens em 2022. A região Sudeste, com o maior Índice de Envelhecimento, passou de 15 idosos por 100 jovens em 1970 para 98 idosos de 60+ por 100 jovens de 0-14 anos. Portanto, por enquanto, há mais jovens do que idosos em todas as regiões, embora haja quase um empate na região Sudeste em 2022.

O gráfico abaixo mostra a evolução da população das Grandes Regiões do Brasil de 1872 a 2022. A população do Nordeste representava 46% da população total do Brasil em 1872, quando ocorreu o primeiro censo demográfico do país (50 anos após a Independência). A partir do início da República a região Sudeste assumiu a liderança e se manteve com um percentual acima de 40% do total populacional. A região Sul cresceu ao longo das décadas até chegar a 16% em 1970, mas diminuiu para 15% em 2022. As regiões Norte e Centro-Oeste congregam um menor percentual de população, mas são as regiões que mais cresceram nas últimas décadas.

A mudança da estrutura etária começou a partir da década de 1970, quando teve início a transição da fecundidade no Brasil. O gráfico abaixo, mostra que a TFT do Brasil estava acima de 6 filhos por mulher entre 1940 e 1960, caiu para 5,8 filhos em 1970, para 4,4 filhos em 1980, para 2,9 filhos em 1991, para 2,3 filhos em 2000, 1,9 filhos em 2010 e 1,55 filhos por mulher em 2022. As regiões Norte e Nordeste tinham TFT acima da média nacional e as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste abaixo da média nacional.

Entre 1940 e 1970 estava havendo divergência nas taxas de fecundidade regionais, pois a diferença na TFT das regiões Norte e Sudeste era de 1,5 filho em 1940, passou para 2,5 filhos em 1950, para 2,3 filhos em 1960 e para 3,6 filhos em 1970. Mas a partir da década de 1970 passou a haver convergência na transição da fecundidade entre as diversas regiões brasileiras. Como mostra o gráfico, todas as regiões convergiram para taxas próximas de 1,55 filhos, sendo que as diferenças regionais em 2022 ficaram no máximo em 0,5 filho. Isto quer dizer que a transição da fecundidade no Brasil é um fenômeno comum em todo o território nacional

O envelhecimento populacional é maior nas regiões Sul e Sudeste exatamente porque foram as regiões líderes na transição da fecundidade. Da mesma forma, a região Norte é a que tem a estrutura etária mais jovem por conta das maiores taxas de fecundidade no passado, embora o envelhecimento regional deva convergir para níveis elevados no futuro.

O gráfico abaixo, com dados dos censos demográficos do IBGE, mostra a evolução das percentagens de alguns grupos etários selecionados entre 1970 e 2022 no Brasil. O grupo etário de jovens 0-14 anos era de 42% da população brasileira em 1970 e caiu para menos da metade (19,8%) em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 52,7% em 1970 para 65,1% em 2010, significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.

Porém, o percentual de pessoas entre 15-59 anos diminuiu para 64,4% em 2022, significando que a janela de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim absoluto do 1º bônus demográfico, mas significa que o Brasil precisa investir nas outras janelas de oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da longevidade).

A população 50+ era de 10,7% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos por volta de 2012 e chegou a 27,7% em 2022. A população 60+ era de 5,1% em 1970 e chegou a 15,8% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população 70+ era de 1,8% em 1970 e chegou a 7% da população total do Brasil em 2022.

As evidências apresentadas ao longo deste artigo mostram que o envelhecimento populacional no Brasil é um processo irreversível, estrutural e generalizado, mas profundamente marcado por desigualdades regionais.

Embora todas as Grandes Regiões já apresentem Índices de Envelhecimento elevados e trajetórias convergentes de baixa fecundidade, o ritmo, o estágio e as implicações sociais e econômicas desse processo variam de forma significativa no território nacional. Sul e Sudeste enfrentam um envelhecimento mais avançado, associado à redução da população em idade ativa e à necessidade imediata de reorganização dos sistemas de previdência, saúde e cuidados de longa duração, enquanto Norte, Nordeste e Centro-Oeste ainda convivem com estruturas etárias relativamente mais jovens, mas caminham rapidamente para níveis semelhantes de envelhecimento nas próximas décadas.

A convergência das taxas de fecundidade para patamares muito baixos indica que o envelhecimento não é mais uma questão regional, mas um desafio nacional que exige respostas diferenciadas e territorialmente sensíveis. O fechamento gradual da janela do primeiro bônus demográfico reforça a urgência de políticas voltadas ao aumento da produtividade, à elevação do capital humano ao longo do ciclo de vida e à promoção de um envelhecimento saudável, ativo e inclusivo. Nesse sentido, o segundo e o terceiro bônus demográficos tornam-se estratégicos para sustentar o crescimento econômico, reduzir desigualdades e garantir bem-estar em uma sociedade cada vez mais longeva.

Portanto, compreender as diferenças regionais do envelhecimento populacional não é apenas um exercício analítico, mas uma condição essencial para o planejamento do desenvolvimento brasileiro.

O desafio central não é conter o envelhecimento, mas transformar a longevidade em um ativo social, econômico e humano, articulando políticas públicas integradas que considerem as especificidades regionais e preparem o país para um futuro em que os idosos ocuparão um papel central na dinâmica demográfica, econômica e social do Brasil. (ecodebate)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Rio Grande do Sul o estado mais envelhecido do Brasil

O Rio Grande do Sul confirmou sua posição como o estado com a população mais envelhecida do Brasil, segundo o Censo 2022 do IBGE. Com uma idade mediana de 38 anos, o estado possui a maior proporção de idosos (20,15% com 60 anos ou mais) e a menor proporção de crianças, evidenciando uma rápida transição demográfica.

Principais Dados do Envelhecimento no RS (Censo 2022):

Idosos (60+): Representam 20,15% da população, com mais de 2,1 milhões de pessoas.

População 65+: É o estado com o maior percentual, com 14,1% dos moradores.

Idade Mediana: 38 anos, superior à mediana nacional de 35 anos.

Comparação: Enquanto o RS é o estado mais velho, Roraima é o mais jovem, com idade mediana de 26 anos.

Município Destaque: Coqueiro Baixo, no Vale do Taquari (RS), tem a maior taxa de envelhecimento do Brasil.

A estrutura etária gaúcha reflete um estreitamento da base da pirâmide, com menos nascimentos e maior expectativa de vida, o que demanda políticas públicas focadas em saúde, previdência e assistência social, com destaque para a necessidade de regionalização dessas ações.

O Brasil está passando por uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço será diferenciado para as diversas Unidades da Federação (UFs).

O gráfico abaixo, com dados do Censo Demográfico 2022, do IBGE, mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o Brasil e as UFs. O Brasil apresentou um IE de 80 idosos (de 60+) para cada 100 jovens (de 0-14 anos). Em duas UFs, o Rio Grande do Sul (115) e o Rio de Janeiro (105,9) o IE ficou acima de 100 idosos para cada 100 jovens de 0-14 anos. No estado mais populoso, o IE ficou em 95,9 idosos para cada 100 jovens em 2022 em São Paulo. No outro extremo, Roraima apresentou um IE de 27,1 idosos para cada 100 jovens, apresentando a estrutura etária mais rejuvenescida do país.

O estado do Rio Grande do Sul (RS) foi um dos líderes da transição da fecundidade no Brasil e apresenta atualmente a estrutura etária mais envelhecida.

O gráfico abaixo, com dados das projeções populacionais do IBGE (revisão 2024), mostra o grupo etário de crianças e adolescentes de 0-14 anos e os grupos etários das gerações prateadas de 50+, 60+, 70+ e 80+ no território gaúcho, do ano 2000 a 2070. Nota-se que, no início do atual século, o grupo jovem de 0-14 anos era maior do que qualquer um dos grupos prateados, porém, será superado por todos até 2070.

Em 2000, havia 2,7 milhões de jovens de 0-14 anos no RS, mas este número tem caído continuamente ao longo do século e deve ficar em 1,1 milhão em 2070. Em contraste, as gerações prateadas vão crescer. A população de 50 anos e +, que era de 2 milhões em 2000, ultrapassou o grupo 0-14 anos em 2007, com 2,5 milhões de pessoas e deve chegar a 4,8 milhões em 2070. Ou seja, entre 2000 e 2070, o grupo de crianças e adolescentes deve cair para menos da metade e o grupo 50+ deve mais que dobrar.

A população de 60 anos e + era de 1,1 milhão de pessoas em 2000, ultrapassou o número de jovens em 2020, com 2,1 milhões de pessoas e deve chegar a 3,6 milhões de pessoas em 2070. A população de 70 anos e + era de 483 mil pessoas em 2000, deve ultrapassar o número de jovens em 2036, com 1,6 milhão de pessoas, devendo atingir 2,3 milhões de pessoas em 2070.

A população de 80 anos e +, que era de 135 mil em 2000, deve ultrapassar os jovens em 2068, com pouco mais de 1,1 milhão de pessoas. Havia 20 vezes mais crianças e jovens do que idosos 80+ em 2000, mas haverá mais idosos da “quarta idade” do que jovens em 2070.

O crescimento das gerações prateadas traz desafios, mas também oportunidades.

A principal dificuldade será lidar com a redução da população em idade ativa (15-59 anos) e com o aumento da razão de dependência demográfica. O fim do 1º bônus demográfico é um evento inexorável.

Mas como mostrei no artigo “Os quatro bônus demográficos e a nova dinâmica populacional global”, publicado aqui no Portal Ecodebate (Alves 2025) existem quatro janelas de oportunidades para se aproveitar as sinergias entre a dinâmica populacional e o desenvolvimento socioeconômico.

• 1º bônus demográfico – Este bônus ocorre quando há uma redução nas taxas de fecundidade, o que diminui a proporção de crianças na população e aumenta, temporariamente, a proporção de pessoas em idade ativa (15-64 anos). É uma fase em que a “razão de dependência” é baixa, permitindo que os países invistam mais em capital físico e humano para impulsionar o crescimento econômico.

• 2º bônus demográfico – Enquanto o primeiro bônus é uma mudança numérica de idade, o segundo foca na qualidade. Decorre do aumento da produtividade através da educação, qualificação da força de trabalho e investimentos tecnológicos. Com famílias menores, há mais recursos por criança, o que eleva o nível educacional e a capacidade produtiva de cada indivíduo, compensando a futura redução do número de trabalhadores, via aumento da produtividade.

• 3º bônus demográfico – Este bônus surge com o envelhecimento populacional saudável e ativo. A longevidade permite que gerações mais velhas continuem a contribuir para a sociedade e a economia, desde que se combatam preconceitos etários e se promovam políticas de integração intergeracional. A economia prateada é uma grande oportunidade para o aumento do bem-estar social.

• 4º bônus demográfico – Baseado em estudos recentes, este bônus refere-se às vantagens ambientais e sociais de uma população menor, que significa a) Menor pressão sobre recursos naturais, água, energia e solo, auxiliando na mitigação da crise climática; b) Espaços urbanos tornam-se menos congestionados e áreas anteriormente ocupadas podem ser convertidas em zonas verdes e c) A escassez de mão de obra estimula a inovação em robótica e Inteligência Artificial.

A humanidade já superou a capacidade de carga da Terra. Desta forma, para garantir um futuro sustentável, o decrescimento populacional, no longo prazo, é inevitável e pode levar a uma sociedade mais equilibrada e centrada no bem-estar humano e ambiental, desde que acompanhado por políticas públicas adequadas em educação, tecnologia e equidade social.

Um Envelhecimento Saudável, Ativo e Colaborativo (ESAC) requer ações articuladas em quatro níveis. No plano individual, o cuidado com a saúde e o bem-estar depende do engajamento pessoal, já que a prática regular de atividade física e a adoção de uma alimentação adequada pressupõem iniciativa e responsabilidade de cada indivíduo. No nível local e comunitário, as relações sociais com vizinhos e com a comunidade do entorno são fundamentais para o fortalecimento dos vínculos coletivos, a construção de redes de apoio e o senso de propósito de vida. No âmbito da iniciativa privada, cabe às empresas combater práticas etaristas, valorizar a diversidade etária e promover ambientes de trabalho multigeracionais e inclusivos. Por fim, no nível do Estado, as políticas públicas devem atuar de forma integrada nas esferas federal, estadual e municipal, com ações que apoiem a população com 50 anos ou mais e promovam o aproveitamento do bônus da longevidade, estimulando o pleno uso do potencial econômico, social e produtivo das gerações prateadas.
Viver mais é um privilégio. Em vez de temer o “Apocalipse do envelhecimento populacional”, é hora de abraçar a construção de uma sociedade da longevidade, capaz de transformar anos extras em saúde, aprendizado, produtividade e bem-estar. (ecodebate)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Previsão aquecimento global para 2026

O ano de 2026 é projetado para ser um ano crítico para o meio ambiente e a humanidade, com um aumento significativo na temperatura média global. Projeções indicam que 2026 pode estar entre os anos mais quentes já registrados, com uma temperatura média global até 1,58°C acima dos níveis pré-industriais. Especialistas destacam a aceleração do aquecimento global e os riscos de eventos climáticos extremos, reforçando a urgência de ações para mitigar emissões de gases.
Cientistas, incluindo especialistas do Copernicus e o ex- NASA James Hansen, alertam que 2026-2027 trará novos extremos climáticos, com alto risco de serem os anos mais quentes já registrados. A previsão indica aumento da instabilidade, alternando veranicos com chuvas intensas, impulsionado pela trajetória clara de aquecimento global e possível influência do El Niño.

Principais Alertas para 2026-2027:

Calor Extremo: 2026 deve se manter acima da média de temperatura dos anos anteriores, figurando entre os cinco mais quentes já registrados. O risco de um novo ano recorde de calor até 2027 é de 98%.

Instabilidade Climática: Especialistas preveem um clima mais instável, com alternância severa entre períodos de seca (veranicos) e chuvas fortes.

Risco de 1,5°C: Especialistas alertam que o aquecimento global pode ultrapassar a marca crítica de 1,5°C até 2027.

Consequências Tropicais: O avanço das mudanças climáticas, se não freado, pode tornar regiões tropicais inabitáveis, alertam cientistas como Carlos Nobre.

Emissões em Alta: O combate às emissões estagnou em algumas nações e o uso de carvão nos EUA subiu, anulando progressos anteriores.

A trajetória de aquecimento é descrita como "muito, muito clara", segundo Carlo Buontempo, do Copernicus, indicando que, independentemente de 2026 ou 2027 baterem o recorde, a tendência de calor extremo continuará.

Cientista faz alerta ao mundo sobre o clima do planeta em 2026-2027.

James Hansen, autoridade mundial em clima, faz previsão grave de um salto da temperatura planetária com El Niño.

O clima planeta pode enfrentar um novo salto de aquecimento global entre 2026 e 2027, impulsionado por um episódio de El Niño previsto para se formar no Oceano Pacífico. O alerta vem do climatologista James Hansen, cientista da NASA até 2013 e atual diretor de ciência climática da Universidade de Columbia, em Nova York, um dos cientistas mais respeitados do mundo quando o assunto é aquecimento global.

Novo salto na temperatura do planeta traria ainda mais extremos no clima como ondas de calor, secas, enchentes e incêndios florestais no segundo semestre de 2026 e em 2027.

Segundo Hansen, a temperatura média global em 2025 ficou preliminarmente 1,47°C acima dos níveis do período pré-industrial (1880 a 1920). Esse valor faz de 2025 o segundo ano mais quente já registrado, perdendo apenas para 2024, que estabeleceu o recorde histórico. A diferença entre os dois anos é pequena, cerca de 0,1°C, mas suficiente para mostrar que o planeta segue em trajetória de aquecimento contínuo.

Mais preocupante ainda é a média dos últimos 3 anos. Entre 2023 e 2025, a temperatura global média ficou em 1,5°C acima do nível pré-industrial, exatamente o limite mais ambicioso estabelecido pelo Acordo de Paris para evitar os piores impactos das mudanças climáticas. Para Hansen, esse dado indica que o aquecimento global não é mais uma ameaça distante, mas uma realidade presente.

O cientista lembra que, em março de 2024, ele e sua equipe já haviam previsto que o El Niño então em curso provocaria um aquecimento maior do que o observado em episódios anteriores do fenômeno. Na época, a projeção era de que a temperatura global atingisse pelo menos 1,6°C acima do período pré-industrial e que, mesmo após o fim do El Niño, o planeta não esfriasse muito, permanecendo em torno de 1,4°C.

Essa previsão se confirmou. Agora, com base em novos dados e modelos climáticos, Hansen afirma que a temperatura média global deve atingir um mínimo temporário em torno de 1,4°C no primeiro semestre de 2026 e partir daí a tendência será de uma nova elevação, impulsionada por um novo episódio de El Niño, que pode se desenvolver na segunda metade de 2026 e avançar por 2027.

Atualmente, o Oceano Pacífico tropical está sob influência da La Niña, fase fria do sistema conhecido como El Niño–Oscilação Sul (ENSO). Esse sistema é o principal responsável pelas variações naturais de temperatura de um ano para o outro no planeta. Durante o El Niño, as águas do Pacífico equatorial ficam mais quentes do que o normal, o que costuma elevar a temperatura média global.

Embora a NOAA, agência climática dos Estados Unidos, adote uma postura cautelosa e indique apenas a possibilidade de uma transição para condições neutras no início de 2026, Hansen destaca que diversos modelos climáticos independentes apontam para a formação de um El Niño mais adiante, ainda em 2026. Para ele, os sinais nos oceanos e na atmosfera já sugerem essa mudança.

Com a chegada desse novo El Niño, James Hansen faz uma projeção alarmante de que a temperatura média global possa alcançar cerca de 1,7°C acima do nível pré-industrial em 2027, estabelecendo um novo recorde histórico com marca que somente era esperada para daqui a uma década ou mais.

O intervalo curto entre esse possível recorde e o último grande El Niño, ocorrido em 2023, chama a atenção dos cientistas. Em apenas 4 anos, o planeta pode ganhar mais 0,1°C de aquecimento estrutural, sem considerar a variabilidade natural.

Hansen afirma que isso é um sinal claro de que o aquecimento global está se acelerando. Segundo ele, a taxa atual de aumento da temperatura média global é de cerca de 0,31°C por década, um ritmo considerado muito alto.

Um dos fatores por trás dessa aceleração seria a mudança no efeito dos aerossóis — partículas presentes na atmosfera que, por décadas, ajudaram a mascarar parte do aquecimento ao refletir a luz solar. Com a redução dessas partículas em várias regiões do mundo, esse “freio” temporário ao aquecimento estaria desaparecendo.

O climatologista reconhece que fazer previsões envolve riscos, mas defende que esse exercício é essencial para o avanço da ciência. Para ele, testar hipóteses com base nos dados disponíveis permite melhorar modelos, corrigir erros e compreender melhor o funcionamento do sistema climático da Terra.

Nuvens reflexivas da luz solar na atmosfera terrestre têm encolhido, aumentando aquecimento global.

Nuvens da Terra estão encolhendo, o que aumenta o aquecimento global

Cientistas acreditam que essa é a peça que faltava na explicação de por que mais energia solar têm entrado do que saído do planeta. (metsul.com)

Alerta climático máximo para 2026

Alerta climático máximo em 2026: El Niño “muito alto” é projetado com o aquecimento expressivo do Pacífico até maio, sinaliza calor mais per...