Principais
Impactos de 1,5°C vs. Cenários Superiores:
Biodiversidade:
O limite de 1,5°C salva 70% a 90% dos recifes de corais, enquanto um aumento de
2°C dizimaria mais de 99% deles.
Habitats
em Risco: Sem contenção, até 36% dos habitats de espécies terrestres
enfrentarão múltiplos eventos climáticos extremos até 2085.
Ondas
de Calor: A limitação a 1,5°C reduz drasticamente a frequência de calores
extremos que atingem ecossistemas frágeis.
Ação
Climática: A meta estabelecida no Acordo de Paris (2015) exige cortes profundos
de emissões, pois a falta de ação acelera a perda de biodiversidade.
Até
2085, 36% dos habitats de espécies em terra poderão estar expostos a múltiplos
eventos climáticos extremos, como ondas de calor, incêndios e inundações, caso
o aquecimento global continue avançando. O dado é de um estudo publicado na
revista Nature Ecology and Evolution, conduzido por uma equipe internacional de
18 cientistas e que aponta a Amazônia como uma das regiões mais vulneráveis a
esses impactos.
Ondas
de calor, por si só, já devem atingir quase todos os ecossistemas do planeta.
Até 2050, cerca de 74% dos habitats estarão expostos a esse tipo de evento
extremo — percentual que pode chegar a 93% até 2085 no cenário atual de
aquecimento. No ano 2000, esse índice era de apenas 18%, evidenciando a rápida
intensificação desses eventos.
O
estudo também identifica a bacia amazônica, o sul da África e o Sudeste
Asiático como pontos críticos globais para o aumento da frequência de incêndios
florestais, reforçando o risco crescente sobre regiões de alta biodiversidade.
Esse
cenário, no entanto, ainda pode ser revertido, segundo o estudo. Se o mundo
reduzir rapidamente o uso de combustíveis fósseis e cumprir as metas do Acordo
de Paris, a exposição de habitats a múltiplos eventos extremos cairia para
menos de 10% até 2085 — o equivalente a evitar cerca de 75% dos impactos mais
severos sobre a biodiversidade global.
Os dados vêm de uma análise que abrange quase 34 mil espécies de vertebrados terrestres, mapeando impactos sobre anfíbios, aves, mamíferos e répteis em escala global. A pesquisa foi conduzida por uma equipe internacional de 18 cientistas e liderado pelo Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK).
“As mudanças climáticas, e em particular os eventos extremos, ainda estão sendo muito subestimados quando se trata de planejamento de conservação. Não será apenas uma mudança gradual de temperatura ao longo de muitos anos”, afirma Stefanie Heinicke, autora principal do estudo.
A
Amazônia aparece como um dos principais hotspots globais para o aumento de
eventos extremos, especialmente incêndios florestais e ondas de calor — hoje
considerados o segundo maior risco climático para a biodiversidade. Em 2020,
incêndios no Pantanal mataram cerca de 17 milhões de animais vertebrados, um
dos episódios mais severos já registrados.
Segundo
o artigo, uma onda de calor, inundação ou incêndio pode devastar populações
animais. Estudos anteriores já sinalizaram esse fenômeno: 57% dos registros
científicos indicam impactos negativos de eventos extremos sobre espécies; há
100 casos documentados de queda populacional acima de 25% e 31 registros de
extinção local.
Mas
cortar rapidamente as emissões pode evitar grande parte desses impactos. Em um
cenário em que o aquecimento começa a reduzir na segunda metade do século, a
parcela de habitats de animais terrestres exposta a múltiplos eventos até 2085
seria limitada a apenas 9%. “Ainda podemos fazer muita diferença se reduzirmos
as emissões o mais rápido possível a partir de agora”, acrescentou Heinicke.
Eventos
combinados ampliam danos
O
principal alerta dos pesquisadores é o efeito combinado dos extremos. Hoje,
eventos como seca, calor e incêndios já ocorrem de forma encadeada em diversas
regiões. Quando múltiplos tipos de eventos extremos ocorrem em sequência, os
impactos sobre espécies e habitats se acumulam. Até 2050, cerca de 14% dos
habitats já enfrentarão múltiplos eventos, proporção que sobe para 36% até
2085.
Impactos
sobre espécies
O
estudo é um dos primeiros a quantificar a exposição da fauna a incêndios
florestais em escala global. No ano 2000, apenas 11 espécies de anfíbios tinham
mais de 25% de seus habitats expostos ao fogo. Esse número pode chegar a quase
500 até 2085 no cenário de baixa emissão, mas ultrapassa 3.400 espécies na
trajetória atual — quase sete vezes mais.
Espécies
com áreas de distribuição pequenas enfrentam riscos particularmente elevados. O
cacatua-negra-de-Carnaby perdeu cerca de 60% da população após uma onda de
calor na Austrália.
Até
2085, quase 3.800 espécies de aves poderão ter mais de 75% de seus habitats
expostos a ondas de calor no cenário do Acordo de Paris — número que ultrapassa
9.800 espécies na trajetória atual. Reduzir rapidamente o uso de combustíveis
fósseis reduziria mais da metade desse impacto.
Modelagem
de impactos para a biodiversidade
O
artigo adota uma abordagem nova para analisar os impactos das mudanças
climáticas sobre a biodiversidade. Ele utiliza resultados de modelos de impacto
climático, que fornecem dados sobre efeitos mais complexos além do aumento da
temperatura, como áreas inundadas e projeções de incêndios florestais.
Para
exemplificar: os autores conseguiram mostrar que, até 2050, em um cenário em
que o aquecimento continua a aumentar na segunda metade do século, 74% dos
habitats atuais de animais em terra estarão expostos a ondas de calor, 16% a
incêndios florestais, 8% a secas e 3% a inundações fluviais.
Limitar
o aquecimento do planeta a 1,5°C requer ação mais ampla e rápida.
Todo
o planeta TERRA sofre em demasia com a maioria dentre todas as mudanças
climáticas geradas pelo aquecimento global, principalmente pela emissão
exagerada dos gases de efeito estufa (GEE)). (ecodebate)





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