Recuperação da vegetação
nativa ganha força no Brasil, gera créditos de carbono, movimenta a bioeconomia
e cria oportunidades para produtores rurais.
A Mata Atlântica concentra
64% de toda a área em recuperação monitorada no Brasil, representando cerca de
131 mil hectares em regeneração. O bioma é considerado um local ideal para a
restauração em larga escala, visto que restam menos de 30% da sua cobertura
florestal original.
Os números e contextos atuais
destacam o cenário da recuperação:
• Área em Recuperação: O
bioma lidera a restauração no país, enquanto a Amazônia registrou crescimento
de 173% na área monitorada em 4 anos.
• Reversão de Perdas: Apesar
de uma média de 155 mil hectares de florestas jovens se regenerarem anualmente,
o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica aponta que cerca de 30% dessa
regeneração é perdida novamente ao longo dos anos.
• Investimentos e Metas: Os
esforços visam ajudar o país a cumprir as metas do Acordo de Paris e do Plano
Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).
• Biodiversidade em SP: Projetos como os da Fundação Florestal têm monitorado o retorno de espécies raras a áreas protegidas no estado, como antas e o Muriqui do Sul.
Mata Atlântica.
No ano em que registra o
menor desmatamento em quatro décadas, a Mata Atlântica chega ao seu dia
nacional, celebrado em 27 de maio, como uma potencial vitrine de uma nova
agenda econômica: a restauração produtiva. Antes vista sobretudo como uma ação
ambiental, a recuperação da vegetação nativa vem se tornando uma alternativa
estratégica para explorar atividades produtivas sustentáveis, com potencial de
geração de renda e novas oportunidades para produtores rurais e comunidades.
Em 2025, o desmatamento na
Mata Atlântica atingiu o menor nível registrado em toda a série histórica do
monitoramento da SOS Mata Atlântica e Inpe, iniciado em 1985. Ao longo desse
período, houve redução de 40% na área desmatada, que passou de 14.366 para 8.658
hectares. Esse marco reforça os avanços na conservação e políticas públicas do
bioma. Em paralelo, a relevância da Mata Atlântica na agenda global de
restauração se destaca, projetando-a como um laboratório de modelos capazes de
integrar conservação, produção e desenvolvimento econômico.
O bioma é reconhecido desde 2022 pela ONU e pela FAO como uma das 10 Iniciativas de Referência Mundial da Década da Restauração de Ecossistemas (2021-2030). Para Cézar Borges, membro do Grupo Gestor do Observatório da Restauração, trata-se de um mérito relacionado à governança construída no território, que integra setor público, empresas, academia e sociedade civil: “Todos esses atores comprometeram-se com metas comuns para implementar e escalar a restauração no bioma, o que garante integridade às iniciativas”.
Restauração da Mata Atlântica vira oportunidade econômica
O potencial econômico da Mata
Atlântica
Os benefícios econômicos da
restauração se materializam em diversas iniciativas. Recentemente, ocorreu no
sul da Bahia a primeira comercialização de créditos de carbono provenientes de
restauração da vegetação nativa, realizada por uma empresa privada. Borges
destaca que essa agenda vem se estruturando nos últimos anos e pode ser uma das alternativas no mercado de
Soluções baseadas na Natureza (SbN), mas que ainda está em processo de
regulamentação e aprimoramento técnico.
“A governança já estabelecida
na Mata Atlântica, aliada ao histórico científico e institucional, oferece
condições para que os créditos tenham maior segurança, integridade ecológica e
de inclusão social, desde que as iniciativas de carbono atuem de forma
integrada e com uma governança de paisagem compartilhada com os atores locais”,
afirma o especialista. “Um dos desafios é garantir monitoramento e
transparência, e é justamente aí que plataformas como o Observatório da
Restauração desempenham papel essencial, assegurando clareza sobre quem realiza
a restauração, onde e de que forma, fortalecendo a credibilidade das
iniciativas”.
Paralelamente, a silvicultura
de espécies nativas ganha destaque com a identificação de 15 espécies de
árvores de alto potencial econômico, capazes de gerar renda e emprego enquanto
recuperam o ecossistema. “O lançamento do Programa de Pesquisa e
Desenvolvimento da Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN) mostra como
a agenda de silvicultura de nativas tem potencial, condições técnicas e está
sendo vista de modo estratégico pelo país, com o BNDES investindo R$ 24,9
milhões para pesquisa e parcerias nessa área nos próximos cinco anos”, explica
Borges. “Isso é uma sinalização de como o plantio e comércio de árvores nativas
pode ser um ativo de mercado. O desafio, agora, é o ajuste em algumas normas de
rastreabilidade e conexão com potenciais compradores no mercado nacional e
internacional”.
Apesar dos avanços, a
conservação das áreas em regeneração natural ainda é um desafio. Anualmente, a
Mata Atlântica ganha, em média, 155 mil hectares de florestas jovens, de acordo
com dados do MapBiomas. Nos últimos 10 anos (2011-2021), por exemplo, mais de 2
milhões de hectares foram regenerados — no entanto, 30% desse ganho foram
perdidos no mesmo período, segundo a publicação científica “A long road to
resilience: Large-scale forest recovery but limited persistence in the Atlantic
Forest” (“Um longo caminho para a resiliência: recuperação florestal em larga
escala, mas com persistência limitada na Mata Atlântica”, em tradução livre),
conduzida pelo Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, em colaboração com a
Coalizão Brasil.
“Uma das soluções para a garantia da permanência das florestas secundárias é o incentivo e criação de mecanismos financeiros que valorizem estas áreas, como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e condições diferenciadas de acesso a crédito e financiamentos”, ressalta Borges.
Mata Atlântica é bioma ideal para restauração ganhar escala
Mata Atlântica concentra 64%
de toda a restauração no país, segundo plataforma
Os números reforçam o esforço
nacional de recuperação: 131,2 mil hectares da Mata Atlântica passam atualmente
por esse processo, de acordo com o Observatório da Restauração (OR). Este
índice equivale a 64% dos 204,2 mil hectares monitorados pela plataforma em
todo o Brasil. Os dados estão disponíveis no site
observatoriodarestauracaoorg.br. (ecodebate)





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