quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

RESINAS ABS

As resinas ABS (Acrilonitrila Butadieno Estireno) foram introduzidas comercialmente na década de 40. Desde então, as suas excelentes propriedades (brilho, resistência ao impacto, estabilidade térmica e química) bem como uma boa processabilidade, fazem com que esta resina esteja numa fase intermediária entre as resinas ‘‘commodities’’ e os plásticos de engenharia. Atualmente, este produto é o mais consumido entre os plásticos de engenharia e ocupa o 5º lugar entre os termoplásticos ‘‘commodities’’ mais consumidos (polietilenos, cloreto de polivinila - PVC, polipropileno e poliestireno). ASPECTOS GERAIS As resinas ABS são termoplásticos constituídos de acrilonitrila, butadieno e estireno. Através da variação das proporções destas matérias-primas obtém-se vários tipos de resina ABS para atender a uma variedade de aplicações, como componentes de veículos de transporte, utensílios domésticos e máquinas de escritório; brinquedos e construção civil (notadamente tubulações). As resinas ABS enfrentam competição de preços de outros termoplásticos substitutos como polipropileno, poliestireno e polietileno de alta densidade. Se for levado em conta o fator preço/densidade, o ABS é um dos materiais mais onerosos. O polipropileno já deslocou as resinas ABS na produção de alguns componentes automobilísticos devido à pressão de custos. Outro grande concorrente do ABS na produção de eletrodomésticos é o poliestireno (PS) de alto impacto que, devido à variável custos, substituiu-o no segmento de vídeo cassetes e, está deslocando-o na produção de componentes de refrigeradores e televisores. Porém, é importante destacar que a principal vantagem do ABS em relação aos demais termoplásticos é a sua alta resistência ao impacto. Portanto, o ABS é imbatível para certas aplicações cujas especificações exigem alta resistência ao impacto, como por exemplo, telefones celulares e microcomputadores portáteis. As resinas ABS também podem ser compostadas com outros polímeros, tais como policarbonatos (PC), resultando nos compostos ABS/PC, onde encontram aplicações na indústria automobilística e em bens de consumo. Os compostos ABS/PC têm boas perspectivas de crescimento, uma vez que apresentam a união das propriedades de um plástico com grau elevado de exigências técnicas (PC) com o preço atrativo do ABS, pois o PC tem um preço ainda mais elevado. Outro composto importante é o ABS/PVC, que permite melhor resistência contra incêndios. Nos últimos anos, o processo de polimerização contínua em massa se transformou no mais utilizado em escala mundial para a produção de resinas ABS, tendo em vista a possibilidade de obtenção de um produto de melhor processabilidade, apresentando vantagens quanto ao investimento envolvido e no aspecto de meio ambiente. Por outro lado, o processo de emulsão ainda é muito usado, notadamente nas unidades que foram implantadas na primeira metade da década de 80. As matérias-primas para a produção do ABS são: acrilonitrila, butadieno e estireno. Estes insumos têm uso maior para outras aplicações. Como exemplos podem ser citados os produtores de fibras acrílicas, que são os maiores consumidores de acrilonitrila, enquanto que a produção de SBR (borracha estireno butadieno) é o que mais demanda o butadieno e o PS é o responsável pelo maior consumo de estireno. O estireno é o item mais significativo de custo do ABS e, alguns dos grandes produtores mundiais de ABS também são líderes na produção de PS e estireno, como é o caso da Dow, da Chi-Mei e da Mitsubishi. CENÁRIO MUNDIAL A distribuição do consumo de ABS na América do Norte, Europa Ocidental e Japão, que representam cerca de 51 % da demanda mundial desta resina. Pode-se constatar que, os eletrodomésticos e automóveis são os principais consumidores nestas regiões. Não se pode computar toda a região asiática por falta de dados, principalmente da China. Os dados disponíveis daquela região (com exceção do Japão) indicam a grande predominância de eletrodomésticos sobre os demais. O consumo mundial de resinas ABS girou em torno de 3,2 milhões de toneladas em 1995 e, as principais regiões consumidoras foram a Ásia e a América do Norte. A alta participação da Ásia (exceto Japão) no consumo de ABS se explica pelo fato de que esta região, devido ao seu baixo custo de mão de obra, é responsável pela maior parte da produção mundial de bens de consumo destinados para exportação. Além disto, o seu mercado automobilístico é o que apresenta a maior taxa de crescimento no mundo, o que está atraindo investimentos por parte das montadoras. O segmento de resinas ABS é um exemplo claro das mudanças estruturais que ocorreram em muitos setores produtivos no mundo. Até 1985 os principais fornecedores eram europeus e americanos, seguidos dos japoneses. Porém, em decorrência do atual perfil de consumo mundial de ABS, a principal região produtora desta resina passou a ser a Ásia, cuja ascensão nos últimos dez anos. O maior país produtor é o Taiwan, seguido do Japão. Os grandes importadores de ABS também estão na Ásia (China, Tailândia e Hong Kong). O maior mercado - China - cresceu, em média, 25,4 % a.a. no período 1985-94. Este crescimento resultou em um volume anual das importações (entre 700 a 800 mil t/a), que atualmente é maior do que a demanda desta resina no mercado norte-americano. Portanto, a região asiática continua apresentando ‘‘deficit’’ quanto à produção de ABS, tendo importado 223 mil t em 1994, o que representou ao redor de 12 % das suas necessidades daquele ano. Apenas um fabricante de Taiwan - a Chi Mei Industrial Co. controla mais de 20% do mercado mundial (vide gráfico 5 a seguir), tendo uma capacidade de 1 milhão de t/a. Seu ‘‘market share’’ é maior do que o total das onze principais produtoras japonesas. Seu domínio é tal que, segundo algumas fontes, as especificações técnicas das resinas ABS consumidas pelos fabricantes japoneses de automóveis e de utensílios domésticos giram em torno dos ‘‘grades’’ das resinas ABS da Chi Mei. Boa parte das vendas desta empresa é dirigida à China, que atualmente é grande exportadora de utensílios domésticos. É importante também ressaltar que, esta empresa está ampliando as suas instalações em Taiwan, a ser concluído no final de 1997. Somente este acréscimo, de 200 mil t/a, representa aproximadamente 4% da atual capacidade produtiva mundial, o que demonstra assim que este fabricante pretende manter a sua supremacia neste setor. Como exemplo do domínio desta empresa neste segmento, basta comparar este projeto com a demanda estimada (146 mil t.) para 1996 das outras regiões do mundo (América Latina, África e Oceania). Em 1995 ocorreu uma importante reestruturação do setor, com a compra pela Bayer de todo o negócio ABS da Monsanto, com exceção da planta tailandesa, que foi vendida para os sócios locais. A principal razão da saída da Monsanto foi a falta de produção própria de estireno, bem como da estratégia da empresa de se concentrar seus esforços em P & D na biotecnologia, o que implicaria na redução de sua competitividade no segmento ABS a longo prazo. Em janeiro 1997, a Bayer também assumiu o controle acionário da CPB (Central de Polímeros da Bahia), que é a maior produtora brasileira de ABS. Com estas aquisições, a Bayer passou a ser a 3a maior produtora mundial de resinas ABS. Outro exemplo de reestruturação é o processo de fusão, dos negócios ABS, entre a Japan Synthetic Rubber e a Mitsubishi Chemicals para formar a Techno Polymer, que passou a ser a 5ª maior produtora mundial. Como os termoplásticos em geral, as resinas ABS tiveram o seu melhor ano em 1994, como se pode observar no gráfico 6 pelo nível de utilização das plantas industriais. Naquele ano, os termoplásticos concorrentes tiveram uma alta de preços na qual provocou uma reação dos consumidores a ponto de substituí-los pela ABS. Porém, devido à reversão do mercado de termoplásticos no 20 semestre 1995, as resinas ABS também tiveram uma redução significativa no nível de utilização das plantas e, conseqüentemente, baixa de preços e margens. Em 1996 os preços continuaram estagnados, com ligeira queda em setembro último. Em linhas gerais, espera-se para os próximos anos taxas razoáveis de crescimento no consumo de resinas ABS para todos os segmentos, à exceção do automobilístico. A Chem Systems projeta um crescimento de mercado de 5% a 6% a.a., até o ano 2000, para o mercado mundial de resinas ABS. Para os ´próximos anos, a Chem Systems e a GE Plastics esperam um crescimento de 10% a.a. para o mercado asiático (com exceção do Japão). Por outro lado, essas duas empresas projetam um crescimento do mercado americano em torno de 2% a 4% a.a., enquanto que para a Europa Ocidental e o Japão é esperado um crescimento menor que 2% a.a.. Caso estas projeções se confirmem, a região asiática (exceto Japão) deverá aumentar a sua participação no consumo mundial de resinas ABS para 45% em 2006, enquanto que o Japão tenderá reduzir para 9%. Esta empresa de consultoria também prevê que a Ásia será uma região exportadora de ABS antes do final da década, face aos novos projetos ora em execução. CENÁRIO MERCOSUL Estima-se que os principais países do Mercosul (Brasil, Argentina e Chile) consumiram, em 1995, aproximadamente 37 mil t de resinas ABS, representando pouco mais de 1 % do consumo mundial naquele ano. Em 1996 ocorreram duas importantes modificações: a Nitriflex expandiu a sua planta em mais 10.000 t/a no 2º semestre, e a Monsanto saiu da empresa argentina Unistar. Já no princípio de 1997, conforme já mencionado anteriormente, ocorreu a compra de 2/3 do capital votante da CPB (Brasil) pela Bayer. A capacidade instalada (base novembro 96) nesta região é de 76 mil t/a, distribuída em três empresas. Destas três empresas, a única que tem ligações acionárias (minoritárias) com os produtores de estireno e de acrilonitrila é a CPB. CENÁRIO BRASILEIRO No Brasil, o perfil de consumo é bastante diferente do padrão mundial supracitado. Como se pode observar no gráfico a seguir, o setor automobilístico é de longe o maior consumidor de ABS. Atualmente, estas resinas representam 6,5% do total de plásticos consumidos para a produção de automóveis no Brasil. Nos últimos 10 anos o mercado de ABS no Brasil passou a ficar estagnado, devido em parte à concorrência com o polipropileno e o poliestireno expandido. Basta dizer que, somente em 1995 a demanda voltou ao nível alcançado em 1989. Além disto, as empresas locais convivem com a ameaça das resinas importadas, que em 1995 já representaram 12% do consumo interno. Para enfrentar esta concorrência, a Nitriflex, por exemplo, está procurando entrar no ramo das especialidades produzindo compostos de ABS/PC e ABS antichama. Tendo em vista os investimentos programados pela indústria automobilística, o crescimento da demanda de ABS no Brasil poderá ser retomado. Entretanto, este mercado tenderá a ser mais dinâmico somente se as empresas forem mais atuantes no lançamento de novos compostos, que poderão ser obtidos através de investimentos mais expressivos em P&D ou através de associações com empresas detentoras de ‘‘know-how” apropriado. A segunda premissa está mais clara como estratégia adotada, recentemente pelas empresas. Exemplos: 1) a Nitriflex, que há pouco realizou um acordo técnico com a empresa holandesa DSM, reduziu em 25% os desembolsos em P&D no período 1991/95; e 2) a ocorrência recente da venda do controle acionário da CPB para a Bayer. CONCLUSÃO O grande destaque é o alto dinamismo do mercado asiático (exceto Japão) de ABS, e há previsões de que o consumo nesta região poderá inclusive superar a demanda de todos os países desenvolvidos (América do Norte, Europa e Japão), a partir do ano 2000. O MERCOSUL, por sua vez, por apresentar uma tendência crescente de adoção do modelo importador de bens de consumo duráveis e de componentes para indústria automobilística, tende a apresentar moderadas taxas de crescimento do mercado. Tudo leva a crer, inclusive, que os produtores locais poderão sofrer concorrência crescente de resinas ABS, provenientes da Ásia, face às expressivas expansões ali programadas.No tocante ao mercado brasileiro, por ser este parte do MERCOSUL, as condições de forte concorrência de resinas ABS provenientes do exterior, basicamente Ásia, serão na mesma intensidade. Contudo, o mercado nacional está buscando alternativas no segmento de compostos, tais como ABS/PC - ABS/PVC, que contam com boas perspectivas de crescimento do consumo até o ano 2000.

Braskem venderá à Johnson & Johnson plástico feito da cana

Polietileno verde será utilizado para fabricar as embalagens do protetor solar Sundown no verão 2010/2011 A Braskem anunciou nesta segunda-feira, 5, um acordo com a Johnson & Johnson (J&J) para a venda do polietileno verde que será produzido pela petroquímica a partir do final de 2010. O produto, desenvolvido com cana-de-açúcar, será utilizado pela marca de protetores solares Sundown. A Johnson & Johnson, segundo a Braskem, "terá exclusividade no mercado de proteção solar no Brasil e segue avaliando o uso do polietileno verde em outras linhas de produto e em outras regiões do mundo", destacou a petroquímica em nota. Os valores do acordo não foram divulgados. A J&J se tornará a primeira marca de cosméticos do Brasil a iniciar o desenvolvimento de embalagens com polietileno verde. A Braskem também já firmou acordo para a venda do insumo com a japonesa Shiseido, também do ramo de cosméticos, mas que não opera no mercado doméstico. Além das duas empresas, a Braskem oficializou negociações para vender o material ao grupo gaúcho Acinplas, controlador das empresas Suzuki, Koba, Plasa, Voti e Tashiro&Takata, à fabricante de brinquedos Estrela e à Toyota Tsusho, uma trading da companhia Toyota. A previsão da Braskem e da Sundown é de que as primeiras embalagens desenvolvidas com o novo material sejam utilizadas na linha regular de protetores e bloqueadores e na linha de bronzeadores Sundown Gold no verão 2011/2012. "No que diz respeito a embalagens, possuímos diversos projetos de utilização de material reciclado pré e pós-consumo, mas realmente a utilização da resina verde é uma ação inédita da companhia em todo o mundo", afirmou em comunicado o gerente de grupo de Suncare da Johnson & Johnson, Marcelo Scatolini.O polietileno verde será produzido pela Braskem no Rio Grande do Sul. A fábrica, cujos investimentos devem somar R$ 500 milhões, terá capacidade anual de 200 mil toneladas de eteno, que serão transformados em volume equivalente de polietilenos. O lançamento da pedra fundamental da unidade ocorreu em abril passado.

Plástico biodegradável de quinoa

Projeto da UNICAMP resulta em plástico biodegradável feito a partir da quinoa, grão popular no Peru e na Bolívia. Solução ecológica – Um grão que fazia parte da alimentação dos incas há cerca de 8 mil anos é a mais nova ferramenta a serviço do meio ambiente. A quinoa (Chenopodium quinoa) é a personagem principal de um estudo que deu origem a um filme plástico totalmente biodegradável realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A alta concentração de amido, proteínas e lipídios encontrada no grão andino possibilitou a fabricação de um produto com boa qualidade e ambientalmente correto — além de se decompor com facilidade, sua produção não resulta na emissão de gases poluentes causadores do efeito estufa. Entre em torno de 256 tipos existentes no Peru, a autora do projeto, a peruana Patrícia Cecília Araujo-Farro, selecionou a quinoa real, que pode chegar a ter concentrações de quase 80% de amido, uma das principais matérias-primas utilizadas na produção do biomaterial. O grão também apresenta quantidades médias significativas de proteínas (em torno de 22%) e lipídios (10%) em sua estrutura. De acordo com Patrícia, a intenção foi trabalhar um elemento de cada vez. “Primeiramente, produzi um biomaterial só de amido purificado, com baixa quantidade de proteínas e lipídios. O segundo teste foi feito com amido cru, obtido com processo úmido. Já na terceira avaliação, utilizei farinha integral. Consegui variar as quantidades de proteína e lipídios ao longo de todos os testes”, explica. O resultado, segundo ela, é um material que pode ser utilizado na fabricação de pequenas embalagens e sacolas plásticas. “Também pode ser empregado na indústria farmacêutica e na agricultura, sendo útil para a proteção de plantas em desenvolvimento”, destaca a cientista, que durante o estudo fez várias avaliações quanto à resistência do material. Ainda de acordo com Patrícia, a partir da quinoa é possível obter o plástico totalmente transparente ou em diversos tons de amarelo. “Vai depender da proteína empregada na produção”, esclarece. A pesquisa também avaliou as vantagens ambientais trazidas pelo produto. Testes feitos de maneira informal mostraram que o biomaterial desapareceu completamente no meio ambiente depois de 15 dias, enquanto que o plástico convencional pode demorar um século para ser absorvido. “Na verdade, depois dessas duas semanas, ele vira comida de bactéria novamente”, revela Partícia. Para a orientadora da pesquisa, a doutora Florência Menegalli, o uso de materiais como a quinoa para a produção de biomateriais é de grande importância para o futuro do planeta. “O grão tem propriedades adequadas para esse fim, e a produção do biomaterial não agride o meio ambiente. Porém, o preço da quinoa ainda é alto no Brasil”, pondera a professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos. Produção No momento, a quinoa é produzida por pequenos agricultores na região dos Andes. Porém, no Brasil, as pesquisas estão sob comando da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “O cultivo no inverno, com irrigação adequada, tem produzido grãos de alta qualidade. Mas ainda estamos em expansão, pois a área plantada no Brasil é pequena, apesar do excelente potencial. Isso significa que ainda importamos a maior parte dos grãos consumidos”, conta o pesquisador Walter Quadros, da Embrapa Cerrados. A Embrapa também tem incluído a espécie no projeto de melhoramento de plantas. A perspectiva é lançar materiais com maior produtividade para diferentes épocas de plantio, além de identificar materiais genéticos com melhor qualidade nutricional (1)e funcional. “Quanto aos trabalhos de manejo, objetiva-se também o aperfeiçoamento do plantio à colheita. Ele também deve antecipar o controle da ocorrência de futuras pragas e doenças”, garante Walter. “A perspectiva, portanto, é baratear o produto para o produtor e o consumidor”, avalia. 1 – Proteína Hoje, a quinoa é amplamente usada na culinária, no preparo de saladas, sopas, entre outros alimentos. É considerada por nutricionistas um bom substituto para a carne, graças ao seu alto valor protéico.

Polo de Camaçari aposta na pesquisa com biomateriais

O polo industrial de Camaçari, na Bahia, caminha para se tornar também um polo de inovação com foco em sustentabilidade. De lá estão saindo pesquisas no campo de biocompósitos (novos materiais de base vegetal) e biorrefinarias, novo conceito baseado no uso de matérias-primas "verdes" para produção de insumos e combustíveis. Em 2010, o polo ganhará o primeiro Centro Tecnológico de Biocompósitos da América Latina. As pesquisas mais adiantadas estão sendo conduzida pela Cetrel, empresa controlada pela Braskem que presta serviços de engenharia ambiental para as companhias do polo. Com experiência em gestão de resíduos industriais, a empresa iniciou, nos últimos três anos, estudos para transformar parte desses materiais em novos insumos. "A ideia central é que o resíduo de uma atividade produtiva seja o insumo de outras", diz Dênio Cidreira, diretor de negócios da Cetrel. Entre as frentes de inovação, estão os biocompósitos feitos de bagaço de cana-de-açúcar, um resíduo abundante em todo o País. "O bagaço, combinado com polietileno e polipropileno pós-consumo e cinzas de processos de incineração, pode ser transformado em diversos produtos", diz Cidreira. No início de 2010, os primeiros produtos resultantes dessa combinação começam a ser fabricados. Serão painéis para energia solar, banheiros químicos e madeira plástica, aplicada na construção civil. As parcerias para a fabricação desses produtos estão sendo definidas. No caso dos painéis para energia solar, a indústria será a Alpina, de São Paulo, e, para fabricação dos banheiros químicos, a Sasil. "As placas serão produzidas com bagaço de cana e o polietileno "verde" fabricado pela Braskem, também de cana-de-açúcar. O balanço de carbono será positivo", diz Cidreira, explicando que os biocompósitos têm capacidade de retirar mais CO2 da atmosfera do que emitir. Os estudos sobre biocompósitos abrem uma nova oportunidade de negócios para as empresas de engenharia ambiental. A Cetrel, que deve fechar 2009 com um faturamento de R$ 110 milhões, planeja dobrar o faturamento até 2012, com os produtos com foco em inovação.Para Cláudio Pádua, diretor científico da Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (Escas), o conceito de amplo aproveitamento de resíduos como matéria-prima para fabricar outros produtos é tendência crescente no mundo todo. "Esse deverá ser o principal paradigma da indústria no século XXI", diz.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Aquecimento global está passando dos limites

Aquecimento global está passando dos limites até dos ecoxiitas. Não é de hoje que se busca criar no debate sobre o meio ambiente uma oposição entre desenvolvimento e o respeito ecológico, como se a preservação ou conservação da natureza fosse o oposto de uma agropecuária produtiva ou uma trava ao desenvolvimento de qualquer espécie. Com as informações atuais sobre o aquecimento global ou os números cada vez mais alarmantes sobre os efeitos da ação humana sobre os recursos naturais do planeta, este discurso tem cada vez menos efeito, mas já houve um tempo em que referências à defesa do meio ambiente eram recebidas como coisa de “ecoxiita”. Na década de 80, a revista Veja chegou a publicar uma capa em que tratava como loucos fundamentalistas os defensores da ecologia, numa reportagem que, entre outras coisas, negava o aquecimento global. Os próprios fatos vieram desmentir estas bobagens que atrasaram de forma substancial ações que podiam ter evitado vários problemas que enfrentamos atualmente. E o tempo mostrou ironicamente que os dois lados estavam enganados. Os detratores dos ecologistas erraram feio. Os desastres ecológicos que ironizavam tornaram-se fatos de uma dimensão que nem os ditos “ecoxiitas” conseguiram antecipar, pois dados atuais provam que os problemas já estão de um tamanho além do que se esperava. Nesta semana um grupo de cientistas publicou um estudo na revista Nature, respeitada publicação científica do Reino Unido, em que elencam situações definidas como limites para se evitar grandes catástrofes ambientais e climáticas. Três dessas fronteiras limites já foram ultrapassadas. Os elementos fundamentais são: acidificação dos oceanos; interferência nos ciclos globais de nitrogênio e de fósforo; uso de água potável, alterações no uso do solo; carga de aerossóis atmosféricos; poluição química; e a taxa de perda da biodiversidade, tanto terrestre como marinha. Já ficaram para trás limites como a concentração de poluentes na atmosfera — que seria de 350 partes por milhão (PPM) e que já está em 387 —, os ciclos de nitrogênio e fósforo, a acidificação dos oceanos. Segundo o relatório estão próximos os limites no uso da terra e também da água. E a biodiversidade também já está na área de risco. A extrapolação de previsões científicas quanto aos efeitos impactantes da ação do ser humano sobre o meio ambiente infelizmente não tem sido novidade ultimamente. Neste mesmo espaço já citamos estudos atualizados que afirmam que a velocidade do aquecimento global, entre outras questões, é bem maior do que se pensava. Já uma informação divulgada esta semana traz os limites para o terreno brasileiro, além de denunciar o perigo dos impactos ambientais para a agricultura e a pecuária. Em um evento da Emater, em Londrina, Paraná, a médica veterinária Lídia Cristina Almeida Picinin, professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), alertou que a poluição das águas nas propriedades rurais pode colocar em risco a nossa produção de leite, atividade que necessita de água de boa qualidade. A médica disse que no estado de São Paulo 90% das propriedades estão fora do padrão de qualidade da água. Em Santa Catarina a contaminação atinge 100%. No Paraná, o problema também já foi detectado em pesquisas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da Emater de Ponta Grossa. Isto é resultado, sem dúvida, da falta de preocupação em compatibilizar a exploração dos recursos naturais com o respeito ao meio ambiente. Como ocorre no ambiente global, também é uma questão de passar dos limites, expondo todos a um risco que nem os “ecoxiitas” poderiam prever.

A ciência e os perigos do aquecimento global

"Alguma incerteza caracteriza as análises do IPCC, mas isso não justifica o adiamento de ações decisivas para reduzir as emissões de gases-estufa"
O IPCC apresentou provas convincentes de que a temperatura da atmosfera está subindo globalmente, que isso está causando mudanças climáticas com impacto ambiental perturbador e que as concentrações de gases-estufa decorrentes de atividades humanas são um fator principal do aquecimento global. Essas evidências também foram usadas para testar diversos modelos (matemáticos computadorizados) que projetam que, se as emissões de gases-estufa não forem reduzidas drasticamente em prazo muito breve, as mudanças climáticas serão intensificadas e provocarão consequências catastróficas e irreversíveis. Algum grau de incerteza caracteriza necessariamente as análises do IPCC e, especialmente, suas projeções. Seus modelos não possibilitam previsões de quando precisamente devem ocorrer as consequências projetadas nem com que intensidade. Essa incerteza precisa ser corretamente compreendida. Ela não significa que existam modelos científicos concorrentes disponíveis coerentes com evidências não testadas e que neguem a importância causal central para o aquecimento global dos gases-estufa gerados pelo homem. Ademais, em vista da abertura e da complexidade da Terra, sempre haverá maior incerteza ligada a previsões do que ao mapeamento de fenômenos e identificação de suas causas. Mesmo assim, nenhum modelo disponível permite qualquer incerteza significativa quanto à afirmação de que, a não ser que os gases-estufa sejam reduzidos rapidamente, haverá consequências catastróficas. A incerteza importante diz respeito apenas a quando elas vão se manifestar e à sua gravidade. Modelos que levam em conta as evidências de mudanças de temperatura e climáticas muito recentes projetam a iminência de consequências de magnitude maior. Se os perigos projetados pelo IPCC forem genuínos, pesquisas científicas adicionais diminuirão as incertezas que os cercam. Sem dúvida isso tornará mais fácil motivar governos a adotar ações decisivas para reduzir as emissões. Só que o tipo de incerteza que existe não justifica o adiamento de tais ações agora. Apesar disso, essa incerteza vem sendo usada em tentativas de justificar esse adiamento. Hoje, o crescimento econômico está estreitamente vinculado a práticas que envolvem grandes emissões de gases-estufa. Muitos governos e empresas têm grande interesse em seguir com essas práticas, e esse fato pode levá-los a adiar a ação ou empreender ações insuficientes. Ademais, alguns governos de países ditos “em desenvolvimento” veem a ação de mitigação como algo que prejudica suas aspirações de “desenvolvimento” e podem justificar sua demora em agir alegando que a igualdade requer que a responsabilidade ética, social e econômica pelas ações reparativas caiba sobretudo àqueles (os países industrializados avançados) que são os principais responsáveis pelo aquecimento em termos causais. Alguns benefícios imediatos, com certeza, podem ser auferidos com o adiamento da ação ou a ação insuficiente, mas ao custo de correr o risco de sofrer as consequências catastróficas projetadas - e o risco é aceito com base apenas na esperança de que tais consequências não ocorram ou, pelo menos, que não ocorram logo. Entretanto essa esperança é insensata, não tendo fundamento em nenhum dos modelos científicos disponíveis. O fato de que modelos científicos não são capazes de prever o início e a gravidade de uma catástrofe com a mesma precisão com que cientistas preveem eclipses solares não significa que a incerteza tenha a natureza e o grau para justificar que sejam ignoradas as previsões do IPCC. É preciso tomar medidas agora para reduzir drasticamente a concentração atmosférica de gases-estufa. Os modelos científicos não nos dizem como. Isso envolveria grandes transformações em muitas áreas da atividade humana e nos estilos de vida aos quais tantas pessoas aspiram. Desenvolvimentos científicos também serão necessários para informar tudo isso - para informar não só novas tecnologias “verdes”, mas também (por exemplo) formas alternativas de produção agrícola, baseadas em métodos sustentáveis em pequena escala que reflitam políticas de soberania alimentar. É impossível evitar questões políticas, econômicas e éticas. Enfrentar o aquecimento global oferece a oportunidade de desenvolver práticas e modos de vida que não só sejam ambientalmente sustentáveis mas também contribuam para o fortalecimento da democracia e da justiça social e para melhorar as condições de vida dos pobres -ou seja, que contribuam para o bem comum. Negar ou ignorá-lo ameaça a todos com uma catástrofe irreversível.

NASA: 2009 foi ano mais quente já registrado no Hemisfério Sul

O ano de 2009 foi para o Hemisfério Sul o mais quente da história, segundo dados da agência espacial NASA. Globalmente, o ano passado perdeu em temperatura apenas para 2005, considerado o ano mais quente desde que se tem registros do tipo no planeta. Os dados da NASA mostram que a temperatura no parte Sul do planeta foi, no ano passado, 0,4º C superior à temperatura mais antiga de que dispõem os cientistas. A partir dessa referência, em 2005 a temperatura global foi em torno de 0,7º C mais alta. A agência informa ainda que a década passada (2000 a 2009) foi a mais quente desde 1880, quando foram desenvolvidos os primeiros equipamentos capazes de medir temperatura com precisão. O diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA (GISS, na sigla em inglês), James Hansen, explicou entretanto que o dado mais relevante é a tendência de alta nas temperaturas ao longo das décadas. "Há uma substancial variação ano a ano da temperatura global que é causada pelo ciclo tropical El Niño-La Niña. Quando medimos a temperatura média ao longo de cinco ou dez anos para minimizar essa variação, descobrimos que o aquecimento global continua inabalável", disse. Aquecimento global Os dados apontam para uma clara tendência de aquecimento no planeta. Desde 1880, a temperatura subiu 0,8º C no mundo. Somente nas últimas três décadas, a alta foi de 0,2 graus. Os cientistas do GISS acreditam que o aumento da temperatura global é causada pela presença de gases causadores do efeito estufa, como gás carbônico, na atmosfera terrestre. Mas o instituto enfatiza que variações na radiação solar, oscilações na temperatura do mar dos trópicos e fenômenos como El Niño e La Niña também afetam sensivelmente a temperatura da Terra.

El Niño: cidades não estão preparadas para o que está por vir

O governo do Rio Grande do Sul lançou, no mês de junho, o Programa Estadual de Preparação para Eventos Extremos (Prepara RS – El Niño), a fi...