terça-feira, 7 de novembro de 2017

Água, poder e política

Desde muito cedo na história da humanidade, como nós a conhecemos por relatos historiográficos, a posse da água foi importante para manter a hegemonia de alguns agrupamentos humanos, principalmente onde ela não jorrava com abundância. A posse dos mananciais de água doce era também a posse do seu entorno e uma arma poderosa para dominar a terra e o rio (territó-rio) na defesa contra os inimigos. Seu controle sempre representou e representará um meio essencial que tem como objetivo final tomar e assegurar o poder. Obviamente isso gerou e gera guerras até os dias atuais. Entender a dinâmica das águas, saber transportá-la em aquedutos, desenvolver a irrigação para grandes plantações, entender o poder medicinal que elas oferecem, entre outras formas de com ela relacionar-se, transformou a história de muitos povos. A história demonstra claramente que o domínio sobre este conhecimento se traduz em poder. O saudoso estudioso da questão hídrica Aldo Rebouças, revela um pouco de como a água influenciou a tomada de poder por alguns povos antigos. Relata ele que,
O controle das inundações do rio Nilo foi a base do poder da civilização Egípcia, desde cerca de 3,4 mil anos a.C.. Nos vales dos rios Amarelo e Indu, a utilização da água como forma de poder foi iniciada em 3 mil a.C., sendo exercida por meio de obras de controle de enchentes e da oferta de água para a irrigação e abastecimento das populações. O controle do rio Eufrates foi a base do poder da Primeira Dinastia da Babilônia, possibilitando ao Rei Hamurábi – 1792 a 1750 a.C. – unificar a Mesopotâmia e elevar sua região norte a uma posição hegemônica. Dessa forma, o poder que reinava no sul da Mesopotâmia, desde o terceiro milênio a.C., foi deslocado para a região norte, onde permaneceu por mais de mil anos. Para alguns, a politização e centralização atuais do poder sobre a água teriam tido suas origens nessa época. (2002, p. 17).
Embora outros povos tenham desenvolvido técnicas de irrigação e canalização das águas séculos antes dos romanos, este povo foi profundamente moldado pelo entendimento de como utilizar as águas em seu favor. Se hoje sabemos que eles exerceram enorme domínio em seus tempos de glória, muito desta se deve a este conhecimento para manter a força sobre os inimigos políticos e militares. A água tinha tamanha importância para os romanos que até foi criado o termo rival dada a disputa entre os moradores da Roma antiga por este elemento natural.
A apropriação da água também foi essencial para o processo de soberania territorial de muitas nações. Não por acaso rios e lagos marcam as fronteiras de vários países e estados. Cada vez mais nações necessitam dialogar sobre o consumo das águas que dividem as suas fronteiras. São 263 rios com o papel de dividir fronteiras entre países,5 com um potencial para grandes conflitos econômicos, políticos e militares quando é necessário definir quem é o dono do patrimônio hídrico. Sua posse vai influenciar diretamente no desenvolvimento econômico e na autonomia política das nações envolvidas e nenhuma delas quer sair perdendo quando o assunto envolve influência econômica e soberania territorial.
No mundo moderno o poder sobre água vai além do controle sobre a sede alheia e a produção de alimentos no campo. A indústria, seja ela qual for, depende visceralmente da água. Em algumas regiões, o transporte é feito pela navegação e isso inclui transportar remédios e alimentos. É possível afirmar que grande parte do lazer é identificado com a água. Basta ver para onde vão muitos habitantes das grandes cidades nos finais de semana ou feriados: praias, rios, cachoeiras, lagos, açudes, piscinas, etc. Sem falar nas culturas que são inspiradas nos seres humanos pela relação que estes desenvolvem como os corpos de água próximos de onde residem. Água e poder caminham juntos há milênios e é por isso que cada vez mais os grupos econômicos interessam-se por este assunto. Possuir a água é ter poder político, social, cultural e, principalmente, econômico.
Água e poder no Brasil
Aqui no Brasil não podia ser diferente a relação entre agrupamentos humanos e a água. Os primeiros povoamentos aconteceram próximos aos mananciais de água doce. Alguns povos indígenas que habitavam as margens de rios e lagoas foram expulsos de seus territórios quando da invasão dos europeus. Um exemplo foi que aconteceu com alguns destes povos no Semiárido brasileiro. Vaqueiros, a serviço do latifúndio agropastoril nordestino, apossaram-se de várias fontes de água utilizadas pelos povos indígenas que habitavam o sertão para matar a sede das boiadas que transportavam (GARCIA, 1984). O mesmo aconteceu por causa da extração de minerais em várias outras partes do Brasil.
No plano do desenvolvimento econômico industrial a água também teve papel importante. Pode-se afirmar que a água foi uma peça fundamental para a expansão do poderio europeu no Brasil. Isso aconteceu principalmente porque os engenhos de açúcar do litoral nordestino eram instalados próximos aos rios que faziam movimentar as rodas d´água que moíam as canas. Foram estas rodas d´água as alavancas da indústria açucareira que enriqueceu europeus. E é esta mesma indústria uma das grandes poluidoras dos rios brasileiros.
Hoje, esta relação entre indústria e poder econômico tem nas hidrelétricas um dos seus pilares. Atualmente, mais de 60% da geração de energia é de responsabilidade de empresas privadas. Como mais de 90% de energia elétrica brasileira vem da hidroeletricidade, isso significa muita água em mãos privadas, pois controlar a geração de energia elétrica é controlar as águas que a geram. Foi para prevenir este tipo de coisa que Getúlio Vargas deu ao Brasil, em 1934, a sua primeira lei para o ordenamento do seu patrimônio hídrico. Vargas sancionou o Código das Águas pelo Decreto 24.643 daquele ano (BRASIL, 2010) colocando a água como um bem publico.
É claro que sendo pública não significa que a água será acessível a toda a população. E disso sabemos muito bem no Brasil. Na última crise hídrica de São Paulo, por exemplo, enquanto os bairros periféricos sofriam com dias de racionamento, os bairros abastados continuaram com suas piscinas cheias e algumas indústrias continuaram pagando menos que o usuário comum pela água consumida em um caso típico de lucro privatizado e prejuízo partilhado pelos mais pobres.
Também é o caso aqui de ressaltarmos a disputa pela água para a agricultura. O agronegócio monocultor tem se apossado cada vez mais de águas subterrâneas e daquelas que correm pelos rios, como é caso do São Francisco. O Projeto de Transposição das Águas do Rio São Francisco levará parte da água transposta para o agronegócio na região semiárida do Nordeste e beneficiará proprietários de empresas produtoras da fruticultura irrigada. Os grupos que detém o poder no campo estão conseguindo continuar o trabalho iniciado durante a Ditadura Civil-Militar com a construção das hidrelétricas e colocar o maior manancial do Nordeste em perigo. É essencial para os donos dos meios de produção possuir toda a rede produtiva envolvida, e a água, como já afirmamos acima, é parte essencial para produzir alimentos. Além do mais, este poder sobre a água impede que os pequenos produtores possam competir na produção de frutas, legumes e verduras, gerando monopólios sobre a cultivo de diversas culturas alimentares. Controlar a água é controlar a vida pela sede e pela fome, já que todo o processo de produção de alimentos depende dela.
Água e política
Este tópico é bem conhecido dos brasileiros. A água como moeda de troca para manter grupos políticos no poder é uma tradição antiga em nosso país.
O clássico samba “Lata d´água na cabeça”6 conta um pouco a história de Maria, representante de tantas mulheres faveladas que viviam nos morros cariocas. Lá era necessário, para lavar roupa ou conseguir água para outros afazeres domésticos, subir os degraus do morro para encontrar as bicas que jorravam água. Foram as instalações dessas bicas que se transformaram em moeda de troca por votos criando até mesmo a figura do “Político de bica d´água” que teve o seu maior expoente em Chagas Freiras. Seu estilo, a troca das bicas d´água por votos, dominou a política fluminense a ponto de ter sido criado o termo Chaguismo.
O caso do Semiárido nordestino já é por demais estudado e tornado público, mas parece que ainda não condenado como deveria. Basta ver o caso do Projeto de Transposição das Águas do Rio São Francisco e como mais uma vez a água foi utilizada para ganhar votos por vários políticos de campos ideológicas diferentes.
O surgimento da Agência Nacional de Águas – ANA, através do Decreto 9.984, no ano 2000, e sua equivalente em cada estado da federação, é resultado das políticas neoliberais do Presidente Fernando Henrique Cardoso e teve em sua formulação vários agentes defensores da cobrança da água como política pública. Iniciava-se a visão mercadológica sobre a água brasileira.
A atual onda de privatizações das empresas distribuidoras de água nos estados brasileiros forçada pelo Presidente Temer não passa de outra política influenciada pelo Banco Mundial já repetida e fracassada em várias partes do mundo. Já de olho neste mercado, foram reveladas que grandes empresas doariam dinheiro para campanhas de candidatos aos governos dos estados para que estes, caso eleitos, facilitassem a privatização das empresas7.
É urgente colocar a questão privatização da água, e sua consequente posse por alguns grupos econômicos, na pauta política. Em 2018 teremos eleições e precisamos saber o que os candidatos pensam sobre este assunto. Quem sabe poderiam assinar um documento comprometendo-se a firmar a água como um bem público e a recuperar nossos rios, que mesmos públicos, estão cada vez mais sendo tomados por empresas do agronegócio monocultor e grandes indústrias que dele retiram a água e a devolvem de forma imprestável. (ecodebate)

Brasil terá o 2° pior início de período úmido

Brasil pode ter o segundo pior início de período úmido, aponta ONS.
Previsões indicam chuvas abaixo da média até dezembro no SE/CO.
Anomalia climática vai afetar a recuperação do nível de armazenamento de bacias estratégicas para o Sistema Interligado.
As previsões climáticas para as próximas semanas apontam para uma maior probabilidade de ocorrência de chuvas abaixo das médias históricas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde estão localizadas as quatro bacias hidrográficas consideradas estratégicas para o Sistema Interligado Nacional. Juntos, os reservatórios das bacias dos rios São Francisco, Tocantins, Paranaíba e Grande representam 80% de toda a capacidade de regularização do parque hidrelétrico brasileiro, segundo dados oficiais.
A anomalia identificada pela análise meteorológica deve permanecer até dezembro desse ano, segundo nota divulgada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico. O ano de 2017 é o pior de todo o histórico iniciado em 1931 em termos de Energia Natural Afluente, com 45% da Média de Longo Termo na região central do país. A ENA é o volume de água que chega aos reservatórios.
Setembro também foi o pior mês do histórico nas principais bacias de interesse para geração hidrelétrica.  Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico, no São Francisco a ENA ficou em 27% da MLT, a pior do histórico; no Tocantins, em 55% da média, o quarto pior resultado dos últimos 86 anos; no Paranaíba, em 48% da MLT, segundo pior registro até agora; e, no Grande, em 51% da MLT, o quarto pior do histórico.
Após mais uma reunião extraordinária de avaliação do cenário em 25/10/17, o CMSE reiterou as conclusões anunciadas no encontro da semana passada. Uma delas é de que “a transição para o período úmido permanece atrasada em relação ao histórico”.
Há também perspectiva de que o consumo de energia no sistema interligado fique um pouco acima do previsto até final do ano em razão do aumento das temperaturas, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. (canalenergia)

Coquetel antidepressivo na água ameaça vida marinha

O consumo crescente de antidepressivos tem um efeito colateral preocupante no meio ambiente: a maior exposição de animais marinhos ao acúmulo dessas substâncias químicas nas águas dos rios.
Em um novo estudo, publicado na revista científica Environmental Science and Technology, pesquisadores americanos detectaram altas concentrações de resíduos desses medicamentos no cérebro de 10 espécies de peixes encontradas nos Grandes Lagos, nos Estados Unidos.
A presença de antidepressivos na vida aquática levanta graves preocupações ambientais. Segundo os cientistas, os resíduos de antidepressivos podem alterar genes responsáveis pela construção do cérebro dos peixes e mudar seu comportamento.
Eles podem se tornar mais ansiosos, antissociais, agressivos e, por vezes, até mesmo homicidas. Os antidepressivos podem, ainda, afetar o comportamento alimentar dos peixes ou seus instintos de sobrevivência, como a capacidade de responder à presença de predadores.
Para os cientistas, mudanças como essas têm o potencial de interromper o delicado equilíbrio entre as espécies que ajudam a manter o ecossistema estável.
O consumo crescente de antidepressivos tem um efeito colateral preocupante no meio ambiente: a maior exposição de animais marinhos ao acúmulo dessas substâncias químicas nas águas dos rios.
Em um novo estudo, publicado na revista científica Environmental Science and Technology, pesquisadores americanos detectaram altas concentrações de resíduos desses medicamentos no cérebro de 10 espécies de peixes encontradas nos Grandes Lagos, nos Estados Unidos.
A presença de antidepressivos na vida aquática levanta graves preocupações ambientais. Segundo os cientistas, os resíduos de antidepressivos podem alterar genes responsáveis pela construção do cérebro dos peixes e mudar seu comportamento.
Eles podem se tornar mais ansiosos, antissociais, agressivos e, por vezes, até mesmo homicidas. Os antidepressivos podem, ainda, afetar o comportamento alimentar dos peixes ou seus instintos de sobrevivência, como a capacidade de responder à presença de predadores.
Para os cientistas, mudanças como essas têm o potencial de interromper o delicado equilíbrio entre as espécies que ajudam a manter o ecossistema estável. (ecoguia)

Antidepressivos em água oceânica ameaça para a vida marinha

Antidepressivos na água do oceano é uma possível ameaça para a vida marinha, revela estudo.
Os caranguejos da costa de Oregon exibem comportamentos de risco quando expostos ao antidepressivo Prozac, tornando mais fácil para os predadores pegá-los, de acordo com um novo estudo da Universidade Estadual de Portland (PSU).
Caranguejo
O estudo, publicado na revista Ecology and Evolution, ilustra como as concentrações de produtos farmacêuticos encontrados no meio ambiente podem representar um risco para a sobrevivência animal.
Durante anos, testes de água do mar perto de áreas de habitação humana mostraram vestígios de tudo, desde a cafeína até medicamentos prescritos. Os produtos químicos são levados de lares ou instalações médicas, para o sistema de esgoto e eventualmente se dirigem para o oceano.
Em um laboratório, a equipe da PSU expôs os caranguejos da costa de Oregon aos traços de fluoxetina, o ingrediente ativo no Prozac. Eles descobriram que os caranguejos aumentaram seu comportamento de forrageamento, mostrando menos preocupação com os predadores do que normalmente. Eles até fizeram isso durante o dia, quando eles normalmente estariam escondidos.
Eles também lutaram mais com membros de suas próprias espécies, muitas vezes matando seu inimigo ou morrendo no processo.
“As mudanças que observamos em seus comportamentos podem significar que os caranguejos que vivem em portos e estuários contaminados com fluoxetina estão em maior risco de predação e mortalidade”, disse a pesquisadora Elise Granek, professora do departamento de Ciências e Gestão Ambiental da PSU. (ecodebate)

domingo, 5 de novembro de 2017

Logística Reversa e Reciclagem dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2016

Os dados deste artigo tem como base o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2016, uma publicação da Associação das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe que anualmente divulga os dados estatísticos relacionados com suas atividades no país. Nos artigos anteriores, estão descritos os dados gerais da produção de resíduos no país, a disposição final dos resíduos sólidos urbanos – RSU, os resíduos de construções e demolições – RCD, os resíduos dos serviços de saúde – RSS e outras informações complementares. Neste artigo estão descritas as ações referentes à logística reversa e reciclagem.
A reciclagem, definida como um processo de transformação dos resíduos em insumos ou novos produtos é uma prioridade na gestão de acordo com a Lei 12.305/2010 que estabeleceu a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS. A logística reversa, instrumento vinculado ao princípio da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e restituição dos resíduos e/ou produtos obsoletos aos setores empresariais para aproveitamento no mesmo ciclo, em outros ciclos produtivos ou para destinação final ambientalmente adequada, implantada através de acordos setoriais e termos de compromissos dos setores empresariais é um instrumento fundamental da PNRS.
As embalagens e restos de agrotóxicos, óleos lubrificantes e pneus usados possuem sistemas próprios de coleta e destinação. As embalagens em geral também estão previstas em acordo setorial a partir de 2015 com meta de em 24 meses recolherem e destinarem adequadamente 3.800 toneladas/dia, mas ainda não há dados disponíveis. Os eletroeletrônicos, lâmpadas, pilhas e baterias não estão no relatório da Abrelpe em 2016.
1 – Logística Reversa
Agrotóxicos – O Impev, Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias desde 2001 realiza a logística reversa e a gestão pós-consumo das embalagens vazias de agrotóxicos através do Sistema Campo Limpo em todas as regiões do país. Em 2016 foram 44.528 toneladas recolhidas, 94% do total de embalagens primárias comercializadas, sendo 90% recicladas e 4% incineradas. Em comparação com 2015, houve uma redução de 2%. Mas mesmo com esta queda o Brasil manteve a liderança e a referência mundial na destinação de embalagens vazias de agrotóxicos.
Óleos lubrificantes – O Instituto Jogue Limpo criado pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes – Sindicom é responsável pelo Programa Jogue Limpo para a logística reversa e a gestão pós-consumo das embalagens de óleos lubrificantes. Este foi o primeiro Acordo Setorial realizado com o Ministério do Meio Ambiente em 2012 e está atuante em 14 estados – RS, SC, PR, SP, RJ, MG, ES, BA, SE, AL, PB, PE, RN e CE – e 4.136 municípios com 39.436 pontos de coleta regulares. Em 2016 foram recolhidas 92 milhões de embalagens, correspondentes 4.591 toneladas de plásticos, redução de 7,6% em relação ao panorama de 2015.
Pneus – A Reciclanip, desde 1999 é a entidade representante dos fabricantes nacionais de pneus para a logística reversa e a gestão pós-uso, com pontos de coleta em todas as regiões do país em 1025 municípios, com foco nos municípios com mais de 100 mil habitantes – Resolução Conama 416/2009. Em 2016 foram recolhidas e recicladas 457 mil toneladas de pneus inservíveis, com crescimento de 1,1% em relação ao ano de 2015.
2 – Reciclagem
São analisados os setores de alumínio, papel e plástico com base nas informações fornecidas pelas respectivas associações representativas destes setores para a Abrelpe. As associações utilizadas como base das informações não estão listadas e as informações fornecidas são do ano de 2015. O vidro não está incluído por inexistirem dados atualizados e confiáveis sobre a sua reciclagem.
Alumínio – Os dados fornecidos são bastante vagos. Embora o panorama se refira ao ano de 2016, informa-se que no ano anterior de 2015 a reciclagem total de alumínio no Brasil foi de 602 toneladas, com uma relação entre o volume reciclado e o consumo doméstico de 38,5% em uma média mundial de 27,1%, colocando o Brasil em oitavo lugar nesta relação de consumo. No segmento de latas para o envase de bebidas, com dados também de 2015, informa-se que o Brasil está em primeiro lugar com 97,9% correspondentes a 292,5 mil toneladas recicladas.
Papel – Os dados são de 2015, com base na divisão da taxa de recuperação de papéis com potencial de reciclagem pela quantidade de papéis recicláveis consumidos durante o período. Informa-se que no ano de 2015 a taxa de recuperação foi de 63,4% com crescimento de 4%. Destaque para o setor de embalagens com 80% de reciclagem.
Plástico – São fornecidos os dados somente do PET com base nas informações da Abipet – Associação Brasileira da Indústria de PET, indicando 51% de reciclagem com 274 mil toneladas em 2015 e queda de 12,73% em relação ao panorama anterior de 2014 com 314 mil toneladas. Para ter-se uma ideia da queda na reciclagem do PET, os números estão abaixo dos dados de 2010, em que foram recicladas 282 mil toneladas.
2010
2011
2012
2014
2015
282
294
331
314
274
Tabela 1 – Série histórica da reciclagem do PET no Brasil em 2010-2015. Toneladas X 1000. Os dados de 2013 não estão disponíveis nas informações fornecidas. (ecodebate)

Gerenciar resíduos plásticos em poucos rios poderia conter plásticos no oceano

Melhor gerenciamento de resíduos de plástico em poucos rios poderia conter plásticos no oceano.
Quantidades maciças de pedaços de plástico, que são perigosos para a vida aquática, estão se espalhando nos oceanos e até mesmo nas águas mais claras. Mas como tudo isso ocorreu nas cidades do interior não foi totalmente compreendido. Agora, cientistas descobriram que 10 rios do mundo, onde os resíduos de plástico são mal administrados, contribuem para a maioria das cargas totais dos oceanos provenientes de rios. O relatório aparece na Environmental Science & Technology, da ACS.
Milhões de toneladas de resíduos de plástico entram nos oceanos do mundo todos os anos. Esta poluição, quando dividida em pequenos pedaços chamados de microplásticos, pode prejudicar a saúde da vida marinha. Limpar tudo seria impossível, mas reduzir a carga total poderia ajudar a reduzir o potencial dano. Para fazer isso, no entanto, os pesquisadores precisam de uma melhor compreensão de como o plástico entra nos oceanos em primeiro lugar. Os rios, que fluem das áreas interiores para os mares, são os principais transportadores de detritos plásticos. Mas os padrões de concentração não são bem conhecidos. Christian Schmidt e colegas queriam preencher esta lacuna de conhecimento.
Os pesquisadores analisaram dezenas de artigos de pesquisa sobre poluição plasmática em vias navegáveis. Os estudos envolveram 79 locais de amostragem ao longo de 57 rios ao redor do mundo. Os cálculos dos pesquisadores indicaram que a quantidade de plástico nos rios estava relacionada à má gestão dos resíduos plásticos em suas bacias hidrográficas. Além disso, os 10 principais rios que carregam os maiores valores representaram entre 88% e 95% da carga global total de plásticos nos oceanos, de acordo com os cálculos do pesquisador. Os pesquisadores dizem reduzir metade a poluição plástica nessas 10 vias navegáveis – oito delas na Ásia – poderia potencialmente reduzir a contribuição total de todos os rios em 45%. (ecodebate)

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Estudo mostra que é economicamente viável zerar desmatamento no Brasil

Impactos no PIB e nos salários seriam muito baixos e podem ser compensados com pequeno aumento nas taxas de intensificação da pecuária
Se todo o desmatamento – e a consequente expansão da fronteira agrícola – no Brasil acabasse imediatamente, seja legal ou ilegal, incluindo terras públicas e privadas, haveria um impacto mínimo na economia do país. Isso significaria uma redução de apenas 0,62% do PIB acumulado entre 2016 e 2030, o que corresponderia a uma diminuição do PIB de R$ 46 bilhões em 15 anos, ou R$ 3,1 bilhões por ano. Esse é o principal resultado do estudo Qual o Impacto do desmatamento zero no Brasil?, idealizado e coordenado pelo Instituto Escolhas, e realizado a partir de parceria com pesquisadores do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). O estudo foi lançado hoje (30/10), durante seminário realizado no auditório do Insper, em São Paulo.
Segundo o diretor executivo do Escolhas, Sergio Leitão, esse impacto no PIB é muito menor do que é investido pelo Estado brasileiro em diversas áreas consideradas prioritárias. “Somente os subsídios para o custeio do Plano Safra foram de aproximadamente R$ 10 bilhões em 2017. Além disso, esse valor pode ser neutralizado apenas com um pequeno incremento na taxa anual de intensificação da pecuária. Sem contar que, não parar o desmatamento também tem um alto impacto no PIB – que não foi contabilizado neste estudo. Isso significa que, não agir agora para brecar o desmatamento, pode custar ainda mais”, disse.
Além de zerar todo o desmatamento imediatamente (DZAbsoluto), o estudo simulou os impactos em outros dois cenários. Em um deles (DZ2), o desmatamento ilegal em terras públicas é zerado até 2030 e o desmatamento em terras privadas na Amazônia e no Cerrado ocorrerá neste período apenas sobre a vegetação nativa onde ele é permitido por lei e tenha maior aptidão agrícola. Nesse caso, o impacto acumulado no PIB é de menos 0,22% até 2030.
O terceiro cenário (DZ3) difere do anterior porque considera que o desmatamento legal em terras privadas na Amazônia e no Cerrado seguirá a tendência atual, independentemente da sua aptidão agrícola. Este cenário é o que mais se aproxima do compromisso do Brasil com a Convenção do Clima, mas ainda é mais restritivo, pois inclui o fim do desmatamento ilegal não apenas na Amazônia, mas também no Cerrado. Nesse caso, o impacto acumulado no PIB é de menos 0,03% até 2030.
Para zerar o desmatamento, o estudo partiu do princípio que acabar com o desmatamento significa o fim da expansão agrícola para o estabelecimento de pastagens. A área de produção agrícola e de reflorestamentos (plantios de eucalipto e pinus, ou florestas comerciais), por sua vez, continua aumentando de acordo com a média observada no período 2011-2015, mas seu avanço se dará apenas sobre áreas de pastagens, que passam a diminuir.
Segundo o estudo, o final do desmatamento tende produzir uma pequena desvalorização cambial que deve beneficiar produtos agrícola exportados (soja, café e silvicultura) e também os que têm grande parcela importada (trigo, principalmente), cuja produção pode expandir no país. Por outro lado, as simulações mostram uma queda no salário real nos três cenários, decorrente da redução da atividade econômica, expressa pela queda do PIB. Embora seja uma queda muito pequena (entre 0,08% e 1,13%), os trabalhadores menos qualificados (como é o caso dos que são empregados na agropecuária) tendem a apresentar maior queda no salário real.
Em todos os cenários, os estados da fronteira agrícola teriam maiores perdas no PIB do que os das regiões Sudeste e Sul. Rondônia (entre 0,59% no DZ3 e 3,07 no DZAbsoluto), Acre (entre 0,54% e 4,53%), Pará (entre 0,23% a 2,05%) e Mato Grosso (entre 0,14% e 3,17%) seriam os estados mais afetados. Essas assimétricas apontam para a necessidade de pensar políticas públicas que compensem tais perdas, mesmo que reduzidas.
Os principais resultados do estudo estão disponíveis no relatório completo do estudo ou em seu sumário executivo. (ecodebate)

Fatores ideológicos afetam o apoio a políticas climáticas

Impactos da Ideologia no Clima • Polarização Política: Pessoas com visões mais à esquerda costumam apoiar medidas de transição verde e tax...