domingo, 1 de julho de 2018

Aplicativo mostra situação do abastecimento d'água e esgotamento

Aplicativo mostra a situação do abastecimento de água e do esgotamento sanitário em todos os municípios do Brasil.
Agência Nacional de Águas (ANA)
Disponível para os sistemas Android e IOS, o aplicativo Atlas Água e Esgotos oferece informações sobre coleta e tratamento de esgotos, lançamento da carga orgânica em corpos d’água e sistemas produtores de água para abastecimento em todos os municípios do País.
Já é de conhecimento público que o Brasil precisa melhorar os índices de saneamento. Em se tratando de esgotos, por exemplo, apenas 39% da carga orgânica produzida é removida das mais de nove mil toneladas de esgotos gerados pela população urbana diariamente no País. A novidade, porém, é que a partir de agora um novo aplicativo desenvolvido pela Agência Nacional de Águas (ANA) vai permitir que qualquer pessoa com um dispositivo móvel, smartphone ou tablet conectado à internet, conheça em detalhes a situação da coleta e do tratamento dos esgotos, do sistema produtor de água e do manancial que abastece sua cidade. Tudo isso com apenas dois cliques em seu celular.
O aplicativo Atlas Água e Esgoto é compatível com os sistemas Android e IOS e está disponível para download gratuito na Play Store e na App Store. A pesquisa pode ser iniciada pelas informações sobre esgoto ou sobre água. Para facilitar a navegação, quando o GPS do aparelho estiver ativado o app disponibiliza, a partir de um clique na guia “Visão Nacional”, a opção de acesso direto aos dados da cidade onde o usuário se encontra. Outra funcionalidade permite o compartilhamento das informações por meio de mídias sociais, como Facebook, Instagram e WhatsApp.
Sobre a situação dos esgotos, o aplicativo apresenta dados municipais das populações atendidas com coleta e tratamento de esgotos, somente com coleta, sem nenhum dos dois serviços e por fossas sépticas, além da carga de esgotos gerada e a remanescente após o tratamento. Além disso, a ferramenta mostra qual é a capacidade de diluição do principal corpo d’água receptor de esgotos daquele município e o desenho do sistema atual de coleta e tratamento de esgotos da localidade, além das alternativas técnicas e investimentos necessários para assegurar a adequada coleta e tratamento de esgotos em cada município até 2035. Ao selecionar o município é possível ainda acessar o croqui (desenho esquemático) da situação existente e melhorias propostas para sistema de esgotamento sanitário, incluindo o caminho percorrido pelos esgotos, tratados ou não, até os corpos receptores.
Com relação ao abastecimento urbano de água, o aplicativo informa a avaliação da oferta e da demanda de água potável e a necessidade de investimentos para que cada município possa oferecer água suficiente para seus habitantes até 2025. O usuário também encontra imagens que ilustram os sistemas de abastecimento existentes e melhorias propostas pela ANA. Para o Nordeste, também está disponível o nível atual dos cerca de 500 reservatórios que a Agência Nacional de Águas monitora.
“Colocar as informações na palma da mão das pessoas empodera a sociedade que pode reivindicar e mudar essa realidade. Além disso, o aplicativo tem um caráter educativo ao indicar os sistemas produtores e mananciais de abastecimento em cada município, já que provavelmente a maioria dos brasileiros não sabe de onde vem a água que consomem nas cidades”, avalia o diretor de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA, Marcelo Cruz.
O aplicativo também dá acesso a um Fale Conosco para que os usuários possam relatar os problemas de sua cidade à Agência Nacional de Águas. “Ao fornecer acesso rápido e consolidado às informações, facilitamos a interlocução da sociedade com os tomadores de decisão, principalmente com os municípios, que possuem a titularidade dos serviços de saneamento na maior parte do Brasil, e com os governos estaduais, titulares dos serviços em várias capitais brasileiras”, reforça Cruz.
O usuário também poderá obter informações com recorte estadual e nacional. Sobre abastecimento urbano de água, o aplicativo oferece a avaliação da oferta de água por região e os dados sobre os tipos de sistemas de abastecimento de água (isolado ou integrado) e sobre os tipos de mananciais usados para captação de água (subterrâneos, superficiais ou mistos).
O aplicativo consolida informações do Brasil inteiro produzidas nos estudos Atlas Esgoto e Atlas Abastecimento Urbano de Águas da ANA e suas informações serão atualizadas ao passo que novos estudos sejam lançados. As informações dos reservatórios são geradas em tempo real por meio do Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR) da ANA.
Informações disponíveis:
Esgotos:
– Carga gerada, coletada e tratada;
– Principal corpo d’água que recebe o remanescente da carga orgânica e sua capacidade de diluição;
– População atendida pelos serviços;
– Quanto o município tem que investir para universalizar o tratamento, com diagrama das melhorias necessárias.
– Croqui (desenho esquemático) da situação existente e melhorias propostas para o sistema de esgotamento sanitário de cada sede urbana municipal, incluindo o caminho percorrido pelos esgotos, tratados ou não, até os corpos receptores.
Abastecimento:
– Prestador do Serviço, manancial de abastecimento do município, e sistema produtor de água;
– Se o manancial é suficiente ou o município precisa de uma alternativa;
– Se o sistema produtor de água é satisfatório ou precisa ser ampliado;
– Qual a população projetada para 2025 a ser atendida.
– Croqui (desenho esquemático) do sistema produtor de água de cada sede urbana municipal.
Reservatórios:
Volume de cerca dos 530 reservatórios que a ANA monitora no Nordeste. (ecodebate)

Contaminação da água por práticas agrícolas insustentáveis no mundo

Relatório da FAO alerta para contaminação da água por práticas agrícolas insustentáveis no mundo.
A contaminação da água por práticas agrícolas insustentáveis representa uma grave ameaça para a saúde humana e os ecossistemas do planeta, um problema frequentemente subestimado tanto pelos responsáveis por políticas públicas como pelos agricultores, alertou um relatório divulgado em 20/06/18.
Em muitos países, a maior fonte de contaminação da água é a agricultura — não as cidades ou a indústria —, enquanto, globalmente, o poluente químico mais comum nos aquíferos subterrâneos são os nitratos procedentes da atividade agrícola, advertiu relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
A poluição da água causada pela agricultura afeta bilhões de pessoas e gera perdas anuais de bilhões de dólares.
A contaminação da água por práticas agrícolas insustentáveis representa uma grave ameaça para a saúde humana e os ecossistemas do planeta, um problema frequentemente subestimado tanto pelos responsáveis por políticas públicas como pelos agricultores, alertou um relatório divulgado em 20/06/18.
Em muitos países, a maior fonte de contaminação da água é a agricultura — não as cidades ou a indústria —, enquanto, globalmente, o poluente químico mais comum nos aquíferos subterrâneos são os nitratos procedentes da atividade agrícola, advertiu o relatório “Mais pessoas, mais alimentos, pior água?”, apresentado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pelo Instituto Internacional para o Manejo da Água, em conferência que ocorreu até 22/06/18 no Tajiquistão.
A agricultura moderna é responsável por lançar grandes quantidades de agroquímicos, matéria orgânica, sedimentos e sais nos corpos d’água, disse o relatório. Essa poluição afeta bilhões de pessoas e gera custos anuais que superam bilhões de dólares.
“A agricultura é o maior produtor de águas residuais, por volume, e o gado gera muito mais excrementos que os humanos. À medida que se intensificou o uso da terra, os países aumentaram enormemente o uso de pesticidas sintéticos, fertilizantes e outros insumos”, disseram Eduardo Mansur, diretor da divisão de terras e águas da FAO, e Claudia Sadoff, diretora-geral do instituto, em sua introdução para o relatório.
“Apesar de esses insumos terem ajudado a impulsionar a produção de alimentos, também deram lugar a ameaças ambientais, assim como a possíveis problemas de saúde humana.”
Os poluentes agrícolas mais preocupantes para a saúde humana são os patógenos do gado, praguicidas, nitratos nas águas subterrâneas, oligo elementos metálicos e os poluentes emergentes, como os antibióticos e os genes resistentes aos antibióticos excretados pelo gado.
O novo relatório representa a análise mais completa da dispersa literatura científica sobre o tema realizada até hoje, e tem como objetivo fechar lacunas de informação e desenhar soluções no nível de políticas e das exportações agrícolas em uma única referência consolidada. (ecodebate)

Agricultores são pagos para "produzir" água na luta contra escassez

Em Planaltina (DF) agricultores são pagos para "produzir" água na luta contra escassez.
Agricultor Daniel de Almeida posa para foto em sua fazenda em Planaltina, Distrito Federal, 21 de março de 2018.
No Distrito Federal, o abastecimento de água voltou à normalidade no meio de junho/18. A região enfrentou racionamento devido à escassez chuvas, agravada pelo crescimento urbano desordenado. O esforço da população para economizar água - que reduziu o consumo entre 12-13% - e as mudanças nos métodos de irrigação dos agricultores, também foram fundamentais para acabar com o racionamento de água. (Por Karla Mendes, da Reuters)
Diante de um canteiro de 50 mil pimentões verdes, Daniel de Almeida explica orgulhoso como ele "produz" toda a água necessária para irrigar plantações e criar gado em sua fazenda nos arredores de Brasília, aonde o racionamento de água chegou ao fim após uma severa seca.
Almeida é um dos 1.200 agricultores em todo o Brasil apoiados por um programa do governo que melhora a infraestrutura em fazendas para aumentar a retenção de água no solo e conservar as fontes de água.
Quando o racionamento de água foi introduzido no Distrito Federal há mais de um ano, Almeida continuou irrigando suas plantações e dando de beber aos seus animais usando uma mina de água em sua propriedade.
-- “Quem não preservou em volta das nascentes, não recuperou as áreas nativas, não replantou, não tem essa área de preservação permanente, sofreu na seca”, disse Almeida, acrescentando que os agricultores não podiam captar água dos rios.
“Graças a Deus a gente passou a seca tranquilo, com água sobrando”, afirmou o agricultor à Thomson Reuters Foundation em sua fazenda de 28 hectares em Planaltina, enquanto bois pastavam atrás dele.
No Brasil, mudanças estruturais nas fazendas para aumentar a água subterrânea são vitais, já que cerca de 60% da água doce do país é usada para a produção agrícola e pecuária, de acordo com a agência nacional de águas (ANA).
Investir em obras para evitar a erosão em propriedades rurais e tratar efluentes e esgotos ajuda a preservar bacias hidrológicas, diz a ANA, que administra o projeto "produtor de água" em todo o país.
O projeto incentiva os agricultores a adotarem boas práticas que preservem o meio ambiente e aumentem o volume das fontes de água.
PAGOS PARA PROTEGER
Agricultores como Almeida que concordaram em realizar as intervenções propostas pela ANA recebem um pagamento anual.
O valor a ser pago varia de acordo com as modificações e métodos de preservação implantados para melhorar o suprimento de água nas propriedade rural.
O programa investe em obras nas fazendas, incluindo construção de terraços e curvas de nível, adaptação de estradas rurais, reabilitação de nascentes, plantio de árvores e conservação de florestas.
Na fazenda de Almeida, o programa implantou curvas de nível e terraços, bem como plantação de mudas na área em torno da mina de água, onde nenhuma atividade econômica é permitida.
O programa também incentiva os agricultores a adotarem práticas sustentáveis, como a agrofloresta, onde as árvores são plantadas ao lado das lavouras.
“Eu planto o milho consorciado com o capim. O milho eu uso pra fazer silagem, que é para manter o trato animais na seca, e agora na época das águas a gente tem A pastagem”, disse Almeida.
A fazenda de Almeida recebe apoio financeiro da empresa pública de abastecimento de água Caesb, que financia o programa da bacia hidrográfica do rio Pipiripau em Planaltina, uma das mais importantes áreas produtoras de hortaliças do Distrito Federal.
Em outra fazenda em Planaltina, a 55 quilômetros de Brasília, o programa plantou 8.000 árvores nativas do cerrado em uma área onde se praticava pecuária extensiva perto de uma nascente de rio.
"A gente percebeu um aumento na quantidade de água infiltrando no solo. A gente também viu a mina de água enchendo mais a cada ano", disse o agricultor Thiago Kaiser.
O resultado inspirou a família de Kaiser a plantar mais 4.000 árvores e cultivar outras 4.000 mudas a partir de sementes.
Segundo a Caesb, uma relação mais próxima com os agricultores facilitou negociar o uso dos recursos hídricos e minimizou a crise hídrica na região.
Como resultado do programa na bacia do Pipiripau, 360.000 mudas foram plantadas, 134 km de estradas foram recuperadas, cerca de 1.000 bacias de retenção de água foram construídas e outras 200 foram reabilitadas.
O governo do Distrito Federal investiu cerca de 10 milhões de reais no projeto desde 2012, dos quais a Caesb pagou cerca de 2 milhões de reais para cerca de 185 agricultores.
Na fazenda de Almeida, as melhorias feitas no projeto custaram cerca de R$ 30 mil. "Vale a pena", disse o agricultor.
MEDIDAS CONTRA A ESCASSEZ
As fontes de água estão sob pressão em todo o mundo diante do aquecimento global e da demanda crescente da população, segundo a ONU.
Cerca de 16% das 5.570 cidades brasileiras enfrentam problemas de abastecimento de água, segundo dados do Ministério da Integração Nacional.
No Distrito Federal, o abastecimento de água voltou à normalidade. A região enfrentou racionamento devido à escassez chuvas, agravada pelo crescimento urbano desordenado.
Mas a ampliação no sistema de captação no Ribeirão Bananal e no Lago Paranoá supriu a lacuna, disse o governador Rodrigo Rollemberg em maio, anunciando o fim do racionamento para 15 de junho.
Em dezembro, o sistema Corumbá também entrará em operação, gerando 2.800 litros adicionais de água por segundo para a população de 3 milhões de pessoas do Distrito Federal. O mesmo volume será destinado ao Estado de Goiás, de acordo com Rollemberg.

Água: no Distrito Federal, o abastecimento volta a normalidade.
GESTÃO DE ÁGUA
A demanda global por água deverá aumentar em quase um terço até 2050, quando 5 bilhões de pessoas poderão ficar acesso restrito à água, de acordo com um relatório da ONU publicado em março.
Para evitar a escassez, a ONU recomenda a adoção de "soluções baseadas na natureza" que usam ou imitam os processos naturais para aumentar a disponibilidade de água.
Isso inclui a adaptação de práticas agrícolas de forma que o solo retenha mais umidade e nutrientes, coleta de água da chuva e conservação de áreas úmidas que captam o escoamento e descontaminam as águas.
No Brasil, mudanças estruturais nas fazendas para aumentar a água subterrânea são vitais, já que cerca de 60% da água doce do país é usada para a produção agrícola e pecuária, de acordo com a agência nacional de águas (ANA).
A ANA coordena 57 projetos de produção de água em todo o Brasil, cobrindo 400.000 hectares e beneficiando cerca de 35 milhões de pessoas.
As ações variam desde a construção de terraços e pequenas barragens que canalizam e captam o excesso de água, até o reflorestamento de propriedades rurais.
A ANA investiu 42 milhões de reais nos projetos, enquanto cerca de 160 milhões de reais foram injetados por organizações que se beneficiam do aumento da disponibilidade de água, incluindo governos locais e empresas que administram serviços de água e saneamento.
Oeste da Bahia preserva mais de 4 milhões de hectares de cerrado dentro das fazendas
(A produção agrícola ocupa 2 milhões de hectares)
No Oeste da Bahia, mais da metade da área dos imóveis rurais está ocupada e destinada à preservação da vegetação nativa local. Em 32 municípios avaliados, a mancha verde dos espaços reservados à preservação do Cerrado dentro das propriedades recobre mais de quatro milhões de hectares, o que equivalente a 52% do espaço total dos imóveis. O percentual é 2,5 vezes maior do que o exigido pelo Código Florestal – 20%.
A área preservada corresponde a 30% do território do Oeste Baiano e é quase 12 vezes maior do que as unidades de conservação e terras indígenas. A extensão de terras reservadas pelos produtores locais para a preservação foi estimada pela Embrapa Territorial a partir da análise dos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), a pedido do Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa).
“É a região da Bahia que mais dedica área à preservação da vegetação nativa”, garante o que chefe-geral da Embrapa Territorial, Evaristo de Miranda. Ele apresentou os dados durante o Fórum do Canal Rural realizado em 29 de maio, em Luís Eduardo Magalhães, BA.
Com produção concentrada no Oeste, a Bahia respondeu, na safra 2016/2017 por cerca de 23% da produção brasileira de algodão. O estudo da Embrapa também avaliou os dados do CAR das 132 propriedades com cotonicultura na região. Elas também preservam mais do que o exigido pela legislação. A área destinada à vegetação nativa é próxima de 40% - mais de 220 mil hectares.

O estudo da Embrapa Territorial ainda calculou o valor do patrimônio imobilizado pelos agricultores nas áreas de reserva legal. As estimativas apontam pelo menos R$ 11 bilhões em terras não cultivadas. Miranda aponta que, se fossem utilizadas na produção, seriam mais valorizadas. “Se essa terra hoje fosse manejada, o valor seria de 26 bilhões de reais”, analisa. (noticiasagricolas)

Tudo o que você precisa saber sobre os oceanos

Saiba mais sobre o maior habitat da Terra.
O oceano é o maior habitat do planeta e também ajuda a regularizar o clima. Mas porque ele é salgado? Como as mudanças climáticas estão impactando os oceanos?
O oceano é o maior habitat do planeta e também ajuda a regularizar o clima. Mas porque ele é salgado? Como as mudanças climáticas estão impactando os oceanos?
Estes vastos corpos de água em torno dos continentes são fundamentais para a humanidade. Mas a pesca predatória e o aquecimento global ameaçam deixar este habitat vital estéril.
O oceano é um corpo contínuo de água salgada que cobre mais de 70% da superfície da Terra. As correntes oceânicas regem o clima do mundo e agitam um caleidoscópio de vida. Os humanos dependem destas águas abundantes para o conforto e a sobrevivência, mas o aquecimento global e a sobrepesca ameaçam deixar o mar agitado e vazio.
Os geógrafos dividem o oceano em quatro seções principais: Pacífico, Atlântico, Índico e Ártico. Regiões oceânicas são chamadas de mares, golfos e baías, como o mar Mediterrâneo, o Golfo do México e o Golfo de Bengala. Corpos de água salgada isolados como o mar Cáspio e o Grande Lago Salgado são distintos dos oceanos do mundo.
Os oceanos detém cerca de 320 milhões de milhas cúbicas (1,35 bilhões de km3) de água, o que representa aproximadamente 97% do abastecimento de água da Terra. A água tem cerca de 3,5% de sal e contém vestígios de todos os elementos químicos encontrados na Terra. Os oceanos absorvem o calor do sol, transferindo-o para a atmosfera e distribuindo-o ao redor do mundo por meio do movimento contínuo das correntes oceânicas. Isso conduz os padrões climáticos globais e atua como um aquecedor no inverno e um ar condicionado no verão.
Vida marinha
A vida começou no oceano, e ele continua sendo o lar para a maioria das plantas e animais da Terra — de minúsculos organismos unicelulares às baleias-azuis, o maior animal vivo do planeta.
A maior parte da vida vegetal do oceano é composta por algas microscópicas chamadas de fitoplânctons, que flutuam na superfície e, por meio da fotossíntese, produzem cerca de metade do oxigênio que os seres humanos e todas as outras criaturas terrestres respiram. As macroalgas e algas kelp são algas grandes facilmente visíveis a olho nu.
Plantas marinhas com raízes, como ervas marinhas, só podem sobreviver a uma profundidade em que os raios solares possam oferecer suporte à fotossíntese — cerca de 200 metros. Quase metade do oceano tem mais de 3 mil metros de profundidade. Julgava-se que os alcances mais profundos do oceano eram desprovidos de vida, mas hotspots biológicos aparecem em lugares como fontes hidrotermais e em outros lugares no fundo do mar. Estas estruturas semelhantes a chaminés expelem gases e água rica em minerais debaixo da crosta terrestre. Poliquetas, moluscos e mexilhões reúnem-se em torno das fontes para se alimentarem de bactérias que adoram o calor. Peixes bizarros com olhos sensíveis, presas translúcidas e iscas bioluminescentes espreitam em águas próximas.
Surfe e dispersão de espuma enquanto uma grande onda quebra na costa de Palau. Mais de 250 ilhas compõem o país, uma fortaleza japonesa durante a Segunda Guerra Mundial.
Outros peixes, polvos, lulas, enguias, golfinhos e baleias nadam contra a corrente em águas abertas, enquanto caranguejos, lagostas, estrelas do mar, ostras e caracóis rastejam e seguem seu caminho para o fundo do oceano. Criaturas como as águas-vivas não possuem seu jeito próprio de locomoção e, na maioria das vezes, são deixadas para serem levadas pelos ventos e correntes. Mamíferos como lontras, morsas e até mesmo ursos-polares também dependem do oceano para a sua sobrevivência, e são os seus mergulhos sempre que seus organismos exigem.
As colônias de pólipos formam recifes de corais à medida que eles morrem. Os recifes são encontrados principalmente em águas tropicais rasas e abrigam um brilhante mosaico de pólipos, plantas e peixes. Os recifes de corais também são vítimas visíveis da atividade humana. Aquecimento global, assoreamento, poluição e outros fenômenos estão forçando os corais até a morte, e pescadores zelosos demais pescam mais alimentos do que os recifes podem restaurar.
Impacto humano
As atividades humanas afetam quase todas as partes do oceano. Redes perdidas e descartadas continuam a capturar letalmente peixes, aves marinhas e mamíferos marinhos à deriva. Os navios derramam óleo e lixo e transportam animais para habitats estranhos despreparados para a sua chegada. Florestas de mangue são devastadas para a construção de residências e fábricas. Mais da metade da população dos EUA vive em áreas costeiras, despejando lixo e esgoto no oceano.
O escoamento de fertilizantes de fazendas transforma vastas faixas do oceano em zonas mortas, incluindo uma área do tamanho de Nova Jersey, no Golfo do México. O dióxido de carbono, um gás de efeito estufa, está deixando as águas do oceano ácidas, e um influxo de água doce devido ao degelo das geleiras ameaça alterar as correntes de condução climática.
Os conservacionistas exigem que os órgãos de proteção internacional protejam e reabasteçam os estoques decrescentes de peixes no oceano, e lutam pela redução dos gases de efeito estufa para frear o aquecimento global. (nationalgeographicbrasil)

sexta-feira, 29 de junho de 2018

BNDES muda regra e pessoas físicas investirão em sistemas de aquecimento solar

BNDES muda regra e pessoas físicas podem investir em sistemas de aquecimento solar e sistemas de cogeração.
· Fundo Clima permite financiar 80% dos itens apoiáveis ao custo final de 4,03% ao ano para pessoas físicas e jurídicas com renda até R$ 90 milhões.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou mudanças no Programa Fundo Clima. A partir de agora, no subprograma Máquinas e Equipamentos Eficientes, pessoas físicas terão acesso a financiamentos para a instalação de sistemas de aquecimento solar e sistemas de cogeração (placas fotovoltaicas, aerogeradores, geradores a biogás e equipamentos necessários).
Trata-se de mais uma ação do BNDES para incentivar o cidadão brasileiro a investir em sustentabilidade e economia de energia. Os recursos poderão ser contratados em operações indiretas somente por meio de bancos públicos.
Economia – A implantação de sistemas de geração de energia solar permitirá aos consumidores reduzirem gastos com a conta de luz, já que passarão a comprar menos energia da concessionária e poderão, dependendo de sua região, fazer até uma conta corrente de energia vendendo o excedente para a distribuidora. Além disso, a geração distribuída traz um benefício para o sistema elétrico, já que conta com vários pontos de geração espalhados por residências e comércio, reduzindo o risco de interrupção do fornecimento de energia.
Condições – Os limites do Fundo Clima alcançam 80% dos itens financiáveis, podendo chegar a R$ 30 milhões a cada 12 meses por beneficiário. Tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas (empresas, prefeituras, governos estaduais e produtores rurais), o custo financeiro do Fundo Clima é reduzido: para renda anual até R$ 90 milhões, o custo é de 0,1% ao ano, e a remuneração do BNDES é de 0,9% ao ano. Para renda anual acima de R$ 90 milhões, o custo é de 0,1% ao ano, e a remuneração do BNDES é de 1,4% ao ano.
A remuneração dos agentes financeiros é limitada até 3% ao ano. Uma vez aplicada a remuneração máxima definida pelos bancos públicos, as taxas finais passam a ser as seguintes: para renda anual até R$ 90 milhões, o custo final é de 4,03% ao ano; para renda anual acima de R$ 90 milhões, o custo final é de 4,55% ao ano. O programa permite carência de 3 a 24 meses, com prazo máximo de 144 meses. A vigência para adesão vai até 28 de dezembro de 2018.
Fundo – O Fundo Clima é destinado a projetos de Mobilidade Urbana, Cidades Sustentáveis, Resíduos Sólidos, Energias Renováveis, Máquinas e Equipamentos Eficientes e outras iniciativas inovadoras. O objetivo é financiar produções e aquisições com altos índices de eficiência energética ou que contribuam para redução de emissão de gases de efeito estufa.
Itens financiáveis – Podem ser financiados os seguintes itens, desde que novos e nacionais, cadastrados e habilitados para o subprograma no Credenciamento de Fornecedores Informatizados – CFI do BNDES: máquinas e equipamentos cadastrados no Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) ou com o selo Procel (considerando os itens para os quais o PBE fornece a certificação de eficiência energética, serão aceitos apenas os de classificação A ou B); sistemas geradores fotovoltaicos, aerogeradores até 100kw, motores movidos a biogás, inversores ou conversores de frequência e coletores/aquecedores solares; ônibus e caminhões elétricos, híbridos e outros modelos com tração elétrica; e ônibus movidos a etanol. (ecodebate)

Relatório Especial sobre o Aquecimento Global de 1,5ºC

IPCC envia aos governos a versão final do Relatório Especial sobre o Aquecimento Global de 1,5ºC.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) está convidando os governos a comentar a versão final do Resumo para os Formuladores de Políticas (SPM) do Relatório Especial sobre Aquecimento Global de 1.5ºC (SR15) antes da aprovação da plenária. o SPM na 48ª sessão do IPCC no início de outubro.
O IPCC distribuiu a versão final do relatório, cujo nome completo é Aquecimento Global de 1,5°C, um relatório especial do IPCC sobre os impactos do aquecimento global de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e das vias de emissão de gases de efeito estufa. Um contexto de fortalecimento da resposta global à ameaça da mudança climática, desenvolvimento sustentável e esforços para erradicar a pobreza, aos governos na segunda-feira, com um pedido para comentar sobre a SPM até 29 de julho de 2018.
A revisão da Minuta Final é uma etapa chave na preparação do relatório, permitindo que os autores se preparem para a sessão de aprovação linha por linha da SPM que acontecerá em Incheon, República da Coréia, em 1º a 5 de outubro, 2018. O relatório, a ser divulgado em 8 de outubro, sujeito à aprovação do Painel, será o principal insumo científico para o Diálogo de Talanoa na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas a ser realizada em Katowice, Polônia, em dezembro.
O objetivo desta revisão final é garantir que o Resumo para os formuladores de políticas seja preciso, bem equilibrado, apresente claramente as conclusões do relatório subjacente e seja consistente com o escopo do relatório completo aprovado pelo Painel na 44ª sessão do relatório. o IPCC em outubro de 2016.
“Esta é a última etapa do processo de revisão do IPCC. Os rascunhos dos capítulos foram finalizados e as principais descobertas foram resumidas no Resumo para os Formuladores de Políticas”, disse Valérie Masson-Delmotte, Co-Presidente do IPCC Grupo de Trabalho I. revisar o relatório que preparamos após o convite feito ao IPCC em dezembro de 2015, na COP21”.
Em conformidade com os procedimentos do IPCC, o relatório já passou por duas etapas de revisão formal: a revisão de especialistas do First Order Draft de 31 de julho a 24 de setembro de 2017 e a revisão do governo e especialistas do Second Order Draft de 8 de janeiro a 25 de fevereiro de 2018 .
Notas: O Relatório Especial sobre o Aquecimento Global de 1.5ºC, conhecido como SR15, está sendo preparado em resposta a um convite da 21ª Conferência das Partes (COP21) para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima em dezembro de 2015, quando chegaram à Paris. Acordo e informará o Diálogo de Talanoa na 24ª Conferência das Partes (COP24). O Diálogo de Talanoa fará um balanço dos esforços coletivos das Partes em relação ao progresso em direção à meta de longo prazo do Acordo de Paris e para informar a preparação de contribuições determinadas nacionalmente. Detalhes do relatório, incluindo o esboço aprovado, podem ser encontrados na página do relatório. O relatório está sendo preparado sob a liderança científica conjunta de todos os três Grupos de Trabalho do IPCC, com o apoio da Unidade de Suporte Técnico do Grupo de Trabalho I. O Painel considerará o Resumo para os formuladores de políticas em sua 48ª sessão em Incheon, República da Coreia, de 1 a 5 de outubro.
O que é o IPCC?
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) é o órgão da ONU para avaliar a ciência relacionada à mudança climática. Foi estabelecido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 1988 para fornecer avaliações científicas regulares sobre as mudanças climáticas, suas implicações e possíveis riscos futuros, bem como para propor adaptação e mitigação estratégicas. Tem 195 estados membros.
As avaliações do IPCC fornecem aos governos, em todos os níveis, informações científicas que podem ser usadas para desenvolver políticas climáticas. As avaliações do IPCC são um insumo fundamental nas negociações internacionais para combater as mudanças climáticas. Os relatórios do IPCC são elaborados e revisados ​​em várias etapas, garantindo objetividade e transparência.
O IPCC avalia os milhares de artigos científicos publicados a cada ano para informar aos formuladores de políticas o que se sabe sobre os riscos relacionados às mudanças climáticas. O IPCC identifica onde há acordo na comunidade científica, onde existem diferenças de opinião e onde mais pesquisas são necessárias. Não conduz sua própria pesquisa.
Para produzir seus relatórios, o IPCC mobiliza centenas de cientistas. Esses cientistas e funcionários são provenientes de diversas origens. Apenas uma dúzia de funcionários permanentes trabalha na Secretaria do IPCC.
O IPCC tem três grupos de trabalho: o Grupo de Trabalho I, que trata da base da ciência física das mudanças climáticas; Grupo de Trabalho II, lidando com impactos, adaptação e vulnerabilidade; e Grupo de Trabalho III, que trata da mitigação das mudanças climáticas. Também possui uma Força Tarefa sobre Inventários Nacionais de Gases de Efeito Estufa, que desenvolve metodologias para medir emissões e remoções.
Os Relatórios de Avaliação do IPCC consistem em contribuições de cada um dos três grupos de trabalho e um Relatório de Síntese. Os Relatórios Especiais realizam uma avaliação de questões interdisciplinares que muitas vezes abrangem mais de um grupo de trabalho e são mais curtos e mais focalizados do que as avaliações principais.
Sexto Ciclo de Avaliação
Na sua 41ª sessão, em fevereiro de 2015, o IPCC decidiu produzir um sexto relatório de avaliação (AR6). Em sua 43ª sessão, em abril de 2016, decidiu produzir três Relatórios Especiais, um Relatório de Metodologia e o AR6.
O Relatório de Metodologia para refinar as Diretrizes do IPCC 2006 para Inventários Nacionais de Gases de Efeito Estufa será entregue em 2019. Além do Aquecimento Global de 1.5ºC, o IPCC finalizará dois outros relatórios especiais em 2019: o Relatório Especial sobre o Oceano e Criosfera em um Clima em Mudança e Mudança Climática e Terra: um relatório especial do IPCC sobre mudanças climáticas, desertificação, degradação da terra, gestão sustentável da terra, segurança alimentar e fluxos de gases de efeito estufa em ecossistemas terrestres. O Relatório de Síntese AR6 será finalizado no primeiro semestre de 2022. (ecodebate)

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Decrescimento demoeconômico com regeneração ecológica

Para além da sustentabilidade: decrescimento demoeconômico com regeneração ecológica.
O desenvolvimento sustentável virou um oximoro e o tripé da sustentabilidade virou um trilema. A humanidade já ultrapassou a capacidade de carga do Planeta e, a cada ano, o dia da sobrecarga chega mais cedo. Isto significa que o contínuo crescimento da produção de bens e serviços acontece em detrimento da saúde dos ecossistemas e às custas da perda da biodiversidade. Enquanto a humanidade progride, o meio ambiente regride. Mais desenvolvimento implica menos natureza.
Portanto, o desenvolvimento – que significa o contínuo processo de acumulação de riqueza por parte dos seres humanos – não é um processo ambientalmente sustentável. Pretender enriquecer a humanidade mediante o empobrecimento da natureza é como cortar o galho de uma árvore sentado na ponta. O resultado é um colapso, pois não existe ECOnomia sem ECOlogia. A primeira é um subsistema da segunda, como nos ensina a Economia Ecológica.
Para haver sustentabilidade é preciso um pensamento ecológico holístico. Ou seja, é necessário reconhecer que o ser humano é apenas uma parte da comunidade biótica e que o egoísmo do homo economicus é incompatível com o requisito básico de uma relação altruísta e pacífica entre todos os seres vivos da Terra. Em vez de transformar toda a riqueza do meio ambiente em “valor de troca”, o certo seria reconhecer que a natureza tem valores intrínsecos e princípios que são inegociáveis, como nos ensina a Ecologia Profunda.
A principal característica dos últimos 250 anos foi a exploração desenfreada da natureza. Somente no século XX, a população mundial passou de 1,65 bilhão de habitantes em 1900, para 6 bilhões em 2000, um aumento de quase 4 vezes. Mas o crescimento da economia ocorreu em ritmo bem mais elevado. A emissão de gases de efeito estufa atingiu níveis alarmantes e a concentração de CO2 na atmosfera é a maior em milhões de anos. O consumo per capita de energia aumentou quase 4 vezes, como mostram os gráficos abaixo (Heinberg, 2016).

Mas, o mais grave, é que a destruição da natureza continua em ritmo assustador no século XXI. A promessa do desenvolvimento sustentável e da economia verde se mostraram uma ilusão. A desmaterialização e a descarbonização da economia – promessa da 4ª Revolução Industrial, baseada na Internet, celulares, impressoras 3D, etc. – não aconteceu na prática. A extração global de recursos naturais foi elevada entre 1970 e 2010. Como mostra o “Paradoxo de Jevons”, a maior eficiência energética e a menor intensidade de uso de materiais não elimina o fato da demanda agregada aumentar o uso global dos recursos naturais.
O relatório “Global Material Flows And Resource Productivity” (UNEP, julho de 2016) mostra que a extração de recursos naturais globais aumentou três vezes nos últimos 40 anos. A quantidade de matérias-primas extraídas do seio da natureza subiu de 22 bilhões de toneladas em 1970 para 70 bilhões de toneladas em 2010. O aumento do uso de materiais globais acelerou rapidamente nos anos 2000, com o crescimento das economias emergentes, em especial com o crescimento da China. O crescimento na extração de recursos naturais passou de 7 toneladas per capita em 1970 para 10 toneladas per capita em 2010.
Se a extração de recursos continuar, em 2050, haverá uma população de 9 bilhões de habitantes e uma demanda de 180 bilhões de toneladas de material a cada ano para atender às demandas antrópicas. Esta é a quantidade quase três vezes a situação atual e provavelmente vai aumentar a acidificação dos terrenos e das águas, a eutrofização dos solos do mundo e dos corpos de água, além de aumentar a erosão e aumentar a poluição e as quantidades de resíduos. O mais grave é que, desde 1990, tem havido pouca melhoria na eficiência no uso dos materiais globais. Na verdade, a eficiência começou a declinar por volta do ano 2000. Ou seja, em vez de haver “desacoplamento” (decoupling), a economia internacional está utilizando cada vez mais recursos da natureza per capita e por unidade do PIB. O modelo marrom não recua. As emissões de carbono e de metano continuam em ritmo perigoso.
O crescimento exponencial das atividades humanas resultou na ultrapassagem da capacidade de carga do Planeta. Segundo a Global Footprint Network (2017), a pegada ecológica per capita do mundo, em 1961, era de 2,27 hectares globais (gha) e a biocapacidade per capita do Planeta era de 3,12 gha. Para uma população de 3,1 bilhões de habitantes, o impacto da pegada global do ser humano era de 6,98 bilhões de gha, representando apenas 73% dos 9,53 bilhões de hectares globais da biocapacidade disponível naquele momento. Portanto, havia um superávit ou reserva ecológica na década de 1960. A economia cabia na sustentabilidade da ecologia. Mas com o crescimento da população e do consumo, a reserva ecológica foi sendo reduzida e, a partir de 1970, o superávit se transformou em déficit ambiental. Em 2013, a pegada ecológica per capita do mundo subiu para 2,87 gha e a biocapacidade caiu para 1,71 gha. Para uma população mundial de 7,2 bilhões de habitantes, o déficit ambiental chegou a 68% em 2013. A humanidade está gerando uma dívida ambiental, de tal ordem, que provocará uma falência que não haverá montante monetário capaz de saldar esta dívida.
O capitalismo, que conseguiu produzir uma quantidade tão grande de bens e serviços, não consegue ser ao mesmo tempo economicamente inclusivo, socialmente justo e ambientalmente sustentável. Diversos estudos mostram que nenhuma indústria seria lucrativa se tivesse de pagar pelo capital natural que utilizam. Desde que a humanidade ultrapassou a capacidade de carga do Planeta, o crescimento da produção tem caminhado para uma situação, definida por economista ecológica Herman Daly, como “crescimento deseconômico”.
Para impedir uma catástrofe é preciso evitar o crescimento econômico quantitativo que extrai volumes crescentes de recursos naturais e gera volumes ainda maiores de resíduos sólidos e poluição do solo, das águas e do ar. Não basta o desacoplamento relativo. A solução passa por uma mudança de paradigma e pelo decrescimento demoeconômico, como forma de reduzir a Pegada Ecológica. E como bem mostra o livro “Enough is Enough” (2010), não basta reduzir a pegada ecológica, também é preciso reduzir o número de pés. O decrescimento da população poderia dar uma grande contribuição para diminuir o impacto negativo sobre o meio ambiente.
Desta forma, a perspectiva do decrescimento demoeconômico é o primeiro passo para o equilíbrio homeostático da economia e do ambiente. Mas é preciso ir além, os seres humanos precisam recuperar grande parte do que foi destruído e reverter a tendência à 6ª extinção em massa das espécies.
Artigo de Daniel Christian Wahl (Beyond Sustainability??—?We are Living in the Century of Regeneration, Resilience, 18/04/2018) mostra que é preciso valorizar o ecossistema e promover uma mudança de paradigma, deixando para trás as atitudes ignorantes e egoístas de destruição do próprio habitat para garantir que os sistemas naturais da Terra possam alcançar sua capacidade ideal de sustentar a vida. Em vez de desenvolvimento sustentável é preciso avançar no desenvolvimento regenerativo.
Para o autor, o termo sustentável foi cooptado e algumas pessoas consideram sua empresa sustentável porque sustentou o crescimento e os lucros por vários anos seguidos. O termo sustentabilidade nos pede para explicar o que estamos tentando sustentar. O termo desenvolvimento regenerativo, por outro lado, traz consigo um objetivo claro de regenerar a saúde e a vitalidade dos ecossistemas. Em um nível básico, a regeneração significa não usar recursos que não podem ser regenerados. Nem usar os recursos mais rapidamente do que eles podem ser regenerados. Desenvolvimento neste contexto é “co-evolução da mutualidade”.
A segunda razão é que é preciso ir além de ser apenas sustentável para realmente regenerar o dano que a humanidade provocou no planeta desde o alvorecer da agricultura, das cidades, dos Estados e dos Impérios.
O diagrama acima mostra a passagem de um sistema degenerativo para um sistema regenerativo. A escrita verde e vermelha acima e abaixo do eixo x se refere ao impacto positivo (verde) e impacto negativo (vermelho). No modelo em que tudo continua na mesma (“business as usual”) o primeiro avanço ocorre quando as práticas se movem para o estágio “Green” (economia verde), que significa fazer um pouco mais do que o usual, ou seja, poluir um pouco menos, usando menos energia de fontes não renováveis, etc. Este é um passo frequentemente denominado “maquiagem verde” (“greenwashing”), mesmo que seja uma necessidade nos diversos passos na jornada para ir além da sustentabilidade.
Na passagem do verde (“Green”) para o sustentável (“sustainable”) se chega ao ponto do impacto neutro, em que as atividades sustentáveis não causam danos adicionais. No entanto, com os enormes prejuízos ambientais causados desde o início da revolução industrial é preciso fazer mais do que simplesmente sustentar uma população humana de mais de 7 bilhões de pessoas e que pode chegar a 11 bilhões até 2100, com um crescimento econômico ainda maior.
Na passagem do estágio sustentável para o restaurativo (“restorative”) ainda é possível utilizar a mentalidade antropocêntrica instrumental que vê o ser humano como a medida de todas as coisas. Essa mentalidade de engenharia para a restauração pode criar projetos que restaurem florestas ou ecossistemas, mas de maneira não sistêmicas e integrativas e, portanto, esses esforços e seus efeitos podem ter vida curta ou resultar em efeitos colaterais inesperados e negativos.
Na passagem do estágio restaurativo (“restorative”) para o reconciliatório (“reconciliatory”) se busca projetos de restauração em grande escala para a adaptação cuidadosa à singularidade biocultural do lugar, podendo gerar sucessos de curto prazo, mas falhar em criar significado suficiente para motivar a transformação de longo prazo.
Na passagem do penúltimo estágio, o reconciliatório (“reconciliatory”), para o último o regenerativo (“regenerative”) o desenvolvimento revela o total potencial ecocêntrico. A reconciliação entre natureza e cultura permitiria reconciliar a jornada evolutiva da vida e iniciando uma nova trilha de atuação de forma regenerativa. Regeneração de ecossistemas em grande escala para reverter o aquecimento global, estabilizar o clima, recuperar a biodiversidade e permitir a transição para uma economia baseada em biomateriais de padrões ecológicos de produção e consumo descentralizados biorregionalmente e orientados para a regeneração social e econômica, a resiliência e a colaboração global na aprendizagem de como viver bem e conjuntamente na mesma nave viva que é a Terra (WAHL, 18/04/2018)
A Terra deveria ter o potencial de alcançar um “Equilíbrio Evolucionário”, significando que os solos, os oceanos, as plantas, os animais, a atmosfera, o ciclo da água e o clima da Terra possam interagir de uma forma natural, sem interferência humana. Se estivermos conscientes disso e não interferirmos no Sistema Terrestre os interesses da humanidade podem coincidir com os interesses de todos os seres vivos da Terra. A civilização precisa ser compatível com a reselvagerização do mundo.
Existe a necessidade de fazer a transição da economia fóssil para a “bioeconomia”, que é uma economia centrada no uso de recursos biológicos renováveis em vez de fontes baseadas em fósseis para produção industrial e de energia sustentável. Abrange várias atividades econômicas desde a agricultura até o setor químico e farmacêutico. Ou seja, é uma economia com base nos recursos renováveis, conhecimento biológico e processos biotecnológicos para estabelecer uma economia de base biológica e, acima de tudo, ecologicamente sustentável, focada na renovabilidade e na neutralidade do carbono.
A greve dos caminhoneiros, de maio de 2018, mostrou como é problemático um país ficar totalmente dependente dos combustíveis fósseis e como o aumento do preço dos combustíveis pode gerar revoltas e protestos. Ainda existem setores da sociedade que defendem a exploração do petróleo como fonte de recursos para financiar o desenvolvimento industrial, educacional e cultural brasileiro. Contudo, depender de um combustível poluidor e que aumenta o aquecimento global é uma estratégia ambientalmente equivocada e insustentável. O correto é apostar no desenvolvimento da energia renovável, produzida de forma democrática e descentralizada, com uma tecnologia própria do século XXI e a geração de empregos verdes. Ao invés das jazidas abissais das profundezas salgadas do pré-sal, o Brasil tem a opção de aproveitar o vento, o sol e a água que são recursos abundantes e que não agravam a situação climática do Brasil e do mundo.

Desta forma, a opção pela descarbonização da economia e pelo decrescimento demoeconômico aliado à bioeconomia e à regeneração ecológica permitiria colocar a humanidade em um espaço seguro no Planeta, possibilitando não somente a sustentabilidade, mas também a recuperação dos danos causados no passado, além de viabilizar a reselvagerização do mundo, para evitar o ecocídio e o colapso ambiental. (ecodebate)

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