quinta-feira, 5 de julho de 2018

Decrescimento, parte 2/6: Mudanças climáticas

Resumo:
(1) Trata-se do segundo de uma série de seis artigos sobre as crises socioambientais contemporâneas e suas possíveis soluções ou mitigações numa perspectiva de decrescimento administrado.
(2) Este segundo artigo, sobre as mudanças climáticas, retoma os principais argumentos científicos que demonstram a inevitabilidade atual de um aquecimento médio global superior a 2°C nos próximos decênios, mantido o paradigma do crescimento econômico lastreado na queima de combustíveis fósseis e nos padrões atuais de alimentação e consumo em geral dos 10% mais ricos da humanidade.
(3) Reduções das emissões de gases de efeito estufa a taxas superiores a 4% ao ano talvez possam ainda nos desviar desse aquecimento catastrófico e, certamente, podem, de algum modo, mitigá-lo. Mas reduções dessa ordem são inconcebíveis se mantivermos uma economia globalizada e prisioneira da ideologia de que o crescimento econômico ainda é, em si, um bem e uma necessidade.
(4) Repita-se que não temos escolha: o crescimento do PIB a médio prazo tornou-se um objetivo irrealista. Ele implica, doravante, necessariamente maior pressão antrópica sobre todas as variáveis do sistema Terra e, portanto, uma inviabilização da economia e uma piora imensa da qualidade de vida das pessoas. Ao passo que um decrescimento administrado e o quanto antes pode implicar, se for concebido no âmbito de um processo democrático, a única forma de redistribuir riqueza e, portanto, salvaguardar e mesmo aprimorar a qualidade de vida do conjunto da população.
Decrescimento - Mudanças climáticas
Este é o segundo de uma série de seis artigos sobre as crises socioambientais contemporâneas e suas possíveis soluções ou mitigações numa perspectiva de decrescimento administrado. Essa perspectiva afigura-se hoje como a mais consequente, talvez a única efetiva para uma sociedade viável.
Aumento do consumo de combustíveis fósseis entre 1% e 2% ao ano
Como afirmado no primeiro artigo, por maiores e mais rápidos que sejam o avanço tecnológico e o aumento da eficiência econômica, só é possível reduzir em prazos hábeis o impacto humano sobre o meio ambiente com abandono do consumo de combustíveis fósseis. Sabemos que as mudanças climáticas são causadas preponderantemente pelas crescentes concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa (GEE) emitidos pela queima de combustíveis fósseis e por outros processos agroindustriais, tais como a atividade entérica de enormes rebanhos de ruminantes. Para diminuir essas concentrações é portanto imperativo reduzir essas emissões, ou seja, antes de mais nada, diminuir a queima de combustíveis fósseis, transitando a toque de caixa para energias renováveis de baixo carbono, entre elas as energias fotovoltaica e eólica. Isso não está acontecendo, como mostra a Figura 1:
Figura 1 – Consumo global de combustíveis fósseis, de energia nuclear, hidrelétrica e de energias renováveis entre 2000 e 2016 em gigatoneladas de petróleo equivalente.
Com exceção da energia nuclear, todas as fontes de energia estão aumentando, mas as curvas de aumento do consumo de combustíveis fósseis são as mais íngremes entre 2000 e 2016.
Em 2017, o consumo de combustíveis fósseis aumentou a uma taxa superior à média dos anos 2014-2016, como mostram os últimos dados da Global Energy & CO2 Status Report 2017 da Agência Internacional de Energia (AIE). Em 2017, a demanda global de energia em geral cresceu 2,1% em relação a 2016, mais do dobro da média de 0,9% dos cinco anos anteriores. O consumo de combustíveis fósseis responde por 72% desse crescimento, ao passo que a parcela das energias renováveis nesse aumento não passa de 25%. Nesse mesmo período, as emissões de CO2, apenas e tão somente relacionadas à geração de energia, cresceram 1,4%, atingindo um recorde histórico de 32,5 Gigatoneladas (bilhões de toneladas). O consumo de gás cresceu 3% e o aumento do consumo de petróleo foi o maior na década. Segundo a AIE, ele cresceu 1,5 milhão de barris / dia, um crescimento de 1,6%, uma taxa bem maior que a da taxa média anual de crescimento observado nos últimos 10 anos (1%). Em 2017, até mesmo o consumo de carvão, o mais importante fator no aumento das concentrações atmosféricas de CO2, voltou a crescer globalmente. Segundo Carlos Fernandez Alvarez, da AIE, “o ano de 2017 inverte – ligeiramente – a tendência [de queda do consumo], com uma recuperação de 1%, por efeito da demanda na Ásia”. De fato, na China, tão elogiada por estar supostamente na vanguarda da transição energética, o consumo de carvão cresceu cerca de 3% em 2017 em relação a 2016, segundo o Global Carbon Project (GCP). Em 2017, os cinco maiores bancos dos EUA emprestaram US$ 1,5 bilhão às grandes corporações do carvão, Peabody Energy, Arch Coal e Alpha Natural Resources, o que possibilitou um crescimento de 6% da produção desse combustível nos EUA no ano passado, parte crescente da qual é, doravante, exportada.
Mais 2ºC é doravante inevitável, mantido o paradigma do crescimento

Desde a I Conferência sobre Clima (COP 1) realizada em 1995 na Alemanha, ganhou força o consenso de que um aquecimento médio global de 2ºC em relação ao período pré-industrial significa uma interferência antropogênica perigosa no sistema climático, capaz de causar desequilíbrios ambientais irreversíveis. O consumo maior de combustíveis fósseis acima constatado, típico do paradigma do crescimento econômico, condena-nos a um aquecimento superior a esse limite de aquecimento global no decorrer deste século, provavelmente já nos dois próximos decênios. Isso por ao menos cinco razões bem conhecidas. A primeira delas é o fato de que, como mostra James Hansen, há um temporário desequilíbrio energético no planeta. Mais energia está se conservando na atmosfera, solos e oceanos do que sendo dissipada, e essa energia continuará a aquecer a Terra até que outro equilíbrio térmico se restabeleça. “O desequilíbrio total agora é de cerca de 6/10 Watts/m2. (…) Isso é algo enorme. É cerca de 20 vezes maior que a taxa de energia usada por toda a humanidade. É o equivalente a explodir 400 mil bombas atômicas de Hiroshima todos os dias durante os 365 dias do ano. Isso é o que a Terra está ganhando em energia todos os dias”. Se as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e demais forçantes climáticas fossem zeradas em 2000, esse feito inercial de aquecimento seria em 2090 – 2099 da ordem de 0,6°C (a média entre 0,3°C a 0,9°C) acima da temperatura média do período 1980-1999, como mostra a linha laranja da Figura 2.
Figura 2 – Linha laranja: forçantes radiativas constantes em 2000 (emissões de GEE = 0) implicam um aquecimento inercial de 0,6°C (0,3°C a 0,9°C) em 2090-2099 em relação a 1980-1999. Outras linhas (A2, A1B, B1) indicam cenários alternativos (GEE>0) de emissões.

A segunda razão de estarmos condenados a um aquecimento superior a 2ºC, mantido o paradigma do crescimento econômico é o caráter cumulativo das emissões de CO2. A maior parte desse gás de efeito estufa permanece entre 100 e 300 anos na atmosfera e continua, portanto a aquecê-la ao longo de todo este período. O potencial de aquecimento do CO2 ao longo de um século foi calculado por Katharine L. Ricke e Ken Caldeira em 2014. Eles mostram que há uma defasagem de cerca de 10 anos entre um evento de emissão de CO2 e seu máximo efeito de aquecimento. As emissões de hoje impactarão ao máximo o clima daqui a um decênio e tais impactos permanecerão altos por todo o século, como mostra a Figura 3:
Figura 3 – Aumento da temperatura a partir da emissão de dióxido de carbono (CO2). Séries temporais de aquecimento marginal (= miliKelvin = 0,001 K) por GtC (= 1015 g de carbono) tal como projetado por 6.000 simulações para os primeiros 100 anos após a emissão. O máximo aquecimento ocorre em média 10,1 anos após o evento de emissão de CO2 e tem um valor mediano de 2,2 mK por GtC.
A terceira razão pela qual estamos condenados a um aquecimento superior a 2ºC, mantido o paradigma do crescimento econômico é, paradoxalmente, a ligeira tendência recente, que talvez se mantenha no futuro, a substituir o carvão por outras fontes de energia, sobretudo o gás e energias renováveis. Isso porque os aerossóis (material particulado) gerados na queima de carvão tem o efeito de baixar a temperatura da Terra ao diminui a chegada da radiação solar na superfície terrestre. Essa poluição por aerossóis “mascara” o verdadeiro aquecimento global já gerado até hoje pela queima de combustíveis fósseis. Esse efeito de mascaramento foi calculado por Yangyang Xu e Veerabhadran Ramanathan, num artigo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences de 2017. Segundo esses autores:
“Por volta de 2015, o aquecimento devido ao CO2 era de cerca de 0,8ºC e o aquecimento devido aos demais gases de efeito estufa, chamados Poluentes Climáticos de Vida Curta (SLCP = metano, ozônio troposférico, hidrofluorcarbonetos, HFCs etc.) era de cerca de 1,1ºC. A soma do CO2 e dos SLCP (1,9ºC) já está próxima do Acordo de Paris de 2015 que pretende limitar o aquecimento em 2°C. Por outro lado, os aerossóis têm um efeito de resfriamento (mascaramento) da temperatura da ordem de 0,9ºC”.
Isso significa que a queima de carvão continuará a aquecer o planeta, hoje já 1,1ºC acima do período pré-industrial. Mas se pararmos de queimar carvão, o que é absolutamente urgente, a Terra se aquecerá momentaneamente ainda 0,9ºC, atingindo os 2ºC a que estamos condenados.

A quarta razão pela qual estamos condenados a um aquecimento superior a 2ºC, mantido o paradigma do crescimento econômico, é o desmatamento e o uso insustentável dos solos pelo agronegócio global. Essa devastação impulsionada pelo Big Food tem produzido menor sequestro de carbono pelos solos e florestas a uma taxa alarmante. Segundo o Global Carbon Project, desde 1870 o sequestro de CO2 pelos solos e pela vegetação foi responsável pela redução de 77 partes por milhão (ppm) das concentrações atmosféricas desses gás. Em 2018 já estamos em cerca de 410 ppm, mas se não fosse por esse poder das florestas e dos solos saudáveis de sequestrar carbono já estaríamos em 487 ppm apenas de CO2. Ocorre que apenas a degradação das terras secas, sobretudo pelo desmatamento e pelo uso insustentável do solo, implica que o carbono anualmente capturado pela fotossíntese está diminuindo em média cerca de 2% ao ano, como mostra a Figura 4:
Figura 4 – Perda de produtividade primária líquida dos solos (Net Primary Productivity) nas terras secas.

As florestas tropicais estão tão degradadas que, de sequestradoras de CO2, elas começam agora a ser emissoras líquidas desse gás. No balanço entre sequestro e liberação de CO2, as florestas tropicais acabaram liberando 0,425 Gt de carbono por ano entre 2003 e 2014, segundo uma pesquisa coordenada por Alessandro Baccini do Woods Hole Research Center.
A quinta razão pela qual estamos condenados a um aquecimento superior a 2ºC, mantido o paradigma do crescimento econômico, é o aumento das emissões de metano, sobretudo após 2007. Note-se que o metano tem um potencial de aquecimento muitíssimo superior ao CO2 em curto prazo. Três são as fontes principais dessas emissões: a liberação de metano no Ártico, por degelo dos pergelissolos e do leito marinho, principalmente da plataforma continental da Sibéria oriental, a maior do mundo (1.500 km, apenas 70 a 100 m de profundidade); os escapes de metano em todas as fases de produção e distribuição de carvão, petróleo e gás e a agropecuária, em especial a queima de turfeiras e o consumo de carne de animais ruminantes, poderosos emissores de metano por sua atividade entérica (Figura 5).
Figura 5 – Fatores de emissões atmosféricas de metano
Além dos problemas éticos implicados na indústria da carne, seu consumo é, em nossos dias, o principal fator dentre as emissões biogênicas de metano.
Quando o aquecimento global ultrapassará a barreira de + 2ºC
Os quatro cenários das projeções da Figura 6 propostos pelo Global Carbon Project mostram com bastante precisão nossos prováveis (66% de probabilidade) futuros nos próximos decênios. Todos os quatro mostram que um aquecimento médio global de 2ºC em relação ao período pré-industrial ao longo deste século é agora inevitável, a menos que reduzamos drasticamente, vale dizer, a uma taxa de mais de 4% ao ano, as emissões de CO2.
Na Figura 6, a linha preta mostra que, mantido o volume das emissões de CO2 de 2016, quando houve um crescimento muito pequeno (1% ou menos em relação a 2015) das emissões globais de CO2 vinculadas à geração de energia, há 66% de probabilidade de cruzarmos um aquecimento médio global de 2ºC em relação ao período pré-industrial por volta de 2037 e de 3ºC por volta de 2069. Ocorre que em 2017, i.e., 25 anos após a ECO-92, aumentamos nossas emissões de CO2 a uma taxa aproximada de 2% em relação a 2016. Essa taxa atual de aumento nos coloca no cenário da linha vermelha. Observe-se que há aqui 66% de chance de descolarmos da trajetória da linha preta (a de 2016) por volta de 2025, de cruzarmos os  ºC já por volta de 2032 e de cruzarmos os 3ºC em meados do século. Enfim, se diminuirmos nossas emissões a uma taxa anual de 2% ou de 4% cruzaremos um aquecimento médio global de 2°C por volta de 2040 e de 2070, respectivamente.
Figura 6 – Emissões antropogênicas cumulativas de CO2 e quatro cenários das datas de ultrapassagem (com 66% de probabilidade) de 2°C e de 3°C, salientando os anos de 2037 e 2069, respectivamente, mantida a quantidade de emissões de CO2 de 2016.
Sim, seria preciso substituir a toque de caixa os combustíveis fósseis pelas energias renováveis de baixo carbono. Mas isso não está acontecendo. Não apenas não há projeções de redução no consumo do petróleo e do gás nos próximos dois decênios, mas os tão alardeados investimentos globais em energias renováveis de baixo carbono pararam de crescer após 2011, ou cresceram a ritmos irrelevantes, como mostra a Figura 7.
Figura 7 – Investimentos globais em energias renováveis de baixo carbono entre 2004 e 2017 em bilhões de dólares.
Em 2017, os investimentos globais nessas energias “limpas” totalizaram US$ 333,5 bilhões, um aumento de 3% em relação a 2016, puxado pela China (US$ 132,6 bilhões), que, como visto acima, também aumentou cerca de 3% seu consumo de carvão em relação ao ano anterior. Esses investimentos se apequenam quando se recorda que os investimentos globais em petróleo e gás em 2016 foram de US$ 649 bilhões e de US$ 59 bilhões em carvão, totalizando US$ 708 bilhões, mais do dobro dos investimentos nas energias de baixo carbono. Em 2017, os investimentos em petróleo e gás, apenas em pesquisa, prospecção e extração (upstream), diminuíram 9% na África e 4% na América Latina, mas aumentaram 4% no Oriente Médio, 6% na Rússia e 53% nos EUA, como mostra a Figura 8:
Figura 8 – Taxas de alteração dos investimentos em pesquisa, prospecção e extração (upstream) em petróleo e gás em 2017 em relação a 2016 na África, América Latina, Oriente Médio, Rússia e EUA.
O fracasso à vista do Acordo de Paris
Quase três anos e duas COPs após a assinatura do Acordo de Paris, evidencia-se sua incapacidade de estimular a transição energética. Os EUA decidiram desertá-lo, os países produtores de petróleo – a Rússia e muitos países da OPEP – consideram-no letra morta ao não o ratificarem, a Alemanha declarou que não cumprirá suas metas de descarbonização até 2020 e o compromisso dos países ricos de repassar US$ 100 bilhões por ano até 2020 aos países pobres para viabilizar sua transição energética está sendo honrado apenas muito parcialmente.
Isso porque esses US$ 100 bilhões têm outro destinatário: a indústria de combustíveis fósseis. Segundo um estudo de junho de 2018 da ONG britânica Overseas Development Institute (ODI), os países do G7 – EUA, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e Japão – continuam subsidiando fortemente o consumo de combustíveis fósseis:
“Em média por ano, em 2015 e em 2016, os governos do G7 deram ao menos US$ 81 bilhões em subsídios fiscais e US$ 20 bilhões em financiamento público para a produção e o consumo de petróleo, gás e carvão, seja internamente, seja no exterior”.
E isso malgrado as juras desse grupo seleto, mas também dos países do G20 – juras repetidas desde 2009 (!) – de descontinuar seja os subsídios fiscais, seja outras formas de apoio financeiro de Estado a esses combustíveis.
O fracasso à vista do Acordo de Paris é muito mais grave que o retumbante fracasso do Protocolo de Kyoto (1999-2012), jamais ratificado pelos EUA, porque a situação climática em 2018 é muito mais grave e extrema que nos anos finais do século XX. Como bem detecta o Observatório do Clima a respeito dos magros resultados da COP23, “o blefe coletivo dos governos pode custar a segurança climática da humanidade neste século”.
Brasil
Na COP23, em Bonn (XI/2017), o Brasil levou o prêmio Fóssil do Dia pelos subsídios concedidos ao pré-sal. Conseguiu, além disso, a façanha de um desacoplamento negativo, isto é, aumentar suas emissões de GEE em 8,9% em plena recessão econômica. Como mostra a Figura 9, as emissões brasileiras de GEE voltaram desde 2013 a ultrapassar o limite de duas Gt, o que confirma nossa contribuição nacional para o aquecimento global como a sétima mais importante do mundo.
Figura 9 – Evolução das emissões brasileiras de gases de efeito estufa entre 1990 e 2016 em gigatoneladas.
Resta, portanto, muito pouco tempo para agir. A cada ano que passa, a ação humana perde terreno para as dinâmicas autônomas de agravamento dessas crises. A ciência em peso adverte que estamos em vias de perder o poder de nos desviar dessa trajetória de colapso, haja vista o peso cada vez mais decisivo da interferência de alças de retroalimentação positiva no agravamento, seja das mudanças climáticas, seja da ruptura dos equilíbrios ecológicos, seja da poluição.
Em conclusão, podemos perceber que, se as projeções acima estiverem corretas, e elas provavelmente estão (a menos que sejam demasiado conservadoras), a única forma de escaparmos dessas trajetórias de aquecimento superiores a 2°C acima do período pré-industrial já nos dois próximos decênios seria reduzir nossas emissões de GEE a taxas superiores a 4% ao ano. Isso é demonstradamente impossível numa economia globalizada e corporativa que busca desesperadamente superar seu modesto crescimento global de 2% ao ano, taxa esta que leva o PIB a duplicar a cada 35 anos. Apenas um esforço imenso de transição energética conjugado com metas de decrescimento administrado do PIB pode manter alguma esperança realista de não ultrapassarmos um aquecimento com consequências catastróficas para a humanidade.
Repita-se que não temos escolha: o crescimento do PIB em médio prazo tornou-se um objetivo irrealista. Ele implica, doravante, necessariamente maior pressão antrópica sobre todas as variáveis do sistema Terra e, portanto, uma inviabilização da economia e uma piora imensa da qualidade de vida das pessoas. Ao passo que um decrescimento administrado e o quanto antes pode implicar, se for concebido no âmbito de um processo democrático, a única forma de redistribuir riqueza e, portanto, salvaguardar e mesmo aprimorar a qualidade de vida do conjunto da população. (ecodebate)

Crescimento da pegada ecológica mundial e nos continentes

O grande crescimento da Pegada Ecológica no mundo e nos continentes.

O mundo tinha superávit ambiental em 1961, pois a pegada ecológica total era de 7 bilhões de hectares globais (gha) para 9,6 bilhões de gha de biocapacidade. A pegada ecológica per capita era de 2,29 gha e a biocapacidade per capita de 3,13 gha, para uma população em torno de 3 bilhões de habitantes.
A figura acima, com dados sobre a pegada ecológica total para os continentes, mostra (gráfico pequeno) que, em 1961, o continente europeu tinha a maior pegada ecológica total, com 2,5 bilhões de gha. Em segundo lugar vinha a América do Norte com 1,7 bilhão de gha. Em terceiro lugar a Ásia com 1,6 bilhão de gha. Em quarto lugar, a América Latina e Caribe (ALC) com 0,51 bilhão de gha. Em quinto lugar, a África com 0,36 bilhão de gha. Em último lugar a Oceania com 0,09 bilhão de gha.
Os dois primeiros tinham déficit ambiental em 1961, a Ásia tinha equilíbrio entre a pegada ecológica e a biocapacidade e os outros 3 continentes tinham superávit ambiental. O déficit ambiental na Europa e na América do Norte era claramente em função do alto consumo per capita, se bem que a população europeia já apresentava uma alta densidade demográfica.
Mas o quadro ecológico se agravou muito nas décadas seguintes e o mundo passou a ter déficit ambiental em 2014 (último dado disponível), com a Ásia liderando a maior pegada ecológica e o maior déficit entre todos os continentes, conforme mostra a figura acima (gráfico grande).
Em 2014, a Ásia tomou a liderança da maior degradação ecológica com 10,5 bilhões de gha (tendo apenas 3,4 bilhões de gha de biocapacidade). Em segundo lugar, a Europa tinha uma pegada ecológica total de 3,5 bilhões de gha (para uma biocapacidade de 2,2 bilhões de gha). Em terceiro lugar a América do Norte com pegada ecológica total de 3 bilhões de gha (para uma biocapacidade de 1,7 bilhão de gha). Em quarto lugar, a ALC com pegada ecológica total de 1,71 bilhão de gha, mas com biocapacidade de 3,1 bilhões de gha. Portanto, a ALC tem superávit ambiental. Em quinto lugar, a África com pegada ecológica total de 1,69 bilhão de gha, mas com biocapacidade de 1,4 bilhão de gha. Portanto, a África que tinha superávit ambiental no século passado, passou a ter déficit ambiental a partir de 2009. Por último, a Oceania com pegada ecológica total de 0,18 bilhão de gha para uma biocapacidade de 0,32 bilhão de gha, tendo superávit ambiental.
Muitas pessoas consideram que o déficit ambiental é um problema derivado apenas do alto consumo. Porém, em 2014, a Ásia tinha uma pegada ecológica per capita de 2,39 gha, menor do que a pegada ecológica per capita mundial de 2,84 gha. O que provocou o grande déficit ambiental asiático foi o tamanho da população que era de 4,4 bilhões de habitantes.
A Europa que tinha pegada ecológica per capita de 4,7 gha, tinha uma população de 740 milhões de habitantes em 2014. A América do Norte que tinha pegada ecológica per capita de 8,3 gha (cerca de 3 vezes a pegada mundial), tinha uma população de 353 milhões de habitantes em 2014. Nestes dois continentes, com volumes populacionais relativamente pequenos, sem dúvida, o alto consumo per capita é a principal causa do déficit ambiental.
Na ALC, em 2014, a pegada ecológica per capita foi de 2,77 gha (para biocapacidade per capita de 5,27 gha) para uma população de 625,6 milhões de habitantes. O superávit ambiental da América Latina em relação à Europa que tinha déficit, se deve a um menor padrão de consumo (menor pegada) e menor população. A ALC tem o maior superávit ambiental global entre todos os continentes.
A Oceania também possui superávit ambiental, embora tenha uma pegada ecológica per capita elevada, de 6,78 gha. Qual é a diferença em relação à Europa que tem déficit ambiental? Certamente é o volume da população, que na Oceania é de apenas 39 milhões de habitantes. Ou seja, o alto consumo da Austrália não gera déficit ambiental porque tem uma população reduzida.
O menor consumo per capita, entre todos os continentes, ocorre na África, com pegada ecológica de somente 1,39 gha. Mesmo assim, o superávit ambiental se transformou em déficit, pois a população africana que era de 292 milhões de habitantes em 1961 passou para 1,16 bilhão de habitantes em 2014. Ou seja, não se pode pregar a redução do consumo para reduzir o déficit ambiental da África. Evidentemente, quanto mais crescer a população, maior será o déficit ambiental do continente.
Nos últimos 45 anos a Pegada Ecológica mundial ultrapassou a biocapacidade do Planeta. Desde o início dos anos 1970, o déficit ambiental vem subindo constantemente. Em 2014, o mundo tinha uma população 7,4 bilhões de pessoas, com uma pegada ecológica per capita de 2,84 hectares globais (gha) e uma biocapacidade per capita de 1,68 gha, como resultado houve um déficit total de 68%. Ou dito de outra maneira, o mundo estava consumindo o equivalente a 1,68 planeta. Portanto, a população mundial vive no vermelho e provoca um déficit ambiental que cresce a cada ano. A humanidade ultrapassou a capacidade
Há 15 anos, a pegada ecológica do planeta já era 30% maior que a natureza pode sustentar!

Por exemplo, em 2014, a Índia tinha uma Pegada Ecológica per capita de somente 1,12 gha, o que significa um baixo consumo per capita. Mas devido ao elevado número de habitantes e à alta densidade demográfica a biocapacidade per capita foi de somente 0,45 gha. Ou seja a Índia tem um grande déficit ecológico. Portanto, não é surpresa que o país esteja enfrentando a pior crise hídrica de sua História, com cerca de 600 milhões de pessoas sofrendo com a falta d’água. As projeções indicam que a falta de acesso à água potável provoca a morte de 200 mil pessoas por ano e a situação só vai se agravar, pois, em 2030, a previsão é que a demanda seja o dobro da oferta de água e, em 2050, a demanda de 1.180 bilhões de metros cúbicos superará a disponibilidade total de água no país, de 1.137 bilhões de metros cúbicos. O futuro do crescimento econômico da Índia poderá ser inviabilizado pela falta de recursos hídricos.
A economia é um subsistema da ecologia. Desta forma, a Pegada Ecológica gerada pela economia não pode ser maior do que a biocapacidade fornecida pela ecologia. Para manter a sustentabilidade e garantir o adequado padrão de vida da população mundial, sem degradar as condições ambientais, a Pegada Ecológica, no longo prazo, não pode ser maior do que a biocapacidade. Ou se muda o atual modelo insustentável ou haverá um colapso ecológico que inviabilizará a vida sobre a Terra. (ecodebate)

terça-feira, 3 de julho de 2018

O decrescimento demoeconômico e o trilema da sustentabilidade

Acreditar que o crescimento econômico exponencial pode continuar infinitamente num mundo finito é coisa de louco ou de economista” - Kenneth Boulding (1910-1993).
O capitalismo é o sistema econômico que mais gerou riqueza desde o surgimento do Homo sapiens. O crescimento econômico e populacional dos últimos 240 anos não tem paralelo na história da humanidade. Tomemos o ano de 1776 como o marco inicial do capitalismo industrial- fóssil, pois foi o ano em que James Watt aperfeiçoou a máquina a vapor e deu o início ao uso generalizado dos combustíveis fósseis. Pois bem, no período que vai de 1776 a 2016, a população mundial cresceu 9,5 vezes e a economia global se multiplicou por cerca de 125 vezes. A despeito das desigualdades, a renda per capita cresceu 13 vezes.
Em 240 anos, o crescimento anual da população ficou em torno de 0,9% ao ano e o da economia ficou em torno de 2% ao ano. Sendo que o período de maior crescimento demoeconômico ocorreu depois da Segunda Guerra Mundial, quando a população passou de cerca de 2,5 bilhões de habitantes em 1950 para cerca de 7,5 bilhões de habitantes em 2016. A média anual de crescimento do PIB ficou acima de 3,5% ao ano. É o período conhecido como “grande aceleração”. O consumo de matérias primas e de recursos naturais cresceu de maneira exponencial. Todo este processo trouxe muito lucro para a humanidade (especialmente para os detentores dos meios de produção), mas provocou grandes prejuízos para a natureza e a biodiversidade.
O progresso humano se deu às custas do retrocesso ecológico. O crescimento exponencial das atividades humanas resultou na ultrapassagem da capacidade de carga do Planeta. Segundo a Global Footprint Network (2017), a pegada ecológica per capita do mundo, em 1961, era de 2,27 hectares globais (gha) e a biocapacidade per capita do Planeta era de 3,12 gha. Para uma população de 3,1 bilhões de habitantes, o impacto da pegada global do ser humano era de 6,98 bilhões de gha, representando apenas 73% dos 9,53 bilhões de hectares globais da biocapacidade disponível naquele momento. Portanto, havia um superávit ou reserva ecológica na década de 1960. A economia cabia na sustentabilidade da ecologia. Mas com o crescimento da população e do consumo, a reserva ecológica foi sendo reduzida e, a partir de 1970, o superávit se transformou em déficit ambiental. Em 2013, a pegada ecológica per capita do mundo subiu para 2,87 gha e a biocapacidade caiu para 1,71 gha. Para uma população mundial de 7,2 bilhões de habitantes, o déficit ambiental chegou a 68% em 2013. A humanidade está vivendo no cheque especial.
Outra metodologia que ajuda a avaliar a capacidade de carga da Terra foi apresentada nos artigos que tratam das “Fronteiras Planetárias. A metodologia do Stockholm Resilience Centre identificou nove dimensões centrais para a manutenção de condições de vida decentes para as sociedades humanas e o meio ambiente, indicando que os limites já foram ultrapassados em 4 dimensões e estavam se agravando nas demais. Duas delas, a Mudança climática e a Integridade da biosfera, são o que os cientistas chamam de “limites fundamentais” e tem o potencial para levar a civilização ao colapso.
Desta forma, o desenvolvimento econômico chegou a uma encruzilhada e a ideia de um desenvolvimento sustentável virou um oximoro. O capitalismo que conseguiu produzir uma quantidade tão grande de bens e serviços, não consegue ser ao mesmo tempo economicamente inclusivo, socialmente justo e ambientalmente sustentável. Diversos estudos mostram que nenhuma indústria seria lucrativa se tivesse de pagar pelo capital natural que utilizam. Desde que a humanidade ultrapassou a capacidade de carga do Planeta, o crescimento da produção tem caminhado para uma situação, definida por economista ecológica Herman Daly, como “crescimento deseconômico”.
A economia é um subsistema da ecologia. Para manter a sustentabilidade e garantir o adequado padrão de vida da humanidade, sem degradar as condições ambientais, a Pegada Ecológica, no longo prazo, não pode ser maior do que a biocapacidade. Assim, é insustentável manter o crescimento da produção e consumo de bens e serviços acima da capacidade de carga do meio ambiente. Sem ECOlogia não há ECOnomia.
Essas lições foram antecipadas de maneira clara no livro “Limites do Crescimento, um relatório para o Projeto do Clube de Roma sobre o Dilema da Humanidade”, liderado pelo casal Meadows e publicado originalmente em 1972. Os autores construíram um modelo para investigar cinco grandes tendências de interesse global: o ritmo acelerado de industrialização, o rápido crescimento demográfico, a desnutrição generalizada, o esgotamento dos recursos naturais não renováveis e a deterioração ambiental. Estas tendências se inter-relacionam de muitos modos e a obra busca compreender suas implicações num horizonte de cem anos.

A principal conclusão do livro está resumida neste parágrafo: “Se as atuais tendências de crescimento da população mundial, industrialização, poluição, produção de alimentos e diminuição de recursos naturais continuarem imutáveis, os limites de crescimento neste planeta serão alcançados algum dia dentro dos próximos cem anos. O resultado mais provável será um declínio súbito e incontrolável, tanto da população quanto da capacidade industrial” (p. 20).
Infelizmente o alerta do livro “Limites do Crescimento” não foi ouvido. Evidentemente, o modelo atual é insustentável e a humanidade marcha para uma situação catastrófica caso continue avolumando a Pegada Ecológica bem acima da biocapacidade. Por exemplo, a continuidade do efeito estufa pode ser o fator de “declínio súbito e incontrolável”, apontado pelo livro “Limites do Crescimento”. As constantes agressões antrópicas ao meio ambiente podem ter um efeito de retroalimentação com o derretimento do permafrost e das Tundras do círculo Ártico que liberam CO2 e o gás metano. Artigo de Uwe Branda et. al. (2016) traz uma afirmação preocupante: “O aquecimento global provocado pela liberação maciça de dióxido de carbono pode ser catastrófico. Mas a liberação do hidrato de metano pode ser apocalíptica”.

Portanto, os dados mostram que a natureza não aguenta mais a continuidade dos impactos do crescimento da população humana, do seu consumo e da sua decorrente poluição. A continuidade da perda da biodiversidade e da degradação dos ecossistemas aponta para um abismo que pode sugar o progresso e jogar a economia em um caos imprevisível, mas muito doloroso.
Para impedir o pior, é preciso evitar o crescimento econômico quantitativo que extrai volumes crescentes de recursos naturais e gera volumes ainda maiores de resíduos sólidos e poluição do solo, das águas e do ar. Não basta o desacoplamento relativo. A solução passa por uma mudança de paradigma e pelo decrescimento demoeconômico, como forma de reduzir a Pegada Ecológica. E como bem mostra o livro “Enough is Enough” (2010), não basta reduzir a pegada ecológica, também é preciso reduzir o número de pés.
Mudar o padrão de produção e consumo é fundamental. Porém, o decrescimento da população poderia dar uma grande contribuição para diminuir o impacto negativo sobre o meio ambiente. Mas, as projeções da ONU indicam que é quase certo que a população mundial vai passar dos atuais 7,5 bilhões de habitantes, em 2016, para cerca de 10 bilhões em 2055 e 11,2 bilhões em 2100. Porém, se houver queda mais acelerada das taxas de fecundidade, o declínio populacional poderá ocorrer ainda na segunda metade do século XXI. Neste quadro, o que fazer então para evitar uma catástrofe ambiental?
Além da aceleração da queda das taxas de fecundidade (que vão possibilitar a futura estabilização demográfica) é preciso imediatamente modificar o modo de vida e reduzir o nível de agressão à natureza. Mas há grandes resistências à diminuição do consumo em qualquer sociedade, embora a redução do alto padrão de vida nos países ricos poderia ser uma forma de mitigar os problemas ambientais e as desigualdades sociais. O decrescimento demoeconômico nos países desenvolvidos é uma bandeira que tem ganhado muitos adeptos, como mostra as publicações do grupo Research & Degrowth (R&D).
Mas há muita resistência em se falar em decrescimento demoeconômico nos países pobres e de baixo grau de desenvolvimento. Argumenta-se que as populações do Terceiro Mundo não atingiram um grau mínimo de bem-estar e que, portanto, estes países não têm “gordura” para queimar. Falar em decrescimento populacional também mexe com os interesses dos setores do fundamentalismo religioso, das forças militares, do conservadorismo moral, dos políticos populistas e do nacionalismo xenófobo. O pronatalismo sempre acompanha os sonhos da grandeza nacional, que tende a deixar o meio ambiente e a biodiversidade em segundo plano, em relação ao desenvolvimento das forças produtivas e ao egoísmo humano.
Contudo, quando se fala em decrescimento não se pode pensar simplesmente na lógica quantitativa e material. O decrescimento pode ser principalmente qualitativo, reduzindo as atividades mais poluidoras e fazendo crescer as atividades com menor impacto ambiental.

Por exemplo, o decréscimo da produção e do consumo de combustíveis fósseis, além de diminuir as emissões de gases de efeito estufa pode abrir espaço para o crescimento das energias renováveis (solar, eólica, geotérmica, ondas, etc.), contribuindo para a descarbonização da economia. As energias alternativas podem gerar emprego e democratizar o acesso à produção e consumo energético, criando a figura do prossumidor (produtor + consumidor).
Com base neste exemplo, podemos listar diversas maneiras de fazer decrescer as atividades mais poluidoras e degradadoras do meio ambiente, abrindo espaço para crescer as atividades mais amigáveis à natureza. Vejamos algumas alternativas:

Decrescer os gastos militares e reduzir a produção e uso de instrumentos de guerra e aumentar os investimentos em atividades de engrandecimento da solidariedade nacional e internacional, na promoção da paz e na ampliação do bem-estar social (com melhoria da saúde, da educação e cultura ecocêntrica).
Decrescer a produção e o consumo de fertilizantes químicos e agrotóxicos e aumentar os investimentos na agricultura orgânica, na permacultura e na agricultura urbana, produzindo alimentos saudáveis perto dos grandes centros urbanos (para decrescer os custos de transporte e o desperdício dos alimentos).
Decrescer as áreas de pastagem e a produção e o consumo de proteína animal, promovendo a transição para uma dieta vegetariana e vegana, além de aumentar as áreas de florestas e vegetação nativa.
Decrescer a produção e o uso de carros particulares (principalmente aqueles grandes, pesados e que demandam muita energia por quilômetro rodado) e aumentar os investimentos em transporte coletivo e no compartilhamento de automóveis elétricos.
Decrescer as desigualdades, o consumo conspícuo, os bens de luxo e investir em bens e serviços que permitam a universalização do bem-estar, aumentando as atividades da economia solidária, da economia colaborativa, de forma a diminuir os impactos das atividades antrópicas.
Decrescer a demanda dos serviços ecossistêmicos, reduzir a poluição e diminuir as áreas ecúmenas, aumentando as áreas verdes (florestas e matas), limpando os rios, lagos e oceanos para viabilizar a recuperação da biodiversidade, o aumento das áreas anecúmenas e o incremento do bem-estar ecológico.
Decrescer a economia material e aumentar a economia imaterial, a produção de bens intangíveis e a sociedade do conhecimento, da solidariedade e do compartilhamento.
O fato é que a humanidade precisa mudar o estilo de vida e o padrão de produção e consumo para diminuir a degradação ambiental. O alerta feito, em 1972, no livro “Limites do Crescimento” continua válido. Mas não basta mais limitar o crescimento. O desafio atual é promover o decrescimento demoeconômico, reduzindo a Pegada Ecológica e aumentando a Biocapacidade.
Também Celso Furtado, no livro, “O mito do desenvolvimento econômico”, de 1974, pergunta o que aconteceria se o desenvolvimento econômico se universalizasse. Ele responde de forma clara: “se tal acontecesse, a pressão sobre os recursos não renováveis e a poluição do meio ambiente seriam de tal ordem (ou alternativamente, o custo do controle da poluição seria tão elevado) que o sistema econômico mundial entraria necessariamente em colapso” (Furtado,1974, p. 19).
Os dinossauros viveram na Terra durante 135 milhões de anos. O Homo sapiens tem apenas 200 mil anos. Numa perspectiva de longo prazo, pouco importa saber se o “declínio súbito e incontrolável”, apontado pelo relatório, de 1972, do Clube de Roma, acontecerá em 50, 100 ou 200 anos. O certo é que o caminho atual é insustentável e, se nada for feito para um redirecionamento, a humanidade não terá futuro num Planeta de terra arrasada.
Indubitavelmente, não dá para tergiversar, pois é impossível garantir o enriquecimento da sociedade humana às custas do empobrecimento da comunidade biótica global. A insistência na manutenção do rumo historicamente insustentável da economia e do crescimento das atividades antrópicas pode levar a civilização ao precipício, ao ecocídio e ao suicídio.
O sistema hegemônico de produção e consumo, baseado na perpétua acumulação (capitalista ou socialista), não consegue mais lidar com a crise ecológica. Por isto é impossível que a continuidade do crescimento das atividades antrópicas mantenha de pé as três bases do tripé da sustentabilidade, que na verdade se transformou em um trilema. Assim, só o decrescimento demoeconômico poderá garantir o equilíbrio homeostático da economia e do ambiente. Essas ideias fizeram parte da minha apresentação no 22º Congresso Brasileiro de Economia (BH, 08/09/2017) e estão baseadas no texto publicado na Revista Brasileira de Estudos de População. Ambos os arquivos podem ser acessados nos links abaixo:
ALVES, JED. O trilema da sustentabilidade e o decrescimento demoeconômico, 22º Congresso Brasileiro de Economia, BH, 08/09/2017.
MARTINE, G. ALVES, JED. Economia, sociedade e meio ambiente no século 21: tripé ou trilema da sustentabilidade? R. bras. Est. Pop. Rebep, n. 32, v. 3, Rio de Janeiro, 2015 (em português e em inglês) http://www.scielo.br/pdf/rbepop/2015nahead/0102-3098-rbepop-S0102-3098201500000027P.pdf
Artigo originalmente publicado na revista Economistas do Conselho Federal de Economia – COFECON, Ano VIII, No 26, outubro-dezembro 2017.

O decrescimento demográfico da Rússia

Esta semana começa a Copa do Mundo de Futebol na Rússia, que é o maior país do mundo, em termos de extensão territorial, com 17,1 milhões de km2 e tem um território duas vezes maior do que o do Brasil. Também possui uma das menores densidades demográficas do mundo, apenas 8 habitantes por km2.
A Rússia foi o país que sofreu as maiores perdas humanas durante a Primeira Guerra Mundial, que terminou em 11/11/1918 e vai completar 100 anos em 2018. Houve também uma grande mortalidade por conta da Guerra Civil e da fome na década de 1920. Em 22 de junho de 1941, a Alemanha nazista invadiu a União Soviética e jogou o país na Segunda Guerra Mundial, provocando a morte de outros milhões de russos e soviéticos. Com o fim da URSS, em dezembro de 1991, o país entrou novamente em crise e houve grande queda da esperança de vida. A Rússia do século XX foi marcada por grandes tragédias e por uma alta mortalidade.
Mas o que vai marcar a dinâmica demográfica da Rússia no século XXI é a redução das taxas de fecundidade e o decrescimento demográfico, que já vem ocorrendo desde a década de 1990. A Rússia atual é um país que já apresenta um dos maiores declínios populacionais do mundo.
Em 1950, a população da Rússia era de 102,7 milhões de habitantes (quase o dobro dos 52 milhões de brasileiros na mesma data), chegou ao pico de 148,9 milhões de habitantes em 1993, sendo 69,7 milhões de homens e 79,2 milhões de mulheres e depois caiu para 143,9 milhões em 2017. Segundo a projeção média da Divisão de População da ONU (revisão 2017), a população da Rússia deve cair para 132,7 milhões até 2050 e 124 milhões em 2100. As diversas projeções para o restante do século XXI estão apresentadas no gráfico acima.

A taxa de fecundidade total (TFT) da Rússia já era baixa em 1950, sendo de 2,85 filhos por mulher (no Brasil era mais de 6 filhos nesta época) caiu para o nível de reposição (em torno de 2,1 filhos) entre 1965 e 1990, mas despencou depois do fim da União Soviética e a desorganização do país, chegando a recorde de baixa de 1,25 filhos por mulher no quinquênio 1995-00. Depois aumentou um pouco, mas ainda se encontra em níveis baixos, estando em 1,75 filhos por mulher em 2015-20. O número médio de nascimentos anuais de crianças foi de 2,8 milhões em 1950-55, caiu ligeiramente para 2,4 milhões em 1985-90 e despencou para apenas 1,3 milhão de nascimentos em 1995-00. No quinquênio 2015-20 houve uma pequena recuperação para 1,8 milhão de nascimentos anuais (O Brasil neste período tinha cerca de 3 milhões de nascimentos anuais e o Paquistão 4,7 milhões anuais).
As diversas crises de mortalidade e da natalidade fizeram a estrutura da pirâmide populacional sofrerem enormes descontinuidades, como pode ser visto no gráfico acima. Entre 1950 e 2050 as pirâmides apresentam diversos “dentes”, que devem desaparecer somente em 2100 quando a pirâmide deve apresentar um formato mais retangular e com uma estrutura etária bastante envelhecida e com menores diferenciais de gênero.

Além da baixa fecundidade a Rússia sofre com a redução da esperança de vida. A esperança de vida média de homens e mulheres era de 64,5 anos no quinquênio 1950-55 e subiu para 69,1 anos em 1985-90. Mas depois da crise econômica e social decorrente do fim da União Soviética, a esperança de vida caiu e chegou a 64,9 anos no quinquênio 2000-05. Em 2015-20 houve uma ligeira recuperação, para 71,2 anos, acima do nível de 20 anos atrás. A esperança de vida das mulheres estava em 76,8 anos, mas a esperança de vida dos homens estava em meros 65,6 anos.
Ou seja, a diferença na expectativa de vida entre os sexos era de mais de 11 anos, a maior diferença do mundo. Os altos níveis de alcoolismo dos homens explicam em grande parte estas diferenças. Nota-se que a Rússia tem um grande superávit de mulheres em relação aos homens, ao contrário, por exemplo, da China e da Índia que possuem uma razão de sexo com superioridade masculina. A sobre mortalidade masculina é bastante alta.
Para enfrentar a “crise demográfica”, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, propôs incentivos à natalidade para evitar que o país veja sua população diminuir ainda mais, uma proposta com viés eleitoral anunciada antes das novas eleições para o Kremlin. Segundo Putin: “A situação demográfica na Rússia volta a ser preocupante, em primeiro lugar por razões objetivas. Devemos relançar nossas políticas para promover a natalidade e reduzir a mortalidade”. A medida mais ambiciosa das propostas do presidente russo prevê subsidiar parte dos juros das hipotecas para que as famílias tenham um segundo ou um terceiro filho a partir de janeiro de 2018.

Em termos ambientais, a Rússia tem superávit, pois a biocapacidade está acima da pegada ecológica. Mas o degelo da Sibéria pode liberar grandes quantidades de metano do permafrost, agravando o aquecimento global e a acidificação dos solos e dos oceanos.
A Rússia faz parte do grupo dos BRICS e entre os 5 países é o que possuí o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Mas as pretensões de hegemonia na antiga área da URSS faz a Rússia investir muito em gastos militares e em medidas autoritárias contra os setores da oposição. O apoio ao regime de Bashar Hafez al-Assad, na Síria, tem acirrado o conflito com os EUA, o Reino Unido e a França.

Por outro lado, uma aliança estratégica com a China e a Índia pode criar uma força nova na Eurásia que desloque o centro dinâmico do mundo para a Ásia. Este triângulo estratégico pode enfraquecer a hegemonia Ocidental e acelerar o processo de Orientalização do mundo. A Rússia veria o seu prestígio aumentado.
A Copa do Mundo de Futebol, de 2018, vai colocar a Rússia em destaque nos noticiários do mundo. Vale a pena conhecer mais a realidade econômica, social e ambiental deste que é o maior país do mundo em extensão territorial e uma das civilizações mais influentes do globo. (ecodebate)

A gramínea que pode ‘salvar’ o mundo

Bambu
Na Semana Internacional do Meio Ambiente muitas discussões são realizadas mundo afora para conscientizar e sensibilizar as pessoas sobre a necessidade de conservação do meio ambiente bem como sobre as alternativas para reverter a emissão de GEE e o aquecimento global, cuja preocupação dos climatologistas é o limite de 1,5 a 2C° ou o catastrófico nível de elevação de até 4C°. Esta preocupação é pertinente, pois estimativas dão conta que já em 2024 seremos 8 bilhões de habitantes e que em 2048 atingiremos uma população de 9 bilhões de humanos a consumir combustíveis fósseis, minerais e biomassas.
Desde recursos de bioengenharia até geoengenharia que dependem de vultosos investimentos financeiros, são propostos como alternativas de reversão destes indicadores negativos de mudança do clima.
Mas as alternativas mais pragmáticas são pequenas atitudes que devem a princípio ser compartilhadas com o maior número de pessoas e que não dependem de muitos recursos – ao contrário são poupadoras dos mesmos – como a coleta seletiva do lixo, deslocamento menor em veículos movidos a combustíveis fósseis, uso de mais tecnologias limpas e ter consciência e sensibilização para a preservação e manejo dos recursos para as gerações futuras.
Uma das alternativas que deve ser considerada promissora é o investimento coletivo no cultivo de espécies com alta capacidade de captura de carbono, diversificada aplicação em produtos, tecnologia de processamento e aproveitamento dominada, elevado retorno econômico e grande apelo social.
É aqui que o bambu deve ser levado a sério, mas infelizmente a maioria dos brasileiros só o conhece como alimento dos ursos panda na China ou como vara de pescador. Para muitos do campo é considerado como “praga” na propriedade pela alta capacidade de proliferação de algumas espécies. O bambu é até discriminado no Brasil como “madeira de pobre” e com raras exceções não é matéria de estudo nos cursos de engenharia florestal.
Podemos conjecturar que o bambu estava para os ancestrais orientais como as palmáceas estiveram para os ancestrais sul-americanos. Por isso que o domínio tecnológico de aproveitamento de bambu é de países asiáticos como China, Indonésia, Vietnam, mas, também com aplicações na índia e alguns países africanos.
Investir no reflorestamento de 350 milhões de hectares de áreas degradadas com bambu até 2030 seria a alternativa para salvar o mundo segundo uma proposta holandesa da Erasmus University Roterdam e de outras organizações, pois segundo afirmam um hectare de bambu fixa 1.000 toneladas de CO2 e produz economicamente 20 m³ de produto madeireiro de excelente qualidade.
O bambu se presta exatamente para a recuperação de áreas degradadas e segundo pesquisadores cubanos armazena por hectare 30.375 litros de água em seu sistema radicular e colmos, o equivalente ao consumo de 150 pessoas que usam 200 l/dia. Essa água na estiagem é liberada paulatinamente ao solo.
Para o controle de erosão o bambu é imbatível. Pesquisas realizadas por Riquelme ett al, 2011 demonstram que em parcelas com bambu a erosão foi de apenas 0,20 t/ha/ano de solo, enquanto em parcelas com SAF e cultivo intercalar foi de 1,72 t/ha/ano e em parcelas com monocultivo a erosão atingiu a explosiva marca de 23,39 t/ha/ano.
Como produtos econômicos o bambu vem tendo aproveitamento dos mais diversificados com 1001 aplicações, pelas suas propriedades de leveza, resistência e flexibilidade. Na China é muito utilizado na construção civil no preparo de andaimes para acabamentos de prédios moderníssimos. Na construção de residências luxuosas em Bali na Indonésia. Em acabamentos no teto do aeroporto de Madri na Espanha. Em escritórios luxuosos e ponte em Israel. Como biocompósito vem sendo utilizado na fabricação de capacetes de motociclista, skates, instrumentos musicais e escovas de dente. Com o carvão de bambu é feito até um dentifrício branqueador dos dentes. Na sua forma natural é usado na movelaria, artesanato e na agricultura como tutor de várias culturas comerciais e irrigação.
O Brasil é mesmo um país de contrastes, pois se contrapondo ao desconhecimento do bambu, é nele que se encontra a maior diversificação da espécie e um dos melhores climas para o seu cultivo. Também tem a maior área de dispersão natural da espécie Guadua angustifólia nos estados do Acre (180.00 km²) e Amazonas e o maior plantio comercial de bambu na região nordeste, de 50.000 hectares pertencentes a uma indústria de cimento que há mais de 30 anos, produz papel, polpa e sacos de cimento, além de cavaco para biomassa na geração de energia, aquecimento de caldeiras, fornos de siderúrgicas, cerâmicas e gessarias.
Para a Amazônia que com os seus 76 milhões de hectares desmatados, aproximadamente 10 milhões são áreas degradas o grande potencial de exploração do bambu seria como sucedâneo da madeira com o produto denominado de bambu laminado colado (BLC), tecnologia já disponível na região semelhante ao processamento da madeira na forma de compensado e conglomerado. Além da produção de brotos de bambu, com potencial para exportação de milhões de dólares para o sudeste asiático, cujo consumo é tradição, tecnologia também disponível na região, sendo a mesma da utilizada para o processamento do palmito de açaí e pupunha.
A cultura do bambu se presta tanto para a escala industrial como para os pequenos agricultores familiares. Um grande potencial seria sua difusão nos assentamentos da reforma agrária como componentes dos bem sucedidos sistemas agroflorestais (SAF).
Só acredito na preservação da floresta Amazônia quando chegar ao mercado um produto concorrente da madeira e este será o bambu laminado colado (BLC). Espero que nesta semana do meio ambiente o bambu possa entrar na discussão das alternativas viáveis para reverter o aquecimento global e se transformar em nosso país numa cultura de retorno econômico, social e de alta relevância ambiental. (ecodebate)

1968 e o envelhecimento

“Não confie em ninguém com mais de trinta anos”
Demografia e democracia tem muito mais em comum do que o prefixo. Nas manifestações da juventude revolucionária de 1968, uma das bandeiras era: “Não confie em ninguém com mais de 30 anos”. Existia uma enorme vontade de mudar as rígidas estruturas fordistas, autoritárias e conservadoras da sociedade e um grande anseio de renovação econômica, social e cultural.
Os jovens que tinham entre 15 e 30 anos em 1968, agora, em 2018, têm entre 65 e 80 anos. A juventude de 1968 é a “terceira idade” de 2018 e não estará viva em 2068 para comemorar o centenário do lema “Proibido proibir”.
Alguns analistas dizem que a ideia de contestação e revolta de 1968 morreu. Outros dizem que está viva. O escritor Zuenir Ventura diz que 1968 não terminou. Mas o tempo não para.
Talvez, o mais correto seria dizer que 1968 envelheceu.
Não é somente as pessoas que envelhecem, a estrutura etária da população também fica envelhecida. A diferença é que, enquanto as pessoas morrem, a população continua viva. Só que a população deixará de ter uma estrutura etária jovem e passará a ter, permanentemente, uma estrutura envelhecida. Com a mudança do século XX para o século XXI, no mundo e nos diferentes países, o maior peso proporcional dos jovens vai cedendo lugar, paulatinamente, ao peso proporcionalmente maior dos idosos.
O gráfico acima mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o mundo, a França e o Brasil. Nota-se que, em 1968, no mundo havia 21,5 idosos (com 60 anos e mais) para cada cem jovens (de 0 a 14 anos de idade). Na França havia 71 idosos para cada 100 jovens e no Brasil 12,6 idosos para cada cem jovens. Ou seja, em todos os lugares o número de jovens superava o número de pessoas idosas na população. A estrutura etária era rejuvenescida em todo lugar, alguns países, como a França, era menos rejuvenescida, outros, como o Brasil, era extremamente rejuvenescida.
Em 2018, a realidade demográfica já havia mudado bastante. Na França, o IE chegou a 144, isto é, o número de idosos superou em 44% o número de jovens. No mundo, a proporção de idosos chegou a 50 para cada cem jovens e no Brasil chegou a 61,5 idosos para cada cem jovens. A França já é um país envelhecido, enquanto o Brasil e o mundo ainda possuem uma estrutura etária rejuvenescida.
Mas a inversão entre os grupos etários extremos será bem mais acentuada em 2068. No mundo haverá 121 idosos para cada cem jovens. Na França, serão 204 idosos para cada cem jovens e, no Brasil, serão 270 idosos para cada cem jovens. Ou seja, os idosos serão maioria em todos os lugares, sendo que na França haverá o dobro de idosos em relação aos jovens e no Brasil será quase o triplo de idosos em relação aos jovens.
A idade mediana da população mundial em 1968 era de 22 anos, ou seja, metade da população global tinha menos de 22 anos. Na França a idade mediana era de cerca de 30 anos. No Brasil a idade mediana era de somente 19 anos, ou seja, metade da população brasileira tinha menos de 19 anos. Em 2018, a idade mediana do mundo passou para 30 anos, do Brasil para 32 anos e a França para 42 anos. Para 2068, a idade mediana deve chegar a 38 anos no mundo, 45 anos da França e quase 50 anos no Brasil. Ou seja, metade da população brasileira terá mais de 50 anos, um quadro demográfico de alto envelhecimento populacional, bem diferente do quadro que existia em 1968.
A ciência política costuma dizer que os jovens são mais progressistas e os idosos são mais conservadores. Como diz um velho ditado popular: “Um jovem que não seja revolucionário não tem coração. Um idoso de esquerda não tem razão”. Não há consenso sobre isto e, se assim foi no passado, quando havia uma estrutura etária rejuvenescida, não quer dizer que será no futuro.
Com toda a certeza podemos dizer que o perfil demográfico da população brasileira, francesa e mundial, em 2068, será de predomínio dos idosos. Mas o perfil democrático está aberto, pois não existe uma correlação determinística entre idade das pessoas e das ideias.
Assim como os jovens podem assumir velhas concepções conservadoras, os idosos podem abraçar novas concepções progressistas. O importante é ter cabeça aberta e aceitar, independentemente da idade, como disse Belchior: “Que o novo sempre vem”. (ecodebate)

El Niño leva aquecimento dos oceanos a território desconhecido

El Niño excepcionalmente forte impulsiona aquecimento global dos oceanos e leva temperatura média da superfície do mar ao maior valor já reg...