sábado, 29 de maio de 2021

Rebaixamento do lençol freático

Rebaixamento do lençol freático: uma gravíssima realidade a ser definitivamente enfrentada.
T
odos os indicadores apontam para a urgente necessidade de adoção rígida de planos de gestão para a abertura e para a exploração de poços profundos em todo o território nacional

Não é de hoje que o fenômeno é conhecido e suas graves consequências são medidas e aquilatadas em suas variáveis econômica, social e geológica.

Nas áreas rurais o principal fator de rebaixamento do lençol está na total falta de controle da exploração de poços profundos para a irrigação de lavouras. Como exemplo, o sertão baiano da região de Irecê, tradicional produtora de feijão e cebola enfrenta crises agrícolas com o severo rebaixamento de seus níveis freáticos. Esse rebaixamento é decorrente da generalizada sobre-exploração de seu aquífero cárstico. Mas Irecê é apenas um exemplo didático de um fenômeno hoje generalizado nas regiões agrícolas que se utilizam da água subterrânea. O motivo é sobejamente conhecido: total descontrole dos regimes de exploração dos aquíferos subterrâneos.

Nas áreas urbanas, seja pelo aumento do escoamento superficial promovido pela impermeabilização das áreas de recarga, seja também pela sobre-exploração de poços profundos, expediente hoje largamente utilizado por vários empreendimentos como, indústrias, galpões logísticos, hotéis, motéis, médios e grandes edifícios, hospitais, condomínios, shoppings, etc., observa-se a mesma tendência de rebaixamento do lençol freático.

Especialmente nas áreas urbanas agrega-se ao problema geral de perda de reservas hídricas a potencialização de graves fenômenos de ordem geológico-geotécnica advindos da alteração do comportamento geotécnico de solos e de abatimentos de terrenos promovidos por desequilíbrios hidráulicos em regiões cársticas, como é o caso dos municípios de Cajamar/SP, Sete Lagoas/MG, Almirante Tamandaré/PR, Bocaiúva do Sul/PR, Colombo/PR, Vazante/MG, Teresina/PI, Lapão/BA, e várias outras localidades.

O diagnóstico é sempre o mesmo: ausência de planos e regras de gestão e monitoramento da exploração dos poços profundos executados. Na cidade de São Paulo há regiões em que o lençol freático já observa rebaixamentos de cerca de 4 metros, o que em termos de perda de reservas hídricas implica em graves consequências, especialmente tendo em conta que a fonte subterrânea já compõe cerca de 10% do total do abastecimento hídrico da metrópole paulista. Mais grave se torna o fenômeno em municípios que tem na água subterrânea sua principal fonte de recursos hídricos para o abastecimento da população.

Enfim, todos os indicadores apontam para a urgente necessidade de adoção rígida de planos de gestão para a abertura e para a exploração de poços profundos em todo o território nacional. Esse já antigo alerta técnico deve finalmente sair de nossos limitados textos congressuais e acadêmicos para se tornar uma exigência política a ser colocada às autoridades competentes. (ecodebate)

Plano trilionário captura CO2 do ar e esfria a Terra

O plano trilionário para capturar CO2 do ar e esfriar a Terra.
O ano é 2050. Saia do Museu do Petróleo da Bacia do Permiano, no Estado americano do Texas, e dirija em direção ao norte atravessando a vegetação castigada pelo sol, onde algumas bombas de óleo remanescentes compõem a paisagem, e você vai se deparar com um palácio cintilante.

A terra aqui é espelhada: as ondas azul-prateadas de um imenso painel solar se estendem em todas as direções.

Ao longe, eles esbarram em uma parede cinza colossal de 5 andares de altura e quase um quilômetro de comprimento. Atrás deste muro, você avista as tubulações e pórticos de uma fábrica de produtos químicos.

Conforme você se aproxima, vê que a parede está se movendo – ela é inteiramente composta de ventiladores enormes que giram em caixas de aço. Parece um aparelho de ar-condicionado gigantesco, soprando em proporções inacreditáveis.

De certa forma, é exatamente isso. Você está olhando para uma usina de captura direta de ar (DAC, na sigla em inglês), uma das dezenas de milhares do tipo em todo o mundo. Juntas, elas estão tentando resfriar o planeta sugando dióxido de carbono do ar.

Esta paisagem texana ficou famosa pelos bilhões de barris de petróleo extraídos de suas profundezas durante o século 20. Agora, o legado desses combustíveis fósseis – o CO2 em nosso ar – está sendo bombeado de volta para os reservatórios vazios.

Se o mundo deseja cumprir as metas do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5°C até 2100, paisagens como esta podem ser necessárias em meados do século.

Mas voltemos por um momento até 2021, para Squamish, na Província canadense de British Columbia, onde, em contraste com um horizonte bucólico de montanhas nevadas, estão sendo feitos os últimos retoques em um dispositivo do tamanho de um celeiro coberto com uma lona azul.

Quando entrar em operação, em setembro, o protótipo da usina de captura direta de ar da Carbon Engineering começará a remover 1 tonelada de CO2 do ar todos os anos.

Esta paisagem texana ficou famosa pelos bilhões de barris de petróleo extraídos de suas profundezas durante o século 20. Agora, o legado desses combustíveis fósseis – o CO2 em nosso ar – está sendo bombeado de volta para os reservatórios vazios.

Se o mundo deseja cumprir as metas do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5 °C até 2100, paisagens como esta podem ser necessárias em meados do século.

Mas voltemos por um momento até 2021, para Squamish, na Província canadense de British Columbia, onde, em contraste com um horizonte bucólico de montanhas nevadas, estão sendo feitos os últimos retoques em um dispositivo do tamanho de um celeiro coberto com uma lona azul.

Quando entrar em operação, em setembro, o protótipo da usina de captura direta de ar da Carbon Engineering começará a remover 1 tonelada de CO2 do ar todos os anos.

O hidróxido de potássio absorve CO2 do ar. O líquido é canalizado para uma segunda câmara e misturado com hidróxido de cálcio, a cal usada na construção civil, que se prende ao CO2 dissolvido, produzindo pequenos flocos de calcário.

Esses flocos são peneirados e aquecidos em uma terceira câmara, de calcinação, até que se decomponham, liberando CO2 puro, que é capturado e armazenado. Em cada etapa, os resíduos químicos são reciclados.

Com as emissões globais de carbono continuando a aumentar, a meta climática de 1,5°C parece cada vez menos provável de ser alcançada sem intervenções como essa.

"O número de coisas que teriam que acontecer sem a captura direta de ar é tão extenso e variado que é altamente improvável que sejamos capazes de cumprir o Acordo de Paris sem ela", diz Ajay Gambhir, pesquisador sênior do Instituto Grantham para Mudança Climática da Universidade Imperial College London, no Reino Unido, e um autor de um artigo sobre o papel da DAC na mitigação do clima.

O IPCC apresenta alguns modelos de estabilização do clima que não dependem da captura direta de ar, mas Gambhir adverte que eles são "extremamente ambiciosos" em suas previsões sobre os avanços na eficiência energética e a disposição das pessoas em mudar seu comportamento.

"Passamos do ponto em que a redução das emissões precisava ocorrer", acrescenta Zelikova. "Estamos confiando cada vez mais na DAC."

A DAC está longe de ser a única maneira de o carbono ser retirado da atmosfera. Ele pode ser removido naturalmente por meio de mudanças no uso da terra, como o plantio de florestas.

Mas é algo lento e exigiria grandes extensões de terras valiosas – reflorestar uma área do tamanho dos Estados Unidos, segundo alguns estimam, e aumentar o preço dos alimentos em cinco vezes no processo.

E, no caso das árvores, o efeito da remoção do carbono é limitado, uma vez que elas acabarão morrendo e liberando o carbono armazenado, a menos que possam ser derrubadas e queimadas em um sistema fechado.
O tamanho do desafio para a remoção de carbono usando tecnologias como a DAC, em vez de plantas, não é menor.

O artigo de Gambhir calcula que simplesmente manter o ritmo das emissões globais de CO2 – atualmente, 36 gigatoneladas por ano – exigiria construir cerca de 30 mil usinas de DAC de larga escala, mais de três para cada central elétrica a carvão em operação no mundo hoje.

A construção de cada usina custaria até US$ 500 milhões – chegando a um custo de até US$ 15 trilhões.

Cada uma dessas unidades precisaria ser abastecida com solvente para absorver o CO2. O abastecimento de uma frota de usinas grande o suficiente para capturar 10 gigatoneladas de CO2 por ano vai exigir cerca de 4 milhões de toneladas de hidróxido de potássio, o equivalente a uma vez e meia todo o fornecimento anual global deste produto.

E uma vez que essas milhares de usinas forem construídas, elas também vão precisar de energia para funcionar.

"Se esta fosse uma indústria global absorvendo 10 gigatoneladas de CO2 por ano, você estaria gastando 100 exajoules, cerca de um sexto da energia global total", diz Gambhir.

A maior parte dessa energia é necessária para aquecer a câmara de calcinação a cerca de 800°C – quente demais para a energia elétrica sozinha, então, cada planta de DAC precisaria de um aquecedor a gás e de uma boa fonte de gás.

As estimativas de quanto custa capturar uma tonelada de CO2 do ar variam amplamente, de US$ 100 a US$ 1 mil por tonelada.

Oldham diz que a maioria dos números é excessivamente pessimista – ele está confiante de que a Climate Engineering pode remover uma tonelada de carbono por apenas US$ 94, especialmente quando se tornar um processo industrial difundido.

Um problema maior é descobrir para onde enviar a conta. Incrivelmente, salvar o mundo acaba sendo algo muito difícil de vender, comercialmente falando.

A captura direta de ar resulta, no entanto, em uma mercadoria valiosa: milhares de toneladas de CO2 comprimido.
Isso pode ser combinado com o hidrogênio para produzir um combustível sintético neutro em termos de carbono. E poderia então ser vendido ou queimado nos aquecedores a gás da câmara de calcinação (onde as emissões seriam capturadas e o ciclo continuaria novamente).

Surpreendentemente, um dos maiores clientes do CO2 comprimido é a indústria de combustíveis fósseis.

À medida que os poços secam, não é incomum espremer o óleo restante do solo pressionando o reservatório usando vapor ou gás em um processo chamado recuperação aprimorada de petróleo.

O dióxido de carbono é uma escolha popular para isso e vem com o benefício adicional de reter esse carbono no subsolo, completando o estágio final de captura e armazenamento de carbono.

A Occidental Petroleum, que se associou à Carbon Engineering para construir uma planta de DAC em larga escala no Texas, usa 50 milhões de toneladas de CO2 todos os anos na recuperação aprimorada de petróleo.

Cada tonelada de CO2 usada dessa forma vale cerca de US$ 225 somente em créditos fiscais.

Talvez seja apropriado que o CO2 presente no ar acabe sendo devolvido ao subsolo dos campos de petróleo de onde veio, embora possa ser irônico que a única maneira de financiar isso seja buscando ainda mais óleo.

A Occidental e outras empresas esperam que, ao bombear CO2 no solo, possam reduzir drasticamente o impacto do carbono do petróleo: uma operação típica de recuperação aprimorada sequestra uma tonelada de CO2 para cada 1,5 toneladas que libera de óleo fresco.

Portanto, embora o processo reduza as emissões associadas ao petróleo, ele não equilibra as contas.

Outras alternativas

Mas há outros usos que podem se tornar mais viáveis comercialmente. A Climeworks, empresa de captura direta de ar, tem 14 unidades de menor escala em operação sequestrando 900 toneladas de CO2 por ano, que vende para uma estufa para estimular o crescimento da plantação de picles.

E agora está trabalhando em uma solução de longo prazo: uma usina em construção na Islândia vai misturar CO2 capturado com água e bombeá-lo até 500 ou 600 metros abaixo do solo, onde o gás reagirá com o basalto ao redor e se transformará em pedra.

Para financiar isso, ela oferece às empresas e aos cidadãos a possibilidade de comprar crédito de carbono, a partir de meros 7 euros por mês. Será que o resto do mundo pode ser convencido a fazer isso?

"A DAC sempre custará dinheiro e, a menos que você seja pago para isso, não há incentivo financeiro", diz Chris Goodall, autor de What We Need To Do Now: For A Zero Carbon Future (O que precisamos fazer agora: para um futuro com carbono zero, em tradução livre).

A Climeworks pode vender créditos para pessoas virtuosas, firmar contratos com a Microsoft e a Stripe para tirar algumas centenas de toneladas de carbono por ano da atmosfera, mas isso precisa ser aumentado em um milhão de vezes, e requer que alguém pague por isso.

"Há subsídios para carros elétricos, financiamento barato para usinas solares, mas você não vê isso para DAC", diz Oldham.

"Há tanto foco na redução de emissões, mas não existe o mesmo grau de foco no resto do problema, o volume de CO2 na atmosfera. O grande impedimento para a DAC é que a ideia não está nas políticas".

Zelikova acredita que a DAC seguirá um caminho semelhante ao de outras tecnologias climáticas e se tornará mais acessível.

"Temos curvas de custo bem desenvolvidas que mostram como a tecnologia tem o custo reduzido muito rapidamente", afirma.

"Superamos obstáculos semelhantes com a energia eólica e solar. O principal é implementá-las ao máximo. É importante que o governo apoie a comercialização – ele tem um papel como primeiro cliente, e um cliente com o bolso cheio de dinheiro."

Goodall defende um imposto global sobre o carbono, o que tornaria caro emitir carbono, a menos que os créditos fossem adquiridos.

Mas ele reconhece que essa ainda é uma opção politicamente impopular. Ninguém quer pagar impostos mais altos, especialmente se os efeitos do nosso estilo de vida de alta demanda energética – incêndios florestais crescentes, secas, inundações, aumento do nível do mar – forem vistos como sendo arcados por outra pessoa.
Zelikova acrescenta que também precisa haver um diálogo mais amplo na sociedade sobre quanto devem custar esses esforços.

"Há um custo enorme nas mudanças climáticas, nos desastres naturais induzidos ou exacerbados. Precisamos acabar com a ideia de que a DAC deveria ser barata".

Risco e recompensa

Mesmo se concordarmos em construir 30 mil usinas de DAC em escala industrial, encontrar os materiais químicos para operá-las e o dinheiro para pagar por tudo isso, ainda não estaremos fora de perigo.

Na verdade, podemos acabar em uma situação pior do que antes, graças a um fenômeno conhecido como dissuasão da mitigação.

"Se você acha que a DAC estará lá no médio e longo prazo, você não fará tanta redução de emissões no curto prazo", explica Gambhir.

"Se a ampliação der errado – se for difícil produzir o adsorvente, ou se degradar mais rapidamente, se for mais complicado tecnologicamente, se acabar sendo mais caro do que o esperado –, então, de certa forma, por não ter agido rapidamente no curto prazo, você efetivamente se vê encurralado em um caminho de temperaturas mais altas."

Os críticos da DAC apontam que grande parte de seu apelo reside na promessa de uma tecnologia hipotética que nos permite continuar vivendo nosso estilo de vida rico em carbono.

Mesmo assim, Oldham argumenta que, para algumas indústrias difíceis de descarbonizar, como a da aviação, os créditos que financiam a DAC podem ser a opção mais viável.

"Se for mais barato e mais fácil retirar o carbono do ar do que parar de voar, talvez seja esse papel que a DAC desempenha no controle de emissões."

Gambhir argumenta, por sua vez, que não é uma situação do tipo "isso ou aquilo". "Precisamos reduzir rapidamente as emissões no curto prazo, mas, ao mesmo tempo, desenvolver a DAC com determinação para ter certeza de que poderemos contar com ela no futuro."

Zelikova concorda: "A DAC é uma ferramenta fundamental para equilibrar o orçamento de carbono, de forma que o que não podemos eliminar hoje possa ser removido mais tarde".

Enquanto Oldham busca expandir a Carbon Engineering, o fator primordial é provar que a DAC em larga escala é "viável, acessível e disponível".

Se ele for bem-sucedido, o futuro do clima do nosso planeta pode mais uma vez ser decidido nos campos de petróleo do Texas. (biodieselbr)

Parceria entre USP e startup cria máquina para coletar óleo de cozinha usado

Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos, em parceria com a startup Óleoponto, desenvolveram um equipamento para auxiliar na coleta do óleo de cozinha usado. O óleo recolhido será transformado em biodiesel.

A ideia de criar o equipamento teve início em 2018, mas somente agora, em 2021, eles atingiram o resultado esperado. A expectativa é recolher 800 litros de óleo usado por mês.

O objetivo é incentivar a reciclagem, já que material recolhido será transformado em biodiesel.

Alunos da USP desenvolvem equipamento para coleta de óleo usado em parceria com empresa.

Processo

O óleo usado é colocado dentro da máquina e, depois de alguns minutos, o recipiente é devolvido ao doador. Uma tela inserida no equipamento mostra a quantidade de óleo despejada e qual foi a contribuição doador para a natureza.

O material coletado pelo equipamento é levado para uma empresa especializada para que seja transformado em biocombustível menos poluente. Ele poderá ser usado como complemento do diesel em caminhões e caminhonetes.

Com os testes finalizados, o objetivo é levar a máquina para perto da população e instalá-la em um supermercado. Segundo o empresário da startup Óleoponto, Zadrik Mendonça, o grupo estuda dar uma recompensa para quem descartar o resíduo no equipamento.

"Muitas das vezes as pessoas não têm incentivo e não sabem como descartar. A máquina vai reconhecer esse óleo e vai gerar uma pontuação para o doador. Essa pontuação será trocada por descontos ou por produtos nos supermercados ou empresas parceiras", explicou. (biodieselbr)

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Impactos entre pesca e aquecimento do oceano em populações de peixes

Impactos combinados da pesca e do aquecimento do oceano nas populações de peixes.
O efeito combinado do rápido aquecimento do oceano e a intensa pesca comercial está afetando a viabilidade das populações selvagens e do estoque global de peixes, afirma uma nova pesquisa da Universidade de Melbourne e da Universidade da Tasmânia.

Ao contrário de estudos anteriores que tradicionalmente consideravam a pesca e o clima de forma isolada, a pesquisa descobriu que o aquecimento do oceano e a pesca combinaram para impactar o recrutamento de peixes, e que isso levou quatro gerações para se manifestar.

“Encontramos um forte declínio no recrutamento (o processo de colocar novos peixes jovens em uma população) em todas as populações que foram expostas ao aquecimento, e esse efeito foi maior onde todos os maiores indivíduos foram pescados”, disse o autor principal e PhD candidato, Henry Wootton, da Universidade de Melbourne.

O Sr. Wootton e sua equipe estabeleceram 18 populações independentes de peixes em seu laboratório e as expuseram a temperaturas elevadas ou controladas e a um dos três regimes de pesca. Eles então seguiram o destino de cada população por sete gerações, o que equivale a quase três anos de tempo de laboratório. “Nosso estudo é o primeiro a explorar experimentalmente o impacto conjunto da pesca e do aquecimento do oceano nas populações de peixes”, disse Wootton.

A pesquisa foi divulgada na revista PNAS com pesquisadores dizendo que a solução é a pesca menos seletiva, o que ajudará a garantir relações sexuais equilibradas e a persistência de fêmeas maiores e valiosas.
Declínio das populações de peixes marinhos.

O coautor, Dr. John Morrongiello, disse: “A pesca selvagem fornece alimento para bilhões de pessoas em todo o mundo, especialmente em nossa região do Pacífico, onde o peixe é a principal fonte de proteína de origem animal. As práticas de pesca anteriores causaram quedas espetaculares na pesca e, por isso, é importante que adotemos abordagens de gestão que garantam que nossos oceanos continuem a manter a pesca sustentável”.

Ele acrescentou: “A gestão sustentável da pesca em face das rápidas mudanças ambientais é um verdadeiro desafio. Fazer as coisas certas não só fornecerá segurança alimentar e econômica para milhões de pessoas em todo o mundo, mas também ajudará a proteger a valiosa biodiversidade do nosso oceano para as gerações futuras”.

A Dra. Asta Audzijonyte, coautora da University of Tasmania e Pew Fellow in Marine Conservation, disse que foi surpreendente encontrar um impacto negativo tão forte e retardado do aquecimento na sobrevivência dos peixes pequenos.

“Ainda não entendemos completamente por que isso acontece, mas nossas descobertas mostram claramente que proteger a diversidade do tamanho dos peixes e peixes grandes pode aumentar sua resiliência às mudanças climáticas. Embora reverter a mudança climática seja difícil, restaurar e proteger a diversidade do tamanho dos peixes é algo que certamente podemos fazer e precisamos fazer isso rápido ”, disse ela.
Pesca excessiva e ameaças de pesca destrutivas.

O Dr. Audzijonyte acrescentou: “A maioria das pesquisas experimentais sobre os impactos das mudanças climáticas é feita em escalas de tempo relativamente curtas, onde os peixes são estudados por duas ou três gerações, no máximo. Descobrimos que os fortes impactos negativos do aquecimento só se tornaram aparentes após quatro gerações. Isso sugere que podemos estar subestimando os possíveis impactos das mudanças climáticas sobre alguns estoques pesqueiros”. (ecodebate)

Oriente Médio e Norte da África poderão enfrentar ondas de calor de até 56°C

Emergência Climática: Oriente Médio e Norte da África poderão enfrentar ondas de calor de até 56°C.
As mudanças climáticas estão intensificando os eventos climáticos extremos, como as ondas de calor.

Ignorar os sinais de mudança climática levará aos extremos de calor sem precedentes e socialmente perturbadores no Oriente Médio e no Norte da África.

Os resultados do estudo publicado na Nature Climate Change com a contribuição da Fundação CMCC.

A região do Oriente Médio e do Norte da África (MENA) é um ponto quente da mudança climática onde os verões esquentam muito mais rápido do que no resto do mundo. Algumas partes da região já estão entre os locais mais quentes do mundo.

Novo estudo internacional prevê que ignorar os sinais da mudança climática e continuar os negócios como de costume levará a ondas de calor extremas e com risco de vida na região. Esses eventos de calor extraordinário terão impacto severo sobre as pessoas da área.

O estudo, que visa avaliar as características emergentes das ondas de calor, foi conduzido por cientistas do Centro de Pesquisa do Clima e Atmosfera (CARE-C) do Instituto de Chipre e do Instituto Max Planck de Química, com a contribuição de pesquisadores da Fundação CMCC – Euro – Centro Mediterrâneo de Mudanças Climáticas e outros institutos de pesquisa, principalmente da região MENA.

“Nossos resultados para um caminho business-as-usual indicam que, especialmente na segunda metade deste século, ondas de calor super e ultra extrema sem precedentes surgirão”, explica George Zittis do Instituto de Chipre, primeiro autor do estudo. Esses eventos envolverão temperaturas excessivamente altas de até 56°C ou mais em ambientes urbanos e podem durar várias semanas, sendo potencialmente fatais para humanos e animais, até mesmo animais tolerantes a altas temperaturas, como camelos. Na segunda metade do século, cerca de metade da população do MENA, ou aproximadamente 600 milhões de pessoas, poderia ser exposta a essas condições climáticas extremas recorrentes anualmente, que afetarão a saúde, a agricultura e a biodiversidade.

Muitos milhões de pessoas – entre elas algumas das mais pobres do mundo – serão expostas rotineiramente a temperaturas potencialmente letais. Na pior das hipóteses, o termômetro poderá atingir 56 °C em 2100.

A equipe de pesquisa usou um conjunto multi-modelo de projeções climáticas, o primeiro de seu tipo, projetado exclusivamente para a área geográfica. Os pesquisadores então projetaram futuros feitiços de calor e os caracterizaram com o Índice de Magnitude de Ondas de Calor, que permite quantificar a intensidade de eventos isolados, considerando tanto sua duração quanto a anomalia de temperatura.

Esses estudos detalhados de redução de escala faltavam para esta região. “A comunidade científica que lida com a modelagem climática regional está concentrada principalmente na Europa e na América do Norte, e ainda há pouco interesse e financiamento para estudar os impactos das mudanças climáticas na região do Mediterrâneo e do Norte da África”, explica Paola Mercogliano, diretora de Modelos Regionais e impactos geohidrológicos da Fundação CMCC. “Ter um estudo tão importante e detalhado sobre essa área, que ainda é pobre em dados e conhecimento científico sobre mudanças climáticas, é um grande sucesso para nós. No CMCC, acreditamos na importância do avanço da pesquisa científica na região do Mediterrâneo, que é altamente vulnerável aos impactos das mudanças climáticas, e estamos investindo forças e recursos para fornecer a esses países dados que lhes permitam saber mais sobre as características de seu clima futuro e agir em conformidade”.

Para evitar esses eventos de calor extremo na região, os cientistas recomendam medidas imediatas e eficazes de mitigação das mudanças climáticas. Espera-se que nos próximos 50 anos, quase 90% da população exposta no MENA viva em centros urbanos, que precisarão lidar com essas condições climáticas adversas para a sociedade.

“As ondas de calor estão entre os principais impactos das mudanças climáticas que afetam a área do Mediterrâneo, incluindo a Itália”, conclui Edoardo Bucchignani, cientista pesquisador do CMCC, entre os autores do estudo. “É muito bom ter um estudo tão válido e focado nesta região, com dados científicos que possam apoiar e orientar os tomadores de decisão na gestão dos impactos no tempo, para proteger a saúde dos cidadãos, principalmente dos mais vulneráveis. No CMCC, nosso investimento nessa direção continua agora a fornecer dados cada vez mais detalhados e a disponibilizá-los a toda a comunidade científica, para estimular a produção de conhecimento sobre o clima esperado nesta área para o próximo século”. (ecodebate)

Capitais brasileiras estão longe de atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Índice mostra que mesmo Curitiba, a mais bem classificada entre 26 sedes administrativas estaduais, tem baixa pontuação média em oito dos ODS da Agenda 2030.

Estudo elaborado com base no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil/IDSC-BR mostra que as 26 capitais estaduais têm grandes desafios a superar para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável/ODS estabelecidos pela Organização das Nações Unidas/ONU até 2030.

Mesmo aquelas mais bem posicionadas no comparativo, como Curitiba, São Paulo e Florianópolis, estão distantes das metas estabelecidas em oito dos 17 ODS.

A capital do Paraná, por exemplo, registra a maior pontuação média considerando todos os objetivos a serem alcançados (66,03). Quanto mais próximo de 100, mais perto de alcançar as metas preconizadas pela ONU.

No entanto, a cidade registra sete ODS assinalados na cor vermelha, nível mais baixo do índice, e um na cor laranja, segundo pior da escala. Entre os objetivos situados no patamar inferior da tabela estão os de número 5 – Igualdade de Gênero (40,7 pontos), 10 – Redução das Desigualdades (48,0 pontos) e 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes (47,5).

É importante registrar que todas as 26 capitais – o índice não inclui Brasília, capital do Distrito Federal – também registram pontuação abaixo do desejável nesses três ODS, o que revela alguns dos principais desafios compartilhados por prefeitos e gestores públicos dessas cidades.

Por outro lado, o índice mostra que Curitiba já alcançou plenamente o ODS 12 – Consumo e Produção Responsáveis (100 pontos) e está próxima de atingir os de número 7 – Energia Limpa e Acessível (99,8) e 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima (95,2).

De acordo com o estudo comparativo, São Paulo é a segunda capital melhor classificada, com pontuação de 64,86, seguida de Florianópolis, que registra 64,15 pontos.

No ranking geral do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR), que computou e analisou os dados de 770 municípios de todo o país, Curitiba está situada na 30ª posição, São Paulo é a 48ª e Florianópolis a 56ª colocada.

Desigualdades regionais

O estudo comparativo revela ainda que as desigualdades constatadas em âmbito local nos ODS relacionados ao tema, que estão entre os maiores desafios a serem superados por todas as capitais estaduais, inclusive pelas melhores classificam, também ficam evidentes quando se avalia o desempenho dos municípios por região do país.

Enquanto na parte superior da tabela, entre os 10 com melhor pontuação média, três estão na região Sul, três no Sudeste, três no Centro-Oeste e apenas um no Nordeste – João Pessoa (PB) -, na parte inferior da escala, todos os 10 se localizam no Norte e Nordeste.

Os três com menores pontos são Macapá (AP), que registra 43,35, Porto Velho (RO), com 46,13, e Belém (PA), 46,74. Na sequência, subindo a tabela, aparecem São Luís (MA), Maceió (AL) e Teresina (PI).

Pelo índice, é possível visualmente entender a dificuldade que esses municípios terão para atingir todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Macapá, por exemplo, possui 13 dos 17 ODS assinalados nas cores vermelha (10) e laranja (três). Porto Velho, por sua vez, tem 12 objetivos com pontuação abaixo do desejável, sendo oito marcados em vermelho e quatro em laranja.

Em relação às 770 cidades brasileiras que integram o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR), a classificação dessas capitais também não é boa. A sede administrativa do Amapá está na 724ª posição e a de Rondônia em 653ª.

Sobre o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades

Lançado em 23/03/2021, o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil/IDSC-BR é um estudo inédito desenvolvido pelo Programa Cidades Sustentáveis (PCS), em parceria com a Sustainable Development Solutions Network (SDSN), uma iniciativa da ONU para monitorar os ODS em seus países-membros. (ecodebate)

terça-feira, 25 de maio de 2021

Organizar cadeia de reciclagem de resíduos de embalagens plásticas

É necessário organizar a cadeia de reciclagem de resíduos de embalagens plásticas.
Esforços de reciclagem de resíduos de embalagens de plástico são sufocados por entraves regulatórios e tecnológicos.

Mudanças significativas na forma como os resíduos de embalagens plásticas são reciclados na Inglaterra são necessárias para eliminar os resíduos plásticos evitáveis até 2043 e atender às ambições do governo em sua Estratégia de Recursos e Resíduos.

Um novo estudo da University of Leeds e da Brunel University London descobriu que o sistema atual de coleta e gerenciamento de resíduos de embalagens plásticas prejudica as autoridades locais e desestimula os esforços para investir em infraestrutura verde para explorar a mudança tecnológica.

Isso leva a uma dependência excessiva da exportação de resíduos para mercados com políticas de reciclagem questionáveis e também prejudica a tomada de decisão do consumidor sobre como descartar resíduos de embalagens plásticas. O relatório – ‘ Embalagem de plástico – Como chegamos onde queremos estar? ‘- concluiu que o custo de coleta e gestão de resíduos sob o sistema atual significava que algumas autoridades locais foram forçadas a se vincular a contratos de até 25 anos para torná-lo economicamente viável.

O estudo foi financiado através do Fundo de Inovação em Pesquisa e Plástico e o Conselho de Pesquisa Econômica e Social, trabalhando em colaboração com o Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais (DEFRA) , o setor de gestão de resíduos e outras partes interessadas.

Ele também descobriu que as empresas de resíduos precisam estar confiantes de que podem ter um bom retorno sobre o investimento – o que incentiva esses contratos longos – mas isso torna difícil para as autoridades locais implementarem mudanças em sua infraestrutura.

Os pesquisadores argumentam que uma redução na carga de custos para as autoridades locais, por meio de uma distribuição mais equitativa do valor no sistema, pode incentivar o investimento de longo prazo, mas que os bloqueios regulatórios e tecnológicos precisam ser enfrentados.

Reciclagem do plástico, um drama da nossa geração.

Reciclagem do plástico, o mundo produziu quase 9 bi de toneladas em 70 anos e reciclou apenas 20%.

As principais reformas no âmbito da Estratégia de Recursos e Resíduos, incluindo consistência na coleta de resíduos, responsabilidade alargada do produtor e esquemas de devolução de depósitos, foram concebidas para enfrentar os problemas e reter valor. A colaboração do DEFRA com este projeto é um reflexo do que o DEFRA está fazendo para mover as coisas na direção certa.

O relatório analisou o sistema de embalagens plásticas do Reino Unido na Inglaterra usando uma nova abordagem de sistemas denominada ‘Otimização de valor complexo para recuperação de recursos’ (CVORR).

O coautor do relatório, Andrew Brown, Professor de Economia da Universidade de Leeds, disse: “O relatório mostra a importância de uma colaboração profunda entre economistas, engenheiros e cientistas ambientais, trabalhando também em colaboração com o DEFRA, o setor de gestão de resíduos e outras partes interessadas”.

O professor Brown enfatizou que “para aproveitar as enormes oportunidades de longo prazo para preservação e criação de valor por meio da reciclagem de embalagens plásticas, é necessária uma mudança em todo o sistema, guiada pela nova estrutura CVORR”.

“A inovação na indústria de resíduos e reciclagem é realmente rápida, mas nossas autoridades locais não podem tirar proveito do sistema atual”, disse a Dra. Eleni Iacovidou, professora de Gestão Ambiental da Brunel, que conduziu o estudo.

Comercialização e Reciclagem de Resíduos.

Você sabe de fato o que é reciclagem?

“Confrontar e quebrar os bloqueios às regulamentações e infraestruturas atuais é a chave para alcançar transformações radicais no sistema de embalagens de plástico e nos sistemas de recuperação de recursos em geral”.

O Dr. Iacovidou continuou: “A complexidade do sistema de embalagem de plástico significa que não existe uma solução perfeita para os muitos problemas que afligem o sistema de embalagem de plástico e que são necessárias várias maneiras direcionadas e informadas de abordar esses problemas. A estrutura do CVORR nos ajuda a entender esses problemas e encontrar soluções de uma forma muito mais clara e integrada”.

Os pesquisadores apontam a saída do Reino Unido da União Europeia como um desafio significativo para cumprir a meta de 2050, mas também uma oportunidade para implementar as mudanças necessárias à medida que o governo se desvincula da regulamentação europeia. Isso exige a orquestração de processos e estruturas em toda a cadeia de valor.

O relatório propôs novas métricas para o governo usar ao monitorar e avaliar seu sucesso em relação à meta de 2050. As métricas desenvolvidas correspondem a quatro domínios de valor – ambiental, econômico, social e técnico – permitem uma avaliação sistêmica do sistema de embalagens plásticas, tão necessária para realizar a mudança e monitorar essa mudança.

A reciclagem, além de contribuir muito com o desenvolvimento sustentável gera riqueza. Transformam resíduos que seriam destinados para aterros em novos produtos, matéria-prima e insumos para a cadeia produtiva.

Comercialização e Reciclagem de Resíduos.

O estudo, que foi financiado pelo Conselho de Pesquisa Econômica e Social (ESRC), foi de autoria de Eleni Iacovidou, Norman Ebner, Bianca Orsi e Andrew Brown. (ecodebate)

El Niño leva aquecimento dos oceanos a território desconhecido

El Niño excepcionalmente forte impulsiona aquecimento global dos oceanos e leva temperatura média da superfície do mar ao maior valor já reg...