quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Emissões de CO2 atingirá recorde em 2022

Emissões de CO2 devem atingir recorde em 2022.
De acordo com estudo do Global Carbon Project, as emissões de gás carbônico atingirão um patamar histórico em 2022. O recorde esperado é de 40,6 bilhões de toneladas, número não alcançado desde 2019. O CO2 é o principal responsável pelo efeito estufa e pelo aquecimento global. O estudo, divulgado durante a COP27, avalia que as chances de evitar o aquecimento global em 1,5°C nos próximos nove anos caem para 50%. As principais causas são o aumento no consumo de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, que tiveram altas de 2,2% e 1%, e a retomada dos voos. O Acordo de Paris de 2015 colocava metas para a queda na emissão de gases em 25% até 2030, mas desde a retomada econômica pós-covid, os dados indicam o caminho contrário.

Brasil, Amazônia e a COP27

A COP27 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) de 2022 começa amanhã e o Brasil vai estar no centro das discussões.

O Desmatamento na Amazônia é uma preocupação global em um cenário no qual a única certeza é a necessidade de cooperação e nós temos papel de protagonista nessa pauta.

As emissões de gases do efeito estufa do Brasil tiveram em 2021 sua maior alta em 19 anos. Esse (des) avanço é justificado principalmente pelas taxas recordes de desmatamento na Amazônia.

No passado, o Brasil emitiu 2,42 bilhões de toneladas brutas de CO2, conforme dados do Observatório do Clima. O volume representa 3% de todas as emissões do planeta, atrás apenas de China, EUA, Índia e Rússia. Foi o quarto ano consecutivo que o número aumentou, algo inédito desde que a série histórica começou, em 1990.

O desmatamento é o principal calcanhar de Aquiles do Brasil e é o tema que o país vai precisar dar explicações na COP27, uma vez que não cumpriu os compromissos que havia assumido.

Capacidade para captura de CO2 deve aumentar seis vezes até 2030

A COP27 pode ser o grande ponto de virada para o Brasil e exigirá cooperação em todas as etapas para alcançar o compromisso de mitigar 50% de suas emissões de gases de efeito estufa até 2030, com medidas e ações efetivas, dentre as quais:

- Reduzir o desmatamento ilegal a partir de 2022, em 15% por ano até 2024, 40% em 2025, e 50%, em 2027, até zerar em 2028;

- Restaurar e reflorestar 18 milhões de hectares de florestas, para múltiplos usos, até 2030;

- Alcançar uma participação estimada entre 45% e 50% de energias renováveis na composição da matriz energética em 2030 e seguir expandido.

As energias renováveis são de fato um caminho transformador que tem ganhado cada vez mais força por serem altamente competitivas e mais baratas do que as fontes poluentes.

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Estudo sugere estratégias para o Brasil atingir a neutralidade climática

As estratégias destacam a necessidade de abordar as políticas de clima e, em especial, as de conservação de florestas.

Um estudo realizado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de São Paulo da FGV (FGVces) apontou janelas de oportunidades em seis grandes frentes para o Brasil zerar suas emissões líquidas de carbono em 2050, a fim de cumprir com seus compromissos assumidos internacionalmente.

Em linhas gerais, as estratégias destacam a necessidade de abordar as políticas de clima e, em especial, as de conservação de florestas, do ponto de vista das pessoas e organizações envolvidas na questão. “Para citar um exemplo, os impactos positivos da agricultura de baixo carbono poderiam ser identificados, mensurados e comunicados de forma mais apropriada aos produtores e entidades governamentais”, explica Guarany Ipê do Sol Osório, coordenador do programa Política e Economia Ambiental (PEA) do FGVces.

Outra necessidade apontada é a de identificar e engajar atores locais, incluindo a população de comunidades tradicionais e os povos indígenas, bem como grupos econômicos com poder de influência local (como as associações e organizações representativas), com potencial para apoiar a formulação e a implementação de políticas públicas compatíveis com metas de emissões líquidas zero.

“E dado o contexto brasileiro — e especialmente o da região amazônica –, as políticas públicas de clima e de combate ao desmatamento têm de se alinhar às estratégias nacionais de desenvolvimento, além de mirar a geração de renda e a criação de empregos”, acrescenta Osório.

O estudo integra o projeto Net Zero Political Economy: Exploring how to accelerate the just transformation to net zero emissions in China, Nigeria, India, Indonesia and Brazil, coordenado pelo Climate Strategies e financiado pela Climate Works Foundation.

Confira abaixo um resumo do estudo e suas principais mensagens:

Contexto:

O Brasil adotou um compromisso formal de alcançar a neutralidade climática até 2050. No entanto, medidas específicas ainda não foram implementadas para perseguir esse objetivo de longo prazo de forma contundente. De qualquer modo, discussões sobre neutralidade climática parecem ganhar força no Brasil, considerando os compromissos assumidos pelo governo federal e governos estaduais, e também os recentes movimentos do setor empresarial, assumindo metas de emissões líquidas zero. Ainda assim, os programas, iniciativas e investimentos necessários para cumprir esses compromissos parecem estar em estágios iniciais de desenvolvimento.

Objetivo do estudo:

O estudo buscou identificar janelas de oportunidade para a cooperação internacional, bem como ações de curto prazo, consistentes com os caminhos “net zero” de longo prazo no país, em particular em seus setores econômicos mais relevantes para a mitigação das mudanças climáticas.

Framework analítico:

O estudo fez uso do “Kingdon’s Multiple Streams Framework (MSF)” para realizar as análises e discussões.

Método:

A partir do emprego dos conceitos de MSF, foi adotada uma abordagem qualitativa, com base em uma revisão bibliográfica inicial, seguida de entrevistas semiestruturadas.

Principais mensagens:

• A transição para uma economia “net zero” no Brasil oferece uma oportunidade, até mesmo uma necessidade, de focar no engajamento de atores em nível local e encontrar grupos economicamente poderosos (como representantes setoriais) dispostos a defender determinadas políticas. Para isso, é necessária uma perspectiva mais ampla, persistentemente preocupada com os processos que levam a mudanças estruturais, por exemplo, nos incentivos voltados para comunidades locais, produtores agrícolas, empresas de logística etc. (em vez da implementação de medidas de curto prazo e de escopo restrito).

• Considerando o perfil de emissões do Brasil, em conjunto com as diferentes realidades econômicas do território, particularmente na região amazônica, as políticas climáticas e de combate ao desmatamento devem ser consistentes com o desenvolvimento nacional, a geração de renda e as necessidades de grupos subrepresentados (indígenas e outras populações tradicionais).

• Os atuais movimentos políticos em favor de mercados de carbono (voluntário e regulado) oferecem uma oportunidade para o Brasil mostrar liderança no desenvolvimento de uma economia “net zero”. A elaboração de novos Planos Setoriais de mitigação das mudanças climáticas no prazo de 360 dias, conforme estipulado pelo Decreto Presidencial 11.075/2022, também poderia significar uma abertura para fomentar a adoção de metas mais claras e impulsionar a estruturação e implementação de políticas.

• Janelas de oportunidade podem se abrir e aparecer sem previsibilidade, mas, uma vez abertas, uma solução clara deve estar prontamente disponível. Os esforços de pesquisa e comunicação para promover e manter certas políticas no topo da agenda são, portanto, de suma importância.

O Estudo completo pode ser acessado aqui.

Propostas de políticas públicas analisadas no Estudo (por setor):

• Mudança de uso do solo e Florestas:

• Instrumentos econômicos para auxiliar na aplicação do Código Florestal;

• Incentivos advindos do setor privado para fins de restauração florestal;

• Incremento das áreas abrangidas por unidades de conservação.

• Energia (transportes):

• Expansão da iniciativa RenovaBio;

• Desenvolvimento de combustíveis alternativos (ao diesel);

• Implementação de programas de certificados de biogás;

• Tratamento preferencial para veículos movidos a biocombustíveis;

• Programas de renovação da frota de caminhões;

• Seguros ou fundos de garantia para grandes projetos de infraestrutura.

• Agricultura:

• Pagamento por Serviços Ecossistêmicos e créditos de carbono;

• Títulos verdes;

• Esquemas de rotulagem para carnes e soja neutras em carbono;

• Adoção de compromissos e metas públicas;

• Expansão da iniciativa RenovaBio.

• Indústria:

• Captura e armazenamento de carbono;

• Hidrogênio verde/azul;

• Mercado de carbono regulado;

• Maior aproveitamento de biomassa (carvão vegetal) na produção de ferro e aço;

• Aproveitamento de subprodutos e resíduos de outras atividades na produção de cimento.

• Resíduos:

• Aumentar o uso de resíduos como fonte de energia, como biogás e biometano de resíduos sólidos urbanos.

• Mercados de carbono (frente transversal):

• Apoiar a melhoria das fontes de dados e coleta;

• Facilitar a cooperação entre atores governamentais e privados para desenvolver sistemas administrativos eficazes;

• Reposicionar o Brasil internacionalmente no âmbito do Artigo 6 do Acordo de Paris, engajando-se com parceiros internacionais e garantindo que as práticas brasileiras sejam efetivas e reconhecidas;

• Fornecer o conhecimento e a infraestrutura necessários para mercados de carbono eficazes;

• Promover a transparência e a integridade entre os atores privados por meio de mercados de carbono voluntários e autorregulados.

Jornada para a neutralidade climática

Nós trabalhamos com a missão de evitar e reduzir as emissões de carbono. Exemplos disso seriam o uso de eletricidade verde, esquemas de economia de energia, conceitos de mobilidade e o uso de materiais ecologicamente corretos.

Projeto verde: Nossa jornada para a neutralidade climática. (ecodebate)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

40 milhões de crianças estão expostas a vários riscos climáticos

40 milhões de crianças brasileiras já estão expostas a mais de um risco climático.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) publicou o relatório “Crianças, Adolescentes e Mudanças Climáticas no Brasil”, alertando que crianças e adolescentes são os que mais sofrem com as mudanças climáticas e precisam ser prioridade.

O relatório mostra que 40 milhões de meninas e meninos brasileiros já estão expostos a mais de um risco climático ou ambiental, e aponta os impactos da crise climática na garantia de direitos das futuras gerações.

Além disso, o relatório revela que mais de dois milhões de pessoas foram mortas, desapareceram, ficaram feridas, enfermas, desabrigadas ou desalojadas diretamente por desastres ambientais em 2021 no Brasil.

UNICEF quer mais progressos na educação no campo das alterações climáticas tendo os menores de idade como prioridade.

Na semana em que líderes mundiais se reúnem para a 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), no Egito, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) faz um alerta: crianças e adolescentes são os mais impactados pelas mudanças climáticas, e precisam ser priorizados. No Brasil, 40 milhões de meninas e meninos estão expostos a mais de um risco climático ou ambiental (60% do total) e as mudanças climáticas comprometem a garantia de direitos fundamentais. É o que revela o relatório “Crianças, Adolescentes e Mudanças Climáticas no Brasil”, lançado pelo UNICEF em 09/11/22.

O relatório chama a atenção para a urgência de priorizar crianças e adolescentes nos debates e políticas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas. A crise climática impacta desde a frequência de chuvas até a amplitude térmica e as ondas de calor; da quantidade e da intensidade de eventos extremos, como ciclones e queimadas, até o prolongamento de secas extremas. Todos esses fenômenos afetam a vida humana de diversas formas, colocando em risco o bem-estar, o desenvolvimento e a própria sobrevivência de pessoas em todo o planeta.

“Mudanças climáticas e degradação ambiental enfraquecem os direitos de crianças e adolescentes”, explica a representante interina do UNICEF no Brasil, Paola Babos. “Eles são os menos responsáveis pelas mudanças climáticas, mas suportarão o maior fardo de seu impacto. Por estarem em uma fase mais sensível de desenvolvimento, meninas e meninos são os mais prejudicados diretamente. Além disso, serviços, políticas e instituições que atendem às necessidades deles e de suas famílias são comprometidos pela crise climática”.

Os efeitos dessa crise afetam desproporcionalmente crianças e adolescentes que vivem em situação de maior vulnerabilidade, já privados de outros direitos – principalmente negros, indígenas, quilombolas, e pertencentes a outros povos e comunidades tradicionais; migrantes e/ou refugiados; crianças e adolescentes com deficiência; além de meninas. Apesar disso, o relatório aponta para o fato de que a maioria das políticas públicas e dos planos nacionais referentes ao clima e ao meio ambiente mencionarem pouco ou ignorarem completamente as vulnerabilidades específicas de crianças e adolescentes, em geral, e desses grupos mais vulneráveis, em particular.

Entendendo esse cenário, o relatório apresenta o impacto que as mudanças climáticas e a degradação ambiental podem ter sobre direitos de crianças e adolescentes no Brasil, e os caminhos para reverter esse quadro.

1. Direito à vida, à saúde e ao desenvolvimento

As consequências para a saúde causadas pelos desastres, pela degradação ambiental e pelo clima alterado podem ser graves a curto, médio e longo prazo. O estudo cita como exemplo a poluição do ar que está diretamente associada às mudanças climáticas e que no Brasil é agravada pelas queimadas e pela queima de combustíveis fósseis em áreas urbanas, impactando na expectativa de vida da população.

Aproximadamente 2 em cada 5 brasileiros estão expostos a concentrações de PM2.5 (poluição do ar externa) acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No caso de crianças e adolescentes, esse número aumenta para 3 em cada 5.

Em crianças, a exposição a poluentes em altas concentrações e/ou por longos períodos pode afetar o cérebro, causando atrasos no desenvolvimento, problemas de comportamento e até mesmo de desenvolvimento intelectual. Em ambientes poluídos, os pulmões de crianças não se desenvolvem completamente, e o sistema imunológico fica fragilizado em função da exposição ao ar poluído. Infecções respiratórias, que já são comuns em crianças, ficam mais severas e mais frequentes em ambientes poluídos.

Outro exemplo citado no estudo é o aumento do risco de transmissão de doenças como malária, febre amarela e dengue no Brasil com as mudanças nos padrões de chuva e temperatura; a grande maioria das vítimas letais dessas doenças são crianças pequenas.

Ainda na área de saúde, a insegurança alimentar também tem relação com as mudanças climáticas. No Brasil, 80% dos alimentos que são consumidos pelas pessoas que vivem na pobreza são produzidos pela agricultura familiar, em pequenas propriedades rurais. É justamente o modo de produção mais ameaçado pela crise climática, e com menos recursos financeiros e técnicos para se adaptar a mudanças no padrão de chuvas e nas temperaturas médias.

Além disso, o relatório revela que mais de 2 milhões de pessoas foram mortas, desapareceram, ficaram feridas, enfermas, desabrigadas ou desalojadas diretamente por desastres ambientais em 2021 no Brasil.

2. Direito a aprender

Localidades onde acontecem desastres naturais frequentemente têm escolas afetadas, agravando as dificuldades de acesso e permanência escolar de crianças e adolescentes, levando ao aumento da evasão e à dificuldade de manter em funcionamento os serviços e equipamentos escolares.

O relatório cita um estudo acerca das áreas de risco de desastres no Brasil que revela que 721 escolas estão em áreas de risco hidrológico, das quais 525 são escolas públicas; e 1.714 escolas estão localizadas em áreas de risco geológico, sendo que 1.265 são escolas públicas. Considerando apenas os 957 municípios monitorados pelo estudo, os dados indicam que mais de três milhões de pessoas frequentam equipamentos escolares em áreas de risco.

Além disso, em geral, quando não têm suas estruturas afetadas, as unidades escolares são transformadas em ponto de acolhimento coletivo em comunidades que vivenciam desastres em grandes proporções, uma tendência que coloca dificuldades para o pronto retorno das atividades educacionais.

3. Direito à proteção contra violências

Em situações de grandes desastres naturais, as pessoas ficam em situações de vulnerabilidade e incertezas, o que potencializa o risco de violências físicas, morais e sexuais para crianças. Espaços de acolhimento temporário podem ser especialmente arriscados se medidas de prevenção não forem pensadas na organização da resposta.

O relatório também cita que, em regiões onde há pressões ambientais e econômicas e do crime organizado, o risco de exploração sexual de meninas e mulheres é potencializado. Em 2019, as taxas mais altas de meninas de até 14 anos grávidas no país foram registradas em cinco estados da Amazônia Legal (Roraima, Amazonas, Acre, Pará e Amapá) – e nesses casos há violência presumida.

4. Direito à água potável e saneamento

No Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas vivem em áreas urbanas sem acesso à água segura; em áreas rurais, outros 25 milhões de pessoas têm acesso apenas a níveis básicos de segurança na água, e para 2,3 milhões de pessoas, a água disponível para beber e para higiene pessoal não tem qualquer tratamento.

Segundo o Censo Escolar (Inep, 2019), 26% das escolas públicas brasileiras não têm acesso ao abastecimento público de água, e quase 50% não têm acesso à rede pública de esgoto.

Períodos de secas prolongadas e enchentes afetam diretamente a captação e o fornecimento de água, provocando interrupções e falhas na prestação dos serviços, podendo afetar também a qualidade e aumentar a incidência de doenças transmitidas pela água.

5. Direito à proteção social

No Brasil, a probabilidade de uma criança ou adolescente viver na pobreza é duas vezes maior do que a de um adulto. Sendo assim, os impactos das mudanças climáticas na população mais pobre recaem de maneira mais intensa sobre crianças e adolescentes.

As famílias mais pobres têm menos recursos para realocar-se ou adaptar-se a mudanças no clima; vivem em áreas geograficamente mais expostas a desastres; sofrem primeiro, e mais intensamente, as crises causadas por choques socioambientais e suas consequências econômicas secundárias.

São os mais pobres que têm maior probabilidade de viver sem acesso à moradia adequada, água limpa ou esgoto tratado; são os mais pobres que vivem expostos aos maiores índices de violência.

Quando a temperatura sobe e as ondas de calor criam ambientes insalubres para a saúde humana, são as famílias mais pobres que não têm acesso à ventilação apropriada, muito menos a aparelhos de ar-condicionado. Quando o rio enche até níveis inéditos, são as comunidades pobres em casas nas palafitas que submergem. Quando a seca quebra a produção da agricultura familiar, são as famílias pobres nas zonas rurais – as famílias dos próprios agricultores familiares – que ficam sem acesso a verduras e grãos a preços que podem pagar.

As pressões climáticas ou de desastres ambientais tendem a agravar situações de crianças e adolescentes que vivem em contextos de vulnerabilidade social e negligência, podendo levar à ruptura dos seus vínculos protetivos e à violação dos seus direitos.

Recomendações – As mudanças climáticas acendem alerta urgente: já temos um problema e ele pode ficar muito maior. Precisamos lidar com ele agora e mitigar os impactos futuros, diminuir a poluição e promover a adaptação às mudanças já inevitáveis. Com base nessa análise, o relatório do UNICEF apresenta uma lista de recomendações para que crianças e adolescentes sejam prioridade absoluta na pauta climática e para que hoje, e no futuro, não tenham que crescer privados da plena realização dos seus direitos:

• Defender e fortalecer as instituições e a legislação responsáveis pela garantia de preservação e pelo enfrentamento da degradação do meio ambiente, garantindo o alcance das metas de redução de emissões.

• Garantir financiamento e recursos para a execução de políticas e projetos climáticos sensíveis aos direitos de crianças, adolescentes e jovens.

• Desenvolver estratégias que considerem os riscos e potenciais específicos de crianças, adolescentes e jovens indígenas e de outras comunidades tradicionais, negros e meninas.

• Criar espaços, assegurar e estimular a participação segura – e a representatividade – de crianças, adolescentes e jovens nas esferas de debate, decisão e implementação de políticas públicas relacionadas ao meio ambiente e à crise climática.

• Priorizar investimento em educação e desenvolvimento de competências de crianças, adolescentes e jovens sobre o meio ambiente, as mudanças climáticas e as habilidades ecológicas, capacitando-os para enfrentar a crise climática e participar da crescente economia verde e azul.

• Adaptar os serviços públicos que atendem crianças e adolescentes com base nos cenários de vulnerabilidade e risco de desastres, e nas possibilidades de mudanças de longo prazo nas temperaturas, no padrão de chuvas e estiagens. Garantir a infraestrutura de escolas e hospitais, para assegurar o bem-estar dos usuários e a continuidade dos serviços essenciais.

• Engajar o setor produtivo em defesa da adoção de medidas de preservação ambiental e de manejo sustentável das cadeias de produção e transporte.

• Estimular investimentos e outras medidas que promovam e acelerem a transição para uma economia verde, abrindo oportunidades de inclusão socioprodutiva de adolescentes e jovens.

As recomendações devem ser colocadas em prática, priorizando sempre grupos mais vulneráveis no que ser refere à idade, gênero, raça e etnia, renda, deficiência e situação migratória. (ecodebate)

Mata Atlântica produz ½ dos alimentos e emite ¼ dos gases estufa do setor agropecuário

Mata Atlântica produz metade dos alimentos consumidos no Brasil, mas emite apenas 26% dos gases de efeito estufa do setor agropecuário.
Mata Atlântica preservada.

Análise comprova a importância da Mata Atlântica para o sistema agroalimentar brasileiro e reforça as oportunidades para sua neutralidade em carbono

Embora detenha apenas 27% do total da área agropecuária do Brasil, a Mata Atlântica, bioma presente em 15% da área terrestre do país, é responsável por aproximadamente a metade da produção de alimentos para consumo direto da população brasileira. Ainda assim, emite somente 26% do total de gases de efeito estufa (GEE) do setor agropecuário.

O diagnóstico faz parte do estudo Produção de Alimentos na Mata Atlântica, realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, com o apoio da Cátedra Josué de Castro, a partir de dados dos Censos Agropecuários do IBGE, as bases de dados de uso da terra do MapBiomas e o Atlas da Agropecuária Brasileira, entre outras referências, e apresentado nesta quarta-feira, 9 de novembro, durante a COP27, em Sharm El Sheikh, no Egito.

O objetivo foi avaliar de maneira integrada a situação fundiária, o uso da terra, a produção agropecuária e de alimentos no bioma Mata Atlântica para apontar tendências e oportunidades de sua contribuição para sistemas agroalimentares saudáveis e sustentáveis. Além disso, buscou-se identificar caminhos para que a produção agropecuária e de alimentos sejam compatíveis com a neutralidade de emissões de gases de efeito estufa do setor de uso da terra da Mata Atlântica até 2042.

Para Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica, a análise reforça a proposta de ter a Mata Atlântica como um bioma mundialmente prioritário para a restauração. “A combinação do fim do desmatamento com a restauração florestal e sistemas de produção agropecuária de baixo carbono permitem a Mata Atlântica se tornar neutra em carbono no setor de uso da terra. Essa oportunidade, combinada ao enfrentamento da dependência dos agrotóxicos, pode subsidiar um novo paradigma para sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis para o Brasil e para a humanidade como um todo”, afirma.

A Mata Atlântica, bioma presente em 3.429 municípios de 17 estados do Brasil, é um dos principais hotspots da biodiversidade do planeta. Fornece serviços ecossistêmicos fundamentais (com abastecimento de água e manutenção da qualidade do ar) para 70% da população brasileira e grande parte das principais metrópoles e áreas urbanas do país. Considerada patrimônio nacional pela Constituição Federal, está protegida pela Lei da Mata Atlântica, publicada em 2006. “É o bioma mais devastado do Brasil, com remanescentes distribuídos de maneira desigual. Desde o início da colonização portuguesa, em 1500, o sistema agroalimentar brasileiro dependeu basicamente da Mata Atlântica durante a maior parte da história, mas o seu potencial atual para contribuir, de forma sustentável, com a segurança alimentar da população brasileira ainda é pouco conhecido e explorado”, completa Jean Paul Metzger, professor do departamento de ecologia da USP, conselheiro da SOS Mata Atlântica e um dos autores do estudo.

O estudo buscou preencher essa lacuna, identificando que o bioma responde por parte importante da produção agropecuária do Brasil e grande variedade de cultivos, segundo dados do Censo Agropecuário do IBGE de 2017:

• 52% da produção vegetal de alimentos de consumo direto (exceto milho, soja e cana);

• 30% da produção vegetal de não alimentos (fibras, látex e algodão);

• 43% da produção de soja, milho e cana-de-açúcar, culturas alimentares de consumo direto, indireto (ração de animais) e de energia;

• 56% da produção de alimentos de origem animal;

• 90% do café conilon, 90% do feijão preto, 76% da aveia, 68% do tomate de mesa, 97% da maçã, 63% dos ovos, 63% da banana, 61% da cebola, 54% da batata, 88% do brócolis, 86% do chuchu;

• 62% de cabeças animais (bovinos, ovinos, aves, suínos) do país, sendo 27% do rebanho bovino.

Portanto, seguindo sua tendência histórica, a Mata Atlântica permanece no Brasil contemporâneo como uma região fundamental para a agropecuária nacional. “Esse resultado é alcançado com uma área de uso agropecuário e emissões de gases de efeito estufa comparativamente menores que a do Cerrado, que se tornou o paradigma e referência da agropecuária nacional nas últimas décadas a partir do cultivo de monoculturas em larga escala e em grandes propriedades”, explica Luís Fernando Guedes Pinto.

A Mata Atlântica é capaz de contribuir enormemente para o enfrentamento das mudanças climáticas. A neutralidade das emissões de uso da terra no bioma pode ser alcançada com a produção sustentável e a oferta de alimentos saudáveis – com a combinação de algumas ações:

• O fim do desmatamento;

• O aumento da regeneração e da permanência das florestas regeneradas naturalmente;

• A restauração florestal de regiões com baixo potencial para regeneração natural;

• A ampliação de sistemas de produção agrícola de baixo carbono.

Há condições estruturais específicas que favorecem estas mudanças, como:

• A maior parte da população do Brasil (70%) se concentra nas áreas urbanas da Mata Atlântica), demandando, de forma crescente, serviços ecossistêmicos;

• A Mata Atlântica concentra 80% do PIB nacional, o que melhora as condições para o financiamento da restauração e a criação de mercados para os produtos da restauração;

• As tecnologias e a oferta de serviços ligados à restauração ecológica para a Mata Atlântica estão muito avançadas;

• Os principais centros consumidores de produtos agropecuários e alimentares estão na Mata Atlântica.

Por outro lado, regiões de estados do bioma como Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Espírito Santo estão entre as que têm maior proporção de estabelecimentos rurais que usam agrotóxicos.

“Fica pendente um entendimento se a principal região produtora de alimentos e com a maior diversidade de culturas do Brasil tem capacidade para superar a dependência dos agrotóxicos. Pode a Mata Atlântica realmente se transformar em uma região com um novo paradigma agroecológico e saudável, em escala e hegemônico, em substituição às tecnologias atuais?”, questiona Gerd Sparovek,  coordenador do Geolab (Esalq-USP), que também assina a pesquisa. “A resposta é sim, sem dúvida, mas, para isso, é necessária a retomada, o fortalecimento e a real implementação de políticas norteadoras, como Lei da Mata Atlântica, o Código Florestal, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), entre muitos outros, combinados a uma visão integrada e a coordenação de esforços para obtermos um sistema agroalimentar sustentável e saudável”, completa.

Acesse o estudo completo no site da SOS Mata Atlântica.

Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica é uma ONG ambiental brasileira que tem como missão inspirar a sociedade na defesa da Mata Atlântica. (ecodebate)

Córregos de USA estão secando

Mudança Climática – Os córregos dos EUA estão secando.

Estudo relata que a seca está ficando mais intensa em algumas partes dos Estados Unidos, um fenômeno que está estressando a política e a infraestrutura hídrica do país.
NASA lago mead.

Novas imagens da NASA mostram dimensão da seca nos EUA e impressionam.

O Lago Medow, que fornece água para cerca de 25 milhões de pessoas, está hoje no nível mais baixo desde que foi enchido, em 1937.

Por milênios, comunidades em toda a América do Norte se adaptaram ao fluxo e refluxo das vias navegáveis. A infraestrutura hídrica fornece reservatórios para épocas de seca e controle de enchentes para casos de dilúvio.

A seca é um modo de vida em algumas partes dos Estados Unidos, disse Jeffrey Mount, geomorfologista e membro sênior do Instituto de Políticas Públicas da Califórnia. “O que você se preocupa é se você está pegando uma tendência.” Mudanças de longo prazo no fluxo de água podem sinalizar uma mudança fundamental no clima, que os cientistas acreditam que a infraestrutura do país não foi projetada para durar.

Infelizmente, essa tendência está surgindo. Na primeira imagem abrangente do fluxo nos Estados Unidos, os cientistas relataram que os córregos no sul e no oeste ficaram mais secos nos últimos 70 anos. Embora não seja surpreendente para muitos, o resultado é preocupante. A descoberta foi publicada na revista Water Resources Research.

O que é uma seca, afinal?

“Há muitos sabores de seca”, disse Adam Ward, hidrólogo da Oregon State University que não esteve envolvido no estudo. Condições de córrego anormalmente secos, um fenômeno coletivo denominado seca de córrego, tendem a seguir secas meteorológicas prolongadas, que são provocadas pela falta de precipitação; a duração da defasagem depende de fatores como o tamanho da bacia.

Evidências anteriores e dados empíricos de alguns locais mostraram que as secas de fluxo de água ficaram mais severas nas últimas décadas.

As partes interessadas definem a seca de vazões de forma diferente, muitas vezes considerando fluxos médios diários, sazonais ou de longo prazo. No entanto, uma barcaça que atravessa o rio Mississippi não se importa com a época do ano, apenas se há água fluindo suficiente, disse John Hammond, hidrólogo do US Geological Survey (USGS) e principal autor do novo estudo de fluxo.

Fotos da NASA mostram efeito devastador da seca na Califórnia.

Os dois maiores reservatórios de água do estado americano sofrem os efeitos da pior estiagem em meio século, agravada pelas mudanças climáticas.

No novo estudo, os pesquisadores analisaram as medições de fluxo entre 1921 e 2020, obtidas de medidores do USGS em 555 bacias hidrográficas em todo o território continental dos Estados Unidos. Para revelar quaisquer mudanças de longo prazo decorrentes apenas de mudanças no clima, o grupo concentrou-se em córregos sem barragens ou outros sistemas de gestão. Os pesquisadores avaliaram o histórico de seca nesses córregos, considerando vários limites de vazões médias fixas de longo prazo e médias sazonais variáveis.

Os dados mostraram que no Sul e no Oeste as secas de vazões se prolongaram entre 1951 e 2020, independentemente do limiar. Pior ainda, as secas nessas regiões estão se tornando mais intensas. “[Recentes] secas fizeram com que houvesse muito mais água faltando no sistema”, disse Hammond. Por 1ª publicação outro lado, as secas de vazões geralmente ficaram mais curtas e menos intensas no leste e no norte. Essas tendências acompanham o aumento da aridez no oeste, sinalizando que, à medida que o clima continua a secar, a seca do fluxo de água piorará.

A escala do estudo “nos ajuda a ver que o futuro de New Hampshire e o futuro de Sacramento podem ser muito diferentes”, disse Ward. “Isso nos ajuda a entender por que a EPA e o Corpo de Engenheiros [de Engenheiros] têm regiões em vez de políticas de tamanho único”.

Os resultados são úteis para os formuladores de políticas porque confirmam que há uma tendência de longo prazo na seca, disse Mount, que não esteve envolvido no estudo. “A questão maior é: você pode usar isso para ajudá-lo a desenvolver uma política que se adapte a essas condições em mudança?”

Dia do Julgamento

O estudo destacou que a compreensão das tendências climáticas gerais é fundamental para o desenvolvimento de uma política hídrica sólida. “As implicações de mudar o fluxo de fluxo vão se espalhar por algumas de nossas regulamentações de uma forma que não necessariamente apreciamos”, disse Ward.

A mudança climática está forçando os Estados Unidos a avaliar o escopo e a eficácia da Lei da Água Limpa, por exemplo. Batalhas legais (incluindo uma próxima decisão da Suprema Corte) foram travadas sobre o ato por 50 anos, com alguns formuladores de políticas questionando “o que significa contar como uma hidrovia?” disse Ward.

“Quando você tem secas mais frequentes, os cursos d’água passam de fluir o tempo todo para fluir às vezes”, explicou Ward, uma situação que leva a uma área cinzenta sobre quais recursos devem ser protegidos por uma lei escrita para tratar dos rios – em outras palavras, o que conta como hidrovia. Por fim, disse Ward, “nenhuma de nossas regulamentações está configurada para alterar os fluxos de fluxo”.

“Acho que estamos aqui em um dia de ajuste de contas sobre a política de seca”, disse Mount. Muitos dos principais projetos e políticas de infraestrutura hídrica do país datam de um século, quando o clima e a vazão eram muito diferentes.

“Tudo isso precisa ser repensado”, disse Mount.

—Jennifer Schmidt (@DrJenGEO), escritora científica.

Frações de seca (mediana (a e d), média (b e e) e máxima (c e f) déficit anual pela mediana da produção anual de água) para as abordagens de limite variável e fixo para o período 1981–2020. Também são fornecidos números semelhantes para a duração da seca. (ecodebate)

sábado, 3 de dezembro de 2022

Impactos das mudanças climáticas são evidentes nos recursos hídricos

“Não há tempo a perder. Agora é a hora de levar a sério a água como um imperativo para a ação climática”, de acordo com uma declaração conjunta de um eminente painel de líderes de água e clima nas negociações climáticas da ONU, COP27.

A declaração insta os chefes de Estado e de governo a adotarem ações mais integradas sobre água e clima para substituir a abordagem fragmentada existente, onde a água é muitas vezes vista como um problema, pois a água é “parte da solução” para alcançar as metas do Acordo de Paris.

Ele diz que uma melhor gestão dos recursos hídricos teria vários benefícios, inclusive reduzindo desastres relacionados à água, fortalecendo a adaptação e a resiliência climática e ajudando a reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

O desafio é urgente porque os impactos das mudanças climáticas são muitas vezes sentidos através da água.

“À medida que a atmosfera passa um grau de aquecimento acima dos níveis pré-industriais, o nível do mar sobe e a criosfera derrete, os efeitos das mudanças climáticas estão sendo sentidos como nunca antes. As inundações resultantes, ondas de calor, secas, tempestades e aumento do nível do mar em todo o mundo piorarão progressivamente à medida que o aquecimento continuar em direção a 1,5°C e além”, diz o comunicado. Foi emitido pouco antes da mesa redonda de alto nível sobre Segurança Hídrica durante a Cúpula de Líderes na COP27. A presidência egípcia fez da água uma prioridade das negociações em Sharm El Sheikh.

Atualmente, 3,6 bilhões de pessoas enfrentam acesso inadequado à água pelo menos um mês por ano e espera-se que isso aumente para mais de 5 bilhões até 2050. Entre 2001 e 2018, a ONU-Água informou que 74% de todos os desastres naturais são relacionados à água (ou seja, inundações e secas. Os perigos relacionados com a água são, portanto, uma parte importante da nova iniciativa para alcançar Avisos Antecipados para Todos nos próximos cinco anos.

Os Líderes da Água e do Clima são um painel eminente de 18 decisores e formuladores de políticas de alto nível, que fornece orientação estratégica sobre a integração das agendas de água e clima e lidera uma coalizão internacional liderada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e nove agências da ONU, a Parceria Global da Água.

Emomali Rahmon, Presidente da República do Tajiquistão é um dos líderes. Mais de 1.000 das 14.000 geleiras do país derreteram completamente. O volume total das geleiras do Tajiquistão, que representam mais de 60% dos recursos hídricos da região da Ásia Central, diminuiu em quase um terço.

Hani Sewilam, Ministro de Recursos Hídricos e Irrigação, do Egito, representa uma nação frequentemente confrontada com o estresse hídrico e cuja força vital é o Nilo. África é particularmente vulnerável aos perigos e escassez relacionados com a água.

O grupo Water and Climate Leaders inclui também o ex-presidente da República das Ilhas Marshall, ex-primeiros-ministros da República do Togo e da República da Coreia, bem como representantes de alto nível de entidades da ONU, sociedade civil, setor, e um jovem enviado.

Os Líderes enfatizaram que uma melhor gestão dos recursos hídricos é vital e traria inúmeros benefícios:

Reduzir os riscos de desastres induzidos pelo clima. Os sistemas de monitoramento e previsão hidro meteorológica fornecem alerta precoce de inundações, secas e outros perigos. Uma melhor gestão de zonas húmidas, barragens e outros reservatórios de água, com salvaguardas adequadas, oferece opções para medidas de precaução e respostas de emergência quando tais eventos ocorrem.

“Pedimos que você priorize sistemas de alerta precoce para inundações, secas e outros perigos relacionados à água, bem como otimize o armazenamento de água … em suas estratégias de redução de risco de desastres”, disse o comunicado.

Reforçar a resiliência e a segurança das alterações climáticas. A água bem gerida contribui para os direitos humanos e meios de subsistência, desenvolvimento económico, redução da pobreza, criação de emprego, saúde pública, igualdade de género e manutenção da biodiversidade. Uma estrutura regulatória de apoio que promova a inovação, inclusive pelo setor privado, e facilite a cooperação público-privada sobre a água pode desempenhar um papel fundamental. No caso das bacias hidrográficas transfronteiriças, a gestão cooperativa da água promove a harmonia e a cooperação transfronteiriças. A conservação e gestão dos ecossistemas relacionados com a água desempenha um papel crítico.

“Pedimos que você leve em consideração a disponibilidade atual e futura de água doce, no contexto da demanda crescente, alocando água para diferentes setores e atendendo às suas prioridades sociais e ambientais e suas medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas”, disseram os líderes.

Redução de emissões. A água é essencial para reduzir as emissões e capturar carbono. A água é uma matéria-prima necessária para a produção de hidrogênio e para o cultivo de plantas para biocombustíveis. A energia hidrelétrica bem planejada pode fornecer energia limpa em muitos locais, equilibrando-se com outras necessidades de água e minimizando os impactos sociais e ambientais. A energia solar e eólica pode ser estabilizada através da gestão da água. Efluentes e outras águas residuais bem administrados permitem a reutilização e reduzem as emissões de metano e óxido nitroso, assim como a água bem administrada em arrozais e outros sistemas de irrigação, pântanos e reservatórios.

Os provedores de serviços de água também podem melhorar sua eficiência hídrica e energética, reduzir sua dependência de combustíveis fósseis para o tratamento e distribuição de água, e a infraestrutura de bombeamento, dessalinização e captação de água de baixa emissão pode ser promovida.

“Pedimos que você reconheça a importante contribuição que a água pode dar para a mitigação e adaptação climática e enfatize isso e a importância de proteger, conservar e restaurar a água e os ecossistemas relacionados à água no documento final negociado para a COP27”, disse o comunicado.

Para alcançar esses benefícios, os governos precisam de políticas, conhecimentos e ferramentas eficazes para gerenciar a água para múltiplos objetivos no clima em rápida mudança. Os Líderes de Água e Clima concordaram que um Plano de Ação para uma Agenda Integrada de Água e Clima propõe um caminho global para alcançar isso.

Hoje, 60% dos Estados Membros da Organização Meteorológica Mundial relatam capacidades em declínio no monitoramento hidrológico e, portanto, no fornecimento de apoio à decisão no nexo de água, alimentos e energia. Mais de 50% dos países em todo o mundo não possuem um sistema de gestão de qualidade para seus dados relacionados à água. Apenas cerca de 40% dos países em todo o mundo têm bons sistemas de alerta precoce de enchentes e secas operacionais.

A OMM publicará o primeiro relatório anual do estado da água ainda este ano, para aumentar a compreensão dos recursos hídricos e a necessidade de uma melhor gestão da água.

Incluirá informações sobre vazão, armazenamento de água, eventos hidrológicos de alto impacto e estado das geleiras. (ecodebate)

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