quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sexta extinção em massa

Sexta extinção em massa: 75% das espécies do planeta vão desaparecer?
Sabemos que a interferência humana levou à extinção milhares de espécies na última centena de anos. A escala da redução de populações de espécies é generalizada e muito grande, chegando a atingir cerca de vinte milhões de animais selvagens mortos por ano, apenas em regiões como a África Central. Ao que tudo indica, as principais causas de risco são a perda ou a fragmentação dos habitats, sendo que a caça também é um grande contribuidor, uma vez que a abundância das populações é em torno de trinta vezes menor nessas áreas do que em áreas de preservação. Esse panorama leva à pergunta “a interferência humana atual culminará no sexto evento de extinção em massa?” discutida no artigo intitulado “A sexta extinção em massa já começou?” na revista Nature (471, 51-57).
Tendo em mente o caráter gradual desses eventos, os pesquisadores analisaram o tempo necessário para alcançarmos a destruição de 75% da diversidade biológica existente no planeta, tomando como base as taxas de extinções conhecidas na última centena de anos e o número de espécies ameaçadas atualmente. As conclusões alarmantes indicam que alcançaríamos a sexta grande extinção entre trezentos e onze mil anos.
Embora longa em uma escala antropocêntrica, essa escala temporal é extremamente curta comparada com a escala de extinções dos outros eventos catastróficos, estimadas em centenas de milhares de anos ou mais. “Isto enfatiza que as taxas de extinções atuais são maiores que aquelas que causaram as grandes cinco extinções”, comentam os autores. De fato, as taxas de extinções atuais são comparáveis ou maiores que aquelas observadas nos outros cinco eventos catastróficos.
Apenas cinco eventos de “extinção em massa” – definidos como situações nas quais 75 % das espécies foram extintas – foram identificados na história do planeta. Entretanto, “de quatro bilhões de espécies que estima-se que a Terra tenha apresentado nos últimos 3,5 bilhões de anos, 99% não existem mais. Isso mostra que as extinções são muito comuns, mas este fenômeno é compensado pela especiação (processo evolutivo pelo qual as espécies se formam)”, ressaltam os cientistas no artigo.
O evento mais conhecido de extinção é o ocorrido no período Cretáceo (há 65 milhões de anos), que levou ao extermínio dos dinossauros. Esse evento foi causado, provavelmente, pela colisão de um grande meteoro com nosso planeta, culminando na redução da diversidade biológica e em um evento de extinção.
Apesar do caráter pontual deste exemplo específico, os autores do trabalho apontam que em todos os eventos de extinção em massa a sinergia de diversos fatores induz a uma redução dramática do número de espécies ao longo de milhões de anos. Entre eles, são citadas a dinâmica climáticas incomuns, mudanças da composição atmosférica e pressões ecológicas que afetam negativamente linhagens.
No trabalho, os autores afirmam que há diversas dificuldades intrínsecas a essas comparações. Por exemplo, a falta de informação paleontológica de extinção em diferentes biomas, as diferenças de classificação/identificação de espécies por fósseis e o desconhecimento do número de espécies existentes. Mesmo assim, as estimativas mais otimistas (maiores taxas de extinção no passado e menores no presente) mostram que o cenário é preocupante. Desta forma, pesquisa em alguns pontos é fundamental para aprimorar nosso entendimento destes eventos:
1) qual a chance de espécies ameaçadas se extinguirem?
2) as taxas atuais crescerão ou diminuirão?
3) qual é a confiabilidade das estimativas realizadas com base em dados paleontológicos.
A elaboração desse estudo chama a atenção pela análise rigorosa de dados disponíveis que aponta uma caminhada acelerada em direção à redução drástica da biodiversidade do planeta e, neste sentido aponta a importância do desenvolvimento de métodos e técnicas para a reversão desse quadro e, de forma que estes mecanismos possam adquirir o status de políticas públicas de desenvolvimento e preservação. (EcoDebate)

A Teoria do Caos e o Meio Ambiente

A gente imagina que caos é anarquia, falta de organização, algo assim. Mas a teoria do caos, conforme proposta de JAMES GLEICK (Caos, criação de uma nova ciência, Rio de Janeiro, Campus, 1989), tem outra conceituação. Os sistemas naturais apresentam mudanças significativas na maneira como funcionam mesmo quando permanecem dentro do mesmo padrão global, de forma que certas fronteiras críticas que definem este padrão não podem ser transpostas sem que este equilíbrio seja ameaçado.
Traduzindo para exemplos simples e de fácil compreensão poderíamos dizer que é a gota de água que transborda o copo, ou de como a movimentação das asas de uma borboleta em Pequim, altera a condição dos ventos em Cuiabá. Coisas que aparentemente não tem nenhum sentido, mas estão relacionadas por equilíbrios frágeis e complexos.
Tem fatos naturais que não guardam as mesmas leis de organização que estamos acostumados a saber, não tem geometria, não são passíveis de descrições por algoritmos matemáticos lineares ou logarítmicos, mas nem por isso deixam de existir. São as chamadas ordens naturais não-lineares ou fractais ou nem compreendidas.
Na análise dos impactos ambientais existem vinculações com o espaço, o tempo e a ciclicidade. Isto implica interação com o equilíbrio endógeno (interno) e exógeno (externo). É como quando alguém adoece. Uma dor de estomago atrapalha muito qualquer outra atividade e interfere no conjunto da saúde.
Nesta paisagem ocorre de forma indiscutível, a intervenção da questão política como cenário de fundo para muito, ou quase tudo que ocorre no planeta.
Existem relações ainda não completamente descritas entre várias ocorrências da civilização, com fatores de clima, condições naturais ou interferências antrópicas, que desequilibram o meio natural. Podem se citar exemplos bem prosaicos e ao nosso alcance, como as monoculturas e as ações históricas dela decorrentes. Que tornam os ecossistemas muito vulneráveis ou frágeis.
De fato, muitas das conexões demonstradas tiveram consequências registradas e demonstradas sobre eventos históricos, mas não é possível afirmar que a abordagem reducionista aplicada, limitando os fatores para explicar os fatos, possa resistir a análises mais completas.
Complexidade é isto, são inúmeros fatores, geralmente muito além do que a gente possa citar ou analisar e que estão envolvidos com a ocorrência. Todo mundo associa a gordura com os níveis de colesterol, e está certo. Mas não é o único fator, tem sedentarismo, e vários outros itens que a medicina cita.
Conseguir vincular todos os itens relevantes e as relações entre eles numa análise de impacto ambiental é um grande desafio, bastante difícil de atingir mesmo que se tenha extrema boa vontade.
Na visão de mundo apresentada por várias religiões orientais antigas, é destacada a experiência de viver a unidade em um corpo integrado física e mentalmente, vale dizer emocionalmente. O mesmo pode ser dito para a maioria das intervenções antrópicas sobre o meio natural. Deve resguardar sua unidade tanto fisiológica quanto funcional.
Para estas escolas do pensamento humano, enquanto a sociedade humana viver dicotomias que precipitam comportamentos desintegrados, a vida será entendida como um processo de aquisições sem compromisso. E sabemos que não é assim, talvez nossa maior festividade seja o compromisso celebrado quando um homem e uma mulher casam. Talvez tenha que ser assim com o mundo um dia.
Apenas a sensação de integração entre a vida e os sentimentos que são criados ou propagados pelas vivências é que poderão transformar o prazer de ter no prazer de ser, conforme já amplamente demonstrado por CRISTOPHER LASCH em 1986, no seu livro “The minimal self” (O mínimo eu).
O aprofundamento desta discussão talvez possa ser resumido na conscientização de que novos paradigmas geram novas formas de visão e abordagem. Deste processo resultam novos valores éticos e humanos que vão se tornar relevantes em todas as dimensões da vida. (EcoDebate)

Desenvolvimento e o meio ambiente

Meio ambiente e desenvolvimento, a primeira vista soam como palavras antagônicas, mas aos olhos de especialistas podem compor uma melodia, quase perfeita. Para alguns, existem saídas como o desenvolvimento sustentável imposto pela consciência ambiental e formas alternativas de apropriação, que podem auxiliar no processo de desenvolvimento sustentável.
É natural que ao pensarmos nestas duas palavrinhas nos venha à mente um palavrão, no seu sentido denotativo e não figurado: a Amazônia. Palavrão? “Sua área de 7.000.000 km² compreende 42% do território nacional, está localizada em dois hemisférios com 3 fusos horários, contém o maior banco genético do planeta, creio que o melhor adjetivo empregue é mesmo a palavra grande”, afirma Ariovaldo Umbelino de Oliveira, professor e pesquisador de geografia da Universidade de São Paulo.
Ao falar sobre a Amazônia, abordamos também diversas questões, como por exemplo, florestas, agricultura, biodiversidade e terras. Tendo em vista o meio ambiente e o desenvolvimento, para o agrônomo e pesquisador Warwick Manfrinato, existem algumas alternativas que podem ser encontradas para as grandes extensões territoriais e para as florestas na região da Amazônia, como por exemplo, um correto plano de manejo e a fazenda florestal apoiada em REDD.
Mas o que é um plano de manejo?
De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) “plano de manejo é um projeto dinâmico que determina o zoneamento de uma unidade de conservação, caracterizando cada uma de suas zonas e propondo seu desenvolvimento físico, de acordo com suas finalidades”.
Já a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), parte da idéia de incluir na contabilidade das emissões de gases de efeito estufa aquelas que são evitadas pela redução do desmatamento e a degradação florestal.
Segundo o REDD, os países em desenvolvimento detentores de florestas tropicais, que conseguissem promover reduções das suas emissões nacionais oriundas de desmatamento receberiam compensação financeira internacional correspondente às emissões evitadas.
Mesmo com estas duas atitudes favoráveis e compensatórias, Manfrinato aponta que outras posturas também devem ser adotadas. “A orientação de recursos financeiros advindos dos ganhos sobre o comércio de carbono devem ser direcionados aos povos indígenas, às populações extrativistas e os produtores rurais das regiões amazônicas, e a inclusão de temas relacionados às florestas e a madeira, nas negociações sobre mecanismos econômicos, também devem ser feitos”.
Já, para o mestre em planejamento ambiental, José Pedro de Oliveira Costa, uma forma de equilibrar os dois conceitos, desenvolvimento e meio ambiente, é um dos princípios do equilíbrio sustentável, que é a preservação. “É necessário para a nossa sobrevivência na terra que 1/3 das áreas sejam designadas para proteção integral, 1/3 para áreas de uso sustentável e o restante para uso extensivo, que é o que existe hoje na Amazônia”.
Meio ambiente e o desenvolvimento também interferem na cultura e no modo de vida dos povos da Amazônia. Para o general do Exército Brasileiro, Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, a preservação a qualquer custo já virou ideologia. “Muitos dos ambientalistas e ONG’s trabalham com ideologias. E o problema das ideologias é que elas perdem o foco da realidade. Dizem que a diferença entre o comunismo soviético para o comunismo chinês é o pragmatismo chinês. Na União Soviética quando a realidade não estava de acordo com a ideologia mudavam a realidade, na China os chineses mudam a ideologia” e acrescenta ainda que “nós corremos o risco em que a ideologia prevaleça sobre a realidade”.
O equilíbrio entre a garantia da sustentabilidade e o não esgotamento de recursos naturais não deve prejudicar o bem estar, o desenvolvimento e a vida das populações, é o que garante o militar.
Concordando com o general, Eduardo Goes Neves que é arqueólogo especialista em estudos etnoarqueológicos e professor do Museu de Arqueologia da Universidade de São Paulo, indaga: “como dizer para as pessoas na Amazônia que não se pode construir pontes ou estradas em prol da preservação ambiental? Eles também precisam de desenvolvimento e de acesso”.
Ainda sob este mesmo raciocínio, Villas Bôas expõe um episódio, que segundo ele é corriqueiro. “Alguns indígenas, e não são poucos, querem sair das aldeias, estudar, ter acesso a tecnologia, comer coisas diferentes e trabalhar de maneira diferente da sua realidade, deve-se estabelecer a etnia deles e designar a cultura indígena como intocável como prevê a constituição?”
Para isto Manfrinato acrescenta que o desenvolvimento atrelado a preservação social, cultural e ambiental pode ser feito sem prejuízo de valores e sem exageros contra o meio ambiente. “Cabe a colaboração para uma divisão comum das potencialidades dos recursos naturais, sejam eles financeiros ou de preservação, não devem ser direcionados a alguns proprietários, afinal a Amazônia é da sociedade e não de poucos”. (EcoDebate)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

"Desaguamento" de lodos

O tratamento das águas residuárias, sejam de origem doméstica ou sejam de origem industrial, sempre produz resíduos sólidos que se denominam “lodos’. Estes lodos devem sofrer processos de “desaguamento” ou retirada do excesso de água para serem destinados para aterros de resíduos de classe I ou classe IIA, dependendo do tipo de origem do lodo e do tipo de tratamento que sofre.
O desaguamento posterior dos lodos geralmente é necessário, sendo executado após o adensamento, sendo realizado de forma mais comum usando um dos seguintes métodos:
1) Leitos de Secagem: são muito utilizados em pequenas e médias instalações industriais, por seu baixo custo, e para efeitos de compreensão, poderia ser comparado com uma cancha de bocha coberta, onde se colocam os lodos das estações de tratamento, para reduzir sua quantidade de água por evapotranspiração. A cobertura obviamente visa impedir que as águas pluviais aumentem o tempo de secagem. É aconselhável no fundo a presença de uma camada drenante de areia e brita, que acelera os processos de secagem e desidratação do material que posteriormente será destinado a um aterro sanitário adequado e compatível com a natureza do resíduo existente;
2) Filtros-prensa: denominados “Belt-Press”, com vários modelos (esteiras ou placas), são equipamentos mecanizados que prensam os lodos, acelerando os processos de perda de água e devendo ser fabricados e dimensionados de acordo com as características dos lodos a serem tratados, para sua maior e melhor eficiência; são muito frequentemente utilizados em instalações industriais de qualquer porte;
Lagoas de Lodo: são tanques destinados a receber lodo para posterior desidratação, tem baixo custo, sendo preferidos em relação aos processos anteriores, desde que haja espaço para sua instalação. Geralmente são construídos em duas células, para melhor operação do sistema, enquanto numa é retirado lodo já seco a outra recebe efluentes em sistema alternado. Tem o inconveniente da exalação de odores e a proliferação de mosquitos, o que dificulta sua adoção próximo a sítios urbanizados ou com vizinhança, com o dimensionamento em função do volume de tempo de operação, geralmente de 1 a 2 anos;
3) “Landfarming”: que literalmente quer dizer “terra de fazenda” e que consiste em dispoção dos lodos ou tortas em horizontes superiores de solos, geralmente denominado por agrônomos e especialistas em solo de horizonte “A” ou camada superficial. Os lodos deverão ser incorporados aos solos, desde que estejam asseguradas condições não ocorrerem contaminações aos lençóis freáticos ou subterrâneos. Estes métodos de incorporação natural são cada vez mais utilizados.
Processos com tratamentos químicos específicos já foram desenvolvidos para recuperação de Cromo em efluentes de curtumes, oxidação de sulfetos, oxidação de cianetos, redução do cromo hexavalente, neutralização de efluentes ácidos ou alcalinos e remoção de metais pesados.
Os lodos sempre constituem a parte sólida que resulta dos processos de tratamento físico-químico ou até mesmo biológico das águas e devem ser destinados de forma adequada para aterros sanitários ou processos de incorporação aos solos sempre que forem garantidas as condições de não gerar contaminações em água superficiais, subterrâneas ou nos próprios solos. (EcoDebate)

Brasil tem 4% de recursos hídricos com qualidade

Brasil tem só 4% de recursos hídricos com qualidade ótima, segundo relatório da ANA
Com 12% da oferta de água do planeta, o Brasil tem apenas 4% de seus recursos hídricos com qualidade considerada ótima, percentual que caiu seis pontos de 2008 para 2009. Segundo avaliação do “Informe 2011 da Conjuntura dos Recursos Hídricos do Brasil“, divulgado ontem pela Agência Nacional de Águas (ANA), cem rios estão em situação ruim ou péssima.
Para avaliar o índice de qualidade da água, a agência usa nove parâmetros, que levam em conta principalmente a contaminação dos rios pelo lançamento de esgoto. Essa centena de rios em situação precária não consegue depurar naturalmente a quantidade de resíduos que vêm recebendo. Embora o governo argumente que está fazendo investimentos em políticas públicas de saneamento, mais da metade das cidades do país – 2.926 municípios – não tem tratamento de esgoto. O relatório aponta que em 2009 foram investidos R$21,4 bilhões em saneamento e gestão da água, sendo R$13,2 bilhões em obras de tratamento de esgoto.
A água de pior qualidade se concentra perto das regiões metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador e das cidades de médio porte, como Campinas (SP) e Juiz de Fora (MG). Entre os rios cuja água é de péssima ou má qualidade, estão o Tietê, que corta a capital paulista, o Iguaçu, que forma as famosas Cataratas do Iguaçu, e o Guandu-Mirim, no Rio – os dois últimos ficam dentro de unidades de conservação, o Parque Nacional do Iguaçu e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Guandu, respectivamente.
Entre 2008 e 2009, a água de qualidade péssima no país se manteve em 2%; a ruim aumentou de 6% para 7%; a regular passou de 12% para 16% e a boa subiu de 70% para 71%. Nesse período, o número de pontos monitorados caiu de 1.812 para 1.747. O superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos da agência, Ney Maranhão, mostrou-se satisfeito com os resultados do estudo.
- Temos 90,6% dos rios num estado satisfatório de qualidade e de disponibilidade (quantidade de água). Apenas 2% não apresentam resultado satisfatório – avaliou Maranhão, que coordenou o trabalho.
Estresse hídrico e agricultura – Maranhão ressaltou que as políticas públicas têm sido direcionadas para as bacias que estão em situação crítica, seja por apresentarem baixa disponibilidade ou qualidade de água. A maior parte dos rios e bacias com problema de oferta de água se encontra no Nordeste.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que, no futuro, o estresse hídrico (falta de água em algumas regiões do país) vai impactar na agricultura. Ao todo, 69% dos recursos consumidos pela população são usados em irrigação. Izabella aproveitou a ocasião para mandar um recado ao Congresso, onde tramita a reforma do Código Florestal.
- Quando estamos discutindo Código Florestal, não falamos apenas do uso do solo. Estamos falando de recursos hídricos e qualidade de vida. O relatório traz com muita propriedade o estresse hídrico com perda de mata ciliar (vegetação nativa às margens dos rios). Onde se desmata mata ciliar, há comprometimento dos recursos hídricos – afirmou a ministra.
O levantamento da ANA também levou em conta o problema das mudanças climáticas, responsáveis por eventos naturais extremos em datas diferentes no ano passado: a estiagem na Amazônia; as enchentes em Alagoas, Pernambuco e em Minas Gerais; as cheias no Rio, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Um exemplo do agravamento dessa situação: em 2006, foram registradas 135 situações de emergência ou de calamidade pública por conta de fortes chuvas. Em 2010, esse número de ocorrências subiu para 601. No total, quase 10% das cidades brasileiras – 563 municípios – decretaram situação de emergência devido a enchentes, inundações, enxurradas e alagamentos.
No caso das secas, houve uma inversão: 2010 registrou menos casos de emergência (583) do que 2006 (914). Entre 2009 e 2010 houve diminuição de 20,8% no nível dos reservatórios de água construídos no Nordeste para combater estiagens. (EcoDebate)

Qualidade da água de rios próximos a metrópoles

Qualidade da água de rios próximos de regiões metropolitanas é ruim ou péssima, segundo relatório da ANA
Relatório divulgado hoje pela Agência Nacional de Águas diz que a maioria dos rios, lagoas e reservatórios com água em condições de qualidade ruim ou péssima fica perto de regiões metropolitanas. “Essa condição está associada principalmente ao lançamento de esgotos domésticos”, constata o relatório
A maioria dos rios, lagoas e reservatórios com água em condições de qualidade ruim ou péssima está próxima a regiões metropolitanas. O diagnóstico está no relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil – Informe 2011, divulgado em 19/o7/11 pela Agência Nacional de Águas (ANA).
De acordo com dados coletados em 2009, a maior parte dos corpos d’água com Índice de Qualidade da Água (IQA) péssimo ou ruim fica nas proximidades das regiões metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de Salvador e de cidades de médio porte, como Campinas (SP) e Juiz de Fora (MG). “Essa condição está associada principalmente aos lançamentos de esgotos domésticos”, constata o relatório.
Dos 1.747 pontos monitorados em 17 estados, 2% têm condições péssimas e 7%, condições ruins. A avaliação é feita com base em nove parâmetros, que refletem principalmente a contaminação por esgoto doméstico. Entre 2008 e 2009, percentual de pontos com índice de qualidade considerada ótima caiu de 10% para 4%.
No geral, o cenário se manteve estável: em 2008, 70% de pontos tinham condições boas, em 2009 o percentual foi 71%. “O diagnóstico dos pontos monitorados revela a manutenção do quadro geral do país, com várias bacias comprometidas devido ao grande lançamento de esgotos urbanos domésticos”, aponta o estudo.
Apesar da concentração da água de má qualidade nas bacias próximas a grandes centros urbanos, a ANA considera que houve avanços pontuais em alguns casos, diretamente ligados a investimentos em saneamento e tratamento de esgoto.
“Há uma clara associação entre investimentos em tratamento de esgotos e melhoria da qualidade da água. É necessário continuar fazendo investimento nesse setor”, avalia Alexandre Lima Figueiredo, da Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos da agência.
De acordo com o levantamento, houve melhoria no IQA nas bacias do Rio das Velhas e do Rio Paraíba do Sul, além das dos rios Piracicaba, Sorocaba e Grande.
Segundo o estudo, entre 2005 e 2009 houve aumento dos repasses para o tratamento de esgoto, principalmente por meio do chamado PAC do Saneamento. No entanto, apesar do crescimento da receita para o setor, os R$13,2 bilhões executados em projetos de saneamento em 2009 representam menos de 60% do total necessário para solucionar os problemas.
“As políticas de saneamento estão dando resultados na melhoria de qualidade de água, mas ainda temos grandes investimentos a fazer”, disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
Ela chamou a atenção para outro número do relatório da ANA: o percentual de água utilizado para irrigação. Os números mostram que 69% do recursos hídricos em uso no país vão para as lavouras e pastos. “E mais de 90% disso vão para o setor privado. Temos que ver se essas áreas de irrigação estão em áreas vulneráveis de oferta de recursos hídricos no futuro para que se possa assegurar a produção agrícola com oferta de água ou se será preciso redirecioná-las.”
A ministra ainda vinculou o futuro dos recursos hídricos à discussão do novo Código Florestal, que está sob avaliação do Senado. “Não estamos discutindo somente regularização do uso do solo [no Código Florestal], mas também a qualidade de vida e disponibilidade de recursos hídricos”, disse, ao relacionar a preservação de matas ciliares à garantia de disponibilidade de água. (EcoDebate)

Tratamentos físico-químicos de água

Os tratamentos físico-químicos de água são divididos em uma série de procedimentos, denominados de processos unitários, cujos principais podem ser assim resumidos:
1. Peneiramento: tem por finalidade remover os materiais sólidos suspensos nas águas residuárias, em geral os materiais com granulometrias superiores a 0,25mm; existem peneiras estáticas onde os efluentes fluem na parte superior, passando por uma tela onde os materiais grosseiros são recolhidos e seguindo para as demais fases do tratamento; outro tipo são as peneiras rotativas onde o efluente passa por um defletor, alcança a peneira, atravessa por fendas, sendo recolhido na parte inferior, sendo os materiais sólidos removidos por uma lâmina raspadora e enviados para um vaso coletor;
2. Resfriamento: destina-se a resfriar os efluentes para não prejudicar os processos de floculação ou solubilização posteriores, pois efluentes como os da indústria têxtil são muito quentes; outro motivo é a legislação federal que determina limite máximo de 40ºC para lançamentos de efluentes em corpos de água. Para o resfriamento de água são utilizados tanques de equalização para pequenas bateladas e torres de resfriamento e pulverização de ar para quantidades maiores;
3. Gradeamento: em geral se associam ao peneiramento, mas são refinamentos na remoção de sólidos que visam impedir que materiais sólidos produzam danos em sistemas de bombas, registros, válvulas de retenção, tubulações e outros equipamentos; são empregadas grades simples, estes dimensionamentos podem ser encontrados em Nunes, 1993 e em bibliografias clássicas como Imhoff e Imhoff, 1986;
4. Desaneração: as caixas de retenção de areia tem como objetivo principal reter as substâncias inertes, como areias e sólidos minerais sedimentáveis, originários de águas residuárias, que provem da lavagem de frutas, pisos ou esgotos sanitários. Por exemplo, é muito importante a remoção destas partículas sólidas para a proteção de bombas, válvulas de retenção, registros e canalizações, evitando entupimentos e abrasão;
5. Retenção de Gordura: as caixas retentoras de gordura são destinadas a reterem os materiais que sofrem flotação natural e são muito utilizadas em estações de tratamento de águas residuárias de frigoríficos, curtumes, laticínios, matadouros, etc. Com frequência, em matadouros e curtumes a gordura recuperada tem valor comercial. A caixa deve permitir manutenção do líquido em condições de estabilidade para que as partículas a serem removidas percorram desde o fundo até a superfície líquida, em geral em tempo de detenção de 3 a 5 minutos (Nunes, 1993);
6. Retenção de Óleo: são utilizadas caixas de separação água/óleo, cuja principal função é a remoção de óleo das águas residuárias provenientes de postos de lavagem e lubrificação de veículos, oficinas mecânicas, etc. Utilizam o mesmo princípio das caixas retentoras de gordura, pois o óleo tem densidade menor que a água e tende a flotar, permanecendo na superfície líquida e sendo removido;
7. Equalização: é a denominação de um processo que tem como principal finalidade regular a vazão do efluente que está sendo tratado, pois nos restantes processos o volume deve ser constante com o efluente homogeneizado e tornando uniformes os valores de pH, temperatura, turbidez, sólidos, DBO e DQO, cor, etc. Para obtenção da equalização deve ser mantido um volume mínimo de tanque, denominado profundidade “morta”, não inferior a 30% do volume útil do tanque. Desta forma estão protegidas bombas, fazendo com que não funcionem a seco; o nível mínimo é controlado automaticamente com a instalação de boia conectada com a bomba, que desliga quando o nível desejado for atingido;
8. Correção do pH: a correção de pH deve ser realizada para manutenção da eficiência dos processos de tratamento; efluentes têxteis são alcalinos e necessitam adição de acidificantes, como ácido sulfúrico e gás carbônico, para evitar que águas com elevada dureza gerem incrustações e deposições em canalizações causando danos às estações. Ao contrário, efluentes com pH ácido devem sofrer adição de cal ou outro agente basificante para manutenção da eficácia dos procedimentos;
9. Mistura Rápida: as adições de coagulante para mistura junto aos efluentes objetivando o tratamento, provocam hidrolisação, que é a reação com os álcalis, formando hidróxidos que são denominados “gel” produzindo íons positivos na solução. Estes corpos poderão provocar desestabilização das cargas negativas dos coloides, reduzindo os materiais ao ponto isoelétrico e permitindo com a aglomeração das partículas, a formação dos flocos que poderão ser separados através de decantação, flotação e filtração. Para que a velocidade da mistura seja rápida são utilizados misturadores mecânicos ou hidráulicos, que fazem a dispersão dos coagulantes na massa líquida com energias específica suficiente para dispersão total (mistura lenta).
10. Floculação: é a fase mais importante do tratamento, com a remoção dos poluentes, mas é necessário que todos os processos unitários sejam eficientes para se obter bons resultados nesta fase. Após a coagulação no tanque de mistura rápida, o efluente passará para a unidade de floculação ou mistura lenta, com baixos gradientes de velocidade. Esse procedimento objetiva possibilitar a formação de coágulos maiores, denominados flocos, que ocorrem com a colisão das partículas, de forma que possam aumentar o peso suficientemente para haver boa sedimentação e remoção por decantação;
11. Decantação: quando a quantidade e a densidade de flocos registrar quantidade de sólidos sedimentáveis suficiente, as impurezas devem ser recolhidas por decantação, sendo removidas dos efluentes líquidos. Os decantadores são dimensionados em função das taxas de escoamento, conforme o tipo e as características dos efluentes, geralmente tem formatos cônicos redondos ou piramidais invertidos;
12. Flotação: é o processo de separação de materiais de peso específico diferente, os mais levem flutuam; frequentemente são adicionadas substâncias como sulfato de alumínio, cloreto férrico e polieletrólito, para aumentar a floculação e melhorar a eficiência do tratamento;
13. Adensamento do Lodo: lodo é o material sólido resultante do tratamento físico-químico da água; seria o mesmo que dissolver terra argilosa num copo de água e após deixar a terra argilosa decantar com a água parada. No caso do lodo resultante do fundo dos decantadores, poderão ser encontradas concentrações de partículas sólidas, que se forem expressivas, poderão necessitar de unidades de adensamento, que eliminam o excesso de água, aumentando a concentração de sólidos. Atualmente o lodo das ETEs e ETAs é destinado para valas de reservação e acondicionamento definitivo de resíduos de classes I ou IIA. (EcoDebate)

Calotas polares perderam 12,5 trilhões de toneladas de gelo em menos de 50 anos

Aquecimento global: é preocupante que os polos da Terra estejam cada vez menos brancos. Poluição reduz a capacidade das calotas polares de...