terça-feira, 25 de outubro de 2016

La Niña fraco ou clima normal, nada muda na agricultura

Com La Niña fraco ou clima dentro da normalidade, pouca coisa muda para agricultura brasileira
Com La Niña fraco ou clima neutro, nada muda para agricultura brasileira. Primavera terá melhores condições para as lavouras.


Meteorologista da Climatempo mostra como serão os meses de outubro, novembro e dezembro em relação às temperaturas e precipitações.
Após a influência do El Niño, fenômeno climático que se caracteriza pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, as previsões climáticas indicavam que a partir da primavera de 2016 o clima seria influenciado pela ocorrência da La Niña, [fenômeno oposto] que ocorre a partir do resfriamento das águas superficiais do Pacífico.
Recentemente, novos dados meteorológicos de agências em todo o mundo começaram a trazer dúvidas sobre as expectativas de formação da La Niña. O NOA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, sigla em inglês) publicou na última semana que "as condições para o fenômeno são favoráveis [de 50%] para formação entre a primavera e verão do hemisfério sul.”
Porém, o meteorologista da Climatempo, Alexandre Nascimento, explica que a maior parte das previsões tem indicado um fenômeno de baixa intensidade, onde as condições seriam muito próximas a um clima de neutralidade.
"A diferença é mínima para o que vinha sendo previsto e o que os atuais modelos indicam agora. Do ponto de vista prático, as condições de clima para a América do Sul terão pouca alteração", diz Nascimento.
Muito embora as medições continuem indicando o resfriamento das águas do Pacífico, o meteorologista ressalta que o NOA prevê apenas uma anomalia de 0,1°C a 0,2°C no pacífico equatorial. Em tese, a La Niña traz regularidade de chuvas para algumas regiões brasileiras e seria positiva para a produção de grãos na safra 2016/2017.
Para Nascimento a possibilidade de formação de La Niña de baixa intensidade ou condições neutras para o clima, ambas trazem pouca influência a produção agropecuária brasileira.
Assim, "as previsões indicam que o próximo trimestre será de temperaturas ligeiramente mais altas e chuvas irregulares em todo o país", acrescenta. (Confira o mapa climático).


"A inconstância das chuvas é que define a irregularidade, mas não será um tempo completamente seco como foi 2015", afirma o meteorologista. (noticiasagricolas)

domingo, 23 de outubro de 2016

Setembro/16 foi o mês mais quente

Mês de setembro/16 foi o mais quente em 136 anos, diz NASA.
O período foi 0,91ºC mais quente que a temperatura média dos setembros entre os anos de 1951 e 1980.
Clima em colapso.
O último mês foi o setembro mais quente em 136 anos, de acordo com os registros da NASA. O período foi 0,91ºC mais quente que a temperatura média dos setembros entre os anos de 1951 e 1980.
Foto: NASA
A temperatura de setembro de 2016 teve uma pequena diferença de 0,004 graus Celsius em relação com o mais quente setembro anterior, o de 2014. A margem é tão estreita que mantém os dois meses quase que empatados.
A NASA aponta que 11 dos últimos 12 meses consecutivos, que datam desde outubro de 2015, estabeleceram novos recordes de temperatura. Ela também divulgou uma mudança na avaliação com relação ao mês de junho deste ano, que tinha sido relatado como o mais quente da história. Segundo a agência, o último junho foi o terceiro mais quente, atrás dos anos de 2015 e 1998.
“Rankings mensais são sensíveis a atualizações nos registros, e nossa mais recente atualização para as leituras do meio do inverno no polo sul mudou o ranking de junho”, disse Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard para Estudos Espaciais (GISS, sigla em inglês). “Nós continuamos a destacar que, enquanto rankings mensais são de interesse jornalístico, eles não são tão importantes como as tendências em longo prazo”.
A análise mensal da GISS é feita a partir de dados disponíveis e coletados em 6.300 estações meteorológicas em todo o mundo, com instrumentos navais e localizados em boias para a medição da temperatura da superfície do mar e estações de pesquisa da Antártica. (yahoo)

Acordo internacional prevê conter aquecimento em 0,5°C

Acordo visa diminuir a emissão de gás de efeito estufa, chamado de HFCs, podendo evitar o aquecimento de até 0,5ºC.
Um acordo internacional fechado em 15/10/16 para a redução de emissões de um poderoso tipo de gás de efeito estufa pode ajudar a evitar um aquecimento de até 0,5°C na temperatura média global até o fim deste século. Em encontro em Kigali (Ruanda), 197 países (Brasil incluído) decidiram reduzir as emissões dos hidrofluorcarbonetos, ou simplesmente HFCs, gases usados em refrigeradores e aparelhos de ar-condicionado e conhecidos como superpoluentes por sozinhos, terem capacidade enorme de aquecimento. Apesar de ocorrerem em quantidade relativamente pequena na atmosfera - a concentração de CO2, o gás estufa mais comum, é muito maior -, eles aprisionam milhares de vezes mais calor.
A decisão ocorreu como uma emenda ao Protocolo de Montreal, que em 1987 tinha estabelecido o fim do consumo de gases que destroem a camada de ozônio. Foram banidos, por exemplo, os CFCs (clorofluorcarbonetos), que também eram usados em aparelhos de ar-condicionado, geladeiras e sprays. O acordo é considerado um dos mais bem-sucedidos na questão climática, por levar a uma redução de 98% na produção de gases nocivos à camada que protege o planeta da entrada dos raios solares mais nocivos e causadores de câncer de pele. Hoje a camada de ozônio voltou a se recuperar.
Os HFCs, que ficaram liberados, não causam esse problema, mas logo se viu que eles funcionavam como poderosos aquecedores. E sua concentração vem crescendo na taxa de 10% ao ano, principalmente por causa de um aumento da demanda, nos últimos anos, por resfriamento em um círculo vicioso, quanto mais o mundo aquece por causa desses gases, mais ainda eles são consumidos.
Após duas semanas da conferência das partes do Protocolo de Montreal, todos os países se comprometeram a agir para reduzir suas emissões de HFCs. As nações desenvolvidas começarão a reduzir suas emissões a partir de 2019, enquanto os países em desenvolvimento vão congelar seus níveis de consumo a partir de 2024. O objetivo é que, até 2047, o consumo total tenha caído de 80% a 85% em relação aos valores atuais.
Quase 200 países acordam reduzir gases de efeito estufa
Representantes de quase 200 países chegaram hoje a um acordo sobre a redução faseada de potentes gases de efeito estufa usados em frigoríficos e ares condicionados, anunciou o ministro dos Recursos Naturais do Ruanda, que acolheu as conversações.
A medida é considerada isoladamente a mais efetiva para a contenção do aquecimento global e é a primeira grande ação desde que foi fechado, no ano passado, o Acordo de Paris, que prevê que os países atuem para conter o aumento da temperatura global a bem menos de 2°C até o fim do século, com esforços para ficar em no máximo 1,5°C.
Elogios
“Quanto mais rápido nós agirmos, mais baixos serão os custos e mais leve será o impacto ambiental sobre nossas crianças”, declarou o presidente de Ruanda, Paul Kagame. “Não é sempre que temos a chance de ter uma redução de 0,5°C tomando um único passo juntos como países”, comemorou o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry. (r7)

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

As cidades e a elevação do nível do mar

Começou em 17/10/16 a Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável – HABITAT III. Será a primeira Conferência Global desde o início da Agenda Pós-2015 na ONU. É uma oportunidade para debater os desafios da urbanização e os problemas econômicos, sociais e ambientais do mundo.
Como mostra o site da ONU, a Conferência HABITAT I ocorreu em Vancouver, em 1976, quando os governos começaram a reconhecer a necessidade de assentamentos humanos sustentáveis diante do rápido crescimento das cidades. Os compromissos assumidos em Vancouver foram confirmados 20 anos depois na conferência HABITAT II, ocorrida em Istambul. Quarenta anos depois de Vancouver e 20 anos depois de Istambul, há consenso de que houve avanço, mas também cresceram os problemas a serem enfrentados.
O gráfico acima mostra que a população total do mundo era de 2,5 bilhões de habitantes, sendo que 746 milhões moravam nas cidades. Em 2015 a população mundial passou para 7,4 bilhões de pessoas, sendo 3,96 bilhões de pessoas no meio urbano. Para 2050, a projeção da Divisão de População da ONU aponta para uma população total de 9,7 bilhões, sendo 6,4 bilhões de pessoas nas cidades. Ou seja, a população urbana em 1950 era menos de um terço (29,6%), passou para mais da metade em 2015 (53,8%) e deve chegar próximo a dois terços (65,2%) em 2050. O crescimento da população urbana será de quase 9 vezes em 100 anos.
O renomado demógrafo George Martine (2007), um dos maiores estudiosos da transição urbana no mundo, considera que a urbanização pode e deve ser uma força para a melhoria do bem-estar da população e que a concentração urbana, em geral, traz mais ganhos do que a dispersão horizontal nas cidades e no campo. Ele coordenou a elaboração do relatório do UNFPA, “Desencadeando o Potencial do Crescimento Urbano” (Martine, 2007), onde chama a atenção para a inevitabilidade do crescimento das cidades e para as potencialidades que os aglomerados urbanos podem trazer para a erradicação da pobreza e para a maior eficiência no uso da energia e dos recursos naturais.
De fato, desde o início da Revolução Industrial e Energética, a urbanização tem sido a grande força impulsionadora do desenvolvimento, da redução da pobreza, da transição demográfica e dos avanços das políticas de bem-estar. Mas evidentemente, há cidades e há “amontoados urbanos”. Há cidades com alto nível de vida, boas condições de mobilidade espacial e grande mobilidade social ascendente. Mas também há cidades onde predominam os problemas, as favelas e a pobreza. A falta de saneamento básico, a poluição, os lixões e os resíduos sólidos são grandes desafios a serem enfrentados nos países em desenvolvimento.

Mas o grande desafio que as cidades vão enfrentar nas próximas décadas virá do aquecimento global e da elevação do nível do mar. Grandes cidades do mundo estão no litoral e na foz de grandes rios, como Xangai, Londres, Lagos, Recife, etc. A subida dos oceanos pode inundar grandes áreas destas cidades, obrigando o deslocamento de centenas de milhões de pessoas e afetando a vida de outros bilhões de habitantes que dependem da infraestrutura de portos e aeroportos das zonas costeiras.
Infelizmente, a maioria dos países não tem reconhecido a gravidade do problema do avanço do mar e dos fenômenos climáticos extremos que vão potencializar os estragos das tempestades, tormentas, ciclones, etc. O furacão Matthew que atingiu várias ilhas do Caribe (matando mais de mil pessoas no Haiti) e a costa leste dos Estados Unidos (gerando grandes prejuízos materiais), neste mês de outubro de 2016, foi apenas um alerta sobre a fúria da natureza provocada pelo efeito estufa decorrente das emissões de gases gerados pelas atividades antrópicas.
Segundo relatório do Banco Mundial (2016), nos 30 anos entre 1976-1985 e 2005-2014, os danos causados por desastres naturais aumentou dez vezes, custando agora mais de US$ 140 bilhões por ano (média ao longo do período de 10 anos). Enquanto isso, o número de pessoas afetadas no mundo passou de 60 milhões por ano para mais de 170 milhões.
Mas se os desastres aumentaram nos últimos 30 anos eles tendem a ficar piores nas próximas décadas. O mesmo relatório do Banco Mundial afirma que a população que será afetada pelas mudanças climáticas alcançará a cifra de 1,3 bilhão de pessoas em sério risco e causará prejuízos de US$ 158 trilhões em ativos em perigo de inundação, até 2050.
A Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável (HABITAT III) deveria tratar estes problemas como uma prioridade absoluta. Porém, como mostra artigo de Amy Lieberman (14/10/2016), no jornal The Guardian, a Conferência carece de uma plataforma internacional para enfrentar a ameaça do aquecimento global. Os países-membros da ONU, com exceção de Tuvalu, Maldivas e outras ilhas do Pacífico ou do Caribe não estão totalmente preparados para enfrentar esta discussão e suas consequências.
Mas diante da gravidade das ameaças climáticas e da possibilidade de grandes cidades ficarem debaixo d’água, é possível que os participantes da Habitat III consigam estabelecer uma agenda para lidar com o avanço do nível do mar. A ética da responsabilidade exige um posicionamento firme da comunidade internacional. (ecodebate)

Elevação nível do mar traz prejuízo para mercado imobiliário de USA


A elevação do nível do mar e os prejuízos para o mercado imobiliário dos EUA

O mercado imobiliário e o mercado de seguros dos Estados Unidos (EUA) não perdem tempo (pois como ensinou Benjamin Franklin, “tempo é dinheiro”) e já estão calculando os possíveis prejuízos do aquecimento global e do aumento do nível do mar. As somas são astronômicas, mostrando que a “sociedade de risco” está cada vez mais vulneráveis aos efeitos antrópicos das mudanças climáticas.

A imobiliária americana Zillow publicou recentemente uma análise com base na estimativa de que o aumento do nível do mar poderia subir 1,8 metros. Neste cenário, cerca de 2 milhões de lares americanos seriam inundados até 2100, um fato que deslocaria milhões de pessoas e resultaria em perdas de propriedades na casa das centenas de bilhões de dólares.
Se o cenário de 1,8 metros de elevação do nível do mar se concretizar, cerca de 300 cidades dos EUA iriam perder pelo menos metade de suas casas, e 36 cidades dos EUA seriam completamente perdidas.
Uma em cada oito casas na Flórida seria subaquática, sendo responsável por quase a metade do valor da habitação perdido todo o país. A Flórida perderia quase um milhão de residências e seria o estado mais afetado dos EUA.
O valor médio de uma casa em risco de ser debaixo d’água é de US$ 296.296. O valor da casa média dos EUA é de US$ 187.000. Portanto, os mais ricos seriam mais afetados. Na verdade, o aquecimento global vai provocar prejuízos tanto como o capital próprio negativo no passado.
Para quantificar o impacto da subida do nível do mar, a Zillow usou mapas divulgados pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) em que estima as partes dos Estados costeiros que estarão debaixo d’água se o nível do mar subir seis pés (1,8 metros). Usando esses dados em conjunto com o banco de dados da imobiliária sobre mais de 100 milhões de lares em todo o país, determinou-se quais as propriedades que estavam em risco de serem submersas (pelo menos os seus pisos térreos) até 2100.
Nacionalmente, 1,9 milhões de domicílios (ou cerca de 2% de todos os lares dos EUA), no valor combinado de US$ 882 bilhões, poderão estar debaixo d’água até o final do século. Sendo que, em alguns estados, a proporção de propriedades em risco subaquático é alarmante. Mais de 1 em 8 propriedades na Florida estarão debaixo d’água se o nível do mar subir 1,8 metros, o que representa mais de US$ 400 bilhões em valor imobiliário atual. No Havaí, quase 1 em cada 10 casas estão em risco.
Mas não é preciso esperar o fim do século para acontecer as tragédias. Depois do furacão Katrina, as chuvas torrenciais que atingiram a Luisiana em agosto de 2016 deixaram um rastro de destruição. O presidente americano, Barack Obama, declarou estado de catástrofe natural na região, o que permite conceder fundos federais de emergência para ajudar as vítimas. Sete pessoas morreram e outras 30 mil precisaram ser socorridas. O governador da região, John Bel Edwards, falou de inundações sem precedentes. Cerca de 14 mil pessoas foram levadas para abrigos, principalmente em Baton Rouge e arredores. Milhares de casas ficaram danificadas.
O avanço das águas salgadas do mar também afetará outras propriedades privadas e públicas. Especialistas da Union of Concerned Scientists (UCS) analisaram o efeito do aquecimento global sobre 18 instalações militares e estimaram que, em 2050, a maioria dessas bases verá multiplicado por 10 o número de inundações. Com um aumento mais rápido dos níveis dos oceanos na segunda metade deste século, as inundações resultantes das marés poderiam tornar-se comuns para algumas das bases, tornando estes territórios inutilizáveis para o treinamento de tropas e o teste de equipamentos. Quatro das bases estudadas, entre elas a estação naval de Key West, na Flórida, e o centro de recrutamento dos Fuzileiros Navais na Carolina do Sul, podem perder de 75% a 95% de seus terrenos até o final do século.
Artigo de Oliver Milman, em The Guardian (14/09/2016) mostra que uma coalizão de 25 peritos militares e de segurança nacional, incluindo as ex-assessores de Ronald Reagan e George W Bush, advertiram que a mudança climática representa um “risco significativo para a segurança nacional dos EUA e a segurança internacional” e requer mais atenção do governo federal dos EUA. Os proeminentes membros da comunidade de segurança nacional alertaram que o aquecimento temperaturas e elevação dos mares irão inundar bases militares e acirrar os conflitos internacionais, inclusive a migração em massa.
Artigo de Justin Gilles no jornal The New York Times (03/09/16), mostra que a inundação do litoral americano causado pelo aquecimento global já começou. O autor diz que o consenso estabelecido no relatório do IPCC em 2013 era de um aumento do nível dos oceanos próximo de um metro (3 pés). Mas agora se avalia um aumento de 1,8 metros a 2,1 metros (6 a 7 pés) até 2100.
A economia americana já caminha para a estagnação secular, não consegue gerar empregos suficientes para absorver adequadamente as novas gerações e não tem gerado renda suficiente para manter o padrão intergeracional de vida. Com estes reveses climáticos o quadro vai ficar ainda pior e o declínio relativo da economia do EUA vai se aprofundar. (ecodebate)

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Cometa pode ter aquecido a Terra

Um cometa pode ser o culpado pelo aquecimento da Terra.
Um grupo de cientistas encontrou provas diretas de que um cometa colidiu com a Terra há 55 milhões de anos.
Impacto de cometa pode ter provocado aquecimento na Terra.
O planeta Terra visto do espaço
Um grupo de cientistas encontrou provas diretas de que um cometa colidiu com a Terra há 55 milhões de anos, o que teria provocado um período de aquecimento importante na temperatura do planeta.
As conclusões, publicadas nesta quinta-feira na revista americana Science, apoiam a teoria de que um impacto inesperado - e não uma erupção vulcânica - pode ter causado uma fase de aquecimento conhecida como Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (PETM, em inglês).
"Este poderia ser o motivo. (A Terra) esquentou muito depressa. Isto sugere de onde veio", explica o coautor do estudo, Dennis Kent, pesquisador do Observatório Lamont-Doherty, da Universidade de Columbia e da Universidade de Rutgers.
Kent e outros cientistas encontraram pequenas gotículas redondas de cristal, denominadas microtectitas, escavando no que hoje é Nova Jersey, no leste dos Estados Unidos.
Acredita-se que estas esferas do tamanho de um grão de areia se formam quando um objeto extraterrestre impacta a Terra, espalhando material vaporizado que se solidifica quando está no ar, segundo o estudo.
"Tem que ser mais que uma coincidência que se registrasse um impacto nesse momento", destaca o autor principal do estudo, Morgan Schaller, geoquímico do Instituto Politécnico Rensselaer.
"Se o impacto está relacionado (com o aquecimento), isto sugere que a liberação de carbono foi rápida", explica o especialista.
Os cientistas asseguram que a emanação de carbono ocorreu durante um período de 5.000 a 20.000 anos.
Outras teorias indicam que uma época vulcânica provocou um aquecimento do planeta, causando a liberação de substâncias como o metano congelado no fundo do mar.
Alguns pesquisadores consideram que as mudanças que a órbita terrestre sofreu ou a modificação das correntes marinhas tiveram um papel importante no aumento da temperatura entre 5ºC e 9°C durante 200.000 anos.
As mudanças fizeram com que o gelo praticamente desaparecesse da Terra e o nível do mar aumentou em níveis muito mais elevados do que os de hoje. Ainda assim, algumas espécies desapareceram e outras migraram para os polos.
Estudo aponta que impacto transformou o planeta, no lugar de vulcanismo.
Nenhuma cratera
Os especialistas dizem que as emissões de carbono "atualmente são muito mais importantes do que a que ocorreu durante o PETM", segundo um comunicado da Universidade de Columbia.
"As consequências podem ser mais drásticas, porque muitos tipos de vida não terão tempo de evoluir", acrescentou.
Outro estudo publicado no começo de 2016 mostrou que as emissões de dióxido de carbono, principal gás de efeito estufa, liberam dez vezes mais carbono na atmosfera, devido aos combustíveis fósseis que as forças naturais que provocaram o aquecimento há 55 milhões de anos.
Com relação à teoria do cometa, os cientistas não encontraram nenhuma cratera que tenha sido causada por um impacto maciço.
"Pode ser que ocorresse perto ou que ocorresse do outro lado do planeta", destacou Schaller. Como as pequenas esferas se propagaram muito pouco, o impacto pode ser maior, porém mais distante, ou relativamente perto.
Segundo Charles Langmuir, um paleoclimatologista da Universidade de Harvard que não participou do estudo, a evidência de um impacto durante o próximo no começo do PETM "é muito forte".
Langmuir também destaca que o estudo não explica que causou a libertação de carbono, nem quanto tempo durou, e tampouco assegura que as pequenas esferas provenham de um enorme impacto ocorrido há 55 milhões de anos.
Os pesquisadores não estabeleceram a idade das esferas, usando datação radiométrica, deixando aberta a porta a que provenham de outro período, segundo Christian Koeberl, especialista da Universidade de Viena.
Acredita-se que um objeto extraterrestre tenha caído na península de Yucatán (México), 11 milhões de anos provocou o desaparecimento dos dinossauros.
Vinte milhões de anos depois do período PETM foi registrado outro impacto na região, criando a baía de Chesapeake, em frente à costa do estado de Maryland. (yahoo)


Recordes de temperatura literalmente de outro mundo

“Assim, é possível que estejamos deixando para trás outra fronteira. Trata-se do 5º Estágio Isotópico Marinho ou MIS5, ou ainda ‘Eemiano’, o interglacial anterior não só ao Holoceno, mas também anterior ao último glacial, entre 130 e 115 mil anos atrás, quando os mares, por exemplo, estavam de 6 a 9 metros acima dos níveis atuais e que é bem destacado na figura ao lado. A possibilidade de ultrapassagem próxima desse limite se baseia nas evidências apresentadas por um novo artigo de James Hansen. Não chega a ser surpresa, pois com concentrações de CO2 permanentemente acima de 400 ppm, temos a presença desse gás na atmosfera terrestre em níveis inéditos em mais de 3 milhões de anos”, escreve Alexandre Costa, PH.D em Ciências Atmosféricas, professor titular da Universidade do Ceará, em artigo publicado no seu blog, 08/10/2016.
Há 3 anos, surgiram, na literatura científica, evidências de que já havíamos atingido temperaturas médias globais acima de quaisquer outras durante o Holoceno (época geológica correspondente aos últimos 10 mil anos de relativa estabilidade no clima e que agora deu lugar ao Antropoceno). Levantamentos robustos, como os apresentados por Marcott et al. (2013) mostravam já naquele momento que ultrapassávamos o chamado “Ótimo Climático do Holoceno Médio“, intervalo de tempo naturalmente mais quente do que os anos pré-industriais ocorrido há 6000 anos (vide figura).
A figura abaixo mostra as anomalias de temperatura calculadas a partir dos dados da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, dos EUA), com uma diferença em relação ao que é tradicionalmente mostrado. Em geral, no próprio site da NOAA, o cálculo da “anomalia de temperatura”, isto é, a diferença entre a temperatura de um dado momento e um período de referência é feito usando a temperatura média do século XX como linha de base. No entanto, sabemos já há pelo menos quase uma década que especialmente a segunda metade do século passado já é fortemente afetada pelo aquecimento global antrópico, portanto faria bem mais usar como referência as temperaturas pré-industriais.

Na falta de um registro pré-industrial confiável, o que mostramos aqui usa como linha de base as temperaturas médias no período de 1880 a 1920 e isso é suficiente para revelar melhor a magnitude do aquecimento já ocorrido. Após 3 anos sucessivos de recordes de temperatura sendo quebrados, chegamos em 2016 a valores de temperatura média global quase 1,3°C acima do clima pré-industrial.

Assim, é possível que estejamos deixando para trás outra fronteira. Trata-se do 5º Estágio Isotópico Marinho ou MIS5, ou ainda “Eemiano", o interglacial anterior não só ao Holoceno, mas também anterior ao último glacial, entre 130 e 115 mil anos atrás, quando os mares, por exemplo, estavam de 6 a 9 metros acima dos níveis atuais e que é bem destacado na figura ao lado. A possibilidade de ultrapassagem próxima desse limite se baseia nas evidências apresentadas por um novo artigo de James Hansen. Não chega a ser surpresa, pois com concentrações de CO2 permanentemente acima de 400 ppm, temos a presença desse gás na atmosfera terrestre em níveis inéditos em mais de 3 milhões de anos.
A “próxima parada” em matéria de recorde de temperatura, embora ele não apareça tão marcado na figura acima, provavelmente será o chamado 11º Estágio Isotópico Marinho (MIS11) ou Holsteiniano, de cerca de 400 mil anos atrás. Ali, as temperaturas provavelmente chegaram a valores cerca de 1,5°C acima dos anos pré-industriais, podendo até mesmo ido a 2°C acima, justamente os dois limites, o desejável e o máximo, estabelecidos no Acordo de Paris. A superação do primeiro deles (1,5°C) já é considerada inevitável por vários colegas cientistas, que seguem lamentando o descaso para com a crise climática. A superação do segundo é receita para a catástrofe, como debatemos em artigo anterior em nosso blog.
 
Depois do MIS11, amigos e amigas, o registro de temperatura segue com temperaturas mais incertas, mas em função do chamado “Evento Mid-Brunhes", como os interglaciais de 400 mil anos para cá tenderam a maior amplitude, é quase certo que nenhuma temperatura acima dessas tenha ocorrido nos últimos 800 mil (com alta dose de confiança) a um milhão e meio de anos. O mais provável é que a parada seguinte, ou seja, acima de 1,5-2°C, esteja no mínimo cerca de 3 milhões de anos atrás, antes mesmo dos ciclos de glaciação de 41 mil anos que precederam os ciclos mais longos (de 100 mil anos) mostrados na figura ao lado.

Depois disso, se chegarmos a um aquecimento da ordem de 3°C, é quase certo que não há precedentes em 5,5 milhões de anos. E aí, é preciso ir para a figura seguinte, provavelmente levando-nos a antes da transição climática do Mioceno (14 milhões de anos atrás), quando não havia gelo algum no Hemisfério Norte, nem nos mares do Círculo Polar Ártico, nem mesmo sobre a Groenlândia, e quando o manto de gelo da Antártica era muito menor. É outro mundo, outro planeta. Uma condição tão remotamente distinta de tudo o que a humanidade já viveu, com potencial tal de afetar o ciclo hidrológico e as condições de vida de fauna e flora que as consequências são virtualmente imprevisíveis, mas com toda chance de chegarmos a um quadro de calamidade global. O que é mais apavorante é que um aquecimento capaz de superar o máximo já visto na Era Cenozóica, tomando-se como referência as estimativas de Zachos et al. (2008), não está descartado na escala de um século ou dois, mantida a rota de uso intensivo de combustíveis fósseis que teima em prevalecer. Difícil não se desesperar quando, mesmo diante de tragédias como a que o Furacão Matthew produziu no Haiti, tomadores de decisão e a sociedade em geral mostram-se incapazes de “ligar os pontos” e começarem a se mover. Pelo contrário, quando se vê legisladores e governantes assumirem posições como a criminosa piora das regras de exploração do pré-sal, que tende a fazer com que sua exploração seja acelerada, num país como o Brasil, que assinou o já insuficiente Acordo de Paris, o descompasso entre os rumos de sociedades e governos e as necessárias medidas para conter o caos climático só se revela maior e maior.

O artigo de Hansen ainda está em processo de revisão, portanto ainda deve passar por críticas e ajustes, mas em si já mostra como estamos num ritmo acelerado de superação de marcas de temperatura não mais do nosso tempo histórico, mas da história geológica terrestre. Somente canalhas como negacionistas são capazes de continuar, por exemplo, a fazer a agitação de “períodos mais quentes do que o atual” na Idade Média ou anteriores (com todas as evidências hoje apontando para que tenham sido processos em escala regional, no primeiro caso basicamente circunscrito à Europa), negando-se a apresentar o conhecimento científico atualizado. São mentirosos e manipuladores, pois a informação está disponível para todo mundo, especialmente para quem está dentro da academia.
Abandonar quase que totalmente o uso de combustíveis fósseis na escala de uma década a duas é a única maneira de nos manter com chances de que reflorestamento e práticas agrícolas adequadas aplicadas ao mesmo tempo e mantidos nas décadas seguintes sequestrem carbono da atmosfera ao ponto de nos colocar novamente em níveis seguros, abaixo de 350 ppm ou, preferencialmente, num prazo mais longo, em níveis ainda inferiores a esse, mais parecidos com os 300 ppm nunca superados nos últimos 800 mil anos, como bem atestados pelos registros do gelo antártica.
A continuidade dessa locomotiva consumista a carvão, petróleo e gás não pode ser considerada outra coisa que não insanidade. A mais completa. Irá impor um custo inaceitável para a geração de jovens e crianças de hoje, irá deixá-los sujeitos à chantagem de “soluções” tão falsas quanto perigosas como geoengenharia e captura e armazenamento de carbono (CCS, BECCS, que devemos abordar em breve em um novo artigo). É uma sentença à qual não podemos condenar nossos filhos e netos. (ecodebate)


'Super El Niño' vem aí!!!

O "Super El Niño" é um aquecimento muito forte das águas do Oceano Pacífico que aumenta a chance de secas no Norte e enchentes no ...