sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Zerar desmatamento amazônico impactará 0,6% do PIB até 2030

Zerar o desmatamento na Amazônia impactaria em menos de 0,7% do PIB brasileiro até 2030.
“Milhares de pessoas morrem ou adoecem por ano por causa da fumaça das queimadas associadas ao desmatamento. Já sabemos o que fazer para zerar o desmatamento e salvar estas vidas e evitar as doenças. Agora é preciso coragem para agir”, Paulo Barreto, pesquisador sênior do Imazon.
* O setor privado deve ampliar esforços no monitoramento completo das cadeias produtivas e bloqueio de produtores que desmatam. Neste caminho, a transparência total de dados socioambientais pelos governos é fundamental.
 Estudo lançado na COP23 indica caminhos para o Brasil zerar o desmatamento na Amazônia.
Para Frederico Machado, especialista em políticas públicas do WWF-Brasil, zerar o desmatamento é plenamente possível e implicaria em custo baixíssimo à economia do Brasil. “De acordo com estudo recente, impactaria em menos de 0,7% o PIB brasileiro, até 2030.
O Grupo de Trabalho (GT) pelo Desmatamento Zero – composto pelas ONGs Greenpeace, Instituto Centro de Vida, Imaflora, Imazon, Instituto Socioambiental, IPAM, TNC e WWF – lançou em 13/11/17 na COP2 em Bonn, o relatório “Desmatamento zero na Amazônia: como e por que chegar lá”. No estudo, as organizações indicam caminhos para eliminar, no curto prazo, o desmatamento na Amazônia, com benefícios ambientais, econômicos e sociais para todos.
No documento, o GT defende que não há mais justificativas para a destruição da vegetação nativa do Brasil. Continuar desmatando resulta em desequilíbrio do clima, destrói a biodiversidade e os recursos hídricos, traz prejuízos à saúde humana e, ao contrário do que muitos acreditam, compromete a competitividade da produção agropecuária. Em 2016 o desmatamento na Amazônia, sozinho, foi responsável por 26% das emissões domésticas de gases do efeito estufa. Zerar o desmatamento, é, portanto, a forma mais rápida e fácil de reduzir emissões e cumprir com o acordo de Paris.
A boa notícia é que o Brasil já conhece o caminho para o desmatamento zero e sabe como chegar lá. “As medidas implementadas nos últimos anos (2005-2012) derrubaram as taxas de desmatamento na Amazônia em cerca de 70% e indicam que os elementos necessários para atingir o desmatamento zero se encontram presentes”, destaca a publicação.
Para Frederico Machado, especialista em políticas públicas do WWF-Brasil, zerar o desmatamento é plenamente possível e implicaria em custo baixíssimo à economia do Brasil. “De acordo com estudo recente, impactaria em menos de 0,7% o PIB brasileiro, até 2030. E teria balanço enormemente positivo ao juntarmos nessa conta todos os serviços ambientais mantidos à sociedade. É urgente o compromisso de todos os setores com a conversão zero do que resta dos ecossistemas naturais do planeta, com destaque também ao Cerrado”, acrescenta o especialista.
“O Brasil já sabe o caminho para chegar ao desmatamento zero, mas tem seguido na direção oposta. Temer e o Congresso vêm discutindo e aprovando medidas que incentivam ainda mais desmatamento, grilagem e violência no campo. Caso ações não sejam tomadas urgentemente, o cenário é de permanência de altas taxas de desmatamento na Amazônia”, comenta Cristiane Mazzetti, especialista em Amazônia do Greenpeace Brasil. “O caminho existe, mas é preciso que governos e empresas se comprometam seriamente em transformar as ações propostas no documento em realidade, eliminando qualquer forma de desmatamento no curto prazo”, complementa.
Zerar o desmatamento é plenamente possível e implicaria em custo baixíssimo à economia do Brasil.
“O fim do desmatamento na Amazônia e a conservação florestal representam atualmente o melhor investimento que a agricultura pode fazer a favor de sua produtividade futura. Florestas são grandes sistemas de irrigação da lavoura. Não é só produzir sem desmatar, mas sim produzir mais e melhor, conservando as florestas da região”, Paulo Moutinho, pesquisador sênior do IPAM.
A trilha para o desmatamento zero, de acordo com as organizações, envolve diversos setores e passa, necessariamente, por quatro eixos de atuação:
* implementação de políticas públicas ambientais efetivas e perenes;
* apoio a usos sustentáveis da floresta e melhores práticas agropecuárias;
* restrição drástica do mercado para produtos associados a novos desmatamentos;
* engajamento de eleitores, consumidores e investidores nos esforços de zerar o desmatamento.
Para o GT, mudanças no sistema de produção agropecuária, combate à grilagem de terras públicas, atuação do mercado e estímulo à economia florestal estão entre as ações mais urgentes para zerar o desmatamento, indicados no estudo:
* A agropecuária pode continuar a contribuir para a economia produzindo nas áreas já desmatadas. Só na Amazônia há 10 milhões de hectares de pastagens abandonadas ou mal aproveitadas, que poderiam ser usadas para a ampliação da produção de carne e grãos.
* Em 2016, pelo menos 24% do desmatamento se concentrou em áreas públicas sem destinação. Hoje há 70 milhões de hectares não destinados na Amazônia, que precisam ser convertidos em terras indígenas e unidades de conservação para frear o desmatamento especulativo.
* O estímulo à economia florestal por meio de programas de governo também precisa ser ampliado. A extração de produtos florestais rendeu cerca de R$ 3 bilhões na média de 2015 e 2016, dos quais R$ 1,8 bilhão são oriundos da exploração de madeira e 537 milhões de extração de açaí.
* Promover incentivos positivos para aqueles que conservam florestas além da exigência legal.
* Além de ampliar as ações de comando e controle, que continuam sendo fundamentais, é imprescindível aumentar a eficácia na punição de crimes ambientais.
Produção de eucaliptos avança sobre Mata Atlântica na região sul da Bahia.

O relatório reforça, ainda, a importância da mobilização da sociedade contra as tentativas recentes de enfraquecer a proteção florestal, como a flexibilização do licenciamento ambiental, a redução da proteção de Unidades de Conservação, a paralisação dos processos de demarcação de Terras Indígenas e a anistia de grilagem de terras públicas – gerando um lucro de R$ 19 bilhões para grileiros. (ecodebate)

Microclimas urbanos e arborização

Bairro Jardim das Paineiras, Campinas, destaca-se com maior quantidade de cobertura arbórea e temperatura ambiente mais baixa.
A sociedade humana se destaca pela capacidade que possui de unir esforços e agregar-se social e economicamente ao redor de interesses. Em pouco tempo o homem consegue urbanizar grandes áreas.
No entanto, também podemos citar casos que a sociedade parece estar inerte a respeito de temas que se enfrentados de frente poderia melhorar a qualidade de vida das populações.
O processo do êxodo rural que o Brasil viveu nas últimas décadas levou ao surgimento de áreas urbanas sem qualquer planejamento. Deve ficar claro, que não se trata somente da saída de milhões de pessoas do campo para as cidades, mas da chegada a áreas periféricas para residir sem a infraestrutura adequada.
Como bem demonstram muitos exemplos, as cidades com o passar dos anos e por pressão eleitoral, parte desses espaços periféricos receberam água encanada, guias de sarjetas, asfalto, calçadas, galerias de águas fluviais, iluminação pública e até mesmo em muitas cidades a rede de esgoto.
Agora, o que se observa hoje é que a arborização vem sendo deixada de lado. Existe uma selva de pedras nas cidades e se sente a aridez pela falta do verde. Inserir árvores nas cidades de forma planejada e adequada vem sendo um dos grandes desafios urbanos.
No entanto, a maioria da população parece não estar ciente da necessidade de recomposição de ambientes mais verdes nas cidades cinzentas, e esta ação traria uma melhor qualidade de vida para todos os seus habitantes.
A arborização traz benefícios, como purificação do ar pela fixação de poeiras e gases tóxicos, e pela reciclagem de gases através dos mecanismos fotossintéticos e a melhoria do microclima da cidade, através da retenção da umidade do solo e do ar e pela geração de sombra, evitando que os raios solares incidam diretamente sobre as pessoas.
Ocorre a redução na velocidade do vento, que funciona como uma barreira em caso de tempestades, e a influência no balanço hídrico, favorecendo infiltração da água no solo e provocando evapotranspiração mais lenta.
Propicia também abrigo à fauna, influenciando positivamente para um maior equilíbrio das cadeias alimentares e diminuição de pragas e agentes vetores de doenças e até mesmo amortecimento de ruídos. Outro grande benefício é o aumento da umidade do ar.
Uma árvore isolada pode transpirar em média 400 litros de água por dia, produzindo um efeito refrescante no clima.
É preciso ser ambiciosos na busca do “esverdear” as áreas urbanas. E começar arborizando a frente das casas ou quintais com árvores frutíferas. Nada melhor do que se deliciar com uma fruta recém colhida.

É preciso refletir sobre o assunto e plantar, já que só assim se irá colher sombra, frescor, verde, vida, flores e frutos. As diferenças de temperatura entre áreas arborizadas e com lâminas de água, com regiões convencionais, nas cidades e áreas urbanas, podem ultrapassar a 10°C de temperatura. (ecodebate)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Desmatamento no Cerrado foi maior que o da Amazônia

Entre 2000 e 2015, o desmatamento no Cerrado foi maior do que o da Amazônia.
Brasnorte, MT, Brasil: Árvore em meio a plantação de soja.
O Cerrado perdeu 236 mil Km2 de mata entre 2000 e 2015. No mesmo período, a Amazônia perdeu 208 mil km2 – bioma duas vezes maior. Esse desmatamento no Cerrado gerou a emissão de 8,16 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa. O volume equivale a 3,6 anos da emissão total do Brasil registrada em 2016.
A ocupação desordenada do segundo maior bioma do Brasil tem consequências para o próprio setor do agronegócio. Entre 2014 e 2015, mais de 4 mil km2 das plantações realizadas ali estavam localizados em áreas que não são aptas para a produção agrícola, com padrões irregulares de chuva, por exemplo.
Os dados, divulgados hoje pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) na 23ª Conferência do Clima, em Bonn (Alemanha), em evento no Espaço Brasil, mostram como a expansão da agropecuária no bioma tem sido feita sem planejamento territorial adequado, colocando em risco a viabilidade do negócio e a conservação da natureza.
O Cerrado cobre 24% do território brasileiro e engloba oito das 12 bacias hidrográficas do país. Metade dele já foi derrubada e a área pode aumentar rapidamente: no Matopiba, área compreendida entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a agricultura tem avançado sobre áreas onde antes havia vegetação natural, quando o padrão era ocupar terras já desmatadas, onde antes havia pasto.

“Cerca de 30 milhões de hectares do Cerrado já estão desmatados, sem uso ou com modelos ineficientes de produção. Trabalhar bem essas áreas deve ser prioridade da decisão sobre a expansão da agropecuária nesse bioma”, afirma o pesquisador do IPAM, Tiago Reis, principal autor da avaliação. “Planejamento territorial e incentivos para o uso eficiente do solo devem reorientar os investimentos, de forma a gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais para o Brasil.” (ecodebate)

Resíduos Sólidos na Região Sudeste do Brasil em 2016

A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe divulgou o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2016, obtidos com a soma das projeções de cada região do país em que está descrita a produção e destino final dos resíduos sólidos urbanos – RSU, resíduos de saúde – RSS, resíduos de construções e demolições – RCD e alguns dos previstos nos acordos de logística reversa.

Este conteúdo está descrito nos meus artigos anteriores no EcoDebate sobre o panorama nacional e Região Sul do Brasil. Neste artigo, estão informações específicas sobre os aspectos da geração de resíduos e sua destinação final em 2016 na Região Sudeste do Brasil com quatro estados: São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro com 1.668 municípios.

Em relação aos resíduos sólidos urbanos – RSU, a Região Sudeste produziu 104.790 toneladas/dia com 52,7% do total do país e queda de 2,4% em comparação com o panorama anterior de 2015. A produção per capita/habitante /dia foi de 1,21 Kg com queda de 3,1%. Os recursos financeiros aplicados pelos municípios da Região Sudeste foram de R$ 4,92 por habitante/mês na coleta dos RSU e 7,77 nos demais serviços de limpeza urbana, com total de R$ 12,69 por habitante/mês. Os serviços de limpeza urbana movimentaram 14,9 bilhões com queda de 0,3% em relação aos dados anteriores.
Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
107.375
1.252
2016
104.790 (-2,4%)
1.213 (-3,1%)
Tabela – Geração diária total e individual de RSU na Região Sudeste do Brasil em 2016.
Quanto à coleta dos RSU, 98% foram recolhidos, mas houve queda de 1,9% no total e de 2,6% per capita e 27,3% correspondentes a 27.978 toneladas/dia foram destinados para lixões e aterros controlados sem tratamentos adequados.
Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
104.631
1.220
2016
102.620 (-1,9%)
1.188 (-2,6%)
Tabela 2 – Quantidade de RSU coletados na Região Sudeste do Brasil em 2016.
Em relação à coleta seletiva, 1.454 dos 1.668 municípios da Região Sudeste declaram que possuem iniciativas, mas não há informações sobre os números desta atividade. Possivelmente em muitos destes municípios sejam iniciativas de pequeno porte, sem influência significativa no conjunto da gestão dos RSU. A disposição final sem tratamentos em aterros controlados e lixões aumentou 0,3% em relação ao panorama anterior.
Ano
Aterro sanitário (ton./dia)
Aterros controlados (ton./dia)
Lixões (ton./dia)
2015
76.345 = 73%
17.998 = 17,2%
10.288 = 9,8%
2016
74.642 = 72,7%
17.750 = 17,3%
10.228 = 10%
Tabela 3 – Disposição final dos RSU na Região Sudeste do Brasil em 2016.
Resíduos de construções e demolições – RCD – coletaram-se 63.981 toneladas/dia com geração per capita de 0,741 Kg/habitante/dia. Houve uma pequena variação negativa no total coletado e na geração individual dos RCD na Região Sudeste.
Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
64.097
0,748
2016
63.981
0,741
Tabela 4 – Coleta de RCD na Região Sudeste do Brasil em 2016.
Resíduos sólidos de saúde – RSS – Foram produzidos 178.033 toneladas de RSS na Região Sudeste em 2016, com geração per capita de 2,062 Kg/habitante. Os tratamentos utilizados foram autoclave em 17,6%, incineração em 34,7%, micro-ondas em 7,2%, com 40,5% tendo outros destinos não declarados, significando que este percentual de RSS, correspondentes a 72.103 toneladas possivelmente foram para lixões, aterros, valas sanitárias irregulares e o meio ambiente.
Estado
2015 (Ton./ano – Kg/habitante/ano)
2016 (Ton./ano – Kg/habitante/ano)
São Paulo
101.952 – 2.296
101.643 – 2.271
Minas Gerais
40.135 – 1.923
38.405 – 1.829
Rio de Janeiro
31.234 – 1.887
30.936 – 1.860
Espírito Santo
7.086 – 1.803
7,049 – 1.774
Total
180.407 – 2.104
178.033 – 2.062
Tabela 5 – Geração de RSS na Região Sudeste do Brasil em 2016.
O panorama da Abrelpe não apresenta informações específicas sobre a reciclagem e a logística reversa na Região Sudeste. (ecodebate)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

As mudanças climáticas sob o olhar indígena

Subestimar os conhecimentos tradicionais que se perpetuam por gerações é um ato de ignorância que tem se repetido por décadas. No contexto das mudanças climáticas, essa constatação se torna mais evidente, pois a vivência dos povos indígenas e suas relações cosmológicas ancestrais são experiências que dialogam de forma concreta com a Ciência e trazem aprendizados a um campo político e econômico controverso, cujos interesses conflitam com o que a sabedoria e a razão científica expõem. Por meio das analogias e inferências, da relação entre o comportamento das estrelas e constelações ou das aves com o uso da terra e o ecossistema, os efeitos das ações antrópicas emergem nesta transcendência cadenciada.
Em tempos de Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-23), que acontece em Bonn, na Alemanha, entre 6 e 17 de novembro, abrir a escuta, sem ranços, para esses olhares transversais pode dar mais respostas para a inovação de paradigmas de desenvolvimento em um palco político antagônico, que tem impedido reais avanços localmente e de forma global e podem emperrar acordos já firmados, desde a COP-21, em Paris.  Um desenvolvimento ainda calcado em um mundo tratado como mercadoria.
O vídeo-documentário “Vozes Indígenas Num Clima em Mudança”, produzido pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), traz uma escuta interessante de diferentes representantes de etnias sobre o tema. O sensível documentário “Para onde foram as Andorinhas?”, do Instituto Socioambiental e Instituto Catitu, é outro canal de comunicação audiovisual que possibilita reflexões, como também a publicação “Mudanças Climáticas e a Percepção Indígena”, da Operação Amazônia Nativa (OPAN). As falas de todos os indígenas, da Amazônia ao Xingu, entoam um grito de alerta sobre a relação conflitante do homem branco com a terra, as águas, ou seja, com todo o planeta Terra (Pachamama).  
Esses povos têm diferenças culturais, que traduzem suas histórias e identidades, entretanto, não impõem fronteiras em seus discursos ao tratar do “bem-viver”, do respeito entre os mundos material e imaterial, e reverberam o propósito de bem coletivo aos parentes, aos povos tradicionais e à toda sociedade.  São Baniwa, Guajajara, Idioriê, Kayabi, Krenak, Manoki, Mehinako, Munduruku, Wará, Xavante, entre outros.
Com a lente de aumento sobre todo o país, trata-se de um universo de 305 etnias e de pelo menos, 896,9 mil indígenas, de acordo com o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010. Hoje também existe o Comitê Indígena de Mudanças Climáticas, com representantes das cinco regiões do país. Um espaço de incidência política que merece mais reverberação.
Em outubro, ao ouvir a narrativa da liderança indígena André Baniwa, da Amazônia, em evento do Observatório do Clima (OC), realizado em São Paulo, sobre os dados mais recentes do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), essa gama de significativas leituras foi reforçada.
Por meio da construção de uma cartografia que tem a contribuição estratégica dos mais idosos nas aldeias, com o subsídio de calendários do uso da terra indígenas, que usam elementos de sinalização como os animais, os processos de mudanças em duas décadas reportam a um estado de apreensão. Esses dados resultam, segundo ele, na reação atual do seu povo para buscar caminhos para a sustentabilidade e bem-viver em seus territórios. Para isso, há reuniões coletivas para discutir o assunto.
…O calendário indígena de cada povo Baniwa (de acordo com o território que vivem) é diferente. Acompanha estrelas e constelações, cada período da fase importante para a agricultura, para a pesca. Algum sinal de passarinho, andorinha antes da pesca, por exemplo, significa fartura de peixe. Hoje não existe mais este movimento, são sinais práticos…O tucunaré diminuiu de tamanho nos últimos 20 anos”.
Segundo ele, as piracemas não existem mais de forma organizada… “Agora tem muita chuva no Rio Negro e não tem peixe. Observamos, desde 2002, esse processo de cheias frequentes. Cobriram pedras antigas (lugares sagrados), que temos sobre o entendimento do mundo…”.
Nesse diálogo entre a Terra e o mundo espiritual, André sinaliza que a natureza está dando alertas. “…Atualmente há trovejadas constantes na região das aldeias, o que não ocorria. Estamos procurando entender o que isso significa. Isso nos preocupa, porque (no campo das relações sociais e políticas) nossos direitos estão sendo ameaçados e é consequência de decisões políticas, nos grandes centros do mundo…Se não houver mudança de atitude…”, deixa este alerta.
O indígena já havia levado a sua mensagem ao Espaço do Clima da Sociedade Civil, na COP-21, ao lado de outros parentes, sobre a questão climática, em evento realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA), quando destacou: “Os xamãs do povo Baniwa dizem que esse mundo vai parar daqui a algum tempo e não haverá sinal de vida. Será um período silencioso, na nossa previsão…”.
André ainda destaca o importante trabalho de pesquisa que está sendo realizado por outros parentes, como os Tukano e de outras etnias. Uma amostra dessa interação dos povos indígenas com o processo das mudanças climáticas é o levantamento Ciclos Anuais dos Povos Indígenas do Rio Tiquié. com apoio do ISA. (ecodebate)

Mudanças Climáticas: ‘Tostados, assados e grelhados’

“Como disse antes, se não fizermos nada a respeito da mudança climática, seremos tostados, assados e grelhados num horizonte de tempo de 50 anos. (…) Se não encararmos essas duas questões – mudança climática e desigualdade crescente – avançaremos a partir de agora em direção a sombrios 50 anos”. Quem fala é Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional, durante um painel da Future Investment Initiative, ocorrido em 25 de outubro em Riad, na Arábia Saudita.
É positivo que o FMI funcione como uma caixa de ressonância da ciência e que junte sua voz ao coro dos alertas sobre a situação-limite em que a humanidade e a biosfera se encontram. Mas o FMI é o primogênito e um dos principais gendarmes da ordem econômica internacional que está condenando os homens e a biosfera a serem “tostados, assados e grelhados num horizonte de tempo de 50 anos”. Não tem, portanto, autoridade moral para emitir alertas desse gênero. “Como disse antes”, afirma acima Lagarde… De fato, já em 2012, às vésperas da Rio+20, ela havia declarado num encontro do Center for Global Development, em Washington, que “a mudança climática é claramente um dos grandes desafios de nosso tempo, um dos grandes testes de nossa geração. Para os mais pobres e mais vulneráveis do mundo, a mudança climática não é uma possibilidade distante. É uma realidade presente”. E anunciava então que o FMI desenvolveria pesquisas e daria suporte analítico aos países com políticas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), em particular através de instrumentos fiscais, como precificação do carbono e eliminação dos subsídios. Passados cinco anos, eis o que aconteceu:
1. Os subsídios à indústria de combustíveis fósseis continuam a crescer. Em 2013, eles montavam a US$ 4,9 trilhões e em 2015 atingiram US$ 5,3 trilhões, ou 6,5% do PIB mundial, segundo um estudo recente. “A eliminação desses subsídios”, afirmam seus autores, “teria reduzido as emissões de carbono, em 2013, em 21%, e em 55%, as mortes por poluição causada pela queima de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que teria elevado a renda em 4% do PIB global e o bem-estar social em 2,2%”. Se entendidos stricto sensu, ou seja, como privilégio fiscal ou transferência de recursos estatais para essa indústria, os subsídios dos governos do G20 – os mesmos que prometeram seu fim em 2009 – montavam em 2015 a US$ 444 bilhões.
2. Imposto sobre a emissão de carbono (carbon tax). A segunda medida apoiada por Lagarde era a precificação adequada do carbono: “corrigir seus preços significa usar uma política fiscal capaz de garantir que o malefício que causamos reflita-se nos preços que pagamos”. Tal imposto foi sugerido já em 1973 por David Gordon Wilson, do MIT, e reproposto agora, pela enésima vez, por 13 economistas, no âmbito de uma iniciativa presidida por Joseph Stiglitz e Sir Nicholas Stern. O estudo sugere que este seja em 2020 de 40 a US$ 80 por tonelada de CO2 emitido e, em 2030, de 50 a 100 dólares. Não se sabe em quanto esse imposto, se adotado, contribuiria para a redução das emissões de GEE. Mas se sabe que o FMI em nada tem contribuído para viabilizá-lo. De resto, em março último, Trump descartou-o e sem o apoio dos EUA, um dos maiores produtores mundiais de petróleo, ele parece hoje mais irrealista que nunca.
Leonardo Martinez-Diaz, do World Resources Institute, percebe bem a hipocrisia do FMI: “Uma das funções centrais do FMI é a vigilância macroeconômica. (…) O Fundo deveria colocar o risco climático no diálogo com os Estados, como um item formal de suas consultas”. E, sobretudo, “considerar as despesas em resiliência como investimentos dos Estados devedores”. Mas isso Christine Lagarde não fez, e não fará, porque prejudicaria os interesses dos credores.
Voluntários posam nus, na geleira de Aletsch, nos Alpes suíços, durante campanha ambiental sobre o aquecimento global, em 2007.
Quatro décadas de alertas científicos
Se é nula a credibilidade do FMI no que se refere à sua contribuição para mitigar essa situação extremamente grave, isso não altera o fato de que o diagnóstico de Lagarde baseia-se no mais consolidado consenso científico. Há décadas a ciência adverte que o aquecimento continuado da atmosfera e dos oceanos – causado, sobretudo pela queima de combustíveis fósseis, pelo desmatamento e pelo surto global de carnivorismo – lançaria o século XXI num série de crescentes desastres sociais e ambientais. Quase quatro décadas atrás, em 1981, quando o aquecimento global era ainda de apenas 0,4o C acima dos anos 1880, James Hansen e colegas afirmavam num trabalho da Science:
“Efeitos potenciais sobre o clima no século XXI incluem a criação de zonas propensas a secas na América do Norte e Ásia Central como parte de uma mudança nas zonas climáticas, erosão das camadas de gelo da Antártica com consequente elevação global do nível do mar e a abertura da famosa passagem do Noroeste [no Ártico]. (…) O aquecimento global projetado para o próximo século é de uma magnitude quase sem precedentes. Baseados nos cálculos de nosso modelo, estimamos que ele será de ~2,5°C para um cenário com lento crescimento de energia e um misto de combustíveis fósseis e não fósseis. Esse aquecimento excederia a temperatura durante o período antitermal (6.000 anos atrás) e o período interglacial anterior (Eemiano) e se aproximaria da temperatura do Mesozoico, a idade dos dinossauros”.
Entre 1984 e 1988, James Hansen depôs três vezes no Senado dos Estados Unidos. Na última vez, diante de 15 câmaras de televisão, projetou cenários de aquecimento global de até 1,5°C em 2019 em relação à média do período 1951-1980, como mostra a Figura 1, reproduzida a partir desse histórico documento de 1988.
Figura 1 - Projeção de aquecimento médio superficial global até 2019, segundo três cenários.
O Cenário A supõe uma taxa de aumento das emissões de CO2 típica dos 20 anos anteriores a 1987, isto é, um crescimento a uma taxa de 1,5% ao ano. O Cenário B assume taxas de emissão que estacionam aproximadamente no nível de 1988. O Cenário C é de drástica redução dessas emissões atmosféricas no período 1990 – 2000. A linha contínua descreve o aquecimento observado até 1987. A faixa cinza recobre o nível pico de aquecimento durante os períodos Antitermal (6.000 anos AP) e Eemiano (120.000 anos AP). O ponto zero das observações é a média do período 1951-1980.
Fonte: “The Greenhouse Effect: Impacts on Current Global Temperature and Regional Heat Waves”, figura 3. Documento apresentado ao Senado por James Hansen em 1988. Veja-se: https://climatechange.procon.org/sourcefiles/1988_Hansen_Senate_Testimony.pdf
As projeções de Hansen são uma das mais espetaculares demonstrações de inteligência do sistema Terra na história recente da ciência, que só hoje podemos aquilatar em sua real dimensão. Seus Cenários A e B anteciparam a uma distância de 30 anos um aquecimento médio global entre ~1,1°C e 1,5°C. Foi exatamente o que aconteceu, como mostra a Figura 2.
Figura 2 – Temperaturas superficiais globais em relação ao período de base 1880-1920.
Como se vê, desde 1970 as temperaturas médias globais têm se elevado 0,18°C por década e em 2016 elas atingiram +1,24°C em relação a 1880-1920. Mantida a aceleração do aquecimento médio global observada no triênio 2015-2017 (~0,2°C), deveremos atingir ou estar muito próximos, em 2019, do nível de aquecimento previsto no pior cenário assumido por James Hansen e colegas.
Energias fósseis x energias renováveis e de baixo carbono
Naturalmente, quem está no controle do mundo não se interessa por acurácia científica, quando esta interfere em seus planos de negócios. Os alertas de toda uma legião de cientistas no mundo todo continuam a se espatifar contra o muro inexpugnável das corporações, que impuseram e continuam a impor à humanidade e à biosfera o “Cenário A” previsto por James Hansen. Os números, melhor que quaisquer argumentos, revelam a extensão do crime: desde 1988, data do testimony de Hansen no Senado dos EUA, mais CO2 foi lançado na atmosfera do que entre 1750 e 1987, como mostra a Figura 3.
Figura 3 - Emissões industriais de CO2 entre 1751 e 2014. De 1751 a 1987 foram emitidas 737 Gt (bilhões de toneladas). Entre 1988 e 2014 foram emitidas 743 Gt. Fonte: T. J. Blasing, “Recent Greenhouse Gas Concentrations”. Carbon Dioxide Information Analysis Center (CDIAC), Abril, 2016, baseado em Le Quéré et al. (2014) e Boden, Marland e Andres (2013).
Em 2017 teremos já ultrapassado 800 Gt de CO2 emitidos na atmosfera em quarenta anos. As corporações que lucram com essas emissões e com a destruição das florestas – em especial os xifópagos Big Oil & Big Food – venceram e continuam vencendo. Em Riad, na semana passada, Christine Lagarde acrescentou que “as decisões devem ser imediatas, o que provavelmente significará que nos próximos 50 anos o petróleo se tornará uma commodity secundária”. Foi contradita por Amin Nasser, presidente da estatal Saudi Arabian Oil Company (Aramco): “Alternativas, carros elétricos e renováveis estão definitivamente ganhando participação no mercado e estamos vendo isso. Mas décadas serão ainda necessárias antes que assumam uma participação maior na oferta de energia global”.
Mantido o paradigma expansivo do capitalismo (obviamente dependente das reservas restantes de petróleo, algo incerto), o prognóstico de Amin Nasser afigura-se mais credível que o de Christine Lagarde. Ele ecoa a convicção de seus pares de que a hegemonia dos combustíveis fósseis não será sequer ameaçada, quanto menos superada, por energias de baixo carbono pelos próximos dois ou três decênios. Barry K. Worthington, diretor da toda poderosa United States Energy Association, afirma, e é fato, que “nenhuma projeção credível” mostra uma participação menor que 40% dos combustíveis fósseis em 2050. Mesmo o carvão, cujo declínio iniciado nos dois últimos anos parecia a muitos ser irreversível, resiste. Nos EUA, sua produção em 2017 será 8% maior que em 2016. No mundo todo havia, em outubro de 2017, 154 unidades termelétricas movidas a carvão em construção e 113 em expansão, um número ainda superior ao das unidades que estão sendo desativadas.
Um argumento em favor da ideia de uma ainda longa hegemonia futura dos combustíveis fósseis provém de um trabalho de três pesquisadores da Universidade de Bergen, na Noruega. Os autores partem da constatação de que em 2015 o consumo energético global foi de 17 Terawatts (TW), dos quais apenas 3,9% (0,663 TW) provieram de energias eólica (0,433 TW) e fotovoltaica (0,230 TW). Assumem em seguida a projeção de que esse consumo quase dobre em 2050, atingindo 30 TW. Detectam então indícios de que a taxa de crescimento das energias eólica e fotovoltaica comece a declinar já ao longo da próxima década, saturando sua capacidade instalada não acima de 1,8 TW em 2030, o que as levaria a assumir a forma da curva de uma função logística ou sigmóide (em “S”), como mostra a Figura 4.
Figura 4 - Capacidade instalada global total de energia eólica e fotovoltaica (pontos verdes).
A linha contínua é a do modelo logístico (curva sigmóide), semelhante à evolução das energias hidrelétrica e nuclear. As linhas pontilhadas indicam um intervalo de confiança de 95%. O ponto vermelho indica os prognósticos das associoções de acionistas. O quadro inserido mostra o declínio previsto das taxas de crescimento dessas energias. | Fonte: J.P. Hansen, P.A. Narbel, D.L. Aksnes, “Limits to growth in the renewable energy sector”. Renewable and Sustainable Energy Reviews, 70, IV/2017, pp. 769-774.
A COP 23 e a “catastrófica brecha climática”
Como se sabe, abre-se hoje, 6 de novembro de 2017, em Bonn, mais uma reunião anual da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC), a 23ª Conferência das Partes (COP23). Sua agenda central será fazer avançar as diretrizes (rule-book) de implementação do Acordo de Paris, preparadas por um grupo de trabalho – o Ad-hoc Working Group on the Paris Agreement (APA) –, coordenado pela Nova Zelândia e pela… Arábia Saudita. Por improvável que seja a projeção de Christine Lagarde de que “nos próximos 50 anos o petróleo se tornará uma commodity secundária”, suas declarações na capital mundial do petróleo têm o mérito de reforçar o senso de urgência requerido para mais essa rodada de negociações.  Esse senso de urgência é mais que nunca necessário, pois o contexto político e ambiental em que se abre a COP23 não poderia ser mais adverso, como bem indica o quadro atual de bloqueio do Acordo, em contraste com a angustiante aceleração da degradação ambiental nos últimos meses:
1. Quase dois anos após sua assinatura, o Acordo de Paris não foi ainda ratificado (i.e., não está em vigor) por 13 países produtores e detentores das maiores reservas mundiais de petróleo, conforme mostra a tabela abaixo:
A esses 13 países que não ratificaram o Acordo, acrescentam-se os EUA, em vias de deixá-lo. De modo que mais de um terço da produção mundial de petróleo encontra-se em nações que não reconhecem oficialmente o Acordo de Paris, e não o reconhecem, declaradamente ou não, porque não têm intenção de diminuir sua produção.
2. Em julho, reunido na China, o G20 deu uma demonstração de fraqueza ou de oportunismo ao ceder às pressões dos EUA e da Arábia Saudita para eliminar de sua declaração conjunta final qualquer menção à necessidade de financiar a adaptação dos países pobres às mudanças climáticas, condição de possibilidade do Acordo de Paris.
3. Em 18 de outubro passado, o Global Forest Watch revelou que em 2016 foram destruídos globalmente 297 mil km2 de florestas pelo avanço da agropecuária, da mineração, da indústria madeireira e de incêndios mais devastadores, criminosos e/ou exacerbados pelas mudanças climáticas. Trata-se de um recorde absoluto em área destruída e de um recorde no salto de 51% em relação a 2015, como mostra a Figura 5.
Figura 5 – Perdas de cobertura florestal global de 2011 a 2016.
Em 30 de outubro, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) reconheceu um avanço de 3,3 ppm (partes por milhão) nas concentrações atmosféricas de CO2 no intervalo de apenas 12 meses. Essas concentrações “deram em 2016 um salto, numa velocidade recorde, atingindo seu mais alto nível em 800 mil anos”. Desde 1990, afirma o boletim da OMM, houve um aumento de 40% na forçante radiativa total (o balanço entre a energia incidente e a energia refletida de volta para o espaço pelo sistema climático da Terra) causada pelas emissões de GEE, e um aumento de 2,5% apenas em 2016 em relação a 2015.
Enfim, o oitavo Emissions Gap Report, de 2017, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), adverte que as reduções de emissões de GEE acordadas em Paris estão muito aquém do requerido para conter o aquecimento médio global abaixo de 2°C ao longo deste século. Como faz notar Erik Solheim, diretor do (PNUMA), “as promessas atuais dos Estados cobrem não mais que um terço das reduções necessárias. (…) Os governos, o setor privado e a sociedade civil devem superar essa catastrófica brecha climática”. E reafirma que, se os compromissos nacionais (NDCs) forem implementados, chegaremos ao final deste século com um aquecimento médio global de cerca de 3,2°C (2,9°C a 3,4°C). Mas os governos estão descumprindo até mesmo esse terço por eles prometido em 2015. Segundo Jean Jouzel, ex-vice-presidente do IPCC, “os primeiros balanços das políticas nacionais mostram que, globalmente, estamos abaixo dos engajamentos assumidos em Paris. E sem os EUA, será muito difícil pedir aos outros países que aumentem suas ambições. (…) Para manter alguma chance de permanecer abaixo dos 2°C é necessário que o pico das emissões seja atingido no mais tardar em 2020”.

Não há que se preocupar. Faltam ainda mais de dois anos. (ecodebate)

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