quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Petrobras cria gerência executiva para mudança climática

Área será responsável por liderar ações relativas à gestão de carbono, redução das emissões e eficiência energética.

A Petrobras informou em 03/11/2020 a criação de uma gerência executiva de Mudança Climática para liderar as ações relativas à gestão de carbono, redução das emissões atmosféricas, eficiência energética e mudança ao advento climático. A nova estrutura será ligada à Diretoria Executiva de Relacionamento Institucional, do diretor Roberto Furian Ardenghy, que passa a ser denominada Diretoria Executiva de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade.

A nova área será responsável pela proposição das metas e compromissos corporativos em carbono e clima e pela coordenação de sua implementação, liderando a implementação dos planos de mitigação de carbono e a promoção e incorporação de tecnologias de baixa emissão na carteira de investimento da petroleira.

“Adotamos uma política de transparência em nossos compromissos relacionados a emissões e optamos pelo uso de inovações tecnológicas aplicadas ao nosso core business, conciliando a maximização de valor para o acionista com o retorno para a sociedade de ações destinadas a minimizar o aquecimento da Terra”, define o presidente da companhia, Roberto Castello Branco.

A gerência executiva será liderada por Viviana Coelho, atual gerente de Emissões, Eficiência Energética e Transição para Baixo Carbono da Petrobras. Viviana é engenheira química pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), bióloga pela PUC-PR, com mestrado em tecnologia ambiental pelo Imperial College em Londres, MBA em administração avançada pela COPPEAD, pós graduação em inovação pela Unicamp e extensa formação executiva em instituições como INSEAD, IMD, Universidade de Cambridge, London Business School e Columbia University.

Há 18 anos na empresa, a colaboradora também representa a estatal no Comitê Executivo da Oil and Gas Climate Initiative e no grupo de Climate Change da IPIECA. Anteriormente atuou em diversas funções nas áreas de downstream e no Centro de Pesquisas (Cenpes), dentre elas como gerente geral dos portfólios de inovação em gás, energia e desenvolvimento sustentável. Antes da Petrobras, atuou como consultora em projetos para multinacionais de diversos segmentos em vários países. (canalenergia)

Aquecimento de 2°C liberaria bilhões de toneladas de carbono do solo

Os solos globais contêm duas a três vezes mais carbono do que a atmosfera, e temperaturas mais altas aceleram a decomposição – reduzindo a quantidade de tempo que o carbono passa no solo (conhecido como “turnover de carbono no solo”).

O novo estudo de pesquisa internacional, liderado pela Universidade de Exeter, revela a sensibilidade do turnover do carbono do solo ao aquecimento global e, subsequentemente, reduz pela metade a incerteza sobre isso nas projeções de mudanças climáticas futuras.

A estimativa de 230 bilhões de toneladas de carbono liberadas com o aquecimento de 2°C (acima dos níveis pré-industriais) é mais de quatro vezes o total das emissões da China e mais do que o dobro das emissões dos EUA nos últimos 100 anos.

“Nossas regras de estudo fora a maioria das projeções extremas – mas sugere, no entanto, as perdas de carbono do solo substanciais devido às alterações climáticas em apenas 2°C o aquecimento, e este nem sequer incluem as perdas de carbono mais profundo permafrost”, disse o coautor Dr. Sarah Chadburn, da Universidade de Exeter.

Esse efeito é chamado de “feedback positivo” – quando as mudanças climáticas causam efeitos indiretos que contribuem para mais mudanças climáticas.

A resposta do carbono do solo às mudanças climáticas é a maior área de incerteza na compreensão do ciclo do carbono nas projeções das mudanças climáticas.

Para resolver isso, os pesquisadores usaram uma nova combinação de dados observacionais e Modelos do Sistema Terrestre – que simulam o clima e o ciclo do carbono e, posteriormente, fazem previsões sobre as mudanças climáticas.
O avanço do aquecimento global pode liberar na atmosfera um enorme volume de metano e dióxido de carbono retido no permafrost, o solo perenemente congelado do Ártico. O processo, segundo cientistas, já começou e tem potencial de acelerar ainda mais a elevação das temperaturas no planeta.

Permafrost: O gigante adormecido do aquecimento global.

“Nós investigamos como o carbono do solo está relacionado à temperatura em diferentes locais da Terra para descobrir sua sensibilidade ao aquecimento global”, disse a autora Rebecca Varney, da Universidade de Exeter.

Modelos de última geração sugerem uma incerteza de cerca de 120 bilhões de toneladas de carbono a 2°C de aquecimento médio global.

O estudo reduz essa incerteza para cerca de 50 bilhões de toneladas de carbono.

O coautor, Professor Peter Cox, do Exeter’s Global Systems Institute, disse: “Reduzimos a incerteza nesta resposta às mudanças climáticas, que é vital para calcular um orçamento global de carbono preciso e cumprir com sucesso as metas do Acordo de Paris”.

O trabalho foi realizado em colaboração com cientistas do Met Office e institutos nos EUA e na Suécia.

Aquecimento global, degelo e efeito estufa: tudo a ver.

No Alasca, solo congelado já dá mostra de derretimento, liberando dióxido de carbono que estava armazenado.

Estudo mostra que o derretimento de solo gelado dos árticos liberaria o dobro do dióxido de carbono que já existe na atmosfera.

O estudo, publicado na Nature Communications, é intitulado “A spatial emergent constraint on the sensitivity of soil carbon turnover to global warming”. (ecodebate)

Aquecimento de 2°C liberaria 230 bilhões de toneladas de carbono do solo

Aquecimento global de 2°C liberaria cerca de 230 bilhões de toneladas de carbono em solo mundial.

Estimativa é mais de 4 vezes o total das emissões da China e mais que o dobro das emissões dos Estados Unidos nos últimos 100 anos.
O aquecimento de 2°C causaria liberação de 230 bilhões de toneladas de carbono do solo.

Um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Exeter, na Inglaterra, revela que um aquecimento global de 2°C faria com que cerca de 230 bilhões de toneladas de carbono fossem liberadas do solo da Terra.

Segundo a pesquisa, publicada em 02/11/20 na revista Nature Communications, os solos globais contêm de duas a três vezes mais carbono do que a atmosfera, e temperaturas mais altas no planeta aceleram sua decomposição. Como consequência, diminuir o tempo que o gás passa na superfície, processo conhecido como transformação de carbono no solo.

A estimativa de 230 bilhões de toneladas de carbono liberadas com o aquecimento terrestre de 2°C é mais de quatro vezes o total das atuais emissões da China e mais que o dobro das emissões dos Estados Unidos nos últimos 100 anos.

"Nosso estudo descarta as projeções mais extremas — mas mesmo assim sugere que haveria perdas substanciais de carbono do solo devido à mudança climática com aquecimento de apenas 2°C", pontua Sarah Chadburn, coautora da pesquisa, em nota.

A resposta do carbono do solo às mudanças climáticas é a maior incerteza na compreensão do ciclo do gás nas projeções das alterações do clima. Para resolver isso, os pesquisadores usaram uma nova combinação de dados observacionais e Modelos do Sistema Terrestre, que simulam o clima e o ciclo do carbono e, posteriormente, fazem previsões sobre as mudanças climáticas.

"Nós investigamos como o carbono do solo está relacionado à temperatura em diferentes locais da Terra para descobrir sua sensibilidade ao aquecimento global", relata Rebecca Varney, líder do estudo.

Aquecimento de 2°C pode liberar bilhões de toneladas de carbono do solo, sugere estudo.

De acordo com Peter Cox, coautor do artigo, conhecer esses riscos é "vital para calcular um orçamento de carono acurado e cumprir com sucesso as metas do Acordo de Paris". (revistagalileu)

Reciclagem é um tema importante na escola

Reciclagem é um tema importante na escola

Reciclagem. Como abordar o assunto em diferentes áreas do conhecimento e conscientizar a nova geração sobre a geração e destinação do lixo, um dos mais graves problemas ambientais da atualidade brasileira.

O Brasil gerou, ao longo do ano de 2018, um total de 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos, de acordo com a última edição do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, elaborado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Mas, embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos seja lei desde 2010, apenas uma pequena parte desse volume é efetivamente reciclada.

Ainda tomando 2018 como exemplo, um estudo encomendado pelo Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast) mostrou que apenas 22% do plástico descartado foi reciclado. O índice é muito baixo, principalmente quando se olha o cenário internacional. A União Europeia, no mesmo período, reciclou 75% do plástico gerado em seu território. “Esse cenário é consequência de uma cultura que não dá ao tema a devida relevância. Por isso, a escola tem papel fundamental para a construção de um futuro em que a reciclagem seja uma prática mais difundida”, afirma a assessora pedagógica da Editora Aprende Brasil, Josimeire de Lima Sobreira.

Para Alexander Turra, professor do Instituto de Oceanografia da Universidade de São Paulo, responsável pela Cátedra UNESCO para Sustentabilidade dos Oceanos, mudar essa realidade é fundamental para que se possa construir uma economia circular – uma lógica que transforma resíduos em matéria-prima e faz com que o ser humano deixe de pressionar os recursos naturais. “Isso traz mais lucidez ao processo de consumo e descarte”, explica.

Josimeire avalia que o descarte é um dos mais graves problemas ambientais da atualidade. “Em muitos municípios não há aterros sanitários, então ele é feito em lixões, sem nenhum cuidado, fato que provoca danos não só ao ambiente, mas também aos seres humanos”, alerta. Ela explica que a abordagem para que as crianças compreendam a importância da reciclagem passa, primeiro, pela compreensão da realidade vivida por elas.
Reciclagem na escola: dicas para incluir o assunto na grade escolar.

Gincana de reciclagem

Algumas reflexões podem ser úteis para os professores. Por exemplo, qual é a realidade do município em que a criança vive? Como são feitas a coleta e a destinação do lixo nesse local? “Se possível, é uma boa ideia trazer para a escola alguém que possa falar sobre essa realidade”, aconselha Josimeire.

Em seguida, por meio de técnicas lúdicas como jogos, brincadeiras e canções, é preciso gerar a consciência de que a separação do lixo é uma das formas mais simples de cuidar do planeta. Por fim, é fundamental fazer com que essas práticas se tornem recorrentes entre os alunos.

“Uma opção para começar o processo de conscientização é propor, no início do ano letivo, uma gincana cujo objetivo é que cada turma leve para a escola produtos derivados da reciclagem (papel, vidro, plástico, metal), que sejam pesados e, posteriormente, doados e/ou vendidos Assim, quando o ano acabar, a turma vencedora pode ser premiada”, propõe. Segundo a educadora, a ideia, além de naturalizar a relação dos alunos com a coleta seletiva, também pode ajudar a levar esse costume para dentro das casas desses alunos, transformando assim os hábitos de famílias inteiras.

Turra destaca que, além do ganho ambiental, a reciclagem traz também um ganho econômico e social, “especialmente voltado a um setor que não é muito lembrado, que é o dos catadores e cooperativas de reciclagem. Nesse sentido, há uma oportunidade de geração de emprego digno, renda e bem-estar para um contingente enorme de pessoas”, reflete.

Abordagem interdisciplinar

De acordo com Marco Aurelio Pereira Bueno, assessor pedagógico da Editora Aprende Brasil, a reciclagem é parte dos conteúdos de Ciências no 2º, 5º e 9º anos do Ensino Fundamental. No entanto, para que as crianças de fato se conscientizem da relevância desse assunto, é importante tratar dele de forma interdisciplinar.

“Na Matemática, podem-se abordar as toneladas de lixo que são descartados sem nenhum tipo de separação, causando grande dano ao meio ambiente. Em História, é possível apresentar o avanço do consumismo ao longo dos séculos e o consequente aumento do lixo. Em Arte, trazer as possibilidades de produções a partir dos materiais recicláveis. Em Educação Física, criar jogos e brincadeiras a partir do lixo reciclável. Em Língua Portuguesa, propor a produção de contos, poemas e histórias que tenham como pano de fundo a reciclagem. Em Língua Inglesa, trabalhar com palavras que estejam vinculadas à temática, ampliando assim o vocabulário das crianças”, exemplifica.

Para Turra, a mudança de comportamento ocorre quando três coisas acontecem. “A primeira é o conhecimento, a informação e a ciência. A segunda é a emoção, que mexe com outros aspectos da cognição das pessoas. A terceira é a vontade de fazer algo acontecer. O jeito de se fazer isso é trazer os alunos para o protagonismo, compartilhar com eles o problema e fazê-los entender que eles são parte da solução. Tudo isso tem que fazer sentido para eles”, finaliza. (ecodebate)

Confirmado La Niña, de moderado a forte, em 2020/2021

Confirmado La Niña, de moderado a forte, em 2020/2021; Veja os impactos estimados.
La Niña presente no Pacífico equatorial, em setembro de 2020.

O La Niña se desenvolveu e deve durar até o próximo ano, afetando as temperaturas, a precipitação e os padrões de tempestades em muitas partes do mundo, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

A declaração global de um evento La Niña é usada por governos para mobilizar o planejamento em setores sensíveis ao clima, como agricultura, saúde, recursos hídricos e gestão de desastres. A OMM está agora intensificando seu apoio e aconselhamento para agências humanitárias internacionais para tentar reduzir os impactos entre os mais vulneráveis ​​em um momento em que as capacidades de enfrentamento são esticadas pela pandemia COVID-19.

O La Niña deste ano deve ser moderado a forte. A última vez que houve um evento forte foi em 2010-2011, seguido por um evento moderado em 2011-2012.

La Niña refere-se ao arrefecimento em grande escala das temperaturas da superfície do oceano no Oceano Pacífico equatorial central e oriental, associado a alterações na circulação atmosférica tropical, nomeadamente ventos, pressão e precipitação. Geralmente tem impactos opostos sobre o tempo e o clima como o El Niño, que é a fase quente do chamado El Niño Oscilação Sul (ENOS).

“El Niño e La Niña são os principais condutores naturais do sistema climático da Terra. Mas todos os eventos climáticos de ocorrência natural agora ocorrem em um contexto de mudança climática induzida pelo homem, que está exacerbando as condições meteorológicas extremas e afetando o ciclo da água ”, disse o Secretário-Geral da OMM, Professor Petteri Taalas.

“La Niña normalmente tem um efeito de resfriamento nas temperaturas globais, mas isso é mais do que compensado pelo calor retido em nossa atmosfera pelos gases de efeito estufa. Portanto, 2020 continua no caminho de ser um dos anos mais quentes já registrados e espera-se que 2016-2020 seja o período de cinco anos mais quente já registrado ”, disse o professor Taalas. “Os anos de La Niña agora são mais quentes do que os anos com fortes eventos El Niño do passado.”

A nova atualização ENSO da OMM afirma que há uma alta probabilidade (90%) das temperaturas da superfície do mar tropical do Pacífico permanecerem nos níveis de La Niña até o final de 2020, e talvez até o primeiro trimestre de 2021 (55%). Isso segue mais de um ano de condições ENOS neutras (ou seja, nem El Niño nem La Niña). A atualização é baseada em previsões dos Centros Produtores Globais de Previsões de Longo Prazo da OMM e interpretação de especialistas.

É importante observar que El Niño e La Niña não são os únicos fatores que impulsionam os padrões climáticos globais e regionais. Não há dois eventos La Niña ou El Niño iguais, e seus efeitos nos climas regionais podem variar dependendo da época do ano e de outros fatores. Portanto, os tomadores de decisão devem sempre monitorar as previsões sazonais mais recentes para obter as informações mais atualizadas.

Atualização Global Sazonal do Clima – Parcelas de precipitação e temperatura para novembro – janeiro de 2021.

Impactos de La Nina 2020 (resumo) 

As últimas previsões sazonais indicam que o Grande Chifre da África (precipitação abaixo do normal), Ásia Central (precipitação abaixo do normal) e Sudeste Asiático, algumas das ilhas do Pacífico e a região norte da América do Sul (precipitação acima do normal) verão alguns as anomalias de precipitação mais significativas associadas ao evento La Niña de 2020.

África

O evento La Niña deste ano coincide com uma importante estação de chuvas e plantio em grande parte da África Oriental,  que deverá apresentar condições mais secas do que o normal. Isso, somado aos impactos existentes da  invasão de gafanhotos do deserto , é mais um desenvolvimento preocupante que pode aumentar os desafios de segurança alimentar na região.

La Niña pode levar ao aumento da precipitação na África Austral e isso é indicado por alguns modelos de previsão sazonal recentes. No entanto, existem algumas nuances neles e, portanto, as previsões atualizadas devem ser monitoradas ao longo dos próximos meses. La Niña também pode afetar a temporada de ciclones tropicais do sudoeste do Oceano Índico, reduzindo a intensidade. Especialistas da OMM e colegas humanitários se reunirão em novembro para realizar uma análise completa da temporada que está por vir.

Ásia Central

Na Ásia Central, os eventos La Niña são conhecidos por levar a uma redução nas chuvas de janeiro a maio. No entanto, a última previsão sazonal destaca uma maior probabilidade de que uma área do Levante até a Ásia Central tenha probabilidade de ver chuvas abaixo do normal ainda mais cedo do que o normal.

SE Ásia e Pacífico

O La Niña é frequentemente associado a condições úmidas em grandes partes do Sudeste Asiático, Austrália e as últimas perspectivas sazonais são consistentes com as condições históricas do La Niña.

Para as ilhas do Pacífico, os efeitos do La Niña variam de país para país. Aqueles no Pacífico Central e Oriental podem ser mais suscetíveis a chuvas abaixo do normal, enquanto os países do Sudoeste do Pacífico ficarão mais sujeitos a chuvas acima do normal.

Sul da Ásia

Em eventos anteriores de La Niña, o Sul da Ásia experimentou uma mistura de efeitos, que vão desde condições mais secas do que as normais no extremo sul, mais úmido em grande parte das regiões centrais de junho a setembro e novamente mais seco no extremo norte/norte oeste.

As últimas perspectivas sazonais fornecem um quadro misto semelhante, com condições de seca esperadas nos próximos meses no norte da região, enquanto o resto da região deverá apresentar condições quase normais. No extremo sul da região, o último GSCU indica uma chance de chuvas acima do normal, enquanto a edição de setembro indica uma possibilidade de chuvas abaixo do normal. A situação continuará a ser monitorada.

América do Norte, América Central e Caribe

Na América do Norte, o La Niña normalmente traz acima da média ao longo da camada norte do continente, juntamente com precipitação abaixo da média e em todo o sul. Os resultados do modelo de previsão mais recente são consistentes com esta análise de impacto histórico.

No Caribe, os eventos La Niña podem contribuir para um aumento na intensidade da temporada de furacões. A temporada de 2020 tem sido uma das mais ativas já registradas.

Previsão de consenso de La Niña, até abril de 2021.

América do Sul

Na América do Sul, o La Niña pode trazer chuvas acima do normal em grandes partes do norte do continente, enquanto mais ao sul, abaixo do normal, podem ocorrer chuvas nas costas leste e oeste. O evento La Niña de 2020 mostra características muito semelhantes, com a parte norte do continente provavelmente tendo chuvas acima do normal, enquanto grande parte do cone sul provavelmente terá chuvas abaixo do normal. (ecodebate)

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

O setor de energia é causa, mas é vulnerável às mudanças climáticas

Termelétrica a carvão.

O setor de energia é causa, mas é vulnerável às mudanças climáticas.

À medida que as temperaturas globais aumentam, a demanda por refrigeração está aumentando. Mas, em face do aumento da demanda de energia na estação quente, a confiabilidade da energia pode ser prejudicada, devido aos impactos das mudanças climáticas no sistema energético, especialmente no Sul da Ásia e na América Latina.

Um artigo de revisão na Nature Energy, realizado com a contribuição da Fundação CMCC, mostra como eventos climáticos extremos estão afetando a eficiência das infraestruturas de energia e ameaçando as tecnologias renováveis.

O setor de energia é a maior fonte de emissões de gases de efeito estufa e, portanto, o principal responsável pelas mudanças de origem humana observadas no sistema climático, mas também é vulnerável às mudanças climáticas.

Para compreender os impactos futuros do clima nos sistemas de energia, uma equipe de cientistas – incluindo pesquisadores da Fundação CMCC – revisou a literatura sobre o assunto, identificando lacunas de conhecimento nas pesquisas existentes. O artigo “Impactos das mudanças climáticas nos sistemas de energia em cenários globais e regionais”, publicado na Nature Energy, engloba um resumo de 220 artigos da literatura mundial sobre os impactos projetados das mudanças climáticas no fornecimento e na demanda de energia, tanto global quanto escalas regionais.

O estudo revela que, em nível global, as mudanças climáticas devem influenciar a demanda de energia, afetando a duração e a magnitude das necessidades diurnas e sazonais de aquecimento e resfriamento. De fato, devido ao aumento das temperaturas, um aumento na demanda por refrigeração e uma diminuição na demanda por aquecimento é esperado no futuro.

Consequências das mudanças climáticas na economia.

“Há uma espécie de duplo impacto”, explicam Enrica De Cian e Shouro Dasgupta, pesquisadores da Fundação CMCC, da Universidade Ca ‘Foscari de Veneza e do Instituto Europeu de Economia e Meio Ambiente RFF-CMCC, entre os autores do estudo. “Por um lado, com o aumento da demanda por refrigeração, principalmente na estação quente, os sistemas de energia estão funcionando no limite. Mas, ao mesmo tempo, este pico de demanda de energia no verão está coincidindo com a redução da capacidade de transmissão e distribuição, porque altas temperaturas e eventos extremos de calor afetarão as infraestruturas de energia – especialmente redes de energia e linhas de transmissão – reduzindo sua eficiência e, portanto, a confiabilidade energética”.

Além disso, se a geração de eletricidade térmica suporta a maior parte do risco de ondas de calor e secas, as tecnologias de transmissão e renováveis são altamente sensíveis a muitos outros eventos climáticos extremos, como ondas de frio, incêndios florestais, inundações, neve pesada, tempestades de gelo e vendavais. A mudança esperada na frequência e intensidade de tais eventos pode resultar em mais interrupções na rede elétrica e nas linhas de transmissão, afetando os custos e o fornecimento de energia.

“Compreender os impactos das mudanças climáticas nos sistemas de energia em nível global é um importante insumo para o Sexto Relatório de Avaliação do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e para a implementação do Acordo de Paris. Além disso, os resultados deste trabalho podem ser usados para estudos relacionados à implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e, em particular, para esclarecer as sinergias e compensações entre o ODS7 (Energia Limpa e Acessível) e o ODS13 (Ação Climática) ”, explica Dasgupta. “Mas estudos profundos em nível regional e nacional também são fundamentais, porque nos permitem enfrentar também questões comportamentais: o comportamento das pessoas é extremamente importante quando se trata de nossa demanda de energia no futuro.”

Em nível regional, os resultados da literatura são mais mistos e incertos. Grandes diferenças regionais foram observadas pelos autores, não só devido às peculiaridades geográficas, mas também por diferenças metodológicas entre os estudos. “Apesar das incertezas, que evidenciam a necessidade de mais pesquisas – principalmente no âmbito das energias renováveis – temos resultados regionais que vale a pena considerar”, especifica De Cian. “Por exemplo, os impactos mais fortes das mudanças climáticas no setor de energia são esperados no Sul da Ásia e na América Latina, duas economias emergentes que têm em comum uma alta densidade populacional. Esta informação é crítica quando se trata de planejar estratégias de adaptação às mudanças climáticas".

As políticas de adaptação às mudanças climáticas nos ajudarão a resistir as consequências do aquecimento global.

A grande variedade de metodologias e conjuntos de dados que estão sendo usados atualmente na literatura limita o escopo da avaliação dos impactos das mudanças climáticas no setor de energia, levando a diferenças significativas nos resultados entre vários estudos. Por essa razão, os autores recomendam uma estrutura consistente de avaliação de modelos múltiplos para apoiar o planejamento de energia em escala regional a global. (ecodebate)

O movimento “Too good to go”, contra o desperdício de comida

Nestes tempos em que a pandemia, aliada a conflitos armados, secas, inundações, pragas e crises econômicas, podem deixar cerca de 265 milhões de pessoas sujeitas à fome, vale a pena refletirmos sobre nosso relacionamento com a comida, especialmente em termos de desperdícios.

Afinal, um terço de toda a comida que se produz é desperdiçada; são cerca de 51 toneladas por segundo.

Um movimento nascido em 2015 na Dinamarca, usa um aplicativo batizado “Too good to go”, algo como “muito bom para ser jogado fora”, como a principal ferramenta para diminuir esse desperdício.

A ideia é que restaurantes, lojas de fast food, padarias e outros estabelecimentos desse tipo, vendam no final do dia a comida que não foi consumida nos horários normais, a preços que na Europa oscilam entre €$ 3 e €$  5.

Too Good To Go - Combate o desperdício alimentar.

Os interessados em comprar esss refeições, contatam o estabelecimento de sua preferência, fazem reservas e pagam através do aplicativo; no horário fixado, retiram suas compras. Um detalhe: o conteúdo é surpresa, e as refeições vêm em uma embalagem chamada “magic box” (caixa mágica).

Participam 45 mil estabelecimentos de 14 países da Europa e dos Estados Unidos, que já venderam 40 milhões de “magic boxes”.

É uma solução do tipo ganha-ganha: os preços são baixos pelos padrões europeus e os empresários obtém uma receita marginal. A natureza também agradece, pois o movimento já permitiu que se evitasse o lançamento na atmosfera de 100 mil toneladas de dióxido de carbono.

Os idealizadores do movimento lembram aos compradores que se trata de uma filosofia e não de uma jogada de marketing, mostrando na tela de seus smartphones, quando concluem a compra, uma mensagem lembrando o benefício feito à natureza. (ecodebate)

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