terça-feira, 25 de maio de 2021

Organizar cadeia de reciclagem de resíduos de embalagens plásticas

É necessário organizar a cadeia de reciclagem de resíduos de embalagens plásticas.
Esforços de reciclagem de resíduos de embalagens de plástico são sufocados por entraves regulatórios e tecnológicos.

Mudanças significativas na forma como os resíduos de embalagens plásticas são reciclados na Inglaterra são necessárias para eliminar os resíduos plásticos evitáveis até 2043 e atender às ambições do governo em sua Estratégia de Recursos e Resíduos.

Um novo estudo da University of Leeds e da Brunel University London descobriu que o sistema atual de coleta e gerenciamento de resíduos de embalagens plásticas prejudica as autoridades locais e desestimula os esforços para investir em infraestrutura verde para explorar a mudança tecnológica.

Isso leva a uma dependência excessiva da exportação de resíduos para mercados com políticas de reciclagem questionáveis e também prejudica a tomada de decisão do consumidor sobre como descartar resíduos de embalagens plásticas. O relatório – ‘ Embalagem de plástico – Como chegamos onde queremos estar? ‘- concluiu que o custo de coleta e gestão de resíduos sob o sistema atual significava que algumas autoridades locais foram forçadas a se vincular a contratos de até 25 anos para torná-lo economicamente viável.

O estudo foi financiado através do Fundo de Inovação em Pesquisa e Plástico e o Conselho de Pesquisa Econômica e Social, trabalhando em colaboração com o Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais (DEFRA) , o setor de gestão de resíduos e outras partes interessadas.

Ele também descobriu que as empresas de resíduos precisam estar confiantes de que podem ter um bom retorno sobre o investimento – o que incentiva esses contratos longos – mas isso torna difícil para as autoridades locais implementarem mudanças em sua infraestrutura.

Os pesquisadores argumentam que uma redução na carga de custos para as autoridades locais, por meio de uma distribuição mais equitativa do valor no sistema, pode incentivar o investimento de longo prazo, mas que os bloqueios regulatórios e tecnológicos precisam ser enfrentados.

Reciclagem do plástico, um drama da nossa geração.

Reciclagem do plástico, o mundo produziu quase 9 bi de toneladas em 70 anos e reciclou apenas 20%.

As principais reformas no âmbito da Estratégia de Recursos e Resíduos, incluindo consistência na coleta de resíduos, responsabilidade alargada do produtor e esquemas de devolução de depósitos, foram concebidas para enfrentar os problemas e reter valor. A colaboração do DEFRA com este projeto é um reflexo do que o DEFRA está fazendo para mover as coisas na direção certa.

O relatório analisou o sistema de embalagens plásticas do Reino Unido na Inglaterra usando uma nova abordagem de sistemas denominada ‘Otimização de valor complexo para recuperação de recursos’ (CVORR).

O coautor do relatório, Andrew Brown, Professor de Economia da Universidade de Leeds, disse: “O relatório mostra a importância de uma colaboração profunda entre economistas, engenheiros e cientistas ambientais, trabalhando também em colaboração com o DEFRA, o setor de gestão de resíduos e outras partes interessadas”.

O professor Brown enfatizou que “para aproveitar as enormes oportunidades de longo prazo para preservação e criação de valor por meio da reciclagem de embalagens plásticas, é necessária uma mudança em todo o sistema, guiada pela nova estrutura CVORR”.

“A inovação na indústria de resíduos e reciclagem é realmente rápida, mas nossas autoridades locais não podem tirar proveito do sistema atual”, disse a Dra. Eleni Iacovidou, professora de Gestão Ambiental da Brunel, que conduziu o estudo.

Comercialização e Reciclagem de Resíduos.

Você sabe de fato o que é reciclagem?

“Confrontar e quebrar os bloqueios às regulamentações e infraestruturas atuais é a chave para alcançar transformações radicais no sistema de embalagens de plástico e nos sistemas de recuperação de recursos em geral”.

O Dr. Iacovidou continuou: “A complexidade do sistema de embalagem de plástico significa que não existe uma solução perfeita para os muitos problemas que afligem o sistema de embalagem de plástico e que são necessárias várias maneiras direcionadas e informadas de abordar esses problemas. A estrutura do CVORR nos ajuda a entender esses problemas e encontrar soluções de uma forma muito mais clara e integrada”.

Os pesquisadores apontam a saída do Reino Unido da União Europeia como um desafio significativo para cumprir a meta de 2050, mas também uma oportunidade para implementar as mudanças necessárias à medida que o governo se desvincula da regulamentação europeia. Isso exige a orquestração de processos e estruturas em toda a cadeia de valor.

O relatório propôs novas métricas para o governo usar ao monitorar e avaliar seu sucesso em relação à meta de 2050. As métricas desenvolvidas correspondem a quatro domínios de valor – ambiental, econômico, social e técnico – permitem uma avaliação sistêmica do sistema de embalagens plásticas, tão necessária para realizar a mudança e monitorar essa mudança.

A reciclagem, além de contribuir muito com o desenvolvimento sustentável gera riqueza. Transformam resíduos que seriam destinados para aterros em novos produtos, matéria-prima e insumos para a cadeia produtiva.

Comercialização e Reciclagem de Resíduos.

O estudo, que foi financiado pelo Conselho de Pesquisa Econômica e Social (ESRC), foi de autoria de Eleni Iacovidou, Norman Ebner, Bianca Orsi e Andrew Brown. (ecodebate)

Dia da Terra: regeneração ecológica ou extinção

É necessário promover uma regeneração ecológica para evitar a 6ª extinção em massa das espécies, pois o aquecimento global e a perda de biodiversidade podem levar à extinção civilizacional, posto que o ecocídio é também um suicídio.

“Os humanos devem perceber que são ‘intrusos’ e devem se comportar de forma a não perturbar o meio ambiente” - David Attenborough.
A Cúpula do Clima organizada no Dia da Terra, em 22/04/2021 pelo presidente Joe Biden, contou com 40 líderes políticos das nações mais poluidoras do Planeta e foi muito importante, pois marcou não somente o retorno dos Estados Unidos ao Acordo de Paris, mas indicou também a disposição política de colocar a questão climática no centro das preocupações nacionais e internacionais da nova administração americana. Na abertura da Cúpula virtual o presidente Biden prometeu reduzir em 50% as emissões de carbono dos Estados Unidos (em relação a 2005) até o final desta década. É quase o dobro do que Barack Obama havia prometido quando assinou os Acordos de Paris em 2015.

A presença de líderes importantes como Xi Jinping da China, Vladimir Putin da Rússia e Narendra Modi da Índia mostra que a nova orientação da Casa Branca deixou para trás o isolacionismo e o negacionismo e está buscando acordos multilaterais para enfrentar a gravidade da crise climática. Só a efetiva união dos principais países poluidores pode trazer alguma esperança de redução das emissões de gases de efeito estufa.

Segundo o comunicado da Casa Branca, um dos principais objetivos da Cúpula do Dia da Terra é articular os esforços para limitar o aquecimento global a 1,5ºC e facilitar os acordos para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática de 2021, a COP-26, que está programada para ser realizada na cidade de Glasgow, de 1 a 12 de novembro de 2021, sob a presidência do Reino Unido. Como mostra o gráfico abaixo, o ritmo de redução das emissões é desafiador.

Evidentemente, o mundo não está na rota do controle do aquecimento global. O discurso do presidente Jair Bolsonaro foi do tipo “para inglês ver” e mesmo não sendo formalmente totalmente ruim, contrariou posicionamentos anteriores do governo e, diplomaticamente, teve boa receptividade entre os organizadores da Cúpula. Mas o Brasil que tem a sexta maior população do mundo só teve a palavra no final do grupo do G-20. Além do mais o presidente Joe Biden teve que sair do encontro rapidamente e não viu o discurso do presidente brasileiro. Não se sabe se o motivo desta saída foi proposital. Mas a liderança internacional questionou até que ponto o discurso do presidente brasileiro refletia a realidade que está acontecendo no Brasil. Houve uma reação tipo São Tomé: “ver os resultados para crer”.

O presidente Bolsonaro insistiu em dizer que o Brasil emite “apenas” 3% das emissões globais, com se isto fosse uma grande vantagem. Acontece que o Brasil tem 2,7% da população mundial e um PIB que representa 2,4% do PIB mundial (em termos de paridade de compra – ppp) e de 1,7% em termos de dólares correntes. Portanto, o Brasil emite mais do que proporcionalmente ao tamanho da população ou da economia. E o governo ainda cortou verbas para fiscalização do desmatamento e contenção das queimadas.

O presidente brasileiro prometeu: 1) Zerar o desmatamento ilegal até 2030; 2) Reduzir as emissões de gases de efeito estufa; 3) buscar a neutralidade de emissões de carbono até 2050; 4) Fortalecer os órgãos ambientais. Todas as promessas são para o futuro e na prática o governo tem enfraquecido os órgãos de defesa do meio ambiente, cancelou a realização do censo demográfico, defendeu o direito ao desenvolvimento e não disse nada sobre a recuperação das áreas degradadas.

Acontece que o chamado “desenvolvimento sustentável” virou um oximoro e o tripé da sustentabilidade virou um trilema. A humanidade já ultrapassou a capacidade de carga do Planeta e, a cada ano, o dia da sobrecarga chega mais cedo. Isto significa que o contínuo crescimento da produção de bens e serviços acontece em detrimento da saúde dos ecossistemas e à custa da perda da biodiversidade. Enquanto a humanidade progride, o meio ambiente regride. Mais desenvolvimento implica menos natureza.

Portanto, o desenvolvimento – que significa o contínuo processo de acumulação de riqueza por parte dos seres humanos – não é um processo ambientalmente sustentável. Pretender enriquecer a humanidade mediante o empobrecimento da natureza é como cortar o galho de uma árvore sentado na ponta. Para haver sustentabilidade é preciso um pensamento ecológico holístico. Ou seja, é necessário reconhecer que o ser humano é apenas uma parte da comunidade biótica e que o egoísmo do homo economicus é incompatível com o requisito básico de uma relação altruísta e pacífica entre todos os seres vivos da Terra. Ao invés de transformar toda a riqueza do meio ambiente em “valor de troca”, o certo seria reconhecer que a natureza tem valores intrínsecos e princípios que são inegociáveis, como nos ensina a Ecologia Profunda.

Artigo de Daniel Christian Wahl (Beyond Sustainability — We are Living in the Century of Regeneration, Resilience, 18/04/2018) mostra que é preciso valorizar o ecossistema e promover uma mudança de paradigma, deixando para trás as atitudes ignorantes e egoístas de destruição do próprio habitat para garantir que os sistemas naturais da Terra possam alcançar sua capacidade ideal de sustentar a vida. Ao invés de desenvolvimento sustentável é preciso avançar no desenvolvimento regenerativo.

Para o autor, o termo sustentável foi cooptado e algumas pessoas consideram sua empresa sustentável porque manteve o crescimento e os lucros por vários anos seguidos. O termo sustentabilidade nos pede para explicar o que estamos tentando sustentar. O termo desenvolvimento regenerativo, por outro lado, traz consigo um objetivo claro de regenerar a saúde e a vitalidade dos ecossistemas. Em um nível básico, a regeneração significa não usar recursos que não podem ser regenerados. Nem usar os recursos mais rapidamente do que eles podem ser regenerados. Desenvolvimento neste contexto é “co-evolução da mutualidade”. A segunda razão é que é preciso ir além de ser apenas sustentável para realmente regenerar o dano que a humanidade provocou no planeta desde o alvorecer da agricultura, das cidades, dos Estados e dos Impérios.

O diagrama abaixo mostra a passagem de um sistema degenerativo para um sistema regenerativo. A escrita verde e vermelha acima e abaixo do eixo x se refere ao impacto positivo (verde) e impacto negativo (vermelho). No modelo em que tudo continua na mesma (“business as usual”) o primeiro avanço ocorre quando as práticas se movem para o estágio “Green” (economia verde), que significa fazer um pouco mais do que o usual, ou seja, poluir um pouco menos, usando menos energia de fontes não renováveis, etc. Este é um passo frequentemente denominado “maquiagem verde” (“greenwashing”), mesmo que seja uma necessidade nos diversos passos na jornada para ir além da sustentabilidade.

Na passagem do verde (“Green”) para o sustentável (“sustainable”) se chega ao ponto do impacto neutro, em que as atividades sustentáveis não causam danos adicionais. No entanto, com os enormes prejuízos ambientais causados desde o início da revolução industrial é preciso fazer mais do que simplesmente sustentar uma população humana de mais de 7 bilhões de pessoas e que pode chegar a 11 bilhões até 2100, com um crescimento econômico ainda maior.

Na passagem do estágio sustentável para o restaurativo (“restorative”) ainda é possível utilizar a mentalidade antropocêntrica instrumental que vê o ser humano como a medida de todas as coisas. Essa mentalidade de engenharia para a restauração pode criar projetos que restaurem florestas ou ecossistemas, mas de maneira não sistêmicas e integrativas e, portanto, esses esforços e seus efeitos podem ter vida curta ou resultar em efeitos colaterais inesperados e negativos.

Na passagem do estágio restaurativo (“restorative”) para o reconciliatório (“reconciliatory”) se busca projetos de restauração em grande escala para a adaptação cuidadosa à singularidade biocultural do lugar, podendo gerar sucessos de curto prazo, mas falhar em criar significado suficiente para motivar a transformação de longo prazo.

Na passagem do penúltimo estágio, o reconciliatório (“reconciliatory”), para o último o regenerativo (“regenerative”) o desenvolvimento revela o total potencial ecocêntrico. A reconciliação entre natureza e cultura permitiria reconciliar a jornada evolutiva da vida e iniciando uma nova trilha de atuação de forma regenerativa. Regeneração de ecossistemas em grande escala para reverter o aquecimento global, estabilizar o clima, recuperar a biodiversidade e permitir a transição para uma economia baseada em biomateriais de padrões ecológicos de produção e consumo descentralizados biorregionalmente e orientados para a regeneração social e econômica, a resiliência e a colaboração global na aprendizagem de como viver bem e conjuntamente na mesma nave viva que é a Terra (WAHL, 18/04/2018)

A Terra deveria ter o potencial de alcançar um “Equilíbrio Evolucionário”, significando que os solos, os oceanos, as plantas, os animais, a atmosfera, o ciclo da água e o clima da Terra possam interagir de uma forma natural, sem interferência humana. Se estivermos conscientes disso e não interferirmos no Sistema Terrestre os interesses da humanidade podem coincidir com os interesses de todos os seres vivos da Terra. A civilização precisa ser compatível com a reselvagerização do mundo.

Existe a necessidade de fazer a transição da economia fóssil para a “bioeconomia”, que é uma economia centrada no uso de recursos biológicos renováveis em vez de fontes baseadas em fósseis para produção industrial e de energia sustentável. Abrange várias atividades econômicas desde a agricultura até o setor químico e farmacêutico. Ou seja, é uma economia com base nos recursos renováveis, conhecimento biológico e processos biotecnológicos para estabelecer uma economia de base biológica e, acima de tudo, ecologicamente sustentável, focada na renovabilidade e na neutralidade do carbono.

Portanto, mesmo sendo fundamental cortar as emissões de carbono é preciso ir além.

É necessário promover uma regeneração ecológica para evitar a 6ª extinção em massa das espécies, pois o aquecimento global e a perda de biodiversidade podem levar à extinção civilizacional, posto que o ecocídio é também um suicídio.

Por conseguinte, a humanidade tem que escolher entre a regeneração ecológica ou a extinção. (ecodebate)

Microplásticos afetam o ciclo global de nutrientes e os níveis de oxigênio no oceano

O biólogo Jonas Leite, doutor em oceanografia, presidente do Instituto Meros do Brasil, mostra microplástico vindo do mar coletado na areia da praia de Botafogo.

Os efeitos do aumento constante da quantidade de plástico no oceano são complexos e ainda não totalmente compreendidos.

Cientistas do GEOMAR Helmholtz Center for Ocean Research Kiel mostraram pela primeira vez que a absorção de microplásticos pelo zooplâncton pode ter efeitos significativos no ecossistema marinho, mesmo em baixas concentrações.

O estudo, publicado na revista internacional Nature Communications, indica ainda que as mudanças resultantes podem ser responsáveis por uma perda de oxigênio no oceano além daquela causada pelo aquecimento global.

Resíduos de plástico no oceano são um problema amplamente conhecido para grandes mamíferos marinhos, peixes e aves marinhas. Esses animais podem confundir objetos de plástico, como sacolas plásticas, com alimentos de aparência semelhante, como águas-vivas. O zooplâncton minúsculo também pode confundir partículas de plástico muito pequenas com alimentos e ingeri-las acidentalmente ou por acaso (quando as partículas se combinam com partículas orgânicas).

Os efeitos diretos de tal ingestão de microplásticos no zooplâncton são mal compreendidos, mas os efeitos mais amplos sobre os ecossistemas do zooplâncton substituindo alguns de seus alimentos por plástico são muito menos compreendidos. Agora, pela primeira vez, uma equipe de pesquisa usou um modelo do sistema terrestre para simular como o zooplâncton que ingerem microplásticos pode afetar a base da teia alimentar do oceano e o ciclo de nutrientes.

Os resultados, agora publicados na revista internacional Nature Communications, sugerem que mesmo baixas concentrações de microplásticos podem ter um forte impacto nos ecossistemas. “Essa influência já é suficiente para afetar o ciclo global de nutrientes”, diz a Dra. Karin Kvale, principal autora do estudo.

“Essas descobertas são significativas porque há muito ceticismo na comunidade científica de que as concentrações de microplásticos no oceano são altas o suficiente para ter qualquer impacto na ciclagem de nutrientes”, diz a Dra. Karin Kvale. “Nosso estudo mostra que mesmo em níveis presentes no oceano hoje, ele já pode ser o caso se o zooplâncton substituir alguns de seus alimentos naturais com microplásticos”.

“Se o zooplâncton come os microplásticos e, assim, consume menos comida, isso pode ter efeitos ecológicos de longo alcance que podem, por exemplo, levar ao aumento da proliferação de algas por meio de uma redução na pressão de alimentação que afeta o conteúdo de oxigênio dos oceanos quase tanto quanto as mudanças climáticas”, Kvale continua. Essas descobertas apontam para um novo fator potencial de mudança oceânica induzida pelo homem que não foi considerado antes.

A ameaça dos microplásticos.

No entanto, Kvale aponta que os resultados são muito preliminares “porque pouco ainda se sabe sobre como a base do alimento interage com a poluição microplástica”. É necessário mais trabalho neste tópico, diz ela, mas o estudo fornece uma forte motivação para expandir a capacidade dos modelos do sistema terrestre de incluir os efeitos da poluição como um novo impulsionador das mudanças oceânicas. (ecodebate)

domingo, 23 de maio de 2021

Energisa lança ferramenta para monitorar redução de gases de efeito estufa

Descarbonômetro permite acompanhar resultados do maior programa de desligamento de termelétricas do país.

O Grupo Energisa está lançando o Descarbonômetro, um monitor online que permite acompanhar hora a hora a redução da emissão de gases de efeito estufa decorrente do maior programa de desligamento de usinas termelétricas do país.

A Energisa informou que no Descarbonômetro é possível acompanhar a quantidade de CO2 evitado, as plantas desativadas, a potência descomissionada e o custo evitado, entre outras informações, detalhadas por localidade atendida na Amazônia.

O projeto de desativação das térmicas teve início em 2019 e tem previsão para desligar até 2025, 19 plantas, sendo 13 em Rondônia, 5 no Acre e 1 no Pará. As regiões deixarão de consumir energia desses sistemas de geração isolados e serão conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN), beneficiando mais de 400 mil pessoas em 16 municípios da região Norte com energia mais limpa e de maior confiabilidade.

Segundo a companhia, no total será investido R$ 1,2 bilhão, retirando de operação 169 MW de plantas diesel, mais caras e poluentes, gerando uma economia anual de R$ 665 milhões. O valor é suficiente para implementar projetos de eficiência energética em cerca de duas mil escolas ou mil hospitais por ano. Quando o programa for concluído, 502 mil toneladas de CO2 deixarão de ser emitidas anualmente. (canalenergia)

Agropecuária impulsiona emissões de gases de efeito estufa no Nordeste

Agropecuária impulsiona emissões de gases de efeito estufa no Nordeste

Rebanho bovino e alta demanda por energia nas capitais estão entre as principais fontes de gases de efeito estufa na região Nordeste, mostra mapeamento municipal inédito do Observatório do Clima.

A abertura de novas áreas para a pecuária e o cultivo de soja é um dos principais obstáculos à redução das emissões de gases de efeito estufa no Nordeste do país. A região emitiu 250,2 milhões de toneladas brutas de gás carbônico equivalente (CO2e) em 2018, o correspondente a 13% do total nacional, de acordo com a primeira edição do SEEG Municípios, uma iniciativa do Observatório do Clima. O cálculo leva em conta o CO2 e outros gases ligados ao aquecimento global, como metano (CH4) e óxido nitroso (N2O).

No quadro geral, as emissões do Nordeste diminuíram se comparadas com o total registrado no ano de 2000, quando a região emitiu 301,6 milhões de toneladas de CO2e. Contudo, é possível identificar aumento das emissões ao se analisar as contribuições de cada setor. Em 2000, a agropecuária foi responsável pela emissão de 59,3 milhões de toneladas de CO2e no Nordeste. Já em 2018, as emissões do setor atingiram 69,5 milhões de toneladas de CO2e.

Outros setores que liberaram, no mesmo período, mais gases de efeitos estufa na região foram o de energia (de 30 milhões de toneladas para 70 milhões de toneladas); o de processos industriais (de 5 milhões de toneladas para 5,4 milhões de toneladas); e o de resíduos (de 10,5 milhões de toneladas para 22,3 milhões de toneladas). A única categoria que registrou diminuição das emissões no Nordeste, comparando os anos de 2000 e 2018, é a de mudanças de uso da terra. A queda foi de 195,6 milhões de toneladas de CO2e em para 81,9 milhões de toneladas de CO2e.

Em aproximadamente 65,2% dos 1.794 municípios da região, o principal fator das emissões é o setor agropecuário, especialmente nos Estados do Maranhão e da Bahia. Mudanças de uso da terra, decorrentes principalmente do desmatamento, são responsáveis pela maior parte das emissões em 20,3% dos municípios nordestinos.

“Dentro da agropecuária, a fermentação entérica é o principal emissor em 67,3% dos municípios da região Nordeste”, informa Renata Potenza, coordenadora de projetos do Imaflora, organização responsável por compilar as informações sobre o setor. Ela se refere ao processo de digestão do rebanho bovino, durante o qual os animais liberam gás metano via eructação – o popular “arroto” do boi.

Açailândia, no extremo oeste do Maranhão, destaca-se no levantamento. Do total de 2 milhões de toneladas brutas de CO2e liberadas pelo município em 2018, aproximadamente 86,2% correspondem ao setor agropecuário e a alterações no uso da terra. Açailândia integra uma região conhecida como “Matopiba” – acrônimo formado pelas iniciais de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

“Essa região é marcada pela rápida conversão do Cerrado em áreas de produção agrícola e pecuária, com ênfase para commodities de exportação, como a soja”, explica Bárbara Zimbres, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), uma das entidades que participaram do levantamento.

“O plantio de soja e outras culturas agrícolas ganhou força, nos últimos anos, em municípios localizados no oeste da Bahia”, diz Zimbres. É o caso das cidades baianas de Correntina e São Desidério, que aparecem entre os 50 maiores produtores agrícolas do país, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Contudo, entre os 15 municípios mais emissores no Nordeste, destacam-se aqueles que têm no setor de energia sua principal fonte de emissões – devido especialmente ao consumo de combustíveis fósseis, como diesel e gasolina, nos transportes. Não surpreende que municípios mais populosos ou próximos de áreas litorâneas despontem nessa lista, como as capitais São Luís (MA), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Recife (PE), Aracaju (SE) e João Pessoa (PB). Somadas, as capitais – incluindo Natal (RN), Teresina (PI) e Maceió (AL) – emitiram 22,1 milhões de toneladas brutas de CO2e em 2018.

O campeão de emissões no Nordeste, porém, é São Gonçalo do Amarante, no Ceará. Com uma população de apenas 48 mil habitantes, o município é sede de duas termelétricas fósseis que funcionam a partir da queima de carvão mineral. A cidade cearense emitiu 4,5 milhões de toneladas de CO2e em 2018 – mais que o dobro do que foi emitido entre 2000 e 2011, período anterior à construção das termelétricas.

“Situação parecida ocorre em São Francisco do Conde, na Bahia”, alerta Felipe Barcellos e Silva, pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema). “O município faz parte da região metropolitana de Salvador e é um dos que mais emitem carbono no Nordeste.”

A razão, dia Barcellos, é que a cidade abriga a Usina Termelétrica Celso Furtado, movida a gás natural – um combustível fóssil – e a Refinaria Landulpho Alves, a primeira refinaria nacional de petróleo, criada em setembro de 1950. “Assim como queimadas florestais, refinarias de petróleo têm grande participação na emissão de poluentes”, comenta Barcellos.

Não só de emissões é feito o levantamento do Observatório do Clima. As análises também levam em conta ações de remoção de gases de efeito estufa colocadas em prática nos municípios. “É possível remover CO2 da atmosfera a partir de alterações de cobertura e uso da terra”, afirma Zimbres, do Ipam. “Isso pode ser feito por meio do manejo de áreas protegidas, como terras indígenas, ou de florestas secundárias, formadas em áreas degradadas”, explica a pesquisadora.

Mesmo municípios com altas taxas de desmatamento, como Açailândia, Bom Jardim e Barra do Corda – todos no Maranhão – conseguem remover volumes consideráveis de carbono da atmosfera, reduzindo as chamadas emissões líquidas. Juntas, essas cidades contabilizaram uma remoção de 2,1 toneladas de CO2e em 2018. Ao todo, o Nordeste contribuiu com a remoção de 63,3 milhões de toneladas de CO2e, o equivalente a 21,7% do total de gases removidos no país em 2018.

O levantamento também mapeou o impacto do tratamento de resíduos líquidos e sólidos nas emissões. Cidades grandes e populosas do Nordeste também são aquelas onde o tratamento de resíduos é uma fonte relevante de gases de efeito estufa – ainda que essa categoria responda por apenas 4% das emissões brutas do Brasil.

“As capitais e os municípios brasileiros com mais de 1 milhão de habitantes são responsáveis por cerca de 30% de todas as emissões do setor de resíduos”, ressalta assinala Íris Coluna, engenheira ambiental do ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade. De acordo com ela, a região Nordeste responde por 24% das emissões desse setor, ficando atrás apenas do Sudeste.

Fortaleza (CE), Salvador (BA) e Recife (PE) estão entre os dez municípios brasileiros que mais emitem gases de efeito estufa pela disposição final de resíduos sólidos em aterros sanitários – controlados ou lixões. “Cerca de 77% dos municípios do Nordeste têm como principal fonte de emissão, dentro do setor de resíduos, a disposição final do lixo”, sublinha Coluna.

Para ela, um dos méritos do SEEG Municípios é disponibilizar dados locais para que cada cidade possa elaborar suas próprias estratégias de redução de emissões. “Ter acesso a esse tipo de informação é importante, porque permite que o município compreenda sua realidade ambiental e enfrente os problemas de maneira mais efetiva.”

Na visão do engenheiro florestal Tasso Azevedo, coordenador-geral do SEEG, o levantamento fornece informações para que gestores municipais e outros atores sociais possam se concentrar exclusivamente na elaboração de planos e políticas públicas.
“Até hoje, menos de 5% dos municípios brasileiros tinham algum inventário de emissões de gases de efeito estufa. Como os dados são disponibilizados de forma aberta e gratuita, significam também uma enorme economia de recursos públicos, que podem ser direcionados em ações para reduzir emissões”, observa Azevedo. (ecodebate)

20% dos poços d’água subterrânea mundial correm o risco de secar

Até 20% dos poços de água subterrânea em todo o mundo correm o risco de secar.
Até 20% dos poços de água subterrânea em todo o mundo correm o risco de secar se as reservas de água subterrânea continuarem a diminuir, de acordo com um novo estudo, que avaliou dados de quase 39 milhões de poços em todo o mundo.

As descobertas revelam vulnerabilidades críticas até mesmo a reduções modestas nos níveis de água subterrânea, sugerindo uma ameaça iminente à água potável e irrigação agrícola para bilhões de pessoas.

A água subterrânea é a principal fonte de água para quase metade da população do planeta; no entanto, o aumento da demanda e uma falta geral de governança ou gestão adequada resultou no esgotamento contínuo de muitos dos principais aquíferos em todo o mundo. Este rebaixamento tem o potencial de impactar poços de água subterrânea significativamente.

No entanto, os dados sobre a disponibilidade de água subterrânea são difíceis de coletar e, apesar de sua importância no fornecimento de recursos hídricos cruciais, os poços de água subterrânea nunca foram avaliados em escala global. Para atender a essa necessidade, Scott Jasechko e Debra Perrone compilaram registros de construção de quase 39 milhões de poços de água subterrânea em 40 países em todo o mundo, incluindo dados locais sobre localizações de poços, profundidades, objetivos e datas de construção.

Jasechko e Perrone descobriram que entre 6 a 20% não são mais do que 5 metros mais profundos do que seu atual lençol freático local, sugerindo que milhões de poços correm o risco de secar se o nível do lençol freático diminuir apenas alguns metros. Além do mais, os autores descobriram que os poços mais novos não estão sendo construídos mais profundamente do que os poços mais antigos em algumas áreas que sofrem um rápido esgotamento das águas subterrâneas.

“Jasechko e Perrone implicitamente fornecem um aviso oportuno de que o acesso universal à água subterrânea está fundamentalmente em risco”, escrevem James Famiglietti e Grant Ferguson em uma perspectiva relacionada. “O momento é agora para pesquisa e exploração chave e para governança e políticas informadas pela ciência que abordem a demanda por água subterrânea e eliminar sua sobre-exploração”. (ecodebate)

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Governo decepcionará se não agir agora para combater mudanças climáticas

67% dos brasileiros acreditam que o governo decepcionará se não agir agora para combater mudanças climáticas.
Para 67%, governo decepcionará povo brasileiro se não agir agora para combater mudanças climáticas; Pesquisa da Ipsos também apontou que 3 em cada 4 entrevistados do Brasil cobram ações de empresas no combate às mudanças climáticas.

Quase sete entre cada dez brasileiros (67%) acreditam que, se o governo não agir agora para combater as mudanças climáticas, estará deixando a desejar com o povo do país. O dado faz parte do levantamento Earth Day 2021, realizado pela Ipsos com entrevistados de 30 nações na ocasião do Dia da Terra, celebrado em 22 de abril. Considerando os respondentes do mundo todo, o percentual é ligeiramente menor (65%).

Ainda que responsabilize a esfera governamental, a população do Brasil também cobra ações do setor privado. Três em cada quatro pessoas (75%) afirmam que se as empresas locais não agirem agora para combater as mudanças climáticas, elas estarão falhando com seus clientes e funcionários. No mundo, são 68%.

Além disso, 77% dos entrevistados brasileiros concordam que falharão com as gerações futuras se, enquanto indivíduos, não agirem para combater as mudanças climáticas neste momento. Levando em conta os respondentes das 30 nações, o índice é de 72%.

Apesar da ampla cobrança por iniciativas, no Brasil, 45% das pessoas acham que o governo não tem um plano claro de como vai trabalhar, em conjunto com as empresas e a própria população, para enfrentar as mudanças climáticas. Por outro lado, 26% acreditam que o governo possui, sim, ações planejadas para lidar com a questão. Globalmente, a média de respondentes que não deposita confiança no plano de ação de seu governo é de 34%, contra 31% que acreditam haver um plano claro traçado por seus governantes para o combate das mudanças climáticas.

“Enquanto 67% dos brasileiros concordam que se o governo não agir agora para combater a mudança climática estará decepcionando as pessoas, apenas 26% dizem que o governo realmente tem um plano claro de como fazer com que o próprio governo, empresas e pessoas atuem juntas nessa questão. Com o tema de meio ambiente ganhando cada vez mais espaço no noticiário, principalmente por conta da Amazônia, isso traz um claro alerta. 75% dos brasileiros também esperam das empresas privadas ações de combate à mudança climática, do contrário estarão decepcionando seus clientes e empregados. Isso mostra que mesmo no cenário de pandemia e seus respectivos reflexos no bolso do consumidor, as ações verdes lideradas pelas marcas e empresas ainda continuam com alta relevância para seus consumidores”, analisa Ronaldo Picciarelli, diretor de clientes na Ipsos no Brasil.

Impactos no pós-Covid

No Brasil, 37% das pessoas acreditam que o enfrentamento das mudanças climáticas deve ser uma prioridade do governo na retomada econômica pós-pandemia, enquanto 35% afirmam o contrário. Quando perguntados a respeito de quais comportamentos pessoais esperam mudar quando as restrições impostas pela crise humanitária acabarem, 45% dos entrevistados no país disseram que irão fazer o possível para evitar o desperdício de alimentos.

Além disso, 41% falaram que vão passar a fazer mais trajetos a pé ou de bicicleta, em vez de usar o carro. A queda no consumo foi a terceira opção mais citada, empatada com a adesão ao trabalho remoto. 35% dos brasileiros afirmaram que vão comprar somente o que realmente precisam, em vez de comprar roupas, sapatos e outras coisas só por diversão, e 35% disseram que vão trabalhar mais em casa, em vez de se deslocar até ao trabalho.

“A informação de que 41% dos entrevistados no Brasil têm intenção de se locomover menos de carro e mais a pé ou de bicicleta conversa com o fato de que 35% dos brasileiros pretendem trabalhar de casa após a pandemia, uma tendência que se intensificou bastante no último ano e que parece ter se estabelecido dentro do grupo de pessoas que tem essa possibilidade. Isso também afeta a diminuição da mobilidade nas cidades, migração de consumo em comércios mais próximos do lar, maior uso de entrega em domicílio (delivery), consumo de serviços e produtos dentro do lar, assim como uma possível migração de moradias longe dos centros comerciais”, comenta Picciarelli.

O que pode ser feito?

Pensando nas atitudes que podem ser tomadas a fim de limitar a própria contribuição para a mudança climática, 54% dos respondentes no Brasil afirmam que é provável que evitem produtos que tenham muita embalagem; 46% devem passar a reciclar materiais como vidro, papel e plástico; 46% revelam a possibilidade de consumir menos laticínios ou substituí-los por alternativas, como leite de soja; e 40% pretendem comer menos carne ou substituí-la por alternativas como feijão.

A pesquisa on-line foi realizada com 21.011 entrevistados sendo mil brasileiros, com idades entre 16 e 74 anos de 30 países. Os dados foram colhidos entre os dias 19/02 a 05/03/2021. A margem de erro para o Brasil é de 3,5%.

* A Ipsos é uma empresa de pesquisa de mercado independente, presente em 90 mercados. (ecodebate)

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