terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Futuro neutro em carbono também depende da Amazônia conservada

Assegurar a neutralidade climática global, o chamado “net zero” no planeta, precisa da Amazônia conservada, com suas florestas removendo carbono da atmosfera.

Um dos temas centrais na COP, financiamento pode trazer recursos para o território, mas é essencial que eles beneficiem de fato a floresta, a biodiversidade e as pessoas, afirma iniciativa Uma Concertação pela Amazônia; rede avaliou que mecanismos podem contribuir para o desenvolvimento sustentável da região.

Assegurar a neutralidade climática global, o chamado “net zero” no planeta, até a metade do século, e manter a meta de conter o aquecimento global em 1,5°C dentro do alcance está entre os principais objetivos da COP 26, a Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática, que está acontecendo em Glasgow.

Em paralelo, muitas empresas e governos já têm se comprometido a chegar ao “net zero” de suas operações e atividades nas próximas décadas. Mas, para que o mundo seja carbono neutro, ele precisa da Amazônia conservada, com suas florestas removendo carbono da atmosfera.

Para que o bioma cumpra essa função, porém, é preciso deter o desmatamento e a degradação ambiental na região e levar recursos financeiros para o bioma, aplicando-os em ações concretas, que tragam benefícios reais para sua biodiversidade, florestas e para suas populações, alerta a iniciativa Uma Concertação pela Amazônia, que reúne 400 lideranças para criar soluções para a conservação e o desenvolvimento sustentável do território amazônico.

Estudos divulgados em 2020 e 2021 mostram que a Amazônia já está emitindo mais carbono do que absorvendo. Entre as causas principais estão o desmatamento e a degradação ambiental. “Nesta COP, em que a centralidade das florestas para o combate às mudanças climáticas se tornou evidente, foi mostrado que o mundo está disposto a contribuir para inverter o sinal do carbono na Amazônia. E o financiamento entra como um tema crucial”, destaca Lívia Pagotto, responsável pela curadoria de conhecimento da Concertação.

Muitas iniciativas, como a assinatura de um memorando de entendimento entre a Coalizão LEAF (iniciativa que pretende mobilizar ao menos US$ 1 bilhão em recursos públicos e privados para o pagamento de países ou governos locais por resultados em termos de redução de desmatamento) e o Consórcio de Governadores da Amazônia Legal, a Declaração para Florestas e o Acordo Global do Metano, anunciados em Glasgow, bem como acordos para ajudar os povos indígenas e comunidades tradicionais, prometeram recursos financeiros. “É essencial que esses recursos cheguem até a ponta, beneficiando de forma efetiva a floresta e seus serviços ecossistêmicos, bem como as populações que vivem no território”, afirma Lívia.

COP 26 teve a fase final de negociações, que foram concluídas em 14/11/21 e o financiamento segue sendo um dos assuntos-chave. Os resultados em torno desse tema podem ter efeitos diretos na Amazônia, pois podem contribuir para atrair recursos internacionais ou mesmo alavancar o uso de incentivos e mecanismos já disponíveis no Brasil.

Recursos e mecanismos financeiros para cada Amazônia

A iniciativa Uma Concertação pela Amazônia avaliou quais tipos de investimentos são necessários para a região, capazes de promover o desenvolvimento sustentável, mantendo a floresta em pé e trazendo qualidade de vida para a população. A conclusão foi uma proposta que aponta diferentes mecanismos financeiros a serem usados em cada uma das “amazônias” que existem no bioma, para que os recursos, ao chegarem à ponta, levem a impactos positivos do ponto de vista não apenas ambiental, como econômico e social.

A Concertação aborda a região amazônica a partir de quatro grandes agrupamentos, ou quatro “amazônias”: áreas conservadas; áreas em transição, que estão em processo de conversão, mas ainda não consolidada – o chamado “arco do desmatamento”; áreas convertidas (o uso do solo é voltado para agricultura e pecuária); e as cidades.

“Criamos essa classificação, entre outros objetivos, para ajudar a organizar os caminhos e entender as diferentes atividades econômicas e mecanismos financeiros que podem contribuir para que a Amazônia alcance um modelo de desenvolvimento sustentável, que mantenha sua riqueza natural e cultural e promovendo a melhor qualidade de vida das pessoas”, afirma Inaiê Santos, co-facilitadora do Grupo de Trabalho de Bioeconomia da Concertação.

A Amazônia conservada precisa ser mantida intacta. Assim, do ponto de vista econômico, ela precisa de ações que promovam a conservação florestal, negócios da sociobioeconomia, turismo de natureza, economia criativa e economia solidária. Projetos de REDD+ e mecanismos como o de carbono – mas não só - são indicados.

Já a Amazônia em transição é um ponto bastante crítico, pois é a que mais sofre a pressão do desmatamento. São áreas em que é preciso conter a derrubada da vegetação nativa e promover a restauração e regeneração da floresta e da biodiversidade. Para isso, a Concertação propõe uma economia florestal ligada à restauração, como silvicultura de espécies nativas e sistemas agroflorestais.

Na Amazônia já convertida, a economia de commodities agrominerais deve atuar de forma a ter o menor impacto ambiental e social possível. Por isso, a aposta da Concertação são os programas de incentivo à agricultura de baixo carbono, como o Plano ABC, programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), incentivos fiscais e financeiros com contrapartidas para conservação e a eliminação de incentivos a produtos sem rastreabilidade comprovada.

“O elemento central na Amazônia convertida é rastrear as cadeias de valor em toda a sua extensão para identificar e conter os impactos negativos. As atividades também precisam estar conectadas com a questão da preservação e não devem aumentar a pressão por desmatamento. Pelo contrário, elas precisam contribuir para invertermos o sentido da transição que observamos hoje, com práticas agrícolas mais sustentáveis”, afirma Inaiê, da Concertação.

Já na Amazônia das cidades, em que predominam os setores de serviço e indústria, o foco deve estar em incentivos e recursos que aumentem a produtividade nesses setores e os relacionem com a conservação, com a economia circular e com iniciativas inspiradas em soluções baseadas na natureza.

Para que esses incentivos e mecanismos funcionem de fato, é preciso, ainda, que haja quem coloque os projetos e programas de pé. “É o que chamamos de capacidades locais, ou seja, que organizações da sociedade civil, municípios, estados e outros entes, como associações comunitárias, sejam capazes de elaborar e executar projetos e programas”, lembra Inaiê. Um ambiente institucional e de governança robustos também são fundamentais, acrescenta.

Também alerta para o cuidado necessário com os compromissos “net zero”. “Os compromissos net zero vêm sendo criticados pela falta de transparência. Será fundamental que os compromissos sejam acompanhados da indicação de ações estratégicas específicas, bem como marcos intermediários, exigindo esforços reais de mitigação”, afirma.

Essas premissas e propostas estão reunidas no documento“Uma Agenda pelo Desenvolvimento da Amazônia”, que a Concertação apresentou na COP 26. Ele está disponível para leitura e download no site da Concertação: concertacaoamazonia.com.br. (ecodebate)

Mudança climática pode piorar a situação de fome no mundo

Mudança Climática – Mais de 300 milhões de pessoas devem sofrer com a insegurança alimentar até 2050, aponta estudo.

Novo relatório da Visão Mundial mostra como as mudanças climáticas afetam a produção de alimentos e o acesso das pessoas a nutrientes; entidade aponta que se negociações da COP26 fracassarem, crianças serão as mais afetadas.
Figura: os 10 países que mais poluem (esquerda) em comparação com os 10 países com mais pessoas em situação aguda de insegurança alimentar.

Um novo relatório divulgado em 10/11/21 pela Visão Mundial – ONG humanitária de proteção da infância e da adolescência – aponta que 26% das crianças em todo o mundo sofreram de má-nutrição em 2020 e que a situação pode piorar se o quadro atual de mudanças climáticas não for revertido. De acordo com o estudo, o número de pessoas que enfrentam crises de fome aumentou de forma constante nos últimos cinco anos pela primeira vez em décadas. Se a mesma trajetória dos últimos for mantida, a entidade prevê que mais de 300 milhões de pessoas enfrentarão a insegurança alimentar até 2030.

O documento foi publicado faltando poucos dias para o encerramento da COP26, como forma de alertar líderes globais sobre as consequências desastrosas que um fracasso nas negociações em Glasgow pode ter sobre populações de todo o planeta. Intitulado “Mudança Climática, Fome e Futuros das Crianças”, o relatório estuda a ligação entre as alterações no clima e o risco de fome nas populações, em especial as consequências em longo prazo na desnutrição de crianças.

“Crianças em todo o mundo têm relatado que experimentam o impacto devastador das mudanças climáticas todos os dias – e seus avisos devem ser ouvidos em alto e bom som pelos líderes da COP26”, diz o CEO e presidente internacional da Visão Mundial, Andrew Morley.

“Ouvimos histórias de partir o coração, de que a água está se tornando escassa e os meios de subsistência das famílias destruídos por tempestades, enchentes e secas recorrentes, que podem levar à fome e à desnutrição com riscos para a vida. As crianças muitas vezes não têm escolha a não ser abandonar a escola e são forçadas a trabalhar ou se casar por seus pais, que lutam para sobreviver”, completa.

Segundo o estudo, enquanto os países economicamente mais ricos produzem a grande maioria das emissões de gases de efeito estufa, os eventos climáticos extremos impactam, desproporcionalmente, os países de baixa renda de maneira mais aguda.

Em 2018, Madagascar contribuiu com apenas 0,06% das emissões globais de gases de efeito estufa, mas está enfrentando o que poderia ser o primeiro quadro de fome na história moderna causado pelas mudanças climáticas, com a insegurança alimentar afetando um total estimado de 1,14 milhão de pessoas.

Para comunidades em países em desenvolvimento, em especial na África e na América Latina, uma alta dependência da produção agrícola local se traduz um alto risco de devastação devido a eventos meteorológicos extremos. “Uma colheita que não dê certo pode ter resultados imediatos e consequências no comércio local, além de danos a longo prazo, limitando o acesso a alimentos nutritivos”, alerta i relatório, elaborado a partir de estatísticas de entidades como o Programa Alimentar Mundial e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

Em comparação com 2019, houve um acréscimo de pessoas afetadas pela fome, em 2020, de 46 milhões África, 57 milhões na Ásia e cerca de 14 milhões na América Latina e Caribe. “Quase uma em cada três pessoas no mundo (2,37 bilhões) não teve acesso a alimentos adequados em 2020 – um aumento de quase 320 milhões de pessoas em apenas um ano”, revela o documento da Visão Mundial.

“Conflitos, Covid-19 e mudança climática estão interagindo para criar novos e agravantes focos de fome e estão revertendo os ganhos que as famílias tiveram para escapar da pobreza”, explica o diretor de Advocacy e Relações Institucionais da Visão Mundial, Welinton Pereira. (ecodebate)

Mudança climática afeta 28% da produção agrícola no Centro-Oeste

Mudança climática já afeta produção agrícola em 28% do Centro-Oeste.
As alterações climáticas têm implicações graves para a agricultura e a segurança alimentar.

Número pode chegar a 50% na próxima década e a 70% em trinta anos; nova pesquisa publicada durante a Conferência do Clima comprova queda de produtividade e levanta discussão sobre o limite climático da agricultura no Brasil.

Estudo publicado na revista científica Nature Climate Change em 11/11/21, endossa a urgência de temas discutidos no maior evento sobre clima do mundo, a COP26, e aponta para o limite climático da agricultura no Brasil. Cientistas do Brasil e dos Estados revelam que efeitos das mudanças climáticas já afetam a produção agrícola no país – um dos maiores produtores de alimentos do mundo.

Mudanças no regime de chuvas e no aumento da temperatura, que já são observados hoje, tendem a se agravar ainda mais nos próximos anos, e os impactos serão sentidos principalmente no Cerrado brasileiro.

No Centro-Oeste, 28% das áreas agrícolas produtoras de milho e soja saíram do ideal climático, revela a pesquisa. Essas condições adversas já diminuíram a produtividade da soja e da safrinha do milho no Matopiba e em Mato Grosso, e perdas na produção deixaram áreas agrícolas sem plantar a segunda safra, principalmente a partir de 2012.

Se não houver investimento em adaptação, alerta o estudo, a porcentagem de agricultura fora do ideal climático na região central do Brasil pode chegar a 50% na próxima década e a 70% em trinta anos.

Os cientistas analisaram a relação entre produtividade e condições climáticas em 679 municípios de Mato Grosso e do Matopiba. Somados, eles respondem por 50% da produção agrícola brasileira e ocupam quase 2 milhões de quilômetros quadrados. Se fossem um país, os estados de Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Piauí e Tocantins estariam à frente da Argentina como o terceiro maior produtor de soja do mundo.

Plantações como essas dependem da estabilidade climática, mas a expansão agrícola, com desmatamento associado, muda o cenário, o que pode levar à queda de produtividade e à diminuição do número de safras, além de agravar o aquecimento global.

“A vegetação nativa funciona como uma usina natural que regula o microclima local. Se a gente suprime essa vegetação, a área da lavoura fica mais seca e isso atrapalha o ciclo de crescimento de plantas como a soja e o milho, impactando a produtividade da safra”, explica pesquisadora que liderou o estudo Ludmila Rattis, do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e do Woodwell Climate Research Center. “Quem corta a vegetação natural está plantando a seca”.

Perdas na produção

Crise climática e agricultura: uma relação insustentável.

Quase 90% da agricultura no Brasil depende da chuva, o que torna a instabilidade climática um risco econômico e social para a cadeia de produção agrícola, tanto para exportação, quanto para consumo interno. Se nos primeiros estágios de desenvolvimento das mudas o clima fica instável, e não chove na hora esperada, por exemplo, ou a temperatura sobe muito, tem-se um cenário propício para a queda na produção das safras – mesmo em anos de seca menos intensa.

“O Brasil teria produzido muito mais grãos e expandido a agricultura mais rápido se não fosse pela intensificação de eventos climáticos extremos na região. A agricultura que substitui florestas está precisando como nunca das chuvas geradas pelas florestas”, diz Paulo Brando, um dos autores do artigo, pesquisador do IPAM e da Universidade da Califórnia em Irvine.

Na safra de soja sem irrigação, a perda calculada foi de até 5 quilos por hectare no Matopiba e 26 kg/ha em Mato Grosso. Para quem depende de irrigação, a perda é maior: são menos 111 kg/ha em Mato Grosso e 114 kg/ha no Matopiba. Já na safrinha de milho sem irrigação há uma perda de até 1.353 kg/ha no Matopiba e 892 kg/ha em Mato Grosso. Onde há irrigação, a perda é de 24 kg/ha no Matopiba e de 665 kg/ha em Mato Grosso.

Em anos de El Niño, a queda na produtividade das safras é ainda maior devido ao agravamento do fenômeno pelo efeito estufa. A perda na safra da soja pode ser até 3 vezes maior e, na safra do milho, até 9 vezes maior.

Pesquisadores alertam para a necessidade de não apenas plantar outros tipos de sementes, mas de plantar diferente. Além disso, tecnologia e novas práticas agrícolas não serão suficientes sem que haja investimento em restauração de ecossistemas e manutenção da vegetação ainda existente.

“Adaptar cultivares ao novo clima é um desafio parecido com melhorar baterias de celular: há um limite genético para a planta, assim como há um limite físico para a bateria. Devemos investir em novas sementes e maquinários, mas buscar o equilíbrio climático deve ser prioridade”, afirma Rattis. “O sistema natural está muito próximo de sua capacidade máxima de resposta.”

Nas últimas décadas a expansão agrícola ocorreu para áreas mais quentes, o que forçou o limite de adaptação das plantas. “A agricultura no Brasil está pensada para o clima que tínhamos nas décadas de 1970 e 1980, quando o país começou a investir na adaptação de sementes. O clima já não é mais o mesmo e existe um limite de adaptação das plantas, criando um desafio gigantesco para o setor agrícola brasileiro”, comenta Brando.

Entre os parâmetros analisados para chegar aos resultados estão tendências de expansão da agricultura, áreas com um ou mais cultivos por safra, quantidade de areia no solo e adequabilidade climática ligada à produtividade de áreas plantadas, comparando dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) da produtividade de lavouras – em uma série histórica de 1976 a 2020 para a soja e de 2003 a 2020 para o milho – com as condições climáticas mensais do mesmo período nos municípios estudados.

Expedição Matopiba 2017.

Agricultura no Cerrado ignora clima e viabilidade econômica.

Boa parte da agricultura praticada no Cerrado, segundo maior bioma do Brasil e lar de 5% da biodiversidade do planeta, tem sido praticada de maneira irracional, estimulando o desmatamento enquanto traz alto risco para o negócio. (ecodebate)

Aumento do desmatamento em outubro derruba tese do governo em Glasgow

O aumento do desmatamento em outubro/21 derruba tese do governo em Glasgow.
Homens das Forças Armadas na floresta durante GLO encerrada em abril: nova operação vai durar dois meses.

O desmatamento foi recorde. O INPE divulgou pelo sistema Deter agora cedo, uma alta de 5% em relação a outubro do ano passado. Ao todo 877 km2 de desmatamento.

Isso cai sobre o argumento do governo em Glasgow de que estaria havendo redução do desmatamento. O Observatório do Clima alertou que o governo ainda não divulgou os dados do Prodes. O Deter é o primeiro alerta, o Prodes consolida e dá um número mais sólido. O ano para efeito ambiental é de agosto a julho, e o número sai sempre no começo de novembro. Pois é, ainda não saiu. Devem estar esperando passar a COP. “As emissões acontecem no chão da floresta, não nas plenárias de Glasgow”, disse o coordenador do Observatório, Marcio Astrini. E nas plenárias, o governo Bolsonaro está tentando limpar a imagem, mas esse dado o desmente.

Como alertamos em 11/11/21, o acordo entre China e Estados Unidos implica numa pressão maior sobre o Brasil para o combate ao desmatamento, pois vão tentar barrar importações que venham de áreas de desmatamento ilegal, como está hoje na reportagem de Daniela Chiaretti.

Gráfico sobre desmatamento em outubro de 2021. (oglobo)

Sistema agroalimentar responde por ⅓ das emissões de gases de efeito estufa mundial

Sistema agroalimentar mundial responde por 31% das emissões de gases de efeito estufa.
A cadeia de abastecimento alimentar está a caminho de ultrapassar a agricultura e o uso da terra como o maior contribuinte para os gases com efeito de estufa do setor agroalimentar.

Sistema agroalimentar mundial responde por 31% das emissões de gases de efeito estufa.

FAO destaca importância crescente de cadeia de abastecimento de alimentos nas emissões de CO2.

Da ONU Brasil

A cadeia de abastecimento alimentar, em muitos países, está ultrapassando a agropecuária e o uso da terra como a maior fonte de emissão de gases de efeito estufa dentro do sistema agroalimentar, de acordo com nova análise da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura/FAO.

Segundo a agência da ONU, isso ocorre pelo rápido crescimento de funções como processamento, embalagens e transporte de alimentos, entre outros fatores.

Os novos dados revelam que 31% das emissões de gases de efeito estufa a partir do homem são feitas pelo sistema agroalimentar mundial.

De acordo com um novo estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura/FAO, apresentado em 08/11/21 na COP26, o processamento de comida, o empacotamento, o transporte, o consumo familiar e o descarte de resíduos estão colocando a cadeia de fornecimento alimentar no topo da lista de emissores de gases de efeito estufa.

Em sua análise, a FAO sustenta que a cadeia de abastecimento alimentar, em muitos países, está ultrapassando a agropecuária e o uso da terra como a maior fonte de emissão de gases de efeito estufa dentro do sistema agroalimentar.

Atividade agrícola independente e mudanças no uso da terra respondem atualmente por mais da metade da produção de dióxido de carbono/CO2 no sistema agroalimentar em algumas regiões. Nos países em desenvolvimento, isso dobrou nas últimas 3 décadas.

Tendência importante – Para o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, a tendência mais importante, destacada pela análise, que começa nos anos 1990, é o papel crescente das emissões do setor alimentício fora das terras agrícolas, seus processos de pré e pós produção juntamente da cadeia de fornecimento, em todas as escalas.

“Isso tem uma repercussão importante para as estratégias nacionais de mitigação relevantes para a alimentação, considerando que, até recentemente, elas focavam principalmente na redução da emissão de CO2 na mudança de uso da terra e das emissões de outros gases dentro das terras agrícolas”, explicou.

Incentivando a conscientização – Usando uma série de dados mais amplos, as novas análises permitem que os fazendeiros e organizadores governamentais entendam as conexões entre suas ações propostas no Acordo de Paris em mudanças climáticas, e que os consumidores entendam melhor o aumento da pegada do carbono causado pelas cadeias de abastecimento globais.

Detalhes, que serão atualizados anualmente, em todas as partes do sistema agroalimentar em todos os países e territórios entre 1990 e 2019, podem ser acessados facilmente através do portal FAOSTAT.
“A FAO está satisfeita em oferecer esse bem público global, uma série de dados que direta e detalhadamente trata dos maiores desafios de nosso tempo e que agora está disponível para todos. Esse tipo de conhecimento pode estimular conscientização e ações significativas”, afirmou Torero.

Os novos dados revelam que 31% das emissões de gases de efeito estufa a partir do homem são feitas pelo sistema agroalimentar mundial.

Enquanto isso, um resumo analítico enfatiza como os fatores da cadeia de abastecimento estão levando a um aumento das emissões de gases efeitos estufa no sistema agroalimentar e o papel cada vez mais importante do desperdício de alimentos longe das terras agrícolas.

Essa informação tem uma repercussão importante para as estratégias nacionais que visam diminuir as emissões.

Rastreando os números – Dos 16,5 bilhões de toneladas das emissões dos gases de efeito estufa do sistema agroalimentar global em 2019, 7,2 bilhões de toneladas são produzidos dentro das terras agrícolas, 3,5 da mudança do uso da terra, e 5,8 bilhões nos processos da cadeia de fornecimento, segundo as novas análises.

O estudo da FAO aponta que o abastecimento é responsável pela maior parcela de emissões de dióxido de carbono. Nas atividades agrícolas, o principal gás emitido é o metano e óxido nitroso.

Em 2019, o desmatamento foi a principal causa de emissões de gases do efeito estufa, seguido de esterco do gado, consumo doméstico, descarte de resíduos alimentares, uso dos combustíveis fósseis nas fazendas e setor varejista de alimentos.

Participação global – A divisão de emissões no sistema agroalimentar possui características próprias em cada continente. A Ásia, região mais populosa do mundo, é a principal emissora, seguida pela África, América do Sul, Europa, América do Norte e Oceania.

No entanto, o estudo concluiu que as emissões na produção da cadeia de abastecimento representaram mais da metade do total na Europa e na América do Norte. O número em países da África e América do Sul fica abaixo de 14%.

Os dados também variam entre os países. Enquanto as emissões causadas por mudança no uso da terra são pequenas em países como China, Índia, Paquistão e Estados Unidos da América, elas são dominantes no Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo.

Já na cadeia de abastecimento, os processos de consumo doméstico foram a principal fonte de emissões na China e o descarte de alimentos liderava no Brasil, República Democrática do Congo, Indonésia, México e Paquistão.

Nos Estados Unidos, Rússia e Canadá, o varejo domina as emissões. O uso de energia nas fazendas foi a maior fonte da Índia.

Sobre o estudo – A Divisão de Estatísticas da ONU, Agência Internacional de Energia e pesquisadores da Universidade de Columbia e do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático colaboraram com a FAO nas análises. (ecodebate)

domingo, 19 de dezembro de 2021

Conheça 5 gases poluentes que respiramos todos os dias

Unsplash/Marek Piwnicki – A poluição do ar pelas usinas de energia contribui para o aquecimento global.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente destaca cinco substâncias poluentes do ar que contribuem com o aquecimento global e impactam negativamente a saúde humana e de ecossistemas; a poluição atmosférica causa cerca de 7 milhões de mortes por ano.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, publicou dados sobre cinco gases que poluem o ar e são nocivos à saúde e ao meio ambiente.

A poluição atmosférica é responsável por cerca de 7 milhões de mortes e 90% da população mundial respira ar com níveis de poluentes que excedem os limites indicados pela Organização Mundial de Saúde, OMS.

Resultados da poluição

O Pnuma reforça que a poluição do ar também está ligada à mudança climática e gera impacto desproporcional no aquecimento global. A redução da emissão desses gases poderia reduzir a taxa atual de aquecimento pela metade.

O diretor de gestão do Pnuma, Valentin Foltescu, afirmou que o mundo possui a capacidade e o conhecimento necessário para melhorar a qualidade do ar. Ações para diminuir a poluição atmosférica elevariam a expectativa de vida, a saúde humana e do ecossistema.

Cinco poluentes atmosféricos mais perigosos

PM2.5

• O que são: PM2,5 são partículas finas invisíveis a olho nu, embora sejam perceptíveis como névoa em áreas altamente poluídas e presentes dentro e fora de casa.

• Como são emitidas: As partículas vêm da queima de combustíveis impuros para cozinhar ou aquecer, queimar resíduos e resíduos agrícolas, atividades industriais, transporte e poeira levada pelo vento, entre outras fontes. Elas podem ser emitidas diretamente ou formadas na atmosfera a partir de diversos poluentes emitidos, como amônia e compostos orgânicos voláteis.

• Quais são os danos: As emissões penetram profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea, aumentando o risco de morrer de doenças cardíacas e pulmonares, derrame e câncer.

Ozônio ao nível do solo

• O que são: O ozônio ao nível do solo é um poluente climático de curta duração e, embora exista apenas por alguns dias a algumas semanas, é um forte gás de efeito estufa.

• Como são emitidos: Ele se forma quando poluentes da indústria, tráfego, resíduos e produção de energia interagem na presença da luz solar.

• Quais são os danos: Contribui para formação de fumaça, piora a bronquite e enfisema, desencadeia a asma, danifica o tecido pulmonar e reduz a produtividade agrícola. A exposição ao ozônio causa cerca de 472 mil mortes prematuras a cada ano. Como o gás impede o crescimento de plantas e florestas, ele também reduz a quantidade de carbono que pode ser sequestrado.

Dióxido de nitrogênio

• O que são: Os óxidos de nitrogênio são um grupo de compostos químicos poluentes do ar, incluindo dióxido de nitrogênio e monóxido de nitrogênio.

• Como são emitidos: O dióxido de nitrogênio é o mais prejudicial desses compostos e é gerado a partir da combustão de motores a combustível e da indústria.

• Quais são os danos: Pode danificar o coração e os pulmões humanos e reduz a visibilidade atmosférica em altas concentrações e é um precursor crítico para a formação de ozônio ao nível do solo.

Carbono Negro

• O que são: O carbono negro, ou fuligem, é um componente do PM2.5 e é um poluente climático de curta duração.

• Como são emitidos: Queimas agrícolas para limpar terras e os incêndios florestais que às vezes resultam são as maiores fontes mundiais de carbono negro. Também vem de motores a diesel, queima de lixo e fogões e fornos que queimam combustíveis fósseis e de biomassa. As emissões de carbono negro têm diminuído nas últimas décadas em muitos países desenvolvidos devido a regulamentações mais rígidas de qualidade do ar. Mas as emissões são altas em muitos países em desenvolvimento, onde a qualidade do ar é mal regulada. Como resultado da queima aberta de biomassa e da combustão residencial de combustível sólido, a Ásia, a África e a América Latina contribuem com aproximadamente 88% das emissões globais de carbono negro.

• Quais são os danos: Causa problemas de saúde e morte prematura e aumenta o risco de demência.

Metano

• O que são: É um potente gás de efeito estufa. Molécula para molécula, o metano tem mais de 80 vezes o poder de aquecimento do dióxido de carbono.

• Como são emitidos: O metano vem principalmente da agricultura, especialmente pecuária, esgoto e resíduos sólidos, e produção de petróleo e gás. A redução das emissões desses gases causadas pelos humanos, que responde por mais de metade do total, é uma das as formas mais eficazes de combater as alterações climáticas.

• Quais são os danos: Ajuda a criar ozônio ao nível do solo e, desse modo, contribui para doenças respiratórias crônicas e morte prematura. A pesquisa do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, Ipcc, mostra que o metano é responsável por pelo menos um quarto do aquecimento global.

(ecodebate)

Metas apresentadas na COP26 elevam emissões em mais de 13% até 2030

Embora países tenham atualizado suas estratégias de combate às mudanças climáticas, novo relatório da agência climática da ONU alerta que, até o momento, medidas estão aquém do necessário.
Antes da COP-26, as metas apresentadas pelos países para reduzir em 50% as emissões globais de gases de efeito estufa até 2030 eram insuficientes, ao contrário de diminuir, elas aumentariam o volume em 16% até o final da década. O cenário não mudou muito após a atualização das promessas: considerando os objetivos estipulados até agora no evento, o mundo ainda estaria sujeito a sofrer um aumento de 13,7% nas emissões, alerta um novo relatório da Convenção, Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCC).

O documento divulgado em 04/11/21 é um rascunho e será atualizado até o final da cúpula, que teve início em 31/10/21 e se encerrou dia 14/11/21em Glasgow, na Escócia. Seu objetivo é garantir que os países tenham informações mais recentes para as discussões sobre o combate às mudanças climáticas.

A agência climática da Organização das Nações Unidas (ONU) levou em consideração um cenário de implementação das 166 últimas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) disponíveis dos países signatários do Acordo de Paris. A avaliação incluiu planos de 124 nações (de um total de 193) novos ou atualizados, que foram comunicados até 02/11/21.

Limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C, principal meta do Acordo de Paris, requer uma redução das emissões de CO2 de 45% em 2030. Mas o levantamento alerta que as metas apresentadas até o momento estão aquém do necessário — e isso inclui o Brasil, um dos 124 que atualizaram suas estratégias.

De acordo com UNFCC, se forem consideradas as estratégias de 74 países, as emissões totais de gases de efeito estufa são estimadas em 70% a 79% mais baixas em 2050 do que em 2019. No entanto, as NDCs de países em desenvolvimento contêm compromissos ambiciosos que só poderão ser implementados com acesso a recursos financeiros aprimorados e apoios de países ricos — que ainda não foram liberados. O grupo espera recursos de, no mínimo, US$ 100 bilhões anuais prometidos por nações desenvolvidas.

As partes do Acordo de Paris podem enviar NDCs ou atualizá-las a qualquer momento, inclusive durante a COP26. "Reduções rápidas, profundas e sustentadas das emissões globais de gases de efeito estufa” são necessárias para evitar os piores impactos do aquecimento global, reforça o relatório. (revistagalileu.globo)

A infraestrutura verde que o planejamento urbano deixou de reconhecer

A infraestrutura verde que o planejamento urbano frequentemente deixa de reconhecer abrange a vegetação espontânea, os quintais particulares...