segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Mudança climática: o que é, como é causada e o que você pode fazer para revertê-la

Mudança climática: o que é, como é causada e o que você pode fazer para revertê-la

A queima de combustíveis fósseis está entre as contribuições humanas para a alteração no clima. O que pode ser feito para evitar essa grande transformação climática da Terra?
Formações de iceberg perto da Ilha Pleneau, Antártica.

Embora as mudanças climáticas façam parte da história do planeta desde os primórdios, seus efeitos foram acelerados nos últimos anos pela atividade humana. É o que alerta José Antonio Marengo, climatologista peruano, coordenador geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), órgão brasileiro que estuda o tema.

O especialista explica que algumas das consequências dessas mudanças já podem ser percebidas; apesar disso, no entanto, ainda é possível implementar medidas que ajudem a reduzir o impacto que as alterações climáticas geram.

Mas o que é exatamente a mudança climática? E quais são as causas e consequências desse fenômeno?

O que é mudança climática?

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a mudança climática refere-se a mudanças de longo prazo nas temperaturas e padrões climáticos.

Portanto, diz respeito a todas as alterações que o clima sofreu em diferentes escalas de tempo, diz o climatologista peruano, confirma o climatologista peruano.

A ONU explica que estas alterações podem ser naturais (tais como as variações no ciclo solar, por exemplo, mas que “desde o século 19, as atividades humanas têm sido o principal motor da mudança climática".

O que causa a mudança climática?

O especialista do Cemaden considera que existem causas naturais e humanas para a mudança climática. Entre as primeiras, ele menciona a distância entre o Sol e a Terra, que é um processo astronômico natural, e as erupções vulcânicas, que liberam aerossóis capazes de bloquear a energia solar.

Entre os fatores antropogênicos envolvidos na mudança climática, Marengo lista a queima de combustíveis fósseis por veículos ou indústria; o metano liberado por aterros sanitários, pela agricultura e pela pecuária; e a queima de vegetação ou biomassa como os principais.

Assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=juvlWJ7v3_A

Mudanças Climáticas

Conheça as causas e o impacto do aquecimento global e das mudanças do clima em nosso planeta.

Já a ONU, por sua vez, deixa claro que a geração de energia a partir de combustíveis fósseis é um motivo de preocupação. "A maior parte da eletricidade ainda é gerada pela queima de carvão ou gás, que produz dióxido de carbono e óxido nitroso, potentes gases de efeito estufa que cobrem o planeta e retêm o calor do Sol”, informa a entidade.

A organização também adverte sobre as emissões da indústria e das fábricas, principalmente da queima de combustíveis fósseis para gerar energia para produzir cimento, componentes eletrônicos ou roupas, por exemplo, todas ações que colaboram com a mudança do clima.

(Você pode se interessar por: A extinção em massa nos oceanos pode ser evitada através da redução dos combustíveis fósseis.)

Além disso, "cortar florestas para criar fazendas ou pastagens, ou por outras razões, causa emissões de gás carbônico, porque quando as árvores são cortadas, o carbono que elas vêm armazenando é liberado", completam as informações da ONU. A destruição das florestas limita a capacidade da natureza de conter as emissões da atmosfera.

A ONU também aponta que os meios de transporte atuais têm sua parcela na alteração climática, dado que "a maioria dos caminhões, navios e aeronaves funcionam com combustíveis fósseis". Isto torna o setor um grande contribuinte para as emissões de gases de efeito estufa.

Dois moradores de uma pensão conversam enquanto o smog aumenta da planta de processamento de níquel Virtue DragonNickel Industry (VDNI), apoiada pela China.

E nem mesmo a produção de alimentos escapa: ela causa emissões de metano, dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa. Isso acontece de diferentes maneiras: através de desmatamento e da limpeza de terras com vegetação nativa para uso em agricultura e pastagem; ou através da alimentação dos gados bovino e ovino; através da produção e do uso de fertilizantes; e com a utilização de energia fóssil para alimentar máquinas e outros equipamentos.

Ainda segundo dados da ONU, os estilos de vida também contribuem para a mudança climática através do uso excessivo de energia, do consumo de bens como vestuário, produtos eletrônicos e de plásticos; e da maneira como viajamos.

Sobre todos esses dados, Marengo opina: "A combinação dos dois (de causas naturais e humanas) é o que determina até certo ponto o aumento da temperatura; e o aumento da temperatura é o que leva à mudança climática”, diz ele.

Quais são as consequências da mudança climática?

A concentração de gases de efeito estufa atualmente estão em seu nível mais alto em dois milhões de anos e as emissões continuam a aumentar. Como resultado, a temperatura da Terra é agora 1,1 graus Celsius mais alta do que era no final do século 19, diz a ONU.

Mas o aumento da temperatura não é a única consequência, adverte a organização: "Como a Terra é um sistema no qual tudo está conectado, as mudanças em uma área podem influenciar as mudanças em todas as outras.

Segundo o especialista peruano, alguns dos efeitos da alteração climática são o derretimento das calotas polares e das geleiras; a escassez de água; a elevação do nível do mar; os furacões mais fortes; e as tempestades mais intensas. "O que deve chover em um mês está caindo em poucos dias e são chuvas muito fortes, que podem levar a desastres como deslizamentos de terra ou enchentes repentinas".

A ONU acrescenta que a mudança climática coloca em risco a sobrevivência de espécies terrestres e oceânicas. Um milhão de espécies estão em risco de extinção nas próximas décadas e a taxa de extinção é mil vezes mais rápida do que em qualquer outro momento da história humana registrada.

Um mineiro caminha por um pequeno caminho cheio de lixo em La Rinconada, onde não há sistema de coleta de lixo.

Além disso, o fornecimento de alimentos também pode ser afetado como resultado da acidificação oceânica, que ameaça os recursos marinhos; mudanças na cobertura de neve e calor extremo que podem diminuir a água e as pastagens e interromper o fornecimento de alimentos gerados pelo gado, pela caça e pela pesca.

A saúde também é afetada pela mudança climática. De acordo com a ONU, fatores ambientais matam cerca de 13 milhões de pessoas a cada ano através de eventos climáticos extremos, deslocamento forçado, pressões sobre a saúde mental, propagação de doenças, aumento da fome e desnutrição em locais onde as pessoas não conseguem produzir ou encontrar alimentos suficientes.

Além disso, as enchentes podem lavar bairros e destruir casas e comunidades; e o calor dificulta o trabalho ao ar livre e afeta as colheitas. Como resultado, os fatores que impulsionam e mantêm as pessoas na pobreza e contribuem para o deslocamento estão aumentando. Especificamente, entre 2010 e 2019, eventos relacionados ao clima deslocaram aproximadamente 23,1 milhões de pessoas por ano.

A América Latina diante da mudança climática

Para Marengo, uma das áreas mais vulneráveis da região é a América Central, embora ele avise que todos os países são afetados.

Quanto aos desafios para lidar com essa questão, o especialista aponta que "o aquecimento global já está afetando o volume de gelo nos Andes". De todas as regiões glaciais, os Andes são talvez as que estão perdendo mais gelo. Grandes cidades como Lima, no Peru, Quito, no Equador, ou Bogotá, na Colômbia, dependem de água de fusão".

Portanto, diz o especialista, se não forem tomadas medidas, “haverá uma crise e devem ser consideradas alternativas para fornecer água a essas cidades”.

Sobre o tema da crise de água, o relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) sobre o estado do clima na América Latina e no Caribe 2021 adverte que as geleiras dos Andes tropicais perderam pelo menos 30% de sua área de superfície desde 1980.

Este recuo aumenta o risco de escassez de água para a população andina e para os ecossistemas. Além disso, o relatório revela que as temperaturas, em 2021, estavam acima da média de 1981-2010 em todas as sub-regiões, e o nível do mar na região continuou a subir no ano passado, a um ritmo mais rápido do que globalmente.

Soma-se a isso, o fato de que a temporada de furacões do Atlântico 2021 foi a terceira mais ativa de que se tem notícia. Enquanto chuvas extremas (com valores recordes em muitos lugares), inundações e deslizamentos de terra resultaram em perda de vidas, destruição de casas e centenas de pessoas deslocadas.

Direitos humanos, ameaçados pelas mudanças climáticas, podem também fornecer soluções

O que pode ser feito para combater a mudança climática

Marengo reconhece que não é possível reverter ou frear a mudança climática, mas é possível diminuí-la. "Podemos reduzir o aquecimento global a um máximo de 1,5° ou 2°C até 2050".

"O que todos devem fazer é reduzir as emissões de gases de efeito estufa", diz ele. Além disso, o climatologista enfatiza que os países devem fazer um esforço para substituir os combustíveis fósseis por outras fontes de energia.

Medidas de adaptação também devem ser concebidas para diminuir o impacto das comunidades mais afetadas por eventos extremos resultantes da mudança climática, tais como inundações ou secas.

Ele também enfatiza o papel da ciência, que deve continuar a estudar o fenômeno a fim de prever o que acontecerá com o clima do futuro e quem estará mais vulnerável.

Além disso, o especialista diz que os cidadãos devem estar cientes de que o clima está mudando. Negar a mudança climática é negar o que já existe, diz ele. "A natureza está nos dando uma mensagem: se não fizermos algo, seremos os próximos animais a serem extintos”, decreta.

"Muitos dizem que já temos o gosto de como pode ser o futuro com as inundações no Brasil ou a onda de calor e seca na Europa. O clima já está um pouco alterado. Não precisamos esperar décadas: já estamos recebendo exemplos do que poderia ser o clima mais adiante”. (nationalgeographicbrasil)

A história da Reciclagem no Brasil e no Mundo

Conheça a trajetória e evolução da reciclagem até os dias atuais no Brasil e no Mundo

Que a reciclagem foi uma das melhores soluções encontradas para o acúmulo de lixo, não temos a menor dúvida.

Mas você sabe onde foi que surgiu a reciclagem?

Quais países hoje são os que mais reciclam?

Vamos conferir essas curiosidades neste artigo.

O que é reciclagem?

A reciclagem reduz o lixo e economiza recursos.

A palavra reciclagem é de origem inglesa; “Re” significa repetir e ” Cycle” se refere a ciclo.

Em síntese, reciclar é transformar química, energética ou mecanicamente um produto ou embalagem em nova matéria-prima.

Essa matéria-prima pode ser utilizada para produzir o mesmo produto ou embalagem, ou ainda dar vida a outros materiais.

A reciclagem é realizada principalmente, visando diminuir o acúmulo de lixo gerado das atividades humanas e empresariais, mas ela também traz outros impactos ambientais positivos, como mitigar os efeitos causados pela poluição e reduzir o uso de recursos naturais.

A história do lixo

Veículo coletor de lixo, Sistema Mirus, 1911. UERJ – A história do Lixo

Onde existe atividade, há geração de resíduos. Desde os primórdios, civilizações antigas, como os hindus, por exemplo, já utilizavam meios para descartar seus rejeitos.

Estudos de arqueólogos, demonstram que na pré-história se queimava lixo para diminuir o mau cheiro.

Também durante a Idade Média, em Roma, devido a epidemias e milhares de mortes, diversas cidades italianas adotaram medidas sanitárias.

Entre elas, podemos citar normas para destinação de carcaças de animais e dejetos, além disso a proibição e a destinação inadequada de dejetos por carroceiros.

Da mesma forma, foi proibido o lançamento de lixo e fezes nas ruas e o uso da água de enxurradas como meio de se livrar de lixo e dejetos, que provocavam o entupimento de canais.

A pavimentação, mesmo restrita às ruas e praças centrais, facilitou o movimento de carroças. Esses carroceiros faziam a coleta regular do lixo.

Em Praga, no ano de 1340 aproximadamente, foi implementado um serviço regular de coleta de lixo e limpeza de vias públicas sob a responsabilidade privada

Como podemos observar, a preocupação com o lixo já vem desde os tempos remotos.

Marco da Reciclagem
A Revolução Industrial aumentou o consumo e a geração de lixo.

Foi a partir da Revolução Industrial que a produção e o consumo dispararam, e por consequência houve o aumento na geração de resíduos.

Tornou-se primordial a criação de um sistema de gerenciamento desses resíduos.

Desse modo, a reciclagem se tornou uma necessidade real, já que os países perceberam que o lixo industrial e também o doméstico, tinham que ser destinados corretamente.

O sistema de coleta seletiva ganhou força em alguns países nos anos 70. Principalmente os Estados Unidos, percebeu que parte dos materiais poderia ser reaproveitado para produzir novas matérias-primas.

Reciclagem no Brasil

Em 1990 São Paulo reconheceu a profissão dos catadores.

A primeira experiência documentada de coleta de papel para reciclagem no Brasil teve início em abril de 1985 no bairro de São Francisco, em Niterói-RJ.

Além de papel foi separado também o lixo orgânico, plástico, metal e vidro.

De acordo com fontes, um dos articuladores desse trabalho foi o professor Emilio Eigenheer, que estudou na Alemanha entre 1981 e 1982.

Nesse meio tempo, o professor demonstrou interesse pela gestão de resíduos do local, e quando voltou ao Brasil, mobilizou seus vizinhos para a separação correta.

Como resultado, iniciativas de coleta seletiva se espalharam pelo país.

Com esse avanço, surgiram a organização dos catadores e a formação de associações.

Os primeiros registros desses grupos vêm de Porto Alegre/RS, Canoas-RS e São Paulo/SP.

Na capital paulista, a prefeitura promulgou, em 1990, o DECRETO Nº 28.649 DE 5 DE ABRIL DE 1990, reconhecendo assim o trabalho profissional do catador.

Legislação e avanços

No Brasil foram aprovadas legislações importantes para a reciclagem.

Recentemente, o Brasil observou avanços significativos quanto a Política Nacional de Resíduos Sólidos, principalmente.

Dentre eles, a aprovação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos e o Crédito de Reciclagem.

O Plano Nacional de Resíduos Sólidos aprovado através do Decreto nº 11.043 de 13 de abril de 2022, traz mais segurança jurídica e previsibilidade para o investidor desenvolver infraestrutura física e logística para melhorar a gestão de resíduos sólidos no País, como por exemplo, reciclagem, reutilização e transformação de tudo isso em uma atividade verde relevante para o Brasil.

Dentre os decretos publicados em 2022, o Decreto nº 11.044 de 13 de abril, traz mudanças importantes, primordialmente para o setor de reciclagem.

Intitulado como o Recicla+, o programa dispõe sobre créditos de reciclagem para cooperativas, catadores bem como empresas privadas.

A medida visa estimular a reciclagem, além de adotar medidas para a redução na geração dos resíduos sólidos.

Mercado Promissor

No Brasil, estima-se que cada um dos brasileiros gera cerca de 1 quilo de lixo por dia.

Por ano, nosso país gera aproximadamente 80 milhões de toneladas de lixo.

Entretanto, uma pesquisa realizada em 2021, demonstrou que nos municípios em que cobram taxa diferenciada de acordo com a quantidade de lixo gerada, houve uma redução de 8% na geração de resíduos desses municípios.

No ano de 2021, batemos um recorde na reciclagem de latas de alumínio, alcançando o montante de 98,7% desse resíduo reciclado e reinserido na cadeia produtiva.

Por outro lado, o país deixa de explorar o potencial de riqueza de outros resíduos, reaproveitando apenas 3% dos resíduos gerados.

De acordo com dados de uma universidade brasileira, a Alemanha recicla 56,1% dos resíduos, a Áustria, 53,8% e a Coreia do Sul, 53,7%.

Para elevar esses números, precisamos também fazer a nossa parte como cidadãos. Uma boa medida é separar em casa, os resíduos recicláveis, como por exemplo, latas e caixas de leite, dos não-recicláveis como os resíduos do banheiro.

Mesmo que sua cidade não possua sistema de coleta seletiva, muito provavelmente existem catadores em sua região.

Quando você separa resíduos recicláveis do que vai para o contêiner de aterro sanitário, contribui para a renda desses agentes ambientais e torna o trabalho deles mais salubre.

Agora que conhecemos a história da reciclagem e sua importância, podemos repensar nossos velhos hábitos e separar os resíduos em casa! (portalsustentabilidade)

sábado, 17 de agosto de 2024

Entenda a história da reciclagem de lixo no Brasil

As primeiras iniciativas de reciclagem no Brasil surgiram na década de 1980, impulsionadas pela crescente preocupação com o meio ambiente e a conscientização sobre a importância da reutilização de materiais. Naquela época, algumas cooperativas de catadores começaram a surgir, coletando e separando resíduos recicláveis.
Bandeira do Brasil em papelão.

O lixo é um problema em qualquer parte do mundo, e com o aumento da população e das cidades sua quantidade cresceu, ampliando também uma questão central: qual a destinação mais adequada para ele? Se o lixo pode ser considerado um problema, a reciclagem, de outro lado, pode ser uma das melhores soluções. Mas, afinal de contas, o que é isso e como funciona?

Reciclagem é o processo de modificação dos resíduos sólidos, ou seja, do lixo. Isso envolve a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, a fim de transformar esses materiais em insumos ou novos produtos. O principal objetivo é minimizar os impactos que essas substâncias podem gerar ao meio ambiente.

A reciclagem é parte dos 5Rs das medidas sustentáveis. Os outros conceitos são reduzir, recusar, repensar e reutilizar (confira os 5Rs do Recicla Sampa).

História do lixo

E para entender essa história é preciso voltar um pouco no tempo e recorrer ao início do problema, que é antigo e com o passar dos anos ganhou proporções alarmantes. De acordo com A História do Lixo: a limpeza urbana através dos tempos, de 2009, escrito por Emílio Maciel Eigenheer, nas mais simples atividades humanas se produz lixo. Basta pensarmos na preparação dos alimentos e em todas as substâncias que são “descartadas” a partir dela. Há ainda o metabolismo do próprio corpo, que produz dejetos, como fezes, urinas e secreções diversas. Pensando nisso, a solução do lixo passa por encontrar formas de dar a destinação correta para evitar problemas para a sociedade.

Para se ter uma ideia, desde a pré-história já se queimava lixo com o intuito de eliminar o mau cheiro oriundo dele. Pensando em um período em que o homem vivia em grupos nômades o lixo não era propriamente um problema. Passou a ser a partir da fixação de aldeias e, principalmente, com a formação de cidades.

Mas, se podemos apontar um marco para a mudança da relação do homem com o lixo, o pós- Segunda Guerra seria esse momento. A destruição de grandes cidades a partir do conflito gerou também conquistas significativas nos sistemas de limpeza urbana, que precisaram ser reconstruídos. Com o crescimento do consumo de massa, o aumento dos resíduos sólidos domésticos passou a chamar atenção. Um país que atuou de forma decisiva para essa mudança foi a Alemanha, que até hoje se destaca com práticas extremamente avançadas sobre reciclagem e gestão de resíduos sólidos. Com a criação de leis e normas o país foi se aperfeiçoando na administração do lixo. Além da coleta e limpeza das ruas, a Alemanha passou a se ocupar da destinação final e recuperação desses resíduos. A partir de 1993 foram implantados diferentes tipos de aterros sanitários, além de sistemas de coleta seletiva, hoje disseminada em todo o país.

E apesar de ser uma questão antiga, o assunto ainda é urgente. Principalmente nas grandes cidades, os números revelam que o caminho ainda é longo e as soluções são complexas e caras.

Fardos de material reciclado, prontos para processamento.

Reciclagem de lixo no Brasil

A quantidade de lixo reciclado no Brasil está longe da ideal: apenas 18% dos municípios brasileiros (1.055) operam programas de coleta seletiva. Os dados são da Pesquisa Ciclosoft, que vem sendo realizada há 22 anos e reúne informações sobre programas desenvolvidos por prefeituras sobre composição dos recicláveis, custos de operação, participação de cooperativas de catadores e população atendida.

A série histórica do estudo indica, no entanto, que há um aumento progressivo de municípios que aderem à prática. Desde 1994, houve salto de 92%, o que ainda está longe do ideal.

Os programas municipais estão concentrados nas regiões sudeste e sul do país. Do total de municípios brasileiros que realizam esse serviço, 81% estão situados nessas regiões. Nesse contexto, a reciclagem de lixo em São Paulo desponta como a mais eficiente do país, com o equivalente a 7.500 toneladas por mês, número sessenta vezes maior do que em 2002.

Na outra ponta, o norte brasileiro responde por apenas 1% das prefeituras, com 14 municípios que realizam programas voltados para coleta seletiva. Além da escassez no número de cidades que aderiram ao processo de coleta, o resultado do estudo indica que, naquela região, a quantidade de resíduos coletados vem diminuindo. Em Manaus, por exemplo, em 2016 houve queda de mais de 50% em relação ao período anterior (2014).

Material separado para reciclagem.

Hoje, a reciclagem de lixo no Brasil impacta cerca de 31 milhões de brasileiros, apenas 15% da população, o que por si só já evidencia o tamanho do gargalo. Na esteira das grandezas, vale destacar que o país responde por um total anual de 78,3 milhões de toneladas de lixo. O número consta do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, publicado em 2016 pela Abrelpe (Associação Brasileira de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). Deste total, o Brasil coletou o equivalente a 71,3 milhões de toneladas, o que configura um índice de cobertura de coleta de 91%, um pequeno avanço comparado ao ano anterior. De todo modo, ainda assim, o dado é revelador na medida em que confirma que 7 milhões de toneladas de resíduos não foram objeto de coleta e, portanto, tiveram destinação imprópria e inadequada.

Vale destacar que se entende por resíduo sólido qualquer material, substância, objeto ou bem descartado. Ou seja, o lixo que precisa ser tratado ou reciclado. E para onde vai esse lixo? É alarmante o dado sobre a destinação final desse dos resíduos não coletados: 41,7 milhões de toneladas foram enviadas para aterros sanitários. E os investimentos aplicados pelos municípios para dar conta de todos os serviços de limpeza no Brasil (média de R$ 9,92 mensais por habitante) apresentaram queda de 0,7% em relação a 2015. Dado que impactou a geração de empregos diretos no setor de limpeza pública, com queda de 5,7% em relação ao ano anterior e perda de cerca de 17.700 de postos formais de trabalho.

Desde 2010 o país conta com uma Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, que, apesar de ter sido instituída há mais de sete anos, ainda necessita de aplicação prática em diversos pontos. Alguns merecem destaque: se por um lado a geração de resíduos se mantém em patamares bastante elevados, por outro a reciclagem de lixo no Brasil ainda engatinha. O crescimento desordenado da população nos grandes centros gerou a consequente expansão na produção de lixo e as políticas públicas não acompanharam o mesmo ritmo de crescimento.

A PNRS surgiu após mais de vinte anos de discussão do assunto no Congresso Nacional, a fim de orientar e partilhar a gestão do problema do lixo. Mas o fato é que os municípios alegam não ter recursos para administrar a questão, uma vez que têm de dar conta de serviços essenciais e complexos, como saúde e educação. Aliado a isso, a recessão econômica que assola o país ao longo dos últimos anos intensificou o problema, resultando na diminuição de recursos financeiros e, consequentemente, na regressão de políticas públicas das prefeituras para o setor. Muitas que estavam adequadas à lei acabaram por retroceder. Hoje o cenário é preocupante, uma vez que o prazo estabelecido pela Polícia Nacional de Resíduos Sólidos se encerrou em 2014, com poucos avanços frente às exigências da legislação.

Lixo eletrônico.

Com a tecnologia cada vez mais avançada, equipamentos eletrônicos como smartphones e notebooks são trocados com maior frequência. O problema está na maneira como estes materiais são descartados.

Com diversos componentes químicos em seus circuitos – e a presença de metais pesados como mercúrio, berílio e chumbo –, o descarte incorreto do chamado lixo eletrônico (ou e-lixo) pode resultar na contaminação dos lençóis freáticos, caso este seja absorvido pelo solo.

De acordo com o estudo “E-Waste na América Latina: Análise estatística e recomendações de política pública", foram produzidas 3,9 milhões de toneladas de e-lixo na região em 2014 – o equivalente a 9% de toda a produção global – e a previsão é de que chegue a 4,8 milhões de toneladas ainda em 2018. O Brasil foi responsável por produzir 1,4 milhão de toneladas de lixo eletrônico.

A reciclagem de lixo eletrônico no Brasil, porém, continua como um problema, já que grande parte da população desconhece a maneira correta de descarte e acaba jogando produtos no lixo comum ou até deixando-o na rua para que os catadores recolham.

A indicação é de que os resíduos eletrônicos sejam separados ainda em casa e, depois, encaminhados para pontos de coletas que estão disponíveis em mercados e estabelecimentos comerciais.

Também é possível entrar em contato com ONGs que oferecem listas de catadores em diversas regiões, como a Cempre, por exemplo. Também é possível recorrer a universidades que tenham núcleos voltados à reciclagem de eletrônicos, como a Universidade de São Paulo (USP). A instituição coleta peças de computadores e as transforma em um novo aparelho ou separa e revende o lixo eletrônico. (reciclasampa)

O que são as mudanças climáticas?

As mudanças climáticas são transformações a longo prazo nos padrões de temperatura e clima. Saiba mais nessa página especial das Nações Unidas sobre o tema.
Entidades da ONU envolvidas nesta atividade – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Ação contra a mudança global do clima

Sobre a campanha

As mudanças climáticas são transformações a longo prazo nos padrões de temperatura e clima.

Essas mudanças podem ser naturais, como por meio de variações no ciclo solar. Mas, desde 1800, as atividades humanas têm sido o principal impulsionador das mudanças climáticas, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás.

A queima de combustíveis fósseis gera emissões de gases de efeito estufa que agem como um grande cobertor em torno da Terra, retendo o calor do sol e aumentando as temperaturas.

Exemplos de emissões de gases de efeito estufa que estão causando mudanças climáticas incluem dióxido de carbono e metano. Isso vem do uso de gasolina para dirigir um carro ou carvão para aquecer um prédio, por exemplo.

O desmatamento de terras e florestas também pode liberar dióxido de carbono. Aterros para lixo são uma das principais fontes de emissões de metano. Energia, indústria, transporte, edificações, agricultura e uso da terra estão entre os principais emissores.

Assista ao vídeo: https://youtu.be/Eih-TW7Fl7o

As concentrações de gases de efeito estufa estão em seus níveis mais altos em 2 milhões de anos

E as emissões continuam aumentando. Como resultado, a Terra está agora cerca de 1,1°C mais quente do que no final do século XIX. A última década (2011-2020) foi a mais quente já registrada.

Muitas pessoas pensam que as mudanças climáticas significam principalmente temperaturas mais altas. Mas o aumento da temperatura é apenas o começo da história.

Como a Terra é um sistema, onde tudo está conectado, mudanças em uma área podem influenciar mudanças em todas as outras.

As consequências das mudanças climáticas agora incluem, entre outras, secas intensas, escassez de água, incêndios severos, aumento do nível do mar, inundações, derretimento do gelo polar, tempestades catastróficas e declínio da biodiversidade.

As pessoas estão enfrentando as mudanças climáticas de diversas maneiras

As mudanças climáticas podem afetar nossa saúde, capacidade de cultivar alimentos, habitação, segurança e trabalho.

Alguns de nós já são mais vulneráveis aos impactos do clima, como as pessoas que vivem em pequenas nações insulares e outros países em desenvolvimento.

Condições como a elevação do nível do mar e a intrusão da água salgada avançaram ao ponto de comunidades inteiras terem que se mudar, e secas prolongadas estão colocando as pessoas em risco de fome. No futuro, o número de “refugiados do clima” deverá aumentar.

Cada aumento no aquecimento global é importante

Em uma série de relatórios da ONU, milhares de cientistas e analistas de governos concordaram que limitar o aumento da temperatura global a não mais que 1,5°C nos ajudaria a evitar os piores impactos climáticos e a manter um clima habitável.

No entanto, com base nos atuais planos climáticos nacionais, o aquecimento global deverá atingir cerca de 3,2°C até o final do século.

As emissões que causam as mudanças climáticas vêm de todas as partes do mundo e afetam a todos, mas alguns países produzem muito mais do que outros.

Os 100 países menos emissores geram 3% das emissões totais. Os 10 países com as maiores emissões contribuem com 68% cento.

Todos devem tomar medidas climáticas, mas as pessoas e os países que estão criando mais problemas têm uma responsabilidade maior de agir primeiro.

Enfrentamos um grande desafio, mas já conhecemos muitas soluções

Muitas soluções de mudança climática podem oferecer benefícios econômicos, ao mesmo tempo em que melhoram nossas vidas e protegem o meio ambiente. Também temos acordos globais para orientar o progresso, como a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e o Acordo de Paris.

Três grandes categorias de ação são: redução das emissões, adaptação aos impactos climáticos e financiamento dos ajustes necessários.

Mudar os sistemas de energia de combustíveis fósseis para renováveis, como solar ou eólica, reduzirá as emissões que impulsionam as mudanças climáticas. Mas temos que começar agora.

Enquanto uma coalizão crescente de países está se comprometendo com emissões líquidas zero até 2050, cerca de metade dos cortes de emissões devem estar em vigor até 2030 para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C. A produção de combustíveis fósseis deve diminuir cerca de 6% ao ano entre 2020 e 2030.

A adaptação às consequências climáticas protege pessoas, casas, empresas, meios de subsistência, infraestrutura e ecossistemas naturais. Abrange os impactos atuais e prováveis no futuro.

A adaptação será necessária em todos os lugares, mas deve ser priorizada agora para as pessoas mais vulneráveis e com menos recursos para lidar com os perigos climáticos.

A taxa de retorno pode ser alta. Os sistemas de alerta precoce para desastres, por exemplo, salvam vidas e propriedades e podem proporcionar benefícios até 10 vezes maiores que o custo inicial.

Assista ao vídeo: https://youtu.be/ajPaWeeLQ-w

Como vencer a crise climática com o transporte verde?

Podemos pagar a conta agora, ou pagar caro no futuro

A ação climática requer investimentos financeiros significativos por parte de governos e empresas. Mas a inação climática é muito mais cara.

Uma etapa crítica é que os países industrializados cumpram seu compromisso de fornecer US$ 100 bilhões por ano aos países em desenvolvimento para que possam se adaptar e avançar em direção a economias mais verdes.

As negociações globais

Saiba mais sobre o Acordo de Paris sobre mudança climática (incluindo uma visão de Aidan Gallagher). Ouça a líder do clima Patricia Espinosa sobre as próximas negociações climáticas em Glasgow. Mantenha-se atualizada (o) à medida que os preparativos se aceleram.

A ciência

Acesse as últimas pesquisas e análises das Nações Unidas, bem como fatos sobre a ação climática.

Neutralidade de carbono (net-zero)

Quais países estão tomando medidas? Quem são os maiores emissores? Nossa página sobre o net-zero – sobre a neutralidade de carbono – explica por que precisamos de cortes drásticos nas emissões agora e acompanha os compromissos dos países para a ação.

Adaptação

O que é adaptação ao clima? Por que é tão importante para todos os países? Descubra como podemos proteger vidas e meios de subsistência à medida que o clima muda.

Finanças

Como o mundo vai pagar a conta? Explicamos as questões e o valor do financiamento da ação climática.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

A ação climática é uma meta global. E contribui para todos os outros Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). (brasil.un.org)

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Governos e indivíduos devem atuar com urgência para reverter calor extremo

Neste 1º de agosto “mais de 160 milhões de pessoas, cerca de metade da população dos Estados Unidos, estavam sob alerta de calor”

Clima e Meio Ambiente

Declaração feita por climatologista português da Organização Meteorológica Mundial, Álvaro Silva, lista perturbações enfatizando efeitos em áreas como saúde e economia; análise do especialista destaca como a adaptação ao calor extremo precisa ser acelerada.

A redução de gases de efeito estufa é a resposta simples, mas de grande execução necessária para reverter o calor extremo de forma rápida segundo o especialista em clima da Organização Meteorológica Mundial, OMM.

Calor extremo em julho/2024 revela rapidez do aquecimento global

Álvaro Silva disse à ONU News, de Lisboa, que duas ondas de calor consecutivas que atingiram a Antártida nos últimos dois anos contribuíram para temperaturas globais recordes. Mas destacou que esse é apenas o efeito visível.

Componentes do sistema climático

Numa visão geral sobre o impacto das ondas de calor e eventos extremos relacionados ele apontou fatores que estão contribuindo para temperaturas globais recordes.

“Este aquecimento global é apenas uma vertente visível das mudanças climáticas. A temperatura média global tem vindo a aumentar. Esteve na última década 1,2ºC acima dos valores pré-industriais. Este, mas há outros componentes do sistema climático que estão também a ser alterados e bastante alterados e impactados. É o caso do aumento do nível médio do mar, da acidificação do mar, do degelo e de glaciares e calotas polares e de outros exemplos. É claro que depois destes impactos há alterações bastante adversas em diferentes setores e ecossistemas”.

Em junho deste ano, estima-se que a extensão diária do gelo marinho na Antártida tenha sido “a segunda menor já registrada”, num fenômeno que se segue à observação da menor extensão na Antártida em termos de gelo marinho em 2023.

Nos últimos 20 anos, as mortes relacionadas ao calor na Europa aumentaram em cerca de 30%

Temperaturas recordes

As consequências de ondas de calor foram impactantes na América do Norte onde neste 1º de agosto “mais de 160 milhões de pessoas, cerca de metade da população dos Estados Unidos, estavam sob alerta”.

“Há uma série ações a nível de governos e individual que têm de ser levadas a cabo. O calor extremo é, de facto, um fator que gera perturbações graves na economia e na saúde da população e que tem que ser bastante atacado. A própria adaptação ao calor extremo tem que ser acelerada porque há um crescimento das ondas de calor, da intensidade, da duração e de eventos que acontecem fora do período típico”.

Álvaro Silva observou que julho foi o mais quente já registrado na Ásia, enquanto na África, as temperaturas recordes foram observadas no Marrocos como tendo tido "um impacto importante em termos de saúde humana e mortes".

Onda de calor: Brasil está preparado para as ondas de calor de 2024?

Resposta é angustiante

As ondas de calor intensas no sul e sudeste da Europa também causaram vítimas e impactos severos na saúde. (news.un.org)

Calor mata mais de 175 mil pessoas por ano na Europa

Calor mata mais de 175 mil pessoas por ano na região europeia, diz OMS.
As crianças expostas a ondas de calor são propensas a uma série de problemas de saúde, desde insolação a diarreia e baixo peso no nascimento.

Clima e Meio Ambiente

Região observou aumento de 30% na mortalidade relacionada com altas temperaturas nos últimos 20 anos; os três anos mais quentes registados ocorreram desde 2020; stress térmico é a principal causa de morte, uma vez que agrava condições crônicas como doenças cardiovasculares, respiratórias e diabetes.

A região europeia é a que regista o aquecimento mais rápido das seis regiões cobertas pela Organização Mundial da Saúde, OMS, com as temperaturas subindo em um ritmo duas vezes maior que a taxa média global.

Em comunicado divulgado, o diretor regional da OMS para a Europa, Henri Kluge, afirmou que os três anos mais quentes registados ocorreram desde 2020, e a década mais quente foi desde 2007.

Temperaturas insuportáveis

No final de julho, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, emitiu um apelo à ação contra o calor extremo em resposta aos impactos mortais do aumento das temperaturas em todo o mundo.

Em alguns locais, a crise climática está fazendo o calor chegar a níveis insuportáveis. As estimativas mostram que, a nível mundial, ocorreram em média 489 mil mortes relacionadas com altas temperaturas todos os anos entre 2000 e 2019.

A região europeia da OMS, composta por 53 Estados-membros, detém 36% dessas mortes, o que equivale a 175 mil vidas perdidas todos os anos.

O apelo do secretário-geral identifica quatro áreas de ação:  cuidado dos vulneráveis, proteção dos trabalhadores, aumento da resiliência das economias e das sociedades e limitação do aumento da temperatura global a 1,5°C.

Um menino bebe água durante uma onda de calor em Belgrado, Sérvia

Stress térmico e impactos na saúde

Segundo Kluge, todas essas medidas são muito relevantes para a região europeia, onde, nos últimos 20 anos, houve um aumento de 30% na mortalidade relacionada com o calor.

O stress térmico é a principal causa de morte relacionada com o clima na região, pois os extremos de temperatura agravam as condições crônicas, incluindo doenças cardiovasculares, respiratórias e cerebrovasculares, saúde mental e condições relacionadas com a diabetes.

As temperaturas elevadas são um problema em particular para os idosos, especialmente aqueles que vivem sozinhos. Também pode representar um fardo adicional para as mulheres grávidas.

Planos de ação

Para aumentar a resiliência nesses países, a agência de saúde da ONU recomenda que sejam elaborados planos de ação no eixo calor-saúde, para melhorar a adaptação de comunidades.

Mais de 20 países da região europeia têm planos deste tipo em vigor.  Segundo a OMS, embora isto seja encorajador, não é suficiente para proteger todas as comunidades.

A OMS/Europa, através do Centro Europeu para o Ambiente e a Saúde em Bona, Alemanha, está desenvolvendo uma segunda edição atualizada das suas orientações para esses planos de ação.

Medidas simples para evitar fatalidades

O objetivo é proporcionar referências baseadas em evidências para que os governos nacionais e locais estabeleçam os seus próprios planos ou atualizem os existentes, para assim melhorar a gestão dos riscos térmicos.

Algumas medidas simples incluem evitar sair e realizar atividades extenuantes nos horários mais quentes do dia, passar de duas a três horas por dia em um local fresco, como um supermercado ou cinema, manter a casa fresca e o corpo hidratado.

Neste sentido, é importante evitar bebidas açucaradas, alcoólicas ou com cafeína devido ao seu efeito desidratante no corpo. (news.un.org)

terça-feira, 13 de agosto de 2024

O que é, como é causada e o que fazer prá reverter mudança climática

O que é, como é causada e o que você pode fazer para reverter mudança climática.

Mudança climática: o que é, como é causada e o que você pode fazer para revertê-la.
Formações de iceberg perto da Ilha Pleneau, Antártica.

O que pode ser feito para combater a mudança climática

"O que todos devem fazer é reduzir as emissões de gases de efeito estufa", diz ele. Além disso, o climatologista enfatiza que os países devem fazer um esforço para substituir os combustíveis fósseis por outras fontes de energia.

A queima de combustíveis fósseis está entre as contribuições humanas para a alteração no clima. O que pode ser feito para evitar essa grande transformação climática da Terra?

Embora as mudanças climáticas façam parte da história do planeta desde os primórdios, seus efeitos foram acelerados nos últimos anos pela atividade humana. É o que alerta José Antonio Marengo, climatologista peruano, coordenador geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), órgão brasileiro que estuda o tema.

O especialista explica que algumas das consequências dessas mudanças já podem ser percebidas; apesar disso, no entanto, ainda é possível implementar medidas que ajudem a reduzir o impacto que as alterações climáticas geram.

Mas o que é exatamente a mudança climática? E quais são as causas e consequências desse fenômeno?

O que é mudança climática?

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a mudança climática refere-se a mudanças de longo prazo nas temperaturas e padrões climáticos.

Portanto, diz respeito a todas as alterações que o clima sofreu em diferentes escalas de tempo, diz o climatologista peruano, confirma o climatologista peruano.

A ONU explica que estas alterações podem ser naturais (tais como as variações no ciclo solar, por exemplo, mas que “desde o século 19, as atividades humanas têm sido o principal motor da mudança climática".

O que causa a mudança climática?

O especialista do Cemaden considera que existem causas naturais e humanas para a mudança climática. Entre as primeiras, ele menciona a distância entre o Sol e a Terra, que é um processo astronômico natural, e as erupções vulcânicas, que liberam aerossóis capazes de bloquear a energia solar.

Entre os fatores antropogênicos envolvidos na mudança climática, Marengo lista a queima de combustíveis fósseis por veículos ou indústria; o metano liberado por aterros sanitários, pela agricultura e pela pecuária; e a queima de vegetação ou biomassa como os principais.

Mudanças climáticas

Conheça as causas e o impacto do aquecimento global e das mudanças do clima em nosso planeta.

Já a ONU, por sua vez, deixa claro que a geração de energia a partir de combustíveis fósseis é um motivo de preocupação. "A maior parte da eletricidade ainda é gerada pela queima de carvão ou gás, que produz dióxido de carbono e óxido nitroso, potentes gases de efeito estufa que cobrem o planeta e retêm o calor do Sol”, informa a entidade.

A organização também adverte sobre as emissões da indústria e das fábricas, principalmente da queima de combustíveis fósseis para gerar energia para produzir cimento, componentes eletrônicos ou roupas, por exemplo, todas ações que colaboram com a mudança do clima.

(Você pode se interessar por: A extinção em massa nos oceanos pode ser evitada através da redução dos combustíveis fósseis.)

Além disso, "cortar florestas para criar fazendas ou pastagens, ou por outras razões, causa emissões de gás carbônico, porque quando as árvores são cortadas, o carbono que elas vêm armazenando é liberado", completam as informações da ONU. A destruição das florestas limita a capacidade da natureza de conter as emissões da atmosfera.

A ONU também aponta que os meios de transporte atuais têm sua parcela na alteração climática, dado que "a maioria dos caminhões, navios e aeronaves funcionam com combustíveis fósseis". Isto torna o setor um grande contribuinte para as emissões de gases de efeito estufa.

Dois moradores de uma pensão conversam enquanto o smog aumenta da planta de processamento de níquel Virtue DragonNickel Industry (VDNI), apoiada pela China.

E nem mesmo a produção de alimentos escapa: ela causa emissões de metano, dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa. Isso acontece de diferentes maneiras: através de desmatamento e da limpeza de terras com vegetação nativa para uso em agricultura e pastagem; ou através da alimentação dos gados bovino e ovino; através da produção e do uso de fertilizantes; e com a utilização de energia fóssil para alimentar máquinas e outros equipamentos.

Ainda segundo dados da ONU, os estilos de vida também contribuem para a mudança climática através do uso excessivo de energia, do consumo de bens como vestuário, produtos eletrônicos e de plásticos; e da maneira como viajamos.

Sobre todos esses dados, Marengo opina: "A combinação dos dois (de causas naturais e humanas) é o que determina até certo ponto o aumento da temperatura; e o aumento da temperatura é o que leva à mudança climática”, diz ele.

Quais são as consequências da mudança climática?

A concentração de gases de efeito estufa atualmente estão em seu nível mais alto em dois milhões de anos e as emissões continuam a aumentar. Como resultado, a temperatura da Terra é agora 1,1 graus Celsius mais alta do que era no final do século 19, diz a ONU.

Mas o aumento da temperatura não é a única consequência, adverte a organização: "Como a Terra é um sistema no qual tudo está conectado, as mudanças em uma área podem influenciar as mudanças em todas as outras.

Segundo o especialista peruano, alguns dos efeitos da alteração climática são o derretimento das calotas polares e das geleiras; a escassez de água; a elevação do nível do mar; os furacões mais fortes; e as tempestades mais intensas. "O que deve chover em um mês está caindo em poucos dias e são chuvas muito fortes, que podem levar a desastres como deslizamentos de terra ou enchentes repentinas".

A ONU acrescenta que a mudança climática coloca em risco a sobrevivência de espécies terrestres e oceânicas. Um milhão de espécies estão em risco de extinção nas próximas décadas e a taxa de extinção é mil vezes mais rápida do que em qualquer outro momento da história humana registrada.

Um mineiro caminha por um pequeno caminho cheio de lixo em La Rinconada, onde não há sistema de coleta de lixo.

Além disso, o fornecimento de alimentos também pode ser afetado como resultado da acidificação oceânica, que ameaça os recursos marinhos; mudanças na cobertura de neve e calor extremo que podem diminuir a água e as pastagens e interromper o fornecimento de alimentos gerados pelo gado, pela caça e pela pesca.

A saúde também é afetada pela mudança climática. De acordo com a ONU, fatores ambientais matam cerca de 13 milhões de pessoas a cada ano através de eventos climáticos extremos, deslocamento forçado, pressões sobre a saúde mental, propagação de doenças, aumento da fome e desnutrição em locais onde as pessoas não conseguem produzir ou encontrar alimentos suficientes.

Além disso, as enchentes podem lavar bairros e destruir casas e comunidades; e o calor dificulta o trabalho ao ar livre e afeta as colheitas. Como resultado, os fatores que impulsionam e mantêm as pessoas na pobreza e contribuem para o deslocamento estão aumentando. Especificamente, entre 2010 e 2019, eventos relacionados ao clima deslocaram aproximadamente 23,1 milhões de pessoas por ano.

A América Latina diante da mudança climática

Para Marengo, uma das áreas mais vulneráveis da região é a América Central, embora ele avise que todos os países são afetados.

Quanto aos desafios para lidar com essa questão, o especialista aponta que "o aquecimento global já está afetando o volume de gelo nos Andes". De todas as regiões glaciais, os Andes são talvez as que estão perdendo mais gelo. Grandes cidades como Lima, no Peru, Quito, no Equador, ou Bogotá, na Colômbia, dependem de água de fusão".

Portanto, diz o especialista, se não forem tomadas medidas, “haverá uma crise e devem ser consideradas alternativas para fornecer água a essas cidades”.

Sobre o tema da crise de água, o relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) sobre o estado do clima na América Latina e no Caribe 2021 adverte que as geleiras dos Andes tropicais perderam pelo menos 30% de sua área de superfície desde 1980.

Este recuo aumenta o risco de escassez de água para a população andina e para os ecossistemas. Além disso, o relatório revela que as temperaturas, em 2021, estavam acima da média de 1981-2010 em todas as sub-regiões, e o nível do mar na região continuou a subir no ano passado, a um ritmo mais rápido do que globalmente.

Soma-se a isso, o fato de que a temporada de furacões do Atlântico 2021 foi a terceira mais ativa de que se tem notícia. Enquanto chuvas extremas (com valores recordes em muitos lugares), inundações e deslizamentos de terra resultaram em perda de vidas, destruição de casas e centenas de pessoas deslocadas.

O que pode ser feito para combater a mudança climática

Marengo reconhece que não é possível reverter ou frear a mudança climática, mas é possível diminuí-la. "Podemos reduzir o aquecimento global a um máximo de 1,5°C ou 2°C até 2050".

"O que todos devem fazer é reduzir as emissões de gases de efeito estufa", diz ele. Além disso, o climatologista enfatiza que os países devem fazer um esforço para substituir os combustíveis fósseis por outras fontes de energia.

Medidas de adaptação também devem ser concebidas para diminuir o impacto das comunidades mais afetadas por eventos extremos resultantes da mudança climática, tais como inundações ou secas.

Ele também enfatiza o papel da ciência, que deve continuar a estudar o fenômeno a fim de prever o que acontecerá com o clima do futuro e quem estará mais vulnerável.

Além disso, o especialista diz que os cidadãos devem estar cientes de que o clima está mudando. Negar a mudança climática é negar o que já existe, diz ele. "A natureza está nos dando uma mensagem: se não fizermos algo, seremos os próximos animais a serem extintos”, decreta.

"Muitos dizem que já temos o gosto de como pode ser o futuro com as inundações no Brasil ou a onda de calor e seca na Europa. O clima já está um pouco alterado. Não precisamos esperar décadas: já estamos recebendo exemplos do que poderia ser o clima mais adiante”. (nationalgeographicbrasil)

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