quarta-feira, 13 de julho de 2011

Empreendimentos verdes e sustentáveis

Decisão e escolha dependem de informação.
Francisco Vasconcellos, do SindusCon, acha que mais importante do que a certificação é a criação de um inventário.
Há pelo menos 11 anos se dedicando à questão ambiental nas edificações, o vice-presidente de Meio Ambiente do Sindicato da Construção (SindusCon-SP), Francisco Vasconcellos, aposta que até 2020 os empreendimentos verdes e sustentáveis vão se impor em todo o mundo, inclusive no Brasil. Mas ele entende que o País não deve se prender a selos certificadores. "A certificação é apenas um viés do processo. O que é fundamental para a expansão dessa tendência é a existência de muita informação e de inventários ambientais."
Vasconcellos faz questão de dizer que não é contra a certificação. "Não se trata de encará-la como algo imprescindível. Ela é importante quando agrega valor, mas não resolve todos os problemas." Segundo o dirigente, para o País avançar nessa área é preciso desenvolver um processo de informações, que esclareça quem constrói sobre o que realmente é importante para tornar uma obra sustentável e para reduzir o seu impacto ambiental. E também informações para a sociedade, como um todo, avaliar a importância de apoiar obras sustentáveis.
"O empreendedor ou construtor precisa ter em mãos dados detalhados para tomar uma decisão, por exemplo, se deve optar por bloco cerâmico ou de concreto. E essa decisão deverá levar em conta desde o processo de fabricação de um e outro até a localização de suas fábricas (questão de transporte), isto é, aspectos que tornarão o produto mais barato ou não. Ou seja, precisamos de um inventário ambiental de materiais."
Vasconcellos argumenta que tanto nos Estados Unidos como na Europa esse tipo de inventário já existe há um bom tempo. As empresas se encarregam de explicar todo o processo de produção dos insumos, indicando materiais e métodos utilizados, sua procedência, tipo de mão de obra etc. "Aqui não existe essa obrigatoriedade, mas alguns setores já se conscientizaram de sua importância e saíram na frente. É o caso da indústria brasileira de cimento já considerada como uma das mais corretas do mundo, do ponto de vista ambiental", destaca.
A indústria do aço nacional também já deu o pontapé inicial para fazer o seu próprio inventário. "Outro passo relevante é o fato de o Ministério da Indústria e Comércio ter um grupo de estudos trabalhando para definir regras de como se estabelecer a vida útil dos materiais. É preciso saber exatamente o tempo de cada coisa para se avaliar o que vale realmente mais a pena. Afinal, algo que tem vida útil pequena não é a melhor opção se você tiver outro recurso, mesmo que esse tenha consumido mais matéria-prima, mas que só precisará ser trocado a cada trinta anos", compara.
Além de todas as informações que permitam às construtoras e incorporadoras tomarem cada vez mais decisões acertadas em direção a obras cada vez mais sustentáveis e de reduzido impacto ambiental, o outro grande desafio para a expansão dos chamados prédios verdes está num trabalho público de esclarecimento da população. "A grande questão é como produzir produtos sustentáveis com preços semelhantes, pois o consumidor não está disposto a pagar a mais. Vide os produtos orgânicos. Então, ele tem de ser esclarecido sobre os benefícios e economia que terá, seja no consumo futuro de água e luz, por exemplo, ao optar pelo apartamento sustentável."
Vasconcellos acredita se tratar de uma tendência que veio para ficar. "O empresário brasileiro é muito rápido na aceitação do novo e, como sou otimista, acho que até 2020 as construções serão em quase sua totalidade sustentáveis aqui e no mundo todo - é claro que não nas áreas miseráveis", conclui, argumentando que até programas como o Minha Casa, Minha Vida já se renderam a algumas adaptações de olho na sustentabilidade, como no caso da adoção de novos telhados e caixilhos.
Frase
FRANCISCO VASCONCELLOS
VICE-PRESIDENTE DE MEIO AMBIENTE DO SINDUSCON
"A indústria brasileira de cimento já é considerada uma das mais corretas do mundo" (OESP)

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