sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Inversão da pirâmide social aumentará a presença de idosos no mercado

Inversão da pirâmide social aumentará a presença de pessoas com mais de 60 anos no mercado de trabalho e no ensino superior.
Em 20 anos, população brasileira terá 24,5% de idosos.
O Brasil esta ficando mais experiente. É o que apontam os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2017, o país superou a marca de 30 milhões de idosos. A previsão é de que, em 2042, a população brasileira atinja 232,5 milhões de habitantes, sendo 57 milhões de idosos (24,5%).
Com a inversão na pirâmide social, já que até 2030 teremos mais idosos do que crianças de zero a 14 anos, a presença de pessoas com mais idade no mercado de trabalho e nas instituições de ensino tende a ser cada vez maior.
Para se ter uma ideia, dos mais de oito milhões de matriculados em cursos de graduação, presenciais e a distância, aproximadamente 24 mil têm 60 anos ou mais, segundo o Censo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), de 2016.

Com o crescente número de idosos, o mercado de trabalho e as instituições de ensino, antes projetados apenas para jovens multitarefas, a partir de agora, necessitam de ajustes para atender ao novo cenário. Se as pessoas mais novas conseguem executar simultaneamente diferentes tarefas como andar, falar ao telefone, mexer no celular e estudar, os idosos precisam de cautela quando o assunto é foco e atenção.
População idosa usa academia popular ao ar livre em Santos/SP.

O alerta é da presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Claudia Fló. “A maioria dos idosos não consegue se concentrar e realizar muitas atividades ao mesmo tempo. Ao caminhar, por exemplo, um diálogo prolongado aumenta o risco de ele desviar a atenção e, com isso, perder o equilíbrio e cair”. Quando o assunto é o processo de ensino-aprendizagem para idosos, ela é ainda mais enfática. “Um ambiente silencioso e o foco em apenas uma tarefa ou um tema a ser estudado por vez, é fundamental para o desempenho e performance do idoso”.
No que diz respeito ao limite diário de estudos, a especialista ressalta que há variação de pessoa para pessoa. “No jovem, fala-se muito sobre o período máximo de atenção plena, que é de aproximadamente 40 minutos. No caso dos idosos, não existem estudos sobre o tema para essa população específica, ou seja, é importante que ele respeite o seu próprio limite”.
A parcela de idosos que se manteve ocupada durante todo o trimestre aumentou de 80% em 2012 para 83% em 2018.
Claudia ainda lembra que exercitar a mente faz bem em qualquer idade e, para os idosos, é importantíssimo se manterem ativos, especialmente, em atividades intelectuais. “Para auxiliar nesse processo de aprendizagem, levando em consideração algumas limitações adquiridas pela ação do tempo, o ideal é seguir aquela velha dica dos professores: nunca estudar na véspera”. E ela acrescenta que o motivo é clínico. “Estudar logo após o término das aulas faz com que a fixação do conteúdo seja muito melhor, pois a repetição ativa os circuitos cerebrais que auxiliam na memorização. Para o idoso, essa prática é fundamental, pois acontece uma ‘lentificação’ da fixação cerebral e ele tende a ter uma dificuldade maior que os jovens”, destacam.

E é justamente por isso que há uma preocupação na adequação das metodologias de ensino para os idosos. Na Unicesumar, por exemplo, há todo um suporte para facilitar o acesso deste público às ferramentas disponibilizadas pela instituição. “Sempre acompanhamos de perto nossos alunos para garantir o aproveitamento máximo de cada um deles. No caso dos idosos, isso é intensificado e as equipes dos polos acompanham e orientam, individualmente, cada um deles. “Assim que iniciam a trajetória na instituição, esses alunos passam por uma ambientação, onde recebem todo o suporte para o manuseio dos ambientes e para a resolução das atividades”. Outro facilitador é uma disciplina chamada de Go – Projeto de Vida, criada para ajudar ao estudante da EAD a manter sua trilha de estudos”, explica Kátia Solange Coelho, diretora de Graduação e Pós-Graduação da EAD Unicesumar.
Para que os idosos tenham a certeza de que não estão sozinhos e de que a distância é apenas física, os mediadores desempenham um papel pedagógico fundamental: o de apoiar e auxiliar estes estudantes. A produção própria do material, com linguagem dialógica – que conversa com o aluno –, também permite uma aproximação maior com a instituição. “Entendemos que o cuidado, seja com o material ou com o suporte acadêmico, é essencial para evitar que eles desistam, em especial, porque muitos ficaram longos anos sem estudar e porque a tecnologia pode ser um entrave para esse perfil de estudante”, acrescenta a diretora.
Bombeiro Militar recém-aposentado, o estudante do curso de Tecnólogo em Segurança no Trabalho da EAD da Unicesumar de Indaiatuba (SP), Waldir Gonçalves Mainates, conta que iniciou uma nova graduação motivada pelo desejo de aumentar o conhecimento e agregar mais conteúdo ao seu atual trabalho. “Sou formado em Teologia e em Técnico em enfermagem, ministro cursos de primeiros socorros e traumas. Não imaginava fazer outra faculdade com a minha idade, mas percebi que precisava e escolhi o que seria um diferencial dentro área em que estou atuando”.
Aumenta número de idosos no ensino superior.

Tendência indica que esta fatia da população será convocada pelo mercado de trabalho.
Ainda segundo Mainates, mais do que vontade, é preciso muito empenho e dedicação. “Com o passar dos anos, é necessário mais tempo e atenção no desenvolvimento das atividades. Porém, o auxilio da equipe de apoio do polo, a tecnologia e flexibilidade da EAD têm sido grandes aliados”, conclui o aluno, que já planeja a pós-graduação em Ergonomia. (ecodebate) 

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