Um grupo de pesquisa da
Espanha utilizou irrigação deficitária controlada (RDI, na sigla em inglês) em
sistemas agrivoltaicos para cultivar tomates em Madri e Sevilha.
A RDI é uma técnica utilizada
para reduzir o consumo de água de irrigação, fornecendo intencionalmente menos
água às plantas durante os estágios de crescimento menos sensíveis, enquanto se
monitora o potencial hídrico das folhas para evitar estresse excessivo e manter
a produtividade.
“Essa combinação inovadora
visa reduzir a demanda evaporativa das plantas por meio da sombra proporcionada
pelos painéis fotovoltaicos, permitindo um uso mais eficiente da terra e da
água”, afirmaram os pesquisadores em um comunicado. “Nossos resultados indicam
que, embora a sombra dos painéis reduza a radiação disponível, o projeto do
sistema permite que o desenvolvimento adequado das plantas seja mantido na
maioria das fases do ciclo da cultura”.
Tanto em Madrid quanto em
Sevilha, os experimentos ocorreram durante a safra de primavera de 2024. As
temperaturas máximas foram frequentemente mais altas em Sevilha do que em
Madrid durante a maior parte da estação, e as variedades específicas de
sementes de tomate foram selecionadas com base nas condições climáticas. Os
sistemas agrivoltaicos nos dois locais consistiam em uma estrutura de 2
monopostes por talhão, suportando 5 módulos de silício monocristalino com
potência nominal de 450 W cada.
As estruturas tinham 2,5 m de altura em Madrid e 3 m de altura em Sevilha, com espaçamento de 5 m e 4,5 m, respectivamente. O ângulo de inclinação era de 17° em Madrid e 20° em Sevilha, enquanto a orientação era de 25° e 15° em relação ao eixo norte-sul, respectivamente. Além disso, ambos os locais incluíam uma parcela utilizando apenas irrigação por desidratação programada (RDI), sem sistema agrivoltaico, bem como uma parcela de controle que recebia irrigação plena para atender às necessidades hídricas da cultura e evitar o estresse hídrico.
Com lançamento previsto para 2027, a nova tecnologia de irrigação agrícola desenvolvida no Brasil une IA e IoT para otimizar custos e preservar recursos hídricos.
Os pesquisadores avaliaram
três tratamentos de irrigação com três repetições sob diferentes condições de
sombreamento e manejo da água. Os talhões de controle receberam irrigação plena
com base na evapotranspiração da cultura (ETc) para evitar o estresse hídrico,
enquanto a irrigação deficitária controlada (RDI) aplicou estresse hídrico
controlado de acordo com os estágios de crescimento da planta e os limiares de
potencial hídrico foliar ao meio-dia. Os níveis de irrigação na RDI variaram
dinamicamente entre 25% e 125% da ETc, dependendo das medições de estresse das
plantas. A parcela agrivoltaica combinou a mesma estratégia de irrigação da RDI
com o cultivo da cultura sob estruturas fotovoltaicas. As medições foram
realizadas apenas em plantas localizadas centralmente dentro de cada talhão
para minimizar os efeitos de borda.
A análise mostrou que o
projeto agrovoltaico e a latitude influenciaram fortemente a distribuição da
radiação e o microclima das culturas em Madri e Sevilha. Em ambos os locais, as
parcelas agrovoltaicas receberam níveis de radiação semelhantes aos dos talhões
de controle, enquanto os talhões sombreados apresentaram reduções
significativas na radiação fotossinteticamente ativa (PAR), especialmente ao
meio-dia. Em Madri, os efeitos do sombreamento persistiram ao longo da estação,
com reduções de PAR ao meio-dia de cerca de 90% e valores de integral de luz
diária (DLI) em torno de 70% dos valores observados em campo aberto. Em
Sevilha, os impactos do sombreamento foram limitados principalmente aos
estágios iniciais de crescimento, e as diferenças de DLI praticamente
desapareceram no final da estação.
“Uma das descobertas mais
notáveis é que a estratégia de irrigação deficitária reduziu o consumo de
água em aproximadamente 50% em comparação com a irrigação tradicional”,
afirmaram os cientistas. “No entanto, essa drástica redução no consumo de água
levou a uma queda na produtividade de cerca de 20% no tratamento com irrigação
deficitária controlada (RDI), atribuída principalmente às severas condições de
estresse hídrico durante a fase de maturação. Apesar dessa queda na produção
total de tomate, a produtividade da água de irrigação aumentou
significativamente nos tratamentos em Sevilha, demonstrando que é possível
obter mais frutos para cada gota de água investida”.
Além disso, o desempenho geral
do sistema agrovoltaico foi validado pela taxa de equivalência de área (LER, na
sigla em inglês), que combina a eficiência da produção agrícola e da produção
de eletricidade. Em Madri, o valor de LER obtido foi de 1,54, enquanto em
Sevilha foi de 1,67, confirmando que a produção combinada é mais eficiente do
que cultivar tomates e gerar energia em talhões separados. “Isso implica que,
embora a produção de tomates diminua sob os painéis, a rentabilidade e a
sustentabilidade do sistema aumentam graças à geração de energia limpa no mesmo
espaço”, afirmaram os pesquisadores.




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