O crescimento do Produto
Interno Bruto (PIB) de Taiwan, em 2025, foi muito acima da média mundial,
enquanto a população apresentou declínio, ao contrário do ritmo médio global
que apresenta aumento.
Em 1980, a população
brasileira era 120 milhões de habitantes e deve chegar a 216 milhões em 2030,
um crescimento de 82% em 50 anos. A população taiwanesa passou de 17,9 milhões
de habitantes em 1980 para 23,7 milhões em 2019 (atingindo o pico populacional)
e deve cair para 23,3 milhões. Em 50 anos o crescimento foi de 30%.
Portanto, o Brasil é um país
muito mais populoso e que apresentou um crescimento demográfico significativo
em cinco décadas. Na teoria dos economistas populacionistas era para o maior
país latino-americano ter apresentado melhores resultados de progresso e
bem-estar. Mas aconteceu o contrário.
O gráfico abaixo, também com
dados do WEO/IMF, mostra a renda per capita, em preços constantes e em poder de
paridade de compra (ppp), para o Brasil e Taiwan. Nota-se que o Brasil tinha
uma renda per capita maior no início da década de 1980, mas apresentou
desempenho pífio perto de Taiwan nas décadas seguintes.
Em 1980, a renda per capita brasileira era de US$ 13,7 mil e deve chegar a US$ 22 mil em 2030, um crescimento de 60% em 50 anos. No mesmo período, a renda per capita de Taiwan passou de US$ 9,1 mil para US$ 81 mil, um crescimento de 9 vezes em 50 anos.
O crescimento da renda per capita taiwanesa foi acompanhado pela melhoria da qualidade de vida e a redução da pobreza e da mortalidade infantil. Em 1950, a expectativa de vida ao nascer era de 56 anos e deve chegar a 82 anos em 2030 em Taiwan. No Brasil, a expectativa de vida ao nascer era de 49 anos em 1950 e deve atingir 77 anos em 2030. Taiwan já superou os EUA e foi além da barreira de 80 anos na conquista da longevidade da população.
Desta forma, a ideia de que
“mais gente gera mais riqueza” não se sustenta quando olhamos para a
experiência comparada. O caso de Taiwan mostra justamente o oposto: o fator
decisivo não foi o crescimento demográfico, mas a qualidade das instituições,
das políticas públicas e da estrutura social e produtiva. Cabe destacar alguns
mecanismos centrais:
1) Capital humano e educação
de alta qualidade
Taiwan investiu pesadamente
em educação básica universal e, sobretudo, em ensino técnico e superior voltado
à indústria. O país formou uma força de trabalho altamente qualificada,
especialmente em engenharia e tecnologia. O Brasil ampliou o acesso
educacional, mas com problemas persistentes de qualidade e forte desigualdade.
2) Estratégia de
industrialização e inserção externa
Desde os anos 1960–70, Taiwan
adotou uma estratégia clara de industrialização voltada à exportação, com foco
crescente em setores de alta tecnologia (como semicondutores). Empresas como a
TSMC são hoje centrais na economia global. Já o Brasil teve uma
industrialização mais voltada ao mercado interno, perdeu dinamismo a partir dos
anos 1980 e passou por um processo de desindustrialização precoce.
3) Estado desenvolvimentista
eficiente
O Estado taiwanês atuou de
forma coordenada, com políticas industriais, tecnológicas e financeiras
consistentes ao longo do tempo. Houve continuidade estratégica. No Brasil, a
política econômica foi mais volátil, com ciclos de expansão e crise, inflação
elevada até os anos 1990 e menor coordenação de longo prazo.
4) Demografia: bônus vs.
armadilha da renda média
O crescimento populacional só
gera benefícios quando há emprego produtivo e aumento de produtividade. Taiwan
aproveitou bem seu “bônus demográfico” no passado e, mesmo com o envelhecimento
atual, já atingiu alta renda. O Brasil também teve bônus demográfico, mas o
aproveitou parcialmente — com baixa produtividade e grande informalidade.
Resultado: mais população não se traduziu automaticamente em mais renda per
capita.
5) Produtividade como
variável-chave
O crescimento de longo prazo
depende fundamentalmente da produtividade (quanto cada trabalhador produz), não
do número de trabalhadores. Taiwan conseguiu elevar rapidamente sua
produtividade ao migrar para setores intensivos em tecnologia. O Brasil ficou
preso a setores de menor valor agregado e com ganhos de produtividade
limitados.
6) Instituições, desigualdade
e ambiente de negócios
Taiwan combinou reformas
agrárias, redução de desigualdades iniciais e forte apoio à pequena e média
empresa exportadora. O Brasil manteve níveis elevados de desigualdade, o que
limita o potencial de crescimento sustentado e a difusão de oportunidades.



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