Impactos por Fonte Renovável
• Energia Solar Fotovoltaica:
Redução de até 40% na energia efetivamente entregue ao Sistema Interligado
Nacional (SIN).
• Energia Eólica Onshore:
Queda estimada em 21% na geração escoada.
• O corte total de 25%
representa um aumento de 47% em relação ao cenário-base previsto para o ano.
Fatores de Agravamento
• Dinâmica Climática: O El
Niño reduz as afluências dos reservatórios hidrelétricos no Nordeste, mas eleva
o fator de capacidade das usinas renováveis, gerando volume de energia acima da
capacidade de escoamento da rede.
• Despacho Termelétrico: O
acionamento de usinas térmicas fora da ordem de mérito devido à seca pode
adicionar até 6 pontos percentuais extras de corte na energia solar, elevando o
índice de curtailment para patamares próximos a 47% em situações críticas.
Aurora estima cortes de até 40% para a geração solar e alerta que despacho térmico fora da ordem de mérito pode elevar ainda mais os cortes.
Um El Niño forte no final de 2026 pode elevar para 25% o curtailment da geração renovável no Brasil, ante 17% no cenário de referência da Aurora Energy Research. A geração solar fotovoltaica pode ter até 40% de sua produção cortada, enquanto o curtailment da geração eólica onshore pode chegar a 21%, segundo modelagem nodal da consultoria.
O cenário considera apenas
cortes associados a restrições energéticas e de confiabilidade do sistema.
A combinação de condições
climáticas e de despacho pode aumentar a pressão sobre a geração renovável. No
cenário de El Niño, o fator de capacidade da eólica onshore no Nordeste
passaria de 47% para 52%, enquanto as afluências hidrológicas de médio e longo
prazo na região cairiam de 53% para 40% da média histórica.
A maior produção renovável
ocorreria, portanto, simultaneamente a uma menor disponibilidade hídrica,
aumentando a necessidade de cortes de geração.
Segundo
a Aurora, o custo total do curtailment poderia superar R$ 8 bilhões em 2026,
mais que o dobro do estimado no cenário de referência. A elevação dos cortes
representa um risco para os fluxos de caixa dos projetos e para a capacidade de
pagamento da dívida de ativos contratados.
“Um forte evento de El Niño pode alterar de forma significativa a trajetória do curtailment no Brasil. Nossas modelagens indicam que o curtailment total das fontes renováveis pode alcançar 25% em 2026, muito acima das expectativas atuais”, afirma Rodrigo Borges, diretor executivo da Aurora Energy Research no Brasil.
Impacto do despacho térmico
A situação pode se agravar
caso condições hidrológicas desfavoráveis levem à contratação ou ao despacho de
usinas térmicas fora da ordem de mérito. A geração obrigatória dessas usinas
reduz o espaço disponível para a geração renovável e pode aumentar os cortes.
A Aurora cita como referência
a crise hídrica de 2021, quando os reservatórios do Sudeste caíram de
aproximadamente 69% para 29% de armazenamento em cinco meses. Naquele ano, o
Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) autorizou 37 TWh de geração
térmica emergencial, equivalente a 32% da produção térmica total.
Em um cenário de El Niño acompanhado por uma seca severa, uma dinâmica semelhante poderia ocorrer. A modelagem da consultoria indica que 3 GW adicionais de geração térmica fora da ordem de mérito poderiam acrescentar até 6 pontos percentuais ao curtailment da geração solar. Nesse caso, o corte da geração fotovoltaica poderia chegar a 47% em 2026.
“O que torna 2026 particularmente complexo é a potencial interação entre o clima e a dinâmica de despacho. O El Niño reduz as afluências hidrelétricas no Nordeste ao mesmo tempo em que aumenta os fatores de capacidade das fontes renováveis, elevando o curtailment”, afirma Rodrigo Longo, senior associate da Aurora Energy Research.
O aumento das temperaturas
associado ao El Niño também pode elevar a demanda por eletricidade para
refrigeração, especialmente no Sudeste. O maior consumo tende a absorver parte
da geração excedente e, consequentemente, reduzir a necessidade de cortes.
O efeito, contudo, seria
apenas parcial. De acordo com a Aurora, mesmo considerando o aumento da
demanda, o curtailment permanece acima do cenário central. O crescimento dos
fatores de capacidade das fontes renováveis supera o efeito de mitigação proporcionado
pelo aumento do consumo.
Para a consultoria, o cenário reforça a necessidade de investidores, desenvolvedores e financiadores incorporarem o risco de curtailment, incluindo seus componentes climáticos e de despacho, às avaliações financeiras e estratégias de gestão de risco dos projetos renováveis.
El Niño pode gerar perdas acima de R$ 8 bilhões para renováveis no Brasil. (pv-magazine-brasil)





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