Pontos Principais sobre o
Super El Niño
• Previsão e Intensidade:
Atualizações da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA) apontam
75% de probabilidade de este ser o evento mais forte desde o início dos
registros em 1950, com anomalias de temperatura na superfície do mar podendo
alcançar ou superar os +4°C.
• Pico do Fenômeno: O ápice
do aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial é projetado para ocorrer entre os
meses de outubro, novembro e dezembro/2026, com o evento persistindo pelo menos
até fevereiro/2027, conforme alertas da ONU e da OMM.
• Impactos no Brasil:
- Norte e Nordeste: Elevado
risco de secas severas e maior propensão a queimadas.
- Região Sul: Probabilidade
alta de excesso de chuvas, tempestades e enchentes durante o período da
primavera e do verão.
• Consequências Globais: O
aquecimento extremo das águas profundas e superficiais também afeta a vida
marinha, altera rotas de furacões no Pacífico e acende alertas na economia
mundial devido ao risco de alta nos preços dos alimentos.
Aquecimento do Pacífico ocorre mais cedo e mais rápido que nos grandes episódios registrados nas últimas décadas; pico do fenômeno será no fim do ano.
Mapas climáticos revelam rapidez do aquecimento das águas do Pacífico
O El Niño de 2026-2027 está
se fortalecendo muito rapidamente e pode se tornar um dos mais intensos já
registrados. O alerta é da MetSul Meteorologia, com base nas atualizações
mensais dos modelos climáticos divulgadas na primeira semana de setembro,
indicando que o El Niño deve atingir seu pico entre novembro e dezembro, com
anomalias de temperatura da superfície do mar próximas de +4°C.
O fenômeno ocorre quando as
águas da superfície do Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal,
alterando os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do mundo.
No início de setembro, de
acordo com o boletim semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera
(NOAA), dos Estados Unidos, a região do Pacífico usada para medir a intensidade
do fenômeno, chamada Niño 3.4, apresentava uma anomalia de +2,7°C pelo índice
ONI, que é a medida utilizada para determinar a intensidade de fenômenos como
El Niño e La Niña.
A temperatura de +2,7°C caracteriza um El Niño muito forte, popularmente conhecido como Super El Niño.
Velocidade do aquecimento
O que chama a atenção dos
especialistas é a velocidade desse aquecimento: em 2026, o nível de +2°C foi
alcançado já em julho, enquanto nos grandes episódios de 1997, 2015 e 1982 isso
ocorreu somente em setembro ou novembro.
De acordo com os
meteorologistas da MetSul, em uma comparação histórica feita com dados do índice
ONI dos principais eventos de El Niño dos últimos 50 anos, na primeira semana
de setembro, a anomalia era de 1,6°C em 2023; 1,7°C em 2015; 2,1°C em 1997; e
0,6°C em 1982.
Para os especialistas, o El Niño já está entre os mais intensos da história, superando episódios marcantes das últimas décadas.
Levantamento detalha intensidade do fenômeno
Com base em dados semanais da
NOAA, calculados pelo índice ONI, foi feito um levantamento mostrando que o
maior pico de temperatura registrado em um episódio de Super El Niño ocorreu em
2015-2016, quando a anomalia na região Niño 3.4 chegou a 3°C em 18/11/2015. O
segundo maior valor foi registrado no episódio de 1982-1983, com 2,6°C em
29/12/1982.
O levantamento também mostra
que nenhum dos grandes episódios de El Niño dos tempos modernos atingiu a
categoria de Super El Niño tão cedo quanto o atual.
Em 2026, a anomalia chegou a +2°C já na semana de 8 de julho. Em comparação, o El Niño de 1982-1983 alcançou esse patamar apenas em 24 de novembro; o de 1997-1998, em 3 de setembro; e o de 2015-2016, em 16 de setembro.
Pico no fim do ano
Os modelos numéricos
apresentam consenso de que o pico deste evento, como normalmente ocorre, deve
se dar no final do ano. Algumas simulações apontam a intensidade máxima em
novembro, e outras, em dezembro.
A mediana dos dados, hoje,
aponta que o atual evento pode atingir, no pico de intensidade, no final deste
ano, valores próximos ou ao redor de +4°C de anomalia na principal região de
monitoramento.
Caso se confirme, será um
valor muito acima do patamar de +2°C utilizado para caracterizar informalmente
um Super El Niño, o que, pelo índice ONI, já foi atingido ainda em julho.
O valor não apenas superaria
por larga margem os picos de todos os eventos do fenômeno no século 20, como
também colocaria o episódio atual em um território excepcional e jamais
constatado em 170 anos de observação. (ig)





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