Um dos argumentos utilizados pelo ecocéticos das mudanças climáticas é que o aumento de CO2 na atmosfera seria benéfico às florestas, ao ‘adubar’ as árvores, permitindo o crescimento de sua massa vegetal.
Há quem, deliberadamente, misture crescimento de massa com aumento de área, para justificar o desmatamento crescente. No entanto, ao contrário destes argumentos, um novo estudo [Longer growing seasons lead to less carbon sequestration by a subalpine forest] sugere que as florestas subalpinas absorverão menos carbono em razão das mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global.
O estudo, que será publicado na edição de fevereiro da revista Global Change Biology, foi realizado por pesquisadores da University of Colorado at Boulder, em conjunto com o Instituto Cooperativo de Investigação em Ciências Ambientais (Cooperative Institute for Research in Environmental Science – CIRES), contradiz estudos realizados em outros ecossistemas que indicam o crescimento florestal a partir da maior absorção de carbono.
Os pesquisadores identificaram que a redução da disponibilidade de água, em razão da redução da neve e do consequente degelo, tornou as árvores menos eficientes na conversão de CO2 em biomassa. Chuvas de verão não conseguiram compensar a diferença.
De acordo com o estudo, no caso das florestas subalpinas, a neve é muito mais eficaz do que a chuva no fornecimento de água para estas florestas e mesmo que o aquecimento traga mais chuva, isso não vai compensar o potencial de absorção de carbono perdidos devido ao degelo em declínio.
Além do mais, florestas mais secas também são mais suscetíveis à infestação de besouros e incêndios florestais.
Os pesquisadores foram capazes de distinguir entre a neve da primavera e a chuva de verão, na matéria vegetal, através da análise de pequenas variações em átomos de hidrogênio e oxigênio nas moléculas de água.A questão é delicada porque as florestas subalpinas respondem por 70% dos sumidouros de carbono, ou áreas de armazenamento de carbono do oeste dos Estados Unidos. Sua distribuição geográfica inclui grande parte das Montanhas Rochosas, Sierra Nevada e áreas montanhosas do noroeste do Pacífico.
O entendimento vem de acordo com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. A aprendizagem, o conhecimento e a sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança de agregar novos valores aos antigos já existentes.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Aquecimento do clima pode reduzir a absorção de carbono pelas árvores
Um dos argumentos utilizados pelo ecocéticos das mudanças climáticas é que o aumento de CO2 na atmosfera seria benéfico às florestas, ao ‘adubar’ as árvores, permitindo o crescimento de sua massa vegetal.
Há quem, deliberadamente, misture crescimento de massa com aumento de área, para justificar o desmatamento crescente. No entanto, ao contrário destes argumentos, um novo estudo [Longer growing seasons lead to less carbon sequestration by a subalpine forest] sugere que as florestas subalpinas absorverão menos carbono em razão das mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global.
O estudo, que será publicado na edição de fevereiro da revista Global Change Biology, foi realizado por pesquisadores da University of Colorado at Boulder, em conjunto com o Instituto Cooperativo de Investigação em Ciências Ambientais (Cooperative Institute for Research in Environmental Science – CIRES), contradiz estudos realizados em outros ecossistemas que indicam o crescimento florestal a partir da maior absorção de carbono.
Os pesquisadores identificaram que a redução da disponibilidade de água, em razão da redução da neve e do consequente degelo, tornou as árvores menos eficientes na conversão de CO2 em biomassa. Chuvas de verão não conseguiram compensar a diferença.
De acordo com o estudo, no caso das florestas subalpinas, a neve é muito mais eficaz do que a chuva no fornecimento de água para estas florestas e mesmo que o aquecimento traga mais chuva, isso não vai compensar o potencial de absorção de carbono perdidos devido ao degelo em declínio.
Além do mais, florestas mais secas também são mais suscetíveis à infestação de besouros e incêndios florestais.
Os pesquisadores foram capazes de distinguir entre a neve da primavera e a chuva de verão, na matéria vegetal, através da análise de pequenas variações em átomos de hidrogênio e oxigênio nas moléculas de água.A questão é delicada porque as florestas subalpinas respondem por 70% dos sumidouros de carbono, ou áreas de armazenamento de carbono do oeste dos Estados Unidos. Sua distribuição geográfica inclui grande parte das Montanhas Rochosas, Sierra Nevada e áreas montanhosas do noroeste do Pacífico.
IPCC admitiu que padrões científicos não foram seguidos
Aconteceu de novo: uma referência fajuta foi parar num documento sobre aquecimento global e gerou uma afirmação bombástica reproduzida por toda parte. Neste caso, foi o Quarto Relatório de Avaliação (AR4) do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC). A certa altura, o AR4 afirma que as geleiras do Himalaia estão retrocedendo e poderiam sumir até 2035. O governo indiano questionou o dado em novembro passado.
A previsão tinha aparecido pela primeira vez, mais de uma década atrás, numa entrevista de outro cientista indiano ao jornalista britânico Fred Pearce, mas nunca chegou a ser corroborada com dados em uma publicação científica. Apesar disso, a previsão acabou chegando ao AR4. Como fonte, o relatório do IPCC cita um documento da organização não-governamental WWF. Este, por sua vez, dá como referência reportagem de Pearce na revista de divulgação New Scientist de 1999.
Parece notável o paralelo com o caso brasileiro relatado aqui em 4 de março de 2007: um relatório do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Mudanças Climáticas Globais e seus Efeitos sobre a Biodiversidade, afirmou que a elevação do mar pela mudança do clima punha em risco 42 milhões de pessoas no Brasil.
As fontes do número eram estranhas: Ministério da Educação e Greenpeace. Uma consulta ao documento da ONG revelou que a fonte primária era O Mar no Espaço Geográfico Brasileiro, volume do MEC e da Marinha para professores do ensino médio e fundamental. A reação dos pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que coordenaram o relatório foi exemplar. Reconheceram o erro e o corrigiram de imediato. Em novembro, quando surgiu a crítica à previsão catastrófica sobre o Himalaia, o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, outro indiano, reagiu com agressividade. Chamou o estudo de ciência vodu e acusou-o de não ter passado por peer review (revisão por pares, controle de qualidade por revisores especializados anônimos).
Com a revelação de suas fontes, o IPCC teve de admitir em comunicado, na quarta-feira, que os padrões científicos da organização não foram seguidos. Meio que se justifica dizendo que se trata de um (só) parágrafo com estimativas mal corroboradas num documento de 938 páginas (tamanho da parte do AR4 em questão). O IPCC se encontra sob ataque, ninguém duvida, mas essa não é a melhor forma de tentar consertar uma gafe. Os céticos (negacionistas) da mudança do clima aproveitarão a munição para lançar novas investidas, sem mencionar que a predição fajuta em nada altera a conclusão geral do AR4 de que o retrocesso de geleiras ameaça o fornecimento de água para centenas de milhões de pessoas na Ásia.
O modus operandi dos negacionistas é conhecido: destacam todo deslize ou dado isolado que enfraqueça a interpretação de que o clima está mudando e omitem o crescente conjunto de evidências que a apoiam. Preocupante é ver que até jornalistas -melhor, alguns colunistas conservadores- se prestam a esse jogo. Não se pejam em exibir a própria ignorância, desconhecem a diferença entre tempo e clima e estão vibrando com a onda de frio no hemisfério Norte. Todo o hemisfério Norte? Não, só partes das regiões mais habitadas. O Ártico propriamente dito está mais quente que o normal. Isso é de todo compatível com as previsões do IPCC sobre a mudança do clima. Mas quem se importa com a ciência?
Estudo aponta aceleração do descongelamento do Himalaia
Derretimento das geleiras: Após polêmica sobre Himalaia, estudo aponta aceleração do fenômeno.
Relatório confirma derretimento de geleira – As geleiras em todo o mundo continuam a derreter em alta velocidade e muitas delas devem desaparecer até a metade deste século, afirmou documento “Preliminary mass balance data 2007/08” divulgado nesta semana pelo Serviço de Monitoramento Mundial de Geleiras (WGMS - World Glacier Monitoring Service).
O anúncio dos resultados do último ano do monitoramento em nove cordilheiras de quatro continentes chega em um momento em que dúvidas foram lançadas sobre o quanto os cientistas que estudam o clima teriam exagerado no que diz respeito ao derretimento de geleiras, que indica o quanto o planeta estaria se aquecendo.
Em meados de janeiro de 2010, o responsável pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), o indiano Rajendra Pachauri, pediu desculpas por um parágrafo em seu relatório de 2007 que alertava para um risco “muito alto” de que os glaciares do Himalaia desapareceriam em torno de 2035. Os dados estavam errados.
Entretanto, o diretor do WGMS, Wilfried Haeberli, disse que os últimos resultados indicam que a maioria das geleiras continuou a derreter em taxas historicamente altas. “É menos extremo que nos anos imediatamente anteriores, mas o que realmente importa é que a tendência dos últimos dez anos mostra uma aceleração ininterrupta do derretimento.”Segundo ele, as mais vulneráveis estão nos Alpes, nos Pireneus, nos Andes e nas Rochosas.
Países aderem ao acordo do clima
Prazo para se associar ao documento feito em Copenhague termina em janeiro de 2010; metas não são obrigatórias.
Nações ricas como Estados Unidos, União Europeia, Noruega e Japão e países em desenvolvimento como China, Brasil e Índia pretendem se associar ao Acordo de Copenhague, elaborado durante a Conferência do Clima das Nações Unidas que ocorreu em dezembro, na Dinamarca.
O prazo oficial para os países informarem se querem integrar o acordo e quais ações tomarão para evitar o aumento desastroso da temperatura mundial se encerra amanhã. Mas a Convenção do Clima da ONU (UNFCCC) já disse que aceitará adesões fora do prazo.
De acordo com o Itamaraty, o Brasil "pretende enviar seus compromissos" voluntários no prazo - um deles é a meta de cortar as emissões de gases de efeito estufa até 2020 entre 36% e 39%, comparado ao que seria caso nada fosse feito. Já os Estados Unidos se propõem a reduzir 17% das emissões até 2020, em relação ao nível de 2005, e a União Europeia tem meta de cortar 20% das emissões, em relação ao nível de 1990.
Os números, com exceção do apresentado pela Noruega, ficam abaixo do considerado ideal pela ciência - uma redução de 40% das emissões em relação a 1990.
O documento elaborado na Dinamarca é apenas uma declaração de intenções. Para a UNFCCC, o Acordo de Copenhague não é mais forte que o Protocolo de Kyoto, pois seu cumprimento não é obrigatório. Porém, ele pode ser mais abrangente, pois tem a adesão dos Estados Unidos (que não ratificaram Kyoto) e terá também, possivelmente, a dos principais emissores dos países em desenvolvimento.
"O acordo pode proporcionar uma valiosa orientação sobre o aumento da temperatura global máxima e o que é necessário em termos de financiamento, a curto e a longo prazo", diz um alto funcionário da UNFCCC. A chave está, segundo ele, "em que medida o acordo será universalmente aceito para guiar" as negociações neste ano. Se houver uma adesão em massa, acredita ele, "poderemos chegar a um resultado significativo no México". Se isso não ocorrer, porém, ficará "difícil ver como vamos chegar a algum lugar no futuro previsível".
Ontem, o presidente americano Barack Obama apresentou uma meta específica para o governo federal e suas agências de reduzir em 28% as emissões até 2020. O governo é um dos maiores consumidores de energia.
Os EUA são culpados pelo fracasso de Copenhague
Funcionário do Departamento de Meio Ambiente do país, ele diz que o mundo é refém de senadores americanos.
Ele chorou e conseguiu bloquear as negociações climáticas da Conferência do Clima da ONU em Copenhague, a COP-15, no fim do ano passado. Ian Fry, principal negociador de Tuvalu na área climática e funcionário do Departamento de Meio Ambiente do país, ganhou os holofotes com seus discursos na Dinamarca.
Ele exigia a assinatura de um acordo com força jurídica, a única forma de garantir a sobrevivência de Tuvalu, o que não ocorreu. Na época, Fry evitou falar com a imprensa - dizia que o evento não era uma "egotrip" -, mas vídeos de seus discursos correram o mundo. "Acordei esta manhã chorando. E isso não é fácil para um homem crescido admitir. O futuro do meu país está em suas mãos", disse em um deles. Um mês após o término da COP-15, ele falou ao Estado.
A população de Tuvalu vive a menos de dois metros acima do nível do mar. As pessoas já sofrem impactos das mudanças climáticas?
O nível do mar atual não tem afetado diretamente os tuvaluanos, apesar de Tuvalu ter altas marés em fevereiro e março e parecer que elas estão piorando. Isso significa que as pessoas precisam andar com água na altura dos joelhos para chegar em casa. A produção de alimento também é afetada. Mas o mais provável efeito imediato da mudança climática, segundo a previsão do painel do clima da ONU (IPCC), será mais ciclones graves. Quando ciclones atingem Tuvalu, as ondas lavam a ilha, destroem casas e ameaçam vidas.
O que Tuvalu tem feito para evitar os problemas que virão com o aumento da temperatura?
O governo está fazendo pesquisas, com a assistência do governo japonês para avaliar se a areia da lagoa de Funafuti (a capital) pode ser retirada para ajudar a elevar a ilha. Mas é provável que esse seja um programa extremamente caro. Tuvalu, sendo um país menos desenvolvido, não tem os recursos financeiros para fazer o trabalho por conta própria. A saída seria procurar financiamento por meio do Fundo de Adaptação, mesmo sabendo que o dinheiro pode não ser suficiente. Temos feito um trabalho de proteção costeira, com plantação de árvores e distribuição de tanques de água doce para todas as ilhas. A escassez de água potável deve ser um problema crescente.
Tuvalu ficou muito frustrado com o fracasso da COP-15. Quais foram os maiores problemas?
Ficamos muito frustrados por uma série de razões. Primeiro porque tínhamos a expectativa de que a COP-15 consideraria as propostas legais que haviam sido apresentadas pelas partes seis meses antes. Em junho de 2009, Tuvalu preparou um Protocolo de Copenhague e emendas ao Protocolo de Kyoto, e tínhamos a esperança de que isso seria levado em conta na Dinamarca. O governo dinamarquês tem certa culpa. Criou uma expectativa tão baixa no início da reunião que foi muito difícil alterar o quadro, mesmo com a chegada de 115 chefes de Estado. A segunda razão foi a tentativa de trazer uma declaração política para tentar disfarçar a falta de resultado. Foi um exercício vergonhoso. O acordo que saiu do processo da declaração política é inútil. Como eu disse na plenária, era como se estivessem oferecendo 30 peças de prata para trair nossos países e nosso futuro. Mas o futuro de Tuvalu não está à venda.
Quem são os culpados pela falta de resultados?
A maior culpa deve recair sobre os Estados Unidos. Durante anos eles se recusaram a ratificar o Protocolo de Kyoto e, quando o presidente Barack Obama chegou a Copenhague, não tinha nada a propor, a não ser algumas rasas ofertas de dinheiro. Pelo fato de a lei de clima americana ainda estar presa no Senado, Obama não tinha nada para colocar na mesa. Sem uma oferta concreta dos EUA, era evidente que outras economias emergentes, como a China, não iriam se mover para fornecer ofertas substanciais de redução das suas emissões. Com efeito, o mundo está sendo mantido refém por um grupo de senadores dos EUA. E essa não é uma situação saudável para um assunto tão importante.
Em termos de financiamento, já foi feita alguma oferta para Tuvalu? Quanto é necessário para a adaptação às mudanças climáticas?
É difícil estimar a quantia de dinheiro necessária para que Tuvalu sobreviva ao aquecimento global. As ações para fazer a adaptação para as mudanças climáticas são complexas. Além do aumento do nível do mar, Tuvalu deve ser afetado pelo branqueamento de corais. Isso acontece quando eles morrem em decorrência do aumento da temperatura da água. Achar soluções para essa questão é extremamente difícil. Os corais também enfraquecem com a acidificação do oceano relacionada ao aumento dos níveis de dióxido de carbono dissolvido na água do mar. Como Tuvalu é um atol de corais, toda a nação é construída sobre a fundação do coral e de areia produzida por ele. A principal fonte de proteína para os tuvaluanos vem dos peixes, que são altamente dependentes de corais. Por isso, é difícil colocar um valor dos custos de adaptação aos impactos das alterações climáticas.
O que é preciso ser feito neste ano para evitar o fracasso na COP-16, no México?
Antes de mais nada, os EUA precisam aprovar sua lei doméstica de mudanças climáticas. Depois que isso for feito, podemos, coletivamente, começar a construir um acordo legalmente vinculante. Também precisamos que os países industrializados se comprometam com a continuação do Protocolo de Kyoto, o que é extremamente importante, já que ele estabelece normas para as reduções de emissões no mundo desenvolvido. Se abandonarmos Kyoto, teremos um retrocesso em nossos esforços para combater as mudanças climáticas. Para isso, o que precisamos são de significativos esforços diplomáticos. Os EUA e as grandes economias em desenvolvimento também terão de fazer contribuições significativas para reduzir suas emissões de gases que provocam o efeito estufa.
Tavulu é um arquipélago de ilhas que fica ao nordeste da Austrália e a leste de Nova Guiné, na Oceania.
A capital Funafuti é um atol (ilha em forma de anel com uma lagoa no centro) formado por mais de 30 ilhas. A maior delas é Fongafale.
Raio X de Tuvulu
O que é: Um Estado – ilha, formado por um grupo de nove atóis, antes chamado Ilhas Ellice.
Capital: Funafuti
Extensão territorial: 26 Km²
População: aproximadamente 12.000 pessoas
Língua: inglês e tuvaluano
Fragilidades: com o aquecimento global e consequente elevação do nível dos oceanos, o território corre o risco de desaparecer. Além disso, o aumento da frequência de ciclones pode prejudicar ainda mais Tuvalu
Tuvalu e os primeiros refugiados ambientais
O pequeno país de Tuvalu, localizado na Polinésia, acaba de perder uma guerra. Alguns dos cerca de 11.000 habitantes, agora refugiados, já começam o processo de evacuação do território de apenas 26km², o quarto menor do mundo, segundo a ONU. Tuvalu não enfrentou um inimigo poderoso e armado até os dentes, mas perdeu uma guerra contra o aquecimento global.
A lagoa verde de Anaa, Tuamotus, Polinésia; Atol
Enquanto o preço da água sobe vertiginosamente em todo o mundo (27% nos Estados Unidos, 45% na Austrália e 58% no Canadá, nos últimos cinco anos, de acordo com a Earth Policy Institute), o minúsculo país do Pacífico está sendo engolido pelo oceano. Tuvalu está a apenas 10 centímetros acima do nível do mar, que subiu cerca de 30 centímetros no século passado. Dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) indicam que a previsão de elevação do nível do mar nos próximos 100 anos será de 80 cm a 1 metro.
De acordo com o mestre em engenharia florestal pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás) Fernando Afonso Fernandes, a expectativa é de que em meio século o país não exista mais. “Todas as ilhas do oceano Pacifico tendem a desaparecer nos próximos 50 anos”, assegura. “Tuvalu será a primeira delas, mas em seqüência ilhas como Fiji, Kiribati, Ilhas Cook e Samoa também vão sumir do mapa”.
Alguns dos atóis que formam o país de Tuvalu já estão inabitáveis por causa do elevado nível do mar e das freqüentes inundações, resultados diretos do aquecimento global. “O aquecimento global provoca alterações na intensidade das correntes marítimas e formação de tufões, furacões e marés intensas”, aponta o professor da Univás. “O cenário é mesmo de catástrofe iminente”.
O atol é uma ilha circulada por formação de corais, e pode demorar milhões de anos para se formar. Em breve, Funafuti (a capital), Nanumea, Nui, Vaitupu, Nukufetau, Nanumaga, Niutao e Niulakita estarão submersas. O nome do país, que significa “oito ilhas unidas” (já que antigamente Niulakita não era habitada), perderá seu sentido e sua história.Paraíso da Polinésia
O número um da fila dos países prestes a sumir do mapa esteve sob o comando britânico desde 1892. O país, conhecido antigamente como Ilhas Ellice, transformou-se numa monarquia constitucional em 1975, tendo a Rainha da Inglaterra como monarca. Na bandeira oficial do país constam a bandeira da Grã-Bretanha e oito estrelas (as ilhas que formam Tuvalu). O fundo azul representa o mar, que agora é a maior ameaça ao país polinésio.
A população se sustenta por meio da pesca e da agricultura. Não há rios nem lagos, e a água utilizada nas ilhas vem exclusivamente dos reservatórios de água das chuvas.
Destino trágico, mas ainda incerto
A preocupação com o destino do país já é antiga. Em 2001, um relatório publicado pela Earth Policy Institute, órgão que trata de questões relacionadas à “saúde” do meio-ambiente, constatou que tuvaluanos interessados em deixar o país já haviam pedido asilo à Austrália e à Nova Zelândia, sem sucesso.
Advogados e especialistas em Direito no mundo todo estão se mobilizando para definir o caso, que é único na história. Tuvalu continuará a existir, mas será uma nação sem território físico – uma nação virtual. Resta saber como serão tratados os agora chamados “refugiados ambientais”.
A saída para conter o aquecimento global é reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa, que leva ao aquecimento global e seus graves desdobramentos. Para o biólogo da Univás, isso é quase utópico. “O Tratado de Kyoto não está sendo aceito e cumprido pelas grandes nações, como EUA, Austrália e Japão, por exemplo. O processo é reversível, desde que esses países parem de emitir pelo menos 50% do gás carbônico que lançam hoje na atmosfera”, defende.
Existem outras medidas para se esquivar dos prejuízos causados pelo derretimento das calotas polares e da emissão desenfreada de carbono, mas essas alternativas não dão conta de evitar tragédias. “A colocação de refletores na órbita terrestre e filtros de carbono para diminuir o impacto pode trazer benefícios, assim como aumentar a quantidade de plânctons nos mares para absorver carbono”, constata o biólogo. No entanto, os refletores não são suficientes, e os plânctons devolvem o gás na atmosfera quando morrem. “O problema envolvendo a emissão de gás carbônico é maior do que pensávamos, e deve ser a questão prioritária no momento”, ressalta o professor.
Mas as ilhas do Pacífico não são as únicas a serem prejudicadas. “Se nada for feito para retardar o aquecimento, nos próximos 100 anos, é provável que Veneza, na Itália, esteja parcialmente afundada e Bangladesh tenha 70% do seu território submerso”, avalia Fernandes. Por enquanto, são em torno de 11 mil sem pátria, número pequeno perto dos 150 milhões de habitantes do país mais habitado do mundo, Bangladesh.
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