sexta-feira, 15 de outubro de 2010

As cidades têm solução?

Cientista diz que precisamos conhecer a natureza e respeitar as culturas locais para conseguirmos lidar com os problemas ambientais. Estamos distantes da natureza e cegos, confiamos excessivamente na ciência e acreditamos que a tecnologia pode resolver todos os problemas que as cidades enfrentam hoje. Esse é o diagnóstico do professor Rualdo Menegat, geólogo e doutor em Ecologia de Paisagem, sobre a sociedade atual. Ele propõe algumas mudanças que podem soar estranhas, como a instalação de chiqueiros nas cidades e a manutenção dos carroceiros. O ideal consiste na integração com o ambiente natural e a manutenção das diferentes culturas, no caminho inverso da homogeneização e urbanização em um “xadrez perfeito”. A temática ambiental ficou popular recentemente no Hemisfério Sul. Na década de 90, países do Hemisfério Norte já sofriam com catástrofes ambientais agravadas pelo aquecimento global já anunciado pelos cientistas. No Hemisfério Sul, Menegat diz que a atenção às mudanças climáticas começou no início do século 21, especialmente com o ciclone Catarina, que atingiu os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul em março de 2004. O fenômeno vitimou e feriu dezenas de habitantes, destruiu casas e causou prejuízos à agricultura. Por Danuza Facco Mattiazzi, do Portal Vida Orgânica. – Foi o mais importante evento climático da década, pois de fato mostrou algo em ação no clima da Terra para o Hemisfério Sul – esclarece o doutor. Ao citar eventos ambientais do último ano – como fortes nevascas na Inglaterra, deslizamentos de terra em Santa Catarina e inundações pelo Brasil – o pesquisador defende que a população esquece muito rápido dos desastres. “Os humanos não estão sabendo ter a leitura do mundo em que vivem. Não conseguem mais interpretar a paisagem”, diz ele, ao mostrar uma foto em que mãe e filho caminham indiferentes aos destroços de uma cidade destruída por enchentes. Outra imagem que ilustra a falta de compreensão da sociedade sobre os desastres ambientais é a foto de dezenas de pessoas sendo alcançadas pelo tsunami que atingiu a ilha de Sumatra, na Indonésia, vitimando 230 mil pessoas em dezembro de 2004. Segundo Menegat, muitas pessoas assistiram à invasão da onda gigante até o momento em que foram engolidas pela força da água. “Tiravam fotos, gravavam. Achavam que não seriam atingidas? As pessoas não têm consciência da força da natureza. O tsunami de Sumatra é o signo da cegueira da atual civilização perante a natureza”. Natureza e cultura Menegat discute a relação entre a natureza e a cultura dos povos, ou seja, de que forma a humanidade se insere no meio natural. Com a construção das cidades, foram criados grandes centros urbanos que limitam a visão de mundo de seus habitantes. “Quem mora aqui dentro [em referência a uma grande cidade], está enclausurado, encapsulado por esses centros urbanos. A cidade não oferece ao cidadão informações fundamentais para que ele olhe a paisagem e a leia”. As metrópoles já evoluíram para mega-cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. E, para que consigamos viver sem o caos do ritmo acelerado e da poluição nesses espaços, o doutor diz que é necessário tornarmos as cidades mais sustentáveis e buscarmos o contato com o meio natural e o respeito aos limites que a natureza impõe. Para exemplificar a idéia, ele cita o problema enfrentado pela cidade de Arequipa, no Peru. Com 850 mil habitantes, a cidade se expandiu até a saia de um vulcão. O prefeito pediu a ajuda de Menegat para solucionar o problema. “A ciência pode desenvolver uma enorme rolha e tapar o vulcão, que tal?”, brinca o cientista. A colocação irônica ilustra a maneira com que os seres humanos confiam na ciência. Ocupam territórios propensos à ocorrência de acidentes ambientais sem se preocupar com os riscos e, assim, se prevenir. Mas, depois, querem que a tecnologia solucione a questão. “Nosso problema não é o vulcão, e sim, a cidade. É o peso urbano sobre nós, é a cidade que nos pesa, não a natureza”. Por isso, a resposta do cientista ao governante peruano foi a sugestão de reunir as comunidades, esclarecer sobre os riscos de se morar próximo a um vulcão que pode entrar em erupção a qualquer momento e desenvolver estratégias segundo a cultura local e consenso da população. Presos no xadrez urbano Um dos principais problemas das megalópoles, segundo Menegat, é a geometria urbana. A imposição do desenho de um “xadrez perfeito” para as cidades compromete a integração com o ambiente natural. O modelo predominante desde a era das colonizações pôs fim ao ideal de cidade ecológica – posto em prática na cidade Ur, da antiga Mesopotâmia. Ur foi construída segundo o curso do rio Eufrates, respeitando o caminho da água e tentando somente proteger os habitantes das enchentes. Com o estabelecimento do modelo de tabuleiro, não se pensou mais na natureza. “Segundo o ‘xadrez perfeito’, o rio não pertence à geometria da cidade. Ele só atrapalha. Aí todo mundo larga o lixo ali, já que aquilo não pertence ao tabuleiro urbano perfeito. O mesmo acontece com algum morro que impede a linha reta das ruas. O que fazer? Destruir o morro. Nada pode atrapalhar a geometria urbana”, aponta o pesquisador. Menegat – que realiza um trabalho voluntário de educação ambiental com crianças do Morro da Cruz, em Porto Alegre – defende ações locais para inclusão de atitudes ecológicas e ampliação da visão de mundo das pessoas. A proposta é unir cientistas, estudantes, políticos e habitantes das comunidades para discutir soluções inteligentes e que respeitem a cultura de cada grupo. Chiqueiros urbanos Uma das alternativas para uma cidade sustentável é a criação de animais no meio urbano. Menegat defende que chiqueiros e aviários podem contribuir com o metabolismo das cidades – ao consumirem os restos de comida da população – e gerar renda a famílias que sofrem com o desemprego. Outra proposta de Menegat é a manutenção das favelas. “Temos que criar condições de vida nesses locais e não removê-los”, defende ele, ao dizer que os moradores de áreas pobres construíram uma sociedade organizada segundo seus padrões culturais, só precisam de saneamento, segurança e boas escolas para que vivam com qualidade. “Remover um grupo de catadores de materiais recicláveis, por exemplo, e colocá-los em apartamentos é um grande erro. Eles precisam de casas, um galpão onde possam guardar os materiais que recolhem e um estábulo para cuidar dos cavalos que puxam suas carroças”. A retirada dos carroceiros das ruas de Porto Alegre – ação que deve ser concluída pela prefeitura até 2011 – é condenada pelo cientista. “Essas pessoas, excluídas do mercado de trabalho, criaram uma profissão por elas mesmas. E, agora, vamos tirar isso delas?”. Menegat defende que os catadores precisam de uma política pública que respeite o ritmo de trabalho que construíram, sem retirar deles o que têm de mais genuíno, uma profissão que criaram segundo a sua cultura e suas necessidades. Assim, em vez de alterar a rotina desses trabalhadores, o ideal é oferecer melhores condições de trabalho. Uma alternativa pode ser a doação de carroças elétricas aos catadores, já em funcionamento em Curitiba, no Paraná. Tanto o desenvolvimento urbano, quanto a correção das “imperfeições do tabuleiro” devem, acima de tudo, respeitar a cultura de cada grupo e os limites impostos pelo ambiente natural. O ideal brasileiro de cidades melhores, por exemplo, precisa considerar as particularidades sociais do país. “Não somos a Europa e nunca seremos. Temos que lidar com os nossos problemas”, avalia o geólogo. (EcoDebate)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Reúso da água chega à cafeicultura

Sistema baseado em tanques de decantação permite que água volte pelo menos três vezes à lavagem dos grãos. Você tem ideia de quanta água é usada na lavoura para garantir, lá na ponta, uma xícara de café de qualidade? Pois vai muita. De acordo com estimativas de pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (MG), o processamento do café por via úmida, método utilizado para obtenção do café cereja descascado, considerado especial, consome, para cada litro de fruto processado, cerca de 3 a 5 litros de água limpa. Trocando em miúdos, se para obter uma saca de 60 quilos de café é necessário um volume aproximado de 480 litros de frutos, a produção de uma única saca do grão beneficiado, pronto para ser torrado, pode consumir até 2.400 litros de água. Ampliando a conta para o volume total de café cereja descascado produzido no Brasil (equivalente a cerca de 15% da safra de grãos, ou 7,05 milhões de sacas), o número ficaria próximo dos 17 bilhões de litros de água. Mas uma técnica de manejo desenvolvida pelo pesquisador Sammy Soares, da Embrapa Café, em parceria com pesquisadores do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), e com o Consórcio de Pesquisa do Café, vem sendo testada com sucesso por produtores da região de Viçosa (MG) e Venda Nova do Imigrante (ES) e promete reduzir drasticamente esses números. Trata-se de um sistema com estrutura baseada em caixas d"água, peneiras e tubos de PVC, que permite o reúso, por várias vezes - e não apenas uma utilização, como acontece normalmente -, da água empregada na unidade de processamento do café para fazer a lavagem e descascamento dos grãos. Por decantação O funcionamento é relativamente simples, segundo explica Soares. Após lavar e descascar o café em equipamentos próprios, toda a água é bombeada para três caixas d"água, que funcionam, uma após a outra, como tanques de decantação. "Nessas caixas ficam depositados no fundo os resíduos sólidos maiores. Já livre desses resíduos, a água passa por uma peneira e está pronta para ser reutilizada na própria lavagem dos graõs." Na fazenda do cafeicultor Waldir Mol, no município de Paula Cândido (MG), região de Viçosa, eram gastos por dia, no método convencional de lavagem e retirada da casca, entre 20 mil e 25 mil litros de água para processar 12 mil litros de fruto. Atualmente, após investir R$ 8 mil para instalar o sistema de reúso, esse consumo caiu para menos da metade. Para processar a mesma quantidade de café, Mol gasta agora entre 7 mil e 8 mil litros. A média de gasto, que estava entre 3 litros de água para cada litro de fruto, baixou para 1,5 litro. De acordo com ele, após entrar na unidade de processamento, a água é reutilizada por mais três vezes. E há quem acredite que essa economia pode ser maior. É o caso do chefe da fazenda experimental do Incaper em Venda Nova do Imigrante (ES) - onde o sistema foi testado pela primeira vez -, Aldemar Moreli. Ele está concluindo sua tese de mestrado sobre o assunto e afirma que é possível, por meio da reutilização, reduzir o consumo para um pouco mais de meio litro de água. Ou seja, quase um décimo da média atual. Investimento Em Venda Nova do Imigrante, o produtor Pedro Carnielli afirma ter atingido esse nível, mas com investimento de R$ 20 mil, maior do que o feito por Mol. Com a utilização de filtros industriais, Carnieri conta que conseguiu economizar em três quartos o consumo de água necessário para processar 20 mil litros de café por dia. Hoje, no lugar de gastar 40 mil litros diariamente, sua unidade de processamento consome 10 mil litros de água para o mesmo volume de café. Apesar dos bons resultados, os pesquisadores envolvidos na pesquisa, iniciada há cinco anos, dizem que ainda são poucos os produtores que fazem o reuso da água no processamento do café. Para Moreli, mais do que a falta de costume, já que existe mesmo um intervalo de tempo entre a criação de uma nova tecnologia e sua efetiva aplicação, é preciso continuar investindo no aprimoramento do sistema para torná-lo cada vez mais eficiente e também de baixo custo. "Este ponto é crucial, já que a maioria das unidades de processamento está nas mãos de pequenos e médios produtores." Entretanto, ele não ignora a importância de se baratear ainda mais o sistema para que grandes produtores também se interessem em adotá-lo. (OESP)

Água de chuva e reuso

A diminuição da água disponível, nos próximos anos, vai exigir que os condomínios, shopping centers e outros estabelecimentos adotem novos sistemas para otimizar o uso.
Confira abaixo explicações sobre os dois sistemas que possivelmente serão os mais utilizados. Aproveitamento de chuvas
O que é: Coleta e armazenamento de água de chuva, para uso em lavagens de pisos e irrigação do jardim.
Como funciona:
A água de chuva, coletada pelas calhas no telhado do prédio, é armazenada em uma cisterna no térreo ou subsolo.
Pode-se instalar um equipamento para filtrar esta água, se for necessário. Instala-se um sistema de recalque (bomba d'água + encanamento), para enviar a água para as torneiras do térreo e subsolo.
Cuidados a tomar:
O telhado concentra grandes impurezas, principalmente quando há um longo período de escassez de chuva.
Como opção, pode-se instalar um sistema de filtragem mecânica no reservatório.
O reservatório também pode ser um risco para a saúde dos moradores e funcionários, caso não adote uma manutenção periódica de limpeza e conservação.
A construção de um reservatório para a captação da água da chuva necessita de um sistema de recalque, deve ter um projeto de engenharia para que não desperte riscos de saúde e acidentes.
Além de gerar economia de água, o sistema também contribui para diminuir o problema das enchentes.
Na Europa, o sistema já é bastante usado em construções novas.
No Brasil, inúmeras construções já utilizam vários métodos de reutilização de água, assim como, a utilização da água das chuvas.
Vários shoppings já utilizam o reuso de água, o Shopping D. Pedro em Campinas/SP, um dos maiores da América, é um exemplo a seguir da conscientização ecológica.
O Parque Hopi Hari, um dos maiores da América, situado na rodovia dos Bandeirantes em Vinhedo/SP, também tem esta preocupação ambiental.
Outros shoppings também deveriam tem uma consciência mais ampla e abrangente, pensando sempre nas gerações futuras, estes sim, são os consumidores reais e fieis, que geram receitas constantes e de grandes valores.
Também já existem postos de gasolina e escolas adotando o aproveitamento da água das chuvas, para lavagem de carros e para descarga nos banheiros.
Em Florianópolis (SC) e São Paulo (SP), já há projetos de lei para tornar obrigatório o aproveitamento das águas de chuva em edifícios.
Custo para o condomínio: cerca de R$ 6.000,00, incluindo equipamento e tanque de 3 mil litros.
Não inclui instalação.
Empresas que implementam o sistema: 3P Tecnik - Tel.: (0xx21) 2284-9440 ou 3872-2345
Reuso de água
Trata-se da implementação de uma pequena estação de tratamento de águas de uso "nobre" (banho e pias) para reutilização em fins "menos nobres", como descargas, lavagens de pisos e outros.
No Brasil, o sistema está sendo bastante utilizado por indústrias, e começa a ser utilizado em novos condomínios.
Na Índia, em função da escassez de água, alguns edifícios comerciais têm estações próprias de tratamento de esgoto, e reutilizam a água tratada para alimentar o ar-condicionado, economizando até 250 m³ por dia.
Em São Paulo (SP), está sendo implementado no Aeroporto de Cumbica um sistema para tratar a água usada na lavagem de aviões e hangares, e reutilizá-la nos banheiros.
Empresas que implementam o sistema:
General Water - Tel.: (0xx11) 3621-5999
Proquim - Tel.: (0xx11) 6953-7030 (sindiconet)

Reuso de água

A reutilização ou o reuso de água ou o uso de águas residuárias não é um conceito novo e tem sido praticado em todo o mundo há muitos anos. Existem relatos de sua prática na Grécia Antiga, com a disposição de esgotos e sua utilização na irrigação. No entanto, a demanda crescente por água tem feito do reuso planejado da água um tema atual e de grande importância. Neste sentido, deve-se considerar o reuso de água como parte de uma atividade mais abrangente que é o uso racional ou eficiente da água, o qual compreende também o controle de perdas e desperdícios, e a minimização da produção de efluentes e do consumo de água. Dentro dessa ótica, os esgotos tratados têm um papel fundamental no planejamento e na gestão sustentável dos recursos hídricos como um substituto para o uso de águas destinadas a fins agrícolas e de irrigação, entre outros. Ao liberar as fontes de água de boa qualidade para abastecimento público e outros usos prioritários, o uso de esgotos contribui para a conservação dos recursos e acrescenta uma dimensão econômica ao planejamento dos recursos hídricos. O reuso reduz a demanda sobre os mananciais de água devido à substituição da água potável por uma água de qualidade inferior. Essa prática, atualmente muito discutida, posta em evidência e já utilizada em alguns países é baseada no conceito de substituição de mananciais. Tal substituição é possível em função da qualidade requerida para um uso específico. Dessa forma, grandes volumes de água potável podem ser poupados pelo reuso quando se utiliza água de qualidade inferior (geralmente efluentes pós-tratados) para atendimento das finalidades que podem prescindir desse recurso dentro dos padrões de potabilidade. Tipos de Reuso ---A reutilização de água pode ser direta ou indireta, decorrentes de ações planejadas ou não: Reuso indireto não planejado da água: ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade humana, é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada a jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada. Caminhando até o ponto de captação para o novo usuário, a mesma está sujeita às ações naturais do ciclo hidrológico (diluição, autodepuração). Reuso indireto planejado da água: ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são descarregados de forma planejada nos corpos de águas superficiais ou subterrâneas, para serem utilizadas a jusante, de maneira controlada, no atendimento de algum uso benéfico. O reuso indireto planejado da água pressupõe que exista também um controle sobre as eventuais novas descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito apenas a misturas com outros efluentes que também atendam ao requisito de qualidade do reuso objetivado. Reuso direto planejado das águas: ocorre quando os efluentes, após tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reuso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou irrigação. Aplicações da Água Reciclada Irrigação paisagística: parques, cemitérios, campos de golfe, faixas de domínio de auto-estradas, campus universitários, cinturões verdes, gramados residenciais. Irrigação de campos para cultivos: plantio de forrageiras, plantas fibrosas e de grãos, plantas alimentícias, viveiros de plantas ornamentais, proteção contra geadas. Usos industriais: refrigeração, alimentação de caldeiras, água de processamento. Recarga de aqüíferos: recarga de aqüíferos potáveis, controle de intrusão marinha, controle de recalques de subsolo. Usos urbanos não-potáveis: irrigação paisagística, combate ao fogo, descarga de vasos sanitários, sistemas de ar condicionado, lavagem de veículos, lavagem de ruas e pontos de ônibus, etc. Finalidades ambientais: aumento de vazão em cursos de água, aplicação em pântanos, terras alagadas, indústrias de pesca. Usos diversos: aqüicultura, construções, controle de poeira, dessedentação de animais. Aproveitamento de Águas de Chuva As águas de chuva são encaradas pela legislação brasileira hoje como esgoto, pois ela usualmente vai dos telhados, e dos pisos para as bocas de lobo aonde, como "solvente universal", vai carreando todo tipo de impurezas, dissolvidas, suspensas, ou Simplesmente arrastadas mecanicamente, para um córrego que vai acabar dando num rio que por sua vez vai acabar suprindo uma captação para Tratamento de Água Potável. Claro que essa água sofreu um processo natural de diluição e autodepuração, ao longo de seu percurso hídrico, nem sempre suficiente para realmente depurá-la. Uma pesquisa da Universidade da Malásia deixou claro que após o início da chuva, somente as primeiras águas carreiam ácidos, microorganismos, e outros poluentes atmosféricos, sendo que normalmente pouco tempo após a mesma já adquire características de água destilada, que pode ser coletada em reservatórios fechados. Para uso humano, inclusive para como água potável, deve sofrer evidentemente filtração e cloração, o que pode ser feito com equipamento barato e simplíssimo, tipo Clorador Embrapa ou Clorador tipo Venturi automático. Em resumo, a água de chuva sofre uma destilação natural muito eficiente e gratuita. Esta utilização é especialmente indicada para o ambiente rural, chácaras, condomínios e indústrias. O custo baixíssimo da água nas cidades, pelo menos para residências, inviabiliza qualquer aproveitamento econômico da água de chuva para beber. Já para Indústrias, onde a água é bem mais cara, é usualmente viável sim esse uso. O Semi árido Nordestino tem projetos onde a competência e persistência combatem o usual imobilismo do ser humano, com a construção de cisternas para água de beber para seus habitantes. (OESP)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A sustentável leveza da bike

A trupe que decidiu ir ao SWU em Itu (SP), com o mais ecológico dos meios de transporte: a bicicleta "Você vai de ciclista ou de pessoa normal?", perguntava há algumas semanas uma amiga biker a outro amigo biker que iria ao SWU Music & Arts Festival. Taí, em um evento cuja palavra de ordem é a sustentabilidade, não seria ecochatismo se perguntar: "Qual o mais sustentável meio de transporte?" A bicicleta. Questão respondida. A opção ideal foi dada pelos membros do Instituto CicloBR, organização não governamental que promove a mobilidade sustentável. "Decidimos ir de bike ao SWU. Além do passeio ser lindo, é bom e barato pedalar até um festival que tem a ver com nossos ideais", comentou André Pasqualini, um dos criadores do CicloBR e "pastor" do rebanho de cerca de 90 ciclistas que pedalaram no sábado até Itu, tendo como "desculpa e motivo" o SWU. Viagem decida, o itinerário: ir de trem da Estação da Luz até Jundiaí. Partir pedalando de Jundiaí a Itu. Total gasto no percurso: cerca de nove horas. O Estado decidiu pedalar com a turma. No sábado, às 7 horas, o grupo de ciclistas estava a postos. Em um festival que espera receber cerca de 50 mil pessoas por dia, era de se prever que algumas centenas de ciclistas se mobilizassem para prestigiar a festa, certo? Errado. Dos 90 que partiram, apenas 15 tinham como destino final a Fazenda Maeda. "Usamos o festival como desculpa, a graça é pedalar. Tem coisa mais linda que ver a paisagem mudando, o Rio Tietê se despoluindo ao longo da estrada, fazer novos amigos no percurso?", indagou um ciclista apaixonado por sua magrela. "Não troco a bike por nenhum outro meio de transporte." Apoio. Por falar em transporte, o CicloBR é parceiro oficial do SWU. Além de ter um stand no setor de ONGs da ‘Vila Maeda’, o instituto foi convidado a organizar uma bicicletada de São Paulo até o local, para mostrar como é possível mover-se até o festival com sustentabilidade, sem passar horas em filas do estacionamentos ou do ônibus - e ainda sem pagar pedágio. "Tudo ia bem até que as autoridades envolvidas decidiram não apoiar o passeio. Apesar de o direito de pedalar por todas as rodovias do Brasil ser garantido por lei, os administradores nem sempre querem nossa presença. Em vez de apoiar, preferem não ajudar e até vetar os passeios que organizamos", explicou Pasqualini em uma das paradas estratégicas para reabastecer. No cardápio, muita banana, barras de cereais, isotônicos. "É importante comer carboidrato um dia antes e durante a pedalada. O motor desta máquina somos nós." Se o apoio oficial faltou, o CicloBR decidiu manter o passeio contando com a colaboração dos participantes e voluntários. "Se tivéssemos apoio das autoridades da Rodovia Castelo Branco, poderíamos, por exemplo, sinalizar a rota para o SWU." Mesmo sem sinalização, os iniciantes aprendiam novas trilhas e entendiam que colaboração é a chave da rota sustentável. A cada cruzamento perigoso, veteranos sinalizavam para que os marinheiros de primeira viagem passassem com segurança. Se o pneu de alguém furava, o comboio parava e, em vez de irritação, bom humor: "Para andar de bike tem que ter moral." A propósito, ainda que o número de ciclovias esteja aumentando no País, bikers ainda lutam para ter ‘mais moral’. "No Brasil, quem não tem carro ainda é ‘alternativo’. Carro é status", observou um ciclista. Há que se admitir que é de fato emocionante, e até apavorante, enxergar-se sob outra perspectiva em plena rota de caminhões, carros, motos. Mas pedalar é sempre boa desculpa para se divertir. Só não foi divertido descobrir que no fim do caminho não havia um bicicletário. Após pedalar o dia todo - por estradas com e sem acostamento, estradas de terra, enfrentar sol, ameaças de chuva e vento -, os 15 bikers ouviram de um segurança: "Não tem estacionamento para bike no SWU. Só para ônibus e carro. Se o Fisher (Eduardo, um dos organizadores) disse que teria, liga para ele e pergunta o que aconteceu." Acontece que o bicicletário não foi providenciado. "É incrível que um festival com um fórum sobre sustentabilidade tenha esquecido que há quem acredite no transporte sustentável e venha de bike", observou um ciclista. Pasqualini telefonou para a equipe de Fisher e ganhou um bicicletário improvisado na frente da entrada principal da Arena Maeda. "Ainda somos minoria, mas a estrada não termina aqui. Hoje, somos uma dezena. Quem sabe na próxima edição sejamos milhares." (OESP)

Geração sustentável

Jovens e crianças adotam hoje um comportamento mais crítico com relação à preservação do planeta.

Gabriela Koeirich Gubnitsky é uma menina de 10 anos, cuja principal brincadeira ainda são as bonecas. Entre uma mamadeira e outra, um banho ou troca de fraldas de algumas de suas várias "filhinhas", sempre encaixa outro grande divertimento: conscientizar as pessoas sobre a defesa do meio ambiente. No prédio onde mora, no bairro paulistano das Perdizes, já são conhecidas de porteiros e moradores suas campanhas pela coleta seletiva dos resíduos e contra o desperdício de água, por meio de cartazes, que produz com uma amiga. "Eu me divirto e me sinto bem ajudando a cuidar do planeta", declara Gabi, que dispensa folhas brancas para a confecção de suas mensagens ecológicas, preferindo reutilizar papelões. Em casa, foi ela quem ensinou a empregada a colocar o óleo da fritura em uma garrafa pet, não despejando-o na pia. As pilhas e baterias que recolhe pelos apartamentos vai para uma caixinha de coleta igual à da escola. E na última viagem de férias da família, para Nova York, acabou persuadindo a irmã a trocar o casaco de couro animal por um de material sintético. "A jaqueta ecológica era bem mais cara, mas ela nos convenceu, dizendo que era melhor, pois não ia matar um animal", lembra sua mãe, a dentista Cristiana Gubnitsky. "Eu gosto de fazer compras", afirma Gabi. "Mas o que vai poluir ou prejudicar o meio ambiente eu não compro, nem deixo minha mãe comprar." A pequena Gabriela é o retrato de uma geração atual de crianças e jovens que preza o consumo, mas que se preocupa com a sustentabilidade. E mesmo sem estar inserida diretamente no ato da compra, essa turma influencia fortemente a ação de seus pais. É a chamada geração Z, formada pelos nascidos a partir de 1994. "Seus integrantes são críticos, dinâmicos, tecnológicos e tendem a transformar as intenções ecologicamente corretas de agora em hábitos, preferências e ações", resume o conferencista da área de lideranças e desenvolvimento de competências, Gilberto Wiesel. Segundo explica, a definição se originou da palavra "zapear", daí o "Z". "Esta juventude faz trocas com a maior rapidez. Sai da TV para o computador, vai do telefone para o videogame, muda de marcas em segundos", informa. O grande desafio atual das empresas, então, é fidelizar estes jovens, muito mais preocupados com o meio ambiente e social do que seus antecessores. Eles querem saber quais benefícios as empresas trazem para a sociedade e se seus produtos e serviços são ecologicamente corretos. "Esta nova geração não vai comprar produtos de uma marca que apresente a sustentabilidade só no marketing, mas não a pratique, de fato, em suas relações comerciais", afirma. Os futuros consumidores, aliados à mídia e às leis, tendem a pressionar cada vez mais as empresas para que suas práticas de produção e prestação de serviços demonstrem respeito e preocupação com o meio ambiente e com a sociedade. "É um caminho sem volta", garante Wiesel. "E quem não se preparar corre o risco de não perdurar no mercado." Aprendizes A escola tem tido uma participação fundamental na formação dos futuros consumidores, mais responsáveis e conscientes. Desde muito cedo, nos bancos escolares, as crianças vêm aprendendo o significado da palavra sustentabilidade, tão falada nos últimos tempos. É ali que compreendem que a sobrevivência da humanidade depende da forma como serão satisfeitas as necessidades das gerações atuais e futuras. Foi na escola que Gabriela despertou para a causa verde. Encantada e engajada, ela participa de todas as campanhas da Stance Dual. E não são poucas. O projeto sócio-ambiental da escola, chamado Carta da Terra/ Agenda 21, contempla várias ações de conscientização para o consumo, que enfatizam o pensamento crítico, a resolução de problemas, a tomada de decisões, a análise, o aprendizado cooperativo, a liderança e a capacidade de comunicação. Realizadas por grupos de alunos de séries variadas, as ações tratam do uso racional da água, da coleta seletiva de resíduos, do descarte do lixo eletrônico e do óleo de cozinha. Segundo Débora Moreira, coordenadora do projeto da Stance Dual, tais atividades estão envolvidas com conteúdos de várias disciplinas e permitem ao aluno acompanhar todo o processo. "Um exemplo é o trabalho de compostagem dos restos alimentares das aulas de culinária e do refeitório, executado no quinto ano, quando se estuda em ciências a ação de fungos e bactérias na decomposição", conta. Como parte do aprendizado, as crianças adubam as plantas da escola com o composto orgânico resultante. Uma das campanhas de maior sucesso começou em 2006 com o estudo de ótica e visão do nono ano. A visita a uma instituição que trabalha com deficientes visuais levou a turma a conhecer a Fundação Dorina Nowill. No local, a garotada descobriu que a Fundação arrecadava, por meio de doações, todo tipo de tampinhas plásticas flexíveis e as vendia para a indústria recicladora. Com a renda, comprava bengalas, livros e teclados de computadores em braile. Entusiasmados e querendo fazer parte da ação, os alunos implementaram a coleta de tampinhas no colégio e chegaram a receber mais de 100 mil delas em apenas um mês. "Nosso objetivo é formar alunos críticos, que multipliquem seus conhecimentos e ações, com consciência do que estão fazendo", explica Débora. Campanha No ano passado, em uma das unidades da Escola Viva em São Paulo, nascia a campanha de recolhimento de pilhas, cartuchos e CDs, uma iniciativa de quatro alunos. A semente da ação, porém, foi uma discussão que é proposta a cada ano pela escola para uma série específica. "Como conciliar desenvolvimento e preservação" foi o eixo temático interdisciplinar do oitavo ano. "Antes dessa atividade, eu era muito alienada", acredita Giulia Ghigonetto, de 14 anos, uma das idealizadoras da campanha. "Pensava que preservação era só separar plástico, vidro, papel e metal." Da tarefa de desenvolver uma ecosolution (solução ecológica) para as aulas de inglês, vieram muita pesquisa, visitas a empresas de tecnologia e a criação da campanha de coleta, com o apoio do professor de geografia. "Nós pedimos para uma das empresas dois contêineres para colocarmos na escola", conta o aluno Tomaz Volpe Guimarães Piestun, de 14 anos, parceiro na iniciativa. "Já enchemos sacolas gigantes que nem sabíamos como carregar", relata Giulia, responsável por recolher o material a cada dois meses e levá-lo para a empresa que lhe dá a destinação correta. O envolvimento dos jovens foi tão intenso que os pais perceberam. Convidado para uma mesa redonda com os alunos sobre tecnologia e preservação, Maurício Ghigonetto, pai de Giulia e gerente de uma consultoria em tecnologia, se surpreendeu com a qualidade da discussão. "Eles começaram criticando o consumismo, mas terminaram percebendo que consumir é importante, pois faz girar a economia, e o necessário é descartar corretamente os resíduos", conta. Na casa do pai de Tomaz, as mudanças também foram sentidas. "Passamos a trocar o carro pela bicicleta para ir à farmácia, ao mercado. E por minha influência, agora meu pai está até separando o lixo", revela o garoto. (OESP)

sábado, 9 de outubro de 2010

A única saída para o efeito estufa

As fossas abissais oceânicas, os bolsões vazios provenientes da retirada do petróleo, as falhas geológicas, as áreas desérticas, as crateras geradas pela mineração, são depósitos naturais e ideais para o armazenamento do carbono que está “sobrando” na atmosfera e causando o Efeito Estufa. Utilizando-se esses locais, poderíamos reconstruir o Período Carbonífero quando o Planeta teve sua atmosfera mais limpa de toda sua história. Durante séculos, acreditávamos serem os oceanos as lixeiras inesgotáveis e naturais do mundo, crença essa, até certo ponto, razoável, pois através das chuvas, os sais, nutrientes naturais do solo, os compostos de carbono e muitos outros resíduos vão se acumulando nos mares e oceanos, tornando-os cada vez mais saturados e suas águas cada vez mais salinas. Mas a realidade é bem outra, os mares e oceanos são tão ou mais vulneráveis a poluição que a crosta terrestre. Suas águas precisão de luz, transparência e estarem desintoxicadas para gerarem a flora e a fauna marinhas tão necessárias à vida na terra, nos mares e nos oceanos. As águas, mesmo as salgadas, têm a capacidade de dissolver e incorporar em suas massas gases como oxigênio, o gás carbônico e outros. Essa capacidade aumenta com a pressão e as baixas temperaturas. Quanto maior for a pressão e menor a temperatura, maiores serão as concentrações de dissolução daqueles gases. Nas regiões profundas dos mares e oceanos, possivelmente devido a esses fenômenos, as quantidades de carbono “estocadas” chegaram a quantidades imensuráveis, a ponto de despertar o interesse das empresas petrolíferas na exploração destas “jazidas” de carbono. É interessante se notar o fato de que os depósitos, no caso do gás carbônico, não são mais deste tipo de gás, mas sim do metano cristalizado a que os especialistas deram um nome bastante sugestivo, chamando-o de hidratos de carbono. “O gelo que queima.” Esta seria a primeira descrição da “combinação” cristalizada entre moléculas de metano e moléculas de água, encontrada em regiões profundas dos oceanos. Os hidratos de metano já são considerados, pelos pesquisadores, a principal fonte de energia para o século XXI. Entretanto, a exploração desta fonte de energia pode provocar o maior desastre ecológico de todos os tempos devido à liberação do gás metano pela rápida desidratação do mesmo. As chamadas regiões abissais oceânica detêm cinqüenta e cinco por cento de todo o carbono presente no Planeta Terra. Diante destas considerações, apontamos as únicas saídas para erradicarmos o problema do efeito estufa: a) Se as regiões abissais oceânicas são os depósitos naturais do carbono, podemos aproveitar esses espaços gigantescos e ainda disponíveis para “aprisionarmos” o gás carbônico, o principal causador do efeito estufa, de forma indireta. b) Usaremos, para esse fim, a energia solar, a fotossíntese e a água para cultivarmos gigantescas florestas, biomassa abundante que seria enfardada em containers de concreto armado, de plástico ou qualquer outro material resistente à corrosão e, com o auxilio de grandes embarcações, seriam transportados para aqueles locais e submersos por ação da gravidade. c) A grande vantagem de se utilizar biomassa para capturar o gás carbônico é o fato de que só será capturado o carbono, deixando-se livre o oxigênio. d) Com a biomassa, será capturada também a água de combustão que é liberada para atmosfera no momento da combustão e vem contribuindo para aumentar o nível dos mares e oceanos, além de saturar a atmosfera com excesso de vapor de água, provocando chuvas e tempestades desastrosas a população e ao meio ambiente. No mínimo 30% de todo o combustível utilizado se transforma em água. e) Para cada 12 (doze) toneladas de carbono capturadas, via biomassa, serão liberadas 32 (trinta e duas) toneladas de oxigênio para atmosfera, e, muito importante, 44 (quarenta e quatro) toneladas de gás carbônico, principal gás causador do efeito estufa, deixariam de existir na atmosfera que respiramos. Assim, apenas com a captura de 12 (doze) toneladas de carbono (biomassa), seriam movimentadas 76 (setenta e seis) toneladas de gases: 32 (trinta e duas) toneladas de oxigênio seriam liberadas, 44 de gás carbônico deixariam de existir. f) Serão, de certa forma, verdadeiros depósitos geológicos, tratam-se de fossas geológicas que se vierem a sofrer abalos sísmicos ou acomodação de camadas, iriam soterrar esses containers, tornando-os ainda mais seguros com relação ao meio ambiente. g) Em grandes profundidades abissais não há desenvolvimento de vida, semelhante a da superfície terrestre, capaz de gerar reações aeróbias ou anaeróbias, não havendo degradação desta biomassa, não haverá geração de gases e a atmosfera estaria livre da massa de gases, correspondente aquela biomassa submersa. h) Se a cada “colheita” da biomassa se plantasse outra, gradualmente, o gás carbônico estaria sendo capturado e, indiretamente, depositado nestes depósitos geológicos sob a forma de carbono biomassa) com uma conseqüente limpeza gradativa da atmosfera. j) Se a captura direta do gás carbônico se torna inviável devido as suas condição de gás, capaz de ocupar grandes volumes, desenvolver grandes pressões, além de outros riscos óbvios que não enumeraremos, vamos aprisionar o carbono, “matéria prima” geradora do referido gás, cujo excesso na atmosfera se tornou “um inimigo implacável”, o principal gerador do Efeito Estufa que mais cedo ou mais tarde irá eliminar a vida animal da face da terra se não for contido. k) Os combustíveis fósseis poderiam continuar sendo explorados e utilizados porque estaria havendo uma reciclagem, uma correta destinação do efluente gasoso gerado na exploração deste tipo de energia, por via indireta, sendo devolvido ao seu local de origem, às profundezas da crosta terrestre. l) Usando-se o mesmo raciocínio, a mesma lógica, a biomassa poderia ser armazenada, aproveitando-se os espaços disponíveis deixados pela exploração do petróleo. A retirada do petróleo deixa grandes vazios que são preenchidos com água. Por que não ocupar esses espaços com biomassa? m) A mineração cria gigantescas crateras que, muitas vezes, são simplesmente abandonadas sem passarem por qualquer processo de remediação. Por não aproveitá-las? n) As falhas geológicas, gigantescos espaços, muitas vezes continentais, poderiam ser utilizadas como depósitos de biomassa. Por que não fazê-lo? o) De forma idêntica, poderiam ser armazenadas grandes quantidades de biomassa nas regiões desertas, sob suas areias escaldantes, locais desprovidos de água. Onde não há água não há vida, onde não há vida não há decomposição de matéria orgânica, não havendo decomposição de matéria orgânica não há formação de gases do efeito estufa. A mãe natureza, via carbono, forneceu tanta riqueza ao homem durante o século passado. Por que não devolver-lhe, durante este século, parte dessa riqueza, retornando parte desse carbono ao seu local de origem, de onde nunca deveria ter sido retirado, às profundezas da crosta terrestre, recompondo assim o Período Carbonífero? Dessa forma se fecharia um círculo, origem, exploração e destinação adequada do efluente produzido pela industrialização do petróleo. Dando um destino adequado ao lixo ou efluente industrial, ou mais precisamente ao carbono, matéria prima do gás carbônico, o meio ambiente agradeceria, o mundo continuaria respirando, voltava-se ao equilíbrio ambiental e os petrodólares poderiam continuar movimentando a economia mundial sem representar um risco iminente à vida. Todo empresário da área industrial é obrigado por lei a tratar e destinar os seus efluentes. Por que a indústria petrolífera estaria dispensada dessa obrigação? (EcoDebate)

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