quarta-feira, 1 de abril de 2015

Sabesp admite que faz racionamento

‘Racionamento é algum tipo de restrição do uso da água. É claro que nós temos’, afirmou Jerson Kelman.
Falta de água atinge regiões da Grande São Paulo.
O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, admitiu pela primeira vez que a redução da pressão da água, intensificada no início da crise, em 2014, é um racionamento, o que sempre foi negado pelo governo e pela sua antecessora no cargo, Dilma Pena. 
“Racionamento é algum tipo de restrição do uso da água. É claro que nós temos. Se nós reduzimos 30% da produção de água, tem alguma restrição. Agora, há várias formas de racionamento. Uma delas é o rodízio. Outra é redução de pressão, outra é dar cotas para os consumidores. Nós não estamos em rodízio. Rodízio é muito mais do que nós fazemos hoje, e mais perigoso.” (OESP)

Situação das represas de SP é grave

Governo diz que situação das represas de SP é grave; Nordeste já está em ‘colapso’
Ministros fazem balanço e destacam que Cantareira está 11% abaixo do volume útil. ‘Quadros continuam críticos’, diz presidente da Agência Nacional de Águas (ANA); em 50 cidades nordestinas, fornecimento chega a ser feito uma vez a cada 15 dias.
O diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, disse em 01/03 que, mesmo com o cenário favorável de chuvas em fevereiro e março, o quadro no Estado de São Paulo continua “grave”. Além disso, mais de 50 municípios no Nordeste estão em colapso hídrico neste momento - esse número pode chegar a 105 se o regime de chuvas na região não melhorar.
“Mesmo tendo sinais de uma quantidade de água mais favorável chegando aos reservatórios, os quadros continuam críticos. Medidas que foram adotadas até aqui no controle e na redução das vazões dos reservatórios e dos rios têm de ser mantidas”, disse Andreu, no Palácio do Planalto, ao apresentar um balanço da crise hídrica no País. “Nenhuma medida deve ser abrandada.”
Ao falar especificamente do principal manancial paulista, Andreu destacou que, apesar das chuvas registradas nos últimos dois meses, as vazões no Cantareira, que estava ontem com 19,1% da capacidade, ainda não atingiram as médias do reservatório. “Se você considerar a água em relação ao volume útil, hoje o reservatório está com -11% em relação ao volume útil, o que significa que você ainda está usando água abaixo do volume útil”, disse o diretor-presidente da ANA.
Há algumas semanas, a Sabesp passou a divulgar um novo cálculo para a contagem da reserva do Cantareira, após pressão do Ministério Público Estadual.
 “O que choveu não foi suficiente para recuperar o reservatório”, reforçou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Ela disse que o planejamento da campanha sobre uso racional da água, que está sendo preparada pelo governo, deve ser retomado neste mês, com a proximidade do fim do período de chuvas.
Como mostrou o Estado, uma divergência na formulação da campanha entre a Secretaria de Comunicação do governo - que pretendia creditar a seca que atinge grande parte do País ao aquecimento global - e o Ministério do Meio Ambiente, que pretendia deixar de fora uma questão que ainda não tem consenso científico, travou a campanha. Izabella afirmou que já marcou uma visita ao novo ministro da Secom, Edinho Silva, para tratar do tema. “Será uma campanha de informação. Vamos tentar influenciar o comportamento de cada brasileiro. Temos de poupar água.”
Nordeste e transposição
Ao falar do cenário na Região Nordeste, o ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, ressaltou que o governo tem investido na construção de poços para atender municípios. “Queremos entregar as obras hídricas o mais rápido possível”, disse.
Um levantamento feito pelo Ministério da Integração Nacional, com dados dos Estados, relata que há 50 cidades em estado de calamidade, com o fornecimento de água uma vez a cada quatro dias - chegando até a uma vez a cada 15 dias.
O governo federal também deve começar a oferecer carros-pipa nas próximas semanas. “O apoio do governo federal será feito, não definimos como nem quando. Faremos dentro do que é possível. Na área rural, o abastecimento é feito pelo Exército e com todo controle eletrônico”, afirmou o ministro da Integração Nacional. As alternativas, segundo ele, serão discutidas na próxima semana.
Occhi ressaltou, no entanto, que a solução para a questão hídrica no Nordeste é a transposição do Rio São Francisco. “A partir do segundo semestre, começaremos a entregar quilômetros dessa obra e, até o fim de 2016, vamos entregá-la por inteiro”, disse.
Mas os dados da Agência Nacional de Águas mostram que mesmo o Rio São Francisco está ainda longe de um nível satisfatório. Dos dois reservatórios do manancial, o de Três Marias, na cabeceira, teve recuperação nesse período de chuvas no Nordeste, mas ainda opera em nível muito baixo. Enquanto isso, o de Sobradinho mantém-se em situação crítica. (OESP)

SP entra na estiagem com estoque 34% menor

SP entra na estiagem com estoque 34% menor que há um ano.
Historicamente, período de pouca chuva vai de abril a setembro no Sudeste.
A Grande São Paulo entra 1º de abril, na temporada de estiagem com um estoque de água 34% menor do que há um ano, quando a situação já era crítica no Sistema Cantareira. Na época, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) admitiu o uso do volume morto do manancial e do racionamento na distribuição para evitar o colapso do abastecimento em 2014. Historicamente, o período de pouca chuva vai de abril a setembro no Sudeste.
Em 30/03/15 segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), havia 588 bilhões de litros disponíveis nos seis sistemas para abastecer cerca de 20 milhões de pessoas, ante 893,6 bilhões de litros acumulados em 31 de março de 2014. O cálculo inclui as cotas do volume morto dos sistemas Cantareira e Alto Tietê, que naquela época ainda não haviam sido incorporadas na capacidade total dos mananciais da região.
Sistema Cantareira sofre com a mais grave crise hídrica da história de São Paulo.
A situação poderia ser bem pior não fossem as chuvas de fevereiro e março, que ficaram acima da média histórica e ajudaram a recuperar uma parcela dos dois maiores mananciais, Cantareira e Alto Tietê, os mais críticos. Na temporada chuvosa, que termina hoje, o estoque de água armazenada para a Grande São Paulo subiu 260 bilhões de litros, enquanto que na temporada anterior, de outubro de 2013 a março de 2014, o saldo ficou negativo em 360 bilhões de litros.
Hoje, Cantareira e Alto Tietê têm um volume de água armazenado bem menor do que há um ano. Para evitar o esgotamento dos dois mananciais durante o período de estiagem e manter o abastecimento de água na Grande São Paulo sem decretar rodízio oficial, a Sabesp pretende reduzir mais a retirada do Cantareira e levar água da Represa Billings para o Alto Tietê.
Segundo a companhia, mais 6 mil litros por segundo serão adicionados ao sistema integrado de abastecimento para suprir a redução do Cantareira, dos quais 4 mil litros por segundo serão por meio da ligação do Braço Rio Grande, da Billings, com a Represa Taiaçupeba, do Alto Tietê. A obra será feita com contratos emergenciais, sem licitação, ao custo total estimado em R$ 130 milhões.
A previsão é de que fique pronta em julho deste ano. Para não secar o Braço Rio Grande, que tem 10% do tamanho do Cantareira, a Sabesp vai captar água do Braço do Rio Pequeno, que é ligado à parte poluída da Billings. (OESP)

6 dúvidas sobre a falta de água em São Paulo

Vale a pena comprar mais uma caixa de água e armazenar chuva.
82% dos entrevistados acreditam que haja risco de a água acabar.
1. Há risco de racionamento em São Paulo?
Sim. O governador Geraldo Alckmmin (PSDB) já disse, inclusive, que o racionamento já existe. 
2. Como posso me prevenir da falta de água?
Pelo telefone 195, da Sabesp. Com o RGI da conta de água em mãos, o consumidor pode saber o horário da redução da pressão para se programar. Para quem tem caixa d'água, o ideal é economizar, mantendo uma maior quantidade do recurso guardada para dias sem abastecimento. A água da máquina de lavar, por exemplo, pode ser usada para descarga do vaso sanitário e limpeza da casa. 
3. Vale comprar mais uma caixa d'água?
Sim. Quanto maior a quantidade de água armazenada, menor será o problema nos dias em que a pressão estiver reduzida.
4. Posso armazenar água da chuva em casa, por exemplo, de alguma maneira, para algum uso?
Sim. Uma forma simples de fazer isso é adaptando a calha, para que a água da chuva corra direto para baldes. A água pode ser usada na limpeza da casa.
5. Se ficar muito tempo sem água em casa/trabalho posso cobrar o prejuízo de alguém?
Segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), caso o rodízio seja decretado, a falta de água vai ser generalizada, fazendo com que a população se adapte. Caso não seja oficial, o cliente pode pedir indenizações por danos morais e materiais. 
6. A multa da água está em vigor? Como faço para calcular o consumo e tentar evitar ser multado? 
Sim, a multa está em vigor. É importante saber ler o relógio de água, o hidrômetro. O consumidor deve sempre olhar o contador para saber quanta água passou pelo equipamento. Para fazer o controle de quanto está sendo consumido, anote sempre o último número, na cor preta, da sequência que aparece no contador. Na semana seguinte, faça o mesmo. A diferença vai ser igual ao que foi consumido. Para aplicar a multa, é usada a mesma conta do bônus. A Sabesp usa a média de consumo entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014. O consumidor pode acessar o site Calculadora de Sonhos: http://calculadoradesonhos.sabesp.com.br.

Alckmin descarta repor volume morto até abril/15

Pela primeira vez, governo admite que chuvas não vão tirar o Sistema Cantareira da dependência da reserva profunda.
Mesmo com as chuvas acima da média em fevereiro e março, o Sistema Cantareira não vai conseguir recuperar totalmente o volume morto até o fim de abril, admitiu pela primeira vez o governo Geraldo Alckmin (PSDB). Projeção feita pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) revela que o principal manancial paulista deve encerrar o próximo mês com nível 6% abaixo de zero, ou seja, ainda na reserva profunda.
“Poderemos atingir um total armazenado em torno de 420 bilhões de litros, ao fim de abril, 65 bilhões de litros abaixo do ‘zero’ do volume útil por gravidade”, afirmou o superintendente do DAEE, Ricardo Borsari, em ofício encaminhado ao presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, no dia 20 deste mês. 
O volume de água é o mesmo registrado em 21/08/14. Os dois órgãos são responsáveis pela gestão conjunta do Sistema Cantareira.
Sistema Cantareira abastece 5,6 milhões 
O manancial, formado por quatro represas, tem 1,47 trilhão de litros, dos quais 982 bilhões fazem parte do volume útil, porque ficam acima do nível dos túneis de captação e podem ser retirados por gravidade, e 485 bilhões, do volume morto, que só podem ser captados por bombas. Destes, 287,5 bilhões de litros foram liberados em duas cotas para a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) abastecer a região metropolitana, onde 5,6 milhões de pessoas ainda dependem da água do sistema.
Em 30/03/15, o Cantareira operava com 18,9% da capacidade, segundo a Sabesp, que inclui as duas cotas do volume morto no cálculo. Na prática, contudo, o nível estava em -10,4%, se considerada a quantidade de água da reserva profunda usada como negativo, como quer o Ministério Público Estadual (MPE). No sábado, o Estado mostrou que o sistema tem atualmente 57% menos água do que há um ano, déficit de 243 bilhões de litros. 
O documento faz parte das negociações entre a ANA, do governo Dilma Rousseff, e o DAEE, do governo Alckmin, para definir a retirada de água do Cantareira. Por causa das discordâncias entre os órgãos, desde 15 de março o manancial é operado pela Sabesp sem uma regra estabelecida. 
O presidente da agência federal quer definir uma metodologia de operação e metas futuras de armazenamento até 30 de novembro.
No ofício, Borsari diz que a projeção considera a manutenção das atuais condições de entrada de água (60% das médias mensais históricas) e retirada (10 mil litros por segundo), como ocorre desde fevereiro. Neste cenário, o volume morto só será recuperado no dia 22 de julho, segundo o simulador lançado em janeiro pelo Estado.
Justiça
Em ação civil movida em 2014, o MPE pede que os gestores do Cantareira e da Sabesp operem o manancial para que ele chegue ao fim de abril com 10% positivos, mesmo índice registrado em 30 de abril do ano passado. O governo Alckmin afirma que essa meta é impossível de ser atingida. 
Após duas liminares terem sido concedidas e depois derrubas pela Justiça, o juiz federal Wilson Zauhy Filho decidiu, na semana passada, suspender o processo até o dia 11 de maio, quando o DAEE se comprometeu a entregar, em juízo, os estudos da proposta que será feita pela Sabesp para a renovação da outorga do Sistema Cantareira e as respostas às propostas feitas pela ANA para a gestão do manancial durante a crise. (OESP)

terça-feira, 31 de março de 2015

Amazônia reduziu pela metade a capacidade de absorver CO2

Amazônia reduziu pela metade a capacidade de absorver CO2, diz estudo
Estudo realizado pela revista “Nature” ao longo de 30 anos mostra que, pela primeira vez, capacidade de absorver dióxido de carbono foi superada pelas emissões de combustíveis fósseis.
A Amazônia teve reduzida pela metade sua capacidade de absorver dióxido de carbono da atmosfera, causadores de alterações climáticas, devido à rápida velocidade com que suas árvores estão morrendo, revelou artigo publicado em 18/03/15 pela revista Nature.
Nos anos 1990, esta grande floresta foi capaz de absorver dois bilhões de toneladas de dióxido de carbono em cada ano. Agora, diz o artigo, esta capacidade foi pela primeira vez superada pelas emissões resultantes da queima de combustíveis fósseis na América Latina.
A conclusão resulta de um estudo feito ao longo de 30 anos que juntou quase uma centena de pesquisadores, trabalhando em oito países. A investigação foi feita a partir de 321 pontos da floresta, nos quais foram medidas 200 mil árvores – bem como as mortes e os crescimentos de novas.
“As taxas de mortalidade das árvores aumentaram mais de um terço desde meados dos anos 1980, o que está afetando a capacidade da Amazônia de armazenar carbono”, afirma Roel Brienen, da Universidade de Leeds, no norte do Reino Unido, que coordenou os estudos. (ecodebate)

Emissões anuais de gases do efeito estufa caem 25%

As emissões geradas pelo desmatamento caíram de 3,9 para 2,9 gigatoneladas de dióxido de carbono entre 2001 e 2015.
Estamos cuidando do planeta.
Emissões anuais de gases do efeito estufa caem 25% em 15 anos, diz ONU.
Vista geral da floresta amazônica em São Sebastião do Uatuma, no Amazonas em janeiro/15.
O dióxido de carbono (CO2) é um dos principais gases que provocam o efeito estufa.
As emissões anuais de carbono das florestas do mundo diminuíram em mais de 25% nos últimos 15 anos, informou uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) em 21/03/15.
A redução das emissões anuais, causadoras do aquecimento global, deve-se em grande parte às taxas decrescentes de desmatamento global, segundo relatou a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
As florestas detêm cerca de três quartos da quantidade de carbono absorvida pela atmosfera, e preservá-las é crucial para combater a mudança climática.
"O desmatamento e a degradação florestal aumentam a concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera, mas o crescimento de florestas e árvores absorve o dióxido de carbono, que são as principais emissões de gases de efeito estufa", declarou o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, em comunicado.
As emissões geradas pelo desmatamento caíram de 3,9 para 2,9 gigatoneladas de dióxido de carbono entre 2001 e 2015, disse a FAO.
Brasil, Chile, China, Cabo Verde, Costa Rica, Filipinas, Turquia, Coreia, Uruguai e Vietnã testemunharam grandes reduções no desmatamento, afirmou Graziano. África, Ásia, América Latina e Caribe continuaram a emitir mais carbono do que absorvem, informou o estudo da FAO.
Sozinho, o Brasil representou mais de 50% da redução total de emissões anuais de carbono estimada entre 2001 e 2015, segundo a entidade.
"No Brasil, a questão é o governo mudar suas políticas e leis para restringir a quantidade de terras florestais sendo liberadas para a agricultura", afirmou Kenneth MacDicken, especialista em florestas do alto escalão da FAO à Thomson Reuters Foundation.
"É um grande feito." (yahoo)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...