sexta-feira, 3 de abril de 2015

Projeto une tecnologia e design para promover reuso de água

Sem apoio, projeto une tecnologia e design para promover reuso de água
Torneira Fechada
Em janeiro/15, Bill Gates divulgou projeto que transforma dejetos em água potável; empresa paulistana criou produto similar em 2012, mas tem dificuldades em conseguir financiamento para produção em escala ou parceria com a Sabesp.
Empresa paulista criou produto similar ao de Bill Gates em 2012, mas não conseguiu financiamento para produção em escala nem apoio da Sabesp, mesmo sendo premiada.
Estação de tratamento da Sabesp em São Caetano.
Com linhas modernas, a grande caixa azul e branca parece algo saído de uma prancheta da NASA. Formada por chapas metálicas com bordas curvas, seu design minimalista ganhou prêmios no Brasil e no exterior. Por trás de toda a elegância, porém, o serviço é dos mais pesados: a estação de tratamento compacta Renascente, da Perenne, de São Paulo, se dedica a transformar água suja e usada em um líquido cristalino, pronto para nova utilização. De um lado, entram dejetos de esgoto; do outro, sai água que serve para uma grande variedade de usos.
De cara, a unidade da Perenne remete a uma iniciativa recentemente divulgada por Bill Gates. Chamado Omni Processor, o projeto do fundador da Microsoft consiste em uma volumosa estrutura que foi anunciada na internet com a chamada: “Esta engenhosa máquina transforma fezes em água potável”. Ela começará sua operação em Dakar, capital do Senegal.
A tecnologia usada no processador de Gates “queima” o esgoto a temperaturas acima de 1000 graus. O resultado deste processo é condensado e tratado. A tecnologia da Perenne se baseia em processos físicos e biológicos, sem a necessidade de produtos químicos. A matéria orgânica do esgoto é degradada por microorganismos especialmente preparados. Uma membrana polimérica age depois como uma peneira finíssima, capaz de segurar até bactérias. Seu produto final não é potável, mas adequado para usos como limpeza e irrigação.
Uma diferença importante entre o projeto da Perenne e outros do tipo (incluindo o de Gates) é a solução de design, uma aposta na ideia de que uma unidade de tratamento de esgoto e fezes pode ser também um objeto esteticamente inovador e agradável aos olhos. Estações desse tipo costumam ser estruturas volumosas que ficam longe da vista do público. Já o projeto da Perenne, que ocupa o espaço de uma vaga de carro, ficaria à vontade na frente de um shopping chique como o Iguatemi ou JK.
Segundo o engenheiro Nelson Guanaes, fundador e presidente da Perenne, “não é tão fácil convencer o cliente a investir nisso. Com esse projeto, quisemos chamar a atenção, fazendo uma estação compacta e bonita que servisse como um outdoor para o tratamento”.
A unidade pode proporcionar uma economia de até 30% na conta de água, diz o executivo. Em tempos de crise hídrica, uma vantagem mais do que bem-vinda. Surpreendentemente, a iniciativa ainda não decolou. Desde 2012, só foi construída uma única peça.
De acordo com Guanaes, a intenção é tornar o projeto comercial e desenvolver uma fabricação industrial. Mas a empresa até agora teve dificuldade em obter financiamento para a produção em escala da unidade.
“Tem um mercado fantástico para esse produto”, acredita Guanaes. “Condomínios, shoppings, ou mesmo uma favela. É um local poluidor, que não é tratado, as pessoas moram ao lado dos córregos. Por que não tratar?”
Desenvolvido pela escritório de design Questto Nó, o projeto foi premiado na categoria “sustentabilidade” na Bienal Ibero-Americana de Design, em 2013 na Espanha, e no ano seguinte, no Green Good Design, uma das mais antigas premiações de design sustentável do mundo.
A primeira e única unidade da Renascente custou R$ 500 mil para ser construída. A intenção da Perenne é que ela não seja vendida para estabelecimentos, mas instalada a custo zero, com a cobrança de uma “mensalidade” que seria, na verdade, metade do valor que a empresa economizaria na conta d’água (ou seja, metade dos 30% de economia proporcionada pela unidade). Outra vantagem mencionada pela empresa é o baixo consumo de energia do produto, equivalente ao de uma geladeira pequena.
A Sabesp teria se interessado pelo projeto, afirma Guanaes, consequência de uma nova postura da concessionária. “Quero ver a Sabesp com outros olhos. Antes, a atitude deles seria ‘não pode, tá usando a água que eu vendi, a água é minha’. Hoje, acho que não. Acho que tão dizendo o contrário. Tão dizendo, ‘se cuida, porque não tenho água pra te dar’.” Procurada pela reportagem, a assessoria da Sabesp disse não ter conhecimento da estação.
Escassez
Perguntada sobre iniciativas de reuso que promove, a Sabesp citou um de grande porte: a Aquapolo, parceria sua com a Odebrecht Ambiental que gera água de reuso industrial. Instalado na fronteira de São Paulo com São Caetano do Sul, a Aquapolo pode produzir até mil litros por segundo, quantidade capaz de abastecer 300 mil pessoas. Atualmente, porém, só atende ao Polo Petroquímico do ABC paulista.
Para o professor Ivanildo Hespanhol, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e sumidade no tema água, o reúso é fundamental para enfrentar a escassez d’água. Autor de um projeto de cinco estações de reuso ao longo do rio Tietê, ele acredita que as soluções menores também são importantes: “containers com a tecnologia de membrana realmente ajudam. Se colocados em supermercados, shoppings, presídios, podem proporcionar grande economia”. Hespanhol, entretanto, não vê a Sabesp interessada em incentivar a reutilização da água. Para ele, a concessionária prefere apostar na busca por novas reservas. “Estamos seguindo o paradigma dos romanos, de 2.000 anos atrás, trazendo água de cada vez mais longe, de áreas hídricas distantes”, critica.
No Brasil, onde a noção de que a água é recurso finito não foi assimilada pela população, o índice de reuso é de apenas 1% (em Cingapura chega a 30%). Para Guanaes, estimular o reuso de água também contribui para a educação ambiental. “A maioria das escolas da periferia tem uma fossa, que é poluidora”, diz Guanaes, da Perenne. “Vamos mostrar para as crianças que podemos botar esgoto não na rua ou na fossa, mas nesse equipamento para que ele seja usado no banheiro ou para irrigar uma planta.” (OESP)

Política Nacional de Recursos Hídricos

A Política Nacional de Recursos Hídricos – Lei 9.433/1997 – teve como base para sua elaboração uma legislação anterior do Estado do Rio Grande do Sul, a lei estadual 10.350/1994, que implantou no Estado do RS a Política Estadual de Recursos Hídricos, com base no modelo de gestão francês a partir do estágio realizado em 1991 neste país europeu por componentes da Comissão Consultiva do Conselho de Recursos Hídricos do RS. Esta lei estadual regulamentou o artigo 171 da Constituição do RS que previu o sistema estadual de recursos hídricos com base nas bacias hidrográficas como unidades básicas de planejamento e gestão.
A Lei 9.433/1997 estabeleceu os fundamentos, objetivos, diretrizes e instrumentos para a gestão das águas no território nacional, regulamentando o artigo 21, inciso XIX da Constituição Federal, que prevê a implantação do Sistema Nacional de Recursos Hídricos e a definição dos critérios para as outorgas e cobranças pelos direitos de uso deste recurso natural. A Política Nacional de Recursos Hídricos – PNRH tem como fundamentos previstos no artigo 1º:
a) domínio público da água,
b) como recurso natural limitado e dotado de valor econômico,
c)uso prioritário para consumo humano e dos animais nos casos de escassez,
d) gestão com uso múltiplo,
e) as bacias hidrográficas como unidades básicas para implementação da gestão das águas e
f) a descentralização e a participação dos poderes públicos, usuários e comunidades na gestão.
Quanto aos objetivos, assegurar o abastecimento atual e futuro e a disponibilidade em padrões de qualidade adequada aos diversos usos, utilização racional, inclusive para o transporte e o desenvolvimento sustentável e a prevenção e defesa contra eventos críticos de origem natural ou decorrentes de usos inadequados estão previstos no artigo 2º. As diretrizes gerais de ação previstas no artigo 3º estabelecem a gestão sistemática sem dissociar a quantidade da qualidade, a adequação da gestão às diversidades físicas, bióticas, demográficas, econômicas, sociais e culturais regionais, integração da gestão da água com a gestão ambiental e uso do solo, articulação do planejamento com os setores usuários e com os projetos regionais, estaduais e nacionais e integração das bacias hidrográficas com as zonas costeiras e sistemas estuarinos. A União e os Estados farão o gerenciamento articulado dos recursos hídricos de interesse comum.
Em relação aos instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos estão previstos no artigo 5º:
I – Os planos de recursos hídricos;
II – Enquadramento dos corpos de água de acordo com os usos preponderantes estabelecidos;
III – Outorga dos direitos de uso;
IV – Cobrança pelo uso água;
V – Compensações aos municípios;
VI – Implantação do Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos. (ecodebate)

Os estados que mais perdem água no Brasil

O custo da ineficiência
De cada 100 litros de água coletada e tratada no Brasil, apenas 63 litros chegam sãos e salvos na casa do brasileiro, em média. O restante fica pelo caminho.
É o que mostram dados recém-atualizados do Sistema Nacional de Informações de Saneamento Básico do Ministério das Cidades.
Em 2013, ano mais recente com dados disponíveis, o Brasil perdeu nada menos do que 37% de toda a sua água tratada.
Ligações clandestinas, vazamentos, obras mal executadas ou medições incorretas no consumo de água são as principais causas da perda de faturamento das empresas operadoras e dos estados.
Se o índice assusta, o quadro fica mais tenebroso quando se observa as perdas por estados. Ao todo, 15 unidades federativas têm taxas superiores à média nacional.
O caso mais alarmante é o do Amapá, onde as perdas de água tratada chegam a 76%, um desperdício imperdoável para um recurso tão precioso.
Confira nas fotos o ranking de perdas de água por estado.
1. Amapá
Índice de perda total de água em 2013: 76,54 %
Índice de perda total de água em 2012: 71,9 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: alta de 4,64 pontos percentuais
Índice de atendimento total de água: 36,16 %
2. Roraima
Índice de perda total de água em 2013: 59,74 %
Índice de perda total de água em 2012: 57,0 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: alta de 2,74%
Índice de atendimento total de água: 80,17 %
3. Sergipe
Índice de perda total de água em 2013: 59,27 %
Índice de perda total de água em 2012: 59,80 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: queda de 0,53%
Índice de atendimento total de água: 83,05 %
4. Acre
Índice de perda total de água em 2013: 55,9 %
Índice de perda total de água em 2012: 60,0 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: queda de 4,1%
Índice de atendimento total de água: 42,61 %
5. Rio Grande do Norte
Índice de perda total de água em 2013: 55,26 %
Índice de perda total de água em 2012: 55,5 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: queda de 0,24%
Índice de atendimento total de água: 81,37 %
6. Pernambuco
Índice de perda total de água em 2013: 53,69 %
Índice de perda total de água em 2012: 54,7 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: queda de 1,01%
Índice de atendimento total de água: 70,89 %
7. Rondônia
Índice de perda total de água em 2013: 52,75 %
Índice de perda total de água em 2012: 52,3 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: alta de 0.45%
Índice de atendimento total de água: 38,78 %
8. Piauí
Índice de perda total de água em 2013: 51,82 %
Índice de perda total de água em 2012: 53,5 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: queda de 1,68%
Índice de atendimento total de água: 67,12 %
9. Pará
Índice de perda total de água em 2013: 48,91 %
Índice de perda total de água em 2012: 45,2 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: alta de 3,71%
Índice de atendimento total de água: 42,19 %
10. Mato Grosso
Índice de perda total de água em 2013: 47,17 %
Índice de perda total de água em 2012: 45,9 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: alta de 1,27%
Índice de atendimento total de água: 86,23 %
11. Amazonas
Índice de perda total de água em 2013: 46,99 %
Índice de perda total de água em 2012: 48,2 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: queda de 1,21%
Índice de atendimento total de água: 73,03 %
12. Alagoas
Índice de perda total de água em 2013: 46,12 %
Índice de perda total de água em 2012: 36,1 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: alta de 10%
Índice de atendimento total de água: 76,46 %
13. Bahia
Índice de perda total de água em 2013: 41,58 %
Índice de perda total de água em 2012: 37,7 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: alta de 3,88%
Índice de atendimento total de água: 77,43%
14. Maranhão
Índice de perda total de água em 2013: 37,84 %
Índice de perda total de água em 2012: 39,5 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: queda de 1,66%
Índice de atendimento total de água: 53,34 %
15. Rio Grande do Sul
Índice de perda total de água em 2013: 37,23 %
Índice de perda total de água em 2012: 40,3 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: queda de 3,07%
Índice de atendimento total de água: 84,06 %
16. Ceará
Índice de perda total de água em 2013: 36,52 %
Índice de perda total de água em 2012: 38,7 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: queda de 2,18%
Índice de atendimento total de água: 69,75 %
17. Paraíba
Índice de perda total de água em 2013: 36,18 %
Índice de perda total de água em 2012: 38,6 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: queda de 2,42%
Índice de atendimento total de água: 75,60 %
18. Espírito Santo
Índice de perda total de água em 2013: 34,39 %
Índice de perda total de água em 2012: 35,2 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: queda de 0,81%
Índice de atendimento total de água: 80,90 %
19. Tocantins
Índice de perda total de água em 2013: 34,34 %
Índice de perda total de água em 2012: 34,2 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: alta de 0,14%
Índice de atendimento total de água: 75,45 %
20. São Paulo
Índice de perda total de água em 2013: 34,34 %
Índice de perda total de água em 2012: 34,2 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: alta de 0,14%
Índice de atendimento total de água: 95,85 %
21. Santa Catarina
Índice de perda total de água em 2013: 33,71 %
Índice de perda total de água em 2012: 34,8 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: queda de 1,09%
Índice de atendimento total de água 86,02%

22. Minas Gerais
Índice de perda total de água em 2013: 33,46 %
Índice de perda total de água em 2012: 33,1 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: alta de 0,36%
Índice de atendimento total de água: 86,97 %
23. Paraná
Índice de perda total de água em 2013: 33,35 %
Índice de perda total de água em 2012: 33,0 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: alta de 0,35%
Índice de atendimento total de água: 91,15 %
 


24. Mato Grosso do Sul
Índice de perda total de água em 2013: 32,92 %
Índice de perda total de água em 2012: 31,9 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: alta de 1,02%
Índice de atendimento total de água: 84,06 %
25. Rio de Janeiro
Índice de perda total de água em 2013: 30,82 %
Índice de perda total de água em 2012: 31,8 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: queda de 0,98%
Índice de atendimento total de água 89,5 %
26. Goiás
Índice de perda total de água em 2013: 28,78 %
Índice de perda total de água em 2012: 29,7 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: queda de 0,92%
Índice de atendimento total de água: 85,62 %
27. Distrito Federal
Índice de perda total de água em 2013: 27,27 %
Índice de perda total de água em 2012: 23,9 %
Variação nas perdas entre 2012/2013: alta de 3,37%
Índice de atendimento total de água: 98,2 % (exame)

Seca histórica faz Califórnia ter 1º racionamento

Seca histórica faz Califórnia ter 1º racionamento de água
O corte de água irá afetar moradores, empresas e produtores rurais do estado.
Medida nunca tinha sido tomada em toda a história.
Por causa da seca, Califórnia aprova racionamento de água.
O governador da Califórnia, Jerry Brown, impôs hoje o primeiro racionamento obrigatório de água da historia do estado em resposta a uma grave seca.
Brown pediu ao conselho de água para implementar medidas que façam as cidades do estado a cortar até 25% do seu uso de água.
"Estamos em meio a uma seca histórica, que pede uma ação sem precedentes", disse o governador em uma conferência de imprensa. "Temos que reunir e economizar toda a água que pudermos."
O corte de água irá afetar moradores, empresas e produtores rurais do estado.
A camada de neve que fornece água para a região está bem abaixo dos níveis históricos. Hoje, medidores apontavam que ela apresenta apenas 25% da média para a época. (yahoo)

Sabesp apresentará plano para crise hídrica

Sabesp apresenta até fim do mês plano para crise hídrica
Após período considerado bom em março, Sabesp se prepara para seca típica do inverno.
Sabesp deve apresentar até fim de abril plano para crise hídrica.
A Advocacia-Geral da União (AGU) anuncia acordo junto com o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado de São Paulo para cobrar da Sabesp apresentação até o final deste mês de abril de um planejamento para enfrentar a crise hídrica.
O acordo prevê a suspensão de ação em que os MPs reivindicam, na Justiça, que a companhia de saneamento, o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE) e a Agência Nacional de Águas (ANA) adotem medidas para combater a falta de água no Sistema Cantareira.
Os órgãos reguladores e os MPs terão mais dez dias após o prazo estipulado para analisar a proposta e, conforme nota do AGU, se necessário for, solicitar aperfeiçoamentos antes de a ação voltar à Justiça.
O plano deve detalhar como a empresa vai assegurar o fornecimento de água pelo Sistema Cantareira, qual será a vazão de água em variados cenários, como reduzir o desperdício e diversificar as fontes de abastecimento, para não sobrecarregar o Cantareira. (yahoo)

Planos de Recursos Hídricos e Enquadramento em Classes

Planos de Recursos Hídricos e Enquadramento dos Corpos de Água em Classes
A Política Nacional de Recursos Hídricos – PNRH (Lei 9.433/1997) instituiu os fundamentos, objetivos, diretrizes e instrumentos para a gestão da água no Brasil e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamentando o artigo 21, inciso XIX da Constituição Federal. Entre os instrumentos desta lei, estão os planos de recursos hídricos e o enquadramento dos corpos de água em classes de acordo com os usos preponderantes estabelecidos.
Os planos de recursos hídricos são planos diretores que fundamentam e orientam a implementação e gerenciamento da PNRH. São organizados com prazos longos e compatíveis com os períodos de implantação dos programas e projetos previstos e possuem conteúdos mínimos que orientam a sua elaboração:
I – Diagnóstico atualizado da situação dos recursos hídricos;
II – Análise de alternativas de crescimento demográfico, evolução de atividades produtivas e modificações dos padrões de ocupação do solo;
III – Balanço entre a disponibilidade atual e demandas futuras em quantidade e qualidade, identificando os conflitos potenciais;
IV – Metas de racionalização dos usos, aumento da quantidade e melhorias na qualidade dos recursos hídricos disponíveis;
V – Medidas, programas e projetos desenvolvidos para o atendimento das metas previstas;
VI – Prioridades para as outorgas de direitos de uso dos recursos hídricos;
VII – Diretrizes e critérios de cobrança pelo uso destes recursos;
VIII – Propostas para a criação de áreas de uso restrito, visando à proteção dos recursos hídricos.
Os planos de recursos hídricos têm como base territorial para sua elaboração as bacias hidrográficas, nacionais ou estaduais – Lei 9.433/1997, artigos 6-8.
Quanto ao enquadramento dos corpos de água em classes, estabelecendo usos preponderantes dos recursos hídricos para determinadas atividades ou consumo, tem-se como objetivos:
I – Assegurar às águas qualidade compatível com os usos mais exigentes às quais estão destinadas;
II – diminuir os custos relacionados com a poluição das águas através de ações preventivas permanentes – Lei 9.433/1997, artigo 9.
A classificação e enquadramento dos corpos de água são estabelecidos de acordo com a legislação ambiental. Neste sentido, O Conselho Nacional do Meio Ambiente estabeleceu critérios para a classificação dos corpos de água superficiais, as diretrizes ambientais para o enquadramento e as condições e padrões para o lançamento de efluentes através da Resolução 357/2005, alterada e complementada parcialmente pelas Resoluções 410/2009 e 430/2011. As águas doces, salinas e salobras no Brasil são classificadas de acordo com seus usos em treze classes que possibilitam o controle e monitoramento constante da quantidade e da qualidade, porém ainda há muitas deficiências estruturais para um acompanhamento adequado. (ecodebate)

Estado de SP só inicia 1 de 7 obras contra crise hídrica

Cantareira: a recuperação parcial aconteceu com as chuvas de fevereiro e março, que ficaram acima da média.
Apenas uma das sete obras de emergência previstas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para "atravessar o deserto de 2015" sem decretar rodízio oficial no abastecimento de água na região metropolitana já foi iniciada, segundo o presidente da estatal, Jerson Kelman.
"Hoje está sendo feita apenas uma (obra), que é a ligação do (Rio) Guaió com a (Represa) Taiaçupeba. Brevemente, começará outra, que são duas adutoras que levarão água do (Sistema) Rio Grande para Taiaçupeba (Sistema Alto Tietê)", disse Kelman, em debate sobre a crise hídrica promovido pelo jornal Folha de S.Paulo.
A ligação do Rio Grande, que é um braço da Represa Billings, com a Taiaçupeba é considerada a obra mais urgente.
O objetivo é levar 4 mil litros por segundo para o Alto Tietê, cuja estação de tratamento está subaproveitada porque o manancial está com 22,7% da capacidade. Com isso, a Sabesp prevê levar mais água desse sistema para socorrer a área do Cantareira.
Ao anunciar a ligação das duas represas, no fim de janeiro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que a obra começaria em fevereiro e seria concluída em maio.
Agora, a previsão de entrega é julho, segundo a Sabesp.
O custo estimado é de R$ 130 milhões, e os contratos para execução das obras físicas e aquáticas, no valor de R$ 46,6 milhões, foram assinados sem licitação no dia 27.
Além desse projeto e da obra já iniciada que prevê levar 1 mil litros por segundo do Rio Guaió para a Taiaçupeba, o pacote de intervenções emergenciais inclui a ligação do Rio Itatinga ao Sistema Alto Tietê e dos Rios Capivari e Juquiá ao Guarapiranga.
Além disso, a Sabesp pretende ampliar de 4 mil para 5 mil l/s a transferência de água da Billings para a represa da zona sul da capital e, com isso, ampliar a capacidade do Sistema Guarapiranga de 15 mil para 16 mil l/s.
Neste caso, um contrato de R$ 41,6 milhões, sem licitação, já foi assinado.
Condições
Para Kelman, a conclusão das obras emergenciais sem atrasos é umas das condições necessárias para não adotar o rodízio.
As outras duas são a continuidade da economia de água pela população e que o Cantareira receba até 80% da água que entrou no manancial em 2014, pior ano da história.
"Nós fizemos um elenco de possíveis obras, que serão defasadas no tempo, na medida que forem sendo necessárias", afirmou Kelman, sobre o ritmo de execução das obras.
Ele disse que a ideia das intervenções surgiu durante um sobrevoo que fez na região em seu terceiro dia à frente da Sabesp para detectar novas fontes de recursos de abastecimento.
À época, o Cantareira caminhava para esgotar o segundo volume morto.
A recuperação parcial aconteceu com as chuvas de fevereiro e março, que ficaram acima da média.
Ontem, porém, no primeiro dia da estação seca, que vai até setembro, não caiu nenhum milímetro nos seis mananciais da região.
O único que não registrou queda foi o Cantareira (que subiu 0,1 ponto, para 19,1%), reflexo ainda da precipitação de segunda. Apesar disso, Kelman acha que o rodízio não será necessário.
10 grandes números revelam descaso de São Paulo com sua água
A relação de SP com a água é marcada por ataques e danos que nos ajudam a entender a crise hídrica de um jeito diferente — mais integrado.
Uma história de ataques e danos
A relação das cidades com as águas é um negócio curioso. Os homens sempre procuraram se fixar ao longo dos grandes rios para ter água e vias de transporte próximas. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento urbano acarretou a deterioração desses recursos hídricos, comprometendo sua quantidade e qualidade.
No maior estado do Brasil, não foi diferente. A história de São Paulo com seus rios é marcada por ataques e danos, que se repetem até hoje e nos ajudam a entender a crise hídrica que assombra a região de um jeito diferente mais integrado.
Veja nas fotos 10 números que mostram o descaso do Estado paulista com este bem tão precioso.
Passe livre para poluir
Tão importante quanto ter água em quantidade é ter água de boa qualidade. São Paulo deixa de tratar quase 57% dos esgotos gerados, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Saneamento Básico do Ministério das Cidades. Toda essa água suja ameaça as reservas limpas e encarece os custos de tratamento no futuro.
Zero tratamento
Entre os 645 municípios do Estado, pelo menos 60 não possuem tratamento algum de esgoto. Sem rede adequada, todo o esgoto gerado vai parar nos rios próximos. Em todos eles, a coleta de esgoto não passa de 40% dos domicílios.
Ainda tem gente sem acesso à coleta de esgoto
Quase 25% da população do Estado de São Paulo ainda não contam com serviços de coleta de esgoto. Quem mora nessas situações, precisa recorrer a métodos de risco para a saúde, como o uso de fossa negra.
Desperdício
De cada 100 litros de água coletada e tratada, apenas 66 litros chegam são e salvos na casa dos paulistas. Os outros 34 litros ficam pelo caminho. Ligações clandestinas, vazamentos, obras mal executadas ou medições incorretas no consumo de água são as principais causas das perdas. Um quadro imperdoável para um recurso tão precioso e cada vez mais escasso.
Despejo ilegal
No entanto, nem toda a água que sai das indústrias em forma de esgoto retorna limpa para o meio ambiente, como deveria acontecer. A cada hora, as indústrias paulistas descartam cerca de dez milhões de efluentes cheios de resíduos tóxicos e sem tratamento algum nos rios e lagos dos municípios de São Paulo. Por dia, o descarte ilegal de esgoto industrial daria para encher dois lagos do Parque Ibirapuera, segundo estudo feito pela Grupo de Economia da Infraestrutura e Soluções Ambientais, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Descaso com as áreas verdes piora a crise
Nos últimos 50 anos, a região da Cantareira teve quase 80% de sua vegetação nativa desmatada, segundo um levantamento feito pela fundação SOS Mata Atlântica. Atualmente, restam apenas 21,5% da cobertura original nas bacias hidrográficas e nos 2.270 quilômetros quadrados do conjunto de seis represas que compõem o Sistema Cantareira. Os impactos do desmatamento em áreas de manancial são significativos. A floresta tem papel essencial na prevenção de secas, pois reabastece os lençóis freáticos e impede a erosão do solo e o assoreamento de rios.
“Joga no rio que o rio resolve”
A política do laissez-faire com relação ao manejo do lixo resulta em situações como a que deixou atônita a população da região de Salto, em Sorocaba, em julho do ano passado. Por conta da estiagem severa, o Rio Tietê, que corta o centro da cidade, transformou-se num fio de água e expôs toneladas de lixo acumulado ao longo de décadas.
Clandestinidade impera
Na grande maioria dos casos é dos poços artesianos que os caminhões pipa retiram água. A cidade de São Paulo tem cerca de 2000 poços outorgados pelo DAEE, mas especialistas do setor estimam em mais de 8 mil o número de clandestinos, que incluem tantos poços operantes, como paralisados.
Rodízio “vetado”
O rodízio de água era a primeira opção apresentada pela Sabesp para contornar os níveis decadentes do sistema Cantareira. O plano foi formalmente entregue em janeiro de 2014 ao Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), mas foi descartado pelo governo Alckmin. Na ocasião, o rodízio proposto era de 48 horas com água e 24 horas sem para as localidades atendidas pelo Cantareira. Se tivesse sido implementada há um ano, a medida poderia ter resultado em uma economia de 120 bilhões de litros em 2014.
Tietê na UTI
O mais importante rio do estado de São Paulo também é o mais poluído do Brasil, segundo o levantamento “Indicadores de Desenvolvimento Sustentável”, do IBGE.
Água no ralo (exame)

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