terça-feira, 3 de setembro de 2019

Águas pluviais não tratadas liberam contaminantes em águas superficiais

Águas pluviais urbanas não tratadas podem liberar contaminantes em águas superficiais.
Uma boa chuva pode fazer uma cidade se sentir limpa e revitalizada. No entanto, as substâncias que ‘limpam’ os edifícios, ruas e calçadas e os drenos das águas podem não ser tão limpas.
Pesquisadores relatando na Environmental Science & Technology da ACS analisaram as águas pluviais urbanas não tratadas de 50 tempestades em todo os EUA, encontrando uma grande variedade de contaminantes que poderiam prejudicar organismos aquáticos em águas superficiais e infiltrar-se em águas subterrâneas.
Estudos anteriores do escoamento de águas pluviais urbanas revelaram uma mistura de produtos químicos industriais, pesticidas, produtos farmacêuticos e outras substâncias que, em certos níveis, podem ser tóxicos para a vida aquática. Como resultado, muitas cidades e agências de gestão de água estão tentando desenvolver medidas de controle de águas pluviais para minimizar o transporte desses contaminantes para outros corpos d’água, como rios ou aquíferos. No entanto, os dados de uma grande variedade de locais em todo os EUA estão faltando. Para ajudar a preencher essa lacuna de pesquisa, Jason Masoner e seus colegas queriam catalogar e quantificar os contaminantes em águas pluviais urbanas de 50 tempestades em 21 locais em todo o país.
Águas agonizantes.
Os pesquisadores analisaram 500 substâncias químicas em águas pluviais urbanas coletadas durante tempestades. As amostras continham uma mediana de 73 produtos químicos orgânicos, sendo os pesticidas o grupo químico mais frequentemente detectado. Onze contaminantes, incluindo o repelente de insetos DEET, nicotina, cafeína e bisfenol A, foram encontrados em mais de 90% das amostras. Os pesquisadores também detectaram com frequência medicamentos prescritos e não prescritos, indicando que a água da chuva estava contaminada com resíduos humanos, possivelmente de vazamentos de esgoto ou outras fontes urbanas.
Alguns dos contaminantes estavam presentes em níveis conhecidos por serem tóxicos para a vida aquática, mas aqueles presentes em concentrações mais baixas também poderiam ter efeitos quando combinados com todas as outras substâncias na água.
Direito ambiental; Água é o sangue da Terra. (ecodebate)

Sudeste será região mais afetada por desmate da Amazônia

Sudeste será região mais afetada por desmate da Amazônia, diz líder do IPCC.
Sudeste será região mais afetada por devastação da Amazônia, diz órgão da ONU.
O professor Humberto Barbosa, doutor em ciências do solo e sensoriamento remoto pela Universidade do Arizona, afirma que o mundo está observando os posicionamentos do Brasil com relação ao meio ambiente e alerta que o Sudeste brasileiro será a região mais afetada caso avance o desmatamento na Amazônia.
Araquém Alcântara
O professor Humberto Barbosa, doutor em ciências do solo e sensoriamento remoto pela Universidade do Arizona, afirma que o mundo está observando os posicionamentos do Brasil com relação ao meio ambiente e alerta que o Sudeste brasileiro será a região mais afetada caso avance o desmatamento na Amazônia.
O professor diz também que o semiárido nacional é o local com maior vulnerabilidade do planeta às mudanças globais e entende que um maior investimento em ciência por parte do governo federal é condição básica para se respeitar protocolos do clima.

A reportagem do portal Uol destaca que "Barbosa liderou o capítulo 4 [do relatório produzido pelo IPCC, órgão ligado à ONU], que aborda a questão da degradação da terra, e assinou o sumário executivo do relatório. Apesar de ter outros autores brasileiros, foi a primeira vez que um brasileiro liderou um capítulo de um relatório do IPCC. O documento foi concluído e divulgado em 08/08, após encontro de cientistas e delegados dos países em Genebra, na Suíça. Dos 195 países que compõem o painel, 52 estavam em Genebra".
A matéria ainda lembra que "o documento liderado pelo brasileiro faz parte de uma trinca de relatórios produzidos para embasar e apoiar o Acordo de Paris. O primeiro deles apontou uma alta 1,5ºC no aquecimento do planeta. O segundo foi aquele do qual Barbosa participou, sobre clima e terra". (brasil247)

Países ricos noticiam mudanças climáticas de forma diferente dos países pobres

PIB per capita é o indicativo mais forte.
Os veículos de notícia dos países ricos têm maior probabilidade de enquadrar a mudança climática como uma questão política interna, enquanto as dos países mais pobres relatam mais sobre desastres naturais e relações internacionais.
Os veículos de notícias dos países ricos noticiam a mudança climática de forma muito diferente das organizações de notícias dos países mais pobres, de acordo com 1 novo relatório — e isso não mudou muito com o passar do tempo, apesar de 1 olhar mais detalhado sobre como essas organizações divulgam o assunto mostrar pequenos sinais de progresso.
Em estudo publicado na edição de setembro da Global Environmental Change, pesquisadores da Universidade do Kansas e da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hanoi analisaram como a mídia em 45 países e territórios enquadrou as mudanças climáticas e como essa cobertura afetou fatores socioeconômicos e ambientais, como o PIB per capita, a frequência de desastres naturais, os níveis de emissão de dióxido de carbono e os níveis de liberdade de imprensa.
A amostra total incluiu 37.670 artigos jornalísticos, publicados de 2011 a 2015, de 84 publicações (geralmente jornais) em 4 idiomas (inglês, francês, espanhol e português). Os pesquisadores então classificaram o enquadramento de cada 1 dos artigos, atribuindo a cada, 1 dos sete quadros: Impacto Econômico, Política Doméstica / Impacto Regulatório, Evidência Científica, Progresso Social, Energia, Relações Internacionais e Impacto Natural.
Saiba o que eles encontraram:
— Eu teria pensado / esperado que a concepção da cobertura das mudanças climáticas mudasse com o tempo (tornando-se mais urgente?), mas isso não aconteceu, pelo menos durante os 4 anos abordados neste estudo: o enquadramento foi amplamente consistente durante o período. A urgência de cobertura da mudança climática continua sendo 1 problema nos Estados Unidos, e muitos jornais falham em cobrir o mínimo da temática.
Há alguns pontos positivos: o The Guardian, que tem uma presença expressiva nos EUA, anunciou este ano que está descartando o termo “mudança climática em favor de “emergência climática, crise ou colapso”. As publicações estão se unindo para cobrir as mudanças climáticas. A cobertura do assunto aumentou 20% nos EUA em 2018, de acordo com o Observatório de Mídia e Mudança Climática (MeCCO) da Universidade do Colorado – e alguns jornais dos EUA estão cobrindo mais o tema; do relatório da MeCCO para junho de 2019:
A cobertura nos EUA aumentou 5% na mídia impressa e quase 47% na televisão em comparação com o mês anterior. Quando esse aumento na cobertura dos veículos é desagregado, pode-se detectar 1 conjunto ligeiramente diferente de tendências. Estas mostram que, na verdade, a maioria desses aumentos se deve ao aumento da cobertura no The New York Times, seguido por aumentos na versão impressa do The Washington Post, e na cobertura da CNNFox News eMSNBC na televisão. Na verdade, esse aumento da cobertura da mudança climática na mídia norte-americana nos últimos meses está ocorrendo apesar da cobertura mais abundante nas principais organizações de notícias da rede americana de TV – ABC News, CBS NewsNBC News e PBS Newshour – junto com mídias impressas de prestígio dos EUA – The Wall Street Journal e USA Today.
— Quanto mais rica a nação, “mais provavelmente sua mídia retratará a mudança climática como questões de ciência e política interna… A imprensa dos países mais ricos é menos propensa a discutir a mudança climática a partir do impacto natural e dos ângulos das relações internacionais”. O PIB per capita foi o indicativo mais forte de como a mídia de 1 país conduziria sua cobertura.
Os meios de comunicação dos países mais ricos são mais propensos a enquadrar a mudança climática como uma questão de política interna. Isso, talvez, seja porque a voz dos céticos quanto a mudança do clima nos países mais ricos ganhou uma proeminência mais forte na mídia. Nesses países, a mudança climática é uma questão altamente contestada por inúmeros grupos, em seus esforços de politização da mudança climática, nos quais tentam influenciar a agenda midiática e a formulação de políticas. Além disso, as regras de relato equilibrado na mídia em alguns países democráticos pode ter obrigado os jornalistas a incluir vários pontos de vista sobre a mudança climática, afetando a percepção do público e dos tomadores de decisão sobre a mudança climática. Essas práticas de relato também oferecem uma possível explicação do motivo pelo qual os meios de comunicação nos países com PIB mais alto têm maior probabilidade de enquadrar a mudança climática como uma questão de política interna.
— A mídia em países que frequentemente sofrem com desastres naturais “tendem a enquadrar as mudanças climáticas através das lentes do impacto natural”; os países que tinham governos mais eficazes tinham menor probabilidade de enquadrar as mudanças climáticas à luz dos desastres naturais. Em junho de 2019, por exemplo, a MeCCO constatou que a cobertura da mudança climática na Índia aumentou 67% em relação ao mês anterior, devido em grande parte às ondas de calor recorde e à seca.
— O progresso social foi o quadro menos utilizado, com menos de 4% do conteúdo “dedicado a cobrir novos estilos de vida ou desenvolvimentos sociais relacionados à mudança climática“. (poder360)

domingo, 1 de setembro de 2019

Rio Voador de Fumaça e o Sínodo para a Amazônia

Em São Paulo, a noite caiu no meio da tarde. Às pesadas nuvem de chuva vinda com uma frente fria do sul juntou-se a fumaça – muita fumaça! – dos dias de queimadas muito densas, muitas amplas, em Rondônia e na Bolívia.
Um rio voador de fumaça cobriu o imenso território brasileiro. Ele percorreu exatamente o caminho dos rios voadores, feitos de vapor de água, que irrigam a maior parte do território brasileiro, chegando até a Argentina, Uruguai e Paraguai. É da Amazônia que vem as chuvas que abastecem grande parte de nosso território, que depois se armazenam nos aquíferos do Cerrado, mas que hoje estão sendo extintos pela devastação da Amazônia e do Cerrado.
Um fato grave e exemplar como esse deveria suscitar a reflexão e a inflexão que nos apavorassem nesse momento. Afinal, os estudos científicos – tão desprezados pelo atual governo -, nos alertam continuamente que sem a Amazônia, a região brasileira que vai de São Paulo até os demais países do Cone Sul, se transformará em deserto.
Pior, o rio voador de fumaça foi uma celebração planejada, isto é, os predadores do agronegócio decidiram celebrar a liberação do desmatamento com um dia de queimadas. E assim o fizeram. Somando com a fumaça que veio de outros países, transformou um dia de São Paulo em noite escura.
Esse é o Brasil do futuro e do presente. Sem Amazônia, grande parte do sul e sudeste brasileiros se transformará em deserto. Não adianta tentar camuflar essa realidade, ou amenizar, como fez a reportagem da Folha de São Paulo e o Jornal Nacional, dizendo que esse fenômeno acontece todos os anos. Sim, acontece desde que as queimadas passaram a acontecer nessa época, mas não é normal, não é natural, é um processo de devastação pelo fogo. Fato é que o desmatamento e as queimadas da Amazônia aumentaram exponencialmente no último governo, sem eximir de responsabilidade os que vieram antes dele.
O Sínodo para a Amazônia, que acontecerá de 06 até 27 de Outubro, em Roma, vai discutir com as igrejas dos nove países da região uma ecologia integral, capaz de preservar o bioma para o bem de seus povos, mas também para aqueles que se beneficiam de suas dádivas, mesmo morando fora da Amazônia, caso dos paulistas, catarinenses, paranaenses, gaúchos, argentinos, uruguaios, paraguaios, etc.
Preservar a Amazônia seria a lógica do bom senso, até para o instinto de sobrevivência do povo brasileiro. Mas, não é o caso. Estamos vivendo um momento em que a pior fumaça é a que queima os cérebros. (ecodebate)

Os 6 anos mais quentes do Antropoceno: 2014-2019

Na ausência de um ajuste significativo da maneira como bilhões de seres humanos vivem, partes da Terra provavelmente se tornarão próximas a inabitáveis e outras partes terrivelmente inóspitas, antes do final deste século” - David Wallace-Wells (09/07/2017).
O mundo tem apresentado temperaturas cada vez mais altas ao longo do tempo, sendo que a atual década tem batido todos os recordes das décadas anteriores. O aquecimento global é uma realidade inquestionável. Os 6 anos mais quentes do Antropoceno aconteceram entre 2014 e 2019.
O ano mais quente do século XX foi 1998, que apresentou uma temperatura 0,63ºC acima da média do século. Porém, nos anos seguintes houve redução da anomalia e somente em 2005 a temperatura bateu novo recorde, de 0,66ºC acima da média do século XX. Novo recorde aconteceu somente em 2010 com 0,70ºC. Em 2011 houve desaceleração do aquecimento global e a temperatura média de 0,58ºC (acima da média do século XX) ficou abaixo daquela apresentada em 1998. As temperaturas de 2012 e 213 ficaram abaixo dos valores de 2010.
Todavia, o quadro mudou radicalmente a partir de 2014, pois além de bater novo recorde com 0,74ºC, a temperatura média do referido ano passou a se constituir em um novo piso para a série histórica que começou em 1880. Em consequência, os 6 anos compreendidos entre 2014 e 2019 são os mais quentes já registrados. O gráfico abaixo mostra as variações diárias e mensais dos últimos 6 anos e aponta para a possibilidade de 2019 ser o segundo ano mais quente da série.
De fato, os meses de junho e julho foram os mais quentes já registrados, com variação de 0,95ºC, em relação à média do século XX, como mostra o gráfico abaixo. A Europa teve duas ondas recordes de calor em 2019, uma em junho e outra em julho. Diversas cidades tiveram temperaturas elevadas e nunca antes registradas. Portugal e outros países sofreram com os incêndios florestais. Nestes dois meses, vastas extensões de latitudes do norte da Terra ficaram em chamas. O clima quente tomou conta de uma enorme porção do Ártico, do Alasca à Groenlândia e à Sibéria. Isso ajudou a criar condições propícias para incêndios florestais. Alguns deles foram realmente enormes e queimaram de maneira singular e sem precedentes. Artigo de Crunden (15/07/2019) mostra que as mudanças climáticas estão agravando os incêndios florestais.
O gráfico abaixo, com dados da NOAA, mostra que, no período janeiro a julho, a temperatura mais alta aconteceu em 2016, com 1,1ºC acima da média do século XX. As outras duas marcas mais altas aconteceram em 2017 e 2019, ambas com uma anomalia de 0,95ºC acima da média do século XX, para os primeiros sete meses do ano. A linha de tendência mostra que a temperatura está subindo 0,21ºC por década no século XXI (quando estava subindo 0,08 C por década entre 1880 e 2019). Isto quer dizer que o aquecimento global está se acelerando e, no mínimo, vai subir 2ºC no atual século, mantida a tendência das duas últimas décadas. Mas o mais provável é um aquecimento cada vez mais intenso, como alerta o IPCC.
Mas apesar de todos os alertas, o mundo continua consumindo combustíveis fósseis, liberando metano na agropecuária e agravando o efeito estufa. Continua também desmatando e destruindo os ecossistemas. Assim, cresce a concentração de gases de efeito estufa e aumenta o nível de CO2 na atmosfera, que, em 2018, foi de 408,52 partes por milhão (ppm), e está aumentando em 2,4 ppm ao ano na atual década (mas pode passar de 3 ppm em 2019). Sendo que o nível seguro é 350 ppm.
Artigo de Matt McGrath, na BBC (24/07/2019) mostra que o alerta do IPCC sobre o prazo de “12 anos para salvar o planeta” se transformou em 18 meses. A necessidade de reduzir as emissões em 45% até 2030 para manter as temperaturas globais abaixo de 1,5ºC neste século se antecipou e agora o prazo é o final de 2020. A sensação de que o final do próximo ano é a última chance de mudança climática está se tornando mais clara o tempo todo. Com base em evidências científicas, ele escreve: “Acredito firmemente que os próximos 18 meses decidirão nossa capacidade de manter a mudança climática em níveis de sobrevivência e restaurar a natureza ao equilíbrio que precisamos para nossa sobrevivência“.
A velocidade do aquecimento global nunca foi tão rápida quanto é hoje e está afetando o planeta inteiro simultaneamente, pela primeira vez em, pelo menos, dois milênios. Uma pesquisa, publicada na revista Nature Geoscience (24/07/2019) reconstruiu a temperatura média da Terra nos últimos dois milênios, destacando a surpreendente taxa de aquecimento generalizado do nosso planeta no século passado e, em especial, nas últimas décadas.
Desta forma, se este quadro não começar a ser revertido urgentemente, o colapso ambiental pode se tornar inevitável. O aquecimento vai provocar o degelo do Ártico, da Antártida e da Groenlândia, elevando o nível dos oceanos, o que ameaça bilhões de pessoas que moram nas áreas costeiras. O aquecimento também deve provocar o degelo dos glaciares do Himalaia e o leste e o sul da Ásia, lar de bilhões de pessoas, vão sofrer com a falta de água. O aquecimento global é um dos elos fracos do Sistema Terra e pode provocar um grande desastre ecológico. No longo prazo, pode ser o apocalipse para todos os seres vivos do Planeta, incluindo a espécie que é culpada e vítima deste processo: a humanidade.
Como disse o cientista David Suzuki: “Se quisermos que a Terra permaneça habitável para os seres humanos e para outras formas de vida que nos tornam possíveis, devemos fazer escolhas difíceis, promover soluções e nos envolver mais politicamente” (04/08/2019). A Greve Global pelo Clima de 20 a 27 de setembro de 2019 é uma boa oportunidade para as pessoas se manifestarem.
Sem dúvida, cientistas de todo o mundo alertam para a situação de emergência climática. E como diz, acertadamente, a garota a ativista sueca Greta Thunberg: “Eu não quero que vocês estejam esperançosos. Eu quero que vocês estejam em pânico. Quero que vocês ajam como se a casa estivesse pegando fogo. Porque está!”. (ecodebate)

Ondas de calor e chuvas fortes duram mais com mudança climática

Ondas de calor e chuvas fortes podem durar mais com mudança climática.
Austríacos se refrescam em piscina pública em Viena.
Os países do hemisfério norte podem esperar ondas de calor mais longas no verão, além de mais dias consecutivos de chuvas fortes com consequências prejudiciais, se as metas acertadas internacionalmente para limitar o aquecimento global não forem cumpridas, alertaram cientistas em 19/08/19.
Um estudo publicado na revista Nature Climate Change disse que dias mais quentes do que a média seriam mais próximos um do outro se o mundo esquentasse 2ºC acima da época pré-industrial, prolongando a duração de futuros períodos quentes.
As temperaturas globais já subiram cerca de 1ºC e estão a caminho de um aumento de pelo menos 3ºC se os países reduzirem as emissões que afetam a mudança do clima em linha com os planos que fizeram até agora.
"Nosso estudo descobriu que se o mundo esquentar 2ºC acima dos níveis pré-industriais, poderemos ver uma mudança significativa nas condições do clima de verão a partir dos padrões que conhecemos hoje", disse o principal autor do grupo de pesquisa Climate Analytics e da Universidade Humboldt, Peter Pfleiderer.
"O clima extremo se tornaria mais persistente --períodos quentes e secos, bem como dias consecutivos de chuvas fortes, tudo ficaria mais longo."
Enquanto as ondas de calor e a seca se tornam mais extensas, os danos que elas causam à saúde, aos ecossistemas, à agricultura e à economia crescem "significativamente", disseram os cientistas, ao mesmo tempo que vários dias de chuvas fortes aumentam o risco de grandes inundações.
Em 2018, vários períodos de clima quente e seco, cada um com duração de semanas, contribuíram para as perdas de 15% do trigo da Alemanha, disseram.
E nos Estados Unidos, os últimos 12 meses foram os mais chuvosos já registrados, com as regiões centrais experimentando semanas de chuvas quase contínuas, inundando áreas de terras agrícolas.
Os pesquisadores descobriram que, se a temperatura subir 2ºC, a chance de períodos de calor que durem mais de duas semanas aumenta em 4% em comparação com a situação atual nas latitudes médias do norte, que incluem grande parte da Europa, América do Norte e Ásia Central e do Norte. (noticiasagricolas)

Maior temperatura do mar e o excesso de pesca afetam mercúrio nos peixes

Peixes contaminados por mercúrio: ameaça ao ambiente e à saúde.
Aumento da temperatura do mar e o excesso de pesca afetam os níveis de mercúrio nos peixes.
Adicionar outro item à lista cada vez maior dos impactos perigosos da mudança climática global: os oceanos aquecidos estão levando a um aumento do metilmercurio neurotóxico prejudicial em pescas populares, incluindo bacalhau, atum rabilho do Atlântico e espadarte, segundo pesquisa liderada pela Harvard. John A. Paulson Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas (SEAS) e da Escola de Saúde Pública Harv Chan TH (HSPH).
Os pesquisadores desenvolveram um modelo abrangente e abrangente que simula como os fatores ambientais, incluindo o aumento da temperatura do mar e a sobrepesca, afetam os níveis de metilmercúrio nos peixes. Os pesquisadores descobriram que, embora a regulamentação das emissões de mercúrio tenha reduzido com sucesso os níveis de metilmercúrio nos peixes, as temperaturas mais altas estão fazendo com que esses níveis voltem a subir e terão um papel importante nos níveis de metilmercúrio da vida marinha no futuro.
“Esta pesquisa é um grande avanço na compreensão de como e por que os predadores oceânicos, como o atum e o espadarte, estão acumulando mercúrio”, disse Elsie Sunderland, professor de Química Ambiental da SEAS e HSPH e principal autor do estudo.
Há muito se sabe que o metilmercúrio, um tipo de mercúrio orgânico, se bioacumula nas teias alimentares, ou seja, organismos no topo da cadeia alimentar têm níveis mais altos de metilmercúrio do que aqueles na parte inferior. Mas, para entender todos os fatores que influenciam o processo, você precisa entender como os peixes vivem.
Se você já teve um peixinho dourado, sabe que o peixe faz duas coisas: comer e nadar. O que comem, o quanto comem e quanto nadam afetam a quantidade de peixe de metilmercúrio que se acumula na natureza.
Vamos começar com o que os peixes comem.
Os pesquisadores coletaram e analisaram 30 anos de dados do ecossistema do Golfo do Maine, incluindo uma extensa análise do conteúdo estomacal de dois predadores marinhos, bacalhau do Atlântico e cações espinhosos dos anos 1970 a 2000.
Os pesquisadores modelaram os níveis de metilmercúrio em bacalhau com base em sua dieta e os resultados indicaram que os níveis foram 6 a 20 por cento menores em 1970 do que em 2000. Concentrações modeladas de metilmercúrio em cações espinhosas, no entanto, foram 33 a 61% maior em 1970 comparado com 2000 apesar de viver no mesmo ecossistema e ocupar um lugar semelhante na cadeia alimentar. O que explica essas diferenças?
Na década de 1970, o Golfo do Maine estava experimentando uma perda dramática na população de arenque devido à sobrepesca. Tanto o bacalhau como o espinhoso comem o arenque. Sem isso, cada um se voltou para um substituto diferente. Bacalhau com outros peixes pequenos, como sardinhas e sardinhas (arenque pequeno), que são baixos em metilmercúrio. O cação espinhoso, no entanto, substituiu o arenque por alimentos mais ricos em metilmercúrio como lulas e outros cefalópodes.
Quando a população de arenque se recuperou em 2000, o bacalhau voltou a ter uma dieta mais rica em metilmercúrio, enquanto o cação espinhoso reverteu para uma dieta mais baixa em metilmercúrio.
Redução do nível de oxigênio nos oceanos afeta e ameaça a vida marinha.
Há outro fator que afeta o que os peixes comem: o tamanho da boca.
Ao contrário dos humanos, os peixes não podem mastigar – então a maioria dos peixes só pode comer o que se encaixa na boca. No entanto, existem algumas exceções. Os cefalópodes capturam presas com seus tentáculos e usam seus bicos afiados para arrancar bocados.
“Sempre houve um problema na modelagem dos níveis de metilmercúrio em organismos como cefalópodes e espadarte porque eles não seguem padrões típicos de bioacumulação com base em seu tamanho”, disse Sunderland. “Seus padrões únicos de alimentação significam que eles podem comer presas maiores, o que significa que eles estão comendo coisas que bioacumulam mais metilmercúrio. Nós conseguimos representá-lo em nosso modelo.”
Mas o que os peixes comem não é a única coisa que afeta seus níveis de metilmercúrio.
Quando a Schartup estava desenvolvendo o modelo, ela estava tendo problemas para explicar os níveis de metilmercúrio no atum, que estão entre os mais altos de todos os peixes marinhos. Seu lugar no topo da cadeia alimentar é responsável por parte disso, mas não explica totalmente o quão altos são seus níveis. Schartup resolveu esse mistério com inspiração de uma fonte improvável: o nadador Michael Phelps.
“Eu estava assistindo os Jogos Olímpicos e os comentaristas de TV estavam falando sobre como Michael Phelps consome 12.000 calorias por dia durante a competição”, lembrou Schartup. “Eu pensei, isso é seis vezes mais calorias do que eu consumo. Se fôssemos peixes, ele seria exposto a seis vezes mais metilmercúrio do que eu.”
Acontece que os caçadores de alta velocidade e os peixes migratórios consomem muito mais energia do que outros peixes, o que requer que eles consumam mais calorias.
“Esses peixes do estilo Michael Phelps comem muito mais pelo seu tamanho, mas, porque eles nadam tanto, eles não têm um crescimento compensatório que dilui a carga corporal. Então, você pode modelar isso como uma função”, disse Schartup.
Outro fator que entra em jogo é a temperatura da água. À medida que as águas se aquecem, os peixes usam mais energia para nadar, o que requer mais calorias.
O Golfo do Maine é um dos corpos de água mais rápidos do mundo. Os pesquisadores descobriram que entre 2012 e 2017, os níveis de metilmercúrio no atum-rabilho do Atlântico aumentaram 3,5% ao ano, apesar da diminuição das emissões de mercúrio.
Com base em seu modelo, os pesquisadores preveem que um aumento de 1°C na temperatura da água do mar em relação ao ano 2000 levaria a um aumento de 32% nos níveis de metilmercúrio no bacalhau e um aumento de 70% no cação espinhoso.
O modelo permite que os pesquisadores simulem diferentes cenários de uma só vez. Por exemplo:
Um aumento de 1ºC na temperatura da água do mar e uma redução de 20% nas emissões de mercúrio resultam em aumentos nos níveis de metilmercúrio de 10% nos níveis de bacalhau e 20% nos cações espinhosas.
Um aumento de 1°C na temperatura da água do mar e um colapso na população de arenque resultam em um decréscimo de 10% nos níveis de metilmercúrio no bacalhau e um aumento de 70% nos cações espinhosas.
Uma redução de 20% nas emissões, sem alteração nos níveis de água do mar, diminui os níveis de metilmercúrio em bacalhau e cação espinhosa em 20%.
(ecodebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...