terça-feira, 1 de junho de 2021

Mourão promete reduzir desmatamento até julho

Mourão promete redução do desmatamento até julho de 2021.
Mourão diz que governo quer reduzir desmatamento até julho de 2021 para destravar Fundo Amazônia.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou na Live do Valor em 26/04/2021 que tem o objetivo de reduzir o desmatamento da Amazônia até julho, o que poderá destravar o Fundo Amazônia, financiado por Noruega e Alemanha.

“Estamos numa conversa com os doadores, Noruega e Alemanha, e estamos com o firme objetivo de chegar ao mês de julho e apresentar resultado positivo de redução do desmatamento e, consequentemente destravar esse fundo”, afirmou Mourão, que é presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal.

Mourão também defendeu que os recursos doados ao fundo por Noruega e Alemanha fiquem fora do teto de gastos. “Precisamos de uma concertação interna em termos orçamentários. Teremos que ter uma linha de ação que permita que doações não impactem no teto, fiquem fora do teto”, afirmou.

Ainda segundo o vice-presidente, é preciso recompor o orçamento do Ministério do Meio Ambiente retirando recursos de outras pastas.

No início da live, o vice-presidente disse que a Reunião da Cúpula dos Líderes pelo Clima, realizada na semana passada, transformou-se numa “grande carta de intenções” sobre sustentabilidade e meio ambiente. E considerou que o fato de o presidente Jair Bolsonaro ter tido oportunidade de falar após quase duas horas do início, quando o anfitrião do evento, o presidente dos EUA, Joe Biden, já não estava na sala virtual, não sinalizou descortesia com Brasil.

Fumaça sobe de incêndios florestais em Altamira, no Pará. A imagem é de agosto de 2019, mas os recordes de desmatamento seguem sendo batidos há 14 meses. (blogdacidadania)

Desmatamento para carne e soja dobrou no Brasil em um ano

A esmagadora maioria dos consumidores de Alemanha, França, Holanda e Reino Unido acha que os supermercados não devem fazer negócios com as empresas que estão impulsionando a destruição das florestas no Brasil.

ONG internacional inicia uma campanha para que as redes de supermercados da Europa cortem vínculos com empresas envolvidas na destruição da Amazônia e do Cerrado.

Um monitoramento feito pela ONG Mighty Earth e divulgado em 30/04/21 mostra que o desmatamento atrelado à cadeia de fornecimento das principais empresas de soja e carne bovina do Brasil dobrou entre abril/2020 e março/2021 (260 mil hectares) ante o período anterior, entre março/2019 e abril/2020 (128 mil hectares).

Ao mesmo tempo, a esmagadora maioria dos consumidores de Alemanha, França, Holanda e Reino Unido acha que os supermercados não devem fazer negócios com as empresas que estão impulsionando a destruição das florestas no Brasil, revela uma nova pesquisa do Instituto YouGov realizada a pedido da ONG Mighty Earth e também divulgada hoje.

A Mighty Earth está usando essas duas informações em uma nova campanha que pede expressamente que as redes varejistas da Europa parem de fazer negócios com empresas ligadas ao desmatamento no Brasil. Todos os anos, entre junho e setembro, os maiores comerciantes mundiais de soja unem forças com os maiores produtores de soja do Brasil para negociar contratos de compra para o próximo ano. A campanha tem o objetivo claro de influenciar as negociações sobre requisitos contratuais, como cláusulas que impedem a compra de soja cultivada em terras desmatadas após o prazo de 2020.

O monitoramento da Mighty Earth começou em março de 2019 e mostra que os dois maiores importadores europeus de soja, Bunge e Cargill, são os comerciantes com pior desempenho ambiental. A Cargill está ligada a mais de 66 mil hectares de desmatamento, uma área seis vezes maior do que a de Paris, enquanto a Bunge está ligada a quase 60 mil hectares de desmatamento.

Apesar desta espiral de desmatamento, houve apenas um caso em que uma das empresas citadas cortou laços com um fornecedor envolvido no desmatado, dos 235 casos registrados e reportados pelo Mighty Earth em seu monitoramento.

“A destruição das florestas no Brasil, impulsionada pela carne de supermercado, está piorando a cada ano. Isto está acelerando a mudança climática e dizimando a pátria da onça-pintada”, diz Martin Caldwell, Diretor da Mighty Earth na Alemanha.
Mercados: Alemanha e França

A pesquisa do Instituto YouGov entre os consumidores alemães indicou que 87% quer que os supermercados parem de fazer negócios com fornecedores que impulsionam o desmatamento no Brasil. Esse percentual é maior (89%) entre os clientes da EDEKA, o maior grupo de supermercados da Alemanha, com 24% de participação no mercado e mais de 4300 lojas. A empresa promove fortemente suas credenciais de sustentabilidade e estreou recentemente uma campanha publicitária sobre o tema na TV e nas redes sociais.

“Já é hora de a EDEKA ouvir seus clientes e abandonar as empresas de pior desempenho que estão provocando a destruição das florestas brasileiras – JBS, Cargill e Bunge”, afirma Caldwell. “A hora de impulsionar a mudança no Brasil é agora.”

Na França, o resultado é semelhante: 89% dos clientes do Carrefour no país querem que a rede deixe de comprar produtos com origem no desmatamento praticado no Brasil. No ano passado, o Carrefour liderou uma campanha voluntária neste setor que resultou em todos os grandes supermercados franceses se comprometendo a utilizar somente soja sem desmatamento em suas cadeias de abastecimento.

Após 6 meses o Carrefour não fez nenhum progresso significativo na redução de suas ligações com os comerciantes de soja de pior desempenho Cargill e Bunge, e está falhando em conduzir mudanças reais no terreno, afirma a Mighty Earth.

JEDEKA assumiu fortes compromissos para remover o desmatamento em todas as suas cadeias de abastecimento, mas em seu relatório de 2019, a empresa alemã admite que houve pouco progresso para melhorar a sustentabilidade de suas cadeias de abastecimento de carne e soja. Apesar disso, a varejista alemã, ainda não excluiu os comerciantes de soja de pior desempenho, que são a Cargill e a Bunge.

“Os consumidores estão preocupados, pois não suportam mais o gosto residual do desmatamento e a extinção de espécies ameaçadas que a carne comprada nas lojas do grupo Carrefour deixa”, afirma Fatah Sadaoui, Campaigner da ONG SumOfUs. “Em resumo, o que esperamos do Carrefour é menos conversa e mais ação”. (ecodebate)

Humanos alteraram biodiversidade do planeta

Os humanos alteraram significativamente a biodiversidade em todo planeta.
Paisagem de pastagem no Pico, a segunda maior ilha dos Açores.

Em quase todos os lugares, a chegada dos humanos desencadeou uma mudança acentuadamente acelerada na composição das espécies em ecossistemas antes intocados.

Os humanos alteraram significativamente a biodiversidade em todas as zonas climáticas da Terra. Isso foi demonstrado por um estudo agora publicado na “Science“. Liderada pelo Prof. Dr. Manuel Steinbauer da Universidade de Bayreuth e pela Dra. Sandra Nogué da Universidade de Southampton, uma equipe internacional investigou como a flora em 27 ilhas em diferentes regiões se desenvolveu nos últimos 5.000 anos.

Em quase todos os lugares, a chegada dos humanos desencadeou uma mudança acentuadamente acelerada na composição das espécies em ecossistemas antes intocados. Essa dinâmica foi particularmente pronunciada nas ilhas colonizadas nos últimos 1.500 anos.

As 27 ilhas selecionadas para este estudo nunca foram conectadas ao continente e foram colonizadas por humanos durante o período de estudo. Dentro dessas ilhas, o pólen das plantas polinizadas pelo vento está desde milênios depositado nos sedimentos de lagos e pântanos. O pólen foi extraído das camadas de sedimentos, datado e identificado para uma respectiva espécie de planta.

“Para cada uma das 27 ilhas, nosso estudo mostra como a composição da vegetação mudou nos últimos 5.000 anos. A colonização humana das ilhas antes não perturbadas ocorre nesse período. Portanto, podemos rastrear como os sistemas naturais mudam como resultado da chegada do homem. Essa transformação de um sistema natural para um sistema dominado pelo homem só pode ser observada em ilhas. Nos continentes, os humanos vêm mudando extensivamente os sistemas ecológicos há muito tempo. Como seria um ecossistema natural aqui, muitas vezes não podemos mais dizer”, diz Steinbauer.

Os pesquisadores compararam os dados obtidos por meio de análises de pólen com achados arqueológicos que fornecem informações sobre quando as ilhas foram colonizadas pela primeira vez por humanos. O resultado fornece uma mensagem clara. Em 24 das 27 ilhas estudadas, a chegada do homem marcou uma virada na renovação da vegetação. Desse ponto em diante, a vegetação mudou a uma taxa significativamente mais alta, sua taxa de mudança foi acelerada por um fator de onze. A composição das espécies mudou especialmente em ilhas que foram colonizadas nos últimos 1.500 anos, como as Ilhas Galápagos e a Ilha Robinson Crusoe, ao largo do Chile. Se, por outro lado, o primeiro povoamento ocorreu há mais tempo, o aumento da taxa de rotatividade das espécies foi menos pronunciado. Os autores atribuem essa diferença a um crescente conhecimento técnico da agricultura e aos efeitos associados sobre a biodiversidade. Além disso, como resultado de sua crescente mobilidade, as pessoas podem ter introduzido espécies de plantas do continente, competindo com as espécies nativas nas ilhas.

“Os resultados do estudo destacam as extensas mudanças que nós, humanos, estamos causando nos sistemas ecológicos. A mudança na composição do pólen em nosso estudo reflete principalmente o uso da terra pelo homem ao longo de milênios. Com o início da era industrial, a transformação induzida pelo homem nos sistemas ecológicos se acelerou Além disso, os sistemas ecológicos são agora afetados adicionalmente pelas mudanças climáticas induzidas pelo homem”, explica o Prof. Dr. Manuel Steinbauer, autor correspondente do estudo.

Prof. Dr. Manuel Steinbauer é membro do Centro Bayreuth para Ecologia e Pesquisa Ambiental (BayCEER), centro de pesquisa da Universidade de Bayreuth, e tem trabalhado aqui por vários anos com as influências humanas nos sistemas ecológicos. No contexto está liderando um projeto da DFG (Fundação Alemã de Pesquisa) que investiga como as mudanças climáticas de períodos geológicos influenciaram o risco de extinção de espécies.

Brasil desperdiça o potencial de sua biodiversidade, um ativo único e inigualável.

Benefícios são muitos, porém pouco aproveitados e muito ameaçados, segundo documento preparado por 85 pesquisadores brasileiros. (ecodebate)

Amazônia brasileira liberou mais carbono do que armazenou

 Amazônia brasileira liberou mais carbono do que armazenou na década de 2010.
A floresta amazônica brasileira liberou mais carbono do que armazenou na última década – sendo a degradação uma causa maior do que o desmatamento – de acordo com novas pesquisas.

Mais de 60% da floresta amazônica está no Brasil, e o novo estudo usou o monitoramento por satélite para medir o armazenamento de carbono de 2010/2019.

O estudo descobriu que a degradação (partes da floresta sendo danificadas, mas não destruídas) foi responsável por três vezes mais perda de carbono do que o desmatamento.

A equipe de pesquisa – incluindo o INRAE, a Universidade de Oklahoma e a Universidade de Exeter – disse que grandes áreas de floresta tropical foram degradadas ou destruídas devido à atividade humana e às mudanças climáticas, levando à perda de carbono.

Os resultados, publicados na Nature Climate Change, também mostram um aumento significativo no desmatamento em 2019 – 3,9 milhões de hectares em comparação com cerca de 1 milhão por ano em 2017 e 2018 – possivelmente devido ao enfraquecimento da proteção ambiental no Brasil.

O professor Stephen Sitch, do Global Systems Institute de Exeter, disse: “A Amazônia brasileira como um todo perdeu parte de sua biomassa e, portanto, liberou carbono.

Amazônia brasileira emitiu mais carbono que absorveu nos últimos 10 anos.

Equipe internacional de pesquisadores descobriu que o desmatamento quase quadruplicou em 2019.

“Todos nós sabemos a importância do desmatamento da Amazônia para as mudanças climáticas globais”.

“Ainda assim, nosso estudo mostra como as emissões dos processos de degradação florestal associados podem ser ainda maiores”.

“A degradação é uma ameaça generalizada à integridade futura da floresta e requer atenção de pesquisa urgente.”

A degradação está ligada ao desmatamento, especialmente em porções enfraquecidas de uma floresta perto de zonas desmatadas, mas também é causada por derrubada de árvores e incêndios florestais.

Eventos climáticos, como secas, aumentam ainda mais a mortalidade de árvores.

Essa degradação pode ser difícil de rastrear, mas a equipe de pesquisa usou o índice de vegetação de satélite L-VOD desenvolvido por cientistas do INRAE, CEA e CNRS.

Usando esse índice e uma nova técnica de monitoramento do desmatamento desenvolvida pela Universidade de Oklahoma, o estudo avaliou as mudanças nos estoques de carbono florestal.

Uma mudança de governo no Brasil em 2019 trouxe um declínio acentuado na proteção ambiental do país.

Os 3,9 milhões de hectares de desmatamento naquele ano são 30% a mais do que em 2015, quando as secas extremas do El Niño levaram ao aumento da mortalidade de árvores e incêndios florestais. No entanto, o estudo mostra que as perdas de carbono em 2015 foram maiores do que em 2019.

A floresta amazônica do Brasil emite mais CO2 do que absorveu na última década.

Mostra impacto dramático que degradação pode ter na biomassa geral e no armazenamento de carbono na floresta tropical. (ecodebate)

RenovaBio busca reduzir uso do petróleo

A matriz de transportes brasileira não é a atividade que representa a maior fonte de emissão de gases do efeito estufa (GEE) na atmosfera, mas com certeza ela tem muita visibilidade para a sociedade e, portanto, recebe muitas cobranças para apresentar soluções de mitigação. A substituição de combustíveis fósseis por alternativas mais sustentáveis tornou-se a grande contribuição que o segmento pode oferecer para que o País atinja as metas do Acordo de Paris – fora do setor, o desmatamento é outro ponto crucial, como ficou evidente na reunião de líderes organizada por Joe Biden há uma semana. E a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), cuja operação plena completou um ano em 27 de abril, é a grande aposta na área específica de transportes.

Data marcou o começo do registro dos créditos de descarbonização (CBios) no mercado de balcão da Bolsa brasileira B3, dando o pontapé inicial para o primeiro mercado regulado de carbono do Brasil. Criação desse ambiente de comercialização (funcionamento do programa) fechou o tripé da lei que criou o RenovaBio em 2017, que inclui ainda a estipulação de metas de redução de emissões para distribuidoras e importadoras de combustíveis fósseis e a certificação pela ANP das produtoras de biocombustíveis.

“O balanço desse primeiro ano do RenovaBio é positivo, apesar das dificuldades de colocar de pé um programa dessa envergadura, que é o maior em descarbonização da matriz de transportes no mundo”, afirma Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Segundo dados do Ministério de Minas e Energia (MME), foram emitidos 18,5 milhões de CBios e negociados 14,8 milhões de créditos, o equivalente a 98% da meta para o ano.

Isso ocorreu num momento particularmente turbulento, com a pandemia causando uma redução no consumo que obrigou a um corte nas metas originais. Problemas relacionados à demora na oferta real dos títulos registrados geraram um estresse entre as partes envolvidas e os preços deram uma disparada num período, gerando queixas dos distribuidores. A BrasilCom, entidade que reúne pequenos distribuidores, chegou a entrar na Justiça contra o que considerou uma negociação desigual.

Gussi reconhece que houve necessidade de ajustes nos processos de comercialização, mas comemora o fato de que as queixas não tiveram como alvo a estrutura ou o conceito do programa. “Nenhuma ação questionou as bases, como o programa de certificação, a organização da ANP, ou os papéis da Receita Federal ou dos sistemas do Serpro, por exemplo”, afirma.

Para 2021, a meta de geração de CBios foi fixada em 24,86 milhões de créditos e quase 50% da comercialização já havia sido atingida no início de abril.

Gussi conta que está em negociação com a B3 para que se aproximem do modelo de concorrência perfeita no mercado de CBios, ao agregar outros investidores. Como está hoje, o modelo concentra as compras em quatro empresas: BR Distribuidora, Ipiranga, Raízen e Alesat ficam com 68% dos créditos.

Oportunidades

O presidente da Unica vê no programa uma grande chance de transformar a sustentabilidade em negócio. “Além de ajudar a reduzir as emissões pela substituição de combustíveis, quando vou medir a pegada de carbono em cada passo da cadeia (para a certificação) encontro oportunidades de redução, como trocar os adubos nitrogenados no plantio ou o uso de diesel no transporte. Essas oportunidades trazem mais eficiência”, afirma Gussi.

Na outra ponta do mercado de créditos, Valéria Amoroso Lima, diretora de Downstream do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), também elogia o RenovaBio, embora avalie que ele precisa de alguns ajustes e inovações. “Sabemos que a descarbonização é um caminho sem volta e que não existe um modelo que seja padrão para todos os países”, comenta. Ela considera que a matriz de transportes é uma das mais difíceis de se descarbonizar porque os combustíveis fósseis são os mais eficientes e baratos há mais de um século. O petróleo, por exemplo, ainda responde por 90% do consumo total de combustíveis no mundo.

A diretora do IBP diz que o RenovaBio é uma iniciativa importante que se encaixa em projetos globais de elevar a oferta de biocombustíveis na economia, mas que precisa inserir atualizações tecnológicas. “Nosso biodiesel hoje é de base éster, mas há novas tecnologias mais avançadas, como o biodiesel de hidrogênio. O diesel verde é uma molécula igual à do diesel fóssil, sem o problema da qualidade. A regulamentação precisa incluir esse biodiesel avançado”, sugere.

No planejamento global, no entanto, as apostas continuam a recair sobre o etanol de cana e o biodiesel. No último relatório de perspectivas para os próximos 10 anos da OCDE/FAO, a previsão é que os biocombustíveis aumentem sua participação no uso global da cana-de-açúcar para cerca de 25% em 2029, em comparação com 23% estimados em 2020. Esse aumento é atribuído exatamente à expansão planejada do RenovaBio brasileiro. (RL)

Oferta baixa de CBios elevou preço

Nem tudo foram flores no início das negociações de CBios na B3 em 2020. A Associação das Distribuidoras de Combustíveis (BrasilCom), que representa mais de 40 distribuidoras regionais, obteve uma liminar na Justiça Federal em novembro para que suas associadas cumprissem apenas 50% das metas de compras dos créditos de descarbonização.

Segundo Sergio Massillon, diretor institucional da entidade, a BrasilCom queria com a medida mostrar a preocupação com a efetiva disponibilidade de CBios para compra e a resultante elevação dos preços de comercialização. “Apesar de os produtores informarem o cadastro de milhares de certificados, o desequilíbrio existente entre a obrigação das distribuidoras de adquirir os títulos e a dos emissores de efetivamente autorizar a sua venda resultou em um aumento excessivo dos preços”, lembra.

De fato, a indisponibilidade de CBios durante um período levou o preço do título a mais de R$ 60 em meados de outubro, ante R$ 19 originais. O preço médio no ano foi de R$ 43.

O Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), que representa as grandes distribuidoras e que não entrou na Justiça no ano passado, compartilha dessas preocupações. “Precisamos de mecanismos para evitar que o preço se descole da realidade”, afirma Valéria Amoroso Lima, diretora de Downstream do IBP.

Ela lembra que, em alguns momentos do ano passado, a oferta de CBios foi insuficiente para que as empresas de distribuição pudessem cumprir suas metas. “Se não tiver oferta suficiente, como elas vão comprar? Se o preço subir muito, é um custo extra que vai parar no produto final. Não pode ter esse desequilíbrio que afete a demanda”, adverte.
Massillon vai além e diz que, como o programa se apresenta hoje, “nada mais é que um processo de transferência de renda dos consumidores para os produtores de biocombustíveis, sem gerar incentivos às novidades tecnológicas como são o diesel verde da Petrobras e o HVO”. (biodieselbr)

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Queimadas na Amazônia aumentam problemas respiratórios

Brasil gastou em 10 anos quase R$ 1 bilhão com doenças respiratórias causadas pela fumaça das queimadas na região amazônica.

A associação da pandemia com as queimadas pode ter agravado a situação de saúde da população da Amazônia legal.

Estudo da Fiocruz e do WWF-Brasil aponta que as queimadas na Amazônia foram responsáveis pela elevação dos percentuais de internações hospitalares por problemas respiratórios nos últimos 10 anos (2010-2020) nos estados com maiores números de focos de calor: Pará, Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Acre. Estas internações custaram quase 1 bilhão aos cofres públicos. O levantamento aponta ainda que a associação da situação da pandemia com as queimadas florestais na Amazônia pode ter agravado a situação de saúde da população da Amazônia legal, pois os poluentes oriundos das queimadas podem causar uma resposta inflamatória persistente e, assim, aumentar o risco de infecção por vírus que atingem o trato respiratório.

O estudo mostra que mesmo com a possível subnotificação, por conta de inconsistências na base de dados do DataSUS, os valores diários de poluentes são extremamente elevados e contribuíram para aumentar em até duas vezes o risco de hospitalização por doenças respiratórias atribuíveis à concentração de partículas respiráveis e  inaláveis finas (fumaça) nos estados analisados.

No Amazonas, 87% das internações hospitalares no período analisado estão relacionadas às altas concentrações de fumaça (partículas respiráveis e inaláveis). O percentual foi de 68% no Pará, de 70% em Mato Grosso e de 70% em Rondônia.  Já as doenças respiratórias associadas às altas concentrações de partículas de poluentes emitidas pelas queimadas respondem por 70% das internações hospitalares registradas no Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas.

Queimadas na Amazônia aumentam problemas respiratórios em meio à pandemia de Covid-19.

"A soma da Covid com queimadas é a tempestade perfeita para termos um pico de morte por causa de problemas respiratórios", afirma pesquisadora.

A pesquisadora Sandra Hacon, da Ensp/Fiocruz, afirma que embora os percentuais de internação hospitalar por doenças respiratórias na região tenham se mantido estáveis entre 2010 e 2020, uma parte considerável dessas internações podem ser atribuídas às concentrações de partículas respiráveis finas e inaláveis emitidas por incêndios florestais. “As micropartículas que compõem a fumaça ficam depositadas nas cavidades dos pulmões, agravando os problemas respiratórios”. Elas são um fator de risco para pessoas que já possuem comorbidades.

“Vemos um impacto à saúde e perda da qualidade de bem-estar das pessoas, além do elevado custo econômico das doenças respiratórias para o SUS”, explica. “A fragilização do sistema respiratório é extremamente preocupante no atual cenário de uma pandemia que também causa problemas respiratórios”. “Essa sobreposição sugere que a região da Amazônia legal tenderá a ter seu sistema de saúde pressionado, já que as queimadas são mais intensas nos meses de seca, que se iniciam dentro de poucas semanas”, alerta. Importante salientar que em 2020 o Brasil alcançou o maior número de queimadas na década. Segundo o INPE/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais a floresta amazônica registrou 103.161 focos ante 89.171 em 2019, aumento de 15,7%. Essa tendência contínua de destruição impacta diretamente não só na saúde das pessoas, mas em todo o ecossistema, que sofre todos os anos durante o ciclo das queimadas intensificado no período de seca, ressalta Edegar de Oliveira, diretor de Conservação e Restauração do WWF-Brasil. Ele aponta que “as queimadas fazem parte da dinâmica de destruição da Amazônia”. Áreas desmatadas são posteriormente queimadas para “limpar” o terreno, abrindo espaço para a pastagem, a agricultura ou a simples especulação fundiária.

A temporada das queimadas amazônica esta chegando, Amazônia novamente estará Chamas: Fumaça das queimadas aumenta doenças respiratórias.

A poluição no ar de monóxido de carbono e dióxido de nitrogênio agrava o quadro de saúde de pessoas infectadas pelo coronavírus.

“A associação entre o desmatamento, queimadas e degradação da floresta traz um custo muito alto para todos nós, especialmente para os povos da floresta, e para o clima do planeta”, afirma. O Estudo traz algumas recomendações para o poder público:

– Os sistemas oficiais de vigilância e monitoramento em saúde precisam de evolução e melhorias sistemáticas, especialmente aqueles direcionados às populações indígenas da Amazônia;

– Políticas consistentes de redução do desmatamento e queimadas na Amazônia são críticas e imediatas, pois o combate ao desmatamento e à degradação do bioma amazônico é fundamental para a garantia de direitos básicos das populações locais, como acesso à saúde e um ambiente saudável e sustentável;

– Desenvolvimento e implementação de programas de vigilância epidemiológica e ambiental efetivos, direcionados à população amazônica exposta aos incêndios florestais, principalmente os grupos mais vulneráveis, como gestantes, crianças, idosos, e aquelas pessoas que apresentam comorbidades precisam de atenção dedicada;

– Necessidade iminente de esforço preventivo no controle de zoonoses, pois os custos associados aos esforços preventivos são substancialmente menores, comparados com os custos econômicos, sociais e de saúde no controle de potenciais epidemias e ou pandemias.

Queimadas na Amazônia aumentam internações.

Metodologia do estudo

Foi analisada a relação das tendências da morbidade hospitalar (a taxa de internações registradas em hospitais) por doenças do aparelho respiratório no período de 2010 a 2020 e as concentrações estimadas de emissões de partículas respiráveis finas (PM2,5), presentes na fumaça de incêndios florestais no mesmo período, investigando os potenciais impactos à saúde nos estados com os maiores registros de focos de calor provenientes das queimadas na Amazônia Brasileira, segundo o INPE – Pará, Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Acre, que apresentaram  maior número de focos de queimadas registrados no período analisado – 2010-2020.

O estudo observou as séries temporais diárias de morbidade hospitalar por doenças do aparelho respiratório obtidas no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), pelo Sistema de Informação sobre internação hospitalar/SIH e analisados por dia, mês e ano no período de 1º de janeiro de 2010 a 31 de outubro de 2020, segundo a unidade de federação de residência. As internações hospitalares por doenças respiratórias relacionadas ao COVID-19 para cálculo da tendência retrospectiva foram excluídas. Portanto, as internações hospitalares derivadas do COVID-19, não entraram no conjunto das causas de hospitalizações.

Os pesquisadores selecionaram informações referentes ao valor em R$ gasto com as hospitalizações de baixa e alta complexidade (Unidades de Terapia Intensiva – UTI) por doenças do aparelho respiratório para estimativa do custo econômico em saúde dessas hospitalizações que pudesse ser atribuível à poluição decorrente das queimadas.

As estimativas de concentração do material particulado (PM2,5) foram obtidas por meio de dados de satélite da NASA, com as informações de profundidade óptica de aerossóis (Aerosol Optical Depth – AOD) convertidas por modelagem matemática em estimativas de concentração de PM2,5 e disponibilizadas para acesso público pelo Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS), que é o mais recente conjunto de dados de reanálise global de composição atmosférica produzida pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).

Começa a temporada em que a Amazônia estará queimando, mais uma vez floresta estará em chamas! (ecodebate)

Indicadores e impactos das mudanças climáticas pioraram em 2020

2020 foi um dos três anos mais quentes já registrados, apesar do resfriamento do La Niña; Condições meteorológicas extremas e COVID-19 combinados em um golpe duplo.
Condições meteorológicas extremas combinadas com COVID-19 em um golpe duplo para milhões de pessoas em 2020. No entanto, a desaceleração econômica relacionada à pandemia não conseguiu travar os impulsionadores das mudanças climáticas e acelerar os impactos, de acordo com um novo relatório compilado pela Organização Meteorológica Mundial/OMM e uma extensa rede de parceiros.

O relatório sobre o Estado do Clima Global 2020 documenta indicadores do sistema climático, incluindo concentrações de gases de efeito estufa, aumento da temperatura da terra e do oceano, aumento do nível do mar, derretimento do gelo e recuo das geleiras e condições meteorológicas extremas. Também destaca os impactos no desenvolvimento socioeconômico, migração e deslocamento, segurança alimentar e ecossistemas terrestres e marinhos.

2020 foi um dos três anos mais quentes já registrados, apesar de um evento refrescante de La Niña. A temperatura média global era cerca de 1,2°C acima do nível pré-industrial (1850-1900). Os 6 anos desde 2015 foram os mais calorosos já registrados. 2011-2020 foi a década mais quente já registrada.

“Já se passaram 28 anos desde que a Organização Meteorológica Mundial emitiu o primeiro relatório do estado do clima em 1993, devido às preocupações levantadas na época sobre as mudanças climáticas projetadas. Embora a compreensão do sistema climático e da capacidade de computação tenham aumentado desde então, a mensagem básica permanece a mesma e agora temos mais 28 anos de dados que mostram aumentos significativos de temperatura na terra e no mar, bem como outras mudanças como aumento do nível do mar, derretimento de gelo marinho e geleiras e mudanças nos padrões de precipitação. Isso ressalta a robustez da ciência do clima com base nas leis físicas que regem o comportamento do sistema climático ”, disse o Secretário-Geral da OMM, Prof. Petteri Taalas.

“Todos os indicadores-chave do clima e as informações de impacto associadas fornecidas neste relatório destacam a mudança climática implacável e contínua, uma ocorrência e intensificação cada vez maior de eventos extremos e perdas e danos graves, afetando pessoas, sociedades e economias. A tendência negativa do clima continuará nas próximas décadas, independentemente de nosso sucesso na mitigação. Portanto, é importante investir em adaptação. Uma das formas mais poderosas de adaptação é investir em serviços de alerta precoce e redes de observação do tempo. Vários países menos desenvolvidos têm grandes lacunas em seus sistemas de observação e carecem de serviços meteorológicos, climáticos e de água de última geração”, disse o Prof. Taalas.

O Prof. Taalas juntou-se ao Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, no lançamento do relatório principal da OMM em uma conferência de imprensa em 19 de abril. Ele vem antes da Cúpula Virtual de Líderes sobre Clima de 22 e 23 de abril, convocada pelos Estados Unidos da América. O presidente Biden está buscando galvanizar os esforços das principais economias para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e cumprir as metas do Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas para manter o aumento da temperatura bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais até o final do século, e a 1,5°C, se possível.

“Este relatório mostra que não temos tempo a perder. O clima está mudando e os impactos já são muito caros para as pessoas e para o planeta. Este é o ano de ação. Os países precisam se comprometer com emissões líquidas zero até 2050. Eles precisam apresentar, bem antes da COP26 em Glasgow, planos climáticos nacionais ambiciosos que reduzirão coletivamente as emissões globais em 45% em comparação com os níveis de 2010 até 2030. E eles precisam agir agora para proteger as pessoas contra os efeitos desastrosos das mudanças climáticas”, disse o Secretário-Geral da ONU.

Em 2020, o COVID-19 adicionou uma dimensão nova e indesejável aos perigos relacionados ao clima, ao clima e à água, com impactos combinados de amplo alcance na saúde e no bem-estar humanos. Restrições de mobilidade, crises econômicas e interrupções no setor agrícola exacerbaram os efeitos de eventos climáticos e meteorológicos extremos ao longo de toda a cadeia de abastecimento alimentar, elevando os níveis de insegurança alimentar e retardando a entrega de assistência humanitária. A pandemia também interrompeu as observações meteorológicas e complicou os esforços de redução do risco de desastres.

O relatório ilustra como as mudanças climáticas representam um risco para o cumprimento de muitos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, por meio de uma cadeia em cascata de eventos inter-relacionados. Isso pode contribuir para reforçar ou agravar as desigualdades existentes. Além disso, existe o potencial para ciclos de feedback que ameaçam perpetuar o ciclo vicioso das mudanças climáticas.

As informações usadas neste relatório são obtidas de um grande número de Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais e instituições associadas, bem como Centros Climáticos Regionais. Os parceiros da ONU incluem a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura/FAO, o Fundo Monetário Internacional/FMI, a Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO/IOC-UNESCO, a Organização Internacional para as Migrações/IOM, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente/UNEP, Alto Comissariado da ONU para os Refugiados/ACNUR, o Programa Alimentar Mundial/PAM e da Organização Mundial de Saúde.

Ele atualiza uma versão provisória lançada em dezembro/2020 e é acompanhado por um mapa da história sobre indicadores climáticos globais.

Gases de efeito estufa

As concentrações dos principais gases de efeito estufa continuaram a aumentar em 2019 e 2020. As frações molares médias globais de dióxido de carbono/CO2 já ultrapassaram 410 partes por milhão (ppm), e se a concentração de CO2 seguir o mesmo padrão dos anos anteriores, poderia atingir ou ultrapassar 414 ppm em 2021, de acordo com o relatório. A desaceleração econômica reduziu temporariamente as novas emissões de gases de efeito estufa, de acordo com o PNUMA, mas não teve impacto perceptível nas concentrações atmosféricas.

O oceano

O oceano absorve cerca de 23% das emissões anuais de CO2 antropogênico para a atmosfera e atua como um amortecedor contra as mudanças climáticas. No entanto, o CO2 reage com a água do mar, baixando seu pH e levando à acidificação do oceano. Isso, por sua vez, reduz sua capacidade de absorver CO2 da atmosfera. A acidificação e desoxigenação dos oceanos continuaram, impactando os ecossistemas, a vida marinha e a pesca, de acordo com o IOC-UNESCO.

O oceano também absorve mais de 90% do excesso de calor das atividades humanas. 2019 viu o maior conteúdo de calor oceânico já registrado e essa tendência provavelmente continuou em 2020. A taxa de aquecimento dos oceanos na última década foi maior do que a média de longo prazo, indicando uma absorção contínua de calor aprisionado pelos gases de efeito estufa, de acordo com o Serviço marítimo Copernicus da UE.

Mais de 80% da área do oceano experimentou pelo menos uma onda de calor marinha em 2020. Porcentagem do oceano que experimentou ondas de calor marinho “fortes” (45%) foi maior do que aquela que experimentou ondas de calor marinho “moderadas” (28%).

O nível médio global do mar aumentou ao longo do registro do altímetro do satélite (desde 1993). Recentemente, tem aumentado a uma taxa mais elevada, em parte devido ao aumento do derretimento das camadas de gelo na Groenlândia e na Antártica. Uma pequena queda no nível médio global do mar no verão de 2020 foi provavelmente associada ao desenvolvimento das condições de La Niña. No geral, o nível médio do mar global continuou a aumentar em 2020.

A criosfera

 Desde meados da década de 1980, as temperaturas do ar da superfície do Ártico aqueceram pelo menos duas vezes mais rápido que a média global. Isso tem implicações potencialmente grandes não apenas para os ecossistemas árticos, mas também para o clima global por meio de vários feedbacks, como o degelo do permafrost liberando metano na atmosfera.

A extensão mínima do gelo marinho do Ártico em 2020 após o derretimento do verão foi 3,74 milhões de km2, marcando apenas a segunda vez registrada que encolheu para menos de 4 milhões de km2. Extensões recordes de gelo marinho foram observadas nos meses de julho e outubro. As altas temperaturas recordes ao norte do Círculo Polar Ártico na Sibéria desencadearam uma aceleração do derretimento do gelo marinho nos mares da Sibéria Oriental e de Laptev, que viram uma onda de calor marinha prolongada. O recuo do gelo marinho durante o verão de 2020 no Mar de Laptev foi o mais antigo observado na era dos satélites.

O manto de gelo da Groenlândia continuou a perder massa. Embora o balanço de massa da superfície estivesse próximo da média de longo prazo, a perda de gelo devido ao surgimento do iceberg foi no ponto mais alto do recorde de satélite de 40 anos. No total, aproximadamente 152 Gt de gelo foram perdidos do manto de gelo da Groenlândia entre setembro de 2019 e agosto de 2020.

A extensão do gelo marinho da Antártica permaneceu perto da média de longo prazo. No entanto, o manto de gelo da Antártica exibiu uma forte tendência de perda de massa desde o final da década de 1990. Essa tendência se acelerou por volta de 2005 e, atualmente, a Antártica perde aproximadamente 175 a 225 Gt por ano, devido ao aumento das taxas de fluxo das principais geleiras na Antártica Ocidental e na Península Antártica.

Uma perda de 200 Gt de gelo por ano corresponde a cerca de duas vezes a vazão anual do rio Reno na Europa.
Inundações e secas

Chuvas fortes e inundações extensas ocorreram em grandes partes da África e da Ásia em 2020. Chuvas fortes e inundações afetaram grande parte do Sahel e do Grande Chifre da África, provocando um surto de gafanhotos no deserto. O subcontinente indiano e áreas vizinhas, China, República da Coréia e Japão, e partes do Sudeste Asiático também receberam chuvas anormalmente altas em várias épocas do ano.

A seca severa afetou muitas partes do interior da América do Sul em 2020, sendo as áreas mais afetadas o norte da Argentina, o Paraguai e as áreas da fronteira oeste do Brasil. As perdas agrícolas estimadas foram de cerca de US $ 3 bilhões no Brasil, com perdas adicionais na Argentina, Uruguai e Paraguai.

A seca de longo prazo continuou a persistir em partes do sul da África, particularmente nas províncias do Cabo Setentrional e Oriental da África do Sul, embora as chuvas de inverno tenham ajudado na recuperação contínua da situação de seca extrema que atingiu seu pico em 2018.

Calor e fogo

Em uma grande região do Ártico Siberiano, as temperaturas em 2020 eram mais de 3°C acima da média, com uma temperatura recorde de 38°C na cidade de Verkhoyansk. Isso foi acompanhado por incêndios florestais prolongados e generalizados.

Nos EUA, os maiores incêndios já registrados ocorreram no final do verão e no outono. A seca generalizada contribuiu para os incêndios, e julho a setembro foram os mais quentes e secos já registrados para o sudoeste. O Vale da Morte, na Califórnia, atingiu 54,4°C em 16 de agosto, a temperatura mais alta conhecida no mundo nos últimos 80 anos.

No Caribe, grandes ondas de calor ocorreram em abril e setembro. Cuba viu um novo recorde nacional de temperatura de 39,7°C em 12 de abril. O calor extremo posterior em setembro viu recordes nacionais ou territoriais estabelecidos para Dominica, Grenada e Porto Rico.

A Austrália quebrou recordes de calor no início de 2020, incluindo a temperatura mais alta observada em uma área metropolitana australiana, no oeste de Sydney, quando Penrith atingiu 48,9°C.

O verão foi muito quente em partes do Leste Asiático. Hamamatsu (41°C) igualou o recorde nacional do Japão em 17 de agosto.

A Europa experimentou secas e ondas de calor durante o verão de 2020, embora geralmente não tenham sido tão intensas em 2018 e 2019. No leste do Mediterrâneo, com recordes de todos os tempos estabelecidos em Jerusalém (42,7°C) e Eilat (48,9°C) em 4 de setembro, após uma onda de calor no final de julho no Oriente Médio em que o aeroporto do Kuwait atingiu 52,1°C e Bagdá 51,8°C.

Ciclones tropicais

Com 30 tempestades nomeadas, a temporada de furacões de 2020 no Atlântico Norte teve o maior número de tempestades registradas já registradas. Houve um recorde de 12 aterrissagens nos Estados Unidos da América, quebrando o recorde anterior de nove. O furacão Laura atingiu a intensidade da categoria 4 e atingiu a costa em 27 de agosto no oeste da Louisiana, causando grandes danos e US$ 19 bilhões em perdas econômicas. Laura também foi associada a grandes danos causados por enchentes no Haiti e na República Dominicana em sua fase de desenvolvimento.

A última tempestade da temporada, Iota, também foi a mais intensa, alcançando a categoria 5 antes do landfall na América Central.

O ciclone Amphan, que atingiu a costa em 20 de maio perto da fronteira Índia-Bangladesh, foi o ciclone tropical mais caro já registrado para o Oceano Índico Norte, com perdas econômicas relatadas na Índia de aproximadamente US$ 14 bilhões.

O ciclone tropical mais forte da temporada foi o tufão Goni (Rolly). Ele cruzou o norte das Filipinas em 1º de novembro com uma velocidade média do vento de 10 minutos de 220 km / h (ou mais) em seu landfall inicial, tornando-se um dos landfalls mais intensos já registrados.

O ciclone tropical Harold teve impactos significativos nas ilhas do norte de Vanuatu em 6 de abril, afetando cerca de 65% da população e também resultando em danos em Fiji, Tonga e nas Ilhas Salomão.

A tempestade Alex no início de outubro trouxe ventos extremos para o oeste da França com rajadas de até 186 km / h, enquanto fortes chuvas se espalharam por uma vasta área. 3 de outubro foi o dia mais chuvoso com média de área registrada para o Reino Unido com uma média nacional de 31,7 mm, enquanto chuvas extremas ocorreram perto da costa do Mediterrâneo em ambos os lados da fronteira França-Itália, com totais de 24 horas excedendo 600 mm em Itália e 500 mm na França.

Outras grandes tempestades severas incluíram uma tempestade de granizo em Calgary/Canadá em 13 de junho, com perdas seguradas superiores a US $ 1 bilhão e uma tempestade de granizo em Trípoli/Líbia em 27 de outubro, com granizo de até 20 cm, acompanhada por condições excepcionalmente frias.

Impactos do COVID-19

Mais de 50 milhões de pessoas foram duplamente atingidas em 2020 por desastres relacionados ao clima (inundações, secas e tempestades) e pela pandemia COVID-19, de acordo com a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Isso piorou a insegurança alimentar e acrescentou outra camada de risco às operações de evacuação, recuperação e socorro relacionadas a eventos de alto impacto.

O ciclone Harold, que atingiu Fiji, Ilhas Salomão, Tonga e Vanuatu e foi uma das tempestades mais fortes já registradas no Pacífico Sul, provocou cerca de 99.500 deslocamentos. Devido aos bloqueios e quarentenas do COVID-19, as operações de resposta e recuperação foram prejudicadas, levando a atrasos no fornecimento de equipamentos e assistência.

Nas Filipinas, embora mais de 180.000 pessoas tenham sido evacuadas preventivamente antes do Ciclone Tropical Vongfong (Ambo) em meados de maio, a necessidade de medidas de distanciamento social significava que os residentes não podiam ser transportados em grande número e os centros de evacuação só podiam ser usados na metade da capacidade.

No norte da América Central, cerca de 5,3 milhões de pessoas precisavam de assistência humanitária, incluindo 560 mil deslocados internos antes do início da pandemia. As respostas aos furacões Eta e Iota, portanto, ocorreram no contexto de vulnerabilidades complexas e interligadas.

Insegurança alimentar

Após décadas de declínio, o aumento da insegurança alimentar desde 2014 está sendo impulsionado por conflitos e desaceleração econômica, bem como pela variabilidade climática e eventos climáticos extremos. Quase 690 milhões de pessoas, ou 9% da população mundial, estavam desnutridas e cerca de 750 milhões, ou quase 10%, foram expostas a níveis severos de insegurança alimentar em 2019. Entre 2008 e 2018, os impactos dos desastres custaram aos setores agrícolas das economias dos países em desenvolvimento, mais de US $ 108 bilhões em safras danificadas ou perdidas e produção de gado. O número de pessoas classificadas em condições de crise, emergência e fome aumentou para quase 135 milhões de pessoas em 55 países em 2019, de acordo com a FAO e o PMA.

Os efeitos da pandemia de COVID-19 prejudicaram os sistemas agrícolas e alimentares, invertendo as trajetórias de desenvolvimento e retardando o crescimento econômico. Em 2020, a pandemia afetou diretamente a oferta e a demanda de alimentos, com interrupções nas cadeias de abastecimento locais, nacionais e globais, comprometendo o acesso a insumos agrícolas, recursos e serviços necessários para sustentar a produtividade agrícola e garantir a segurança alimentar. Como resultado das restrições de movimento agravadas por desastres relacionados ao clima, desafios significativos foram colocados para gerenciar a insegurança alimentar em todo o mundo, de acordo com a FAO.

Deslocamento

Na última década (2010–2019), eventos relacionados ao clima desencadearam cerca de 23,1 milhões de deslocamentos de pessoas em média a cada ano, a maioria deles dentro das fronteiras nacionais, de acordo com o Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno. Cerca de 9,8 milhões de deslocamentos, em grande parte devido a desastres e riscos hidro meteorológicos, foram registrados durante o primeiro semestre de 2020, principalmente concentrados no Sul e Sudeste Asiático e no Chifre da África.

Os eventos na segunda metade do ano, incluindo deslocamentos ligados a inundações na região do Sahel, a temporada ativa de furacões no Atlântico e impactos de tufões no sudeste da Ásia, devem trazer o total do ano para perto da média da década.

De acordo com a IOM e o ACNUR, muitas situações de deslocamento desencadeadas por eventos hidro meteorológicos tornaram-se prolongadas ou prolongadas para as pessoas que não podem retornar às suas antigas casas ou sem opções de integração local ou estabelecimento em outro lugar. Eles também podem estar sujeitos a deslocamentos repetidos e frequentes, deixando pouco tempo para a recuperação entre um choque e o seguinte.

Lições e oportunidades para melhorar a ação climática

De acordo com o Fundo Monetário Internacional, embora a atual recessão global causada pela pandemia COVID-19 possa dificultar a implementação das políticas necessárias para a mitigação, ela também apresenta oportunidades para colocar a economia em um caminho mais verde, aumentando o investimento em áreas verdes e resilientes infraestrutura pública, apoiando assim o PIB e o emprego durante a fase de recuperação.

Políticas de adaptação destinadas a aumentar a resiliência a um clima em mudança, como o investimento em infraestrutura à prova de desastres e sistemas de alerta precoce, compartilhamento de riscos por meio de mercados financeiros e o desenvolvimento de redes de segurança social, podem limitar o impacto de choques relacionados ao clima e ajudar o economia se recupera mais rápido.

Impacto nas alterações climáticas agravaram-se em 2020 e Covid-19 só piorou, revela estudo.

Concentrações de gases com efeito de estufa continuaram a aumentar nos últimos dois anos e a concentração de dióxido de carbono seguiu os mesmos padrões de aumento.  (ecodebate)

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