sábado, 5 de junho de 2021

Mudanças climáticas podem triplicar inundações nas montanhas da Ásia

Lago glacial na região do Himalaia.

Mudanças climáticas podem triplicar inundações nas montanhas da Ásia.

Uma equipe de cientistas climáticos suíços e internacionais mostrou que o risco de inundações em lagos glaciais na região do Himalaia e no planalto tibetano pode triplicar nas próximas décadas.

O “Terceiro Polo” da Terra, as altas cordilheiras da Ásia, contém o maior número de geleiras fora das regiões polares. Uma equipe de pesquisa sino-suíça revelou o aumento dramático no risco de inundações que pode ocorrer no Terceiro Polo gelado da Terra em resposta à mudança climática em curso. Enfocando a ameaça de novos lagos se formando em frente às geleiras em rápido recuo, uma equipe, liderada por pesquisadores da Universidade de Genebra (UNIGE), na Suíça, demonstrou que o risco de inundação relacionado às comunidades e sua infraestrutura poderia quase triplicar.

Novos focos de risco importantes surgirão, inclusive nas regiões transfronteiriças politicamente sensíveis do Himalaia e do Pamir. Com aumentos significativos no risco já previstos nas próximas três décadas, os resultados do estudo, publicados em Nature Climate Change, sublinha a necessidade urgente de abordagens futuras, colaborativas e de longo prazo para mitigar os impactos futuros na região.

O Hindu Kush-Himalaya, o Platô Tibetano e as cadeias de montanhas circundantes são amplamente conhecidas como o Terceiro Polo da Terra. Devido ao aquecimento global, o derretimento generalizado e acelerado das geleiras na maior parte da região tem sido associado à rápida expansão e formação de novos lagos glaciais.

Quando a água é liberada repentinamente desses lagos devido ao rompimento ou ao tombamento da barragem, as enchentes de erupção de lagos glaciais podem devastar vidas e meios de subsistência até centenas de quilômetros rio abaixo, estendendo-se além das fronteiras internacionais para criar riscos transfronteiriços.

Apesar da grave ameaça que esses eventos extremos representam para o desenvolvimento sustentável da montanha em todo o Terceiro Polo, tem havido uma falta de compreensão sobre onde e quando os riscos relacionados evoluiriam no futuro.

Onde o Rio Indo e o Rio Zanskar se encontram perto de Ladaque, Índia.

Como montanhas podem ser afetadas pela mudança climática, ameaçando recursos hídricos mundiais.

Hotspot do Himalaia

Climatologistas suíços e chineses usaram imagens de satélite e modelagem topográfica para estabelecer o risco associado a 7.000 lagos glaciais atualmente localizados através do Terceiro Polo. Essa abordagem nos permitiu classificar com precisão 96% dos lagos glaciais conhecidos por terem produzido inundações no passado como de alto ou muito alto risco.

“Em seguida, comparamos nossos resultados com um catálogo de inundações anteriores de lagos glaciais, o que nos permitiu validar nossas abordagens”, explica Simon Allen, pesquisador do Instituto de Ciências Ambientais da UNIGE e codiretor do estudo. “Depois de confirmarmos que as abordagens identificaram com precisão os lagos perigosos atuais, poderíamos então aplicar esses métodos a cenários futuros.” No geral, o estudo revelou que um em cada seis (1.203) dos lagos glaciais atuais representam um risco alto a muito alto para as comunidades a jusante, mais notavelmente nas regiões do Himalaia oriental e central da China, Índia, Nepal e Butão.

Novas ameaças em novos lugares

Olhando para o futuro, o recuo glacial, a formação de lagos e o risco de inundação associado foram considerados em três diferentes cenários de emissão de CO2. No cenário de maior emissão (às vezes referido como o cenário “business-as-usual”), o estudo mostra que grande parte do Terceiro Polo já pode estar se aproximando de um estado de risco máximo no final do século 21, ou mesmo em meados do século em algumas regiões.

Além dos maiores volumes potenciais de inundação resultantes da expansão de mais de 13.000 lagos, com o tempo os lagos crescerão mais perto de encostas íngremes de montanhas instáveis que podem colidir com os lagos e provocar pequenos tsunamis. “A velocidade com que algumas dessas novas situações de risco estão se desenvolvendo nos surpreendeu”, diz Markus Stoffel, professor do Instituto de Ciências Ambientais da UNIGE.“Estamos falando de algumas décadas, não séculos – esses são prazos que exigem a atenção das autoridades e tomadores de decisão.”

Se o aquecimento global continuar em sua trajetória atual, o número de lagos classificados como de alto ou muito alto risco aumenta de 1.203 para 2.963, com novos pontos de acesso de risco emergindo no Himalaia Ocidental, Karakorum e na Ásia Central. “Essas regiões já experimentaram enchentes de lagos glaciais antes, mas esses eventos tendem a ser repetitivos e associados ao avanço das geleiras. Autoridades e comunidades estarão menos familiarizadas com os tipos de eventos espontâneos que consideramos aqui em uma paisagem de degelo, então isso exige uma maior conscientização e educação sobre os novos desafios que surgirão ”, acrescenta Stoffel.

Desafios políticos complexos

As cadeias de montanhas do Terceiro Pólo abrangem onze nações, dando origem a potenciais desastres naturais transfronteiriços. Os resultados do estudo mostram que o número de futuras fontes potenciais de inundações glaciais transfronteiriças poderia quase dobrar (mais 464 lagos), com 211 desses lagos classificados nas categorias de risco mais alto.

A região fronteiriça da China e do Nepal permanecerá como um importante hotspot (42% de todas as futuras fontes de lagos transfronteiriços), enquanto as montanhas Pamir entre o Tajiquistão e o Afeganistão emergem como um novo e importante hotspot transfronteiriço (atualmente 5% das fontes de lagos transfronteiriços aumentando para 36% no futuro). “As regiões transfronteiriças são uma preocupação especial para nós”, diz Allen. “As tensões políticas e a falta de confiança podem ser uma barreira real que impede o compartilhamento oportuno de dados, comunicação e coordenação tão necessários para alerta precoce eficaz e mitigação de desastres”.

Com o desaparecimento das geleiras, mais de 2 bilhões de cidadãos serão prejudicados.

Cúpula da Alta Montanha debate mudança climática e riscos de desastre.

Os pesquisadores enfatizam a importância de explorar estratégias de gestão de risco de desastres para reduzir a exposição de pessoas e propriedades e minimizar a vulnerabilidade da sociedade. “Os resultados desta pesquisa devem motivar as nações relevantes e as comunidades de pesquisa internacionais a trabalhar urgentemente em conjunto para prevenir futuros desastres de enchentes glaciais na região do Terceiro Polo”, conclui Stoffel. (ecodebate)

Rede de áreas de conservação para proteger a biodiversidade nas Américas

Mudanças Climáticas: Rede de áreas de conservação para proteger a biodiversidade nas Américas.
É provável que uma rede em escala continental de locais de conservação permaneça eficaz em cenários de mudanças climáticas futuras, apesar de uma mudança prevista nas distribuições de espécies-chave.

Um novo estudo, liderado pelo Professor Stephen Willis em nosso Departamento de Biociências, investiga os impactos de cenários potenciais de mudanças climáticas na rede de Áreas Importantes para Aves e Biodiversidade (IBAs) no Caribe e nas Américas Central e do Sul.

A pesquisa foi realizada em colaboração com o Senckenberg Biodiversity and Climate Research Center, BirdLife International e a National Audubon Society.

Aves além das fronteiras

IBAs são locais identificados como internacionalmente importantes para a conservação das populações de pássaros, com mais de 13.000 locais identificados em 200 países nos últimos 40 anos. Muitos são cobertos por áreas protegidas formais, enquanto outros são conservados por reservas administradas pela comunidade ou terras indígenas.

Duas das respostas das espécies aos recentes eventos de mudança climática são mudanças no alcance e na abundância, levando a uma reorganização global das populações.

As mudanças de alcance podem fazer com que as espécies desapareçam das áreas que ocupam, ao mesmo tempo em que lhes dá oportunidades de colonizar novos locais. Essa redistribuição pode afetar a capacidade das redes de sites internacionais (incluindo áreas protegidas) de conservar as espécies.

Portanto, identificar quais locais continuarão a oferecer condições adequadas e quais provavelmente se tornarão inadequados é importante para um planejamento de conservação eficaz, visto que nosso planeta continua a aquecer.

Modelagem de mudanças climáticas para conservação

Estimar o impacto da mudança climática na distribuição das espécies e as consequências para as redes de locais identificados para conservá-las pode ajudar a informar as estratégias de conservação para garantir que essas redes permaneçam eficazes.

A pesquisa modelou os efeitos de diferentes cenários de mudanças climáticas na rede mais ampla.

Ele determinou que, para 73% das 939 espécies de preocupação de conservação, mais da metade das IBAs em que ocorrem atualmente foram projetadas para permanecerem climaticamente adequadas e, para 90% das espécies, pelo menos ¼ dos locais permanecem adequados.

Esses resultados sugerem que a rede permanecerá robusta sob as mudanças climáticas. O que é preocupante, entretanto, é que 7% das espécies de interesse de conservação não têm clima adequado nas IBAs atualmente identificadas para elas.

As descobertas destacam o quão crítico é conservar efetivamente a rede de Áreas Importantes para Aves e Biodiversidade nas Américas para ajudar a proteger a vida selvagem na região.

Preservar a biodiversidade é essencial!

Apesar das projeções de mudanças significativas nas distribuições de espécies individuais, a rede como um todo continuará a desempenhar um papel fundamental nos esforços de conservação futuros. (ecodebate)

Como jogar fora as baterias dos carros para proteger o meio ambiente

Como jogar fora as baterias dos carros para proteger o meio ambiente.

É sabido que não é conveniente jogar as baterias de um T cross ou de qualquer outro carro no lixo. O meio ambiente seria seriamente prejudicado. Por esse motivo, elas devem ser transportadas a lugares específicos onde, através de tratamentos específicos, poderão ser posteriormente reutilizadas. Não importa o motivo pelo qual você precisa se desfazer de uma bateria: é fundamental que ela seja levada para um local de reciclagem autorizado.

É politicamente correto fazer as coisas que devem ser feitas para proteger o meio ambiente. Uma das coisas mais importantes para isso é saber o que fazer na hora de ter que trocar a bateria do seu Volkswagen T cross ou de outro veículo que você tenha na garagem, seja pelo motivo que for. É importante mesmo saber como se desfazer corretamente da bateria para não causar um forte impacto no meio ambiente.

Por esse motivo, vale a pena prestar muita atenção às seguintes dicas, para que essa tarefa seja feita de um modo correto, evitando qualquer tipo de problema posterior.

Como retirar a bateria do veículo

1.      Se você vai retirar a bateria do seu T cross highline ou de outro modelo de veículo, preste atenção à sua própria segurança: use uma proteção especial para os seus olhos, porque uma bateria velha ou com problemas pode ter uma fuga de ácido, algo muito perigoso para os olhos. Ao mesmo tempo é importante usar luvas, porque o líquido da bateria é muito irritante para a pele.

2.      Em segundo lugar, é necessário desconectar a bateria, afrouxando primeiro a porca do terminal negativo da bateria. Depois é a vez do fio a terra desse terminal negativo: você deverá retirá-lo, repetindo a mesma coisa com o terminal positivo. Enquanto você estiver retirando a bateria, esses fios não deverão ter contato com os terminais.

3.      Agora retire a bateria do carro. Preste atenção ao modo em que a bateria fica presa, para poder soltar o clipe ou a alça que a mantêm presa. Diante de qualquer dúvida, é aconselhável dar uma olhada ao manual do veículo.

4.      Analise o estado geral da bateria. Se você sofreu um acidente com o carro ou houve algum problema com ele, veja se a bateria sofreu as consequências: pode ter um amassado ou uma pequena perfuração. Nesse caso, tome muito cuidado, porque poderia haver um vazamento. Proteja sempre os olhos e as mãos e braços, para não sofrer qualquer acidente pelo contato com o líquido ou ácido da bateria.
Como transportar a bateria para um local seguro

•        Uma vez com a bateria fora do carro, você deverá colocá-la dentro de um saco plástico com muito cuidado. No entanto, se você percebeu que há algum buraquinho, por mínimo que seja, coloque a bateria dentro de uma ou duas bolsas de lixo bem resistentes, para evitar que o fluido que possa fugir pelo buraquinho entre em contato com algo.

•        Para transportar a bateria de um modo seguro, você deverá mantê-la em posição vertical. O mais seguro é transportá-la no chão do seu veículo, porque se colocar a bateria no banco, diante de uma freada, por exemplo, pode cair e mudar de posição, o que deve ser evitado.

•        Procure um local onde façam reciclagem de baterias. Na internet você poderá fazer a pesquisa para encontrar o local mais perto da sua residência. Outra opção é perguntar ao seu mecânico de confiança.

Se precisar trocar a bateria:

Se você pretende trocar a bateria, procure uma loja que aceite a sua bateria como parte de pagamento para a compra de uma bateria nova. Evidentemente a bateria nova deve corresponder ao modelo do seu carro.

Por regra geral, as trocas de bateria acontecem depois de um acidente ou batida com o veículo. Procure ajuda com o seu mecânico ou com o seguro que você contratou para o seu veículo.

Mantendo todas as precauções em relação ao modo de fazer a troca ou somente a retirada da bateria, você cuidará corretamente do meio ambiente.

(ecodebate)

Mitigação do Risco Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável

O relacionamento do homem com a natureza perdeu o equilíbrio no decorrer do tempo e as gerações presentes consomem todos os recursos naturais sem pensar no que deixarão para as gerações futuras.

O conceito de desenvolvimento humano é uma das melhores alternativas de avaliação do desenvolvimento econômico e ambiental de um país.

Mais importante do que um alto índice de desenvolvimento econômico, uma nação precisa saber de que forma seus cidadãos estão interagindo com a natureza, com as pessoas e consigo mesmo. Deste ponto vista, o desenvolvimento humano é capaz de gerar uma consciência ambiental que induz cada indivíduo a reconhecer seu importante papel na preservação do meio ambiente, com vistas a proporcionar qualidade de vida para a atual e futuras gerações.

Após a Revolução Industrial e com a consequente e desordenada utilização dos combustíveis fósseis, o mundo passou a emitir, descontroladamente, grandes quantidades de gases causadores do efeito estufa na atmosfera. Somente em meados do século passado, tomamos a consciência de que algo urgente necessitava ser feito para reverter esta situação e foram buscadas ações que pudessem ensejar a efetiva proteção do meio ambiente, afetado, principalmente, pelo desenvolvimento econômico acelerado.

A ciência nos mostra que existe um equilíbrio térmico na terra mantido pelos principais gases que compõem nossa atmosfera que são Dióxido de Carbono (CO2), Ozônio (O3), Gás Metano (CH4) e Óxido Nitroso (N2O). Entretanto, o excesso de tais gases faz com que parte dos raios infravermelhos que entram na terra fiquem retidos causando o aquecimento global. Este processo é conhecido como efeito estufa e suas consequências interferem de forma direta no clima da terra e seus ecossistemas. A grande demanda por energia e a falta de recursos naturais configuram um cenário de crescente preocupação para alguns países, pois tendem a aumentar a quantidade de emissão destes gases e os danos causados pelo aquecimento global.

Os efeitos do aquecimento global podem causar grandes prejuízos para a terra, principalmente, o aumento de temperatura, o aumento do nível dos mares e o derretimento das geleiras. O aquecimento global tornou-se uma verdade para todo o mundo, seus efeitos para o presente e futuro podem comprometer todo o modo de vida e produção da Terra. A economia mundial também não deixa de contabilizar seus prejuízos advindos do aquecimento.

Sabemos hoje, por meio de inúmeros estudos desenvolvidos pela ciência, que combater o aquecimento global e suas implicações climáticas é bem mais compensador do ponto de vista econômico que reagir contra os prejuízos advindos das alterações climáticas. Hoje existe o entendimento global de que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial poderá reduzir-se de forma brusca se não houver uma ação conjunta de estado, sociedade e de empresas.

Em resposta ao apelo ambiental e às condições climáticas adversas em que a terra está inserida, a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Cúpula da Terra ou Rio-92, reconheceu a existência das mudanças climáticas e que os países devem atuar para sua redução, sendo que os países desenvolvidos deveriam promover a redução dos Gases de Efeito Estufa (GEE) e financiar a sua redução nos países mais pobres.

Em 1997, realizou a conferência de Quioto, no Japão, que teve como resultado a criação de um Protocolo que levou o nome do lugar de sua criação. O Protocolo de Quioto teve como principal objetivo o estabelecimento de metas para redução de gases poluidores emitidos pelos países signatários (192 países). As medidas que foram encaminhadas a partir deste e de outros encontros sobre o tema, permitiram a criação de um mercado de reduções de emissões mais conhecido como Mercado de Créditos de Carbono ou Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

Este mecanismo permite que os países industrializados adquiram créditos de emissão (direitos de emissão), através de financiamento de medidas de redução das emissões em países em desenvolvimento que não possuem metas de redução. Tais medidas contribuem, também, para o desenvolvimento sustentável dos países beneficiários. O mecanismo possibilita que o país “financiador” emita mais gases, enquanto o país “beneficiado” implemente as medidas para redução dos efeitos e, em contrapartida, receba investimento e se beneficie da transferência de tecnologia.

Este assunto é de extrema relevância para o mercado financeiro, sobretudo pelas consequências decorrentes da negligência das ações necessárias, que podem ocasionar prejuízos muitas vezes irreparáveis tanto para a economia como para a sociedade em geral. Nas mais diversas formas de discussões pode se prever que a questão ambiental será sempre levada em consideração, seja em discussões políticas, econômicas ou sociais.

As expectativas para o mercado de carbono são as mais promissoras possíveis. Este mercado apresentou forte crescimento nas últimas décadas e impulsionou o surgimento de novas e criativas formas de avaliação dos empreendimentos financeiros e econômicos como, por exemplo, o Environmental, Social e Governance (ESG), que permite avaliar o grau de aderência dos diversos projetos aos padrões sociais e ambientais requeridos pelo desenvolvimento sustentável.

O próprio amadurecimento dos mercados fará com que o nível de exigência da capacidade dos profissionais que neles atuam, seja mais elevado e as oportunidades geradas não serão poucas. Contudo, para aproveitá-las, serão necessários um vasto conhecimento sobre os mecanismos que propicie o desenvolvimento sustentável.

Precisamos lembrar que todos esses novos instrumentos de flexibilização visam integrar a proteção ambiental ao desenvolvimento econômico-financeiro da humanidade. Podemos até concluir que se esta integração for ignorada todas as políticas de proteção ambiental estarão fadadas ao fracasso no médio e longo prazo.

Podemos entender todo esse movimento como uma solução emergencial, mas não definitiva. Existe uma dicotomia a ser mais bem estudada entre o resultado esperado pela sociedade e o resultado esperado pelo investidor. Para a sociedade a adoção dessas medidas supera a pura lógica do retorno financeiro, resultando em ganhos sociais e para o meio ambiente. A motivação dos investidores está diretamente ligada aos resultados financeiros dos empreendimentos, partindo do pressuposto de que as melhores práticas de sustentabilidade apresentam, em longo prazo, maiores retornos financeiros.

Para o Brasil, todo este movimento significa uma grande oportunidade não só de negócios, mas também de implementar um plano nacional de preservação de suas florestas, fomentando a criação de vários projetos de redução de emissões. Recentemente, o próprio presidente da República fez pronunciamento na cúpula do clima reafirmando o compromisso brasileiro com as políticas de preservação ambientais. Os demais líderes das nações, presentes na referida cúpula (cerca de quarenta), também apresentaram declarações que afirmam o compromisso conjunto de defesa das políticas ambientais visando o desenvolvimento sustentável.

Com efeito, é fundamental que busquemos uma interação eficiente entre o mercado financeiro e de capitais com as políticas de preservação ambientais, para que possamos atingir o almejado grau sustentável de desenvolvimento social e econômico. Este desafio cabe a nós, cientistas, estudantes, profissionais e agentes do mercado, mediante a criação de critérios objetivos de avaliação propiciando parâmetros aceitáveis de análise de risco e retorno, como forma de atrair os investidores e impulsionar as boas práticas de governança, favorecendo um círculo virtuoso com a criação de valores para as futuras gerações.

Conectando finanças e desenvolvimento sustentável.

César Bergo é Coordenador da Pós-Graduação em Mercado Financeiro e Capitais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília (FPMB) e presidente do Conselho Regional de Economia da 11ª Região. Especialista em governança corporativa, sociólogo e economista, com atuação no mercado financeiro há mais de 30 anos. (ecodebate)

Dia Mundial do Meio Ambiente 2021

Combater a degradação ambiental e restaurar os ecossistemas, como pretende a ONU, exige de cada pessoa muita coragem, ação e espírito de luta individual e coletiva.

O mundo, o planeta terra, como obra de um Criador Supremo, como acredita a grande maioria da população, através dos mais variados credos e sistemas religiosos, como o espaço em que vivemos temporariamente, enquanto durar nossa existência/permanência terrestre deve ter como farol a iluminar-nos, como paradigma a reger nossas relações globais (Deus/Divindade, ser humano, natureza) sempre e tão somente o BEM COMUM, garantindo a todas as gerações, presentes e futuras, o direito a um meio ambiente saudável, que possibilite uma boa qualidade de vida e respeite a dignidade de todas as pessoas (ECOLOGIA INTEGRAL) e não apenas alguns privilegiados como acontecem atualmente.

Parece que a humanidade, representada tanto pela população em geral quanto por seus governantes, seus empresários, suas as lideranças religiosas, educacionais e das organizações da sociedade civil, em todos os níveis, em todos os países, com raríssimas exceções, estão em uma corrida louca, desvairada, em sua sanha destruidora da natureza, no firme propósito de tornar impossível todas as formas de vida no planeta terra, incluindo o próprio ser humano.

Costumamos diferenciar o ser humano em relação aos demais animais atribuindo-lhe (ao ser humano) a dimensão de ter sido dotado, pelo Criador, por aspectos fundamentais como racionalidade, inteligência, capacidade criativa e inovadora, inventividade e, claro, uma alma, um espírito, dotado de uma dimensão transcendental.

É através desses atributos exclusivos do ser humano que o mesmo se relaciona de um lado com a mãe natureza e todas as formas de vida nela contidas e, também, com o divino, o sagrado e, ao mesmo tempo, mesmo sendo finito em termos de vivência individual terrena, mesmo assim, tem a capacidade de entender que, em termos coletivos e também individuais, temos um passado, vivemos em um presente e temos um futuro comum (construído por nossas ações ou omissões em cada momento, no dia-a-dia), como é o titulo do Relatório da Comissão Brunntland em 20 de Março de 1987, (constituído pela ONU em 1983) para analisar a questão do meio ambiente e do desenvolvimento no mundo, relatório este que, pela primeira vez destacou a questão do desenvolvimento sustentável, além dos alertas quanto aos rumos que a destruição ambiental estava indicando o caminho de um desastre, uma catástrofe anunciada.

Há quase 50 anos, em 1972, por decisão da Assembleia da ONU, ao final da primeira Conferência mundial sobre meio ambiente, realizada em Estocolmo (Suécia), foi aprovada a criação do DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE, a ser comemorado no dia 05 de Junho de cada ano, com o objetivo de despertar a consciência internacional quanto à gravidade dos problemas ecológicos que o mundo estava enfrentando, com alta probabilidade de serem severamente agravados, como de fato tem acontecido neste meio século, com sérias consequências, se nada fosse feito (como de fato não esta sendo feito) ou se tudo continuasse no mesmo ritmo como vinha acontecendo desde meados do século passado.

O primeiro DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE foi “comemorando”, oficialmente pela ONU na cidade de Spokane, nos Estados Unidos, em 05 de junho de 1974 e, desde então, essas “celebrações” tem procurando alertar governantes, entidades empresariais e da sociedade civil organizada, ONGs, Igrejas, entidades educacionais e outras mais, quanto à gravidade dos diversos problemas ambientais/ecológicos, criados pela ação irracional e irresponsável do ser humano, em todos os países, inclusive no Brasil.

A cada ano a ONU destaca um problema considerado grave e em torno do qual tenta mobilizar a opinião pública mundial e, para tanto, produz diretamente ou com seu apoio diversos estudos e pesquisas, incluindo universidades, centros de pesquisas, cientistas em inúmeros países, que produzem estudos que tem lançado luzes sobre não apenas a realidade factual de e a cada momento, mas, principalmente construindo/desenhando cenários, onde são projetados diferentes futuros, dependendo do curso, efetividade e eficácia das ações ou omissões que sejam tomadas pelos países e população em relação à marcha da destruição da natureza, dos ecossistemas.

Diversos problemas ambientais/ecológicos já foram objeto de destaque durante as “comemorações” e alertas por ocasião do DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE, como em 1974, cujo tema foi “Apenas um planeta terra”, tentando chamar a atenção da finitude dos recursos naturais existentes no mundo e a importância de zelar e não destruirmos irracionalmente os mesmos, principalmente a biodiversidade, os solos, as águas e as florestas, provocando cada vez mais poluição.

Podemos realizar uma análise da evolução das decisões tomadas pela ONU em diversas ocasiões, em suas Assembleias Gerais anuais, em relação às questões do meio ambiente/ecologia, seja através das “comemorações” do DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE, desde 1974; seja também através de inúmeros estudos e pesquisas realizadas, diretamente quanto sob seu patrocínio, de acordos internacionais celebrados com o apoio e adesão da quase totalidade dos países, das convenções mundiais como do clima, das florestas, dos mares, dos direitos humanos, enfim, uma enorme gama de conhecimento científico colocada à disposição e a serviço da tomada das decisões de governos nacionais, regionais ou locais e também para as empresas, organizações não governamentais e pessoas, para incluir o meio ambiente, a ecologia integral como uma variável fundamental no processo de desenvolvimento econômico, social, político, cultural e tecnológico.

Além da primeira conferência mundial sobre o meio ambiente realizada em 1972; podemos mencionar os trabalhos realizados pela já citada Comissão Brundtland entre 1983 e 1987, com a produção de seu relatório em 1987 intitulado NOSSO FUTURO COMUM, quando, pela primeira vez foi dedicada um capítulo especial sobre o DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, onde constam dois alertas que estão repercutindo até hoje quando dizia (isto em 1987) que “anualmente (naquela época) seis milhões de ha de terras produtivas se transformam em desertos inúteis” (ou seja, áreas e ecossistemas degradados) e mais, que também anualmente “mais de 11 milhões de ha de florestas nativas são destruídas”.

Em 2022, estaremos “comemorando” meio século, 50 anos da realização da primeira conferência mundial do meio ambiente; com toda certeza e os dados estatísticos assim tem demonstrado, a sanha destruidora da humanidade não se arrefeceu, pelo contrário tem aumentado, apesar de tantos alertas de estudiosos, cientistas e resoluções aprovadas pela ONU, com adesão de todos os países.

Parece que esta sanha destruidora pode ser resumida na expressão do Ministro do Meio Ambiente, na mal fadada reunião ministerial, sob o comando do Presidente da República, em abril de 2020, quando se referiu ao afrouxamento das normas infraconstitucionais e legais, de fiscalização ambiental, que poderia ser feito, enquanto o Congresso e a opinião pública estivessem “distraídas/distraído” pelo noticiário da pandemia, possibilitando que “a boiada possa passar”, vale dizer, permitir a destruição de ecossistemas, mineração, garimpo, desmatamento, grilagem de terras indígenas, terras públicas, reservas legais, extração e exportação ilegal de madeira sob a omissão, conivência governamental e a impunidade em relação aos crimes ambientais, para que possam continuar livremente em nosso país, como também acontece em alguns outros mundo afora, na contramão das preocupações e recomendações da ONU, organismos internacionais e nacionais, como OCEDE/Fórum Econômico Mundial, Bancos Mundial, Interamericano de Desenvolvimento e outros mais.

Assim, neste meio século de degradação ambiental, de destruição da biodiversidade, de poluição do ar, dos solos e das águas ao redor do mundo, do aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera, podemos estimar que aqueles dois alertas quanto à desertificação e desmatamento tomaram proporções gigantescas.

Sem sombra de dúvida em cinco décadas a desertificação já deve ter atingido 3,74 milhões de km2 ou 374 milhões de ha de áreas degradadas e nada menos do que 5,5 milhões de km2 ou 550 milhões de ha de desmatamento de florestas nativas, daí a decisão da Assembleia Geral da ONU em estabelecer a partir do dia MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE de 2021, como inicio da DÉCADA DA RESTAURAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS DEGRADADOS, pela insanidade humana e modelos econômicos irracionais ao destruir o planeta e provocar mudanças climáticas que já estão gerando exclusão, migrações em massa, desastres naturais provocados pela ação humana, pobreza, fome, miséria, sofrimento e mortes.

Dois outros momentos importantes nesta tentativa de fazer soar o alerta da ECOLOGIA INTEGRAL, cada vez mais forte, aconteceram no Brasil com a realização da ECO-92 e da RIO mais 20 (em 2012), quando foram aprofundados os debates, estudos e alertas de que precisamos, com urgência, redefinir nossas relações com a natureza, afinal, progresso e crescimento econômico, a busca do lucro ou inclusive a alimentação uma população que continua crescendo, ainda de forma acelerada, anualmente, não podem servir de justificativa para a destruição e a degradação do meio ambiente, deixando para as futuras gerações apenas um passivo ambiental impagável, tornando a qualidade de vida cada dia mais precária, mesmo para aqueles que estão no ápice da pirâmide social, política e econômica, nos diversas países, inclusive no Brasil.

Assim, estamos chegando a este DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE de 2021, e, para comemorar este dia tão importante e continuar sua caminhada em defesa e melhor cuidado com o planeta terra, a ONU/UNEP/FAO, estão “lançando” em 05/06/2021, oficialmente no Paquistão, a DÉCADA DA RESTAURAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS DEGRADADOS, a vigorar de 2021 até 2030, coincidindo com o término da AGENDA 2030, dos OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, iniciados em 2015.

Todos os ecossistemas mundiais, como os oceanos, as florestas, as áreas costeiras, as geleiras, as savanas, as regiões polares, as áreas alagadas ou alagáveis, as cadeias de montanhas e não apenas a Pan Amazônia, o Pantanal, o Cerrado, a Caatinga, os pampas e a Mata Atlântica no Brasil, estão em processo acelerado de degradação permanente e trazem sérios riscos para o equilíbrio do clima, afetando drasticamente o regime de chuvas, contribuindo para o aquecimento global, aumentam os riscos de desastres naturais provocados pelo ser humano e suas atividades, com sérias consequências econômicas, sociais, ambientais, geopolíticas e culturais.

Segundo dados da própria ONU, corroborados por diversas instituições de estudos e de pesquisas, entre 1990 e 2017 o mundo perdeu 178 milhões de ha de florestas, cabendo ao Brasil a triste marca de ter desmatado, neste período, nada menos do que 92,3 milhões de ha ou 51,9% do desmatamento mundial.

Muita gente pode imaginar que todo este desmatamento foi para produzir alimentos e teria uma “função” nobre, ou seja, para saciar a fome de milhões de bocas famintas, principalmente mais de 690 milhões de pessoas que passam fome, literalmente, todos os dias ao redor do mundo.

Ledo engano, os níveis de degradação dos solos, representados pela erosão e desertificação; a poluição do ar através da emissão de bilhões de toneladas de gases de efeito estufa, a poluição dos cursos d’água através do uso indiscriminado de agrotóxicos, de mercúrio em atividades de mineração e o próprio desperdício de mais de 30% de todo o alimento produzido no mundo, de mais de 40% de toda água tratada e de outros rejeitos lançados in natura em córregos, rios e oceanos, impõem-nos um sério desafio quando analisamos os custos x benefícios desses modelos de produção econômica.

Estamos pagando um alto custo, exagerado, social, política, econômica e ambientalmente, para mantermos modelos econômicos e tecnológicos para que uma parte ínfima da população realmente usufrua dos “frutos” deste processo de desenvolvimento, que não respeite a Casa Comum, conforme diz o Papa Francisco constantemente.

A DÉCADA DA RESTAURAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS, não é uma tarefa exclusiva da ONU, mas sim, de todos os países, e em cada país, a primeira e principal responsabilidade recai sobre os organismos governamentais, em todos os níveis, a quem cabe estabelecer os limites das relações de produção e de consumo (que conforme o Objetivo 12 dos ODS deve ser sustentável) e, também, é claro, sem pretender substituir as ações que são de responsabilidade dos poderes públicos; por parte de todas as demais entidades e organizações das sociedades, incluindo a população como um todo, considerando, inclusive as ações e omissões individuais, de cada pessoa em seu local de residência, sua vizinhança, seu trabalho, sua cidade, bairro, seu lugar de cultuar a divindade (igrejas, paróquias, templos, salões).

A ONU, no encaminhamento destes desafios, aponta algumas alternativas incluindo a questão da poluição dos cursos d’água (córregos, rios, lagoas, lagos, baías, zonas costeiras, mares e oceanos), recuperação de nascentes, que devem ser realizadas ações de despoluição, restaurando esses ecossistemas; mas também um trabalho preventivo para evitar que a poluição desses cursos d’água continue provocando degradação e poluição novamente.

A outra linha de ação é quanto às florestas, onde as ações devem ser para reduzir o desmatamento e, também as queimadas; restaurar as áreas desmatadas e degradadas através do reflorestamento, inclusive fomentando a arborização urbana e as florestas urbanas. O Paquistão, por exemplo, está se comprometendo a reflorestar extensas áreas plantando nada menos do que 10 bilhões de árvores em uma década, isto representa 6,25 milhões de ha.

Para não me alongar, gostaria também de mencionar dois exemplos brasileiros. O primeiro é representado pelo MST (Movimento dos trabalhadores sem terra) que pretende plantar 100 milhões de árvores em dez anos e o mais recente exemplo que tomei conhecimento é o compromisso/desafio apresentado pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, desafio este abraçado pela PASTORAL DA ECOLOGIA INTEGRAL daquela Arquidiocese, plantar UM MILHÃO de árvores, em cinco anos na cidade do Rio de Janeiro, tendo como pontos de referencia a ação das pastorais ecológicas ao nível paroquial e dos vicariatos.

Existem milhares, dezenas de milhares ou milhões de pessoas que voluntariamente estão assumindo este desafio de salvar o planeta, contribuindo para que governantes e também por entidades não governamentais e empresariais assumam seus papéis, suas funções e seus compromissos para mudar os paradigmas do chamado desenvolvimento econômico e social, que não pode ser tão irracional e destruidor dos recursos naturais, como está acontecendo e que colocam em risco todas as formas de vida no planeta, inclusive o ser humano.

Assim é que, ao longo dos últimos seis anos têm celebrado e assim devemos continuar celebrando durante todos os anos no dia 24 de MAIO, o aniversário da ENCÍCLICA LAUDATO SI, a chamada ENCÍCLICA VERDE, do Papa Francisco, onde o mesmo sempre tem destacado as questões da ECOLOGIA INTEGRAL, DOS PECADOS AMBIENTAIS/ECOLÓGICOS, da necessidade de uma CONVERSÃO ECOLÓGICA.

A exortação apostólica ao final do Sínodo dos Bispos, no documento MINHA QUERIDA AMAZÔNIA, em conjunto com diversos pronunciamentos e iniciativas do Papa Francisco oferecem um novo paradigma para as nossas relações com a natureza, de respeito, preservação e proteção da biodiversidade e também novos tipos de relações econômicas, sociais e políticas, essas três últimas consubstanciadas na chamada ECONOMIA DE FRANCISCO, isto é que configura a ECOLOGIA INTEGRAL como o novo paradigma do desenvolvimento.

Este novo paradigma é representado pela economia verde, a economia sustentável, a economia da partilha, a economia circular, a economia solidária, o cooperativismo em substituição aos modelos atuais da economia coletivista de estado, opressora, de um lado e de outro a economia capitalista selvagem, ambas desumanas, que geram fome, pobreza, exclusão, violência e morte, que se assentam na concentração de todas as atividades nas mãos de um Estado totalitário ou de capitalistas insensíveis e ávidos por lucros rápidos e a qualquer preço, tanto dos meios de produção quanto da renda, da riqueza produzida por todos, da terra; no consumismo, no desperdício, na produção exagerada de rejeitos, de aumento constante de resíduos sólidos, lixo, que acabam degradando todos os cursos d’água, inclusive córregos, rios e os oceanos, que provocam degradação dos ecossistemas, do meio ambiente em todos os aspectos e que provocam mudanças climáticas, sempre destacadas nos acordos e convenções do clima, como o ACORDO DE PARIS em vigor , que a cada dia afeta mais gente, gera bilhões de toneladas de poluição, que matam conforme dados recentes da ONU mais de 6,6 milhões de pessoas a cada ano no mundo e também a fome que causa a morte de 9,14 milhões de mortes anualmente, ambas as causas muito mais letais do que tem sido as mortes pela COVID, que em pouco mais de um ano, até este inicio de Junho já causou a morte de 3,55 milhões de pessoas e que tanto sofrimento e medo nos tem causado.

Sem subestimar a gravidade da pandemia pelo coronavírus (COVID-19), devemos destacar que somente a poluição e a fome, duas mazelas tipicamente relacionados com a degradação ambiental matam a cada ano 15,74 milhões de pessoas ou 4,4 vezes mais que a COVID-19 e que pouco alarde, preocupação ou ações mais efetivas tenham sido tomadas quando comparadas com o terror que a pandemia da COVID vem causando no mundo,

Em termos éticos, sociais, políticos, humanos e transcendentais não existe diferença se uma pessoa morre por problemas respiratórios causados por poluição do ar, de fome, de covid-19 ou de qualquer outra causa evitável ou não evitável, razão pela qual os governantes e gestores públicos não podem se omitir em relação à degradação dos ecossistemas e suas danosas consequências, incluindo a destruição da biodiversidade e de todas as formas de vida no planeta.

Por tudo isso, precisamos despertar nossas consciências, nossa cidadania, nos capacidade de indignação, percebermos a gravidade e a urgência dos problemas ambientais, ecológicos, cerrar fileiras, atentarmos para nossas responsabilidades pessoais e coletivas, atuando de uma forma mais proativa e com espírito público, como podemos fazer através das PASTORAIS DE ECOLOGIA INTEGRAL, que devem ser fomentadas e constituídas em todas as paróquias, dioceses e Arquidioceses e também através de ação de outras Igrejas, que a cada dia demonstram como a Igreja ou as Igrejas podem e devem agir neste contexto ou outras formas que podemos buscar para salvar o Planeta Terra, nossa MÃE NATUREZA, enquanto é tempo.

Precisamos pensar globalmente e agirmos localmente, só assim nosso esforço e a nossa luta não terá sido em vão.

Combater a degradação ambiental e restaurar os ecossistemas, como pretende a ONU, exige de cada pessoa muita coragem, ação e espírito de luta individual e coletiva.

Só assim iremos deixar um meio ambiente, realmente, saudável para as futuras gerações e não um rastro de desmatamento, queimadas, erosão dos solos, uso abusivo e criminosos de agrotóxicos, poluição do ar, das águas e alteração no regime das chuvas, contribuindo para crises hídricas, que já estão sendo percebidas em diversos países, inclusive no Brasil, com sérias consequências no Sistema produtivo e no abastecimento de água e de energia elétrica, como previsto para os próximos meses em varias regiões de nosso país, enfim, um rastro de destruição e morte.

Minha amiga, meu amigo, pare e reflita de uma maneira crítica, criadora e responsável, um pouco mais sobre todas essas questões e veja o que lhe cabe fazer, não apenas individualmente, mas principalmente de forma coletiva, afinal, somos todos passageiros de uma mesma nave espacial, chamada TERRA e nossos destinos estão umbilicalmente interligados.

Ou agimos coletivamente de forma responsável e urgente ou estaremos todos condenados à morte, ambientalmente falando! (ecodebate)

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Aquecimento acima da meta do Acordo de Paris terá aumento devastador do nível do mar

Aquecimento acima da meta do Acordo de Paris pode causar aumento catastrófico do nível do mar.
Se as metas do Acordo de Paris não forem cumpridas, o colapso das plataformas de gelo antártico derretido – como a plataforma de gelo Wilkins em 2009 – pode causar um aumento catastrófico do nível do mar global na segunda metade do século.

O aumento catastrófico do nível do mar devido ao derretimento da Antártica é possível com o aquecimento global severo.

A camada de gelo da Antártica tem maior probabilidade de permanecer estável se o acordo climático de Paris for cumprido.

A camada de gelo da Antártica tem muito menos probabilidade de se tornar instável e causar um aumento dramático do nível do mar nos próximos séculos se o mundo seguir políticas que mantenham o aquecimento global abaixo da meta- chave do acordo climático de Paris em 2015, de acordo com um estudo coautor de Rutgers.

Mas se o aquecimento global ultrapassar a meta – 2°C (3,6°F) – o risco das plataformas de gelo ao redor do perímetro da camada de gelo derreter aumentaria significativamente, e seu colapso provocaria um rápido derretimento da Antártica. Isso resultaria em pelo menos 0,07 polegadas de aumento médio global do nível do mar por ano em 2060 e além, de acordo com o estudo publicado na revista Nature.

Isso é mais rápido do que a taxa média de aumento do nível do mar nos últimos 120 anos e, em locais costeiros vulneráveis como o centro de Annapolis, Maryland, levou a um aumento dramático nos dias de inundações extremas.

O aquecimento global de 3°C (5,4°F) pode levar ao aumento catastrófico do nível do mar devido ao derretimento da Antártica – um aumento de pelo menos 0,2 polegada por ano globalmente após 2060, em média.

“O colapso do manto de gelo é irreversível ao longo de milhares de anos e, se o manto de gelo da Antártica se tornar instável, poderá continuar a recuar por séculos”, disse o coautor Daniel M. Gilford, pós-doutorado associado do Laboratório de Ciência e Política do Sistema Terrestre Rutgers liderado pelo coautor Robert E. Kopp, professor da Departamento de Ciências da Terra e Planetárias da Escola de Artes e Ciências da Rutgers University – New Brunswick. “Isso independentemente de as estratégias de mitigação de emissões, como a remoção de dióxido de carbono da atmosfera, serem empregadas”.

O Acordo de Paris, alcançado em uma conferência das Nações Unidas sobre mudança climática, busca limitar os impactos negativos do aquecimento global. Seu objetivo é manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais, juntamente com esforços para limitar o aumento a 1,5°C (2,7°F). Os signatários se comprometeram a eliminar as emissões globais líquidas de dióxido de carbono na segunda metade do século XXI.

A mudança climática causada pelas atividades humanas está causando a elevação do nível do mar, e projetar como a Antártica contribuirá para esse aumento em um clima mais quente é um desafio difícil, mas crítico. Como os mantos de gelo podem responder ao aquecimento não é bem compreendido, e não sabemos qual será a resposta final da política global à mudança climática. A Groenlândia está perdendo gelo em um ritmo mais rápido do que a Antártica, mas a Antártica contém quase oito vezes mais gelo acima do nível do oceano, o equivalente a 190 pés de aumento médio global do nível do mar, observa o estudo.

O estudo explorou como a Antártica pode mudar no próximo século e além, dependendo se as metas de temperatura no Acordo de Paris forem atingidas ou excedidas. Para entender melhor como o manto de gelo pode responder, os cientistas treinaram um modelo de manto de gelo de última geração com observações de satélite modernas, dados paleoclimáticos e uma técnica de aprendizado de máquina. Eles usaram o modelo para explorar a probabilidade de um rápido recuo da camada de gelo e do colapso da camada de gelo da Antártica Ocidental sob diferentes políticas globais de emissões de gases de efeito estufa.

As políticas internacionais atuais provavelmente levarão a cerca de 3°C de aquecimento, o que poderia afinar as plataformas de gelo protetoras da Antártica e desencadear um rápido recuo do manto de gelo entre 2050 e 2100. Nesse cenário, estratégias de geoengenharia, como remoção de dióxido de carbono da atmosfera e sequestro (ou armazenamento) não impediria a pior das contribuições da Antártica para o aumento global do nível do mar.

“Esses resultados demonstram a possibilidade de que o aumento catastrófico e imparável do nível do mar na Antártica seja acionado se as metas de temperatura do Acordo de Paris forem excedidas”, diz o estudo.

Gilford disse que “é fundamental ser proativo na mitigação da mudança climática agora por meio da participação internacional ativa na redução das emissões de gases de efeito estufa e continuando a reduzir as políticas propostas para cumprir as metas ambiciosas do Acordo de Paris”.

Os coautores da Rutgers incluem Erica Ashe, uma cientista de pós-doutorado no Laboratório de Ciências e Políticas do Sistema Terrestre Rutgers. Cientistas da University of Massachusetts Amherst, da Pennsylvania State University, da University of California Irvine, da University of Bristol, da McGill University, do Woods Hole Oceanographic Institution e da University of Wisconsin-Madison contribuíram para o estudo. (ecodebate)

Os oceanos do mundo podem absorver menos carbono no futuro

Os oceanos são um “sumidouro” vital de carbono – sem esses sumidouros naturais, os níveis de carbono atmosférico estariam agora perto de 600 partes por milhão (ppm), quase 50% mais alto do que os 410 ppm registrados em 2019.

Relatório reúne conhecimentos mais recentes sobre o papel dos oceanos no ciclo do carbono e visa fornecer aos tomadores de decisão as informações necessárias para desenvolver políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas para a próxima década.

Publicado pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO, o relatório vem de uma equipe internacional que inclui três autores principais da Universidade de Exeter.

O professor Andrew Watson , do Instituto de Sistemas Globais de Exeter , disse: “Se, como esperamos, nos aproximarmos do zero líquido mais tarde neste século, é possível que parte do dióxido de carbono que o oceano anteriormente absorveu da atmosfera comece a ser liberado novamente.

“Não sabemos, nesta fase, o quão sério isso pode ser.”

O Dr. Jamie Shutler, baseado no campus Penryn da Universidade de Exeter em Cornwall, acrescentou: “Satélites, aprendizado de máquina e sistemas de medição automatizados, incluindo sistemas em andamento de navios e drones de superfície, desempenham um papel crítico na quantificação do carbono em nossos oceanos”.

Dr. Ute Schuster, da Universidade de Exeter, disse: “Os modelos numéricos não podem reproduzir de forma realista o ciclo do carbono do oceano e uma vez que o papel do oceano para mitigar os impactos das mudanças climáticas continuará a mudar de maneiras que não podemos prever, precisamos coordenados globalmente observações in situ, com apoio financeiro sustentado de longo prazo.

“Este relatório descreve a razão subjacente para o projeto, e após a implementação, de uma rede de observação integrada eficiente e sustentada.”

O relatório destaca o papel do oceano desde a Revolução Industrial como um sumidouro de carbono gerado pela atividade humana.

Ele examina as observações e pesquisas disponíveis para determinar se os oceanos continuarão a absorver carbono ou se um dia poderão começar a emitir parte do carbono que armazenam.

No desenvolvimento do relatório, o IOC reuniu especialistas dos cinco programas internacionais de pesquisa e coordenação sobre interação oceano-clima, que trabalham juntos desde 2018 no Grupo de Trabalho do IOC sobre Pesquisa Integrada de Carbono Oceânico (IOC-R).

Juntos, eles propõem um programa inovador de pesquisa integrada de carbono oceânico de médio e longo prazo para preencher as lacunas neste campo.

O relatório foi desenvolvido como parte da Década das Ciências do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (2021-2030).

Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, disse que esta é “uma oportunidade única de reunir todas as partes interessadas em torno de prioridades científicas comuns para fortalecer a ação sobre a mudança no ciclo de carbono do oceano”.

O relatório é intitulado: Integrated Ocean Carbon Research: A Summary of Ocean Carbon Knowledge and a Vision for Coordinated Ocean Carbon Research and Observations for the Next Decade. (ecodebate)

El Niño leva aquecimento dos oceanos a território desconhecido

El Niño excepcionalmente forte impulsiona aquecimento global dos oceanos e leva temperatura média da superfície do mar ao maior valor já reg...