quarta-feira, 9 de abril de 2025

La Niña deve ser mais curto que o esperado

La Niña deve ser mais curto que o esperado, segundo Organização Mundial de Meteorologia.
O fenômeno climático natural La Niña, que acontece desde dezembro de 2024, deve ser mais curto do que o habitual, de acordo com a Organização Mundial de Meteorologia (OMM), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), piorando as condições de calor ao redor do mundo.

Em relatório recém divulgado pela OMM, o La Niña vigente é definido como um “evento fraco” e incapaz de frear o aumento das temperaturas globais - no ano passado, meteorologistas já se preocupavam com o atraso do início do fenômeno.

Mas isso não significa, necessariamente, que teremos um retorno rápido do El Niño, fenômeno que alterna com o La Niña e geralmente provoca temperaturas mais altas nas regiões tropicais, como no Brasil.

Fevereiro em São Paulo e outras regiões do Brasil enfrentaram onda de calor. Ao todo, já foram 5 fenômenos do tipo no País em 2025.

“Previsões dos Centros Globais de Produção da OWM indicam que as atuais temperaturas da superfície do mar, mais frias que a média no Pacífico equatorial, devem retornar ao normal”, diz a OMM.

“Há uma probabilidade de 60% de que as condições voltem a condições neutras de ENSO (nem El Niño nem La Niña) durante março-maio de 2025, aumentando para 70% em abril-junho de 2025”.

Ou seja, o fenômeno pode durar cerca de seis meses, enquanto em condições normais, segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, poderia ter mais de um ano de duração.

Probabilidade de desenvolvimento do El Niño, conforme a OMM, é “insignificante” durante o período de previsão, de março a junho. Incerteza nas previsões de longo prazo é “maior que a usual” devido à barreira de previsibilidade da primavera boreal, afirma a organização.

O que é o La Niña?

O La Niña consiste no resfriamento em grande escala das temperaturas da superfície do Oceano Pacífico equatorial, especialmente na sua região central e oriental. Ele causa mudanças na circulação atmosférica tropical, incluindo os ventos, a pressão e os padrões de chuva. Geralmente, anos sob influência do La Niña são mais frios, enquanto os de El Niño são mais quentes.

As mudanças climáticas têm bagunçado os fenômenos e é a isso que a OMM credita este La Niña mais fraco - nos primeiros meses de 2025, o Brasil e o mundo têm batido recordes de calor em meio ao fenômeno, que deveria provocar resfriamento maior que o do El Niño, influente nos últimos anos.

“As mudanças climáticas induzidas pelo homem estão aumentando as temperaturas globais, exacerbando o clima e o tempo extremos, e impactando os padrões sazonais de chuva e temperatura”, ressalta o relatório divulgado pela organização mundial.

Com temperaturas da superfície do mar acima do normal previstas para persistir em todos os principais oceanos — exceto pelo Pacífico oriental próximo ao equador —, as últimas previsões do relatório Atualizações Climáticas Sazonais Globais regulares (GSCU, na sigla em inglês) indicam temperaturas acima da média em quase todas as áreas terrestres do mundo. (msn)

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Brasil diz que Amazônia pode ser fonte de soluções climáticas

Anfitrião da COP30, Brasil diz que Amazônia pode ser fonte de soluções climáticas.
André Corrêa do Lago, presidente da COP30 e secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores.

Em meio à incerteza do anúncio do governo de Donald Trump de que retirará o seu país do Acordo de Paris, o Brasil, que sediará a COP30 em novembro, espera que a Amazônia seja uma "fonte de soluções climáticas" com "forte" participação pública.

A escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de colocar a Amazônia pela primeira vez no centro das decisões climáticas globais "consagra uma visão que combina realismo e esperança", disse à Assembleia Geral da ONU André Correa do Lago, diplomata escolhido para presidir a COP30, que será realizada na cidade de Belém.

Amazônia está "rapidamente se tornando uma grande fonte de soluções climáticas", desde a bioeconomia inovadora até o conhecimento tradicional, sobretudo dos povos indígenas e comunidades locais "na administração da natureza e na liderança climática", afirmou Lago.

Brasil anuncia as prioridades de sua presidência na COP30, anunciou Lago, que já atua como diplomata, ao contrário de alguns de seus antecessores associados ao setor petroleiro e aos combustíveis fósseis, os principais causadores da mudança climática.

Presidente da COP30 deixou claro que o evento será marcado pela defesa do multilateralismo, a proteção e ampliação do legado institucional construído em conjunto ao longo de décadas, pelo respeito à ciência e pela "agilidade tanto na tomada de decisões quanto na implementação [do Acordo de Paris]", que estabeleceu um teto de 1,5ºC para o aumento da temperatura em relação à era pré-industrial.

Embora não tenha abordado em seu discurso a decisão do governo Trump de se retirar do Acordo de Paris, em uma reunião informal com a imprensa, o diplomata havia dito que não se podia esperar quatro anos para enfrentar este problema urgente.

Segundo ele, mudança climática não está mais contida na ciência e no direito internacional, portanto, a adaptação não é mais uma opção.

Os rios voadores: Amazônia e sua importância para o mundo  

Neste sentido, enfatizou que é necessária uma forte participação pública na luta onipresente contra a mudança climática, que precisa incorporar estratégias entre clima, biodiversidade, desertificação e metas de desenvolvimento sustentável. (msn)

sábado, 5 de abril de 2025

Arquitetura solar melhora conforto térmico das edificações

Como a arquitetura solar pode melhorar o conforto térmico das edificações?

Em tempos de calor extremo, como a arquitetura solar pode melhorar o conforto térmico das edificações?
Conforto Térmico na Arquitetura: Principais Estratégias

A arquitetura solar pode melhorar o conforto térmico em edifícios em tempos de calor extremo através do uso de painéis fotovoltaicos, tintas refletivas e elementos como brises solares.

Painéis fotovoltaicos

Reduzem a absorção de calor do telhado, criando uma camada extra que bloqueia parte da radiação solar

Vidros fotovoltaicos semitransparentes reduzem a entrada de calor e filtram a passagem de luz natural

Tintas refletivas

Refletem mais luz solar do que as tintas comuns, reduzindo a quantidade de calor que é absorvido pela edificação

Brises solares e toldos

Controlam a quantidade de luz solar direta que atinge o interior dos edifícios

Cores claras

Refletem uma maior quantidade de luz solar e calor, ajudando a reduzir a absorção de energia térmica pelo edifício

Orientação solar

A compreensão cuidadosa da orientação solar permite que arquitetos e designers criem espaços que sejam visualmente atraentes, confortáveis e energeticamente eficientes

Arquitetura bioclimática

Adapta-se às características de cada local, desde as regiões quentes e úmidas da Amazônia até as áreas mais frias do sul.

Muito além da geração de energia, a arquitetura solar pode ser a chave para manter edifícios mais frescos em meio ao calor extremo. Descubra como os sistemas fotovoltaicos integrados atuam no conforto térmico das construções.
Cobertura fotovoltaica solta no Laboratório Fotovoltaica UFSC.

Se tem uma coisa que todo mundo está sentindo na pele ultimamente é o calor. Ondas de calor estão cada vez mais frequentes e a sensação térmica em muitas cidades bate recordes históricos. O ar-condicionado, que já foi luxo, virou item de sobrevivência. Mas e se existisse uma maneira de aliviar esse calor sem depender tanto de eletricidade cara e de um consumo energético insustentável?

É aqui que entra a energia solar, mais especificamente, a arquitetura solar BIPV (Building-Integrated Photovoltaics), ou, em bom português, Energia Solar Fotovoltaica Integrada à Edificação. Além de gerar energia limpa, essa tecnologia pode contribuir – e muito – para o conforto térmico das construções. Vamos entender melhor como isso funciona e por que pode ser uma solução interessante para o futuro das cidades.

O que é o BIPV e como ele funciona em relação ao calor?

Conceito do BIPV é simples: em vez de instalar módulos solares apenas sobre telhados e lajes usando estruturas adicionais, o sistema fotovoltaico é integrado diretamente à construção, seja como revestimentos de fachadas e coberturas ou como elementos sombreadores, como brises e pérgolas. Módulos solares deixam de ser apenas fontes de energia, mas também participam da arquitetura do prédio.

A forma de fixação dos módulos em coberturas e fachadas pode proporcionar redução da entrada de calor, melhorando o desempenho energético do edifício. Ao invés de deixar que o sol bata diretamente nas superfícies, os módulos funcionam como uma barreira entre o sol e a edificação, absorvendo essa radiação e a convertendo em eletricidade. O resultado? Menos calor entrando no ambiente e mais energia para alimentar sistemas de refrigeração, iluminação e outros aparelhos.

Agora que sabemos o básico do BIPV, vamos direto ao ponto: como ele pode ajudar a manter os edifícios mais frescos em tempos de calor extremo? Aqui estão alguns exemplos:

Uso de módulos fotovoltaicos em fachadas ventiladas para redução da absorção de calor nas fachadas

Edifícios tradicionais costumam ser verdadeiras “esponjas térmicas”. O sol bate na fachada e o calor é absorvido pelas paredes, que depois irradiam esse calor para dentro da construção. Isso é especialmente problemático em grandes cidades, onde o fenômeno das ilhas de calor urbano torna o ambiente ainda mais quente.

Com o BIPV instalado em fachadas ventiladas, essa radiação solar é capturada pelos módulos fotovoltaicos e parte dela é transformada em eletricidade e parte é dissipada pelas costas dos módulos, no colchão de ar presente nas fachadas ventiladas. Isso significa menos calor entrando e, consequentemente, um ambiente interno mais fresco.

Uso de módulos fotovoltaicos em brises e pérgolas que barram a irradiação indesejada

A função primordial de um brise ou de um pergolado é justamente barrar uma irradiação indesejável. Se aliarmos a estrutura de brises e pergolados elementos fotovoltaicos, temos um equipamento com múltiplas funções. Eles geram energia, evitam a entrada de calor e luz excessiva, reduzem a carga térmica, reduzem a necessidade de condicionamento de ar e aumentam a eficiência energética da edificação.

Brises fotovoltaicos do Instituto Germinare em São Paulo.

Uso de módulos fotovoltaicos como coberturas soltas, elevadas em relação à edificação

Os telhados são uma das maiores fontes de ganho térmico em uma construção. Se o telhado esquenta demais, o calor se transfere para dentro e os sistemas de resfriamento precisam trabalhar dobrado.

Módulos solares instalados sobre telhados já ajudam a reduzir essa absorção de calor, pois criam uma camada extra que bloqueia parte da radiação solar, principalmente devido a camada de ar entre módulos e telhado. Mas quando esses módulos criam uma cobertura solta elevada, o efeito do sombreamento é ainda mais significativo. Esta é uma estratégia que pode ficar muito interessante esteticamente, mas é altamente recomendável contar sempre com um arquiteto para garantir o sucesso deste tipo de integração.

Cobertura fotovoltaica solta no Laboratório Fotovoltaica UFSC.

Uso de módulos semitransparentes ou vidros fotovoltaicos para controle de entrada de luz

Outro ponto crítico em prédios e casas são as janelas. Vidros comuns deixam a luz (e o calor) entrar sem restrições, criando aquele efeito de estufa.

Os módulos fotovoltaicos semitransparentes e os vidros fotovoltaicos do BIPV funcionam de maneira diferente. Além de gerar energia, eles podem reduzir a entrada de calor e filtrando a passagem de luz natural. Isso significa redução dos ganhos térmicos, menor necessidade de ar-condicionado durante o dia e um ambiente mais agradável, tanto em projetos residenciais quanto comerciais.

Módulo semitransparente e vidros fotovoltaicos.

Energia solar para alimentar sistemas de resfriamento e simultaneidade

Mesmo com todas essas estratégias para reduzir o calor, alguns dias são tão quentes que o ar-condicionado acaba sendo indispensável. A boa notícia é que o BIPV não só ajuda a diminuir o ganho térmico, como também gera energia para alimentar esses sistemas de resfriamento.

Em vez de utilizar eletricidade da rede (que muitas vezes vem de fontes poluentes e não renováveis), o próprio prédio pode produzir sua própria energia para manter o ambiente fresco. Isso representa economia na conta de luz e um impacto ambiental muito menor.

Além disso, a coincidência temporal entre a maior necessidade de ar-condicionado e a geração energética é extremamente favorável diante da regulamentação da ANEEL para sistemas de geração distribuída. A energia gerada será utilizada de forma instantânea, não acarretando cobrança de tarifa para compensação energética.

BIPV e a sustentabilidade urbana

Além de melhorar o conforto térmico, o BIPV tem um papel fundamental na sustentabilidade das cidades. Com o crescimento populacional e a urbanização acelerada, os centros urbanos estão sofrendo cada vez mais com o calor, ao passo que a demanda por energia elétrica só aumenta.

Integrar a geração de energia diretamente nas construções reduz a necessidade de grandes usinas e redes de transmissão sobrecarregadas. Pela simultaneidade entre geração e consumo, evita picos de consumo na rede. Além disso, diminui as emissões de carbono associadas ao uso de eletricidade, contribuindo com a transição energética.

Vale ressaltar que o BIPV pode ser aplicado tanto em novas construções quanto em retrofit de edifícios antigos, tornando-se uma solução viável para qualquer tipo de projeto. Aliás, não faz mais sentido projetar novas edificações que não gerem sua própria energia.

Reciclagem do lixo, consumo consciente, reaproveitamento de materiais e recursos naturais são algumas das ações amigas da natureza. Porém, é possível ir muito mais além com a ajuda da arquitetura sustentável.

Desafios e futuro do BIPV

Claro, como toda tecnologia emergente, o BIPV ainda enfrenta desafios. O custo inicial pode ser mais alto do que o de módulos solares convencionais, e a implementação requer planejamento específico para cada projeto. Além disso, a disseminação dessa tecnologia se daria de forma muito mais acelerada se houvesse incentivos governamentais e políticas públicas favoráveis.

Mas a boa notícia é que os avanços tecnológicos estão tornando os materiais mais acessíveis e eficientes. Empresas ao redor do mundo já estão investindo pesado nessa área, e à medida que a demanda cresce, os preços devem cair. Além disso, empresas nacionais, como a Garantia Solar BIPV, Eternit, Sengi, entre outras, já estão nacionalizando produtos exclusivamente para este nicho de mercado.

A tendência é que os edifícios sejam projetados já levando em conta a integração dos sistemas fotovoltaicos, e o BIPV se torne um padrão na construção civil sustentável.

Conclusão: o BIPV como solução para as ondas de calor

Diante das ondas de calor cada vez mais intensas e frequentes, buscar soluções inovadoras para manter os edifícios frescos e sustentáveis é essencial. O BIPV surge como uma alternativa poderosa, unindo eficiência energética, conforto térmico e sustentabilidade.

Ao reduzir a absorção de calor, melhorar o isolamento dos telhados, controlar a entrada de luz e gerar eletricidade limpa, essa tecnologia pode transformar como projetamos e vivemos nas cidades.

Para projetos de Arquitetura Solar BIPV com eficiência e qualidade, entre em contato (clarissa@arquitetandoenergiasolar.com.br). Juntos podemos transformar ideias em projetos sustentáveis e inovadores.

Arquiteta Clarissa Zomer é doutora em Engenharia Civil, especialista em sistemas fotovoltaicos integrados à arquitetura. (pv-magazine-brasil)

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Sul do Brasil e Amazônia merecem toda a nossa atenção em 2025

Clima: Sul do Brasil e Amazônia merecem toda a nossa atenção em 2025, diz pesquisador.

Jose Marengo, especialista em aquecimento global, explica que fenômeno La Niña ainda não pode ser confirmado.
Registro feito em maio do desastre que atingiu Porto Alegre, no caso, o pátio de veículo da Polícia Rodoviária Federal

O ano de 2025 começou ainda com incertezas sobre o que esperar sobre o clima. O professor e cientista José Marengo, especialista sobre aquecimento global, alerta que o Brasil não está mais sob efeitos do fenômeno El Niño, mas ainda não se sabe se ele será substituído pela La Niña, o fenômeno inverso.

“El Niño significa que há o aquecimento das águas superficiais do oceano Pacífico, que traz seca para Amazônia e chuva para o Sul do Brasil. Era isso que estava acontecendo desde 2023 e terminou em meados de 2024”, explica Marengo que é coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Em entrevista ao programa Bem Viver, o professor explicou que será necessário esperar até o fim de janeiro para entender a intensidade da La Niña, que por sua vez consiste no resfriamento anormal do oceano Pacífico.

“Existe essa preocupação porque, atualmente, nós temos seca na Amazônia, então ter uma La Niña poderia aliviar essa situação, mas isso é discutível”, pondera. Para o professor, o Sul e o Norte do Brasil devem receber mais atenção no que diz respeito à climatologia e, principalmente, prevenção de desastres. “Essas duas regiões merecem toda nossa atenção: Sul do Brasil e a Amazônia. Dependendo da intensidade da La Niña a situação pode resolver em uma parte e piorar em outras”.
Equilíbrio delicado para a Amazônia Legal Brasileira

Podemos dizer que foi surpreendente o ano de 2024, climaticamente falando?

Sim, na verdade, os anos 2023 e 2024 têm sido impactantes em termos de desastres. E de fato têm em comum. Na segunda metade de 2023, começou o El Niño, que continuou na primeira metade de 2024.

Isso fez com que grandes eventos, como a seca de 2023, continuassem em 2024 na Amazônia – ainda continua neste momento – e também afetou a região do Pantanal.

Os níveis dos rios caíram muito. O rio Paraguai esteve em um dos seus menores índices em Assunção, no Paraguai. Aqui no Brasil, em Ladário, o rio Negro teve o volume mais baixo detectados desde 1902.

E além disso, tivemos outros extremos de 2024 como as chuvas no Espírito Santo, e é claro, o que passa a ser talvez o maior desastre climático no Brasil: as chuvas no Rio Grande do Sul.

Os infratores teriam um prazo de 6 meses para investir em programas de recuperação e preservação e, assim, diminuir o débito

O que mostrou realmente que somos muito vulneráveis aos extremos de clima.

Ano passado o Acre, por exemplo, enfrentou dois tipos de extremos, a seca e a cheia, com os rios da região atingindo patamares históricos. Faz sentido esse tipo de situação?

Realmente faz sentido, sim, porque uma das consequências da mudança climática é mudanças nos extremos. Os extremos passam a ser mais extremos.

Outra coisa importante a ser comentada foram os extremos de temperatura. Em alguns lugares nós tivemos recorde de temperatura, tanto na região sudeste, como no Sul e em parte do Norte.

Esse recorde nos levou a incêndios e queimadas na Amazônia. Isso foi o que chamamos de eventos compostos do clima, ou seja, uma seca associada ou simultânea com uma onda de calor.

O Brasil enfrentou uma onda de fumaça no ano passado, atingindo 60% do território. É exagero afirmar que isso pode se tornar normal?

Não, infelizmente não é exagero. A causa dos incêndios da Amazônia é humana. Sabemos que para os povos andinos o fogo é um fato cultural, utilizado principalmente para preparar o terreno para a próxima campanha agrícola. Claro, é fogo controlado.

Só que quando nós temos uma situação de seca e ondas de calor conjuntamente, o fogo controlado sai do controle.

Por isso, hoje precisamos de mais fiscais, ter uma política de zero fogo, que é algo muito difícil, mas precisa ser implantada. Ao mesmo tempo que os municípios, o corpo de bombeiros tenha uma equipe sempre disponível, trabalhando 24 horas, como acontece em outras regiões do mundo.

Em 2024 tivemos número expressivos de combate ao desmatamento, mas mesmo assim o nível de fogo foi altíssimo. Como que essa conta fecha?

O efeito do combate ao desmatamento não é imediato. Se caiu em 2024, não significa que já vamos ter um resultado prático em 2024.

Na verdade, nós precisamos ter uma tendência de redução por uma década, depois veremos as consequências dessa redução. Não é automático.

Por isso que se fala que se não reduzirmos as emissões de gases de efeito estufa agora, não vamos conter o aquecimento global em 2°C até 2050 ou 2060.
Atitude Sustentável: 7 dicas para combater o aquecimento global

E quais são as expectativas para 2025?

Fenômeno El Niño já acabou, mais ou menos, em maio/24. E aí começou a se configurar o seu oposto, a La Niña.

Acontece que La Niña ainda não se manifestou de fato. Nós estamos com água relativamente mais frias, o que caracteriza os fenômenos, mas não no nível que de fato configura a La Niña. Existem indícios que, na verdade, só vamos ter ela no verão de 2025.

Durante La Niña chove muito na Amazônia e no Nordeste também, mas temos seca no sul e sudeste do Brasil

Então existe essa preocupação porque atualmente nos temos seca na Amazônia. Ter uma La Niña poderia aliviar essa situação, muitos têm essa esperança de que um La Niña forte pode terminar com os problemas de seca no Brasil, mas isso é discutível, porque apesar da chuva intensa no sul do Brasil no ano passado, existe uma região que ainda enfrenta seca, no caso o estado do Paraná, a bacia do Paraná como um todo. Um La Niña forte pode prejudicar mais essa região.

Essas duas regiões merecem toda nossa atenção: Sul do Brasil e a Amazônia. Dependendo da intensidade da La Niña, a situação pode resolver em uma parte e piorar em outras.

É muito cedo, temos que esperar talvez até janeiro para poder saber um pouco mais.

A ciência há décadas alerta para desastres climáticos como o que ocorreu em 2024 no Rio Grande do Sul.

Como devemos agir para ter mais eficiência na prevenção de desastres?

Precisamos de uma integração entre governo federal, estadual e municipal.

No Cemaden nos trabalhos com desastres. Nós fazemos previsão de alerta, de desastres. Então nós avisamos de enxurradas, inundações.

Informação é gerada pelo governo federal, que passa para a defesa civil geral, que repassa para a estadual e depois do município em questão.

Existe uma corrente, e se essa corrente se quebra em algum momento, nós vamos ter problemas. É o que aconteceu em São Sebastião em 2023. As chuvas foram previstas e o alerta foi emitido. O que faltou foi essa conexão entre a defesa civil e a defesa civil municipal. Situação semelhante com o que aconteceu no Rio Grande do Sul.

Então falta essa conexão. Importante comentar que isso não é só no Brasil. Em Valência, na Espanha a situação foi muito semelhante. Você deve se lembrar como a população ficou revoltada com a falta de alerta. (brasildefato)

terça-feira, 1 de abril de 2025

Nosso país não está entre os 30 mais quentes do mundo

Ondas de Calor no Brasil: Nosso país está entre os 30 mais quentes do mundo?
Quando pensamos nos países mais quentes do mundo, é normal achar que essas nações ficam próximas ao deserto do Saara ou no Oriente Médio. Claro, muitos países dessas regiões entraram no top 30, mas você sabia que certas ilhas estão entre os países mais quentes do mundo? E não importa se é verão ou não, esses lugares tendem a ser quentes o ano todo. E o Brasil, onde será que se coloca nesse ranking?

Nesta galeria, olhamos para a temperatura média anual dos 30 países mais quentes do mundo, além de sua temperatura mais alta já registrada. Clique para ver quais nações entraram na lista!

30. Emirados Árabes Unidos

Temperatura média anual: 26,65°C

Maior temperatura registrada: 52,1°C

29. Samoa

Temperatura média anual: 26,7°C

Maior temperatura registrada: 35,3°C

28. Guiné-Bissau

Temperatura média anual: 26,75°C

Maior temperatura registrada: 45°C

27. São Vicente e Granadinas

Temperatura média anual: 26,8°C

Maior temperatura registrada: 33,9°C

26. Camboja

Temperatura média anual: 26,8°C

Maior temperatura registrada: 48,7°C

25. Bahrein

Temperatura média anual: 26,8°C

Maior temperatura registrada: 42,6°C

24. Brunei

Temperatura média anual: 26,85°C

Maior temperatura registrada: 38°C

23. Sudão

Temperatura média anual: 26,9°C

Maior temperatura registrada: 49,7°C

22. Sri Lanka

Temperatura média anual: 26,95°C

Maior temperatura registrada: 39,8°C

21. Nigéria

Temperatura média anual: 27°C

Maior temperatura registrada: 46,4°C

20. Somália

Temperatura média anual: 27,05°C

Maior temperatura registrada: 47,8°C

19. Seychelles

Temperatura média anual: 27,15°C

Maior temperatura registrada: 34,8°C

18. Togo

Temperatura média anual: 27,15°C

Maior temperatura registrada: 47,5°C

17. Níger

Temperatura média anual: 27,15°C

Maior temperatura registrada: 49,5°C

16. Catar

Temperatura média anual: 27,15°C

Maior temperatura registrada: 50,4°C

15. Kuwait

Temperatura média anual: 27,15°C

Maior temperatura registrada: 53,9°C

14. Gana

Temperatura média anual: 27,2°C

Maior temperatura registrada: 43,8°C

13. Ilhas Marshall

Temperatura média anual: 27,4°C

Maior temperatura registrada: 35,6°C

12. Singapura

Temperatura média anual: 27,5°C

Maior temperatura registrada: 37°C

11. Gâmbia

Temperatura média anual: 27,5°C

Maior temperatura registrada: 49°C

10. Benin

Temperatura média anual: 27,55°C

Maior temperatura registrada: 44,9°C

9. Palau

Temperatura média anual: 27,6°C

Maior temperatura registrada: 35°C

8. Tuvalu

Temperatura média anual: 27,65°C

Maior temperatura registrada: 48°C

7. Mauritânia

Temperatura média anual: 27,65°C

Maior temperatura registrada: 56°C

6. Senegal

Temperatura média anual: 27,85°C

Maior temperatura registrada: 50,5°C

5. Maldivas

Temperatura média anual: 28°C

Maior temperatura registrada: 36,8°C

4. Djibouti

Temperatura média anual: 28°C

Maior temperatura registrada: 46,1°C

3. Kiribati

Temperatura média anual: 28,2°C

Maior temperatura registrada: 50°C

2. Mali

Temperatura média anual: 28,25°C

Maior temperatura registrada: 49,8°C

1. Burkina Faso

Temperatura média anual: 28,29°C

Maior temperatura registrada: 47,2°C

Brasil

Apesar de sentirmos muito calor em terras tupiniquins, o Brasil está bem longe de ser um dos países mais quentes do planeta, ocupando o 70º lugar no ranking. A média de temperatura em todo território nacional é de 25,45°C e o pico de temperatura oficialmente registrado é de 44,8°C. (msn)

Super El Niño não para de ganhar força

Super El Niño não para de ganhar força e tem data atualizada para atingir pico máximo. O Super El Niño de 2026 deve atingir seu pico máximo ...