Detalhes do Fenômeno e
Previsões
• Intensidade: As anomalias
de temperatura na superfície do Oceano Pacífico Equatorial (região Niño 3.4)
podem chegar a cerca de 3,6°C acima da média entre setembro e novembro, com
projeções isoladas de até 3,9°C em novembro.
• Probabilidade: Órgãos como
a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a NOAA indicam uma chance de quase
100% de permanência do fenômeno, descartando cenários de neutralidade ou o
retorno da La Niña a curto prazo.
• Impactos globais: O
aquecimento acelerado dos oceanos coloca o evento em uma categoria muito forte
(superior a 2°C de anomalia), aumentando os riscos de recordes de temperatura
global e eventos climáticos extremos.
Reflexos no Brasil
• Região Sul: Probabilidade
elevada de chuvas intensas, temporais frequentes e risco de enchentes.
• Norte e Nordeste: Redução
drástica dos índices pluviométricos, agravando secas e favorecendo condições
críticas para queimadas.
• Sudeste e Centro-Oeste:
Padrões de precipitação mais irregulares, combinados com ondas de calor
prolongadas e baixa umidade do ar.
Setembro já começou com
chuvas intensas. Neste início de mês, o GMC Online repercute reportagens que
foram sucesso de leitura em agosto. Entre elas, a matéria que trata sobre a
chegada do Super El Niño, que já traz mudanças significativas no tempo e tem
data para atingir o pico máximo.
El Niño pode atingir
intensidade muito forte
A atualização divulgada pela
Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA)
confirma o avanço do fenômeno.
Em julho, a temperatura da
superfície do mar em uma das principais regiões utilizadas para monitorar o El
Niño ficou 1,4°C acima da média climatológica. O aquecimento também é observado
em águas do Oceano Pacífico Equatorial central e oriental, inclusive em
profundidades de até 200 metros.
O cenário aumenta a
possibilidade de o fenômeno alcançar a classificação de El Niño muito forte,
caracterizada por temperaturas da superfície do mar de pelo menos 2°C acima da
média.
Segundo as projeções atuais,
há mais de 90% de probabilidade de que isso aconteça durante a primavera e o
verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul. O período de maior intensidade é esperado
principalmente entre outubro, novembro e dezembro.
Quando o Super El Niño deve
atingir o pico?
A janela apontada pelas
previsões internacionais coloca o fim da primavera e o início do verão como o
período mais importante para o desenvolvimento do fenômeno.
Na prática, isso significa
que o Paraná poderá sentir de maneira mais evidente os efeitos do El Niño
justamente nos próximos meses. A tendência é de aumento dos volumes de chuva e
da frequência de episódios de instabilidade.
O Simepar destaca que, no Sul
do Brasil, a primavera e o verão devem apresentar precipitações acima da média,
com destaque para algumas regiões paranaenses.
No Paraná, as áreas com
expectativa de maiores volumes de chuva são:
- Oeste;
- Sudoeste;
- Centro-Sul.
Além da chuva mais frequente,
o fortalecimento do El Niño aumenta a probabilidade de ocorrência de
tempestades fortes, chuvas intensas, inundações e enxurradas.
Apesar de o pico do fenômeno
ainda ser esperado para a primavera e o verão, os efeitos do El Niño já podem
ser observados no Paraná.
Um dos principais exemplos
está nos dados de chuva registrados em julho. Das 45 estações meteorológicas do
Simepar com mais de cinco anos de operação, apenas quatro tiveram precipitação
abaixo da média histórica no mês.
As exceções foram as estações
de Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba.
Nas outras 41 estações, os
volumes de chuva ficaram acima da média. Em algumas cidades, os registros foram
históricos.
Em Palmas, por exemplo, foram
registrados 311 milímetros de chuva em julho/2026, o maior volume para o mês desde
a instalação da estação meteorológica, há 28 anos.
Outras 6 estações também
registraram, em julho, o maior volume de chuva para o mês dentro de seus
respectivos períodos de histórico:
Altônia: maior volume desde
2018;
Cianorte: maior volume desde
2017;
Cornélio Procópio: maior
volume desde 2019;
Cruzeiro do Iguaçu: maior
volume desde 2022;
Foz do Iguaçu: maior volume
desde 2017;
Ubiratã: maior volume desde
2018.
Junho também teve chuva acima
da média
O comportamento observado em
julho já havia aparecido no mês anterior.
Em junho/2026, entre as
mesmas 45 estações meteorológicas analisadas, apenas uma apresentou
precipitação abaixo da média histórica.
A estação localizada na
Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, registrou 10,2 milímetros a
menos do que o volume médio esperado para o período.
Por outro lado, municípios
como Capanema, Cândido de Abreu, Foz do Iguaçu, Pato Branco, Ponta Grossa, São
Miguel do Iguaçu e Ubiratã tiveram volumes acumulados pelo menos 100 milímetros
acima da média histórica para junho.
Os dados mostram que o padrão
mais chuvoso já vem sendo observado antes mesmo do período previsto de maior
intensidade do El Niño.
Excesso de chuva exige
atenção no campo
O aumento das chuvas pode
trazer efeitos positivos para a agricultura, principalmente ao reduzir áreas
afetadas pela seca e melhorar a disponibilidade de água para as culturas.
Porém, o excesso de
precipitação também representa desafios para os produtores rurais.
O Simepar alerta que o
planejamento será fundamental diante da possibilidade de períodos prolongados
de solo úmido. A condição pode prejudicar operações no campo, incluindo plantio
e colheita, além de favorecer o aparecimento de doenças fúngicas.
Dependendo da cultura, do
estágio de desenvolvimento das plantas e do momento em que as chuvas ocorrerem,
o excesso de água também pode comprometer a qualidade dos grãos.
O fortalecimento do El Niño
não significa que choverá de forma contínua todos os dias no Paraná. O fenômeno
atua modificando padrões atmosféricos em grande escala e aumenta a
probabilidade de determinadas condições climáticas.
Por isso, o Simepar ressalta
que o acompanhamento das previsões meteorológicas precisa ser feito
diariamente.
A ocorrência efetiva de chuva
depende da atuação de sistemas específicos, como frentes frias, áreas de baixa
pressão e sistemas semi estacionários.
Isso também explica por que
os impactos podem variar bastante entre diferentes regiões do Paraná.
Mesmo os episódios mais
intensos de El Niño não produzem necessariamente os mesmos efeitos em todo o
território. Entretanto, quanto mais forte é o fenômeno, maior tende a ser a
probabilidade de ocorrência dos padrões climáticos normalmente associados a
ele.
O que é o El Niño?
O El Niño-Oscilação Sul
(ENOS) é um fenômeno climático que ocorre no Oceano Pacífico Equatorial e nas
regiões próximas. Ele envolve alterações anormais tanto na temperatura da
superfície do mar quanto na circulação da atmosfera.
O fenômeno é considerado um
dos principais responsáveis por alterações no clima global porque consegue
modificar a circulação atmosférica e, consequentemente, influenciar os padrões
de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta por vários meses ou até
anos.
O El Niño corresponde à
componente oceânica do fenômeno e está relacionado ao aquecimento das águas
superficiais do Pacífico Equatorial em relação à média climatológica.
Já a Oscilação Sul representa
a componente atmosférica do ENOS e está associada às mudanças na pressão
atmosférica entre as regiões oeste e leste do Pacífico tropical.
As observações atuais mostram
que essas alterações atmosféricas já estão ocorrendo, incluindo mudanças na
direção dos ventos em diferentes níveis da atmosfera.
Paraná deve enfrentar meses
de maior instabilidade
Com o El Niño em processo de
intensificação e possibilidade superior a 90% de atingir a categoria muito
forte, o Paraná entra em um período que exige atenção redobrada para as
condições meteorológicas.
A principal preocupação para
a primavera e o verão é a combinação de chuvas acima da média e maior
frequência de episódios severos, especialmente nas regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul.





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