segunda-feira, 27 de agosto de 2012

China limita novos emplacamentos

Poluição faz China restringir o número de carros, limitando novos emplacamentos
Poluição do ar em Pequim, China
As grandes cidades chinesas estão recorrendo cada vez mais a cotas de emplacamento de veículos para controlar a poluição e atenuar o congestionamento do tráfego. Depois de Pequim e Xangai, a última a adotar a medida é Cantão, ou Guangzhou, no sul do país. A cidade decidiu limitar o número de novos emplacamentos em cerca de 50% do total do ano passado.
No ano passado, Pequim começou a realizar sorteios para emitir placas de automóveis; os emplacamentos foram limitados em 240 mil para 2011. Em Xangai, os emplacamentos são leiloados desde 2002; atualmente, são autorizados cerca de 8,5 mil novos emplacamentos mensalmente.
O Mizuho Financial Group prevê que o maior rigor de Cantão desacelerará as vendas de automóveis, e que isso poderá ameaçar montadoras como a General Motors e a Volkswagen, que estão dependendo do crescimento da China, o maior mercado automotivo do mundo, para contrabalançar a queda da demanda na Europa.
“As novas restrições de Cantão corroboraram a tendência de adoção de mais controles”, escreveram em relatório Ole Hui e Jeremy Yeo, analistas do setor automobilístico da Mizho. “Outras cidades vão fazer o mesmo, uma vez que muitas já alcançam níveis de poluição e de congestionamento excessivamente altos.” Maior produtora mundial de emissões de carbono, a China abriga 16 das 20 cidades mais poluídas do mundo, segundo o Banco Mundial.
Em Cantão, com uma população de 10,3 milhões de pessoas, a velocidade média dos veículos é de cerca de 20 quilômetros por hora, e deverá ficar ainda mais lenta em 2013, prevê o governo. No fim de maio havia um total de 2,41 milhões de veículos na cidade, número correspondente a mais que o triplo do total de vagas de estacionamento. Isso levou a cidade a decidir que apenas 120 mil novos emplacamentos seriam emitidos no período de 12 meses iniciado em 1º de julho.
A medida tomada por Cantão poderá levar as montadoras a centrar as atenções nas cidades de menor porte. “Mesmo que novas grandes cidades chinesas lancem controles de emplacamento, prevemos que isso não afetará o potencial de crescimento durante vários dos próximos anos”, ponderou por e-mail Andreas Hoffbauer, porta-voz da Volkswagen em Pequim. “As cidades de segunda e terceira linhas constituirão a maior contribuição ao crescimento do mercado automobilístico chinês.”
Apesar dos controles adotados por Cantão, o governo central não permitirá que muitas outras cidades imponham restrição semelhante à propriedade de veículos, prevê o analista Cao He, da China Minzu Securities de Pequim. “Se um número excessivo de cidades seguir esse exemplo, teremos certamente um desaquecimento das vendas de veículos e do crescimento da economia”, disse ele.
A demanda chinesa por veículos já desacelerou neste ano, diante da perda de impulso do crescimento da economia e da alta dos preços dos combustíveis. As vendas de veículos de passageiros aumentaram 5,5% nos cinco primeiros meses do ano, segundo a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis, comparativamente à alta de 6,1% registrada no mesmo período de 2011. (EcoDebate)

sábado, 25 de agosto de 2012

Área de degelo do Oceano Ártico é recorde

Área de gelo do Oceano Ártico sobre recuo recorde
Redução da área de gelo do Oceano Ártico
A área de gelo do Oceano Ártico apresentou um encolhimento recorde, superando o mínimo anterior de 2007, em um sinal de como a mudança climática está transformando a região, de acordo com algumas estimativas científicas.
 “Atingimos a área mínima de gelo em 23/08/12. Nunca se mediu menos do que agora”, disse à Reuters Ola Johannessen, diretor fundador do Nansen Environmental and Remote Sensing Center, na Noruega. “Está abaixo do mínimo de 2007.”
No entanto, o National Snow and Ice Data Center (NSIDC), dos Estados Unidos, considerado por muitos a principal autoridade com relação ao gelo marinho, projetou que o recorde de extensão mínima de 2007 deverá ser quebrado na semana que vem. A redução registrada no verão em geral continua em setembro.
Outros cientistas que monitoram o gelo interpretam os dados de satélite de formas ligeiramente diferentes.
Um painel sobre o gelo compilado pelo Instituto Dinamarquês de Meteorologia (DMI, na sigla em inglês) mostrou que a extensão de gelo encolheu um pouquinho a mais que o mínimo de 2007. O DMI informou que discordaria do NSIDC para julgar quando o recorde foi batido.
O gelo tem encolhido constantemente nas últimas décadas no Ártico, ameaçando o sustento das pessoas nativas e a vida selvagem. A mudança também tem ajudado a abrir uma área rica em petróleo e gás e traz a promessa de rotas marítimas novas e mais curtas.
“Isso se deve à mudança climática”, disse Nicolai Kliem, chefe do serviço de gelo do DMI, sobre o declínio do gelo no verão no longo prazo. Cientistas calculam que o gelo marinho no verão poderá desaparecer por completo nas próximas décadas.
O recuo do gelo pode estar se autoalimentando. O gelo reflete a luz solar de volta ao espaço e, à medida que encolhe, expõe a água escura que absorve mais calor, acelerando o derretimento. (EcoDebate)

Degelo no Himalaia pode ser maior

Degelo no Himalaia pode ser maior do que se pensava
Cientistas apontam perda de 21 centímetros de gelo por ano na região. Dados colhidos por satélite da NASA não são conclusivos, diz pesquisador.
Um estudo [Contrasting patterns of early twenty-first-century glacier mass change in the Himalayas] publicado na revista “Nature” em 22/08/12, mostra que o derretimento de gelo no Himalaia pode ser maior do que o estipulado no último levantamento, divulgado em fevereiro deste ano.
Na pesquisa anterior, foram analisadas informações do satélite GRACE (“Experimento Climático e Reparação da Gravidade”, na tradução do inglês). Cientistas estimaram, na época, que o Himalaia perdia cerca de cinco gigatoneladas de gelo por ano.
Para o novo estudo, foram usados dados de um satélite da agência espacial americana (NASA) o ICESat, lançado em 2003 para medir mudanças na cobertura de gelo nas calotas polares.
O novo estudo mostra que o Himalaia perdeu 12 gigatoneladas de gelo por ano entre 2003 e 2008, mais do que o dobro do previsto anteriormente. Como o ICESat é preparado para medições nos polos, seus dados tiveram que ser revisados sistematicamente pelos cientistas, segundo a “Nature”.
As geleiras do Himalaia incluem partes da China, Paquistão, Índia e Nepal, além do famoso Monte Everest e o K2, a segunda montanha mais alta da terra.
Diminuição
O derretimento significou uma diminuição de 21 centímetros de gelo no Himalaia por ano, segundo o cientista que lidera a pesquisa, Andreas Kääb, da Universidade de Oslo (Noruega). O valor “ainda é menor do que a estimativa global para [o derretimento] de geleiras e calotas polares”, segundo a Nature.
Kääb afirma que os dados não são conclusivos, já que há perda de gelo maior ou menor dependendo da região do Himalaia. No noroeste da Índia, por exemplo, as geleiras derreteram 66 centímetros por ano.
O resultado pode ser usado como base para pesquisas futuras, mas uma análise do destino das geleiras exigiria coleta de dados por décadas, afirma Kääb. Para ele, o objetivo maior do estudo é “mostrar uma nova forma de usar os dados do ICESat”.
Em um primeiro estudo usando dados do satélite GRACE, em 2010, cientistas avaliaram que as geleiras do Himalaia e do planalto tibetano enfrentavam perda de cerca de 50 gigatoneladas de gelo por ano, devido ao derretimento. Este resultado, no entanto, foi refutado pela pesquisa de fevereiro deste ano, que avaliou os mesmos números e chegou a outra conclusão. (EcoDebate)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A Antártida está perdendo ou ganhando gelo?

Argumento cético
"A quantidade de gelo ao redor da Antártica está no seu maior nível desde que os satélites começaram a monitorá-lo há quase 30 anos. É simplesmente frio demais para chover na Antártica e isso vai continuar assim por muito tempo. O fato é que há mais gelo do que nunca ao redor da Antártica." (Patrick Michaels)
O que a ciência diz
Enquanto o interior da Antártica Oriental está ganhando gelo continental, a Antártica como um todo está perdendo este gelo continental a uma razão cada vez mais rápida. O gelo oceânico antártico está aumentando apesar de o Oceano Antártico estar se aquecendo intensamente.
É importante distinguir entre o gelo continental e o gelo oceânico antártico, que são dois fenômenos separados. Notícias sobre o gelo antártico muitas vezes deixa de reconhecer esta diferença entre os dois. Para resumir a situação das tendências do gelo na Antártica:
O gelo antártico continental está diminuindo cada vez mais rápido.
O gelo antártico oceânico está aumentando apesar do aquecimento do Oceano Antártico.
O gelo antártico continental está diminuindo
Medir as mudanças no gelo continental antártico tem sido um processo difícil devido à enormidade e complexidade do manto de gelo. Porém, desde 2002 os satélites do Gravity Recovery and Climate Experiment (GRACE) têm sido capazes de cobrir todo o manto de gelo de maneira abrangente. Os satélites medem as mudanças na gravidade para determinar as variações de massa de toda o manto de gelo antártico. Observações iniciais encontraram que a maior parte da perda de massa de gelo nesse continente vem da Antártica Ocidental (Velicogna 2007). Enquanto isso, de 2002 a 2005, a Antártica Oriental esteve aproximadamente em equilíbrio. O gelo ganho no interior é compensado pela perda de gelo nas extremidades. Isso é ilustrado na Figura 1, que contrasta as mudanças de massa de gelo da Antártica Ocidental (vermelho) com a da Oriental (verde):
Figura 1: mudanças na massa de gelo (linhas contínuas com círculos) e a tendência linear (linhas tracejadas) para o manto de gelo da Antártica Ocidental (vermelho) e da Antártica Oriental (verde) para o período de abril de 2002 a agosto de 2005 (Velicogna 2007).
Conforme mais dados do GRACE são disponibilizados, emerge uma compreensão mais clara do manto de gelo Antártico. A Figura 2 mostra a mudança na massa de gelo antártico para o período de abril de 2002 a Fevereiro de 2009 (Velicogna 2009). A linha azul com cruzes mostra os valores mensais, não filtrados. As cruzes azuis estão com a variabilidade sazonal removida.
A linha verde é a tendência linear.
Figura 2: Mudanças na massa de gelo para o manto de gelo antártico de abril de 2002 a fevereiro de 2009. As cruzes azuis são os dados não-filtrados. As cruzes vermelhas são os dados filtrados para excluir a dependência sazonal. A linha verde é a tendência quadrática (Velicogna 2009).
Com uma série histórica mais longa, emerge agora uma tendência estatisticamente significativa. Não só a Antártica está perdendo gelo continental, mas essa perda está se acelerando a uma tasa de 26 Gigatoneladas/ano² (em outras palavras, a cada ano, a taxa de perda de gelo fica 26 Gton maior que o ano anterior). Ocorre que desde 2006, a Antártica Oriental não está mais em equilíbrio, mas na verdade está perdendo gelo (Chen 2009). Isso é um resultado surpreendente, pois a Antártica Oriental tem sido considerada estável devido à região ser tão fria. Isso indica que a Antártica Ocidental é mais dinâmica do que se pensava.
Isso é significativo porque a Antártica Oriental tem muito mais gelo que a Antártica Ocidental. A Antártica Oriental contém gelo suficiente para elevar o nível dos oceanos em 50 ou 60 metros, enquanto a Antártica Ocidental contribuiria com cerca de 6 ou 7 metros. O manto de gelo Antártico desempenha um papel importante na contribuição total para o nível do mar. Esta contribuição está aumentando contínua e rapidamente.
O gelo oceânico antártico está aumentando
O gelo oceânico antártico tem mostrado um crescimento e longo prazo desde que os satélites começaram suas medições em 1979. Esta é uma observação que foi frequentemente citada com prova contra o aquecimento global. Entretanto, raramente é feita a pergunta: por que o gelo oceânico antártico está aumentando? Implicitamente, toma-se como verdade que deve estar esfriando ao redor da Antártica. Definitivamente, não é este o caso. Na verdade, o Oceano Antártico tem se aquecido mais rápido que o resto dos oceanos do mundo. Globalmente, entre 1955 e 1995, os oceanos têm se aquecido em 0,1ºC por década. Em contraste, o Oceano Antártico tem se aquecido em 0,17ºC por década. Não apenas o Oceano Antártico está se aquecendo, mas isso está acontecendo mais rápido que a média global.
Figura 3: Temperatura do ar na superfície sobre as áreas cobertas por gelo no Oceano Antártico (topo). Extensão do gelo oceânico, observado por satélite (em baixo). (Zhang 2007)
Se o Oceano Antártico está se aquecendo, por que o gelo oceânico antártico está aumentando? Há vários fatores responsáveis. Um é a menor concentração de ozônio acima da Antártica. O buraco da camada de ozônio acima do Polo Sul causou o resfriamento da estratosfera (Gillet 2003). Isso reforça os ventos ciclônicos que circundam o continente antártico (Thompson 2002). O vento espalha o gelo oceânico, criando áreas de mar aberto conhecidas como polínias. Mais polínias levam a mais produção de gelo oceânico (Turner 2009).
Outro fator responsável é a mudança nas circulações oceânicas. O Oceano Antártico consiste de uma camada de água fria próxima da superfície e uma camada de água mais quente abaixo. Água da camada mais quente sobe à superfície, derretendo o gelo oceânico. Entretanto, conforme a temperatura do ar aumenta, o volume de chuva e neve também aumenta. Isso diminui a salinidade das águas da superfície, levando a uma camada de superfície menos densa que a água mais salgada da camada inferior. As camadas tornam-se mais estratificadas e misturam-se menos. Menos calor é transportado para cima desde a camada mais profunda e mais quente. E assim menos gelo oceânico derrete (Zhang 2007).
Em resumo, o gelo oceânico antártico é um fenômeno complexo e único. A interpretação simplista que deve estar esfriando ao redor da Antártica não é o que se observa. O aquecimento está acontecendo - como ele afeta regiões específicas é algo complicado. (skepticalscience)

Antártida se aquece há pelo menos 600 anos

Península Antártica passa por aquecimento natural há séculos, exarcebado pela ação do homem.
As temperaturas na Península Antártica, região que está se aquecendo mais rapidamente em todo no Hemisfério Sul, começaram a aumentar naturalmente há 600 anos, bem antes que as mudanças climáticas causadas pelo homem intensificassem esse processo. A afirmação, feita por cientistas em estudo publicado ontem na revista Nature, ajuda a explicar os recentes colapsos de vastas plataformas de gelo.
Por meio da reconstrução das temperaturas do passado, os cientistas estimaram que desde então a taxa de aquecimento foi de 2,6°C por século - algo considerado incomum, mas não sem precedentes. "Quando o aquecimento incomum recente começou, as plataformas de gelo da Península Antártica já estavam prontas para o esfacelamento observado a partir dos anos 1990", afirmou o centro de pesquisa ambiental British Antarctic Survey (BAS), que liderou a pesquisa.
Uma tendência ao aquecimento causada por variações naturais, talvez afetando ventos e correntes oceânicas, começou há 600 anos e tornou vulneráveis as plataformas de gelo que flutuam ao redor da península. A partir da década de 1920, esse aquecimento se acelerou. Muitas dessas plataformas se partiram recentemente, causando a perda de cerca de 25 mil km², área equivalente ao Haiti.
Ação do homem
A queima de combustíveis fósseis desde a Revolução Industrial, no século 18, emitiu gases-estufa que seguram o calor, aumentam a temperatura e causam enchentes, secas e elevaram os níveis dos oceanos com o derretimento do gelo em terra, afirmam cientistas ligados à ONU.
"O que estamos observando é consistente com um aquecimento causado pelo homem, sobreposto a um aquecimento natural", afirmou Robert Mulvaney, do BAS. Mas ele ressalta que seu estudo, feito em parceria com especialistas australianos e franceses, diz respeito apenas a uma pequena parte da Antártida.
Os cientistas cavaram no gelo, ao norte da península, um buraco de 364 metros para encontrar pistas da variação de temperatura ao longo dos últimos 15 mil anos. Eles observaram que há 11 mil anos, no fim da última Era do Gelo, a temperatura no local era pouco mais alta que a de hoje.
"Se esse aquecimento rápido que estamos observando continuar, podemos esperar que as plataformas de gelo ao sul da península, que estão estáveis há milhares de anos, também se tornem vulneráveis", alertou Nerilie Abram, da Universidade Nacional Australiana. (OESP)

Chuvas intensas em São Paulo e seca nos EUA

Mais chuvas intensas em São Paulo e seca nos EUA corroboram conclusões do IPCC
Avaliação foi feita por pesquisadores a partir das conclusões do mais recente relatório publicado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (Agência Brasil)
Apesar de necessitar de mais estudos para reiterar evidências e esclarecer algumas incertezas sobre os níveis de confiança de algumas previsões, as conclusões do Relatório Especial sobre Gestão dos Riscos de Eventos Climáticos e Desastres (SREX, na sigla em inglês) – elaborado e recentemente divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) – podem ser corroboradas pela maior ocorrência de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do mundo, como a atual seca nos Estados Unidos, e pelo aumento de gastos realizados nos últimos anos por países como o Brasil para sanar os prejuízos causados por enchentes e deslizamentos provocados por chuvas intensas.
A avaliação foi feita por pesquisadores participantes do workshop “Gestão dos riscos dos extremos climáticos e desastres na América do Sul – O que podemos aprender com o Relatório Especial do IPCC sobre os extremos?”, realizado nos dias 16 e 17 de agosto, em São Paulo.
Realizado pela FAPESP e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em parceria com o IPCC, o Overseas Development Institute (ODI) e a Climate and Development Knowledge Development (CKDN), ambos do Reino Unido, e apoio da Agência de Clima e Poluição e do Ministério de Relações Exteriores da Noruega, o objetivo do evento foi debater as conclusões do SREX e as opções para o gerenciamento dos impactos dos extremos climáticos, especialmente nas Américas do Sul e Central.
Uma das principais conclusões do relatório, elaborado pelo IPCC a pedido do governo da Noruega e da Estratégia Internacional para a Redução de Desastres (EIRD), da Organização das Nações Unidas (ONU), é o aumento na frequência de eventos climáticos extremos no mundo nas últimas décadas em função das mudanças climáticas.
Consequentemente, também aumentaram os impactos socioeconômicos desses fenômenos nos últimos anos devido a maior vulnerabilidade e exposição da população humana a eles, em função de fatores como o aumento desordenado da urbanização em regiões como a América do Sul.
Entretanto, de acordo com os pesquisadores, há incertezas a respeito de se alguns fenômenos climáticos extremos tendem a ocorrer em escala global, devido à escassez de dados.
O relatório indica, por exemplo, que é muito provável um aumento na frequência de dias e noites quentes nos próximos anos em diferentes regiões do planeta, tendência já detectada em observações meteorológicas realizadas em grande parte das regiões Sul e Sudeste do Brasil e no sudeste da América do Sul.
Por outro lado, o documento aponta dúvidas em relação ao aumento da frequência de chuvas intensas em todo o mundo, indicando regiões que apresentam aumento e outras onde ocorreu redução do evento climático – o que impossibilita generalizar a conclusão de que o fenômeno deve acontecer mais frequentemente em todo o planeta.
Contudo, as chuvas torrenciais em São Paulo com maior frequência nas últimas décadas indicam que têm ocorrido mais fortes precipitações de chuvas, pelo menos em escala regional.
“Se ainda há incertezas sobre a tendência de aumento da frequência de chuva em escala global, no caso de São Paulo não restam dúvidas de que as chuvas intensas têm aumentado muito na cidade nos últimos 50 ou 70 anos”, disse Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e do IPCC e um dos autores do SREX.
“Hoje temos três vezes mais chuvas intensas, que causam enchentes e desastres em São Paulo, do que há 70 anos. E as evidências de que esse tipo de evento climático extremo ocorre com maior frequência na capital paulista estão muito bem documentadas”, afirmou Nobre.
Em função de existir evidências mais concretas e consistentes do aumento na frequência de chuvas intensas em São Paulo nas últimas décadas, de acordo com Nobre, a cidade poderia servir como um laboratório excelente para a realização de estudos que relacionem os impactos socioeconômicos causados pelo aumento da frequência de eventos climáticos extremos com o nível de exposição e vulnerabilidade das populações a eles, de modo a reiterar as conclusões do IPCC.
“Seria muito interessante realizar pesquisas para quantificar as enormes mudanças climáticas em São Paulo causadas pelo impacto da urbanização e do efeito de ilha urbana de calor na cidade”, avaliou Nobre.
Impactos socioeconômicos
Nobre deu alguns exemplos de estudos publicados recentemente por pesquisadores do Estado de São Paulo que relacionam o aumento nos riscos à população causados pela maior frequência de chuvas intensas.
Um dos estudos apontou um aumento do número de áreas suscetíveis a alagamentos e que apresentam risco mais elevado de deslizamentos de terra na capital paulista. Outro estudo demonstrou que, com a urbanização, as áreas de chuva intensa se expandem e aumenta o risco de contaminação por leptospirose – doença transmitida pela urina do rato.
Já uma pesquisa feita no Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, em parceria com o Inpe, identificou que Campinas e Ribeirão Preto são as duas regiões no Estado de São Paulo que apresentam maior vulnerabilidade às mudanças climáticas nas próximas décadas.
A grande concentração populacional em Campinas potencializa as consequências de uma enchente. Já no caso de Ribeirão Preto, além de ser populosa, a região deverá registrar temperaturas mais altas nas próximas décadas.
“Podemos discernir em algumas regiões os impactos socioeconômicos causados pela aceleração dos eventos climáticos extremos, que estão associados a maior vulnerabilidade das populações em função da crescente urbanização do mundo e, em particular, das cidades da América Latina, onde esse processo ocorreu nas últimas décadas de forma caótica”, avaliou Nobre.
Segundo ele, no Brasil, por exemplo, os recursos para reconstrução de regiões assoladas por desastres causados por eventos climáticos extremos tiveram uma evolução muito rápida nos últimos dez anos e ultrapassaram o patamar de R$ 1,6 bilhão em 2011. “O impacto econômico dos desastres causados por eventos climáticos extremos já é sensível no país”, afirmou.
Alguns dos exemplos dados pelos pesquisadores para ilustrar o aumento da frequência de eventos climáticos extremos no Brasil nos últimos anos são a baixa umidade do ar registrada atualmente no Centro-Oeste do país e no sudeste de São Paulo, além das constantes enchentes no verão em São Paulo, Rio de Janeiro e em outras regiões do oeste do Brasil, e das secas no oeste da Amazônia.
Já no exterior, a seca que atinge os Estados Unidos atualmente é apontada pelos pesquisadores como um exemplo bastante consistente de evento climático extremo de ocorrência e dimensões raras, que corrobora as conclusões do SREX.
“É um evento climático que talvez ocorre somente a cada cem anos e que provoca um enorme impacto econômico e social, na medida em que perturba todo o sistema de preço de commodities agrícolas e afeta, inclusive, a segurança alimentar do país”, avaliou Nobre.
De acordo com Nobre, a seca nos Estados Unidos não foi documentada no SREX, mas deve ser incluída no próximo relatório do IPCC, previsto para ser publicado em 2013, que deve esclarecer algumas das incertezas sobre o nível de confiança de algumas previsões apontadas no documento atual.
“Muitas das informações publicadas no SREX serão atualizadas no quinto relatório do IPCC, por meio do qual esperamos ter uma melhor compreensão dos eventos climáticos extremos”, disse José Marengo, pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Inpe, membro do IPCC e um dos autores do SREX. (EcoDebate)

Iceberg se desprende de geleira na Groenlândia

Iceberg do tamanho de uma ilha se desprende de geleira na Groenlândia
Os satélites da NASA detectaram a formação de um novo iceberg na Groenlândia após um pedaço da geleira de Petermann rachar nesta semana. O iceberg formado tem 119 km², uma área equivalente a duas vezes o tamanho da ilha de Manhattan, em Nova York, ou quatro vezes o arquipélago de Fernando de Noronha (PE).
É a segunda vez que o fenômeno ocorre nos últimos anos: em 2010, um iceberg duas vezes maior se desprendeu da geleira de Petermann. Pesquisadores da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, mostram preocupação com o fato de que duas “ilhas de gelo” tenham se desprendido em um período de tempo tão curto. Fenômenos dessa magnitude são geralmente observados em intervalos de 10 ou 20 anos.
Os cientistas são cuidadosos e evitam atribuir o derretimento da geleira ao aquecimento global. Apesar disso, os indícios mostram que a temperatura no Ártico está mais quente do que anteriormente. Em média, a Groenlândia fica 0,11º C mais quente por ano, o que significa que a temperatura está aquecendo cinco vezes mais rápido do que no resto do mundo.
No ano passado, o gelo no Ártico já atingiu sua menor extensão na história. O derretimento de geleiras no Polo Norte pode diminuir ainda mais as geleiras este ano, aumentando o nível do mar. (globo)

Seca e colapso hídrico revelam a desigualdade da água no Brasil

A seca e o colapso hídrico no Brasil escancaram uma forte desigualdade social e geográfica, impulsionados pelas mudanças climáticas, pela fa...