sexta-feira, 21 de junho de 2013

Lavoura-pecuária é alternativa sustentável

Integração lavoura-pecuária é alternativa sustentável
Rural Centro infiltrados
A integração lavoura-pecuária é uma técnica, também conhecida como rotação de culturas anuais com pastagens, em que os produtores utilizam a terra tanto para a produção animal como a vegetal, realizando um revezamento de acordo com a época do ano. Entre os benefícios encontrados na implantação da técnica estão: o aumento na renda, melhora da situação do solo, melhor aproveitamento do maquinário, além de aumento da necessidade de mão-de-obra, gerando mais empregos locais.
Esses resultados foram obtidos a partir de entrevistas realizadas em 12 fazendas que utilizam a técnica, localizadas no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso, por um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) e da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, ambas em Pirassununga.
“A integração lavoura-pecuária é uma forma mais sustentável de produção e várias organizações não-governamentais [ONGs] são favoráveis ao seu uso”, conta o professor Augusto Hauber Gameiro, do Departamento de Nutrição e Produção Animal (VNP) da FMVZ, em Pirassununga. “Outra vantagem observada é o fato de as plantações de soja e outras leguminosas fixarem nitrogênio no solo. Ao plantar gramíneas para a pastagem do gado, quase não será preciso adicionar nitrogênio” descreve.
Gameiro foi o orientador do trabalho de iniciação científica realizado pelos alunos Felipe Perrone Braz e Thiago Denardi Mion, do curso de Zootecnia da FZEA. A pesquisa deu origem ao artigo Análise Socioeconômica comparativa de sistemas de integração lavoura-pecuária em propriedades rurais nas regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil.
O estudo — uma pesquisa qualitativa — foi realizado por meio da aplicação de um questionário que foi respondido pelos donos ou gerentes das fazendas. Foram escolhidas propriedades que já são sabidamente usuárias da técnica. Os entrevistados destacaram que o conhecimento técnico e a capacidade de investimento são fundamentais para o sucesso da atividade. “Não se trata de algo a ser utilizado apenas por pequenas propriedades”, diz o docente, ressaltando que “são necessários investimento e conhecimento técnico para que produções em maior escala tornem-se viáveis e rentáveis”.
Monoculturas e pecuária
Segundo Gameiro, a integração lavoura-pecuária é algo bastante antigo. O uso da técnica decaiu após a Segunda Guerra Mundial, quando houve um crescimento das grandes monoculturas. Já a pecuária cresceu muito no Brasil a partir da década de 1970. Durante muito tempo, agricultores e pecuaristas se dedicaram a uma ou outra atividade exclusivamente, cenário que tem mudado nos últimos tempos.
“Aquelas lavouras enormes de monocultura podem parecer melhor sob alguns aspectos, pois o produtor fica focado em uma só cultura, e pode se especializar. Entretanto, há várias desvantagens, sendo a principal delas a ambiental. As monoculturas prejudicam a biodiversidade e, sob o aspecto econômico, na entressafra, é preciso lidar com a ociosidade da terra, de equipamentos e de pessoal, principalmente nas culturas anuais, como soja e milho”, afirma o professor. Já no caso da pecuária, pode ocorrer um processo crescente de degradação do solo, caso o manejo seja inadequado.
Na integração lavoura-pecuária, quando a terra não está sendo utilizada para o cultivo de determinada cultura, ela se transforma em pasto e o agricultor pode se dedicar à pecuária e vice-versa. No caso da soja e do milho, o plantio é realizado na primavera (em outubro ou novembro), em São Paulo e nos estados localizados acima dele. A colheita é em fevereiro, março e abril. No modelo tradicional, a terra somente seria utilizada no plantio seguinte (na primavera) e, no inverno, o pasto estaria seco. Na integração lavoura-pecuária, o produtor pode plantar pasto para o gado logo após a colheita. Entre julho e agosto, durante a época seca, o pasto estará verde e capaz de sustentar uma maior lotação de animais.
Adaptação possível
Gameiro lembra que a agricultura, quando comparada à pecuária extensiva de baixa produtividade, é uma atividade mais complexa, pois exige mais investimentos, atenção e esforço gerencial: é preciso cuidar adequadamente do solo, dos maquinários, escolher a semente adequada, plantar e colher na época certa, armazenar corretamente, etc.
Na pecuária extensiva de baixa produtividade, os animais ficam em grandes áreas, geralmente um por hectare (cerca de 10 mil metros quadrados ou um campo de futebol). Já na pecuária mais intensiva, o gado ocupa espaços menores e recebe uma alimentação de altíssima qualidade, o que exige mais esforços do produtor.
“Apesar de ser mais difícil para um pecuarista deste tipo se adaptar, constatamos que não é impossível que ele comece a utilizar a integração lavoura-pecuária. Isso pode ser feito por meio de arranjos contratuais entre pecuaristas e agricultores”, finaliza o docente.
Em 30/04/13 a presidenta da República, Dilma Rousseff, sancionou a Lei que institui a Política Nacional de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. O objetivo, segundo o texto, “é de aperfeiçoar a produtividade e qualidade dos produtos, utilizando sistemas sustentáveis de exploração que integram atividades agrícolas, pecuárias e florestais”. (noticiasagricolas)

Sai rascunho do ODS

Sai rascunho dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
Painel das Nações Unidas apresenta o primeiro rascunho dos dez Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que devem nortear as políticas públicas e privadas do mundo a partir de 2015.
O legado da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que aconteceu em junho de 2012 no Rio de Janeiro e ficou popularmente conhecida como Rio+20, continua: a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável (SDSN) - painel da ONU formado por especialistas de vários lugares do mundo, incluindo Brasil - apresentou o primeiro rascunho dos dez Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Trata-se de um conjunto de metas, nos moldes dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que deve ser assumido por todos os países-membros da ONU após 2015, quando expira o prazo para o cumprimento dos ODM, norteando todas as políticas públicas e privadas do mundo.
A criação dos ODS foi acordada durante a Rio+20 e foi considerada uma das principais conquistas do documento O Futuro que Queremos, resultante da Conferência. Já em agosto de 2012, a pedido de Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, o grupo SDSN foi criado, sob a coordenação do economista norte-americano Jeffrey Sachs, para dar início às discussões que resultarão na implantação dos Objetivos em 2015.
A primeira grande realização do grupo foi o rascunho dos ODS, que apresenta dez metas para serem assumidas pelos países-membros das Nações Unidas:
1. Fim da pobreza extrema e da fome;
2. Alcançar o desenvolvimento global;
3. Garantir aprendizado eficaz às crianças e jovens;
4. Alcançar a igualdade de gêneros, inclusão social e direitos humanos;
5. Alcançar o bem-estar e garantir a saúde em todas as idades;
6. Melhorar os sistemas agrícolas e aumentar a prosperidade rural;
7. Capacitar as cidades, tornando-as inclusivas, produtivas e resistentes;
8. Controlar as mudanças climáticas e garantir energia limpa a todos;
9. Assegurar serviços ambientais, biodiversidade e bom gerenciamento dos recursos naturais
10. Transformar a governança para o desenvolvimento sustentável.
Disponível na internet, o rascunho dos ODS ficou aberto para consulta pública até 22/05, quando o SDSN começou a trabalhar, novamente, em cima do documento para fazer melhorias. Formado por cerca de 80 especialistas, o grupo de discussão conta com três brasileiros: Israel Klabin, diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), Vania Somavilla, diretora de sustentabilidade da Vale, e Virgílio Viana, superintendente-geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS). O economista indiano Pavan Sukhdev, autor do livro Corporação 2020, lançado em português pelo selo Planeta Sustentável, também integra a equipe. (exame)

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Dez Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
A Organização das Nações Unidas (ONU), através da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável (SDSN – The Sustainable Development Solutions Network), apresentou um rascunho de documento, elaborado por especialistas, que define uma primeira proposta para os dez Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que devem orientar a agenda ambiental a partir de 2015. Os ODS são resultado da conferência Rio + 20, de 2012. Estes objetivos devem entrar em vigor a partir de 2015 quando termina o prazo para serem atingidos os ODMs (Objetivos do Desenvolvimento do Milênio), estabelecidos pela ONU, no ano de 2000.
Infelizmente, esta primeira iniciativa de versão dos ODS está muito marcada pela ideologia desenvolvimentista. A ideia do “Direito ao desenvolvimento” foi estabelecida na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD) do Cairo de 1994. O Plano de Ação da CIPD fala em buscar a conciliação entre o “desenvolvimento sustentado” e o “desenvolvimento sustentável”. Porém, a maior parte das criticas atuais aponta no sentido de mostrar que crescimento econômico sustentado (ilimitado) é incompatível com a verdadeira sustentabilidade ambiental e com as “fronteiras planetárias” (Raworth, 2012).
Esta primeira versão dos ODS também não leva em consideração a questão da dinâmica demográfica e toda a discussão sobre os direitos à saúde sexual e reprodutiva. O mundo vive atualmente uma situação de “fosso demográfico” com os países ricos apresentando taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição, mas taxas de consumo acima da sustentabilidade ambiental, enquanto os países muito pobres apresentam altas taxas de fecundidade e baixo nível de consumo e de acesso aos direitos de cidadania. Estas questões populacionais não podem ficar de fora da discussão da agenda ambiental, assim como os problemas do meio ambiente não podem ficar de fora da discussão da CIPD além de 2014.
Mais do que nunca é preciso lembrar que a ONU necessita romper com a fragmentação das suas agendas e tratar os problemas do mundo de forma integrada e holística. Também precisa dar menos ênfase às questões antropocêntricas e mais destaque aos enfoques ecocêntricos. É preciso, urgentemente, fazer um esforço para integrar a agenda da “CIPD além de 2014” com a agenda da Rio + 20 (e os ODS).
Segue a versão preliminar dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e Metas – da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável – que são para 2030, salvo indicação contrária. Segundo o documento, alvos marcados com (*) precisam ser especificados em nível nacional ou subnacional.
Preâmbulo
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) reafirmam a necessidade de alcançar o desenvolvimento sustentável, promovendo o desenvolvimento econômico, inclusão social, sustentabilidade ambiental e boa governança. Erradicar a pobreza é o maior desafio global. As metas comprometem o mundo em livrar a humanidade da pobreza e da fome como uma questão de urgência, tanto em áreas urbanas como rurais. Os objetivos também ressaltam que são desafios transversais: as políticas para frear a mudança climática, para assegurar a gestão segura da água e garantia dos recursos dos ecossistemas robustos e produtivos. O uso insustentável dos recursos e dos ecossistemas primários do mundo mina a capacidade de todos os países em alcançar o desenvolvimento sustentável e ameaça a segurança alimentar, a viabilidade e sobrevivência das nações. Os objetivos reafirmam a importância da igualdade de gênero e direitos humanos, incluindo o direito ao desenvolvimento, paz e segurança para todos. Eles colocam uma forte ênfase no investimento em saúde e educação de todas as pessoas. Essas metas são universais e se aplicam a todos os países, aos governos nacionais e locais, empresas e Sociedade civil. O desenvolvimento sustentável vai requerer que os objetivos sejam perseguidos de maneira conjunta, em vez de individualmente ou um de cada vez.
Objetivo 1: Fim da Pobreza Extrema, incluindo a Fome
Acabar com a extrema pobreza em todas as suas formas, inclusive a fome e a desnutrição infantil e apoiar estados altamente vulneráveis (ODM 1-7).
Metas podem incluir:
- Acabar com a pobreza de renda absoluta e com a fome, incluindo a segurança alimentar, a nutrição adequada e o fim da desnutrição infantil (ODM 1).
- Suporte avançado para os estados altamente vulneráveis e países menos desenvolvidos para contornar os desafios estruturais que eles enfrentam, incluindo a violência e o conflito.*
Objetivo 2: Alcançar o Desenvolvimento Dentro dos Limites Planetários
Todos os países têm o direito a um desenvolvimento que respeite limites planetários e que ajude a estabilizar a população global nos meados do século.
Metas podem incluir:
- Que todos os países atinjam pelo menos o nível seguinte nas classificações de países do Banco Mundial.
- Que os países respeitem os limites planetários nas suas políticas nacionais e incorporem a elas outros indicadores sociais e ambientais dentro de uma medida expandida do PIB*
- Rápida redução voluntária da fecundidade em países com o total de taxas de fecundidade acima dos 3 filhos por mulher.*
Objetivo 3: Garantir a aprendizagem eficaz para todas as crianças e jovens para a vida e subsistência
Participação de todas as crianças em programas adequados de desenvolvimento da primeira infância e a garantia que elas recebam educação primária e secundária para prepará-las para os desafios da vida moderna, além dos meios de subsistência decentes. Que todos os jovens e adultos tenham acesso contínuo à aprendizagem ao longo da vida para adquirir alfabetização funcional, matemática e habilidades para o seu sustento através do emprego decente ou autoemprego.
Metas podem incluir:
- Que todos os meninos e meninas tenham acesso aos programas de desenvolvimento da primeira infância (DPI).
- Assegurar que todos os meninos e meninas recebam educação primária e secundária de qualidade. Foco nos resultados definidos para cada etapa do ensino, aprendizagem e na redução da taxa de abandono em todas as séries à zero.
- Taxa de desemprego na juventude abaixo de 10%.
Objetivo 4: Promover a Igualdade de Gênero, Inclusão Social e Direitos Humanos
Garantir a igualdade de gênero, direitos humanos, o Estado de Direito e o acesso universal aos serviços públicos. Reduzir a pobreza relativa e outras desigualdades que causam exclusão social. Promover o fim da violência, especialmente contra mulheres e crianças.
Metas podem incluir:
- Fim discriminação e das desigualdades na prestação dos serviços públicos, garantia do Estado de Direito e da participação na vida política e econômica sem distinção de gênero, etnia, religião, deficiência, origem nacional, status social ou outro.
- Reduzir pela metade a proporção de domicílios com renda inferior a metade do rendimento médio nacional (pobreza relativa).
- Reduzir drasticamente a violência contra as pessoas, especialmente mulheres e crianças.*
Objetivo 5 : Alcançar Saúde e Bem-estar em Todas as Idades
Alcançar uma cobertura universal de saúde em todas as fases da vida, com especial incidência nos serviços primários de saúde, incluindo a saúde reprodutiva. Todos os países devem promover políticas para ajudar as pessoas a tomar decisões saudáveis e sustentáveis em relação à dieta, atividades físicas e outras dimensões individuais ou sociais de saúde.
Metas podem incluir:
- Assegurar o acesso universal aos cuidados de saúde primários, que incluem cuidados de saúde reprodutiva e planejamento familiar, além da prevenção e tratamento de doenças transmissíveis e não transmissíveis.
- Reduzir a mortalidade infantil a 20 ou menos mortes para cada 1000 nascimentos, a mortalidade materna a 40 ou menos mortes para cada 100.000 nascidos vivos e mortes de pessoas com menos de 70 anos de idade por doenças não transmissíveis (DNT) em pelo menos 30 por cento em comparação com o nível em 2015.
- Que os países relatem indicadores de bem-estar subjetivo e de capital social.*
Objetivo 6: Melhorar os sistemas de Agricultura e Aumentar Prosperidade Rural
Melhorar as práticas agrícolas e a infraestrutura rural a fim de aumentar a produtividade, reduzir os impactos ambientais, promover a prosperidade rural e garantir a resiliência às mudanças climáticas.
Metas podem incluir:
- Alcançar altos níveis de produtividade nos sistemas de produção de alimentos com baixas perdas pós-colheita e o uso sustentável da água, de nutrientes e energia.*
- Parar a conversão de florestas e zonas úmidas em áreas de agricultura, proteger os recursos do solo e garantir que os sistemas de cultivo sejam resilientes em relação aos extremos climáticos.*
- Acesso universal em áreas rurais aos serviços de infraestrutura básica (água, saneamento, energia moderna, transporte e comunicação móvel e banda larga).
Objetivo 7: Capacitação Inclusiva, Cidades Resilientes e Produtivas
Fazer com que todas as cidades sejam socialmente inclusivas, economicamente produtivas, ambientalmente sustentáveis e resilientes às mudanças climáticas e outros riscos. Desenvolver o governo participativo, responsável e eficaz das cidades para apoiar a transformação urbana rápida e igualitária.
Metas podem incluir:
- Fim da pobreza urbana extrema, expansão do emprego e da produtividade e elevação dos padrões de vida, principalmente em favelas.*
- Acesso universal a um ambiente construído de maneira segura e acessível e a serviços urbanos básicos: habitação, gestão dos recursos hídricos, saneamento e resíduos, assim como energia e transporte de baixo consumo de carbono e serviços de comunicação móvel de banda larga.
- Assegurar ar seguro e água de qualidade para todos e integrar as reduções de emissões de gases de efeito estufa. Assegurar a eficiência da terra e da utilização dos recursos, além da resistência às mudanças climática e a catástrofes seguindo normas e padrões.*
Objetivo 8: Frear a Mudança Climática Induzida pelo Homem e Garantir Energia Limpa para Todos
Reduzir as emissões de gases do efeito estufa por parte dos setores de energia, indústria, agricultura, meio ambiente construído e alteração no uso do solo para acabar com os perigos das alterações climáticas que crescem rapidamente, bem como promover o acesso à energia limpa para todos.
Metas podem incluir:
- Descarbonização do sistema energético para garantir energia limpa para todos, e melhorar a eficiência energética, com metas para 2020, 2030 e 2050.*
- Reduzir as emissões de gases do efeito estufa não relacionados à produção de energia por meio de melhorias nas práticas de agricultura, silvicultura e da indústria.*
- Adotar incentivos, incluindo o aumento da taxação sobre as emissões de gases de efeito estufa para conter as mudanças climáticas e promover a transferência de tecnologia para países em desenvolvimento.*
Objetivo 9: Serviços Ambientais Seguros, Biodiversidade e Boa Gestão dos Recursos Naturais
Ecossistemas marinhos e terrestres, bem como os recursos naturais devem ser catalogados, gerenciados e monitorados para garantir a continuação da robustez dos sistemas de suporte de vida do planeta, e para apoiar o desenvolvimento econômico inclusivo.
Metas podem incluir:
- Assegurar ecossistemas robustos e produtivos (incluindo oceanos e mares, zonas costeiras, florestas, montanhas, terras secas, e áreas úmidas) por meio da adoção políticas que contornem as condutas que levam a mudanças no habitat e a perda de biodiversidade e que exijam dos indivíduos, empresas e governos o pagamento do custo social de sua poluição e uso de serviços ambientais.*
- Participar e apoiar acordos regionais e globais para catalogação, monitoramento e proteção dos biomas e ambientes comuns de importância regional e global.
- Que todos os governos e as empresas se comprometam com a transparência na gestão das terras agrícolas, mineração e recursos de hidrocarbonetos para apoiar o desenvolvimento econômico inclusivo e para a realização de todos os ODS.*
Objetivo 10: Governança Transformadora para o Desenvolvimento Sustentável
O setor público, empresas e outras partes interessadas devem se comprometer com a transparência, responsabilização e um governo sem corrupção. As regras internacionais que regem as finanças Internacionais, comércio, comunicação corporativa, tecnologia e propriedade intelectual são feitas de acordo com a realização dos ODS. O financiamento da redução da pobreza e bens públicos globais, incluindo a mudança climática é reforçado com base em um conjunto formado por direitos e deveres globais.
Metas podem incluir:
- Que governos (nacionais e locais) e empresas se comprometam em fomentar os ODS e relatórios anuais, incluindo a avaliação independente de relatórios integrados para todas as grandes empresas a partir de, no mais tardar, 2020.*
- Finanças públicas nacionais e internacionais adequadas para acabar com a pobreza extrema, melhorar o fornecimento de bens globais públicos, a capacitação e a transferência de tecnologias, incluindo o repasse de 0,7 por cento do PNB para a AOD por parte todos os países de alta renda além de um adicional de US$ 100 bilhões por ano em financiamento oficial para o clima até 2020.
- Regras para o comércio internacional, finanças, tributação, contabilidade empresarial e para a propriedade intelectual serão reformadas para ser tornarem coerentes com a realização dos ODS. (EcoDebate)

Casa sustentável

A BASF apresenta em São Paulo sua primeira Casa de Eficiência Energética no Brasil, a CasaE. Essa é a décima unidade construída pela empresa no mundo e pretende mostrar ao mercado soluções e produtos inovadores desenvolvidos para tornar as construções mais sustentáveis e eficientes. A economia de energia da casa chega a quase 70% graças ao uso de materiais diferenciados.
“O projeto traz muitas novidades para o mercado de construção brasileiro e coloca à disposição da indústria a mais diferenciada
tecnologia em materiais de alta performance, eficiência energética e proteção climática. Nosso compromisso é transformar a química para oferecer soluções inovadoras e economicamente viáveis. Dessa forma, contribuímos com a construção de um futuro mais sustentável para as próximas gerações”, diz Alfred Hackenberger, Presidente da BASF para a América do Sul.
A iniciativa também é um presente da BASF, empresa de origem alemã que é líder do mercado mundial e está há mais de 100 anos no Brasil, para a cidade no Ano da Alemanha no Brasil. Esse tipo de construção é o foco da empresa para os próximos anos, pois com o aumento na demanda por moradias nos grandes centros, cada vez mais, será necessário pensar em formas de preservar o meio ambiente sem eliminar o conforto das pessoas. Estima-se que em 2050, cerca de 75% da população mundial viverá em cidades.
Projeto inovador-Com 400m2, a residência localizada na avenida Vicente Rao, zona Sul da capital paulista recebeu investimento de
cerca de R$ 3 milhões. Trata-se de um projeto inovador que apresenta soluções para redução do consumo de água, energia e emissão de CO2. A CasaE ainda responde questões fundamentais do mercado de construção sustentável relacionadas a rapidez dos processos, moradias mais acessíveis, a durabilidade dos materiais utilizados e seu reaproveitamento, além da saúde e conforto das pessoas que habitarão os espaços.
O diferencial da CasaE começa pelo sistema construtivo, que consiste em blocos de poliestireno expandido que proporcionam isolamento térmico. Espumas especiais foram aplicadas nas paredes e no teto para dar conforto acústico e térmico. No processo de construção ainda foram utilizados tintas, vernizes e adesivos com pigmentos especiais que atuam no controle da temperatura e que também contribuem para um menor gasto de energia, reduzindo consideravelmente o uso de ar condicionado, por exemplo.
A obra ainda recebeu pisos drenantes, fabricados com compostos especiais e que evitam o acúmulo de água na superfície. Também estão presentes na casa produtos especiais voltados para revestimento, impermeabilizantes e antiderrapantes.
O interior do imóvel ganhou tinta antibacteriana, que diminui 99% das bactérias nas paredes, proporcionando um espaço mais protegido de doenças. A parte externa recebeu cobertura de tinta contra mofo e tinta acrílica com maior rendimento e durabilidade. Todo o paisagismo foi pensado para valorizar as espécies nativas e os eletrodomésticos e a iluminação contam com o que há de mais moderno em termos de economia de energia e design.
Na Europa e nos Estados Unidos, onde as essas soluções são mais comuns, os produtos já são utilizados em grande escala. O investimento numa obra desse tipo é recuperada em médio prazo com a redução no consumo de energia. De imediato, o resultado é uma construção mais limpa, mais rápida e com menos emissão de CO2.
A CasaE brasileira agora passará por estudos de ecoeficiência que avaliarão os produtos empregados na sua construção. Essas análises serão realizadas pela Fundação Espaço ECO. Além disso, em breve o projeto deve obter a certificação LEED – Leadership in Energy and Environmental Design, principal selo de construção sustentável do Brasil.
Além das soluções para construção da BASF, o projeto conta ainda com parceiros que contribuíram com produtos e tecnologias que estão alinhadas à temática da sustentabilidade. São eles: Arquivo Vivo, Atlas Schindler, Bosch, Daikin, Deca, Gerdau, Guardian, Isoeste, Knauf, Leicht, Leroy Merlin, Nespresso, Owa, Philips, Supermix, Tigre, Veka, Whirpool.
A visitação pública à CasaE, bem como sua operação serão efetivados logo que as documentações formais forem liberadas. Isto deverá ocorrer dentro das próximas semanas. (ambienteenergia)

Rascunho de objetivos de desenvolvimento sustentável

ONU lança rascunho de objetivos de desenvolvimento sustentável
Proposta foi desenhada por especialistas de diversas áreas e ficou aberta para consulta pública até o dia 22/05.
Quase um ano após a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, começa a se desenrolar uma de suas principais promessas – o estabelecimento dos chamados Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que devem substituir os Objetivos do Milênio da ONU a partir de 2015.
A Organização das Nações Unidas divulgou na terça-feira um rascunho com a sugestão de dez objetivos que o mundo poderia adotar. A proposta foi desenhada por um grupo internacional de especialistas de diversas áreas e ficou aberta para consulta pública até o dia 22/05 no site www.unsdsn.org/resources/draft-report-public-consultation. As sugestões poderão ser incorporadas em um texto que será analisado pela Assembleia Geral da ONU, em setembro deste ano.
A definição dessas metas era esperada como resultado da conferência do Rio no ano passado. Mas, sem acordo entre os países, o documento final não chegou nem sequer a listar os temas que deveriam ser contemplados nos ODSs.
Aflito com a vagarosidade do processo diplomático, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon lançou logo após a Rio+20 a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável, com o objetivo de reunir o conhecimento global científico e tecnológico em torno dos desafios do desenvolvimento sustentável. Como primeira missão, os especialistas teriam de propor uma base para as negociações diplomáticas que vão por fim estabelecer os ODSs.
O documento parte das diretrizes do texto da Rio+20 e, assim como ele, traz objetivos bem genéricos. Ainda não aparecem, por exemplo, metas concretas com prazos de cumprimento. E os temas são os mais diversos:
1 - erradicar a pobreza extrema, inclusive a fome
2 - alcançar o desenvolvimento dentro dos limites planetários
3 - assegurar o aprendizado efetivo de todas crianças e jovens para a vida e a subsistência
4 - alcançar a igualdade de gêneros, a inclusão social e os direitos humanos
5 - alcançar a saúde e o bem-estar para todas as idades
6 - melhorar os sistemas agrícolas e aumentar a prosperidade rural
7 - tornar as cidades mais inclusivas, produtivas e resilientes
8 - refrear as mudanças climáticas e garantir energia limpa para todos
9 - proteger os serviços ecossistêmicos, a biodiversidade e a boa gestão dos recursos naturais
10 - ter uma governança voltada para o desenvolvimento sustentável.
Coordenador do tema florestas da Rede, o brasileiro Virgílio Viana, superintendente da Fundação Amazonas Sustentável, afirma que esse tom mais genérico era de se esperar nessa etapa do processo. “Os países ainda precisam concordar com os temas. Com o amadurecimento desse processo, esperamos que sejam estabelecidas metas, prazos.”
Ele ressalta como vantagem a maior ênfase em questões ambientais – ao contrário dos objetivos do milênio, que eram quase exclusivamente sociais. “A não valorização dos serviços ambientais é uma falha do mercado”, afirma se referindo à proposta, contida no objetivo 9, de pagamento por serviços ambientais. “Só vamos mudar radicalmente os padrões de uso da terra e de consumo tendo estímulos econômicos para manter a floresta em pé”, afirma.
A concordância sobre os temas, porém, pode ser uma das coisas mais difíceis de alcançar. Durante a Rio+20, um dos impasses foi justamente em torno dos ODSs e da chamada economia verde. “Alguns países mais militantes na causa do desenvolvimento não querem ver suas metas diluídas pela causa ambiental”, comenta o ex-embaixador Rubens Ricupero, que esteve à frente das negociações brasileiras na Rio 92, e acompanhou de perto o desenrolar da Rio+20. “Não é todo mundo que vê com clareza que o desenvolvimento só pode ser sustentável”, diz. Ele acredita que para entrar em vigor em 2015, os ODSs têm de ser impulsionados já na próxima Assembleia Geral. (OESP)

O que é (e o que não é) sustentabilidade

Embora em voga, o conceito de sustentabilidade ainda é pouco compreendido tanto por quem fala sobre ele quanto por quem o ouve. Nos últimos anos, intensificou-se a discussão a respeito do aquecimento global e do esgotamento dos recursos naturais. São preocupações legítimas e inquestionáveis, mas que geraram distorção no significado de sustentabilidade, restringindo-o às questões ambientais.
Não é só isso. A sustentabilidade está diretamente associada aos processos que podem se manter e melhorar ao longo do tempo. A insustentabilidade comanda processos que se esgotam. E isso depende não apenas das questões ambientais. São igualmente fundamentais os aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais.
A sustentabilidade e a insustentabilidade se tornam claras quando traduzidas em situações práticas. Esgotar recursos naturais não é sustentável. Reciclar e evitar desperdício são sustentáveis.
Corrupção é insustentável. Ética é sustentável. Violência é insustentável. Paz é sustentável. Desigualdade é insustentável. Justiça social é sustentável. Baixos indicadores educacionais são insustentáveis. Educação de qualidade para todos é sustentável.
Ditadura e autoritarismo são insustentáveis. Democracia é sustentável. Trabalho escravo e desemprego são insustentáveis. Trabalho decente para todos é sustentável. Poluição é insustentável. Ar e águas limpos são sustentáveis. Encher as cidades de carros é insustentável. Transporte coletivo e de bicicletas é sustentável.
Solidariedade é sustentável. Individualismo é insustentável. Cidade comandada pela especulação imobiliária é insustentável. Cidade planejada para que cada habitante tenha moradia digna, trabalho, serviços e equipamentos públicos por perto é sustentável.
Sociedade que maltrata crianças, idosos e deficientes não é sustentável. Sociedade que cuida de todos é sustentável. Dados científicos mostram que o atual modelo de desenvolvimento é insustentável e ameaça a sobrevivência inclusive da espécie humana.
Provas não faltam. Destruímos quase a metade das grandes florestas do planeta, que são os pulmões do mundo. Liberamos imensa quantidade de dióxido de carbono e outros gases causadores de efeito estufa, num ciclo de aquecimento global e instabilidades climáticas.
Temos solapado a fertilidade do solo e sua capacidade de sustentar a vida: 65% da terra cultivada foram perdidos e 15% estão em processo de desertificação.
Cerca de 50 mil espécies de plantas e animais desaparecem todos os anos e, em sua maior parte, em decorrência de atividades humanas. Produzimos uma sociedade planetária escandalosa e crescentemente desigual: 1.195 bilionários valem, juntos, US$ 4,4 trilhões – ou seja, quase o dobro da renda anual dos 50% mais pobres. O 1% de mais ricos da humanidade recebe o mesmo que os 57% mais pobres.
Os gastos militares anuais passam de US$ 1,5 trilhão, o equivalente a 66% da renda anual dos 50% mais pobres. Esse cenário pouco animador mostra a necessidade de um modelo de desenvolvimento sustentável. Cabe a nós torna-lo possível e viável. (EcoDebate)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Perda de geleiras contribui para aumentar nível mar

Perda de geleiras terrestres contribui em um terço para aumento do nível do mar
Geleira em Devon Island, Canadá
O derretimento das geleiras terrestres provocado pelo aquecimento global contribuiu em um terço para a elevação do nível dos oceanos entre 2003 e 2009, segundo novas estimativas mais precisas realizadas por um grupo internacional de pesquisadores a partir de imagens de satélites.
“Pela primeira vez, estamos prontos para estimar muito precisamente quanto estas geleiras juntas contribuíram para a elevação dos oceanos”, disse Alex Gardner, professor de geografia da Universidade de Clark em Worcester, em Massachusetts, principal encarregado deste estudo publicado esta quinta-feira.
“Estas massas glaciares muito pequenas, que não representam mais de um 1% do gelo do planeta, perderam tanto gelo quanto as banquisas (nr: gelo marinho) do Ártico e da Antártica combinadas” entre 2003 e 2009, destacou.
As maiores perdas de gelo ocorreram nas geleiras do Ártico canadense, no Alasca, no sul dos Andes e no Himalaia.
As geleiras fora das calotas glaciares da Groenlândia e da Antártica perderam, em média, 260 bilhões de toneladas de gelo anualmente durante este período de sete anos, provocando uma elevação de 0,7 milímetros por ano dos oceanos, determinaram os cientistas no estudo publicado na edição da revista científica Science.
Para fazer estas estimativas, eles compararam as medições tradicionais efetuadas no solo àquelas dos satélites ICESat (Ice, Cloud and Land Elevation Satellite) e GRACE (Gravity Recovery and Climate Experiment), da Nasa.
“Uma vez que a massa das geleiras terrestres é relativamente fraca em comparação com a das calotas glaciares da Groenlândia e da Antártica, seu derretimento suscita infelizmente menos ou nenhuma inquietação” no público, revela o glaciologista Tad Pfeffer, professor do Instituto Ártico da Universidade do Colorado em Boulder, um dos co-autores do estudo.
“É como um pequeno balde de água com um grande buraco no fundo: isto não durará muito tempo, apenas um século ou dois, mas enquanto houver gelo nestas geleiras, elas serão uma causa importante de elevação do nível dos oceanos”, explicou.
Segundo as estimativas atuais, se todas as geleiras do mundo derretessem completamente, o nível dos mares se elevaria 61 centímetros.
Mas se todo o gelo na Groenlândia derretesse, isto elevaria os oceanos em 6,1 metros, o que aumentaria para perto dos 61 metros se a calota glaciar da Antártica derretesse.
Atualmente, a elevação do nível dos mares é causada em um terço pelo derretimento das geleiras terrestres, um terço pelo derretimento do gelo da Antártica e da Groenlândia e o terço final, pela expansão térmica da água sob o efeito do aquecimento global. (EcoDebate)

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