domingo, 19 de junho de 2022

Reuso de água é imprescindível para a revitalização dos oceanos

O Programa Mundial da UNESCO para a Avaliação de Recursos Hídricos reconhece as águas residuais como um “recurso desperdiçado”, incentivando sua valorização por meio de tecnologias de tratamento e reuso.

A Organização das Nações Unidas (ONU) definiu a Revitalização como principal ação coletiva para as celebrações deste ano em torno do Dia Mundial dos Oceanos (08/06) e a Associação Latino-Americana de Dessalinização e Reuso de Água (ALADYR) se junta a essa corrente destacando que a primeira grande medida de proteção aos oceanos passa por intensificar a reutilização de águas residuais, interrompendo assim o despejo de contaminantes nas bacias hidrográficas.

Ambas as organizações explicam que uma das grandes ameaças aos ecossistemas marinhos é o lançamento de esgoto não tratado que, de acordo com um estudo recente, é responsável por levar 6,2 toneladas de nitrogênio por ano para as áreas costeiras do mundo, causando a proliferação tóxica de algas, eutrofização e zonas mortas.

Os oceanos representam 70% da superfície terrestre e 97% da água disponível está concentrada neles, além de serem responsáveis por absorver 30% do dióxido de carbono liberado no mundo e produzirem 50% do oxigênio do planeta. Alterações no equilíbrio desse importante ecossistema afetam organismos essenciais como manguezais, gramas marinhas e marismas que, devidamente protegidos, poderiam capturar 1,4 bilhão de toneladas de emissões de carbono por ano até 2050.

Sendo importante destacar que essa capacidade de absorver o dióxido de carbono, também merece atenção diante das preocupações globais frente às Mudanças Climáticas, explica Eduardo Pedroza, representante da ALADYR no Brasil. Pedroza destaca, com base nos dados do observatório da NASA, a agência espacial americana, “que desde o início da Revolução Industrial, a acidez das águas superficiais dos oceanos aumentou cerca de 30%. Esse aumento deve-se ao crescimento das emissões atmosféricas de CO2, absorvidos pelo oceano. Essa mudança no pH traz uma preocupação para o ecossistema marinho”, explica o químico industrial.

Soma-se a isso o fato de que mais de 8 toneladas de plástico acabam no mar todos os anos e que o fundo do mar já concentra mais de 14 milhões de toneladas de microplásticos, como constatou um estudo da agência científica nacional australiana CSIRO, o que é 35 vezes mais do que se acredita flutuar na superfície das águas e pode ter grandes consequências ambientais.

Segundo o Banco Mundial, a América Latina trata menos de 30% das águas residuais que produz e, na maioria dos casos, as estações de tratamento não removem contaminantes capazes de alterar o sistema endócrino da fauna aquática. No caso do Brasil a situação é ainda mais alarmante, dados do último levantamento do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), relativos a 2020, mostram que apenas metade do esgoto coletado é tratado antes de ser disposto nos rios e mares.

A instituição financeira internacional destaca ainda que há mais de cinco anos o Programa Mundial da UNESCO para a Avaliação de Recursos Hídricos reconhece as águas residuais como um “recurso desperdiçado”, incentivando sua valorização por meio de tecnologias de tratamento e reúso. Da mesma forma, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente também aponta que o reaproveitamento de resíduos, uma vez devidamente tratados, pode ajudar a reduzir a dependência de fertilizantes agrícolas, promover a segurança hídrica e fornecer fontes de energia renováveis.

Juan Miguel Pinto, engenheiro e presidente da ALADYR, considera que, no cenário ideal, as águas residuais jamais chegariam ao mar, seriam antes devidamente tratadas e reutilizadas para diversos fins, como na indústria, agricultura ou para a recarga de aquíferos, reduzindo o impacto nos oceanos e também nas fontes de captação de água doce.

O engenheiro explica que a América Latina possui legislação, decretos e regulamentos em países como Chile, Peru, México e Colômbia que permitem o uso agrícola de águas residuais tratadas seguindo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde, mas que ainda são poucos os casos de aplicação devido à falta de divulgação do tema e convergência de esforços.

Oceanos Potáveis

Cerca de 3 bilhões de pessoas dependem dos recursos marinhos como fonte de subsistência, um terço da população mundial (2,4 bilhões de pessoas) vive a pelo menos 100 km de distância de uma zona costeira e 300 milhões de pessoas dependem da dessalinização para seu abastecimento, com isso observamos o potencial de crescimento da dessalinização da água do mar como fonte de água potável.

Segundo a ONU (2018), existem quase 16 mil usinas de dessalinização operando em 177 países e produzindo um volume de água doce equivalente a 50% do fluxo médio das Cataratas do Niágara. Países como Bahamas, Maldivas e Malta suprem todas as suas necessidades com água proveniente de processos de dessalinização, enquanto que metade do abastecimento da Arábia Saudita também é oriundo dessas fontes alternativas.

Neste sentido, Pinto enfatiza que a costa latino-americana deve permanecer limpa porque será uma das principais fontes de água doce no futuro e que na região será cada vez mais frequente ver cidades que dependem da dessalinização para atender suas necessidades de abastecimento; como é o caso de Tocopilla, situada na província de Antofagasta (Chile), a primeira cidade latino-americana com mais de 20 mil habitantes cujo abastecimento vem exclusivamente do mar.

Baseado em dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o diretor da ALADYR destaca que, nos últimos anos, a América Latina e o Caribe (ALC) se tornaram um dos maiores mercados emergentes de dessalinização, com impulso significativo a partir de 2020 com projetos de potabilização em cidades como Antofagasta (Chile), Lima (Peru) e Fortaleza (Brasil).

“Não é mais uma distopia futurista, é uma realidade. As alterações climáticas, a industrialização e o crescimento populacional no levam a depender cada vez mais do mar para o abastecimento de água doce. Felizmente, a tecnologia amadureceu o suficiente para ser ambientalmente inócua e economicamente viável”, afirma.

De acordo com informações coletadas de prestadores de serviços em vários países da América Latina, estima-se que o preço médio por metro cúbico de água dessalinizada para uso residencial é de US$ 0,61. Considerando o consumo médio na região de 6,1 m³ por pessoa por mês, o engenheiro calcula que o custo mensal de abastecimento de água potável da dessalinização da água do mar seria de US$ 7,4 por pessoa, excluindo diferenças de bombeamento e transporte. “O custo mensal seria o equivalente a comprar quatro garrafas de 5 litros de água mineral de uma marca de consumo regular no Brasil”, destaca.

Segundo a Associação existem estudos regionais e de outras partes do mundo em que se percebe que não há impacto quantificável da dessalinização no fundo do mar devido à descarga de salmoura, além disso, iniciativas na Arábia Saudita mostram a mineração de salmoura como uma opção economicamente rentável para tratamento do rejeito da dessalinização visando a extração mineral para obtenção de elementos como potássio, magnésio, rubídio, bromo e lítio.

Blue Economy

Estima-se que o valor de exploração de bens e serviços pelo oceano chega a US$ 2,5 trilhões, o que corresponderia ao valor da sétima maior economia do mundo, que no último levantamento (2021) correspondia a França. Uma projeção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirma que a economia oceânica crescerá para US$ 3 trilhões até 2030. Além de fornecer alimentação, medicamentos, recursos energéticos minerais renováveis, 80% das mercadorias comercializadas no mundo são transportadas pelos mares.

É o que se chama atualmente de blue economy ou economia do mar, uma fonte de receita que o Brasil tem de sobra, afinal são 11 mil quilômetros de uma costa com potencial para exploração de recursos, vivos e não vivos, renováveis ou não, além do forte turismo.

“Os oceanos são uma nova fronteira da economia, principalmente quando pensamos que um dos recursos naturais mais indispensáveis a vida humana é a água. No que se refere a dessalinização como alternativa sustentável para o abastecimento de água potável, o Brasil tem um grande potencial de crescimento e possibilidade de driblar futuras crises hídricas”, destaca Juan.

A ALADYR entende que o futuro do planeta e a perpetuação da raça humana depende diretamente da conservação dos recursos hídricos disponíveis, principalmente os mares e oceanos, que além de fonte de boa parte da biodiversidade do planeta e de possuir um abundante potencial para exploração econômica, são alternativas sustentáveis para a produção de água doce e uma das soluções para a crise hídrica que afeta todo o mundo.

Preservar os oceanos é preservar a vida!!! (ecodebate)

50 anos do Dia Mundial do Meio Ambiente

Na data de hoje, na qual celebramos também os 50 anos da Conferência de Estocolmo, considero urgente dar luz ao papel das cidades no enfrentamento das mudanças climáticas e a importância da gestão integrada dos resíduos sólidos

O dia 05 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), foi estabelecido na histórica Conferência de Estocolmo, em 1972, com o objetivo de conscientizar a população para a importância da preservação dos recursos naturais, que ainda eram considerados, por muitos, infinitos e, portanto, inesgotáveis.

Nesta data de hoje, na qual celebramos também os 50 anos da Conferência de Estocolmo, considero urgente dar luz ao papel das cidades no enfrentamento das mudanças climáticas em curso e a importância da gestão integrada dos resíduos sólidos como o caminho no qual os municípios devem perseguir para efetivamente contribuir com soluções concretas em alinhamento com os objetivos do Acordo de Paris de 2015, ou seja, manter a elevação da temperatura global bem abaixo de 2°C e buscar esforços limitar o aumento da temperatura global em 1,5°C.

Após 12 anos da Lei nº 12.305/10 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, estados, municípios e geradores ainda estão longe da implementação da gestão integrada e gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos (RSU). Em 23/05/2022 uma reportagem do Jornal Nacional trouxe dados alarmantes: segundo o Diagnóstico de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos do Brasil, mais de 82 milhões de toneladas de lixo são produzidos no país, por ano, e apenas pouco mais de 2% é reciclado.

Apesar de toda a legislação existente para impedir a poluição causada pelos resíduos sólidos, a sua destinação inadequada para lixões a céu aberto e aterros controlados, e não para os aterros sanitários, é cerca de 40% do total de resíduos coletados, ou seja, cerca de 30,3 milhões de toneladas por ano. Para se ter uma ideia, essa quantidade é capaz de encher 765 estádios do Maracanã, tendo impacto direto no meio ambiente e na saúde de 77,5 milhões de pessoas. No Brasil, cerca de 3 mil municípios ainda descartam os resíduos urbanos em lixões e aterros irregulares1. O mais recente estudo do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil mostra que a fração orgânica dos resíduos sólidos é a principal componente dos RSU, representando 45,3% do total, ou seja, são gerados cerca de 37 milhões de toneladas por ano. Já os materiais recicláveis secos representam 35% de todo o resíduo gerado, ou seja, cerca de 27,8 milhões de toneladas por ano. Destes, o plástico representa 16,8%, papel e papelão 10,4%, resíduos têxteis, couros e borrachas 5,6%, vidros 2,7%, metais 2,3% e embalagens multicamadas 1,4%. Os rejeitos representam ainda 14,1% do total.

Publicado no último dia 14 de abril no Diário Oficial, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), instituído pelo Decreto Federal Nº 11.043, de 13/04/2022, tem como meta reciclar 14% de todo o lixo produzido no país até 2024, chegar aos 50% em 2040 e, ainda, reforça a importância do encerramento de lixões e aterros clandestinos do país até 2024. É importante destacar que o Plano não trata apenas da reciclagem, oferecendo uma visão integrada, considerando também metas de compostagem e biodigestão. 

Pode-se atribuir à falta de recursos aplicados no setor para o custeio dos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, na maioria dos municípios brasileiros, como a principal causa da falta de resultados significativos. No entanto, o Novo Marco Legal do Saneamento, Lei nº 14.026/2020, que alterou a Lei Federal nº 11.445/2007, determina que a sustentabilidade econômico-financeira dos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos deve ser assegurada, ou seja, o Novo Marco Legal do Saneamento obriga a que haja cobrança pelos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Sob a nova legislação, o seu não cumprimento pode caracterizar renúncia de receita, no âmbito da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Estados, municípios e geradores devem enxergar a gestão integrada de resíduos sólidos urbanos para além de reciclagem, por meio de uma abordagem mais holística, considerando também ações de redução da geração de resíduos e a valoração – por meio compostagem e biodigestão – como importantes aliados para a proteção da saúde pública, preservação do meio ambiente, mitigação das mudanças climáticas e desenvolvimento econômico e social. Em 2020, o manejo de resíduos sólidos urbanos em todo o país foi responsável por 291,6 mil empregos diretos e 15,4 mil empregos temporários. Estimativas para 2021 indicam que o setor tenha empregado diretamente 358 mil pessoas.

No Rio de Janeiro, a Câmara Municipal de Vereadores, liderada pelo Presidente Carlo Caiado, recebeu o Prêmio Lixo Zero 2021, que reconhece os melhores projetos brasileiros que promovem atitudes sustentáveis em prol do planeta. A casa legislativa carioca, o Palácio Pedro Ernesto, se tornou o primeiro prédio público do Brasil a adotar o conceito Lixo Zero, dando um senso de responsabilidade, propósito e cuidado com as futuras gerações. Oito meses após iniciar o projeto de destinação adequada dos resíduos, estabelecido na Carta Compromisso Lixo Zero, a Câmara Municipal do Rio atingiu um excelente índice de boas práticas, com 91,5% de seus resíduos destinados à compostagem ou reciclagem, deixando de enviá-los a aterros sanitários. Além disso, a Semana Lixo Zero foi incluída no Calendário Oficial da Cidade, através da Lei nº 6.905 de 24/05/2021, o que demonstra o compromisso do legislativo municipal com esta pauta.

A Companhia Municipal de Limpeza Urbana – Comlurb da Cidade do Rio de Janeiro possui uma unidade de biometanização, que transforma cerca de 35 a 50 toneladas por dia de matéria orgânica dos resíduos sólidos urbanos (RSU) em biogás, utilizado para a geração de energia e de biocombustível. Localizada no Ecoparque do Caju, a unidade de biometanização de resíduos é a primeira da América Latina. Segundo dados da Comlurb, a energia gerada a partir da combustão do biogás atende à demanda da própria planta, além de ser suficiente para abastecer a Unidade de Transferência de Resíduos do Caju (UTR). O excedente poderia ainda abastecer mais de 1.000 residências, considerando consumo médio da família brasileira, de cerca de 160 kWh/mês, além da frota elétrica da Comlurb, atualmente composta de dez veículos e, ainda, tem potencial para abater a conta de luz da sede da Comlurb e das gerências com o mesmo CNPJ, num conceito chamado de geração distribuída.

Na ótica da valoração de resíduos, a COMLURB também possui iniciativas voltadas, principalmente, à compostagem. Um acordo firmado em 2016 entre a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Prefeitura da Cidade de Colônia, na Alemanha, no âmbito do projeto Parcerias Municipais para o Clima, garantiu a doação pela cidade alemã de um equipamento de última geração para fragmentação e peneiramento dos resíduos de poda, que atualmente processa mais de 600 toneladas por mês, frutos das atividades de poda de árvores da cidade. O produto deste tratamento está sendo usado como combustível de fornos de cerâmica e como substrato para compostagem. O composto posto produzido pela Comlurb é utilizado nos projetos de agricultura urbana e reflorestamento da cidade – Hortas Cariocas e Refloresta Rio, respectivamente. Cabe destacar que são produzidos diariamente cerca de 10 mil toneladas de resíduos sólidos. A fração orgânica responde por quase 50% do total.

Segundo dados do Monitoramento de Emissões de Gases de Efeito Estufa da Cidade do Rio de Janeiro5, executado pelo Instituto Pereira Passos e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Cidade, o gás metano foi responsável, em média, por mais de 16% das emissões da cidade ao longo de todo o período, ou seja, de 2012 a 2019. Segundo o estudo, a disposição em aterro é a principal destinação para os resíduos sólidos gerados no município e também a principal fonte emissora do setor, responsável por mais de 14% das emissões totais da Cidade em 2019.

Portanto, a gestão integrada de resíduos sólidos e ações de redução da geração de resíduos são importantes aliados da pauta climática dos governos locais, na medida em que tais medidas permitem evitar um dos maiores vilões do aquecimento global: o gás metano, que é capaz de reter calor na atmosfera vinte e oito vezes mais do que o dióxido de carbono.

No Brasil, o Instituto Lixo Zero Brasil (ILZB) tem uma missão ainda mais desafiadora: disseminar o conceito Lixo Zero, que consiste no máximo aproveitamento e correto encaminhamento dos resíduos recicláveis e orgânicos e a redução ou extinção do encaminhamento destes materiais para os aterros sanitários e\ou para a incineração. O seu principal objetivo é disseminar esse conceito Lixo Zero e articular programas de conscientização ambiental, destacando a importância da certificação, reestruturação e controle sobre os resíduos produzidos pela sociedade. O ILZB tem mais de 2.000 embaixadores, nas 5 regiões do país, espalhados pelos 26 Estados e o Distrito Federal. Este movimento vem crescendo cada vez mais e tem se consolidado como um importante instrumento de gestão integrada de resíduos sólidos urbanos. No contexto regional da América Latina, foi recentemente criado o Basura Cero Latam – Lixo Zero América Latina – que integrará os países da região para contribuir com soluções integradas para o setor de resíduos.

Fortalecer a coleta seletiva e toda a cadeia da reciclagem, fomentar ações de redução da geração de resíduos sólidos e escalar projetos de valoração de resíduos, são fundamentais para proteger a saúde pública, preservar o meio ambiente, mitigar as mudanças climáticas, garantir a justiça climática, além de garantir o desenvolvimento econômico e social, principalmente, das populações e comunidades mais vulneráveis das nossas cidades. (ecodebate)

sexta-feira, 17 de junho de 2022

Onda de calor intensa atinge partes da Europa e EUA

Uma onda de calor incomumente precoce e intensa se espalhou do norte da África pela Europa.
Embora seja apenas meados de junho, as temperaturas são mais típicas das observadas em julho ou agosto. Em algumas partes da Espanha e da França, as temperaturas são mais de 10°C mais altas do que a média para esta época do ano. Isto é combinado com a seca em muitas partes da Europa.

No meio da semana, quase um terço da população americana estava sob alguma forma de alerta de calor. Os episódios em curso seguem uma onda de calor prolongada na Índia e no Paquistão em março e abril.

Como resultado das mudanças climáticas, as ondas de calor estão começando mais cedo e estão se tornando mais frequentes e mais severas devido às concentrações recordes de gases de efeito estufa que retêm o calor. O que estamos testemunhando hoje é uma antecipação do futuro.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas projeta que, para 1,5°C de aquecimento global, haverá ondas de calor crescentes, estações quentes mais longas e estações frias mais curtas. Com 2°C de aquecimento global, os extremos de calor atingiriam com mais frequência limites críticos de tolerância para a agricultura e a saúde, mostra o relatório.

Uma série de estudos de atribuição de eventos recentes de calor extremo (Índia e Paquistão 2022, Oeste da América do Norte junho/2021, Sibéria 2020, Europa Ocidental 2019) destacaram o papel das mudanças climáticas induzidas pelo homem.

Planos de ação para a saúde do calor

Temos que nos adaptar. E uma das maneiras de fazer isso é por meio de sistemas de alerta precoce e planos de ação para a saúde do calor – resultado da colaboração entre a comunidade da OMM e as autoridades de saúde pública.

O calor extremo é mortal, especialmente para os vulneráveis. Altas temperaturas mínimas durante a noite – quando o corpo precisa se recuperar – podem ser especialmente estressantes. Os moradores das cidades são particularmente suscetíveis por causa do chamado efeito de ilha de calor urbano, que aumenta os impactos do calor em comparação com o campo, onde há mais vegetação.

Um estudo da MeteoSwiss publicado em seu site em 15/06/2022 estimou que a diferença entre a temperatura em uma cidade e nas áreas rurais pode chegar a 6°C. A diferença é especialmente acentuada à noite. Uma das razões é que os materiais utilizados em edifícios e infraestrutura absorvem mais calor.

A Rede Global de Informação sobre Saúde do Calor co-patrocinada pela OMM e a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC) marcaram 14 de junho como o Dia de Ação ao Calor para aumentar a conscientização sobre como #BeatTheHeat.

A campanha aborda questões como reconhecer e prevenir riscos à saúde relacionados ao calor em casa, no trabalho, durante esportes e lazer. Dá conselhos sobre como se manter fresco e hidratado e garantir a segurança da família, amigos e vizinhos.

Europa

O calor está a ser alimentado por um sistema atlântico de baixa pressão entre os Açores e a Madeira, favorecendo a subida do ar quente na Europa Ocidental.

O serviço nacional de meteorologia e hidrologia espanhola AEMET disse que as temperaturas no interior do país superaram os 40°C em algumas partes do país em dias consecutivos esta semana, chegando a 43°C na província de Toledo (Talavera de la Reina), no centro da Espanha, nos dias 15 e 16 de junho. A onda de calor deve terminar até o final do fim de semana, de acordo com a AEMET.

Quase todo o país enfrenta risco extremo de incêndio em 17/06/2022.

Um influxo de poeira do Saara na Espanha agravou a saúde e o estresse ambiental,

A Espanha, como Portugal, sofre com a seca. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA)  registou o Maio mais quente desde 1931 e a grave situação de seca está a afetar 97% do território.

A França viu seu maio mais quente e seco já registrado.

Meteo-France disse que o calor se espalhará do sul do país a partir de 15 de junho e atingirá o pico entre 16 e 18 de junho. As temperaturas máximas diurnas estão previstas entre 35 e 38°C e as mínimas noturnas acima de 20°C.

“A notável precocidade deste episódio é um fator agravante”, disse Meteo-France, acrescentando que foi o primeiro desde 1947. St-Jean de Minervois, no sudeste da França, registrou uma temperatura de 40°C em 16 de junho – a mais alta temperatura para a França continental tão cedo no ano.

Alguns exemplos de temperaturas em 15 de junho: Chateaumeillant no Vale do Loire atingiu 37,1°C – ou 14°C acima do normal. Toulouse estava 35,9°C ou 11°C acima da média.

Em 17/06/2022 12 departamentos franceses têm um alerta vermelho de nível superior e 25 alertas âmbar.

Suíça

As temperaturas máximas estão bem acima de 30°C, com pico previsto para sábado e domingo (32 a 35°C). A noite de sábado a domingo será especialmente quente – perto de 20°C.

Outros países da Europa também estão vendo temperaturas bem acima da média.

Seca

Além das altas temperaturas, o principal impacto deste pico de calor é aumentar a seca em curso, pois não há previsão de precipitação significativa nos próximos dias (exceto algumas tempestades isoladas). Grandes áreas do sudeste da Europa Central ao noroeste do Mar Negro também são sofrendo com a seca.

Nos EUA Do outro lado do Atlântico,  grande parte do oeste dos EUA está enfrentando o segundo ou terceiro ano consecutivo de seca  (dependendo da região), com temores de um crescente estresse hídrico na temporada de verão. Os dois maiores reservatórios dos EUA, Lake Mead e Lake Powell, no Arizona, estão atualmente nos níveis mais baixos desde que foram preenchidos: ambos estão um pouco abaixo de 30% da capacidade, segundo o US Drought Monitor.

Partes do centro de Nevada no noroeste do Arizona enfrentam risco crítico de incêndio, de acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA.

Onda de calor 2019

Paralelos estão sendo traçados com o final de junho/2019, quando a França e os países vizinhos também viram uma onda de calor extrema, com vários recordes de temperatura quebrados. A Météo-France verificou um novo recorde nacional de temperatura de 46°C em Vérargues e uma temperatura de 45,9°C nas proximidades de Gallargues-le-Montueux em 28/06/2019. Não se espera que haja um novo recorde nacional de temperatura desta vez.

“Cada onda de calor que ocorre na Europa hoje é mais provável e mais intensa pelas mudanças climáticas induzidas pelo homem”, disse um estudo publicado por cientistas da World Weather Attribution on the  Humancontribution para a onda de calor recorde de junho/2019 na França.

“As observações mostram um aumento muito grande na temperatura dessas ondas de calor. Atualmente, estima-se que tal evento ocorra com um período de retorno de 30 anos, mas as ondas de calor igualmente frequentes provavelmente teriam sido cerca de 4ºC mais frias há um século. Em outras palavras, uma onda de calor tão intensa está ocorrendo pelo menos 10 vezes mais frequentemente hoje do que há um século”, disse.

Uma mulher relaxa no American River, em Sacramento (Califórnia). Cidade registrou máxima de 37°C.

Intensa onda de calor atinge os Estados Unidos; temperaturas chegam aos 50ºC.

Em Phoenix, no estado do Arizona, os termômetros marcaram 46°C, igualando o recorde de 1918.

Entendendo as causas

De acordo com o IPCC, a frequência de certos tipos de clima e extremos climáticos está aumentando devido às mudanças climáticas e vários estudos de atribuição mostraram que isso tornou muitos eventos recentes mais intensos. Embora as conexões exatas permaneçam abertas à discussão científica, há evidências crescentes de que alguns aspectos da dinâmica atmosférica física relacionada ao aquecimento do Ártico induzido pelo homem podem, às vezes, melhorar as condições associadas a distúrbios persistentes na corrente de jato polar, dando períodos prolongados de verão no hemisfério norte, tempo úmido, seco ou quente.  (ecodebate)

Secas crescentes ameaçam a humanidade e os ecossistemas

Crises do clima e da biodiversidade ameaçam sobrevivência da Humanidade, diz relatório da ONU.

A seca é um dos desastres naturais mais destrutivos em termos de impactos na agricultura e na segurança alimentar, ecossistemas, saúde humana e recursos hídricos.

Exacerbadas pela degradação da terra e mudanças climáticas, as secas estão aumentando em frequência e gravidade, 29% desde 2000, com 55 milhões de pessoas afetadas a cada ano.

Quando mais de 2,3 bilhões de pessoas já enfrentam estresse hídrico, isso é um grande problema. Nenhum país está imune.

Este ano, o tema do Dia Internacional Contra a Desertificação e a Seca, em 17 de junho, é “Recordar juntos da seca”. Enfatiza a necessidade de uma ação precoce para evitar consequências desastrosas para a humanidade e os ecossistemas planetários.

A OMM está na vanguarda das iniciativas para combater a seca de forma proativa e integrada. A OMM e a Global Water Partnership (GWP) co-patrocinam o Programa Integrado de Gestão da Seca (IDMP) e fazem parceria com cerca de 40 organizações parceiras. O IDMP desenvolveu os três pilares da gestão integrada da seca:

1) alerta precoce e monitoramento da seca,

2) vulnerabilidade à seca e avaliações de risco

3) mitigação de risco, preparação e resposta.

De maneira mais geral, a OMM está trabalhando para estender a cobertura dos serviços de alerta precoce – inclusive para enchentes e secas e tempestades de areia e poeira e para fortalecer o sistema de observação hidrológica como parte de uma Coalizão Água e Clima mais ampla.

Os desafios estão crescendo.

“Houve uma diminuição da umidade do solo em muitas partes do mundo e isso é muito impressionante quando se trata de produção agrícola. Vimos um aumento no derretimento das geleiras, o que significa que estamos recebendo menos água doce nos rios. Vimos mudanças nos padrões de chuva. Algumas partes do mundo estão ficando mais secas e algumas partes do mundo têm mais problemas de inundação”, diz o secretário-geral da OMM, Prof. Petteri Taalas.

“Secas recentes apontam para um futuro precário para o mundo. A escassez de alimentos e água, bem como os incêndios florestais causados pela seca severa, intensificaram-se nos últimos anos”, diz Ibrahim Thiaw, Secretário Executivo da Convenção das Nações Unidas sobre Desertificação e Seca.

O evento deste ano é organizado pelo governo da Espanha. A Espanha – como toda a região mediterrânea – é vulnerável à seca, escassez de água e impactos relacionados às mudanças climáticas. Este ano não é exceção. A península ibérica foi tomada esta semana por uma onda de calor incomum e intensa que está se espalhando do norte da África pela Europa.

A solução para conter o aquecimento global passa por discussões incômodas, porém cruciais, e novas atitudes a serem tomadas por governos, empresas e cada um de nós.

A febre do planeta: desmatamento gera aquecimento global e mexe com a nossa saúde.

As mudanças climáticas são a maior ameaça à saúde da humanidade e ao mundo em que vivemos, O que está ao nosso alcance para detê-la.

O serviço nacional de meteorologia e hidrologia espanhol AEMET disse que as temperaturas no interior do país ultrapassaram os 40°C. Altas temperaturas e seca combinadas em um risco extremo de incêndio para grande parte da Espanha e parte de Portugal. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) registou o Maio mais quente desde 1931 e a grave situação de seca está a afetar 97% do território.

A França viu seu maio mais quente e seco já registrado. Grandes áreas do sudeste da Europa Central ao noroeste do Mar Negro também estão sofrendo com a seca.

Do outro lado do Atlântico, grande parte do oeste dos EUA está enfrentando o segundo ou terceiro ano consecutivo de seca (dependendo da região), com temores de um crescente estresse hídrico na temporada de verão. Os dois maiores reservatórios dos EUA, Lake Mead e Lake Powell, no Arizona, estão atualmente nos níveis mais baixos desde que foram preenchidos: ambos estão um pouco abaixo de 30% da capacidade, segundo o US Drought Monitor.

Agências meteorológicas, incluindo a OMM, e parceiros humanitários emitiram um alerta conjunto de que a ameaça de fome na África Oriental surge após quatro estações chuvosas fracassadas e que a situação deve piorar. A atual seca extrema, generalizada e persistente de várias estações que afeta a Somália, as terras áridas e semiáridas do Quênia e as áreas pastorais do leste e do sul da Etiópia, é sem precedentes. Quatro estações chuvosas consecutivas falharam, um evento climático não visto em pelo menos 40 anos.

Por que o futuro do agronegócio depende da preservação do meio ambiente no Brasil.

As últimas previsões sazonais de longo prazo, apoiadas por um amplo consenso de especialistas em meteorologia, indicam que agora existe um risco concreto de que a estação chuvosa de outubro-dezembro (OND) também possa falhar. Caso essas previsões se concretizem, a já grave emergência humanitária na região se aprofundará ainda mais, disse. (ecodebate)

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Compreendendo o significado do Dia Mundial do Meio Ambiente

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, presenciaremos inúmeros discursos demagógicos e ações pontuais, de marketing, que nada significam ante a destruição implacável que estamos assistindo em nosso Brasil.
“Porque somos apenas um povo e temos UMA SÓ TERRA, temos um só lar. E vale a pena lutar por isso” Inger Anderson, Diretora Executiva do UNEP e Secretária Geral Adjunta da ONU. Trecho da mensagem alusiva ao Dia Mundial do Meio Ambiente 2022.

“No universo existem bilhões de galáxias. Em nossa galáxia existem bilhões de planetas. Mas, existe apenas um PLANETA TERRA. DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE, 2022. O Evento deste ano terá novamente a Suécia como anfitriã e o tema “Uma só terra/Um só Planeta”, é o mesmo que embasou a primeira Conferência do Meio ambiente e Desenvolvimento em 1972, tem como foco a vida sustentável em harmonia com a natureza. Celebre conosco”. Esta é a chamada que a Agência do Meio Ambiente e desenvolvimento da ONU (UNEP) divulgou recentemente, para chamar a atenção e despertar a consciência ambientalista e ecológica em todos os países, inclusive no Brasil.

Estamos às vésperas de comemorar mais um DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE, criado no contexto da primeira Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente e desenvolvimento humano, realizada em Estocolmo, capital da Suécia, entre os dias 05 e 16 de Junho de 1972, considerada um marco histórico e simbólico no despertar da consciência ambiental mundial quanto à importância de buscar um ponto de equilíbrio entre desenvolvimento, crescimento econômico e a necessidade, cada vez mais urgente, de preservar os recursos naturais não renováveis, para que, também as próximas gerações possam sobreviver em um planeta menos doente, pois como as relações entre os seres humanos e a natureza vem acontecendo, com certeza estamos colocando em risco todas as formas da vida, inclusive da vida humana neste planeta, que é único, é a “nossa Casa Comum”, como bem diz o Papa Francisco e onde, “tudo está interligado”; razões mais do que suficientes para cuidarmos melhor do planeta terra.

O DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE, comemorado em 05/06/2022; marca também 50 anos da realização daquela primeira conferência, quando representantes de 113 países discutiram, refletiram e deliberaram, sob a coordenação e orientação da ONU a respeito dos rumos do desenvolvimento e crescimento econômico e suas relações com o maio ambiente.

Fruto daquela conferência também cabe uma referência de que em 1987 foi elaborado um estudo importante e do qual resultou o relatório da Comissão Brundtland intitulado “Nosso Futuro Comum”, demonstrando, sobejamente que, se os países não mudassem radicalmente a forma predatória e inconsequente como estavam promovendo o desenvolvimento e o crescimento econômico, com certeza as consequências seriam extremamente danosas não apenas para o Planeta Terra, em si, mas também para todos os seus habitantes, em todos os países, principalmente para a população dos países subdesenvolvidos ou mesmo intermediários, ou em “vias de desenvolvimento”, como se encontravam naquela época o Brasil, a China, a Índia e diversos outros.

Muita coisa mudou desde 1972, um enorme progresso material, crescimento da população mundial, uma revolução científica e tecnológica que alterou profundamente as relações de produção e de trabalho, crescimento do PIB bem acima do crescimento demográfico e, também, uma maior destruição dos recursos naturais, extinção de milhões de espécies vegetais e animais, destruição acelerada da biodiversidade e dos biomas ao redor do mundo, aumento sem paralelo da poluição, do aquecimento global e tantas outras mazelas socioambientais.

Apenas para refletirmos sobre o que aconteceu no mundo nesses últimos 50 anos. Em 1972 o PIB mundial era de aproximadamente US$ 3,8 trilhões e em 2022 deve chegar a US$95,0 trilhões, um aumento de 25 vezes.

A População total mundial cresceu de 3,8 bilhões em 1972, para 7,8 bilhões em 2022; aumento de 2,1 vezes; todavia a urbanização avançou aceleradamente e continua neste mesmo ritmo, passando de 1,4 bilhão em 2972 (37% do total de então), para 4,7 bilhões em 2022 (60% vivendo nas cidades), indicando um aumento de 3,3 vezes.

A renda per capita mundial, que não reflete a elevada concentração de renda nos extratos superiores (10% da camada situada no topo da pirâmide social), cresceu de US$990,00 para US$12,2 mil, um crescimento de 12,3 vezes.

Aliado a esses fatores demográficos e econômicos, temos que considerar também o consumismo e o desperdício dos bens produzidos pela economia mundial que, juntamente pela ganância de lucros imediatos, de curtos e médios prazos, não respeitam os limites da exploração recursos naturais renováveis e principalmente dos não renováveis, razões maiores da degradação ambiental e destruição do planeta.

Antes mesmo a realização da primeira Conferência Mundial sobre o meio ambiente e desenvolvimento realizada em Estocolmo, veio a público outro relatório que causou um grande impacto tanto nos meios governamentais quanto no meio intelectual e nos meios de comunicação de massa, porquanto questionava a forma como o processo de desenvolvimento dos países acontecia há séculos e demonstrando, diferente do que se pensava, que os recursos naturais não são infinitos, mas sim havia uma capacidade máxima, a partir da qual o mundo, ou seja, os modelos de crescimento econômico e a geração de bens e serviços estariam  destruindo o planeta.

Este foi o Relatório produzido pelo Clube de Roma, em 1966, intitulado “Os limites do crescimento” que, de acordo com artigo de Júlia Ignácio, “O relatório foi marcado como um dos primeiros estudos científicos a respeito da preservação ambiental, e que relacionava quatro grandes questões que deveriam ser solucionadas para que se alcançasse a sustentabilidade: o controle do crescimento populacional, o controle do crescimento industrial, a insuficiência da produção de alimentos, e o esgotamento dos recursos naturais.

Assim, a ideia de preservar o meio ambiente ganhou, aos poucos, força e os problemas ambientais ganharam atenção mundial, intensificando o movimento ecologista. Mas vale lembrar que até a década de 70 a proteção ambiental era praticamente inexistente. “O meio ambiente era visto como um instrumento a disposição de desejos antropocêntricos, ou seja, somente para satisfação das necessidades e dos interesses humanos”.

O Relatório final daquela primeira Conferência do meio ambiente e desenvolvimento humano, realizada em Estocolmo em 1972, contendo 81 páginas, é um documento que devemos ler e reler para entender a caminhada que o mundo tem feito nesses 50 anos de luta ambientalista e um despertar (ainda bem tímido) quanto aos riscos que estamos correndo, diante das graves ameaças e da crise socioambiental, sem paralelo, que estamos presenciando e sendo vítimas de suas consequências.

A primeira parte do relatório contém as ações tomadas pela Conferência, a Declaração de Estocolmo e uma proposta de um Plano de Ação para o desenvolvimento humano e meio ambiente, incluindo uma série de recomendações gerais, a nível mundial e, também, sugestões para que os governos nacionais (e ai também fossem incluídas ações aos níveis regionais/provinciais e local/municipais) e diversas outras resoluções, como a aprovação de um dia especial, voltado para despertar a consciência Ambiental/ecológica em nível mundial, a ser comemorado, todos os anos, em 05 de Junho, denominado de DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE e a criação de um organismo global para gerenciar as questões ambientais, que acabou sendo a UNEP (Agência Especializada da ONU para questões de meio ambiente e desenvolvimento).

Foi também aprovada a decisão de ser realizada uma Segunda Conferência Mundial para que pudesse ser feito um balanço das ações que cada país tivesse realizado ou estivesse realizando para atender  ao um processo de desenvolvimento, menos predatório e destruidor dos recursos naturais e que respeitasse os limites da natureza, possibilitando melhor qualidade de vida para todos os habitantes do planeta.

Esta segunda Conferência acabou sendo realizada no Rio de Janeiro, em 1992, denominada ECO-92, comemorando os 20 anos da Conferência de Estocolmo, da qual resultaram várias análises e recomendações. Foi na ECO-92 que o conceito de Sustentabilidade Ambiental foi firmado, dando um rumo, um norte `as relações do homem (humanidade) com o meio ambiente, como mecanismo para que os modelos  de crescimento econômico pudessem reduzir a dependência mundial dos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural) estimulando sua substituição por energias de fontes limpas e renováveis (com destaque para a energia solar, eólica e a bioenergia).

Os principais problemas detectados, discutidos e analisados na Conferência de Estocolmo e que hoje (2022) continuam gerando preocupação e sofrimento/mortes em todos os países ainda estão bem presentes e são percebidos nos dias atuais.

Entre tais problemas, decorrentes da forma predatória e até mesmo criminosa como os modelos de crescimento econômico estão embasados, podemos destacar: o aquecimento global, as mudanças climáticas, o aumento de desastres naturais produzidos pela ação humana, o aumento vertiginoso de resíduos sólidos/lixo, a poluição do ar, do solo e das águas, com destaque para a poluição dos mares e oceanos, o desmatamento e as queimadas, principalmente das florestas tropicais e também diversos outros biomas; a degradação acelerada de ecossistemas, a desertificação, a erosão, o uso massivo e abusivo de agrotóxicos, pesticidas, herbicidas, o surgimento e uso destruidor dos plásticos; a falta de saneamento básico que afeta tanto o meio ambiente quanto tornam a vida da maioria da população do planeta extremamente insuportável e longe da dignidade que todos os seres humanos devem ter ou desfrutar.

A Conferência da Estocolmo aprovou em seu último dia de reunião, 16 de junho de 1972, uma DECLARAÇÃO, contendo 21 princípios, que, se tivessem sido seguidos nesse meio século que nos separam da mesma, com certeza, boa parte dos problemas e desafios socioambientais que ainda estamos enfrentando, já teriam sido equacionados e não fariam tantas vítimas nos dias de hoje.

Vejamos alguns desses princípios da DECLARAÇÃO DE ESTOCOLMO:

1. Os seres humanos tem o direito à Liberdade, igualdade e adequada qualidade de vida em um meio ambiente que lhes permitam ter uma vida com dignidade e bem-estar e ter a solene responsabilidade de proteger e melhorar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações. Neste sentido, políticas públicas que promovem apartheid, segregação racial, discriminação, colonialismo, outras formas de opressão e dominação estrangeira devem ser condenadas e eliminadas.

2. Os recursos naturais da terra, incluindo o ar, a água, a terra, a flora e a flora e, especialmente áreas especiais dos ecossistemas naturais, devem ser protegidas, preservadas para o benefício das presentes e futuras gerações, através de um correto planejamento e gestão apropriados.

3. A capacidade da terra para produzir recursos naturais vitais e renováveis deve ser preservada sempre e onde for possível restaurada e melhorada.

4. O homem tem uma responsabilidade especial em preservar e bem administrar a herança representada pela vida selvagem e seus “habitat”, principalmente as espécies em perigo de extinção e, assim, devem ser incluídas e merecer atenção nos sistemas de planejamento do desenvolvimento econômico nacional.

5. Os recursos naturais não renováveis da terra, que pertencem à humanidade como um todo, devem ser utilizados de maneira racional e não predatória, contra o perigo de sua exaustão, para garantir os benefícios de seu emprego para toda a humanidade.

6. A produção e lançamento de gases tóxicos e outras substâncias que provocam aquecimento global que excedam a capacidade do meio ambiente de absorvê-las e que causam problemas para a humanidade, devem ser controlados para evitar que suas consequências sejam irreversíveis às populações e aos biomas. A justa luta das populações de todos os países contra todas as formas de poluição deve ser apoiada por todos os governos nacionais e entidades internacionais e nacionais.

7. Todos os países devem tomar todas as medidas possíveis e cabíveis para prevenir e reduzir a poluição dos oceanos/mares, livrando-os de substâncias que criem efeitos adversos para a saúde humana, provoquem danos à vida marinha.

Diversos outros princípios de suma importância então aprovados na Conferência de Estocolmo deixam de ser mencionados para não alongar demasiadamente esta reflexão, sugere-se aos leitores que consultem este e outros documentos para melhor avaliar a evolução e gravidade das questões socioambientais nas últimas cinco décadas.

Após a ECO-92, diversas outras iniciativas foram tomadas pela ONU visando colocar a agenda socioambiental no contexto do desenvolvimento, do crescimento mundial e dos direitos humanos, incluindo o meio ambiente saudável como um direito humano a ser respeitado.

Dentre essas iniciativas podemos mencionar a Conferência do Meio Ambiente e Desenvolvimento, a chamada Rio + 20, realizada em 2012, novamente no Rio de Janeiro, que, também, `a semelhança da Conferência de Estocolmo quanto da ECO-92 produziu uma séria de reflexões, recomendações e princípios que deveriam nortear os governos nacionais, incluindo na definição de suas políticas públicas.

Antes, porém, da RIO +20, a ONU aprovou em Assembleia Geral um conjunto de princípios denominados de OBJETIVOS DO MILÊNIO, que deveriam vigorar por 15 anos, do ano 2000 até 2015; quando, foram substituídos pelos OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, tendo o ano de 2030 como referência temporal, a chamada AGENDA 2030, em pleno vigor.

Neste meio tempo, ou seja, nesses 50 anos da Conferência de Estocolmo até os dias atuais, diversos outros eventos foram capitaneados pela ONU incluindo as Conferências do Clima que se realizam anualmente, os protocolos da Kyoto e de Paris, A Carta da Terra; Conferências especiais, das quais derivaram as chamadas décadas, como: sobre os mares, sobre as florestas, sobre o solo, sobre a recuperação dos ecossistemas degradados; sobre direitos e proteção dos povos tradicionais e seus territórios; sobre a proteção da biodiversidade e outros mais.

É Importante também que seja mencionado que ao lado de um grande esforço e progresso que tem ocorrido neste meio século que nos separa da Conferência de Estocolmo, também tem ocorrido elevados níveis de degradação Ambiental, ao lado de certa hipocrisia oficial de governos nacionais que, ao mesmo tempo em que pregam o fortalecimento de uma ECONOMIA VERDE, propugnam pela SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL, continuam permitindo que seus modelos e sistemas econômicos continuem com suas práticas predatórias, incluindo imensos recursos públicos na forma de subsídios que contribuem para tais  praticas que destroem a biodiversidade e degradam o meio ambiente.

Em 2009 em reunião do G20 foi aprovada uma resolução, também firmada pelo Brasil, no sentido de que para combater as mudanças climáticas, o aquecimento global e outras consequências sobre o meio ambiente, era fundamental reduzir, paulatinamente, até extinguir totalmente, os subsídios aos combustíveis fósseis, que na verdade é um incentivo `a destruição do meio ambiente e do planeta.

No entanto, isto não tem se verificado e a tendência, diante da crise atual que afeta drasticamente os preços dos combustíveis no mundo todo, é que tais subsídios diretos e indiretos sejam ampliados, prejudicando, ainda mais o meio ambiente.

Neste sentido podemos destacar os subsídios com recursos públicos dos diversos países, que, a nível mundial atingem trilhões de dólares a cada ano. Relatório do FMI de 26/10/2021, destaca que “os subsídios apenas aos combustíveis fósseis (Carvão, petróleo e gás natural) em 2020 atingiram US$ 5,9 trilhões em 2020, ou seja, aproximadamente US$11 milhões por minuto”.

O mesmo acontece com países da União Europeia, que em 2020 também gastaram €$ 137 bilhões em subsídios aos combustíveis fósseis, apesar de terem avançado consideravelmente no uso das fontes alternativas de energia.

Todos os países, principalmente, os integrantes do G20, incluindo o Brasil continuam subsidiando o uso de combustíveis fósseis e seus sistemas de produção agropecuária, industrial e comercial. Isto significa que estão gastando recursos públicos oriundos de impostos, taxas e contribuições para ajudarem a destruir e degradar o meio ambiente e o planeta terra.

O Brasil também tem participado desta corrida maluca, oferecendo generosos subsídios à produção e consumo de combustíveis fósseis e seus derivados. Entre 2013 até 2017 esses subsídios em nosso país atingiram R$373 bilhões, média anual de R$74,4 bilhões. Em 2018 este valor foi de R$68,0 bilhões, dando um salto em 2019, com início do Governo Bolsonaro para R$99,39 bilhões, e mais outro salto em 2020, quando atingiu R$123,9 bilhões, podendo esperar que para os anos de 2021 e 2021 o total anual desses subsídios cheguem a mais de R$130 bilhões. Em dez anos, de 2013 até ano de 2022, final do atual governo, o Brasil terá gasto a importância de R$923,3 bilhões em subsídios às fontes de combustíveis fósseis, que estão aumentando os gases de efeito estufa na atmosfera, provocando aquecimento global e mudanças climáticas e seus efeitos nefastos para o país e para o mundo.

Vale dizer que esta importância é mais do que 230 vezes o orçamento do Ministério do meio ambiente para o mesmo período, se somarmos esses subsídios aos demais que favorecem diversos setores da economia que também contribuem para a degradação ambiental, a poluição, a destruição da biodiversidade e seus efeitos negativos para o Brasil e o planeta, chegamos à triste conclusão que nossos impostos em vez de estarem sendo destinados para preservar e melhor cuidar do meio ambiente no país e no planeta estão sendo utilizados para a degradação Ambiental, destruição e a morte.

Outros subsídios como para importações e exportações, para agricultura, pecuária e exploração de madeiras e minérios, subsídios a diversos setores econômicos, incluindo renúncia fiscal, sonegação tolerada, crimes ambientais praticados sob a leniência e omissão de organismos de controle e fiscalização, cada vez mais sucateados como acontece no atual governo federal e estaduais, continuam representando verdadeiros atentados contra o meio ambiente e provocam danos humanos irreparáveis.

Cabe também uma referência especial à publicação da Encíclica LAUDATO SI, pelo Papa Francisco em Maio de 2015, representando o engajamento mais formal e decisivo por parte da Igreja quanto às preocupações com as questões socioambientais, que estão se agravando a cada ano, no contexto do que o Sumo Pontífice denomina de ECOLOGIA INTEGRAL.

Todavia, neste DIA MUNDIAL de 2022, presenciaremos inúmeros discursos demagógicos e ações pontuais, de marketing que nada significam ante a destruição implacável que estamos assistindo em nosso Brasil.

Diante disso, entendo também que as comemorações deste DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE em 2022, deveriam ser uma ótima oportunidade para que governos nacionais, regionais, estaduais e locais, bem como a população em geral e, principalmente o empresariado dos diversos setores econômicos, atentassem para a importância da produção e do consumo consciente e sustentável, combatendo o consumismo, o desperdício e substituindo de forma definitiva o uso de combustíveis fósseis por combustíveis oriundos de fontes limpas e renováveis e, também, introduzindo novos paradigmas tanto nas relações de trabalho e produção quanto nas relações da humanidade com a natureza, estimulando, a reciclagem, a economia solidária, a economia circular. Só assim, cuidaremos melhor de NOSSA CASA COMUM.

Tudo isso só poderá acontecer se tais demandas, problemas e desafios estiverem inseridos e foram considerados os fundamentos para a definição das diversas políticas públicas, incluindo política Ambiental, política econômica, políticas sociais e, inclusive, uma política mais efetiva relacionada com a EDUCAÇÃO AMBIENTAL, mola propulsora para o despertar da consciência ambiental e a cidadania ecológica, tanto nos diversos níveis escolares quanto nas diversas organizações não governamentais, incluindo ai também as diversas Igrejas , credos, filosofias e religiões.
Só assim vamos entender que existe apenas um Planeta Terra e que devemos cuidar bem do mesmo, para que as gerações futuras não venham a enfrentar uma verdadeira catástrofe ecológica e humana, que, com certeza, colocará em risco todas as formas de vida, inclusive a VIDA HUMANA, neste planeta que está doente, na UTI e pede Socorro urgente! (ecodebate)

Feliz Dia do Meio Ambiente 2026!

Os números estavam lá há muito tempo e só pioraram de 2016 a 2022. Foram sete anos de destruição ambiental sistematizada e institucionalizada.

Em 2021, o desmatamento da Amazônia era o maior desde 2011, chegando a 10 mil quilômetros de mata nativa derrubada — um crescimento de quase 30% em relação a 2020, de acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente (Imazon).

O desmantelamento da política ambiental promovido pelo governo do “vamos passar a boiada”, tinha conseguido barrar ações de proteção ao meio ambiente de órgãos como o IBAMA, ICMbio, entre outros, além de afastar cientistas importantes de suas funções, como o Dr. Ricardo Galvão, então diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Os povos da floresta eram mortos pela grilagem da terra e a mineração ilegal. As verbas cortadas da educação e da ciência nos colocaram entre os piores no ranking mundial. Sem um plano econômico, a inflação e o desemprego dispararam e a população viu seu poder aquisitivo cair sem igual na história do país. A desigualdade social aumentou e a fome havia voltado. Em 2021, de acordo com a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, 55% da população brasileira estava vivendo em situação de insegurança alimentar. Eram tempos de terra arrasada e a imagem do Brasil despencava internacionalmente, que perdia posição nas decisões globais. Até mesmo algumas ONGs ambientalistas estavam perdendo a esperança, pois o governo brasileiro estava fora dos acordos sobre o clima e perdíamos fundos para o desenvolvimento sustentável. Éramos um país proscrito! “Pária Amada Brasil”!

Somente pudemos retomar novamente o caminho da democracia e de garantia do estado de direito em 2023, com vitória esmagadora do novo governo, eleito com 60 per cento dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais de 2022. A população acordou e demonstrou nas urnas seu descontentamento. A primeira medida do governo atual foi o “revogaço”, onde todos os decretos que permitiam mineração em terras indígenas e acabava com as demarcações, avanços do agronegócio sobre as áreas de conservação, isenção de multas dos que destruíam a floresta e descumpriam leis ambientais, foram revogados. Até mesmo, o presidente anterior que teve uma multa ambiental anulada, foi obrigado a pagar, com juros. Em 2013, o ainda deputado de extrema-direita, ainda desconhecido, foi multado por pescar na Estação Ecológica de Tamoios, em Angra, no Rio de Janeiro. Já o servidor que havia sido exonerado na época por aplicar a multa, retomou seu cargo de Chefe do Centro de Operações Aéreas da Diretoria de Proteção Ambiental. A justiça voltava a operar.

Também se pode respirar com a revogação de todas as leis que deram erradas, como a Lei do Teto de gastos, uma reforma que não gerou empregos e somente prejudicou os trabalhadores, assim como foi revista a política dos preços dos combustíveis que elevou a gasolina a R$8,00 o litro e todos os contratos lesivos ao país, como a privatização selvagem, que entregava empresas estatais por preços abaixo do mercado.

O Brasil ao adotar o Novo Acordo Verde (Green Neal Deal) como modelo econômico, completando agora quase quatro anos, pôde realmente comemorar o dia do meio ambiente em 05/06/2026. A economia circular de baixo carbono implantada trouxe os empregos de volta e a segurança alimentar para a população. Voltamos a ser importante player no cenário global, principalmente pelo plano de recuperação econômica verde que colocou o país entre as dez potências mundiais.

A primeira conquista comemorada por todos os cientistas e ambientalistas, foi o cumprimento das metas da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) que previa manter o desmatamento da Amazônia até no máximo 3.925,06 Km2 até 2020, dentro do acordo voluntário da União junto a Convenção das Mudanças do Clima das Nações Unidas. Em três anos o desmatamento caiu para menos de 1.500 Km2 por ano. As ações efetivas do governo, como o reforço da fiscalização, restrição drástica do mercado para produtos associados ao desmatamento, aumento as áreas de conservação e apoio aos programas de uso sustentável da floresta e melhores práticas da agropecuária, se pagaram.

Ao evitar o desmatamento de 70 milhões de hectares, o Brasil deixou de emitir cerca de 6 bilhões de toneladas de CO2. Os investimentos em bioeconomia solidária e inovação, envolvendo, principalmente as novas gerações de filhos de seringueiros e ribeirinhos, que receberam formação especializada, fomentaram novos negócios sustentáveis na área de produtos da floresta extraídos de forma sustentável. O selo internacional “SASI – Sustainable Amazon for Social Inclusion”, criado para o mercado de cosméticos, couro de peixes, como do Pirarucu, couro sustentável da seringueira, produtos farmacêuticos naturais, madeira certificada, entre outros, impulsionou o mercado verde, tornando o Brasil uma referência na preservação da floresta.

Também foi importante para a recuperação do campo, a implantação do Ministério da Agricultura Sustentável, que na primeira medida junto a ANVISA, reverteu todo o mal causado ao meio ambiente a saúde dos trabalhadores e consumidores, proibindo e controlando melhor os mais de 600 agrotóxicos liberados pelo governo anterior sem análise científica.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) retomou a reforma agrária e o diálogo com o Movimento dos Sem-terra (MST) desapropriando grandes latifúndios que não cumpriam com sua função social e redistribuindo entre pequenos agricultores e camponeses sem terra, conforme preconiza o decreto de lei do Estatuto da Terra, de 1964. Procurando melhorar a saúde da população, foi fundamental a criação de incentivos fiscais para a agricultura orgânica e agroflorestal. A campanha nacional para uma alimentação mais saudável fomentou o mercado e viu crescer o número de produtores orgânicos no país, de 25 mil para mais 33 mil, um aumento de cerca de 30% em três anos.

Já para as áreas metropolitanas de todo território nacional, os investimentos em melhorias das infraestruturas das cidades, foram bem recebidos por todos. Se destacando o programa “SANAR – Saneamento e Aterros Sanitários para Todos”, que geraram milhares de empregos na construção civil e na área ambiental, reduzindo os gastos com o SUS (Sistema Único de Saúde) em 50%. Os números das pesquisas já demostravam que para cada R$1 investido em saneamento proporcionaria R$29,19 em benefícios socioambientais aos brasileiros — mais saúde, mais qualidade de vida e melhores condições socioeconômicas. A despoluição dos nossos rios urbanos e a implantação de parques lineares ao longo deste, também contribui para a redução na proliferação dos mosquitos, responsáveis por tantas doenças e mortes no Brasil.

Finalmente também foram implantadas as ações previstas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei n° 12.305 que entrou em vigor em agosto de 2010 e previa o fim dos lixões de céu aberto dos munícipios brasileiros, sendo que o prazo era de 2014. Nos últimos três anos do atual governo, dois mil aterros sanitários foram construídos, juntamente com a implantação de programas de coleta seletiva e reciclagem nos munícipios que receberam este investimento.

A formação de cooperativas de catadores e a inclusão desta parcela da população nos programas oficiais, numa parceria com as prefeituras locais, fez com que mais de 200 mil famílias pudessem sair da linha da pobreza. Neste programa, também foi importante a garantia do direito ao benefício da dedução da base de cálculo do imposto do valor dos materiais reciclados, tornando os produtos mais competitivos no mercado. Uma vitória na justiça que beneficiou a todos na cadeia da reciclagem, principalmente um pagamento mais justo pelo material coletado pelos catadores.

O maior programa da história do Brasil para construções de casas mais sustentáveis para famílias de baixa renda, “CASULO – Casa Sustentável Urbana Local”, também foi responsável pelo crescimento da economia verde no país e uma redução significativa das emissões de carbono da construção civil. A parceria com as universidades públicas, foi fundamental para o desenvolvimento de novos modelos construtivos modulares para casas de interesse social, empregando materiais e tecnologias sustentáveis. Com incentivos para inovação junto ao setor privado, no modelo da “Hélice Quádrupla”, universidade-governo-indústria-meio ambiente, fomentado pelos editais do BNDES e da FINEP, CAPES e CNPq, foi possível ver o desenvolvimento ver o crescimento dos Eco-Bairros, reduzindo os impactos ambientais dos empreendimentos imobiliários.

Para finalizar, podemos dizer que em 2026, o ambiente por inteiro está melhor protegido, pois tivemos o grande avanço na área mais importante para o desenvolvimento de um país, que é a educação, especialmente, a educação ambiental. Foi compreendido pelo atual governo que para se construir alicerces fortes para o desenvolvimento sustentável, é preciso investimentos maciços na educação ambiental transversal, interdisciplinar e inovadora, em todos os níveis. Um programa que implantou mudanças em currículos, capacitou melhor professores, investiu em laboratórios, em arte-educação e em eventos que aproximou mais as escolas e universidades da comunidade, viu aumentar a conscientização ambiental entre a população brasileira.

A educação ambiental também foi uma importante ferramenta interdisciplinar ao ser associada a ciência, a leitura e a matemática. Novas formas de ensinar, usando a natureza como objeto de estudo, ajudou o Brasil a melhorar sua posição na educação como um todo, de acordo com o ranking do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA, na sigla em inglês), saindo da 57° posição em 2020, para estar entre os 20 melhores países.

O Brasil retomou seu rumo e ele é mais sustentável! (ecodebate)

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