Alerta da Organização
Meteorológica Mundial (OMM)
• A Organização Meteorológica
Mundial (OMM), agência ligada à ONU, divulgou que o fenômeno está firmemente
estabelecido e pode se tornar muito forte.
• Existe uma probabilidade de
quase 100% de que o El Niño continue ativo até fevereiro de 2027.
• O aquecimento anormal das
águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial altera a circulação
atmosférica global.
Impactos esperados no Brasil
• Região Sul: Aumento da
probabilidade de chuvas intensas, temporais e risco de alagamentos.
• Sudeste e Centro-Oeste:
Previsão de temperaturas acima da média normal e baixa umidade do ar.
• Norte e Nordeste: Tendência
de redução no volume de chuvas, o que favorece o risco de secas e o avanço de
queimadas.
Assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=kitSNN7_2A8
El Niño vai ficar muito forte
e deve persistir até fevereiro de 2027, diz ONU.
Fenômeno ainda deve ganhar força e atingir seu pico no fim deste ano. Pacífico está excepcionalmente quente, e próximos meses podem ter mais calor, secas e chuvas intensas em diferentes partes do mundo.
O El Niño deve continuar se intensificando nos próximos meses e alcançar uma intensidade muito forte antes de atingir seu pico no fim de 2026, aponta uma nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço meteorológico e climático da Organização das Nações Unidas (ONU).
A previsão chama atenção
principalmente pelo grau de confiança. Os modelos reunidos pela agência indicam
uma probabilidade de quase 100% de permanência do El Niño tanto entre setembro
e novembro quanto entre dezembro e fevereiro/2027.
Para a OMM, as condições
neutras têm chance praticamente nula nesse período, e não há sinal de retorno
da La Niña.
O El Niño e a La Niña são as
duas fases do mesmo fenômeno climático, chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O
El Niño é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do
Oceano Pacífico equatorial.
O cenário é sustentado por um
forte aquecimento do Oceano Pacífico e por mudanças na atmosfera compatíveis
com um El Niño cada vez mais intenso.
A expectativa é de que o
fenômeno continue influenciando as temperaturas e as chuvas em diferentes
regiões do planeta já durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul.
Ainda assim, a OMM faz uma
ressalva importante: a intensidade do El Niño, sozinha, não permite prever o tamanho
dos impactos em uma determinada cidade, país ou região.
Outros fatores, como as
condições dos oceanos Atlântico e Índico, também podem reforçar ou enfraquecer
seus efeitos.
Nos próximos meses, por
exemplo, a organização também prevê o desenvolvimento de uma fase positiva do
Dipolo do Oceano Índico, além da manutenção de águas mais quentes que o normal
no Atlântico Equatorial, padrões que podem modificar a resposta típica ao El
Niño.
Por isso, mesmo regiões que
historicamente recebem mais ou menos chuva durante episódios fortes podem
apresentar diferenças consideráveis de um evento para outro.
Pacífico está esquentando
rapidamente
Um dos principais sinais do
fortalecimento está na chamada região Niño 3.4, uma faixa do Pacífico
Equatorial usada pelos cientistas para acompanhar a evolução do El Niño.
Em maio, a temperatura da
superfície do mar nessa área estava cerca de 0,9°C acima da média. Em julho, a
diferença já havia chegado a 2°C.
Depois disso, medições
semanais entre o fim de julho e meados de agosto mostraram valores
aproximadamente 2,2°C a 2,6°C acima do normal, indicando que o aquecimento
continuou aumentando.
E o calor não está restrito à
superfície. Segundo a OMM, em algumas áreas do Pacífico, a água abaixo da
superfície chegou a ficar mais de 8°C acima da média em julho e no início de
agosto.
Esse reservatório de água
excepcionalmente quente é mais um fator que favorece a manutenção e o
fortalecimento do El Niño nos próximos meses.
Tudo o que você precisa saber
sobre o El Niño:
Quando foi o último 'super'
El Niño? Entenda por que o intervalo entre os eventos extremos vem encurtando
Boias, robôs submersos e
satélites: como cientistas medem o oceano para detectar o El Niño
El Niño 2026: o que é, por
que os cientistas estão em alerta e como isso pode afetar sua vida
Os modelos climáticos
reunidos pela organização apontam agora que a anomalia média da região Niño 3.4
pode atingir aproximadamente 3,6°C entre setembro e novembro, com o
fortalecimento chegando ao máximo entre novembro e dezembro.
A projeção para novembro,
isoladamente, chega a 3,9°C acima da média, embora esse valor seja uma
estimativa dos modelos e tenha margem de incerteza.
Além da atualização
específica sobre o El Niño, a OMM divulgou uma projeção climática para o
período de setembro a novembro/2026.
Os modelos indicam maior
probabilidade de temperaturas acima do normal em quase todas as grandes áreas
continentais, com sinais particularmente consistentes em partes da África,
América do Sul, Austrália e Ásia.
Na América do Sul, o sinal de
calor é mais forte principalmente entre a linha do Equador e os 30° de latitude
sul, faixa que abrange uma parcela significativa do continente. Mais ao sul, a
previsão se torna menos uniforme.
As chuvas devem seguir uma
distribuição bem diferente de uma região para outra.
No continente sul-americano,
os modelos mostram maior probabilidade de volumes abaixo da média no Noroeste e
ao longo de áreas do Norte, ao mesmo tempo em que indicam uma faixa com maior
chance de chuva acima do normal no sudeste da América do Sul.
Isso é compatível com uma das
características mais conhecidas do El Niño: o fenômeno altera a circulação da
atmosfera e pode deslocar os corredores de chuva, fazendo uma região ficar mais
úmida ao mesmo tempo em que outra enfrenta condições mais secas.
O que é o El Niño — e por que
ele importa tanto
O El Niño é um aquecimento
fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do
Equador.
Ele faz parte de um ciclo
natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras
— com impactos em várias regiões do planeta.
Esse aquecimento muda a
circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em
diferentes partes do mundo.
No Brasil, os efeitos
costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e
do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.
O fenômeno também influencia
a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma
registrar calor acima da média, somando-se ao aquecimento global.
A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado.
Vista aérea de área queimada na Amazônia, perto de Apuí, no Amazonas em 11/08/2020.
Possíveis impactos no Brasil
Historicamente, o El Niño
altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa:
Aumento de chuva no Sul, com
risco maior de eventos extremos;
Redução de chuvas no Norte e
em partes do Nordeste;
Mais irregularidade nas
precipitações no Sudeste e Centro-Oeste;
Maior frequência de ondas de
calor.
Segundo especialistas, um dos
principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor,
especialmente na primavera e no verão.
Mesmo com a alternância entre
La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento
global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima.
Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta.
Variações do fenômeno El Niño. (g1)






Nenhum comentário:
Postar um comentário