sábado, 13 de dezembro de 2008

Buraco na camada de ozônio levará 2 décadas para diminuir

O buraco na camada de ozônio, que surgiu nos anos de 1980 sobre a Antártica, não deve se reduzir antes de 10, ou 20 anos, e não desaparecerá, se todas as medidas forem cumpridas, antes de 2075, previu a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Há 21 anos, ONU evita destruição da camada de ozônio. "A situação continuará sendo grave nos próximos 10, ou 20 anos, antes que o buraco comece a desaparecer, sob a condição de que se respeite o protocolo de Montreal", avaliou a organização, às vésperas do Dia Internacional de Preservação da Camada de Ozônio, em 16 de setembro. Serão necessárias várias décadas até que o buraco desapareça e se volte à situação anterior a 1980. Calcula-se que isso vá acontecer para 2075. A concentração dos gases CFC diminui a um ritmo de 1% ao ano. No dia 16 de setembro de 1987, 46 países assinaram um documento chamado "Protocolo de Montreal" no qual se comprometiam a parar de fabricar o gás Clorofluorcarbono (CFC), apontado como o maior responsável pela destruição da camada de ozônio na estratosfera. Para comemorar o feito, em 1994, a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou a data como o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio. Os países signatários, neste dia, procuram meditar sobre a questão e realizar diversos eventos que conscientizem a população sobre o significado do Protocolo. A destruição da camada de ozônio, ainda que parcial, foi certamente o maior desastre ecológico de todos os tempos causado pelo homem moderno. Hoje, mesmo com a queda do consumo de CFC, o gás ainda é comercializado no mercado paralelo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Buraco na Camada de Ozônio

A camada de ozônio é uma capa desse gás que envolve a Terra e a protege de vários tipos de radiação, sendo que a principal delas, a radiação ultravioleta, é a principal causadora de câncer de pele. No último século, devido ao desenvolvimento industrial, passaram a serem utilizados produtos que emitem clorofluorcarbono (CFC), um gás que ao atingir a camada de ozônio destrói as moléculas que a formam (O3), causando assim a destruição dessa camada da atmosfera. Sem essa camada, a incidência de raios ultravioletas nocivos à Terra fica sensivelmente maior, aumentando as chances de contração de câncer. Nos últimos anos tentou-se evitar ao máximo a utilização do CFC e, mesmo assim, o buraco na camada de ozônio continua aumentando, preocupando cada vez mais a população mundial. As ineficientes tentativas de se diminuir a produção de CFC, devido à dificuldade de se substituir esse gás, principalmente nos refrigeradores, provavelmente vêm fazendo com que o buraco continue aumentando, prejudicando cada vez mais a humanidade. Um exemplo do fracasso na tentativa de se eliminar a produção de CFC foi a dos EUA, o maior produtor desse gás em todo planeta. Em 1978 os EUA produziam, em aerosóis, 470 mil toneladas de CFC, aumentando para 235 mil em 1988. Em compensação, a produção de CFC em outros produtos, que era de 350 mil toneladas em 1978, passou para 540 mil em 1988, mostrando a necessidade de se utilizar esse gás em nossa vida quotidiana. É muito difícil encontrar uma solução para o problema. A região mais afetada pela destruição da camada de ozônio é a Antártida, onde principalmente em setembro, quase a metade da concentração de ozônio é misteriosamente sugada da atmosfera. Esse fenômeno deixa à mercê dos raios ultravioletas uma área de 31 milhões de quilômetros quadrados, maior que toda a América do Sul, ou 15% da superfície do planeta. Nas demais áreas do planeta, a diminuição da camada de ozônio também é sensível; de 3 a 7% do ozônio que a compunha já foi destruído pelo homem. Mesmo menores que na Antártida, esses números representam um enorme alerta ao que nos poderá acontecer, se continuarmos a fechar os olhos para esse problema. Raios ultravioletas são semelhantes a ondas luminosas, se encontram exatamente acima do extremo violeta do espectro da luz visível. O comprimento de onda dos raios ultravioletas varia de 4,1 x 10-4 à 4,1 x 10-2 mm, sendo que suas ondas mais curtas são as mais prejudiciais. As moléculas de clorofluorcarbono, ou Freon, passam intactas pela troposfera, que é a parte da atmosfera que vai da superfície até uma altitude média de 10.000 metros. Em seguida essas moléculas atingem a estratosfera, onde os raios ultravioletas do sol aparecem em maior quantidade. Esses raios quebram as partículas de CFC (ClFC) liberando o átomo de cloro. Este átomo, então, rompe a molécula de ozônio (O3), formando monóxido de cloro (ClO) e oxigênio (O2). A reação tem continuidade e logo o átomo de cloro libera o de oxigênio que se liga a um átomo de oxigênio de outra molécula de ozônio, e o átomo de cloro passa a destruir outra molécula de ozônio, criando uma reação em cadeia. Por outro lado, existe a reação que beneficia a camada de ozônio: Quando a luz solar atua sobre óxidos de nitrogênio, estes podem reagir liberando os átomos de oxigênio, que se combinam e produzem ozônio. Estes óxidos de nitrogênio são produzidos continuamente pelos veículos automotores, resultado da queima de combustíveis fósseis. Infelizmente, a produção de CFC, mesmo sendo menor que a de óxidos de nitrogênio, consegue, devido à reação em cadeia já explicada, destruir um número bem maior de moléculas de ozônio que as produzidas pelos automóveis. As massas de ar circulam no mundo todo, um poluente lançado no Brasil pode atingir a Europa devido a correntes de convecção. Na Antártida, por sua vez, devido ao rigoroso inverno de seis meses, essa circulação de ar não ocorre e, assim, formam-se círculos de convecção exclusivos daquela área. Os poluentes atraídos durante o verão permanecem na Antártida até a época de subirem para a estratosfera. Ao chegar o verão, os primeiros raios de sol quebram as moléculas de CFC encontradas nessa área, iniciando a reação. Em 1988, foi constatado que na atmosfera da Antártida, a concentração de monóxido de cloro é cem vezes maior que em qualquer outra parte do mundo. No Brasil, a camada de ozônio ainda não perdeu 5% do seu tamanho original, de acordo com os instrumentos medidores do INPE (Instituto de Pesquisas Espaciais). O instituto acompanha a movimentação do gás na atmosfera desde 1978 e até hoje não detectou nenhuma variação significante, provavelmente pela pouca produção de CFC no Brasil em comparação com os países de primeiro mundo. No Brasil apenas 5% dos aerosóis utilizam CFC, já que uma mistura de butano e propano é significativamente mais barata, funcionando perfeitamente em substituição ao clorofluorcarbono. A principal conseqüência da destruição da camada de ozônio será o grande aumento da incidência de câncer de pele, desde que os raios ultravioletas são mutagênicos. Além disso, existe a hipótese segundo a qual a destruição da camada de ozônio pode causar desequilíbrio no clima, resultando no "efeito estufa", o que causaria o descongelamento das geleiras polares e conseqüente inundação de muitos territórios que atualmente se encontram em condições de habitação. De qualquer forma, a maior preocupação dos cientistas é mesmo com o câncer de pele, cuja incidência vem aumentando nos últimos vinte anos. Cada vez mais aconselha-se a evitar o sol nas horas em que esteja muito forte, assim como a utilização de filtros solares, únicas maneiras de se prevenir e de se proteger a pele.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Governo prevê queda de 70% no desmatamento até 2018

O plano federal contra efeito estufa tolerará a destruição de 70.000 Km² nos próximos oito anos. O Plano Nacional de Mudanças do Clima, prevê uma meta de redução de 73% no desmatamento até 2018. A base para o cálculo é um valor médio do desmatamento apurado num período de dez anos encerrado em 2005, ou 19.500 Km². Com isso, o governo vai tolerar o desmatamento de 70 mil quilômetros quadrados de floresta amazônica de 2009 a 2017, uma área superior aos estados do Rio de Janeiro e Sergipe juntos. Essa proporção representa um teto para o desmatamento, em 2017, de cerca de 5.000 Km², ou cerca de metade do índice registrado neste ano, de mais de 11 mil km². Criticado por ambientalistas que fazem parte do comitê de mudança climática, o Plano Nacional Sobre Mudança do Clima, anunciado por Lula pelo ministro Carlos Minc, dá a folga necessária para a expansão do agronegócio e a execução de obras de infra-estrutura, segundo técnicos do próprio governo. Para cumprir a meta, o desmatamento entre 2006 e 2009 terá que ser reduzido inicialmente em 40%, em relação aos níveis do período 1996-2005. Segundo os números divulgados pelo governo, a Amazônia perdeu, entre agosto de 2007 e julho de 2008, cerca de 11.968 Km². De 2010 a 2013, a pretensão é diminuir a devastação em 30% em relação aos quatro anos anteriores (2006-2009) e para o período entre 2014 e 2017 a meta de redução também é de 30% com relação a 2010-2013. O Brasil vinha sendo pressionado por outros países para assumir compromissos de redução da devastação da Amazônia e da emissão de gases poluentes. O Plano fixa metas para a redução das emissões de gás carbônico, principalmente aquelas provocadas pelo desmatamento. O governo calcula que reduzindo o desmatamento em 70% até 2017, o País poderá evitar a emissão de 4,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. Para reduzir as emissões, o governo federal também se comprometeu a eliminar a prática de atear fogo aos canaviais para renovar o cultivo. O plano não prevê metas para o cerrado, um ecossistema mais vulnerável ao agronegócio. As queimadas no cerrado contribuem para o efeito estufa que as registradas na selva amazônica. A decisão de assumir metas foi possível porque mudou-se a relação de forças dentro do governo para isso, como também a percepção da sociedade e dos cientistas sobre o assunto. O plano é melhor do que o da China e o da Índia e, com segurança, melhor que o de outros países que nem sequer assinaram o Protocolo de Kyoto e foi elaborado pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, no qual 12 ministérios têm representação. Não é suficiente ter um Plano, temos que conscientizar a sociedade brasileira sobre as vantagens comparativas que tem um país como o Brasil se preservar suas florestas. Outra das metas do Plano é dobrar a área de floresta plantada dos atuais 5,5 milhões de hectares para 11 milhões de hectares em 2020. Na área de energia está prevista a criação de uma política de eficiência energética que permita reduzir o consumo de eletricidade em 10% até 2030. O governo se comprometeu, durante os próximos dez anos, a mudar, a cada ano, um milhão de geladeiras antigas por modelos novos que consomem menos eletricidade. Estabelecer metas internas representa um passo "importantíssimo" do país em demonstrar que está disposto a fazer muito mais do que vem fazendo atualmente. O Brasil também estará em uma posição internacional privilegiada de exigir dos países em desenvolvimento um empenho muito maior do que aquele até então anunciado. O anúncio do plano ocorre após o governo ter divulgado um aumento de 3,8% na taxa de desmatamento da Amazônia no período de um ano, de agosto de 2007 a julho deste ano, a primeira alta na taxa anual nos últimos quatro anos. Críticas O plano foi criticado por membros do próprio comitê de mudança do clima. Estamos longe de ter um plano que atenda à dimensão do problema que enfrentamos, é uma forma de o governo respaldar e legitimar um fato, em referência à destruição da floresta. Critica-se a decisão do governo de utilizar porcentuais elevados de desmatamento no passado para estabelecer metas para os próximos anos. Em 2004, a área desmatada na Amazônia chegou a 27.000 Km², reduzindo para 20.000 Km² no ano seguinte. Avalia-se que o governo, ao tolerar um desmatamento de 70.000 Km² de 2009 a 2017, vai permitir a destruição justamente da área propícia ao desenvolvimento sustentável. Essa área está próxima de cidades, vilas, estradas e de toda uma infra-estrutura. Pela visão do mercado, vamos perder o filé mignon, que é a floresta perto da infra-estrutura. É aí que deveria ter projeto de desenvolvimento sustentável, algo que não é possível em regiões mais remotas como a Serra do Tucumaque. Não faz o menor sentido achar que o plantio de mais eucaliptos e pinhos é uma forma de combater o aquecimento global. A plantação de um hectare de pinhos não compensa um hectare desmatado de floresta nativa. A proposta do governo é aumentar em mais 5,5 milhões de hectares a área de florestas. Deste total, 3,5 milhões são de floresta comercial e apenas 2 milhões de espécies nativas.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Desmatamento em 2009 terá de ser o menor da história para cumprir meta

Plano lançado ontem pelo governo federal estipula uma queda de 40% na devastação da Amazônia até 2010 O governo federal lançou ontem o seu Plano Nacional de Mudanças Climáticas, que traz como meta principal uma redução progressiva do desmatamento na Amazônia nos próximos dez anos. A primeira etapa é reduzir em 40% a média anual de desmate no período 2006/2009, em relação à média dos dez anos anteriores (1996-2005), que foi de 19.500 Km² de floresta derrubada. Ambientalistas classificaram a meta como "tímida". Mas nem tanto. Para cumprir o plano, segundo cálculos do Estado, o desmatamento em 2009 terá de ser o menor da história - 9.200 Km², no máximo. Em 20 anos de monitoramento e fiscalização, o desmatamento na Amazônia jamais caiu abaixo de 11.000 Km². A taxa anual mais baixa foi a de 1991, quando 11.030 Km² de floresta desapareceram do mapa. Este ano, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) estima que o índice ficará em torno de 12.000 Km², o que já é visto como um resultado muito positivo. Pela meta do governo, a média do desmatamento no período 2006/2009 não poderá passar de 11.700 Km², o que significa que o total de área desmatada nos quatro anos não poderá ser maior do que 46.800 Km². Nos últimos três anos, incluindo 2008, já foram derrubados 37.600 Km² de floresta, o que deixa um "saldo" de apenas 9.200 Km² para desmatar em 2009 sem estourar o limite do plano. Nos quadriênios 2010-2013 e 2014-2017, o desmatamento deverá ser reduzido em mais 30% cada, comparado à média dos quatro anos anteriores. A expectativa, com isso, é que em 2017 a taxa anual de desmate seja de 5.000 Km². Até lá, mesmo se todas as metas forem cumpridas, outros 70 mil Km² de florestas vão desaparecer - uma área maior do que a dos Estados do Rio e Sergipe juntos. Estima-se que de 80% a 90% dos desmatamentos praticados na Amazônia são ilegais, se é ilegal, a meta deveria ser zero. O que o governo está dizendo é que vai conviver com a ilegalidade até 2017. Estamos longe de ter um plano que atenda à dimensão do problema que enfrentamos, a falta de metas mais rígidas contra a destruição da floresta é uma forma de o governo respaldar e legitimar um fato. FLORESTA QUENTE O desmatamento é a principal fonte de emissão de gases-estufa do Brasil, por causa do dióxido de carbono (CO2) que é liberado na queima e na decomposição da matéria orgânica da floresta. Cerca de 75% do CO2 lançado pelo País na atmosfera é produzido dessa forma. Há anos, o governo brasileiro vem sendo pressionado - externamente e internamente - a assumir metas mensuráveis de redução do desmatamento, como forma de reduzir também suas emissões de CO2 e sua contribuição para o aquecimento global. O anúncio do plano, coincidiu com a abertura da conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas em Poznan, na Polônia. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que a realização do plano evitará a emissão de 4,8 bilhões de toneladas de CO2. O País ganha uma base de cálculo para quantificar e valorizar seus estoques de carbono. "Tinhámos objetivos, mas sem procedimentos e cronogramas", disse Minc. "Não podíamos cobrar dos setores redução do desmatamento, pois não havia um plano nem uma meta." Ambientalistas elogiaram a mudança de postura do governo, que até muito recentemente não aceitava discutir nenhum tipo de meta. Só o fato de estarmos falando sobre metas já é um avanço enorme. Ao mesmo tempo, porém, criticaram a falta de metas rígidas, não só sobre desmatamento, mas sobre energias renováveis, medidas de adaptação às mudanças climáticas e outros temas. O plano incentiva o plantio de pinus e eucalipto como forma de "zerar a perda líquida de cobertura florestal" até 2015 e não traz metas para a conservação do cerrado. É tudo muito insuficiente. METAS ANUNCIADAS Reflorestamento: Previsão de plantio de 5,5 milhões de hectares de florestas, sendo 3,5 milhões de hectares com pinhos e eucaliptos e apenas 2 milhões referentes a espécies nativas, até 2020 Limite: Entre 2009 e 2017, o desmatamento na Amazônia poderá ser de, no máximo, 70 mil Km² de floresta. Essa área é maior que os territórios dos Estados de Sergipe e do Rio juntos Legalização: Aumentar no mercado a oferta de madeira legalizada, ou seja, aquela retirada da floresta com a permissão do governo Recursos: Arrecadar US$ 1 bilhão em doações do exterior para o Fundo Amazônia, criado neste ano e que já recebeu doação da Noruega Outros setores: Troca de 1 milhão de geladeiras antigas por ano, em um período de dez anos Energia: Aumento do consumo de carvão vegetal "sustentável" em substituição ao carvão mineral Combustível: Fomento à indústria do etanol para alcançar aumento médio anual de consumo de 11% nos próximos dez anos Ausência: O plano não traz metas de limite de desmatamento no cerrado, um dos biomas mais vulneráveis. Neste ano, o cerrado deve perder cerca de 20 mil Km² de cobertura natural, contribuindo para o aquecimento global NÚMEROS 9,2 mil Km² é o máximo que o País poderá desmatar no ano que vem para cumprir a primeira etapa da redução progressiva do desmatamento na Amazônia 70 mil Km² é a área total de desmatamento da floresta amazônica que o governo vai tolerar entre 2009 e 2017, uma extensão de matas superior ao território dos Estados do Rio e de Sergipe, somados 5 mil Km² é a taxa de desmate anual esperada para 2017, caso o plano do governo seja bem-sucedido

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Desenvolvimento Sustentável

Os atuais modelos de crescimento econômico geraram enormes desequilíbrios. Se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia-a-dia. Diante desta constatação, surge a idéia do Desenvolvimento Sustentável, onde se procura conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental. De acordo com a teoria do desenvolvimento sustentável, precisamos nos desenvolver atentos às limitações ecológicas do planeta, para que as gerações futuras tenham a chance de existir e viver bem. A proteção do ambiente tem de ser entendida como parte integrante do processo de desenvolvimento e não pode ser considerada isoladamente. É aqui que surge uma questão sobre a qual pouco se pensa: qual a diferença entre crescimento e desenvolvimento? A diferença é que o crescimento não conduz automaticamente à igualdade nem à justiça social, pois não leva em consideração nenhum aspecto da qualidade de vida a não ser o acúmulo de riquezas. O desenvolvimento, por sua vez, além de se ocupar da geração de riquezas tem o objetivo de distribuí-las, de melhorar a qualidade de vida de todos, considerando, portanto, a qualidade ambiental do planeta. Na rota do crescimento e da sustentabilidade, o Brasil tem ganhado credibilidade nos últimos anos e se tornado essencial à agenda de qualquer grande investidor. Reformas econômicas e estruturais estão conduzindo o país a uma nova posição no cenário internacional. A economia brasileira teve um crescimento forte e sustentável nos últimos anos e as exportações dobraram desde 2003, resultando num significativo aumento de sua participação no comércio mundial. A busca por alternativas aos combustíveis fósseis e as preocupações com o aquecimento global têm feito crescer o interesse mundial pelos biocombustíveis. O etanol brasileiro é uma das melhores alternativas para atender esse mercado potencial, uma vez que o Brasil é o maior produtor mundial de biocombustíveis e o segundo maior produtor de etanol do mundo com 33,2% da produção mundial. É o maior exportador com 37% do market share global. A previsão é de que em cinco anos, o Brasil será responsável por metade do comércio mundial de etanol. A safra de 2007/2008 foi de 22,5 bilhões de toneladas de álcool, sendo que 3,6 bilhões de toneladas foram exportadas. Perspectivas para 2021, são de que o Brasil vai produzir 65,3 bilhões de toneladas de etanol e exportar 15,7 bilhões de toneladas. Produzido em 1% das terras aráveis do Brasil, o etanol não compete com a produção de alimentos, que duplicou no país na última década. Metade da gasolina consumida no Brasil já foi substituída por etanol. Introduzidos no mercado brasileiro em março de 2003, os veículos flex- fuel (bicombustíveis) são projetados para trabalhar com qualquer mistura de gasolina e etanol. Do total de veículos leves licenciados no primeiro semestre de 2008, 87,6% foram do tipo bicombustível, contra 7,9% dos modelos a gasolina. O Brasil é mundialmente reconhecido também como um grande centro de empresas e instituições públicas e privadas ligadas ao setor sucroalcooleiro, cobrindo a cadeia agroindustrial da cana-de-açúcar desde o desenvolvimento de tecnologias industriais e agrícolas, fabricação de equipamentos, desenvolvimento de variedades de cana e prestação de serviços diversos, até a participação efetiva no desenvolvimento e estruturação de mercados. O Brasil oferece soluções completas à indústria sucroalcooleira mundial para o processamento da cana-de-açúcar e produção de combustíveis renováveis (etanol, biodiesel, biomassa) e o açúcar. A bioeletricidade, energia elétrica produzida a partir de biomassa de origem vegetal, está se tornando também uma atividade promissora no país, com projeções de crescimento de até 700% na produção até 2021. Este tipo de energia limpa, renovável e sustentável, pode ser obtido através do bagaço e da palha, materiais ricos em fibras, que sobram do processamento da cana. O biodiesel já está presente nos postos de combustíveis brasileiros, na proporção de 3% misturados ao óleo diesel. Uma das vantagens do biodiesel é sua origem diversificada. Pode ser obtido a partir do processamento de diversos óleos vegetais, girassol, soja, pinhão manso, mamona, palma, dentre outros. A proposta da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis: os biocombustíveis como vetor do desenvolvimento sustentável, é debater estes e outros tópicos. Paralelamente, na 1ª Exposição Internacional Sobre Biocombustíveis, as melhores tecnologias de produção serão apresentadas por empresas e instituições que investem em soluções para a busca da energia sustentável. Os biocombustíveis são a nova realidade sustentável e eficaz para substituir os combustíveis fósseis. O Brasil se destaca na produção mundial de biocombustível, solo, água, sol e natureza compõem a base de um grande potencial para a produção dessa matriz energética do século XXI. A produção nacional de biocombustíveis do Brasil é sustentável, a cada ano isso tem sido demonstrado através do nosso desenvolvimento tecnológico. A cana-de-açúcar é a principal matéria-prima do Brasil utilizada para a produção de etanol. A cada dia novas tecnologias e soluções inovadoras têm sido apresentadas para outras formas de biocombustíveis como o biodiesel e a bioeletricidade. Eventos servirão como plataforma para disseminar o uso da tecnologia flex fuel desenvolvida no Brasil que permite um único automóvel a ser abastecido tanto com álcool como gasolina, fator já consolidado na indústria automobilística brasileira. Hoje 90% dos automóveis fabricados no Brasil já contam com essa tecnologia. O valor estimado que o setor nacional de etanol movimenta está em torno de R$ 40 bilhões anuais. O Biocombustível aparece com grande relevância no início do século XXI. No contexto de desenvolvimento sustentável, esse tema abrange muitas vertentes, tais como a produção de combustíveis sem danificar o meio ambiente, a geração de postos de trabalho, o desenvolvimento tecnológico e a preservação de áreas verdes que podem, no futuro próximo, atrair recursos financeiros para a economia brasileira. Na última década, o desenvolvimento da indústria brasileira do etanol levou à necessidade de informar a sociedade sobre o desenvolvimento tecnológico que o país atingiu, enfatizando tema como sustentabilidade, soluções tecnológicas e perspectivas da indústria brasileira.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Meio Ambiente

Durante muito tempo, produtores e usuários se colocaram em campos opostos no que diz respeito aos impactos ambientais decorrentes da geração e utilização das diferentes formas de energia. Todavia, logo perceberam que era preciso facilitar a relação entre a sociedade e o setor energético para que os problemas fossem minimizados. O desperdício de energia e a degradação do meio ambiente pela exploração descontrolada dos recursos naturais passaram, então, a ser objeto de preocupação mundial. Nos últimos anos, todos os países têm trabalhado e se organizado em busca de fontes alternativas de energia; na promoção de políticas de aumento da eficiência energética; no combate ao desperdício; e na criação de condições adequadas à implementação do desenvolvimento sustentável. Impactos Ambientais Durante os processos de geração, transmissão e distribuição, o meio ambiente sofre: as barragens mudam o regime dos rios e interferem na fauna e na flora da região; é preciso retirar pessoas e, algumas vezes, cidades inteiras das áreas onde vão ser construídas as usinas; as linhas de transmissão ocupam faixas contínuas de terra e desfiguram a paisagem; a queima de combustíveis como o carvão e a lenha, pode esgotar os recursos naturais e poluir a atmosfera etc. Os poluentes atmosféricos gerados pelas termelétricas podem ter seu nível de emissão controlado por meio de filtros e outros equipamentos. Além disso, é possível também reduzir a quantidade de gás carbônico, derivado da queima dos combustíveis, aumentando a eficiência dos processos utilizados nas usinas. O uso múltiplo de reservatórios e o desenvolvimento de projetos de irrigação, piscicultura, resgate da fauna e da flora, turismo e lazer são fundamentais para a redução dos impactos ambientais e sociais decorrentes da remoção da população local durante a construção de usinas hidrelétricas. É possível também reduzir as perdas nas etapas de transmissão e distribuição, aplicando novas tecnologias e investindo na manutenção de equipamentos. Manter o sistema funcionando perfeitamente, além de economizar energia, é fundamental para a segurança de trabalhadores e usuários. O investimento em tecnologia para que sejam implantados mecanismos de segurança satisfatórios nas usinas nucleares são muito importantes, pois em todas as etapas do ciclo percorrido pelo urânio são emitidos resíduos radioativos perigosos para a saúde de quem trabalha ou vive perto dessas usinas.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A crise financeira e o impacto ambiental

A crise financeira surge em meio à outra crise, tão relevante em nossas vidas quanto o problema econômico: a crise ambiental. Os problemas previstos com a questão do clima no mundo suscitaram debates, discussões e pouca adesão. A crise financeira promoveu uma mobilização mundial para reestabilizar o mercado mundial. Precisamos colocar o problema das finanças no plano de fundo do reequilíbrio da desigualdade planetária e no financiamento da problemática ambiental. Analisar a relação entre as duas crises, as emergências para repensar o meio ambiente a partir do que será construído para reorganizar o mercado financeiro e também sobre as oportunidades que surgem para a natureza a partir da crise no sistema econômico. Há uma gigantesca esperança com a eleição de Obama porque os Estados Unidos, como economia mais forte do planeta, generalizou políticas que eram contrárias ao ambientalismo, políticas unilaterais sem consulta, o desprezo pelas Nações Unidas e sistemas multilaterais de governança. Tudo isso, junto com políticas irresponsáveis na área de energia de finanças, gerou um buraco negro para o planeta. Ladislau Dowbor é graduado em Economia Política, pela Université de Lausanne, na Suíça. É especialista em Planificação Nacional, pela Escola Superior de Estatística e Planejamento da Polônia, onde também obteve o título de mestre em Economia Social e doutor em Ciências Econômicas. Atualmente, é professor da PUC-SP. Sua mais recente obra é Democracia econômica: alternativas de gestão social (Petrópolis: Editora Vozes, 2008). Confira a entrevista. IHU On-Line - Qual o impacto da crise financeira sobre o meio-ambiente? Ladislau Dowbor - No conjunto, trata-se de um problema central que na economia chamamos de regulação econômica. Os bancos e o sistema de intermediação financeira não trabalham com dinheiro próprio, mas com poupanças que são da população. Se você olhar na nossa constituição, verá que os nossos intermediários financeiros recebem autorização para trabalhar com o dinheiro do público com o objetivo de promover o desenvolvimento e assegurar o uso produtivo das poupanças. É óbvio que o sistema financeiro desgarrou completamente dessa visão e se transformou num sistema especulativo mundial. Isso vale para o conjunto de derivativos. Na véspera da crise, a circulação diária de aplicações especulativas era da ordem de 1,8 trilhões de dólares por dia, quando o volume de importações e exportações que justificariam transações financeiras como contrapartida gira em torno de 30 bilhões por dia. Então, é uma irresponsabilidade generalizada dos grandes bancos e dos investidores institucionais que passaram a fazer dinheiro com dinheiro sem se preocupar com a sua aplicação produtiva. Isso é a base da crise, porque você monta um castelo de cartas entre especuladores baseado na incompreensão dos comuns mortais de como funciona essas coisas e o resultado é a quebra. O problema não está na crise em si. Esse é um sistema que simplesmente não funciona. Estamos nos reorientando para a redefinição das regras do jogo. Breton Woods do fim dos anos 1940 criou o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, a ONU, enfim, criou regras do jogo que já estão ultrapassadas. O que está na mesa é como serão as regras do jogo para resgatar o eixo central. As poupanças, que são das populações e não dos intermediários financeiros, devem ser utilizadas para atividades produtivas, para o progresso social e para o equilíbrio ambiental; esse é o eixo central. IHU On-Line - Em relação às mudanças climáticas, que urgências são suscitadas a partir da crise financeira? Ladislau Dowbor - Ignacy Sachs fala sobre as oportunidades que saem dessa crise, e Jeffrey Sachs segue outra linha, que também é importante. Juntando essas visões, você descobre que podemos colocar na mesa o problema da crise financeira de forma mais ampla e discutir, então, a organização econômica e social do planeta. Ou seja, coloca o problema das finanças no plano de fundo do reequilibramento da desigualdade planetária e no financiamento da problemática ambiental. Esses são os dois grandes eixos de desafiam o planeta: a desigualdade - nós temos quatro bilhões de pessoas, segundo o Banco Mundial, que estão fora do chamado beneficio da globalização - e o aquecimento global que, na realidade, é a ponta mais visível, que implica no esgotamento das vidas nos mares, na erosão dos solos, na perda de cobertura vegetal por desmatamento irresponsável, na contaminação generalizada da água doce no planeta. Afora isso, um detalhe: o petróleo fácil está acabando, ou seja, a matriz energética precisa ser repensada. A crise é bem mais ampla e, de certa maneira, ao desencadear, com extrema visibilidade para todo o planeta, a irracionalidade e a fraude sistemática que existe nos mecanismos financeiros põe em discussão as regras do jogo para a regulação planetária para o conjunto dos problemas sociais e ambientais. O planeta está frente a frente com a responsabilidade. São problemas demasiadamente amplos. Nós acreditamos tempo demais que o mercado resolveria que uma mão invisível resolveria. Nós precisamos de governança planetária que funcione. Há uma gigantesca esperança com a eleição do Obama porque os Estados Unidos, como economia mais forte do planeta, generalizou políticas que eram contrárias ao ambientalismo, políticas unilaterais sem consulta, o desprezo pelas Nações Unidas e sistemas multilaterais de governança. Tudo isso, junto com políticas irresponsáveis na área de energia de finanças, gerou um buraco negro para o planeta. Os Estados Unidos têm um peso tal para o planeta que não se conseguem soluções sistêmicas sem que eles contribuam. Então, essa virada atual abre imensas esperanças. IHU On-Line - Como avalia a posição dos governos frente às duas crises? Ladislau Dowbor - O Brasil vive uma situação bastante particular. Em primeiro lugar, o fator crítico no Brasil é a desigualdade social e nesse plano é um país que está indiscutivelmente fazendo a lição de casa. A partir do governo Lula, temos o Bolsa Família, que atingiu cerca de 45 milhões de pessoas, a capacidade real de compra com o salário mínimo superior a 30%, o que favoreceu cerca 26 milhões de trabalhadores. O aumento do salário mínimo, como ele é um regulador das pequenas aposentadorias, atingiu também a melhoria de cerca de 16 milhões de aposentados. Tivemos ainda um aumento em cerca de dez milhões de empregos nessa gestão e o aumento do Pronaf. Regiões mais pobres do país vivenciaram o Programa Territórios da Cidadania. Esse conjunto de iniciativas que inclui outros projetos, como o ProUni, está ajudando a reequilibrar socialmente o país. O outro eixo é o ambiental, em que vivemos uma situação particular. Porque nós temos uma matriz energética que é das menos agressivas no planeta. O Brasil está baseado essencialmente em energia hidrelétrica. Onde nós somos mais vulneráveis é nas queimadas, por exemplo, aquelas utilizadas na produção de açúcar e na Amazônia. O terceiro eixo nessa problemática ambiental é que o Brasil tem a maior reserva planetária de terras agrícolas paradas, ao mesmo tempo em que possui imensas reservas de água. Com a necessidade de evolução para biocombustíveis, é óbvio que um país com gigantescas reservas de terra e água tem trunfos na mão extremamente poderosos. O Brasil é, em grande parte, o eixo das soluções, não dos problemas. O problema está e continua nos Estados Unidos, que têm 4% da população e mais de ¼ da produção de gases estufas do planeta. É ali que realmente está se gerando a ameaça. Complementarmente, temos fortes ameaças da China e outros países com bastante peso populacional. Pense que a China e a Índia representam 40% da população mundial. Na visão mais ampla, o planeta deve repensar a sua sustentabilidade. Nós usamos, para essa mudança institucional necessária, a visão de que há três personagens sem voz: a natureza é silenciosa, os quatro bilhões de pobres do planeta não têm voz e nem aparecem na mídia, e as futuras gerações que serão privadas de água limpa, de vida nos mares, também não estão presentes para protestar. Esse sistema de desenvolvimento que nos enche de publicidade na televisão, com imagens de bonecas Barbie dizendo que está tudo uma maravilha, é muito demagógico e irresponsável. IHU On-Line - Com as proporções que a crise financeira tomou, há uma perspectiva diferente para a abordagem ecológica? Como essa abordagem deve acontecer? Ladislau Dowbor - Isso é justamente o que está se colocando embaixo do título geral de Breton Woods II. É interessante lembrar que Breton Woods surge a partir de uma gigantesca crise gerada por uma guerra mundial, 60 milhões de mortos e uma disposição do planeta de dizer um basta. De certa maneira, nesse sentido, a crise é geradora de oportunidades porque balança as visões do planeta. Se não fosse a crise financeira, o Obama não teria sido eleito, e então estaríamos com a continuação da exploração do petróleo e mais irresponsabilidades mundiais e mais guerras. Essa crise leva o presidente da França, um conservador liberal, a dizer: “Não é possível continuar sem recuperar o poder da política sobre os mecanismos econômicos”. Pensemos que há toda uma atitude brasileira no sentido de se construir alternativas. IHU On-Line - Pensar no meio ambiente estimularia uma nova forma de desenvolvimento econômico? Que oportunidades para o meio ambiente surgem diante dessa crise financeira? Ladislau Dowbor - Não tenho dúvidas. Isso passa por vários eixos. Precisamos mudar a matriz energética. Por isso, tantas empresas estão começando a produzir carros elétricos, sistemas mistos, enfim, estão buscando novas tecnologias. No mundo da agricultura, a simples extensão de grandes propriedades de monocultura com muitos pesticidas e contaminação, essa visão que chamamos de revolução verde, está sendo colocada de lado. Isso gerou um relatório planetário muito importante sobre a aplicação das tecnologias da agricultura.

Mais de 3.500 espécies já estão ameaçadas pelas mudanças climáticas

Um estudo publicado na revista científica BioScience aponta que pelo menos 3.585 espécies de animais já enfrentam risco direto de extinção d...