Rosto tenso, aparência de extremo cansaço, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, começou sua entrevista final em Copenhague dizendo ter consciência da profunda decepção dos participantes com o “fracasso da COP 15″. Mas pediu que entendessem que “o desafio do nosso tempo” não é apenas chegar a regras para reduzir emissões, mas tem que ver com formatos de “mudar o mundo, nossas formas de viver”.
Ficava subentendido que, se já há obstáculos quase intransponíveis para fixar regras globais para baixar as emissões, incrustados nas lógicas financeiras de países ricos e pobres, governos, setores econômicos, empresas e até pessoas (tenho de dividir minha renda, trocar de carro, reformar minha casa para consumir menos energia, tornar-me vegetariano, etc.?), que dirá definir um novo modo de viver em qualquer parte e que nos leve a superar essa crise do padrão civilizatório com seus caminhos incompatíveis com a capacidade do planeta? Um modo de viver que, no dizer do famoso biólogo Paul Ehrlich, nos leve a respeitar os direitos de qualquer ser vivo? Talvez por isso tudo Ban Ki-moon terminou afirmando que “é hora de compromisso, de coragem”.
Neste momento em que cada país atira sobre outros a culpa pelo “fracasso”, é inevitável que venha à memória a Cúpula do Desenvolvimento de 2002, em Johannesburgo, quando a evidência dos impasses já era muito forte e, em eventos paralelos, se discutiu a possibilidade de criar caminhos alternativos, já que nas conferências da ONU é indispensável, para qualquer decisão, o consenso entre quase 200 países com interesses contraditórios. Uma militante ambientalista sugeriu que seria indispensável “tomar o poder na Organização Mundial do Comércio”, a seu ver o foro onde se decidiam os destinos do mundo. Já uma alta autoridade no âmbito internacional propôs a criação de uma organização mundial de meio ambiente, separada da ONU e de suas regras “paralisantes”, como o consenso obrigatório. Mas foi bombardeada pelos que argumentavam levar esse caminho aos mesmos impasses para estabelecer regras válidas em todos os cantos.
Para complicar tudo, já estamos atrasados no tempo, como demonstraram em Copenhague o presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e Prêmio Nobel, Rajendra Pashauri, e vários diretores do IPCC, lembrando o aval que dão a seus diagnósticos mais de 90 mil cientistas no mundo todo. Simplesmente transferir as decisões para a COP 16, no México, em dezembro de 2010, apenas contribui para agravar o problema, não para solucioná-lo. Estão diante dos olhos os números crescentes de vítimas dos eventos climáticos “extremos” em toda parte, inclusive no Brasil. Um imenso cartaz num saguão do aeroporto da capital dinamarquesa, colocado por uma ONG, já antecipava 2020, com um presidente Lula de barba e cabelos totalmente brancos se explicando: “Desculpem-me”, estava escrito no papel. “Não conseguimos reduzir as emissões até 2020.” E seguia dizendo que as primeiras vítimas eram dos países-ilha, que não contribuíram para o problema, e das nações pobres, que quase nada emitiram.
Na verdade o presidente brasileiro, em seu discurso na COP 15, já se referira a esses países e à necessidade de “pagamento pelo problema” que deve ser atribuído “aos países que emitem há dois séculos” – embora também dissesse que “todos poderíamos ter dado mais” e que “é preciso não pensar em ganhar mais ou perder menos”. E ainda desabafou, ao dizer que só acredita mesmo numa intervenção especial: “Acredito em Deus e em milagre”, afirmou. Nem isso o livrou de críticas dos países-ilha e países pobres, que o condenaram por haver tentado decidir só com o presidente dos EUA e dos países emergentes um texto que seria obrigatório para todos (foi rejeitado). Como não escapou às críticas de adotar só “metas voluntárias”, embora contraditoriamente aprovadas como lei. E à crítica por não haver incluído o cerrado – responsável por cerca de 40% das emissões brasileiras por mudanças no uso da terra, desmatamentos e queimadas – no zoneamento ecológico-econômico que regulará o avanço territorial da cana-de-açúcar – num bioma que o Ministério do Meio Ambiente disse sofrer desmatamento anual de 22 mil km2, depois baixados para 14 mil km2 e que podem ser de 5 mil km2, segundo outro estudo científico. Novas questões virão, como as levantadas pelos cientistas que dizem ter evidências de que seriam maiores que as divulgadas as emissões por desmatamento na Amazônia, já que este agora atinge sobretudo áreas de floresta mais densa, onde há maior concentração de carbono.
É impressionante que talvez já sejam mínimas as divergências quanto ao diagnóstico planetário e a urgência de novos caminhos. Até figuras como o ex-ministro Delfim Netto, defensoras durante décadas do desenvolvimento à custa da preservação dos biomas, dizem agora que o Brasil precisa de “um programa de economia de baixo carbono”. O ex-ministro até aponta (Agência Estado, 22/12) mudanças antes tidas como impensáveis por essas figuras no setor de transportes, no petroquímico e em todas as áreas industriais. Mais ainda: afirma o ex-ministro da Fazenda que os novos caminhos não poderão ser atingidos “com a atividade exportadora de produtos agrícolas e de minérios”, porque a agricultura, além dos outros problemas, “vai economizar mão de obra e terra”, enquanto “o desenvolvimento da mineração é poupar mão de obra; é tudo mecanizado”. Seriam, por isso, esses setores incapazes de “dar emprego de qualidade a 150 milhões de cidadãos, para que o País continue crescendo”. E conclui: “É preciso uma nova concepção de crescimento (…) Não é só dinheiro; é ciência básica e ciência experimental.”
O avanço é grande. Mas ainda está no terreno do diagnóstico. E “o mundo nos está olhando”, como advertiu Ban Ki-moon. Com muita pressa.
O entendimento vem de acordo com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. A aprendizagem, o conhecimento e a sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança de agregar novos valores aos antigos já existentes.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Reduzir emissões ou mudar a vida?
Rosto tenso, aparência de extremo cansaço, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, começou sua entrevista final em Copenhague dizendo ter consciência da profunda decepção dos participantes com o “fracasso da COP 15″. Mas pediu que entendessem que “o desafio do nosso tempo” não é apenas chegar a regras para reduzir emissões, mas tem que ver com formatos de “mudar o mundo, nossas formas de viver”.
Ficava subentendido que, se já há obstáculos quase intransponíveis para fixar regras globais para baixar as emissões, incrustados nas lógicas financeiras de países ricos e pobres, governos, setores econômicos, empresas e até pessoas (tenho de dividir minha renda, trocar de carro, reformar minha casa para consumir menos energia, tornar-me vegetariano, etc.?), que dirá definir um novo modo de viver em qualquer parte e que nos leve a superar essa crise do padrão civilizatório com seus caminhos incompatíveis com a capacidade do planeta? Um modo de viver que, no dizer do famoso biólogo Paul Ehrlich, nos leve a respeitar os direitos de qualquer ser vivo? Talvez por isso tudo Ban Ki-moon terminou afirmando que “é hora de compromisso, de coragem”.
Neste momento em que cada país atira sobre outros a culpa pelo “fracasso”, é inevitável que venha à memória a Cúpula do Desenvolvimento de 2002, em Johannesburgo, quando a evidência dos impasses já era muito forte e, em eventos paralelos, se discutiu a possibilidade de criar caminhos alternativos, já que nas conferências da ONU é indispensável, para qualquer decisão, o consenso entre quase 200 países com interesses contraditórios. Uma militante ambientalista sugeriu que seria indispensável “tomar o poder na Organização Mundial do Comércio”, a seu ver o foro onde se decidiam os destinos do mundo. Já uma alta autoridade no âmbito internacional propôs a criação de uma organização mundial de meio ambiente, separada da ONU e de suas regras “paralisantes”, como o consenso obrigatório. Mas foi bombardeada pelos que argumentavam levar esse caminho aos mesmos impasses para estabelecer regras válidas em todos os cantos.
Para complicar tudo, já estamos atrasados no tempo, como demonstraram em Copenhague o presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e Prêmio Nobel, Rajendra Pashauri, e vários diretores do IPCC, lembrando o aval que dão a seus diagnósticos mais de 90 mil cientistas no mundo todo. Simplesmente transferir as decisões para a COP 16, no México, em dezembro de 2010, apenas contribui para agravar o problema, não para solucioná-lo. Estão diante dos olhos os números crescentes de vítimas dos eventos climáticos “extremos” em toda parte, inclusive no Brasil. Um imenso cartaz num saguão do aeroporto da capital dinamarquesa, colocado por uma ONG, já antecipava 2020, com um presidente Lula de barba e cabelos totalmente brancos se explicando: “Desculpem-me”, estava escrito no papel. “Não conseguimos reduzir as emissões até 2020.” E seguia dizendo que as primeiras vítimas eram dos países-ilha, que não contribuíram para o problema, e das nações pobres, que quase nada emitiram.
Na verdade o presidente brasileiro, em seu discurso na COP 15, já se referira a esses países e à necessidade de “pagamento pelo problema” que deve ser atribuído “aos países que emitem há dois séculos” – embora também dissesse que “todos poderíamos ter dado mais” e que “é preciso não pensar em ganhar mais ou perder menos”. E ainda desabafou, ao dizer que só acredita mesmo numa intervenção especial: “Acredito em Deus e em milagre”, afirmou. Nem isso o livrou de críticas dos países-ilha e países pobres, que o condenaram por haver tentado decidir só com o presidente dos EUA e dos países emergentes um texto que seria obrigatório para todos (foi rejeitado). Como não escapou às críticas de adotar só “metas voluntárias”, embora contraditoriamente aprovadas como lei. E à crítica por não haver incluído o cerrado – responsável por cerca de 40% das emissões brasileiras por mudanças no uso da terra, desmatamentos e queimadas – no zoneamento ecológico-econômico que regulará o avanço territorial da cana-de-açúcar – num bioma que o Ministério do Meio Ambiente disse sofrer desmatamento anual de 22 mil km2, depois baixados para 14 mil km2 e que podem ser de 5 mil km2, segundo outro estudo científico. Novas questões virão, como as levantadas pelos cientistas que dizem ter evidências de que seriam maiores que as divulgadas as emissões por desmatamento na Amazônia, já que este agora atinge sobretudo áreas de floresta mais densa, onde há maior concentração de carbono.
É impressionante que talvez já sejam mínimas as divergências quanto ao diagnóstico planetário e a urgência de novos caminhos. Até figuras como o ex-ministro Delfim Netto, defensoras durante décadas do desenvolvimento à custa da preservação dos biomas, dizem agora que o Brasil precisa de “um programa de economia de baixo carbono”. O ex-ministro até aponta (Agência Estado, 22/12) mudanças antes tidas como impensáveis por essas figuras no setor de transportes, no petroquímico e em todas as áreas industriais. Mais ainda: afirma o ex-ministro da Fazenda que os novos caminhos não poderão ser atingidos “com a atividade exportadora de produtos agrícolas e de minérios”, porque a agricultura, além dos outros problemas, “vai economizar mão de obra e terra”, enquanto “o desenvolvimento da mineração é poupar mão de obra; é tudo mecanizado”. Seriam, por isso, esses setores incapazes de “dar emprego de qualidade a 150 milhões de cidadãos, para que o País continue crescendo”. E conclui: “É preciso uma nova concepção de crescimento (…) Não é só dinheiro; é ciência básica e ciência experimental.”
O avanço é grande. Mas ainda está no terreno do diagnóstico. E “o mundo nos está olhando”, como advertiu Ban Ki-moon. Com muita pressa.
Aceleração da liberação de metano no Ártico pode ter consequências dramáticas no clima do planeta
Escape de metano no oceano Ártico, a partir do aumento de temperatura e descongelamento do permafrost (2007).
Ártico libera metano mais rapidamente, diz estudo – Cientistas da universidade do Alasca, em Fairbanks, nos Estados Unidos, afirmaram ter descoberto o que parece ser um aumento dramático na liberação de gás metano do fundo do Oceano Ártico.
O metano é um dos gases que provocam o efeito estufa e é 20 vezes mais potente que o CO2 em seu efeito de aprisionar o calor na atmosfera.
O resultado foi obtido através da medição de fluxos de gases no norte da Rússia.
“A liberação de metano da Plataforma Oriental da Sibéria parece continuar a estar mais acentuada do que deveria”, afirmou o cientista Igor Semitelov, que liderou o grupo de pesquisadores. O professor Semiletov vem estudando a liberação de metano da região há décadas e deve publicar suas novas conclusões em breve.
Depósito de gases
A plataforma siberiana atua como um enorme depósito de gases como o carbônico e o metano, muitas vezes armazenados como hidratos gasosos, mas está cada vez mais exposta ao aquecimento.
Agora, ela estaria liberando uma quantidade maior de metano no mar e na atmosfera do que anteriormente.
Até recentemente, esta região de permafrost (solo de rochas e gelo) era considerada estável, mas agora cientistas acreditam que a liberação de um gás do efeito estufa tão poderoso pode acelerar o aquecimento global.
Maiores concentrações de metano na atmosfera estão contribuindo para a elevação das temperaturas na Terra. Elas, por sua vez, devem levar a um maior derretimento do permafrost que, dessa forma, liberaria ainda mais metano na atmosfera, realimentando o ciclo.
Os cientistas dizem que na pior das hipóteses, essa retroalimentação pode chegar a um ponto tal, em que bilhões de toneladas de metano seriam despejadas na atmosfera repentinamente, coisa que já aconteceu pelo menos uma vez na história do planeta.
Alguns postulam que liberações repentinas, associadas a picos nas temperaturas globais, podem ter sido fatores importantes na extinção em massa de espécies.
Aquecimento
Estudos da agência americana para oceanos e atmosfera (Noaa, na sigla em inglês) indicam que a temperatura da região na primavera no período de 2000 a 2007 ficou em média 4˚C acima da registrada de 1970 a 1999.
Segundo os pesquisadores da Universidade do Alasca, essa é o maior aumento de temperatura registrado em qualquer região do planeta.
O derretimento de permafrost das últimas décadas liberou parte da grande reserva de gases produzida pela matéria orgânica de animais e plantas mortas. O hidrato de metano fica abaixo dessa camada.
Acreditava-se, entretanto, que grande parte deste gás fosse absorvida pelo mar, antes de chegar à atmosfera.
Os resultados compilados pelo professor Semiletov a pedido da organização ambientalistas WWF, indicam que o metano liberado do fundo do mar está atingindo a atmosfera sem se dissolver no oceano.
Por isso, segundo os especialistas, a concentração do gás na atmosfera da região é cem vezes maior do que o normal, chegando a ser até mil vezes maior em alguns casos.
‘Sem alarme’
Mesmo assim, os especialistas dizem que não há motivos para alarme e destacam que são necessários mais estudos para determinar as causas exatas para a liberação do metano.
“É importante entender a velocidade e a forma como o gás está sendo liberado”, afirmou o cientista .
Algumas estimativas indicam que até 1,6 trilhões de toneladas de carbono – praticamente o dobro do que se encontra na atmosfera – estejam presas sob o permafrost.Cientistas temem que a liberação dos gases poderiam ter efeitos catastróficos no planeta.
‘Mantidas as taxas atuais de emissões de gases estufa, o degelo do Ártico é irreversível’
A 15ª Conferência das Nações Unidas (COP-15) chegou ao fim sem um texto final, muito criticada por não ter acordo relevante e não tratar das mudanças climáticas com o cuidado extremo que o problema exige. Como é o caso do degelo no Ártico. Uma pesquisa feita no Instituto Polar Norueguês apontou que, nos últimos 14 ou 15 milhões de anos, a parte central do Ártico tem estado permanentemente gelada, e que as mudanças climáticas podem fazer com que o gelo se dissolva no verão, o que vai ser, numa perspectiva ecológica, uma situação dramática.
A IHU On-Line entrevistou o geógrafo Jorge Arigony Neto, que analisou a situação atual do Ártico. “As possíveis consequências do derretimento do gelo marinho permanente do Ártico são diversas e vão desde um possível impacto na circulação atmosférica do hemisfério norte, até o enfraquecimento na formação de águas de fundo. Esta é necessária para manter a circulação dos oceanos como também é responsável pela distribuição de calor dos trópicos para as regiões polares e alteração do habitat de diversos organismos, como bactérias, algas, crustáceos, pássaros marinhos, focas, ursos polares e baleias. Além disso, há também os próprios povos nativos do Ártico, os quais possuem o seu hábito de vida nômade associado a caça e pesca no limite do gelo marinho e estão cada vez mais sedentarizados em cidades”, detalhou durante a entrevista que concedeu por e-mail.
Jorge Arigony Neto é graduado em geografia e mestre em Sensoriamento Remoto pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É doutor em Geografia Física pela Albert-Ludwigs-Universität Freiburg, na Alemanha. Recebeu o título de pós-doutor pela UFGRS em 2008. Atualmente, é professor na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e representante brasileiro no Scientific Committee on Antarctic Research. Também é professor colaborador na UFGRS.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Estudos apontam que o Ártico ‘deixará de existir’ em duas décadas. Este previsão está correta?
Jorge Arigony Neto – Na realidade, o Ártico em si não deixará de existir. O que pode deixar de existir até 2030, segundo as estimativas mais recentes, é a cobertura permanente de gelo marinho do oceano Ártico. É importante mencionar que, segundo as estimativas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da ONU, o Ártico estaria livre de gelo no verão apenas no final do século. Porém, essa estimativa está sendo reconsiderada pela comunidade científica devido ao fato de que a porção de gelo marinho permanente está se tornando cada vez menos espessa, o que a torna mais suscetível ao derretimento no verão.
IHU On-Line – Com o derretimento do Ártico, quais são as consequências para o mundo?
Jorge Arigony Neto – Bem, as possíveis consequências do derretimento do gelo marinho permanente do Ártico são diversas e vão desde um possível impacto na circulação atmosférica do hemisfério norte, até o enfraquecimento na formação de águas de fundo. Esta é necessária para manter a circulação dos oceanos como também é responsável pela distribuição de calor dos trópicos para as regiões polares e alteração do habitat de diversos organismos, como bactérias, algas, crustáceos, pássaros marinhos, focas, ursos polares e baleias. Além disso, há também os próprios povos nativos do Ártico, os quais possuem o seu hábito de vida nômade associado a caça e pesca no limite do gelo marinho e estão cada vez mais sedentarizados em cidades.
IHU On-Line – Em outubro desse ano, foi divulgado o desaparecimento da mais grossa camada de gelo do Ártico. Que efeitos já ocorrem a partir disso?
Jorge Arigony Neto – Até o momento, nenhuma efeito foi detectado, mas esperamos um maior derretimento no verão de áreas que estão cobertas por gelo marinho durante o ano todo.
IHU On-Line – Os impactos globais do degelo do Ártico já podem ser percebidos?
Jorge Arigony Neto – Sim, alguns estudos têm indicado um declínio na população de ursos polares associado à diminuição da área coberta por gelo marinho. Além disso, estima-se que o próprio aquecimento que está ocorrendo no Ártico possa estar sendo reforçado pela maior quantidade de radiação absorvida pelo oceano em áreas onde o gelo marinho já não está mais presente durante o verão.
IHU On-Line – Qual a importância do sensoriamento remoto da criosfera, hoje, para se entender os problemas com o meio ambiente e com o clima da Terra?
Jorge Arigony Neto – O sensoriamento remoto (técnica de obtenção de informações sobre objetos ou fenômenos sem que haja contato físico direto com eles) nos permite obter informações de extensas regiões do planeta cobertas por gelo e neve, o que é difícil de fazer através de métodos convencionais baseados apenas na pesquisa de campo. Essas informações sobre parâmetros das massas de gelo sensíveis às variações ambientais nos fornecem subsídios para alimentar e/ou validar os modelos de estabilidade e previsão do clima do planeta.
IHU On-Line – Quais as contribuições do Brasil nas pesquisas realizadas sobre o assunto?
Jorge Arigony Neto – As contribuições brasileiras para as pesquisas na área de sensoriamento remoto da Criosfera ainda são bastante incipientes, estando concentradas no desenvolvimento de métodos para a extração de informações confiáveis sobre as massas de neve e gelo do planeta a partir da utilização de imagens de satélites. Porém, com a recente criação do novo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera, tivemos a oportunidade de instituir o Grupo de Sensoriamento Remoto da Criosfera, onde poderemos formar, junto com o Prof. Jefferson Simões da UFRGS e o Prof. Maurício Mata da FURG, a primeira equipe nacional treinada para o monitoramento da Criosfera. Com isso, pretendemos estabelecer a capacidade de geração de dados que nos permitam estudar a influência de parâmetros climáticos sobre as massas de gelo e desenvolver modelos de suscetibilidade da Criosfera às mudanças climáticas.
IHU On-Line – Pode-se dizer que o degelo do Ártico é irreversível?
Jorge Arigony Neto – Sim, se forem mantidas as taxas atuais de emissões de gases estufa, podemos dizer que o degelo do Ártico é irreversível, tanto no que se refere ao gelo marinho quanto ao gelo continental. Além disso, podemos ir além e afirmar que o derretimento do gelo marinho do Ártico colabora ainda mais para o aumento da temperatura da região através da retroalimentação climática. Ou seja, o gelo marinho reflete entre 50 e 70% da radiação incidente sobre ele, enquanto que o oceano absorve até 70% dessa radiação, a qual estará disponível para aquecer ainda mais a região conforme vá ocorrendo o derretimento do gelo marinho.
IHU On-Line – Qual a situação da Antártida, hoje?Jorge Arigony Neto – Ao contrário do Ártico, que consiste de um oceano coberto por uma fina camada de gelo marinho (um a três metros de espessura) durante boa parte do ano, a Antártica é um continente coberto por um manto de gelo glacial com até três quilômetros de espessura em alguns pontos. Nesse continente, o que mais tem preocupado a comunidade glaciológica é a possível instabilidade da porção oeste do manto de gelo, a qual possui o contato entre o gelo e a rocha abaixo do nível do mar, sendo suscetível a um possível aquecimento das águas oceânicas da periferia da Antártica, e teria condições de drenar gelo suficiente para aumentar o nível médio dos mares em 3,3 metros em poucas décadas.Na Suécia, rótulos indicam nível de CO2 na produção de alimentos
Prateleira de produtos ‘ambientalmente amigáveis’ em supermercado em Estocolmo (Suécia), onde os alimentos informam a emissão de CO2 envolvida na produção.
Rótulos mostram aos suecos quanto carbono é liberado na produção dos alimentos.
Ao procurar aveia na prateleira do mercado, Helena Bergstrom, 37, admite ter ficado confusa com o rótulo em uma caixa azul do produto que dizia, “Impacto climático declarado: 0,87 kg CO2 por kg do produto”. “Mesmo agora, não sei o que aquilo significa”, confessa Bergstrom, funcionária de uma companhia farmacêutica.
Mas se uma nova experiência feita aqui tiver sucesso, ela e milhões de outros suecos logo descobrirão o significado daquela informação. Novos rótulos indicando o nível de emissão de dióxido de carbono associado à produção de alimentos, das massas feitas com trigo integral aos sanduíches das lanchonetes do tipo fast food, estão surgindo nas embalagens de alguns produtos de supermercados e menus de restaurantes e lanchonetes em todo o país.
As pessoas que vivem para comer podem desprezar essa iniciativa, chamando-a de tola. Mas mudar a dieta de uma pessoa pode ser algo tão efetivo para reduzir a emissão dos gases causadores da alteração climática quanto trocar de automóvel ou deixar de usar máquinas de secar roupa, dizem os especialistas.
“Somos os primeiros a tomar esta iniciativa, e para nós isto consiste em uma nova forma de pensar”, explica Ulf Bohman, diretor do Departamento de Nutrição da Administração Nacional de Alimentos sueca, que no ano passado foi incumbida de criar novas diretrizes alimentares, conferindo peso igual ao clima e à saúde. “Estamos acostumados a pensar na segurança e na nutrição como sendo algo desvinculado do meio ambiente”.
Algumas das novas diretrizes alimentares propostas, divulgadas durante o último verão do hemisfério norte, podem parecer desnorteantes para quem não estiver acostumado a ver isso. Elas recomendam, por exemplo, que os suecos deem preferência ao consumo de cenouras, e não ao de pepinos e tomates (ao contrário das cenouras, na Suécia os pepinos e os tomates precisam ser cultivados em estufas aquecidas, o que consome muita energia).
Eles não são aconselhados a comer mais peixe, apesar dos benefícios à saúde, porque as reservas de pescado da Europa estão praticamente esgotadas.
E, de forma um pouco menos surpreendente, aconselha-se aos suecos que substituam a carne vermelha por feijão ou frango, devido ao fato de a criação de gado bovino gerar muita emissão de gases causadores do efeito estufa.
“Para os consumidores, é difícil”, admite Bohman. “Eles estão recebendo orientações de ordem ambiental, mas precisam achar um denominador comum entre essas orientações e a questão: ‘O que devo fazer para me alimentar de forma mais saudável?”.
Muitos consumidores suecos dizem que se está exigindo muito deles. “Eu gostaria de afirmar que esse tipo de informação me fez modificar a minha alimentação, mas isto não ocorreu”, confessa Richard Lalander, 27, que come um hambúrguer Max (1,7 quilogramas de emissões de dióxido de carbono) próximo a um menu que revela que um sanduíche de frango (0,4 quilogramas) teria causado menos danos ao planeta.
Mas alguns especialistas dizem que se as novas diretrizes fossem estritamente seguidas, os suecos poderiam reduzir as suas emissões derivadas da produção de alimentos entre 20% e 50%.
Em torno de 25% das emissões produzidas pelos seres humanos nas nações industrializadas estão vinculadas aos alimentos que eles comem, segundo uma recente pesquisa divulgada aqui. E o nível de emissões liberadas na produção de alimentos varia enormemente de um produto para outro.
Embora os consumidores norte-americanos e europeus atuais possam estar acostumados a verificar o conteúdo de nutrientes, calorias ou gordura, eles frequentemente nada sabem quando se trata de determinar se o consumo de tomates, frango ou arroz é positivo ou negativo para o clima.
Para complicar ainda mais a questão, o impacto em termos de emissões provocados, digamos, pela cenoura, pode variar de intensidade segundo uma escala multiplicativa de um a dez, dependendo de como e onde ela seja cultivada.
Estudos anteriores sobre as emissões vinculadas à produção de comida concentravam-se nos altos custos ambientais do transporte de alimentos e da criação de gado. Mas pesquisas mais refinadas revelam que as emissões dependem de vários fatores, incluindo o tipo de solo usado para produzir alimentos e o fato de os produtores de leite utilizarem forragem local ou soja importada para a alimentação do gado.
Grupos empresariais, cooperativas agrícolas e programas de rotulagem orgânica, bem como o governo, apresentaram corajosamente maneiras coordenadas de identificar opções alimentares.
Max, a maior rede doméstica de lanchonetes especializadas em hambúrgueres na Suécia, exibe os cálculos de emissões ao lado de cada produto no seu menu. A Lantmannen, o maior grupo especializado em produtos agrícolas do país, passou a colocar rótulos precisos nas embalagens de certos alimentos vendidos nos supermercados, incluindo frango, aveia, cevada e massas.
Os consumidores que prestarem atenção poderão, por exemplo, descobrir que o volume de emissões geradas pela produção do arroz, o grão mais popular no país, é duas ou três vezes maior do que o da pouco utilizada cevada.
Alguns produtores argumentam que os novos programas são exageradamente complexos e que eles ameaçam os lucros. As recomendações alimentares, que estão sendo distribuídas para análise e comentários não só na Suécia, mas em toda a União Europeia, têm sido atacadas pelo setor de produção de carne do continente, pelos criadores noruegueses de salmão e pelos produtores de óleo de palmeira, para citar apenas alguns.
Este é um processo de aprendizado à base de tentativas e erros; ainda estamos tentando determinar se isto funciona.
No ano que vem, o KRAV, o principal programa escandinavo de certificação orgânica, começará a exigir que os produtores rurais adotem técnicas de baixa emissão para que possam exibir o cobiçado rótulo da organização em seus produtos, o que significa que a maior parte dos tomates produzidos em estufas não poderá mais ser classificada de orgânica.
Esses padrões provocaram alguns protestos. “Há produtores reais felizes e outros que afirmam que estão arruinados”, diz Johan Cejie, gerente de questões climáticas do KRAV. “Por exemplo, os produtores que têm nas suas propriedades solos com elevada concentração de turfa poderão ver-se incapazes de produzir cenouras, já que o processo de aração da turfa libera grandes quantidades de dióxido de carbono. Para conseguir o rótulo de produto orgânico, eles talvez tenham que cultivar outras plantas que não exijam aração da terra”.
No ano que vem, o Krav exigirá que sejam utilizados biocombustíveis para o aquecimento de estufas. Os produtores de laticínios terão que obter pelo menos 70% dos alimentos para o seu rebanho no mercado local; muitos deles costumavam importar soja barata do Brasil, que gera emissões com o transporte e destrói as florestas, já que árvores são derrubadas para dar lugar aos campos de plantio.
A iniciativa sueca é derivada de um estudo conduzido em 2005 pela agência nacional ambiental da Suécia no sentido de identificar de que maneira o consumo gera emissões. Os pesquisadores descobriram que 25% das emissões nacionais per capita – duas toneladas métricas por ano – estão vinculadas à alimentação.
O governo percebeu que se encorajasse uma dieta mais voltada para frango e legumes e informasse os produtores rurais sobre como reduzir as emissões, haveria um enorme impacto positivo.
A Suécia é um dos líderes mundiais quando se trata de descobrir novas formas de reduzir emissões. O governo sueco prometeu que eliminará o uso de combustível fóssil para a geração de eletricidade até 2020 e que acabará com os carros movidos a gasolina até 2030.
Para chegar aos números utilizados nos primeiros rótulos de dióxido de carbono da sua companhia, os cientistas da Lantmannen analisaram os ciclos de produção de 20 produtos. O processo leva em conta as emissões geradas por fertilizantes, combustíveis para as máquinas de colheita, embalagem e transporte.
Eles decidiram examinar um produto que representasse cada categoria – por exemplo, massa -, em vez de realizar análises comparativas entre variedades diferentes, como fusilli versus penne. “A produção de cada rótulo climático exige bastante tempo”, afirma Claes Johansson, diretor de sustentabilidade da Lantmannen.
Uma nova geração de líderes suecos está se mobilizando para fazer frente à alteração climática. Richard Bergfors, presidente da Max, a rede de lanchonetes especializadas em hambúrgueres que pertence à sua família, contratou voluntariamente um consultor para calcular a sua pegada de carbono e descobriu que 75% desta está vinculada à carne contida em seus produtos.
Decidiram ser honestos e publicar toda a informação para o cliente, bem como dizer que farão tudo o que puderem no sentido de reduzir as emissões. Além de exibir os dados referentes a emissões no menu, Max eliminou as caixas das suas refeições para crianças, instalou lâmpadas de baixo consumo energético e passou a usar energia elétrica gerada por turbinas eólicas.
Desde que os números referentes às emissões passaram a ser exibidos no menu, as vendas de produtos que agridem menos o meio ambiente aumentaram 20%. Mesmo assim, muita gente vai para as lanchonetes de fast food decidida a comer somente hambúrgueres tradicionais.
Kristian Eriksson, 26, um especialista em tecnologia da informação, parece embaraçado quando lhe perguntam a respeito do hambúrguer que está comendo em uma mesa ao ar livre. “Nos sentimos culpados ao optarmos pela carne vermelha”, diz ele.‘Jogo de Cena’: EUA pedem que outros países adotem metas de emissões de carbono
O principal representante dos Estados Unidos para a questão climática pediu em meados de janeiro/09, que os demais países que estabeleçam metas de redução de emissões de gases-estufa até o final do mês, o que seria crucial para a adoção de um novo tratado global contra o aquecimento do planeta.
Todd Stern disse que o Acordo de Copenhague, definido no mês passado, é o melhor caminho para um documento concreto e de cumprimento obrigatório. Antes, porém, os países precisam se comprometer com metas e colocá-las no papel, disse Stern.
“Temos um acordo que está se arrastando pela pista, e precisamos dele para termos velocidade suficiente para decolar”, disse Stern numa conferência da ONU sobre riscos e oportunidades climáticos. “A melhor forma de fazer progressos no sentido de um acordo legal é ter o Acordo de Copenhague implementado”, acrescentou. Reportagem de Timothy Gardner, da Agência Reuters.
EUA, China, Índia e 20 outros países selaram o acordo ao final da conferência da ONU em Copenhague, em dezembro. Mas o texto não foi formalmente adotado por todos os 190 países participantes, e vários deles se opuseram.
O texto estabelece a meta de limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, prevê medidas de ajuda financeira e tecnológica para que os países em desenvolvimento enfrentem a mudança climática, mas deixa os detalhes para serem resolvidos em 2010.
O documento prevê que até 31 de janeiro os países ricos apresentem suas metas de emissões relativas a 2020, e que os países em desenvolvimento apresentem ações voluntárias para a redução das suas emissões.
Grupos ambientais dos EUA dizem que provavelmente o governo Obama deve cumprir o prazo, mas com uma meta “provisória”, já que o Congresso ainda não aprovou uma legislação que exige controles da poluição.
Uma fonte do governo disse, sob anonimato, que a meta anunciada em novembro pela Casa Branca para a redução de 17 por cento nas emissões até 2020, em comparação a 2005, continua “operacional”.
A comunidade internacional costuma usar 1990 como ano-base para os cortes das emissões. Por esse critério, a redução prometida pelo governo Obama seria de 3 a 4 por cento.
“Agora precisamos que os países deem um passo à frente e digam que querem participar (do acordo)”, disse Stern.
Quatro dos maiores emissores globais de gases-estufa se reúnem neste mês em Nova Délhi para discutir ações climáticas.
A União Europeia, que decidiu em 2008 cortar suas emissões até 2020 para 20 por cento abaixo dos níveis de 1990, oferece elevar sua meta para 30 por cento se outras grandes economias aceitarem medidas equivalentes.
Mas alguns países da UE já se queixam do corte de 20 por cento, de modo que dificilmente haverá uma meta mais ambiciosa. A decisão pode sair neste fim de semana.
Stern disse que o presidente Barack Obama está empenhado em aprovar a nova lei climática no Congresso ainda neste ano.
“Haverá um esforço significativo por parte de todo o governo para levar adiante um projeto energético e climático que seja forte e amplo.”
Emissões de metano do Ártico saltam 30% em 4 anos
Esta foi a região do mundo que teve maior aumento de emissão; fato pode indicar descongelamento.
As emissões de um potente gás causador do efeito estufa pela região ártica saltou 30% em anos recentes, num preocupante sinal de que o aquecimento global poderá liberar enormes estoques de metano aprisionados no solo congelado, dizem cientistas.
“Ainda é cedo para dizer que se trata de uma tendência, mas se continuar desse jeito, haverá sérias implicações”, disse Paul Palmer, pesquisador da Universidade de Edimburgo e que está entre os autores do estudo sobre emissão de metano por áreas alagáveis.
A elevação de 30,6% nas emissões do Ártico, no período 2003 a 2007, para cerca de 4,2 milhões de toneladas, foi o maior ganho porcentual para qualquer região alagável, segundo trabalho [Large-Scale Controls of Methanogenesis Inferred from Methane and Gravity Spaceborne Data] publicado na revista científica Science. O estudo foi feito em conjunto por pesquisadores da Escócia e Holanda.
As áreas alagáveis do Ártico respondem por a apenas 2% das emissões globais de metano desse tipo de local, que é mais comum nos trópicos. Mas muitos especialistas apontam para o risco de que a mudança climática venha a derreter o permafrost – o solo congelado – que retém bilhões de toneladas de metano, um gás causador do efeito estufa mais potente que o dióxido de carbono.
“É uma advertência que os cientistas vêm dando há algum tempo: o que estamos vendo são sinais do aquecimento global”, disse Palmer. A maior parte das áreas alagáveis do Ártico estão na Sibéria e no Canadá.
Entre os gases do efeito estufa gerados por atividade humana, o metano é o que mais contribui para o aquecimento global, depois do dióxido de carbono. Embora seja mais potente, o metano é produzido em muito menor quantidade.
As temperaturas do Ártico estão subindo muito mais rapidamente que a média global. O recuo das capas de gelo expõe o solo e a água, mais escuros e, por isso, capazes de reter mais calor, acelerando o processo.
As emissões de metano globais têm sido imprevisíveis – o estudo destaca que as concentrações na atmosfera mantiveram-se relativamente estáveis de 1999 a 2006, com um crescimento renovado em 2007. Os anos de estabilidade ficaram “largamente inexplicados”, diz o texto na Science.
As emissões de áreas alagáveis representam cerca de um terço das emissões globais de metano, de 540 milhões de toneladas, disse Palmer. Outras fontes significativas são combustíveis fósseis, gado e plantações de arroz.
Não há sinais de metas maiores de redução das emissões para Acordo de Copenhague
Até prazo final, países devem manter suas metas originais de redução das emissões de gases de efeito estufa
O mundo está mostrando apenas um entusiasmo morno por um “Acordo de Copenhague” de combate às mudanças climáticas, sem nenhum sinal até agora de que os países adotem metas de redução das emissões de gases de efeito estufa para 2020 mais profundas do que o previsto antes do prazo final de 31 de janeiro.
Em Bruxelas, um rascunho de documento da União Europeia divulgado nesta sexta-feira mostrava que os planos para o bloco de 27 países são de reiterar a oferta mínima de um corte de 20% nas emissões até 2020, com base nos níveis de 1990, um agrado à indústria. Uma redução de 30% apenas será possível caso outras nações adotarem medidas comparáveis. Reportagem da Agência Reuters.
Outros países estão propensos a fazer o mesmo que a Europa, depois que a cúpula no mês passado em Copenhague terminou com um acordo climático de baixa ambição. Nenhuma nação anunciou, desde então, planos de ação mais radicalmente rígidos para a ação.
“Eu acho que os países vão manter suas faixas de redução”, disse Nick Mabey, chefe da organização E3G em Londres. Ele afirmou que é muito cedo para uma revisão das metas nacionais.
“É quase como o início de uma nova negociação”, afirmou Gordon Shepherd, diretor de política internacional do grupo ambientalista WWF. Ele disse que muitos países ainda estão divididos entre mostrar “uma explosão de entusiasmo” para reconstruir a dinâmica depois de Copenhague e a “cautela completa”, tendo tempo para analisar os próximos passos.
Poucos países até agora enviaram cartas ao Secretariado para Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) antes do prazo final de 31 de janeiro para traçar metas para 2020, como ficou definido pelo Acordo de Copenhague, que foi fechado pelos grandes emissores, liderados pela China e pelos Estados Unidos.
Limitar o aquecimento
O acordo estabelece que as metas devem limitar o aquecimento global ao aumento de 2ºC da temperatura global, acima dos níveis pré-industriais, mas omite detalhes de como isso será feito. Ele também apóia a meta de US$ 100 bilhões em ajuda anual para nações em desenvolvimento a partir de 2020.
O documento também define que os países desenvolvidos devem apresentar até 31 de janeiro as suas metas de cortes nas emissões até 2020 e as nações em desenvolvimento devem delinear ações para retardar o aumento das suas emissões para a ajudar a evitar mais ondas de calor, tempestades, inundações e a elevação do nível dos oceanos.
A ONG Climate Action Network dos Estados Unidos disse que Brasil, Coréia do Sul, África do Sul, Gana, Austrália, França, Canadá, Papua Nova Guiné e as Maldivas indicaram que estão comprometidos com o acordo. Cuba disse que não irá participar. O Secretariado da ONU não quis comentar sobre a lista.
A cúpula do clima não conseguiu aprovar o Acordo de Copenhague, após a oposição de Cuba, Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Sudão. Isso significava que a conferência apenas “tomou nota” do plano.
A ONU alerta que o prazo de 31 de janeiro é susceptível de atraso e que os países podem se inscrever mais tarde. Mas especialistas dizem que o acordo ficaria em apuros se seus principais apoiadores – como Washington e Pequim – falharem formalmente em se inscrever.
A oferta provisória do presidente americano Barack Obama – de cortar 17% das emissões abaixo dos níveis de 2005 até 2020 (ou 4% abaixo do ano de referência da ONU, de 1990) – pode ser difícil de alcançar, agora que os democratas perderam uma cadeira importante no Senado esta semana.
China, Índia, África do Sul e Brasil se reunirão em Nova Délhi, no domingo.
Entre os mais ambiciosos, Noruega disse, antes de Copenhague, que irá cortar emissões em 30% até 2020, podendo aumentar esta taxa para 40%. “A Noruega vai apresentar os números dentro do prazo, mas ainda não decidiu o nível de ambição”, disse o porta-voz do Ministério do Meio Ambiente, Tone Hertzberg.
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