sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Perda d'água chega a quase 40%

Perda de água chega a quase 40% nas maiores cidades do Brasil
A cada 10 litros de água tratada nas 100 maiores cidades do país, 3,9 litros (39,4%) se perdem em vazamentos, ligações clandestinas e outras irregularidades. O índice de perda chega a 70,4% em Porto Velho e 73,91% em Macapá. Os números são do Ranking do Saneamento, divulgado pelo Instituto Trata Brasil, com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento de 2012.
O estudo considerou a perda no faturamento, ou seja, a diferença entre a água produzida e a efetivamente cobrada dos clientes. De acordo com o instituto, o indicador de referência para a perda de água por faturamento é 15%. Dos 100 municípios da lista, quatro possuem nível de perda menor ou igual ao patamar. Em 11 deles, as perdas superam 60% da água produzida.
De acordo com o presidente executivo da entidade, Édison Carlos, as perdas se refletem diretamente na capacidade de investimento das empresas e podem comprometer a expansão e qualidade dos serviços. “A perda é um reflexo da gestão da empresa. Qualquer autoridade que pensa em saneamento como um negócio, teria que atacar as perdas. Quando a empresa tem perdas muito altas, não consegue nem custear o próprio serviço”, avaliou. “Qualquer litro de água recuperado é um litro a mais que ele vai receber”, acrescentou.
Apesar dos registros, os municípios fazem pouco para reduzir as perdas de água por faturamento, de acordo com o estudo. Entre 2011 e 2012, mais da metade das cidades pesquisadas (51) não reduziu em nada as perdas ou até piorou os resultados no período. Segundo o Trata Brasil, os números sugerem que “diminuir perdas de água não vem sendo uma prioridade entre os municípios brasileiros”.
Apenas 10% dos municípios analisados na pesquisa registraram melhoria de mais de 10% na redução de perdas de água. Em média, de acordo com o levantamento, a melhora nas perdas dos municípios foi de apenas 0,05% na comparação entre 2011 e 2012.
As soluções, segundo Carlos, variam de acordo com o tamanho e as características de cada município. Em cidades com índices de perda muito elevados, por exemplo, a instalação de equipamentos como controladores de vazão e pressão tem reflexos rápidos na perda por vazamentos.
Em relação ao saneamento, o ranking mostra que, nos 100 maiores municípios do país, 92,2% da população têm acesso à água tratada. Em 22 das cidades, o atendimento chega a 100%, atingindo a universalização do serviço.
No entanto, os dados de coleta e tratamento de esgoto são bem inferiores. A média de população atendida por coleta de esgoto nas cidades avaliadas é 62,46%. Os números do tratamento são ainda menores: em média, 41,32% do esgoto do grupo de maiores cidades do país é tratado. Entre as 10 cidades com piores índices no quesito, três são capitais: Belém, Cuiabá e Porto Velho, sendo que as duas últimas têm tratamento de esgoto nulo.
Considerando acesso à água, coleta e tratamento de esgoto e o índice de perdas, o estudo fez um ranking com os 20 municípios com melhores e os 20 com piores resultados em saneamento. Além disso, o instituto traçou uma perspectiva de universalização dos serviços nos próximos 20 anos, como quer o governo federal, com base na evolução dos indicadores entre 2008 e 2012.
Entre as 20 cidades com melhores resultados, todas atingiram ou atingirão a meta nos próximos anos. No entanto, nos 20 municípios com piores notas, entre eles seis capitais, apenas um deve atingir a universalização se o ritmo de melhoria se mantiver. “É um dado preocupante, na medida em que a gente tem uma meta clara para duas décadas”, avalou Édison Carlos.
De acordo com o presidente do Trata Brasil, a situação só será revertida se as políticas de saneamento entrarem na agenda de prioridades dos gestores públicos e a população pressionar por avanços no setor. “Tem que ser prioridade, principalmente dos prefeitos, mesmo as cidades em que os serviços são operados por empresas estaduais. Isso não tira a responsabilidade dos prefeitos, que têm que brigar por metas mais rápidas e mais amplas. É preciso foco”, avaliou. “O eleitor, o cidadão, tem que cobrar. É investimento, não é milagre”, comparou. (ecodebate)

Não há previsão de recuperação hídrica em reservatórios

Não há previsão de recuperação hídrica dos reservatórios, diz ONS
A falta de chuva diminuiu o volume de água do Sistema Cantareira, que abastece São Paulo.
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, disse que o órgão não pretende alterar a decisão de preservar os reservatórios nas cabeceiras dos rios até chegar a estação de chuvas no país. Segundo ele, apesar da escassez, a medida tem dado resultado, mesmo com os conflitos de interesse. Chipp também informou que não é possível avaliar quando começará a recuperação hídrica dos reservatórios.
Chipp informou que estudos de meteorologia apontam que há possibilidade razoável da estação úmida acontecer dentro da normalidade, ou seja, em meados de setembro pode começar a transição para a estação chuvosa e a tendência é atingir a normalidade em outubro. “Certeza disso a gente nunca tem, de 15 em 15 dias a gente tem reunião, às vezes de semana em semana. A próxima reunião vai ser no dia 2, porque tem uma reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico e eu sempre apresento o quadro mais recente”, explicou.
O diretor disse que não é possível avaliar quando se dará a recuperação dos reservatórios após o início do período de chuvas. “A gente não pode dizer se vai chover com a mesma intensidade ou com a intensidade que a gente precisa em todas as bacias. Então a gente não tem a certeza do que vai acontecer. Tem que esperar mais um pouco até esta previsão se configurar”, disse.
Chipp participou da abertura do 5º Brazil Windpower, promovido anualmente pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), pelo Conselho Global de Energia Eólica (Gwec) e pelo Grupo CanalEnergia. O encontro reúne representantes das principais empresas da cadeia produtiva da indústria de energia eólica.
Também na abertura, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse que, apesar de 2014 ser um ano de hidrologia ruim, os reservatórios estão atualmente 8 pontos percentuais acima do registrado em 2001, quando houve a crise de energia no país.
Para Tolmasquim, a diferença entre os dois períodos explica-se por dois motivos: o crescimento da capacidade instalada atualmente é maior do que o aumento do consumo e a diversificação da matriz energética. “Se pegarmos entre 2005 e 2014, as térmicas a combustível fóssil, que agora estão ajudando a evitar o racionamento, cresceram ao ritmo de 13 % ao ano. A demanda cresceu 5% ao ano. Se pegarmos as térmicas a bagaço de cana, e agora é justamente o período da safra, elas cresceram seis vezes desde 2005. Hoje temos 11 mil megawatts de térmicas que funcionam a biomassa. É uma [Usina Hidrelétrica de] Belo Monte de térmicas a biomassa”, explicou.
Na energia eólica, o setor está prevendo terminar o ano com 7,2 gigawatts (GW) instalados. Segundo a presidenta da ABEEólica, Elbia Melo, o número é baseado no que foi vendido nos leilões e que é agregado a cada ano. Para o futuro, a perspectiva é crescer ainda mais .”Nós vamos chegar no final de 2018, com tudo que já vendemos até agora, com 14,2 GW instalados. Isso é mais ou menos 8% da matriz [energética brasileira]”, informou, acrescentando que os atuais 5 GW de capacidade instalada representam 4% da matriz. (ecodebate)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Tratamento físico-químicos de água

Tanques usados nas quatro fases do processo de tratamento de água da Estação do Guaraú, em São Paulo: coagulação, floculação, decantação e filtração.
Os tratamentos físico-químicos de água são divididos em uma série de procedimentos, denominados de processos unitários, cujos principais podem ser assim resumidos:
1. Peneiramento: tem por finalidade remover os materiais sólidos suspensos nas águas residuárias, em geral os materiais com granulometrias superiores a 0,25mm; existem peneiras estáticas onde os efluentes fluem na parte superior, passando por uma tela onde os materiais grosseiros são recolhidos e seguindo para as demais fases do tratamento; outro tipo são as peneiras rotativas onde o efluente passa por um defletor, alcança a peneira, atravessa por fendas, sendo recolhido na parte inferior, sendo os materiais sólidos removidos por uma lâmina raspadora e enviados para um vaso coletor;
2. Resfriamento: destina-se a resfriar os efluentes para não prejudicar os processos de floculação ou solubilização posteriores, pois efluentes como os da indústria têxtil são muito quentes; outro motivo é a legislação federal que determina limite máximo de 40ºC para lançamentos de efluentes em corpos de água. Para o resfriamento de água são utilizados tanques de equalização para pequenas bateladas e torres de resfriamento e pulverização de ar para quantidades maiores;
3. Gradeamento: em geral se associam ao peneiramento, mas são refinamentos na remoção de sólidos que visam impedir que materiais sólidos produzam danos em sistemas de bombas, registros, válvulas de retenção, tubulações e outros equipamentos; são empregadas grades simples, estes dimensionamentos podem ser encontrados em Nunes, 1993 e em bibliografias clássicas como Imhoff e Imhoff, 1986;
4. Desaneração: as caixas de retenção de areia tem como objetivo principal reter as substâncias inertes, como areias e sólidos minerais sedimentáveis, originários de águas residuárias, que provem da lavagem de frutas, pisos ou esgotos sanitários. Por exemplo; é muito importante a remoção destas partículas sólidas para a proteção de bombas, válvulas de retenção, registros e canalizações, evitando entupimentos e abrasão;
5. Retenção de Gordura: as caixas retentoras de gordura são destinadas a reterem os materiais que sofrem flotação natural e são muito utilizadas em estações de tratamento de águas residuárias de frigoríficos, curtumes, laticínios, matadouros, etc. Com frequência, em matadouros e curtumes a gordura recuperada tem valor comercial. A caixa deve permitir manutenção do líquido em condições de estabilidade para que as partículas a serem removidas percorram desde o fundo até a superfície líquida, em geral em tempo de detenção de 3 a 5 minutos (Nunes, 1993);
6. Retenção de óleo: são utilizadas caixas de separação água/óleo, cuja principal função é a remoção de óleo das águas residuárias provenientes de postos de lavagem e lubrificação de veículos, oficinas mecânicas, etc. Utilizam o mesmo princípio das caixas retentoras de gordura, pois o óleo tem densidade menor que a água e tende a flotar, permanecendo na superfície líquida e sendo removido;
7. Equalização: é a denominação de um processo que tem como principal finalidade regular a vazão do efluente que está sendo tratado, pois nos restantes processos o volume deve ser constante com o efluente homogeneizado e tornando uniformes os valores de pH, temperatura, turbidez, sólidos, DBO e DQO, cor, etc. Para obtenção da equalização deve ser mantido um volume mínimo de tanque, denominado profundidade “morta”, não inferior a 30% do volume útil do tanque. Desta forma estão protegidas bombas, fazendo com que não funcionem a seco; o nível mínimo é controlado automaticamente com a instalação de boia conectada com a bomba, que desliga quando o nível desejado for atingido;
8. Correção do pH: a correção de pH deve ser realizada para manutenção da eficiência dos processos de tratamento; efluentes têxteis são alcalinos e necessitam adição de acidificantes, como ácido sulfúrico e gás carbônico, para evitar que águas com elevada dureza gerem incrustações e deposições em canalizações causando danos às estações. Ao contrário, efluentes com pH ácido devem sofrer adição de cal ou outro agente basificante para manutenção da eficácia dos procedimentos;
9. Mistura Rápida: as adições de coagulante para mistura junto aos efluentes objetivando o tratamento, provocam hidrolisação, que é a reação com os álcalis, formando hidróxidos que são denominados “gel” produzindo íons positivos na solução. Estes corpos poderão provocar desestabilização das cargas negativas dos coloides, reduzindo os materiais ao ponto isoelétrico e permitindo com a aglomeração das partículas, a formação dos flocos que poderão ser separados através de decantação, flotação e filtração. Para que a velocidade da mistura seja rápida são utilizados misturadores mecânicos ou hidráulicos, que fazem a dispersão dos coagulantes na massa líquida com energias específica suficiente para dispersão total (mistura lenta).
10. Floculação: é a fase mais importante do tratamento, com a remoção dos poluentes, mas é necessário que todos os processos unitários sejam eficientes para se obter bons resultados nesta fase. Após a coagulação no tanque de mistura rápida, o efluente passará para a unidade de floculação ou mistura lenta, com baixos gradientes de velocidade. Esse procedimento objetiva possibilitar a formação de coágulos maiores, denominados flocos, que ocorrem com a colisão das partículas, de forma que possam aumentar o peso suficientemente para haver boa sedimentação e remoção por decantação;
11. Decantação: quando a quantidade e a densidade de flocos registrar quantidade de sólidos sedimentáveis suficientes, as impurezas devem ser recolhidas por decantação, sendo removidas dos efluentes líquidos. Os decantadores são dimensionados em função das taxas de escoamento, conforme o tipo e as características dos efluentes, geralmente tem formatos cônicos redondos ou piramidais invertidos;
12. Flotação: é o processo de separação de materiais de peso específico diferente, os mais levem flutuam; frequentemente são adicionadas substâncias como sulfato de alumínio, cloreto férrico e polieletrólito, para aumentar a floculação e melhorar a eficiência do tratamento;
13. Adensamento do Lodo: o material sólido resultante do tratamento físico-químico da água denomina-se lodo; seria o mesmo que dissolver terra argilosa num copo de água e após deixar a terra argilosa decantar com a água parada, isto é o lodo. No caso do lodo resultante do fundo dos decantadores, poderão ser encontradas concentrações de partículas sólidas, que se forem expressivas, poderão necessitar de unidades de adensamento, que eliminam o excesso de água, aumentando a concentração de sólidos. Atualmente o lodo das ETEs e ETAs é destinado para valas de reservação e acondicionamento definitivo de resíduos de classes I ou II;
Processos com tratamentos químicos específicos já foram desenvolvidos para recuperação de Cromo em efluentes de curtumes, oxidação de sulfetos, oxidação de cianetos, redução do cromo hexavalente, neutralização de efluentes ácidos ou alcalinos e remoção de metais pesados. (ecodebate)

A crise hídrica em São Paulo

Contra fatos não há argumentos. O que acontece atualmente com relação ao desabastecimento de água em São Paulo se enquadra na retórica de que uma mentira repetida muitas vezes acaba virando verdade.
O governo paulista insiste em negar que se as obras necessárias tivessem sido realizadas poderia ser menos dramática a atual situação. E insiste ainda em responsabilizar São Pedro pelo caos evidente. A culpa não é da seca! A seca é parte do problema, pois desde sempre se soube que ela poderia vir.
Os gestores públicos também negam que existe racionamento, afirmando que o abastecimento de água está garantido até março de 2015, apesar de, na prática, o racionamento existir oficialmente em dezenas de municípios.
Em visita ao interior de São Paulo, no inicio de agosto, pude constatar uma situação que ainda não tinha me dado conta. A gravidade da crise hídrica atinge não apenas a região metropolitana da capital, como a imprensa dá a entender ao enfatizar o colapso do sistema Cantareira, mas atinge todo o Estado mais rico da União.
Dos 645 municípios paulistas, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) é responsável por fornecer água a 364, quem somam um total de 27,7 milhões de pessoas. Nos outros 281 municípios (não abastecidos pela Companhia), o abastecimento de água a 16 milhões de pessoas fica a cargo das próprias prefeituras ou de empresas por elas contratadas.
Se, por um lado, a companhia estadual de abastecimento nega haver adotado rodízio de água em qualquer um dos municípios atendidos por ela, inclusive na capital, tal afirmação é logo desmentida pelos usuários que relatam interrupções no abastecimento, principalmente à noite.
Nos municípios não atendidos pela Sabesp, medidas restritivas estão sendo tomadas por centenas de empresas e gestores locais devido à crise. Em Guarulhos, na grande São Paulo, o abastecimento de 1,3 milhões de moradores é atendido por um serviço municipal, o SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), e seus moradores passam sem água um em cada dois dias.
Em 18 municípios, cerca de 2,1 milhões de pessoas estão submetidas ao racionamento oficial no estado de São Paulo, correspondendo a 5% da população total, segundo levantamento do jornal Folha de São Paulo (11/Ago). Além do racionamento, medidas de incentivo à economia de água têm sido adotadas, indo desde multas para reprimir o desperdício a campanhas com rifas de carro e TV para quem poupar e reduzir o consumo voluntariamente.
O que chama a atenção de todos, além da dimensão estadual da crise hídrica em São Paulo, é a insistência dos gestores em negar a existência do racionamento na área de atuação da Sabesp – mesmo contestados pelos moradores, que sofrem na prática com o rodízio provocado pela companhia, com cortes crescentes no fornecimento de água.
A contrapartida do poder é a ação responsável. E o governo paulista tem se mostrado irresponsável com o seu povo, além de incompetente e medíocre para resolver questões básicas para a sua população. É hora de assumir a gravidade da situação e dos erros cometidos, e, naturalmente, fazer as obras urgentes e necessárias para garantir o fornecimento seguro deste bem fundamental à vida.
Chega de hipocrisia, chega de culpar São Pedro que não pode se defender. (ecodebate)

Tratamento de água

Tanques usados nas quatro fases do processo de tratamento de água da Estação do Guaraú, em São Paulo: coagulação, floculação, decantação e filtração.
Os tratamentos de água são necessários para águas residuárias de sistemas industriais ou para os esgotos coletados nas áreas com populações. Objetivam devolver características físico-químicas às águas, antes das mesmas serem dispostas ou retornarem aos sistemas hídricos naturais, superficiais ou subterrâneos.
Os tratamentos envolvem vários tipos de processos, desde a remoção física dos poluentes, passando por processos químicos e podendo ser finalizados por refinamentos biológicos.
Existem tratamentos denominados primários, secundários e terciários, cada um deles sendo constituído de vários processos unitários individuais.
Processos unitários é a denominação que se dá para cada procedimento físico ou químico que integra o elenco de ações que objetiva dotar o efluente residuário considerado, de condições para retornar ao fluxo natural das águas sem causar danos e impactos ambientais.
Os denominados tratamentos primários são constituídos por processos físico químicos, por coagulação e floculação das águas residuárias e objetivam a remoção de poluentes inorgânicos, materiais insolúveis, metais pesados, matéria orgânica não-biodegradável, sólidos em suspensão e outros.
O tratamento físico-químico por coagulação-floculação difere muito pouco dos sistemas empregados no tratamento de água bruta para abastecimento público, onde sua concepção básica consiste em transformar em flocos as impurezas em estado coloidal e as suspensões, para posteriormente remover estes materiais em decantadores.
A floculação é obtida com coagulantes químicos como os sais de Alumínio e Ferro, que reagem com a alcalinidade contida ou adicionada nas águas residuárias para correção do pH muito ácido, formando hidróxidos que desestabilizam coloides e partículas em suspensão.
Para obtenção de eficiência nos tratamentos, é necessário escolher os processos de forma adequada.
Os processos físico-químicos são recomendados na remoção de poluentes inorgânicos, metais pesados, óleos e graxas, sólidos sedimentáveis e sólidos em suspensão através de processos de coagulação-floculação e remoção de matérias orgânicas não-biodegradáveis e sólidos dissolvidos, por precipitação química. A remoção de compostos ocorre através de oxidação química.
Na remoção de sólidos voláteis, dissolvidos e em suspensão, o tratamento biológico é mais indicado. Para remover sólidos fixos dissolvidos, são necessários tratamentos mais avançados como troca iônica, adsorção em leitos de carvão ativado e outros.
Na escolha do tratamento, a relação entre Digestão Química de Oxigênio (DQO) e Digestão Biológica de Oxigênio (DBO) é o parâmetro definidor fundamental:
1) o caso em que a DQO seja o dobro da DBO, é provável que parte da matéria orgânica seja biodegradável, podendo ser adotados tratamentos biológicos convencionais;
2) na hipótese do DQO ser muito além do dobro da DBO (3 ou 4 vezes maior), é provável que grande parte da matéria orgânica não seja biodegradável e tratamentos químicos podem ser mais adequados; caso haja presença de celulose, que não é biodegradável, mas não é tóxica, poderá ser aplicado tratamento biológico.
O procedimento, para avaliar a eficiência dos processos e orientar a escolha do tratamento adequado, é a execução de ensaios de floculação (“jar-test”) que são simulações laboratoriais do que realmente ocorre nas estações de tratamento. (ecodebate)

Otimização do uso de recursos hídricos

A água é encontrada no estado líquido, constituindo-se em recurso natural renovável por meio do ciclo hidrológico. Os recursos hídricos são caracterizados em função de sua quantidade e qualidade, estando estas características intimamente relacionadas, pois a qualidade da água depende diretamente da quantidade existente para dissolver, diluir e transportar as substâncias que serão aproveitadas nas cadeias alimentares (Braga et al., 2002).
O total de água doce explorável sob o prisma tecnológico e econômico representa menos de 0,5% do total da água disponível (Braga et. al. 2002).
A alteração da qualidade da água agrava o problema da escassez. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 25 milhões de pessoas no mundo morram anualmente em função de doenças transmitidas pela água, tais como as gastroenterites, leptospirose, salmonelose, entre outras.
A água é uma das raras substâncias inorgânicas a se apresentar no estado líquido nas chamadas Condições Normais de Temperatura e Pressão. A densidade da água diminui com o aumento da temperatura e também é afetada pelos sais e demais substâncias químicas dissolvidas.
A água apresenta calor específico bastante elevado e por isso pode tamponar a temperatura, absorvendo ou liberando diferentes quantidades de calor. Por isso as variações de temperatura nos meios aquáticos costumam ser brandas.
Outra característica física muito importante da água é a viscosidade. Isto permite que organismos mais densos, como as algas permaneçam flutuando devido à força de atrito entre a sua superfície e a água.
A cor e a turbidez também são características físicas importantes na regulação, pois permitem controlar a entrada de luz no meio aquático. A cor pode ser real ou aparente. A cor real está associada a substâncias dissolvidas na água e pode afetar a penetração de luz.
Este é o caso do rio Negro, afluente do Amazonas, cujas águas apresentam coloração escura devido à presença de ácidos húmicos dissolvidos nas águas.
A cor aparente do meio aquático está associada a reflexos originados na paisagem adjacente ou referenciados com a cor de seu fundo, se o mesmo se encontrar visível.
Uma última característica física notável é a polaridade. Cada molécula no meio líquido sofre e exerce atração elétrica das moléculas ao seu redor. Este fenômeno é responsável pela geração da tensão superficial da água, que constitui o “habitat” de muitas espécies de pequenos organismos.
Os detergentes podem enfraquecer esta película e alterar profundamente as populações de microrganismos.
A principal característica química da água é a sua propriedade de solvente universal, capaz de dissolver um grande número de substâncias orgânicas e inorgânicas, que podem ser essenciais para a sobrevivência de organismos aquáticos.
A presença de oxigênio dissolvido, dentre outros gases, é fundamental para que ocorram vida e fotossíntese no meio aquático. Os monitoramentos ambientais devem enfatizar o controle do oxigênio dissolvido, além de características físicas e químicas básicas.
Havendo condições físicas e químicas apropriadas a água desenvolve uma importante associação biológica, constituindo cadeias alimentares compostas por produtores e consumidores de várias ordens e decompositores. O meio aquático hospeda vírus, bactérias, fungos, algas, macrófitas, protozoários, rotíferos, insetos aquáticos, vermes, moluscos, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos.
Dentre estes, a avaliação dos microrganismos presentes é de extrema importância para caracterização da qualidade dos recursos hídricos superficiais ou subterrâneos.
As águas são fundamentais para a vida. Por isso torna-se desnecessário enfatizar sua importância. Cerca de 70% do volume total do corpo humano é formado por água, e esta proporção varia nos demais seres vivos.
O uso mais nobre da água é o abastecimento humano. A qualidade de vida das populações humanas está diretamente vinculada com a oferta e qualidade de água, que é usada para higiene pessoal, preparo de alimentos e outros usos como irrigação de jardins, lavagens de veículos e pisos e usos cotidianos diversos.
Após esta prioridade, vem o uso industrial da água e o uso na agropecuária, para irrigação de culturas e dessedentação e higiene nas criações extensivas ou intensivas de espécies de pecuária tradicional, avicultura e suinocultura, muito desenvolvidos em grande escala nas últimas décadas no país, que é um dos grandes atores no comércio e oferta mundial de proteínas.
Os maiores riscos nesta área estão na falta de adequado tratamento e disposição de resíduos de várias espécies, principalmente aves e suínos, responsáveis por degradação de mananciais hídricos superficiais e poluição de aquíferos subterrâneos.
Os dejetos de suínos, por exemplo, produzem índices de DBO (Digestão Biológica de Oxigênio) que chegam a ser dez vezes superiores aos dos excrementos humanos. Vale dizer, 10 vezes mais poluentes ou impactantes.
O uso maciço das águas em irrigação também pode trazer conflitos no gerenciamento de bacias hidrográficas. O uso indiscriminado de pesticidas, herbicidas e fungicidas, polui os solos, sendo solubilizados pela água, que acaba transportando e ampliando a contaminação para as drenagens superficiais e mananciais hídricos subterrâneos.
O Brasil tem vocação eminentemente agropecuária. O denominado “agribusiness” não encontra outro local com tanta vocação natural de seu povo, recursos pedológicos, climáticos e hídricos. Logo, mais do que em qualquer outra área, é nossa função preservar os recursos hídricos em condições de exercerem ações sinérgicas com os demais fatores para a preservação da alta produtividade e competitividade neste setor.
Por isso, talvez fosse aconselhável, que as ações de licenciamento fossem mais voltadas a atividades pedagógicas e de extensão rural, do que propriamente a ações burocráticas ou punitivas.
Está chegando o momento de o país discutir e implantar esta nova concepção de forma efetiva, eficiente e eficaz. Sob pena de comprometer seus recursos e a própria função dos mesmos na obtenção de resultados que favoreçam o país e atinjam sua plena consecução.
Outro uso que merece discussão é a geração de energia elétrica. Primeiro a questão das grandes barragens. Seria ambientalmente muito mais sustentável, a construção de pequenas e médias barragens, em quantidade muito maior. Estas intervenções geram menores lâminas de água nos depósitos de acumulação, atingem menos áreas e menor quantidade de pessoas, produzem impactos ambientais muito mais reduzidos sobre os meios físico e biológico, e eventualmente ainda contam com descargas de fundo, capazes de manter a capacidade de acumulação hídrica com o decorrer do tempo.
O fato é que temos uma tradição em grandes barragens, com todas as consequências, e não temos trabalhado suficientemente na mudança conceitual, na alteração de paradigmas e padrões, que mais cedo ou mais tarde serão impostos pelo consenso social.
Os corpos de água são usados também para o lançamento e despejo de esgotos urbanos, tratados ou não e efluentes industriais dos mais diversos tipos, dentro de padrões aceitáveis ou não. O comportamento dos corpos de água com os despejos varia em função de suas características físicas, químicas e biológicas e da natureza das substâncias lançadas.
Outro uso antrópico que deve ser citado é o transporte de cargas e passageiros por via fluvial, lacustre ou marítima. A navegação pode causar perturbações ambientais, ao despejar substâncias poluidoras das embarcações, de modo deliberado ou acidental. Também pode necessitar produzir alterações de morfologia ou velocidade de corrente, com impactos ambientais.
O equilíbrio ecológico do meio aquático deve ser preservado, qualquer que sejam os usos que se faça dos recursos hídricos. Por isso, monitoramentos e sistemas de controle devem ser incentivados e implantados para que a água nunca contenha substâncias tóxicas além das concentrações críticas para os organismos aquáticos.
Por último, merecem ser citados os usos dos recursos hídricos para aquicultura, ou, seja a criação de organismos aquáticos com finalidade econômica e a utilização para recreação humana.
Atualmente, com o gerenciamento de bacias hidrográficas, cresce a necessidade de compatibilizar este recurso natural com a crescente demanda que tem sofrido, gerando conflitos. (ecodebate)

Líquida e incerta

A era da abundância de água parece estar com os dias contados e gera novas oportunidades de negócios do reuso de recursos hídricos ao aproveitamento da água do mar.
Já se fala em crise mundial de abastecimento de água há muitos anos. A população do planeta segue crescendo (o número atingiu os 7 bilhões no final de outubro). O enriquecimento dos países emergentes leva a mais consumo de produtos e serviços - e quase nada acontece sem que uma fonte de água esteja por perto. Peguemos o exemplo de um prosaico par de calças jeans da marca Levis: ao longo de sua vida útil, da plantação do algodão às repetidas lavagens, quase 3 500 litros de água serão consumidos. São dados assim que fazem os especialistas especularem que, em poucas décadas, a água possa ser alçada à condição de uma commodity como o petróleo, com preços regulados no mercado internacional. Esse dia ainda pode estar distante, mas a ideia de dar um preço à água começa a se sofisticar muito além da conta mensal que todos conhecemos.
No Brasil, esse novo cenário começou a ganhar corpo com a cobrança pelo uso dos recursos hídricos. A taxa foi instituída em 2001, inicialmente na bacia do rio Paraíba do Sul, que abrange os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Trata-se de uma nova modalidade de cobrança. O preço reflete o que os grandes consumidores de água - como os produtores rurais, as indústrias e as companhias de saneamento - pagam para captar e descartar a água nos rios. Hoje, essa taxa é cobrada em 20 bacias hidrográficas em todo o país, atingindo indiretamente o bolso de mais de 40 milhões de pessoas. Em 2010, a cobrança pelo uso da água gerou uma arrecadação de 106 milhões de reais, recursos que devem ser aplicados na despoluição e na melhoria das condições das bacias hidrográficas.
De acordo com os princípios que orientaram a instituição da taxa, quanto mais poluída é a água devolvida aos rios, maior é o valor cobrado, o que tem levado os grandes consumidores a investir cada vez mais no tratamento, no reuso e na gestão da água, um negócio globalmente em expansão. No final da década de 90, a Sabesp, companhia de água e saneamento controlada pelo governo de São Paulo, passou a vender a água tratada de suas estações de tratamento de esgoto, as ETEs, fornecendo 20.000 m3 mensais a uma fabricante de material de costura. Na época, o segmento era quase irrelevante. Hoje, a Sabesp tem 53 clientes, entre empresas e prefeituras, que consomem 1,6 bilhão de litros de água de reuso por ano em atividades como limpeza, irrigação de áreas verdes, descargas sanitárias e processos industriais.
O negócio deve crescer de forma significativa em 2012, quando entra em operação o projeto Aquapolo, uma associação entre a Sabesp e a Foz do Brasil, empresa de tecnologia ambiental do grupo Odebrecht. Com investimentos de 364 milhões de reais, o projeto fornecerá água de reuso às indústrias do polo petroquímico de Capuava, em Mauá, na região metropolitana de São Paulo. O empreendimento prevê a construção de uma adutora de 17 quilômetros para levar a água de reuso da estação de tratamento, localizada na divisa entre os municípios de São Paulo e São Caetano do Sul, até o polo em Mauá. No total, o Aquapolo deve produzir 1000 litros de água de reuso por segundo, dos quais 65% já estão contratados por empresas petroquímicas. “Será um salto sem precedentes nessa área, e esperamos fazer o mesmo com outras indústrias na região metropolitana, diz Dilma Pena, presidente da Sabesp”.
A água é também uma nova fronteira de negócios para a Haztec, empresa carioca que atua nas áreas de engenharia ambiental, resíduos sólidos, gestão de água e efluentes. Seus primeiros projetos de reuso começaram há 20 anos, para empresas de papel e celulose que buscavam economizar água em seus processos industriais, e ganharam força com a cobrança da taxa de uso da água e com o maior rigor das leis ambientais. (abril)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...