sábado, 27 de setembro de 2014

Mudança do clima e a ação humana alteram o litoral brasileiro

Barreira de proteção para proteger a praia da força das ondas. Estudo realizado por pesquisadores de São Paulo e de Pernambuco detalhou a vulnerabilidade da costa nos dois estados.
As zonas costeiras costumam sofrer alterações provocadas por elementos naturais, como elevação do nível do mar e o regime de ondas a que são submetidas. Com as mudanças climáticas, os elementos naturais que influenciam nas alterações das praias, chamados de condições forçantes, devem se intensificar e modificar o desenho das terras costeiras.
Pesquisa conduzida em São Paulo e Pernambuco, que investigou os impactos sofridos por quatro praias nos dois estados, concluiu, no entanto, que os efeitos da ação humana podem ser ainda mais fortes do que os da natureza.
Executado com apoio da FAPESP e da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), o trabalho é resultado de uma chamada de propostas lançada no âmbito de um acordo de cooperação entre as instituições.
A pesquisa “Vulnerabilidade da zona costeira dos estados de São Paulo e Pernambuco: situação atual e projeções para cenários de mudanças climáticas” durou três anos, período em que foram estudadas as praias paulistas de Ilha Comprida, no município de mesmo nome, e de Massaguaçu, em Caraguatatuba, e as pernambucanas praia da Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, e praia do Paiva, em Cabo de Santo Agostinho.
“Escolhemos praias com características diferentes para fazer as comparações. Massaguaçu, no litoral norte paulista, e Jaboatão, na região metropolitana do Recife, são praias urbanas, enquanto Ilha Comprida e Paiva ficam em regiões menos habitadas”, disse o coordenador do projeto, Eduardo Siegle, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO/USP), que dividiu a liderança dos trabalhos com a professora Tereza Araújo, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
A pesquisa analisou como as mudanças climáticas globais provocam alterações na costa. Uma das condições forçantes é o clima de ondas. Segundo Siegle, as mudanças climáticas provocam alterações nos regimes de ventos, principais influenciadores na formação das ondas. Com direção e força alteradas, as ondas podem redesenhar o contorno das praias, refazendo sua morfologia.
“As ondas redefinem os depósitos de sedimentos e as praias atingem um equilíbrio dinâmico mediante as condições a que estão sujeitas; pode ocorrer erosão em alguns pontos e deposição de material em outros”, disse Siegle, acrescentando que uma praia pode encolher, mudar de formato e até aumentar de tamanho.
Outro fator decorrente das mudanças climáticas é a elevação do nível do mar, que leva as ondas a ter maior alcance e atingir novos pontos da costa. Essa condição costuma aumentar erosões e provocar inundações de áreas próximas à costa.
Um ponto confirmado pelos resultados obtidos foi o fato de que, em algumas regiões, as ações antrópicas no litoral exerceram mais influência nessas alterações que as forças da natureza. “Acompanhamos imagens de décadas. Nesse período, os impactos de uma ocupação mal feita do litoral podem ser muito maiores do que aqueles provocados por mudanças climáticas”, disse.
Processos de urbanização que impermeabilizam áreas praianas necessárias ao movimento de sedimentos, por exemplo, costumam provocar erosões de forma mais acentuada. No estudo, a ação humana figurou entre os principais influenciadores da vulnerabilidade costeira.
Observação dos processos costeiros
O trabalho também se debruçou sobre as mudanças históricas nas condições forçantes naturais. Para isso, a equipe lançou mão de modelos computacionais que simularam essas forças e seus efeitos ao longo das últimas décadas. Outro método de investigação foi a coleta de dados em campo. Os pesquisadores fizeram levantamentos morfológicos, que analisam o formato das praias e mediram parâmetros de suas ondas.
A medição de variáveis físicas na região costeira exigiu a aplicação de métodos inovadores para colocar instrumentos nas zonas de arrebentação, relatou Siegle. A equipe acoplou um perfilador acústico de correntes marinhas Doppler (ADCP) em uma moto aquática com um trenó.
O equipamento fornece parâmetros como velocidade das correntes na coluna d’água, altura, direção e período das ondas. A moto aquática foi usada para levantamentos batimétricos e hidrodinâmicos em áreas rasas sujeitas à arrebentação de ondas, nas quais embarcações convencionais não conseguem navegar.
Uma série de imagens aéreas registradas ao longo de aproximadamente 40 anos foi outra importante fonte de dados para a pesquisa. Foram acessados arquivos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do próprio Instituto Oceanográfico da USP. Por meio de pontos georreferenciados marcados sobre as imagens, foi possível acompanhar as alterações na faixa costeira ao longo do tempo.
Com os dados coletados pelos diferentes métodos, o grupo estabeleceu nove indicadores de vulnerabilidade: posição da linha de costa, largura da praia, elevação do terreno, obras de engenharia costeira, permeabilidade do solo, vegetação, presença de rios ou desembocaduras, taxa de ocupação e configurações ao largo. Este último diz respeito à área de mar aberto adjacente à região costeira em estudo.
Sistemas praiais mais largos tendem a ser mais estáveis que faixas estreitas, portanto menos vulneráveis. A presença de vegetação bem desenvolvida na zona pós-praia sugere um cenário de baixa erosão e rara intrusão de água salina.
A vulnerabilidade à inundação pode ser estimada, entre outros fatores, pela permeabilidade do solo. Quanto menos permeável for o solo, mais sujeita à inundação será a área. E por alterar simultaneamente vários desses fatores, a taxa de ocupação da costa é um dos mais preponderantes indicadores de vulnerabilidade de uma área costeira.
Os indicadores foram depois tabulados e classificados de acordo com três graus de vulnerabilidade: alta, média ou baixa, para cada ano analisado. Registrou-se a evolução da vulnerabilidade de cada praia estudada e os pesquisadores chegaram a várias conclusões.
“Entre elas eu destacaria a importância da ocupação humana no litoral na elevação da vulnerabilidade da praia”, disse Siegle. As praias urbanas nos dois estados apresentaram situação de vulnerabilidade maior que aquelas com taxa de ocupação menor.
A aplicação desse método foi detalhada na tese de doutorado de Paulo Henrique Gomes de Oliveira Sousa, intitulada “Vulnerabilidade à erosão costeira no litoral de São Paulo: interação entre processos costeiros e atividades antrópicas”, defendida em 2013 no Programa de Pós-Graduação em Oceanografia do IOUSP.
O projeto de pesquisa resultou em cinco trabalhos de iniciação científica, quatro dissertações de mestrado e duas teses de doutorado, uma com bolsa FAPESP – Cássia Pianca Barroso desenvolveu o trabalho “Uso de imagens de vídeo para a extração de variáveis costeiras: processos de curto a médio termo”.
De acordo com Siegle, vários artigos estão em fase de redação e quatro já foram publicados, entre eles Evolução da vulnerabilidade à erosão costeira na Praia de Massaguaçú (SP), Brasil no Journal of Integrated Coastal Management e Vulnerability assessment of Massaguaçú Beach (SP Brazil) na Ocean & Coastal Management.
Parceria São Paulo-Pernambuco
Além dos resultados científicos, o projeto apresentou como fruto a aproximação entre instituições de pesquisa paulistas e pernambucanas. “A interação foi muito grande e pesquisadores pernambucanos participaram das pesquisas em campo em São Paulo e vice-versa”, contou Siegle.
A aproximação dos grupos levou a outro trabalho conjunto FAPESP-FACEPE, o projeto “Suscetibilidade e resistência de sistemas estuarinos urbanos a mudanças globais; balanço hidro sedimentar, elevação do nível do mar, resposta a eventos extremos”, coordenado pelos professores Carlos Schettini (UFPE) e Rubens Cesar Lopes Ferreira (IO/USP).
A execução do projeto coordenado por Siegle e Tereza Araújo ainda levou à formação do Grupo de Trabalho “Respostas da Linha de Costa” que incorpora o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Ambientes Tropicais Marinhos (AmbTropic) , sediado no Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia e apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb). (ecodebate)

Comer carne contribui para a mudança climática

Comer carne contribui para a mudança climática, devido aos gases de efeito estufa emitidos pelo gado
Nova pesquisa [Global and regional trends in greenhouse gas emissions from livestock] constata que as emissões de gado estão em ascensão e que gado de corte é responsável por muito mais emissões de gases de efeito estufa do que outros tipos de animais. A pesquisa foi publicada pela Climactic Change.
O dióxido de carbono é o gás mais comum quando se trata de mudanças climáticas. Ele é liberado por veículos, indústrias e remoção da floresta e compreende a maior parte dos totais de gases de efeito estufa.
O metano e o óxido nitroso são liberados, em parte, pela pecuária. Animais emitem metano como um resultado de microrganismos que estão envolvidos nos processos de digestão e o óxido nitroso é emitido pela decomposição do estrume. Estes dois gases são responsáveis por um quarto das emissões de gases não-carbono e de 9% do total das emissões globais de gases de efeito estufa.
A equipe de pesquisa, incluindo Dario Caro, ex-Carnegie e agora na Universidade de Siena, na Itália, e Ken Caldeira, da Carnegie, estimou as emissões de gases de efeito estufa associados à pecuária em 237 países ao longo de quase meio século e descobriu que as emissões de gado aumentaram 51% durante este período.
Eles encontraram uma diferença gritante entre as emissões relacionadas com a pecuária no mundo em desenvolvimento, que representa a maior parte desse aumento, e as emissões pelos países desenvolvidos.
É esperado que aumente ainda mais daqui para frente nos países em desenvolvimento, como resultado do crescimento da demanda por carne, produtos lácteos e ovos, que alguns cientistas estimam que atinja dobro em 2050. Pelo contrário, os países desenvolvidos atingiram emissões máximas de gado na década de 1970 e tem reduzido desde então.
“O mundo em desenvolvimento está reduzindo as emissões de efeito estufa causadas por cada animal, mas esta melhoria não vai manter-se com a crescente demanda por carne”, diz Caro. “Como resultado, as emissões de gases de efeito estufa de gado aumentar em grande parte do mundo em desenvolvimento.”
Das emissões de gases de efeito estufa relacionadas com a pecuária, 54% é gerada pelo gado de corte e de 17% pelo gado leiteiro. Outras emissões são 9% pelas ovelhas, búfalos com 7%, suínos com 5% e caprinos com 4%.
“Esse saboroso hambúrguer é o verdadeiro culpado”, disse Caldeira. “Pode ser melhor para o ambiente, se todos nós nos tornamos vegetarianos, mas já seria uma melhora se reduzíssemos o consumo e adotássemos carne de porco ou frango em vez de carne.” (ecodebate)

‘É possível crescer e combater a mudança climática’

‘É possível crescer e combater a mudança climática’, diz novo relatório elaborado por 19 países
Uma semana antes do início da Cúpula do Clima da ONU, a Comissão Global sobre Economia e Clima, juntamente com a ONU, divulgaram o relatório “Crescimento Melhor, Clima Melhor: A Nova Economia do Clima“. O presidente da Comissão e ex-presidente do México, Felipe Calderón destacou que os novos dados refutam a ideia de que os governos devem escolher entre combater as alterações climáticas e investir para o crescimento da economia.
“Sim, é possível termos um melhor crescimento econômico e um melhor clima. Sim, é possível criar empregos e reduzir a pobreza e, ao mesmo tempo, reduzir as emissões de carbono que ameaçam o nosso futuro. Sim, é possível, mas precisamos fazer algumas mudanças fundamentais e escolhas inteligentes”, disse Calderón, ressaltando que um número crescente de empresas, cidades e países estão mostrando na prática que isto é “perfeitamente possível”.
Com duração de um ano, o estudo foi conduzido por uma Comissão composta de 24 líderes de governo, negócios, finanças e economia de 19 países e realizado pelos principais institutos de pesquisa do Brasil, China, Etiópia, Índia, Coreia do Sul, Reino Unido e Estados Unidos.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o relatório é oportuno visto que as emissões de gases de efeito estufa estão em níveis recordes e os efeitos da mudança climática estão sendo caros e consequentes. “Temos que gerir o risco climático para o – sustentado e sustentável – progresso econômico. Precisamos de uma transformação estrutural na economia global”, acrescentou.
Previsões do relatório
O relatório estima que ao longo dos próximos 15 anos, 90 trilhões de dólares devem ser investidos na infraestrutura das cidades, agricultura e energia nos sistemas econômicos mundiais, sendo isto uma oportunidade para investir no crescimento do baixo carbono e trazer vários benefícios, como a geração de empregos. A Comissão calcula que, se as recomendações forem totalmente implementadas, é possível atingir até 90% das reduções de emissões necessárias até 2030 e assim evitar os efeitos negativos da mudança climática. Contudo, para atingir essa meta é necessário uma ação decisiva dos governos.
“Hoje estamos dando 600 bilhões de dólares em subsídios para os combustíveis fósseis, mas apenas 100 bilhões de dólares para apoiar as energias limpas a cada ano. Estamos pagando para poluir. Isso não pode continuar”, insistiu Calderón. (ecodebate)

Como as mudanças climáticas mudarão nossas vidas em 2050?

Se as emissões de gases de efeito estufa continuarem aumentado, a temperatura média da atmosfera da Terra pode subir mais de 4° C até o final do século 21. Mas o que realmente significa um aumento da temperatura média global? Como isto vai nos afetar no dia a dia?
Para descobrir o que poderá acontecer, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) convidou diversos apresentadores da previsão do tempo de TVs de todo o mundo a imaginarem um boletim meteorológico do ano 2050.
O que eles criaram são apenas cenários possíveis, é claro, e as previsões não são verdadeiras. Mas tudo o que eles dizem está baseado nos relatórios mais recentes da ciência do clima, mostrando um retrato convincente de como a vida poderia ser em um planeta mais quente.
Estes cenários sombrios de futuro não precisam se tornar realidade. A OMM lançou em 03/09/14 esta série de vídeos para apoiar a Cúpula do Clima, uma iniciativa do secretário-geral das Nações Unidas que acontece em 23 de setembro na sede da ONU, em Nova York. (ecodebate)

Carne bovina custa 10 vezes mais para o meio ambiente

Estudo revela que gado emite 5 vezes mais gases prejudiciais que outros animais.
Consumo de carne bovina é 10 vezes mais custoso para o ambiente, diz estudo.
A Arábia Saudita e outras monarquias petrolíferas do Golfo são grandes importadoras de carne bovina
O gado bovino demanda 28 vezes mais terra e 11 vezes mais irrigação que os suínos e as aves, e uma dieta com sua carne é dez vezes mais custosa para o meio ambiente, segundo um estudo publicado pela revista "Proceedings" da National Academy of Sciences.
O estudo foi conduzido por Ron Milo do Instituto Weizmann de Ciência, em Rehovot (Israel), com a colaboração de pesquisadores do Centro Canadense de Pesquisa de Energias Alternativas, do Conselho Europeu de Pesquisa, e Charles Rotschild e Selmo Nissenbaum, do Brasil.
A equipe observou as cinco fontes principais de proteínas na dieta dos americanos: produtos lácteos, carne bovina, carne de aves, carne de suínos e ovos. O propósito era calcular os custos ambientais por unidade nutritiva, isto é uma caloria ou grama de proteína.
A composição do índice encontrou dificuldades dada à complexidade e variações na produção dos alimentos derivados de animais.
Por exemplo, o gado pastoreado na metade ocidental dos Estados Unidos emprega enormes superfícies de terra, mas muita menos água de irrigação que em outras regiões, enquanto o gado em currais e alimentado com ração consome, principalmente, milho, que requer menos terra, mas muito mais água e adubos nitrogenados.
A informação que os pesquisadores usaram como base para seu estudo proveio, majoritariamente, dos bancos de dados do Departamento de Agricultura.
Os insumos agropecuários levados em consideração incluíram o uso da terra, da água de irrigação, das emissões dos gases que contribuem ao aquecimento atmosférico, e do uso de adubos nitrogenados.
Os cálculos mostraram que o alimento humano de origem animal com o custo ambiental mais elevado é a carne bovina: dez vezes mais alto que todos os outros produtos alimentícios de origem animal, inclusive carne suína e de aves.
"O gado requer, na média, 28 vezes mais terra e 11 vezes mais água de irrigação, emite cinco vezes mais gases e consome seis vezes mais nitrogênio que a produção de ovos ou carne de aves", indica o estudo.
Por seu lado, a produção de carne suína ou de aves, os ovos e os lácteos mostraram custos ambientais similares.
Os autores se mostraram surpreendidos pelo custo ambiental da produção de lácteos, considerada em geral menos onerosa para o ambiente.
Se for levado em conta o preço de irrigação e os adubos que se aplicam na produção da ração que alimenta o gado bovino para ordenha assim como a ineficiência relativa das vacas comparadas com outros bovinos, o custo ambiental dos lácteos sobe substancialmente. (yahoo)

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

População mundial passará dos 12 bilhões em 2100?

População mundial pode superar os 12 bilhões no final do século
Estudo indica crescimento populacional bem acima do máximo de 9 bilhões estimados anteriormente. África deve quadruplicar número de habitantes até 2100.
Ao contrário das expectativas, a população mundial deve continuar crescendo pelo menos até o final deste século. Em 2100, a população da Terra pode chegar a 12,3 bilhões de pessoas, segundo um estudo da Universidade de Washington e da ONU divulgado em 18/09/14 na revista científica Science.
O prognóstico, feito com base na análise estatística de dados da ONU de 2012, indica um aumento de quase 2 bilhões de pessoas em relação a cálculos anteriores. Segundo o pesquisador Adrian Raftery, que participou do estudo, foi consenso nos últimos 20 anos que a população mundial – atualmente em 7,2 bilhões – chegaria até os 9 bilhões de pessoas e então se estabilizaria ou começaria a diminuir.
População deve quadruplicar na África
Mas a nova análise mostra que há uma probabilidade de 80% de a população global atingir um número entre 9,6 bilhões e 12,3 bilhões de pessoas em 2100. Para o diretor do estudo, Patrick Gerland, as elevadas taxas de natalidade na África são o principal responsável por esse impulso. A população africana deve quadruplicar até o final do século – a taxa atual é de cerca de 4,6 filhos por mulher.
Para chegar ao novo resultado, os pesquisadores usaram novos métodos de cálculos de probabilidade, além de incluir os indicadores recentes sobre o vírus da aids no sul da África. Dessa maneira, eles podem afirmar, com 95% de certeza, que em 2100 pelo menos 9 bilhões de pessoas habitarão a Terra.
Se o continente africano deve ter um crescimento exponencial, passando dos atuais 1 bilhão para 4 bilhões de habitantes, na Ásia, por exemplo, o pico de crescimento populacional deverá ser atingindo já na metade deste século.
“O rápido crescimento populacional em países com elevadas taxas de natalidade pode trazer uma série de desafios”, escrevem os pesquisadores. Esse fenômeno pode causar impactos ambientais, nas condições de trabalho e contribuir para o aumento da pobreza, da taxa de mortalidade materna e infantil, além da criminalidade.
Menos trabalhadores para cada aposentado
O estudo aponta também, que em muitos países, a proporção entre trabalhadores e aposentados vai diminuir drasticamente. No Brasil, atualmente para cada aposentado há 8,6 trabalhadores, mas a proporção deve cair para 1,5 trabalhador por aposentado até o final do século.
Redução grande também é esperada nos Estados Unidos: dos atuais 4,6 trabalhadores por aposentado para 1,9 em 2100; na China, de 7,8 para 1,8; na Índia, de 10,9 para 2,3 e na Nigéria, de 15,8 para 5,4. (ecodebate)

O Dividendo Demográfico do Brasil

O fenômeno da transição demográfica é um dos fatos sociais mais importantes de toda a história humana. Até recentemente, prevalecia no mundo em todos os tempos, altas taxas de mortalidade que ceifavam precocemente as vidas, especialmente das crianças. Para se contrapor a esta tragédia, as taxas de fecundidade também tinham de ser altas. Porém, esta realidade começou a mudar a partir do século XIX na Europa, Estados Unidos e Oceania. O restante do mundo seguiu na transição no século XX.
No Brasil, as taxas de mortalidade infantil começaram a cair de forma rápida e consistente a partir do fim da Segunda Guerra Mundial. Vinte anos depois teve início a transição da fecundidade. A taxa de mortalidade infantil caiu de 135 por mil em 1950 para 15 por mil em 2010, enquanto a esperança de vida ao nascer passou de 50 anos em 1950 para 73 anos em 2010. O número de nascimentos nas famílias permaneceu elevado e acima de 6 filhos por mulher até meados da década de 1960, iniciando a partir daí um expressivo movimento de declínio, atingindo a taxa de 1,9 filho por mulher, segundo o censo demográfico de 2010.
Todo país que passa pela transição demográfica experimenta, necessariamente, uma transformação da sua estrutura etária. Num primeiro momento, a base da pirâmide populacional se estreita, enquanto aumenta o peso relativo da população adulta. Num segundo momento, após décadas de transformação da estrutura de idade, há um crescimento, absoluto e relativo, da população idosa. As mudanças no formato da pirâmide populacional geram alterações na razão de dependência demográfica entre os grupos predominantemente consumidores e os majoritariamente produtores.
Considerando a razão de dependência demográfica para o Brasil no período de 1950 a 2100, nota-se que entre 1950 e 1970 houve aumento da percentagem de crianças (0-14 anos) em relação à população adulta (15-64 anos), elevando também a razão de dependência total. Em 1970, havia cerca de 90 pessoas dependentes para cada 100 pessoas em idade de trabalhar. Mas em função da queda da fecundidade, a razão de dependência total veio caindo consistentemente e deve atingir o seu ponto mais baixo (44 pessoas dependentes para cada 100 pessoas em idade produtiva) no quinquênio 2020-25.
Ou seja, em meados do século passado, havia quase uma pessoa dependente para uma pessoa em idade de trabalhar, mas esta relação caiu pela metade, devendo ficar abaixo de 50% entre 2010 e 2030. Isto quer dizer que a carga econômica da dependência demográfica se reduziu bastante, possibilitando o aumento da renda per capita e a elevação da capacidade de poupança, tanto das famílias como em nível agregado. Maiores taxas de poupança – em termos micro e macroeconômicos – significam a possibilidade de maiores investimentos em capital humano e de incremento da taxa bruta de capital fixo.
Este fenômeno único e fundamental para a decolagem do desenvolvimento é chamado de “dividendo demográfico” ou “bônus demográfico” ou “Janela de Oportunidade Demográfica”.. Trata-se de uma “janela de oportunidade” que requer políticas econômicas adequadas para que a demografia possa ser colocada a serviço do desenvolvimento econômico e social, do bem-estar da população e do cuidado com o meio ambiente.
O Dividendo Demográfico é, portanto, um fenômeno que ocorre em um período de tempo no qual a estrutura etária da população apresenta menores razões de dependência (baixa proporção de crianças, adolescentes e idosos) e maiores percentuais de população em idade economicamente ativa, possibilitando que as condições demográficas atuem no sentido de incrementar a qualidade de vida e reduzir os níveis de pobreza e desigualdade.
Todavia, o dividendo demográfico é um fenômeno temporário e requer condições macroeconômicas adequadas, especialmente investimentos em educação de qualidade, saúde e trabalho decente. Nos anos 1980 – a chamada década perdida – o Brasil desperdiçou o início do bônus demográfico devido à crise econômica que aumentou o desemprego, reduziu a renda e não criou oportunidades educacionais para os jovens. Nos anos 90, a economia cresceu e as condições sociais melhoraram, mas em ritmo insuficiente para utilizar todo o potencial da estrutura etária. O melhor aproveitamento do bônus demográfico brasileiro aconteceu no quinquênio 2004-2008, quando houve crescimento da renda, redução da pobreza, do desemprego e das desigualdades sociais e regionais. Mas após a recessão de 2009, o desempenho da economia brasileira ficou abaixo do esperado e aquém de suas potencialidades.
Portanto, o Brasil já perdeu o melhor momento para colher o dividendo demográfico, erradicar a pobreza e investir em infraestrutura econômica e social. Uma crise econômica internacional pode ocorrer em um futuro não muito distante, quanto o país vai ter que conviver com a diminuição do número de pessoas economicamente ativas e o aumento da população idosa, especialmente aquela acima de 80 anos, que requer muitos gastos com saúde e cuidado individual.
Vai ser difícil o Brasil conseguir outra condição favorável, antes do envelhecimento populacional e antes da subida da razão de dependência demográfica. (ecodebate)

Dissociação coletiva é barreira invisível na crise climática

A dissociação coletiva é um mecanismo subconsciente de defesa que paralisa a ação humana frente à gravidade da crise climática. De acordo ...