quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Poluição faz diminuir turistas que visitam Pequim

Poluição faz número de turistas que visitam Pequim cair em 10% em 2013
Foi a primeira queda desde 2008.
PEQUIM - O alto nível de poluição de Pequim está afastando turistas estrangeiros da capital chinesa. De acordo com dados oficiais divulgados pela agência de notícias estatal Xinhua, o número de visitantes à cidade recuou 10% em 2013, na comparação com o ano anterior, ficando em 4,5 milhões. Foi a primeira queda desde 2008, segundo a agência AFP.
De acordo com um estudo da Associação Turística de Pequim, a diminuição Além da fumaça nociva que cobre a região, fatores como a desaceleração da economia mundial, a competição com outras cidades asiáticas e a valorização do yuan, moeda local, contribuíram para a diminuição, de acordo com um estudo da Associação Turística de Pequim.
Dados do ano passado mostram que a concentração de micropartículas — as mais nocivas para o organismo — superou 40 vezes o nível máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde, influenciada pela vertiginosa expansão industrial no país. Informações como essa têm circulado o mundo e piorando a imagem do país — que conta com atrativos como a Cidade Proibida e a Grande Muralha.
Para reverter esse cenário, a China tem anunciado diversas medidas antipoluição, no que o primeiro-ministro Li Kequiang chamou, no início do ano, de “guerra contra a poluição”. Em maio, o governo anunciou um plano para tirar 5 milhões de carros poluentes das ruas ainda neste ano — 330 mil deles só em Pequim. O governo também se tornou mais severo na fiscalização de empresas, dobrando o número de multas por poluição.
O país também tem investido em ações para facilitar a vida de seus visitantes. Uma delas é a possibilidade de se permanecer em Pequim por 72 horas sem aprovação prévia, o que não impediu a queda no número de turistas. (oglobo)

Queimadas Amazônica aumentam a poluição na América do Sul

Queimadas na Amazônia aumentam a poluição do ar em países da América do Sul
Os estados amazônicos do Pará, Rondônia, Amazonas e Acre têm “exportado” a fumaça produzida pelo desmatamento por fogo para Bolívia, Peru e Paraguai e contribuído para aumentar os níveis de poluição atmosférica nesses países vizinhos. Ao lado do Mato Grosso, esses quatro estados também registram o maior número de focos de queimadas na América do Sul.
A constatação é de um estudo feito por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que utilizou o supercomputador Tupã, instalado na instituição com recursos da FAPESP e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Alguns resultados do estudo foram apresentados em uma palestra sobre o impacto trinacional da queima da biomassa e da fumaça na Amazônia Sul-Ocidental, realizada durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que terminou no domingo (27/07), no campus da Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco.
“A maior produção de fumaça resultante da queima de floresta na América do Sul é brasileira. O Brasil realmente exporta fumaça de queimadas e contamina os demais países da região”, disse Saulo Ribeiro de Freitas, pesquisador do Inpe, à Agência FAPESP.
De acordo com Freitas, as queimadas florestais ocorrem em escala global. Na América do Sul, contudo, podem ser registrados mais de 5 mil focos de queimadas em um único dia.
Durante um mês, o acúmulo de vários focos de queimadas gera plumas de fumaça. Ao serem transportadas por massas de ar produzidas na região Norte e no centro do Brasil, essas plumas de fumaça chegam à região sul da América do Sul e podem cobrir áreas de até 5 milhões de quilômetros quadrados, como se observou em imagens de satélite.
“O tipo de circulação de ar predominante na estação seca na região Norte do Brasil faz com que exista um corredor de exportação que canaliza a fumaça produzida pelas queimadas nessa região para o oeste da América do Sul, invadindo a área do Peru, Bolívia e Paraguai”, disse Freitas.
“Esse corredor muitas vezes também alcança a Argentina e só é bloqueado quando há a entrada de uma frente fria, que pega a fumaça vinda do norte do Brasil e a devolve para o país. Quando essa inversão ocorre é possível observar colunas de fumaça passando sobre a cidade de São Paulo, por exemplo”, disse.
A fim de estimar as fontes de emissão de fumaça por queimada na Amazônia e indicar a contribuição relativa de cada estado amazônico e país da região, os pesquisadores desenvolveram nos últimos dois anos um sistema baseado em dados de satélites e em modelagem numérica (computacional).
O sistema é capaz de identificar onde há focos de queimadas na América do Sul e estimar a quantidade de fumaça e, consequentemente, de poluentes do ar emitidos isoladamente em cada um dos estados brasileiros ou países da região.
Emissões no Acre
O sistema foi utilizado para identificar as fontes de emissões de poluentes por fumaça de queimadas – como partículas em suspensão na atmosfera ou aerossóis atmosféricos – nos anos de 2005, 2008, 2009 e 2010 no Estado do Acre.
Algumas das constatações das simulações foram que entre 5 e 10 dias por ano o ar do estado apresenta uma concentração média de aerossóis atmosféricos com diâmetro acima de 2,5 mícrons (µg) – considerado o mais relevante em termos de impactos à saúde – na faixa entre 40 e 80 mícrons por metro cúbico (µg/m³), acima dos limites considerados toleráveis pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Durante a estação seca – entre julho e novembro –, o ar no Acre permanece por períodos de até 30 dias com níveis de concentração média de partículas em suspensão com 2,5 µg nesta mesma faixa.
No período de seca de 2005, por exemplo, em que as emissões por queimadas no Acre foram muito altas, a média mensal de emissões de particulados pela queima de biomassa no estado atingiu 90 µg/m³. “Constatamos essas mesmas variações na qualidade do ar do estado nos quatro anos simulados no estudo”, contou Freitas.
Os pesquisadores também calcularam o percentual de poluição atmosférica produzida pela fumaça da queima de biomassa proveniente do próprio Acre e dos estados e países vizinhos.
Os resultados dos cálculos indicaram que em agosto de 2005, por exemplo, os maiores contribuintes de emissões de fumaça da queima de biomassa foram o próprio Acre, seguido do Estado do Amazonas. Já em novembro do mesmo ano a maior parte das emissões foi proveniente do Amazonas e do Pará.
O mesmo padrão de fontes de emissão de fumaça por queimada na região foi observado nos quatro anos de simulações, segundo Freitas. “O maior foco de emissões de fumaça registrada no Acre está no próprio país. Os resultados das nossas simulações mostram claramente isso”, disse.
Legislação trinacional
O estudo foi realizado pelos pesquisadores do Inpe em colaboração com colegas da UFAC, a pedido do Ministério Público do Estado do Acre.
Em razão dos problemas à saúde da população causados pelo aumento dos focos de queimadas no estado em 2005, o órgão impetrou uma ação civil pública em 2007 determinando a proibição do uso de fogo para o desmatamento na região e solicitou às duas instituições um estudo técnico para identificar as fontes de poluição por queimadas no estado.
“Uma das alegações era que a maior parte da fumaça resultante de queimada não era emitida aqui no estado, mas nos países vizinhos, especificamente, a Bolívia e o Peru. Recorremos ao Inpe e à UFAC para saber se era possível determinar a origem da fumaça de queimada no estado”, disse Patricia Rego, procuradora de justiça do Ministério Público do Acre.
Os resultados do estudo indicaram que a possibilidade de a fumaça produzida por queima de biomassa na Bolívia invadir o Acre era muito remota.
“Uma das únicas hipóteses para isso seria as frentes frias do sul da América do Sul transportarem o ar poluído dessa região para o norte do Brasil. Mas esse tipo de ocorrência é muito rara”, afirmou Freitas.
O professor José Montanez Montaño, da Universidad Autónoma Gabriel René Moreno (UAGRM), em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, destacou durante a conferência que, como o problema da queima de biomassa e da fumaça na Amazônia Sul-Ocidental é transfronteiriço, é preciso que Brasil, Bolívia e Peru elaborem uma legislação trinacional para identificar e eliminar as causas.
“O Brasil é o maior emissor de fumaça, mas os problemas causados pela queima de biomassa são sentidos de igual forma pelos três países. Como somos receptores dessa fumaça – e não os emissores –, obviamente somos os mais afetados”, afirmou Montaño.
Fumaça produzida por fogo nos estados amazônicos migra para Bolívia, Peru e Paraguai, elevando os níveis de poluição atmosférica desses países, indica estudo feito no INPE. (ecodebate)

Poluição Atmosférica

Poluição em Pequim.
Efluentes líquidos podem ser tratados antes da destinação final. Da mesma forma existem variados procedimentos de gestão de resíduos sólidos e destinação final adequada. Mas a poluição atmosférica após a liberação por chaminés depende da dissipação dos poluentes. Até antes da liberação os efluentes gasosos podem ser submetidos a tratamentos físicos ou químicos, mas após a liberação pelas chaminés, tudo vai depender da dissipação ou diluição do material gasoso na atmosfera.
A partir da década de 70, quando um intenso ciclo de desenvolvimento econômico com ênfase na indústria se materializou, a questão da poluição do meio aéreo passou a ser uma questão de domínio e preocupação pública.
A primeira legislação federal que promove uma intervenção de regramento é a portaria nº231 do então Ministério do Interior, de 27 de abril de 1976, que objetivava estabelecer padrões de qualidade de ar para material particulado, dióxido de enxofre, monóxido de carbono e oxidantes fotoquímicos.
Posteriormente foram criadas normas, padronizando as emissões toleráveis, para subsidiar as ações de monitoramento atmosférico em todo o país. Desta forma, a resolução 5 do CONAMA, de 15 de junho de 1989 estabelece a criação do Programa Nacional de Controle de Qualidade do Ar – PRONAR – com a intenção de promover a orientação e controle de poluição atmosférica, com estratégias normativas, estabelecendo os padrões nacionais de qualidade do ar e de emissão na fonte.
Também foi feita nesta época, a implementação das primeiras políticas de prevenção de deterioração da qualidade do ar, com a instalação de uma rede nacional de monitoramento do ar e o desenvolvimento de um inventário de fontes e poluentes atmosféricos prioritários.
A estratégia básica do PRONAR é estimular o estabelecimento de limites nacionais para as emissões, por tipologia de fontes e poluentes prioritários, reservando o uso dos padrões de qualidade do ar como ação complementar de controle. Foram propostas metas de curto, médio e longo prazo para a obtenção de resultados relevantes na estratégia de ação proposta.
As metas de curto prazo tomaram como referência a definição dos limites de emissão para fontes poluidoras prioritárias, a definição dos padrões de qualidade do ar, o enquadramento das áreas na classificação de usos pretendidos, a capacitação laboratorial e de recursos humanos e incentivos e apoio para a formulação de Programas Estaduais de Controle de Poluição de Ar.
Foram regulamentados sete parâmetros por estas legislações:
1. Partículas ou sólidos totais;
2. Partículas inaláveis;
3. Fumaça;
4. Dióxido de enxofre;
5. Monóxido de carbono;
6. Dióxido de Nitrogênio e
7. Ozônio Troposférico.
A legislação também introduziu a figura dos padrões mais secundários de qualidade do ar, mais restritivos que os primários, constituindo uma meta de longo prazo a ser alcançada.
No entanto, embora tenham recebido equipamentos junto com o treinamento, os estados não conseguiram implementar as ações para produzir relatórios sobre o monitoramento da qualidade do ar.
Atualmente apenas em alguns estados e algumas cidades existe o monitoramento das emissões veiculares, mas o controle de poluição atmosférica em geral por parte de órgãos ambientais ainda sofre barreiras de natureza técnica e econômica para viabilização. As empresas também sofrem os mesmos tipos de restrições mesmo quando dispostas ou com a necessidade de executar estes monitoramentos.
Desta forma o programa acabou se exaurindo sem que fossem atingidas as metas das propostas. Com a promulgação da Lei 9.605 de 12 de fevereiro de 1998, chamada de Lei de Crimes Ambientais foram criadas expectativas novas na implementação de ações nesta área, pois foram criadas responsabilidades bem específicas para todos, que tornam mais eficiente as ações (BRASIL, 1998).
Hoje já existe praticamente um consenso que a questão da poluição atmosférica e do aquecimento global que afetam os países ricos e sua monstruosa poluição de ar e não corresponde a mesma realidade dos países do terceiro mundo, emergentes e países pobres em geral que sofrem com questões de saneamento com qualidade de água, falta de tratamento de esgoto e má gestão de resíduos sólidos.
Somente o reconhecimento desta realidade e a disposição para a contribuição global, a equidade social e a busca de equilíbrio é que podem determinar alterações relevantes que contribuam para a melhoria da qualidade ambiental e qualidade de vida de todas as populações do planeta.
BRASIL. Lei 9.605/98 (DOU 12/02/1998, Lei de Crimes Ambientais). Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. (ecodebate)

Paris e Londres reagem e São Paulo?

Poluição do ar: Paris e Londres reagem – e São Paulo o que faz?
Vítima de condições meteorológicas desfavoráveis e dos ambientalmente negativos incentivos governamentais aos automóveis a diesel, a cidade luz, bem como outras cidades da França, presenciaram um dos piores patamares de qualidade do ar em sua história em meados de março deste ano.  O poluente material particulado MP10 (partículas de poeira fina de diâmetro de 10 milésimos de milímetro e menores) alcançou picos de até de 180 µg/m³, quase quatro vezes o padrão diário de qualidade de ar de 50 µg/m³ (maior média das últimas 24 horas do dia) estabelecido pela Organização Mundial de Saúde. Esses níveis são considerados perigosos pelas autoridades francesas e pela legislação ambiental e de saúde local. A lei francesa estabelece que o “Alerta” seja deflagrado quando a média diária supera 80 µg/m³. No Brasil, por razões inexplicáveis, o “Alerta” deve ser deflagrado quando a média diária supera 420 µg/m³, segundo a regulamentação nacional da década de 90; e também segundo Decreto do Estado de São Paulo, do ano passado – em detrimento dos últimos 25 anos de progresso científico no campo dos estudos dos efeitos da poluição.
Quase não se enxergava a imponente torre Eiffel nas manhãs ensolaradas. Ao observar a estabilidade meteorológica no período e médias diárias de cerca de 110 µg/m³, o governo deflagrou medidas de emergência, preventivas e protetoras, decretando o “Alerta” à população.  Solicitou que os habitantes da Île-de-France não saíssem de carro, e se possível, não saíssem de casa; implementou o rodízio de 50% dos veículos a cada dia, inclusive motos,  jogou luz sobre a importância crítica da inspeção veicular bem feita e isentou o transporte público de pagamento, entre outras ações, devido à elevação do risco de morte da população mais vulnerável – bebês, crianças, portadores de doenças cardiorrespiratórias prévias e os cidadãos parisienses mais velhos.
O episódio francês se assemelha aos observados aqui em São Paulo em certos dias de inverno ensolarados com inversão térmica e tempo seco, sem ventos. Um bom exemplo para comparação é o episódio de agosto de 2010: um evento meteorológico extremo com onze dias consecutivos de umidade relativa do ar abaixo de 30%, quando a média diária do MP10 superou, durante dias seguidos, os 100 µg/m³ em diversas estações de monitoramento. No Ibirapuera, por exemplo, em 25 de agosto, atingiu-se a média diária de 165 µg/m³ e o valor máximo de 260 µg/m³, conforme reportado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e mostrado no gráfico abaixo.

No entanto, mesmo com esses níveis altíssimos de contaminação, as rigorosas e necessárias medidas preventivas e protetoras, bem como um vigoroso alerta à população, não foram estabelecidos em caráter emergencial, dada a estrita aplicação da letra da (desatualizada) lei brasileira. Apenas algumas medidas foram recomendadas, mas sem maior ênfase na estratégia de comunicação pública oficial. Pelo contrário, em discreta nota à imprensa, as autoridades ambientais sugeriram que a situação era comum nesta época do ano e estava sob controle, não havendo necessidade de medidas mais drásticas que objetivassem evitar iminentes riscos à saúde da população.
Mas, comprovadamente, os riscos iminentes à saúde da população de fato ocorreram, pelo menos em cidadãos paulistanos idosos, como demonstraram Coelho Zanotti e colaboradores, em estudo realizado na Faculdade de Medicina da USP, com autópsias feitas durante esta mesma semana, demonstrando aumento significativo de mortes por doenças cardiovasculares associadas à baixa umidade do ar e aos níveis de particulados elevados. Além desse estudo, a literatura científica mundial, inclusive nacional, está repleta de artigos que exaustivamente descrevem e alertam para tais fatos há muitos anos.
A poluição do ar é a primeira causa ambiental de morte e adoecimento no mundo. A Organização Mundial da Saúde publicou, na semana passada, os resultados de seus estudos mais recentes indicando 2,6 milhões de mortes prematuras anuais em todo mundo, decorrente da contaminação atmosférica. Só na Região Metropolitana de São Paulo são cerca de 8 mil mortes e no Estado de São Paulo 18 mil, todos os anos, devido aos particulados, atestados na pesquisa inédita do Instituto Saúde e Sustentabilidade em 2013.
No início de abril foi a vez de Londres, surpreendida por grandes quantidades de poeira trazida por correntes atmosféricas vindas do Sahara.  A poeira fina foi adicionada às emissões regionais continentais e às locais de material particulado fino dos (também lá) incentivados veículos a diesel, e de outras fontes industriais e domésticas. Com tudo isso, e com condições meteorológicas desfavoráveis à dispersão, uma névoa espessa escondeu o Big Ben e as outras maravilhas de uma das cidades mais impressionantes do planeta. O nível de contaminação de particulados atingiu concentrações médias diárias de PM10 superiores a 100 µg/m³ (nível 10 – o máximo). A imediata reação das autoridades londrinas foi semelhante à que ocorreu em Paris, com maior ênfase na recomendação de evitar atividades externas e deslocamentos motorizados, e um forte apelo para que as empresas adotassem o tele trabalho, como fizeram com sucesso durante as Olimpíadas, a fim de descarregar a malha de transportes. Londres ainda é a campeã europeia de contaminação por dióxido de nitrogênio, um dos precursores da formação de ozônio, que é tóxico e crítico; o composto de nitrogênio também é emitido predominantemente pelos automóveis e demais veículos a diesel. Na Grã Bretanha, segundo o The Guardian, seis em cada dez automóveis comercializados são movidos a diesel – cujas emissões são cancerígenas, o que piora bastante os riscos da poluição.
As reações aos episódios de Paris e Londres constituem modelos didáticos de ética, transparência e responsabilidade em defesa da saúde da sociedade. As autoridades europeias também nos alertam sobre a urgência dos programas de retrofit – instalação de filtros nos diesel pesados usados mais poluentes – bem como da adequação dos ultra lenientes padrões de qualidade do ar brasileiros, que, só depois muita insistência da sociedade civil organizada, entraram na agenda do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Além disso, elas fazem lembrar a intrigante paralisia das nossas autoridades, quando se trata de cumprir compromissos ambientais – prioritários – de sua própria lavra, como as ações de redução da demanda por transporte individual motorizado, previstas nos regulamentos e planos oficiais de controle da poluição veicular, local e global, e, especialmente, o programa estadual de inspeção das emissões dos veículos em circulação, historicamente abandonado (desde 1993) ao último plano por temores eleitorais fantasiosos. (ecodebate)

Poluição do ar faz turismo cair em Pequim

Índices de poluição em Pequim aumentaram desde janeiro/2014.
O número de turistas estrangeiros que visitaram Pequim em 2013 diminuiu 10% em relação ao ano anterior, devido, segundo a prefeitura, à poluição atmosférica, entre outras causas, noticiou a imprensa oficial.
A capital chinesa recebeu no ano passado 4,5 milhões de visitantes estrangeiros, segundo a agência Xinhua, com base em dados oficiais.
Pequim, conhecida por suas atrações turísticas como a Cidade Proibida ou a Grande Muralha da China, registrou no primeiro trimestre de 2013 a primeira queda na frequência turística desde 2008.
Segundo um estudo da Associação Turística de Pequim, organismo oficial que supervisiona o setor, esta queda se deve à “desaceleração da economia mundial, à concorrência de outras grandes cidades e à valorização da moeda chinesa”.
Mas também se explica pela “nuvem constante que cobre diariamente a capital”, de acordo com o estudo.
A intensidade da poluição em Pequim é muito comentada no exterior e as medidas adotadas pelas autoridades – fechamento de fábricas ou restrição da venda de carros – não convencem os especialistas sobre sua efetividade.
A concentração de particulados – as mais nocivas para o organismo – superou no ano passado em cerca de 40 vezes o nível máximo de exposição recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMC).
As medidas adotadas para incentivar o turismo, em particular a possibilidade de permanecer na cidade por 72 horas sem visto prévio, não foram suficientes para deter a queda do turismo. (ecodebate)

Copa do Mundo 2014 produziu dobro de emissões em relação a 2010

Copa do Mundo 2014 produz dobro de emissões de carbono em relação a evento de 2010
Um voo comercial da Alemanha ao Rio de Janeiro para ver a final da Copa do Mundo e depois voltar para a Europa gerou o equivalente a um milhão de quilos de dióxido de carbono. Um único voo de 300 passageiros.
Imaginem as emissões que geraram não apenas os milhares de voos para e dentro do Brasil, mais os milhões de deslocamentos terrestres entre as 12 sedes da Copa para viver ao vivo a emoção do campeonato de futebol.
O cálculo já foi feito: o Mundial 2014 gerará 2,72 milhões de toneladas de CO2, quase o dobro do 1,62 milhão de toneladas do campeonato da África do Sul há quatro anos e três vezes mais do que na Alemanha em 2006.
As estimativas são da própria FIFA. A entidade aponta que mais de 80% das emissões desta edição foram produto das viagens por terra dos milhões de visitantes por todo o território brasileiro. Tudo isso sem contar a demanda de energia produzida por milhões de televisões ligadas para ver a atuação das principais figuras do futebol mundial.
Isto equivale à contaminação gerada por 534 mil veículos em circulação durante um ano, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos.
As autoridades destacaram, no entanto, que apesar desta Copa ter sido a mais poluidora da história, também foi a mais sustentável. Estabeleceu “um precedente na gestão ambiental dos grandes eventos esportivos”, segundo afirmou na semana passada a ministra brasileira do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
Ela ressaltou o novo design mais ecológico dos novos estádios, alguns construídos ou modernizados com tecnologias para aproveitar a água da chuva, a luz solar, as fontes renováveis de energia e a iluminação de baixo consumo energético, entre outras. O Brasil fez diversas parceiras com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) para tentar neutralizar ou evitar as emissões.
Meio ambiente X Espetáculo
Com cada vitória ou derrota das últimas seis semanas, os torcedores compareceram em massa ao Brasil para animar suas seleções ou voltar para suas casas. Calcula-se que quase quatro milhões de turistas do mundo todo viajaram no último mês, atraídos pela chance de ser parte da história da Copa.
O espetáculo da Copa se alimenta disso, mas em termos ecológicos isso representa também quase quatro milhões de pessoas a mais para alimentar, alojar, transportar. Elas também precisam de água e saneamento e produzem lixo, um problema que cresce em todo o mundo.
É uma pegada ecológica importante que podemos ver, sobretudo, concentrada nas grandes cidades latino-americanas.
“Embora só a metade da população mundial more em cidades, elas consomem mais de dois terços da produção global de energia e são responsáveis por 70% das emissões de dióxido de carbono”, afirma Xiaomei Tan, especialista em mudança climática do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (FMAM). “Temos que reconhecer o papel chave das cidades para o desenvolvimento sustentável, além dos riscos de não atuar agora”, acrescenta.
Este aviso aponta diretamente para a América Latina, cuja taxa de urbanização é de 80% e abriga 4 das 30 megacidades do mundo. Além disso, depois de uma década de crescimento, cerca de 30% da população já é considerada de classe média e procura oportunidades para desfrutar de seu novo patamar social, o que inclui viajar para o exterior para eventos como a Copa do Mundo.
Pensando em um contexto pessimista, segundo os especialistas, se não agir agora, a América Latina será uma das regiões mais assoladas, caso o pior se torne realidade e a temperatura mundial aumente quatro graus até o final deste século.
O FMAM, o Banco Mundial e outras organizações de meio ambiente trabalham em vários projetos para aumentar a capacidade de “resiliência” das cidades. Uma destas iniciativas acontece em São Paulo, onde alguns ônibus usam baterias de combustível de hidrogênio para se alimentar, em vez de petróleo, para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Isso abre caminho para a produção comercial de meios de transporte que utilizem hidrogênio em vez de diesel.
Outras medidas, de relativamente fácil aplicação e que não requerem grandes investimentos, focam nos padrões de conduta humana. Elas incluem, por exemplo, evitar longos deslocamentos para realizar compras – utilizando a internet ou produtos locais, por exemplo – e o uso de métodos de transporte alternativos como as bicicletas, de acordo com Xiaomei Tan.
Agora, começa a contagem regressiva para outra grande disputa esportiva: os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Estará o Brasil, um dos 17 países com maior biodiversidade do mundo, preparado para um novo impacto ambiental? (ecodebate)

Agropecuária será a principal fonte de emissões brasileiras

Agropecuária está se tornando a principal fonte de emissões brasileiras
A produção agropecuária de baixo carbono é importante para que o Brasil cumpra suas metas de redução de emissões e colabora para que o produtor consiga adequação ambiental, mas pode ser também um caminho para abrir portas e aumentar a competitividade no mercado internacional, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Uma ferramenta que pode ajudar o produtor brasileiro a acessar esses benefícios é o Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol) Agropecuária, primeiro instrumento voluntário para medir emissões em propriedades rurais, cuja primeira versão foi lançada em primeira mão no Brasil, no final de maio. O instrumento foi desenvolvido por meio de uma parceria entre o WRI, a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), levando em consideração as condições brasileiras. Segundo Rachel Biderman, diretora Executiva do WRI Brasil, “ações desse tipo também ajudam a criar uma cultura de gestão, contribuindo para a solução do problema das mudanças climáticas”. Em entrevista para a Clima e Floresta, Rachel, que também é professora responsável por módulo de meio ambiente do MBA em Gestão da Sustentabilidade e coordenadora do curso de extensão da Fundação Getúlio Vargas de “Gestão para o Baixo Carbono”, explica porque é importante reduzir as emissões da agricultura no Brasil.
Clima e Floresta - Qual a importância do combate às emissões de gases de efeito estufa na agricultura brasileira?
Rachel Biderman - O Brasil cada vez mais se consolida como grande fonte de alimentos para o mundo. Ao mesmo tempo, estamos entre os maiores emissores de gases de efeito estufa (GEE) do planeta. Considerando a redução das emissões em mudanças do uso da terra, devido à queda dos desmatamentos, a agropecuária está se tornando a principal fonte de emissões brasileiras e já representa 29,7% das emissões brutas brasileiras em CO2e.
Clima e Floresta – Como a agricultura emite GEE?
Rachel Biderman - O setor agropecuário gera emissões em função da fermentação entérica dos animais criados; do manejo de dejetos animais; do cultivo de arroz; da queima de resíduos agrícolas e dos solos agrícolas, estas decorrentes da fertilização nitrogenada e de organossolos cultivados. Há também emissões relativas a atividades associadas ao setor, que incluem a conversão de uso do solo – por exemplo, de florestas para pastagens ou de um tipo de lavoura em outro -, e outras relacionadas à produção de energia.
Clima e Floresta – O que é o GHG Protocol Agrícola e como ele pode colaborar para diminuir as emissões?
Rachel Biderman - Trata-se de um conjunto de dois instrumentos principais: as Diretrizes e a Ferramenta de Cálculo de Emissões de GEE no setor Agropecuário.  Esses instrumentos permitem aos produtores rurais conhecer melhor o perfil das suas emissões de gases de efeito estufa e desenvolver planos de redução mitigando seus impactos sobre o clima. Esses instrumentos permitirão aos produtores rurais contribuir diretamente para o cumprimento dos objetivos do  Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono) e para que mecanismos financeiros adequados sejam alocados para essa atividade sustentável.
Clima e Floresta – A quem o GHG Protocol é destinado?
Rachel Biderman – Produtores rurais de qualquer porte.
Clima e Floresta – Pequenos agricultores, assentamentos rurais, populações tradicionais podem participar? Como?
Rachel Biderman - Os instrumentos se aplicam a qualquer tipo de produção agropecuária. O WRI Brasil organizará projeto para treinar empresas e interessados para o uso dessas ferramentas.
Clima e Floresta – Além da questão das emissões, há outros benefícios na adoção de uma agricultura de baixo carbono?
Rachel Biderman - As empresas que adotarem as diretrizes e ferramenta de cálculo do GHG Protocol terão algumas vantagens competitivas. Entre elas podemos citar: Entender riscos operacionais e de reputação; identificar oportunidades de redução de emissões; implantar metas de redução e monitorar a performance; melhorar a reputação e transparência através da divulgação pública de suas emissões de GEE; colher os frutos dos benefícios associados à redução de emissões, como conservação de energia, ampliação de produtividade, melhora na qualidade do solo e da água; preparar-se para regime de quotas e cumprimento legal; antecipar-se para um potencial mercado de carbono. (ecodebate)

Dissociação coletiva é barreira invisível na crise climática

A dissociação coletiva é um mecanismo subconsciente de defesa que paralisa a ação humana frente à gravidade da crise climática. De acordo ...