domingo, 29 de março de 2015

Crise custa R$ 1 bilhão à Sabesp

Em 14 meses, crise já custou mais de R$ 1 bi à Sabesp.
Obras emergenciais, descontos na tarifa, queda de consumo, campanhas publicitárias, tratamento de água, bombardeio de nuvens e até pagamento de horas extras a funcionários. Após mais de um ano de medidas para tentar evitar o colapso do abastecimento na região metropolitana, o impacto da crise hídrica nas contas da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) já ultrapassa R$ 1 bilhão.
O levantamento do Estado considera custos adicionais de serviços atribuídos à crise pela Sabesp em seu balanço financeiro divulgado em 26/03, como gasto com óleo diesel, e uma série de contratos para execução de obras emergenciais, como a captação inédita do volume morto do Sistema Cantareira. Procurada pela reportagem, a assessoria da companhia reiterou que todas as ações anticrise foram necessárias.
Muitas dessas provocaram um efeito cascata nas finanças da estatal. Em 2014, por exemplo, a Sabesp divulgou ter gastado R$ 58,7 milhões com publicidade "por causa da intensificação da campanha para uso racional da água". Algumas peças publicitárias, como as estreladas pelo apresentador Rodrigo Faro em fevereiro de 2014, foram feitas para divulgar o programa de bônus lançado pela companhia para estimular a economia de água pela população.
Somente o plano que dá descontos de até 30% na conta para quem reduzir o consumo resultou em uma perda de arrecadação da ordem de R$ 376,4 milhões. Por outro lado, a adesão das pessoas ao programa, que chegou a 78% dos clientes da Grande São Paulo em dezembro, contribuiu para a redução de 3,1% no volume faturado pela empresa com água na região em relação a 2013. Ao todo, a receita operacional caiu R$ 634,6 milhões em 2014, 6,7% a menos do que no ano anterior.
"A extensão da seca e as medidas adotadas provocaram uma redução gradativa do volume faturado de água e, portanto, uma redução da receita", afirma a companhia em seu balanço, que apontou queda de 53%, ou R$ 1 bilhão, no lucro em 2014. "A Sabesp não pode garantir que, ao final do programa de bônus, o referido consumo retornará aos níveis anteriores à atual crise de água. Um menor consumo per capita pode afetar negativamente nossos negócios e o resultado das operações no futuro", completa.
Mais da metade da queda do volume de água produzido, 56% no Cantareira e 30% na região metropolitana, deve-se, porém, às manobras de redução da pressão da água e fechamento da rede durante parte do dia, o que provoca longos cortes no abastecimento. Segundo a Sabesp, essas ações, que envolveram a instalação de mais de 60 novas válvulas, elevaram a R$ 19,7 milhões os gastos com o Programa Corporativo de Redução de Perdas de Água.
Em seu balanço, a companhia destaca ainda o pagamento de R$ 14,6 milhões em despesas com horas extras a funcionários, fruto da "gestão e intensificação na manutenção de sistemas de água". Segundo um dirigente da Sabesp, em 40% da rede de abastecimento da Grande São Paulo, as manobras são feitas manualmente por técnicos nas ruas. Em muitos bairros, a reabertura das válvulas ocorre durante a madrugada.
Obras
Em outra frente, a Sabesp investiu pesado em uma série de obras emergenciais para evitar o colapso do abastecimento na Grande São Paulo, onde vivem mais de 20 milhões de pessoas. Só na ampliação de adutoras, estações elevatórias e de tratamento para transferir água dos Sistemas Alto Tietê e Guarapiranga para bairros atendidos pelo Cantareira, a companhia gastou cerca de R$ 80 milhões ainda no primeiro semestre do ano passado.
As ações reduziram a abrangência do manancial em crise, que caiu gradativamente de 8,8 milhões de pessoas para os atuais 5,6 milhões, mas não evitaram o esgotamento do volume útil do Cantareira, que fica acima do nível dos túneis de captação, em julho. Para não adotar o rodízio oficial de água, a estatal fez, a toque de caixa, obras para captar, pela primeira vez na história do sistema, o volume morto das represas, que fica abaixo dos túneis.
Só com as intervenções para retirar os 182,5 bilhões de litros da primeira cota da reserva profunda, a partir de maio do ano passado, a Sabesp também gastou R$ 80 milhões com 17 bombas flutuantes, transformadores, tubulações, além das obras civis. Com o agravamento da crise nos meses de estiagem, esse volume se esgotou em outubro. Antes que isso acontecesse, a estatal já iniciou novas obras para usar uma segunda reserva, de 105 bilhões de litros.
Segundo levantamento do Estado, os novos contratos envolvendo a captação da segunda cota somam ao menos R$ 45 milhões, incluindo a compra de mais 19 bombas flutuantes. Para que toda estrutura funcionasse no meio das represas, a Sabesp teve de instalar geradores de energia movidos a óleo diesel. Só com o combustível a estatal gastou R$ 6,5 milhões.
Situação crítica
Mesmo com o retorno das chuvas acima da média em fevereiro e março, a situação atual do Cantareira é bem mais crítica hoje. O manancial tem 57% menos água disponível do que há um ano. Para atravessar o novo período seco, a Sabesp aposta em novas obras emergenciais, como a ligação da Billings com o Sistema Alto Tietê, orçada em R$ 130 milhões, a captação de água no Rio Juquiá (R$ 75 milhões) e a ampliação do Guarapiranga, com contrato de R$ 41,6 milhões.
Mais gastos
R$ 8,2 mi é quanto a Sabesp vai pagar pelo serviço de bombardeio de nuvens para tentar provocar chuva artificial sobre as represas dos Sistemas Cantareira e Alto Tietê. Contratos foram fechados com a empresa Modclima no começo de 2014.
R$ 7 mi é quanto a Sabesp gastou a mais com sulfato de alumínio no tratamento de água da Estação Taiaçupeba, do Sistema Alto Tietê, por causa do aumento de 14% na produção feita para ajudar a socorrer bairros atendidos pelo Cantareira ainda no início do ano passado, de acordo com a companhia. (OESP)

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Cantareira tem 57% menos água que há um ano

Sistema Cantareira tem 57% menos água do que tinha há 1 ano.
Mesmo tendo recebido no trimestre volume maior do que o acumulado em 10 meses de 2014, estado do sistema é crítico.
Com dois meses consecutivos de chuvas acima da média, o Sistema Cantareira já recebeu neste ano um volume de água maior do que o acumulado em 10 meses de 2014. Mesmo assim, o manancial tem 57% menos água do que tinha há um ano.
Segundo boletim da Agência Nacional de Águas (ANA), chegaram ao Cantareira 227,2 bilhões de litros neste primeiro trimestre, 137% a mais do que no mesmo período do ano passado (95,7 bilhões). O volume supera a soma da quantidade de água que entrou nas represas entre março e dezembro de 2014: 215 bilhões de litros. 
O manancial já registra neste mês chuvas 6,7% acima da média e deve terminar com a maior vazão afluente aos reservatórios desde abril de 2013. São 39,9 mil litros por segundo de água chegando às represas, índice ainda 33% abaixo da média do mês (59,5 mil l/s), mas 190% maior do que os 13,8 mil l/s registrados em março de 2014.
Sistema Cantareira já recebeu neste ano um volume de água maior do que o acumulado em 10 meses de 2014.
A melhora na entrada de água no sistema, iniciada em fevereiro, fez com que o governo Geraldo Alckmin (PSDB) adiasse a decisão sobre adoção do rodízio oficial no abastecimento de água na Grande São Paulo, onde 5,6 milhões de pessoas ainda dependem do Cantareira. Desde o mês passado, o nível do manancial subiu de 5% para 18,4%, considerando as duas cotas do volume morto.
Com essa recuperação, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) acredita que agora é possível atravessar o período de estiagem, que vai de abril a setembro, sem precisar adotar o rodízio. Para isso, conta com a conclusão de obras emergenciais como a que vai captar mais água da Represa Billings e com o racionamento na distribuição por meio da redução da pressão e do fechamento da rede durante a maior parte do dia.
Foi com essas manobras, além da economia de água espontânea pela população, que a Sabesp conseguiu reduzir em 58% a retirada de água do Cantareira neste primeiro trimestre (100,6 bilhões de litros) em relação ao mesmo período de 2014, quando a captação atingiu 240,8 bilhões.
Apesar das medidas e da melhora das condições climatológicas no maior manancial paulista usado para abastecimento, o Cantareira tem hoje 243 bilhões de litros a menos do que há um ano, volume equivalente a 24,7% da capacidade original do sistema.
Em 27/03/14 o índice era de 14%, mas não incluía os 287,5 bilhões de litros adicionais das duas cotas da reserva profunda das represas. Em 27/03/15 restavam 181,1 bilhões de litros do volume morto. O problema agora é que a temporada chuvosa acabou. “As chuvas vão diminuindo gradativamente a partir de agora”, afirma o meteorologista Marcelo Seluchi, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). (OESP)

‘Situação do Cantareira não é tranquila’

Situação do Sistema Cantareira continua crítica, diz entidade.
Diretor do PCJ pede que ações de redução de consumo de água sejam mantidas.
Pelo menos vinte municípios das regiões de Campinas e Piracicaba têm reservas de água para cerca de cinco meses, aponta estudo.
Apesar das chuvas, o Sistema Cantareira ainda opera com nível entre 50% e 60% menor do que tinha no mesmo período de 2014, disse em 26/03/15 o diretor executivo do PCJ (Consórcio das Bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí), Francisco Lahóz.
— A situação (do Cantareira) não é tranquila, pois foi usado até seu volume estratégico e só recuperamos uma parcela desse volume. Insistimos na necessidade de reservar água e evitar perdas.
Conforme dados do PCJ, embora as chuvas de fevereiro deste ano tenham sido acima da média, no mês de janeiro elas ficaram 50% abaixo e no mês de março ainda não ultrapassaram a média histórica. A expectativa é de que o ciclo das chuvas, que normalmente vai até o último dia de março, se estenda por mais um mês.
— Como 2014 foi um ano atípico e as chuvas atrasaram, talvez esteja acontecendo um deslocamento climático, que pode levar as chuvas a se estenderem até abril. Se isso acontecer, podemos recuperar o Cantareira e ainda manter os rios do PCJ com bom volume de água.
Como essa ocorrência de chuvas ainda não é apontada pelas previsões climáticas, ele indica que as ações de redução de consumo e de preservação da água da chuva sejam mantidas ou adotadas.
— Insistimos na construção de cisternas em São Paulo para reservar água da chuva, pois isso até reduz as enchentes. Estamos propondo que a água dos piscinões da capital seja revertida para o sistema para ser tratada e usada.
Ele espera ainda que o governo paulista inicie este ano a construção de reservatórios nos rios Jaguari, em Pedreira, e Camanducaia, em Amparo, para aumentar a disponibilidade de água na região do PCJ no interior.
Estudo do consórcio mostra que pelo menos vinte municípios das regiões de Campinas e Piracicaba têm reservas de água para cerca de cinco meses. Se a estiagem prevista para abril se estender até o fim do ano, municípios como Valinhos, Vinhedo, Saltinho, Nova Odessa e Cosmópolis, que já tiveram racionamento no ano passado, podem ficar sem água.
Embora tenham reservatórios cheios, o volume é pequeno comparado ao consumo e eles dependem das chuvas para serem abastecidos. De acordo com o PCJ, prefeituras e serviços de abastecimento já foram alertados sobre esse cenário. (r7)

Sabesp fecha contratos sem licitação para interligação da Billings

Sabesp fecha contratos sem licitação para obra de interligação da Billings.
Avaliada em R$ 130 milhões, a ligação com a Represa Taiaçupeba é a principal aposta do governo Geraldo Alckmin (PSDB) para conseguir atravessar o período de seca (de abril a setembro) sem precisar decretar rodízio oficial no abastecimento.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) assinou dois novos contratos sem licitação, no valor de R$ 46,6 milhões, para fazer a interligação das Represas Billings e Taiaçupeba, na Grande São Paulo. Avaliada em R$ 130 milhões, a obra é a principal aposta do governo Geraldo Alckmin (PSDB) para conseguir atravessar o período de seca (abril a setembro) sem precisar decretar rodízio oficial no abastecimento.
Segundo a Sabesp, a interligação tem “caráter emergencial” e está prevista no plano de contingência para o enfrentamento da crise hídrica neste ano. A obra visa a transferir 4 mil litros por segundo do Sistema Rio Grande, braço limpo da Billings, que estava em 26/03 com 98% da capacidade, para o Alto Tietê (23,1%) O objetivo é reduzir ainda mais a retirada de água do Sistema Cantareira (18,2%) para evitar o colapso do maior manancial. A previsão é de que ela seja concluída até julho.
Os novos contratos foram assinados com as empresas DP Barros Pavimentação e Construção Ltda. (R$ 30,2 milhões), que ficará encarregada das obras aquáticas do projeto, e Jofege Pavimentação e Construção Ltda. (R$ 16,4 milhões), responsável pelas obras terrestres. Ambas já haviam sido contratadas sem licitação em março de 2014 pela Sabesp para executarem as obras para captação do volume morto do Cantareira. Na ocasião, os contratos somaram R$ 49 milhões.
A Sabesp afirma que todos os negócios estão respaldados no artigo 24 da Lei Federal 8.666, de 1993, que prevê dispensa de licitação nos casos de emergência ou calamidade pública que possam comprometer a segurança das pessoas. Neste caso, as obras devem ser concluídas no prazo máximo de seis meses. 
Segundo a companhia, houve cotação de preços “com empresas que apresentaram qualificação técnica, bom histórico de performance e capacidade de iniciar imediatamente os serviços”, com infraestrutura própria adequada. “A obra foi apresentada a todas as empresas interessadas para fins de precificação. Foram escolhidas as que apresentaram o menor valor em relação aos demais interessados e ao preço de tabela Sabesp”, informa.
Os contratos emergenciais da Sabesp são alvo de investigação do Ministério Público Estadual (MPE). Segundo o promotor Otávio Garcia, do Patrimônio Público, o objetivo do inquérito é apurar se as obras feitas sem licitação se tornaram emergenciais por falta de planejamento da companhia. Até o início deste ano, essas contratações, segundo ele, já haviam ultrapassado os R$ 160 milhões.
Em 24/03 o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, disse durante um seminário na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que está contando com a “compreensão de todos que podem atrasar essas obras, porque a população precisa de água”. Segundo o dirigente, se as obras emergenciais forem concluídas dentro do prazo e a população continuar economizando água, é possível chegar à próxima estação chuvosa, que começa em outubro, sem o rodízio oficial.
A meta, segundo ele, é obter 6 mil litros por segundo adicionais para reduzir a produção do Cantareira dos atuais 14 mil para 9 mil l/s durante os meses de estiagem. “Nós já reduzimos a retirada do Cantareira em 58% (antes da crise, a produção era de 32 mil l/s). Vamos reduzir mais ainda para não deixar o sistema secar.”
Interligação
Conforme o Estado mostrou, a obra emergencial definida pela Sabesp para socorrer o Alto Tietê deverá captar água da parte poluída da Billings. Isso porque a estatal vai retirar 4 mil l/s do Braço Rio Pequeno (o dobro da sua capacidade), que está diretamente ligado ao corpo central que recebe o esgoto do Rio Pinheiros, para suprir a retirada do mesmo volume do Rio Grande para a Represa Taiaçupeba.
Somente neste trecho da obra, a companhia estima gastar R$ 20 milhões. No projeto original de ligação dos dois braços, estava previsto o barramento do Rio Pequeno, que tem água de melhor qualidade que o corpo central, e a retirada de 2 mil l/s. Agora, a Sabesp desistiu de separar esse pedaço do reservatório para captar mais água. A empresa afirma que a água sempre foi usada ali com extremo cuidado e monitorada. (OESP)  

Manual da captação à utilização da água de chuva

IPT lança manual para situações emergenciais, da captação à utilização da água de chuva
O manual, lançado em comemoração ao Dia Mundial da Água, 22 de março, é direcionado a famílias que vivem situações emergenciais.
A captação da água de chuva hoje é realidade para muitos moradores de cidades como São Paulo, que vêm enfrentando uma crise hídrica que já afeta o abastecimento de diversos domicílios. Levando em conta este cenário, o IPT lança agora um manual que busca oferecer à população orientações para melhorar a qualidade dessa água, apresentando as boas práticas para a sua captação, armazenamento e utilização doméstica.
O manual, lançado em comemoração ao Dia Mundial da Água, 22 de março, é direcionado a famílias que vivem situações emergenciais e dissemina uma técnica relativamente simples, mas que respeita os requisitos que garantem o funcionamento do sistema e, principalmente, assegura a qualidade da água coletada.
De acordo com o pesquisador e autor do manual Luciano Zanella, do Centro Tecnológico do Ambiente Construído do IPT, o projeto nasceu da constatação de que não apenas a captação da água de chuva, mas também seu tratamento e armazenagem, muitas vezes são feitos de maneira equivocada. “Embora a melhor água seja aquela oferecida pela concessionária, não podemos fechar os olhos ao fato de que muitas famílias hoje convivem com abastecimento irregular e têm se valido dessa solução. É preciso, no entanto, oferecer condições para que a captação seja feita de maneira mais segura, lacuna que o IPT pretende preencher com este manual”.
O trabalho do IPT mostra como requisitos fundamentais a captação da água pelo telhado, e não pelo piso, além da filtragem que será responsável pela primeira limpeza, separando o líquido dos objetos sólidos como as folhas das árvores que acabam entrando no captador. Outro passo essencial no processo, geralmente desconhecido, é o descarte da água da primeira chuva, que carrega a poluição atmosférica e os contaminantes presentes no telhado. O recomendado é que sejam descartados dois litros de água para cada metro quadrado de área do telhado utilizado na captação, o que corresponde aos dois primeiros milímetros de precipitação.
O sistema proposto no manual é de fácil instalação. Foi pensado para situações emergenciais e não está integrado ao sistema hidráulico predial. “Os usuários podem fazer adaptações ao material, desde que sigam os parâmetros fundamentais. Essa água poderá ser usada para descarga de bacias sanitárias, limpeza de pisos e veículos e rega de jardins e áreas verdes”, explica Zanella. Numa situação extrema, caso falte água de qualidade superior, a água de chuva – desde que captada, tratada e armazenada adequadamente – também pode ser utilizada para ingestão e preparo de alimentos. Para esse uso, além das etapas anteriores, recomenda-se ainda a fervura por um tempo superior a três minutos, melhorando a segurança sanitária. (ecodebate)

sexta-feira, 27 de março de 2015

Exemplo dos japoneses

Japoneses recolhem o próprio lixo após jogo de sua seleção. Atitude dos japoneses surpreendeu a muita gente, que não possui o hábito de recolher o próprio lixo.
Existe praticamente um consenso no país, considerando que existe uma necessidade premente de satisfazer adequadamente as necessidades e expectativas educacionais do Brasil. Mal imaginavam os governantes e figuras que já declararam que copa não se faz com escolas e hospitais, que os exemplos de japoneses nos estádios, ou de comportamentos de alemães e holandeses dentre outros, apenas para falar nas seleções que aqui permaneceram por mais tempo, determinaria mudanças de paradigmas tão radicais.
Cabe a especialistas como sociólogos ou antropólogos com maior representatividade, discutir os significados de comportamentos dignificantes exibidos por alemães, holandeses ou jogadores e turistas de outras nacionalidades como os australianos. Mas o exemplo dos japoneses merece aqui ser analisado e ressaltado. As coletas de resíduos sólidos remanescentes nos estádios após as partidas foi alvo de comentários de enorme relevância em toda imprensa especializada ou de caráter geral.
Uma abordagem realizada pelo colunista de terra magazine, Altino Machado a quem citamos e creditamos esta visão, cita o magistral dramaturgo brasileiro e apaixonado por futebol, Nélson Rodrigues. Não lembro se foi Nélson Rodrigues ou o poeta gaúcho Mário Quintana quem observou em tom de brincadeira que o torcedor de futebol representava o elo perdido entre o ser humano e nossos ancestrais símios. Mas não importa. Na crônica de Altino Machado publicada no Terra Magazine existe a abordagem muito apropriada de que num jogo de futebol, a bola é um mero detalhe. Ao contrário do que imaginam os membros do comitê organizador, futebol se faz com escolas, educação e quem sabe com hospitais capazes de satisfazer as necessidades e expectativas de nossas populações mais necessitadas.
A bola é um mero detalhe do espetáculo, como dizia Nélson Rodrigues. Os jogos e espetáculos de futebol são assistidos e jogados por seres humanos e não elos perdidos. E na medida que estes indivíduos são educados e conscientes, se tornam capazes de desempenhar tarefas e funções inimagináveis. Nélson Rodrigues já asseverava que o que importa é o ser humano por trás da bola. Conforme ele cita “não é a diversão lúdica, mas a complexidade da existência”.
Os seres humanos que representaram os torcedores japoneses, que torceram para o Japão em Pernambuco e Natal, nos jogos que os japoneses atuaram contra Costa do Marfim e Grécia, deram um exemplo após as partidas, recolhendo todos os resíduos sólidos gerados. Os resíduos foram recolhidos em sacos plásticos carregados especialmente para tal finalidade específica.
Enquanto torcedores do Brasil e de outros países se retiravam dos estádios, deixando acumuladas montanhas de lixo, sem sequer olhar para trás, os japoneses ministravam uma aula de civilidade, talvez porque eu seu país, futebol se faça com estádios, mas também com escolas e educação. Os japoneses recolhiam discretamente garrafas e copos de plástico, papel, bandejinhas de isopor, latas de cervejas e de refrigerantes, canudinhos, restos de alimentos, embalagens usadas, enfim todos os resíduos sólidos produzidos durante a partida.
Este gesto de alto significado civilizatório é uma lição de ética e cidadania e traz inúmeras lembranças, como a do personagem Dersu Uzala, citado por Altino Machado no Terra Magazine. O personagem criado pelo lendário diretor japonês Akira Kurosawa é um velho e sábio habitante da taiga siberiana que estabelece uma relação de proximidade com um oficial russo num dos mais belos filmes da cinematografia japonesa. Ele sabe que o ser humano é apenas mais um constituinte do mundo, tanto quanto o sol, as estrelas, a água, o fogo ou o vento, a neve e os animais e precisa compartilhar este mundo com seus semelhantes e os demais animais e forças da natureza.
Uma das cenas mais comoventes do filme e lembrada por Altino Machado é quando o velho e o jovem capitão russo dividem um abrigo durante uma noite e no outro dia antes de partirem o velho sábio separa um pouco dos mantimentos e armazena no abrigo. Surpreso o jovem capitão russo questiona que ambos nunca mais voltarão a este lugar. É quando o velho ancião afirma que a partilha é para que outro indivíduo qualquer em situação de necessidade possa se satisfazer.
Esta noção de compartilhamento de vida é comovente e muito “existencial” como diria Nélson Rodrigues para que possa ser confundida com uma educação que se limite a um treinamento de procedimentos a serem decorados e não a uma profunda reflexão de vida como se faz necessário.
Torcedores alemães também demonstraram comportamentos análogos em alguns episódios da FIFA Fan Fest na cidade do Rio de Janeiro e não se pode deixar de enaltecer os exemplos resultantes não apenas de educação, disciplina ou treinamento, mas também de profundo estágio civilizatório incutido por relevantes processos educacionais.
Como os japoneses, somente é possível desenvolver a ética da convivência civilizatória, solidariedade e do desprendimento quando o contexto de cidadania é plenamente atingido. Está é a grande lição da copa ministrada exaustivamente pelos torcedores japoneses, em todos os lugares onde tiveram a oportunidade de se expressar. De forma silenciosa, efetiva e eficiente em toda sua plenitude. (ecodebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...