sábado, 3 de dezembro de 2016

Trump, negacionismo e o aquecimento global

A ameaça que emergiu da recente eleição norte-americana pairou sobre a Conferência do Clima (COP22) realizada em Marrakech, encerrada em 18/11/16. Isto ocorreu devido às polêmicas declarações sobre o aquecimento global do presidente eleito Donald Trump, que afirmou que o conceito “foi criado por e para os chineses, para que a indústria manufatureira não seja competitiva” e completou dizendo que “Nova York está congelante, está nevando. Nós precisamos do aquecimento global”.
Durante a campanha eleitoral Trump afirmou que retiraria os Estados Unidos do Acordo de Paris, que já foi ratificado por mais de 100 países e entrou em vigor dia 04/11/16. A ratificação do acordo em prazo recorde constitui um dos maiores avanços da humanidade no combate às mudanças climáticas.
A escolha de integrantes de sua equipe de transição parece confirmar as promessas de campanha e contribui para aumentar a preocupação quanto aos desdobramentos para o acordo climático. Para tratar as questões energéticas e ambientais, Trump indicou o lobista da indústria de combustíveis fósseis, Myron Ebell, reconhecido cético da teoria predominante sobre o aquecimento global.
O senhor Ebell faz parte de um grupo de intelectuais denominado Cooler Heads Coalition (Coalizão de cabeças frias, em tradução literal), financiado pela indústria de petróleo para combater o que qualificam de exageros acerca das mudanças climáticas. Além disso, Ebell é diretor da organização conservadora Competitive Enterprise Institute formada também por céticos em relação ao aquecimento do planeta.


No mesmo momento em que estes fatos decorrentes da eleição norte-americana ocorriam, a COP22, em 08/11/16 divulgou dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM) demonstrando que os últimos cinco anos foram os mais quentes dos registrados. Isto implica num aumento do nível do mar devido à inesperada rapidez no derretimento da camada de gelo polar. Atualmente o gelo do oceano ártico dos últimos cinco anos está 28% menor que a média dos 29 anos anteriores. Segundo a OMM as temperaturas se aproximam perigosamente da meta estabelecida na COP21.

São esses dados irrefutáveis e comprovados por várias agências internacionais e mesmo norte-americanas, como a Agencia Espacial (NASA) e a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), que os seguidores de Trump não aceitam e pretendem combater.

Mesmo a hipótese de não retirada imediata dos Estados Unidos da discussão sobre mudanças climáticas pode ser problemática, pois a tendência é que os representantes do futuro governo dos Estados Unidos emperrem a continuidade das pesquisas e do debate, bloqueando as iniciativas que até agora propiciaram avanços importantes e ajudaram a construir uma unanimidade internacional nunca antes observada.

Por outro lado, há um aspecto que pode ser considerado. As posições radicais do grupo liderado por Trump poderão fazer com que aumente a coesão dos demais países, fortalecendo posições contrárias aos céticos do aquecimento global. Esse movimento já começou e fez sua primeira aparição na COP22, que se encerrou em meados de novembro. Houve uma forte e unânime reação dos países contra as ameaças de retrocesso no acordo e repudio às ameaças vindas do presidente eleito.

O documento final da 22ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP22) constitui uma resposta aos céticos. Foi definido um plano de ação para implantar e monitorar o Acordo de Paris até dezembro de 2018, e de forma enfática se reiterou que o “clima global está esquentando em um nível alarmante e sem precedentes e a comunidade internacional tem o dever urgente de responder”. (ecodebate)

Compromisso de reduzir aquecimento global não tem volta


COP 22: compromisso de reduzir aquecimento global não tem volta, dizem organizações.


Os países participantes da 22ª Conferência das Partes sobre Mudança do Clima (COP 22) reafirmaram o compromisso de reduzir o aquecimento global e de construir uma agenda de trabalho para chegar a esse objetivo em dois anos. A avaliação é do secretário executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, e do coordenador da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Marcelo Furtado.
A conferência, que teve início em 07/11/16 e terminou em 18/11/16, no Marrocos, teve o objetivo de regulamentar os detalhes sobre o Acordo de Paris. Esse pacto representa um esforço de mais de 190 países para conter as emissões de gases de efeito estufa e, com isso, limitar o aumento da temperatura média global a bem abaixo de 2°C.


Ritll e Furtado lembraram que a COP 21, realizada em 2015, na França, teve um caráter político. Já a conferência deste ano foi técnica, com o objetivo de definir a agenda de trabalho. “O Brasil contribuiu para que a gente tivesse a construção de uma agenda que pode entregar bons resultados nos próximos dois anos. Depende do empenho de todos os países”, disse Rittl.
Os países deram um sinal inequívoco que o compromisso não tem volta”, ressaltou Furtado.
Para Rittl, é hora de o Brasil fazer a lição de casa e definir como vai tirar o compromisso do papel. O secretário executivo destacou que o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, afirmou, na conferência, que a meta do Brasil é limitar o aquecimento a 1,5°C e instigou outros países a fazerem o mesmo.
Rittl defende que o Brasil inclua as mudanças climáticas como tema central da sua agenda de desenvolvimento. Atualmente, na avaliação dele, esse assunto é um tema acessório. Ele acrescentou que é preciso realizar o cadastro ambiental rural, recuperar áreas desmatadas ilegalmente e vincular o crédito rural a medidas de cuidados com o meio ambiente.
Para Furtado, existe um compromisso no Brasil não só do governo, mas também das organizações da sociedade civil e do setor privado “em fazer acontecer. Vai exigir uma orquestração conjunta. É muito importante o papel do setor privado e dos organismos de financiamento”, destacou.
Furtado defendeu a implementação do Código Florestal, assistência técnica para programas de baixo carbono e ampliação dos estudos de estratégias de restauração de áreas degradadas. Ele também defendeu a remuneração de proprietários de áreas com florestas em pé, além de financiamentos mais generosos para quem pratica a agricultura de baixo carbono.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgou uma avaliação preliminar do governo brasileiro sobre a COP 22. O documento aponta que a conferência deste ano representa um “ponto de partida”, com foco na definição do chamado “livro de regras”, que estabelecerá como será a implementação das obrigações assumidas em Paris.
O informe também expõe a posição adotada pelos representantes brasileiros na conferência, como a visão de que o Acordo de Paris é irreversível e de que é necessário acelerar os trabalhos para que ele seja implementado. Além disso, aponta a necessidade, debatida na COP 22, de os países desenvolvidos ampliarem seu nível de financiamento, definindo um “mapa do caminho” que demonstre como se chegará ao objetivo dos US$ 100 bilhões anuais em 2020.
O Brasil participou da COP com 271 delegados, entre representantes do governo, da academia, de entidades privadas e de organizações não governamentais. No total, foram 87 participantes ligados ao governo – incluindo 16 parlamentares – e 184 da sociedade civil. (ecodebate)


OMM estima que 2016 será o ano mais quente da história

OMM estima que 2016 deverá ser o ano mais quente da história.


A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou um estudo no qual aponta que 2016 “provavelmente” seja o ano mais quente da história, superando o recorde batido em 2015. De acordo com dados preliminares apresentados pela agência da Organização das Nações Unidas (ONU), o aumento da temperatura global neste ano será 1,2°C acima dos níveis pré-industriais. Segundo o levantamento, as temperaturas registradas entre janeiro e setembro de 2016 ficaram 0,88°C mais altas do que a média entre 1961 e 1990 (14ºC). A média é adotada como referência para acompanhar as temperaturas.


O pico de temperatura foi registrado nos primeiros meses do ano devido à intensidade registrada em 2015 e 2016 do fenômeno conhecido como El Niño, que provoca o aquecimento da temperatura das águas em alguns pontos do Oceano Pacífico. O calor oceânico decorrente deste fenômeno contribuiu também para o branqueamento dos recifes de coral e a elevação do nível do mar acima do normal, informou a OMM.
Ainda segundo a entidade, apesar de o calor do El Niño já ter amenizado, os efeitos da subida de temperatura continuarão a ser sentidos no planeta. Também contribuem para a alta das temperaturas as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, acrescenta o estudo. De acordo com a OMM, em 2015, as concentrações médias anuais de dióxido de carbono em todo o mundo chegaram pela primeira vez a 400 partes por milhão.
“Em áreas árticas da Rússia, as temperaturas ficaram 6°C a 7°C acima da média de longo prazo. Em muitas outras regiões árticas e subárticas na Rússia, no Alasca e no noroeste canadense a média foi ultrapassada em pelo menos 3°C”, disse por meio de nota o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.
O secretário acrescenta que o aumento na frequência de enchentes e de ondas de calor, bem como o aumento do nível do mar, se devem a essas alterações climáticas. Taalas acrescentou que a OMM manterá a posição de apoio para que o Acordo de Paris seja colocado em prática. As formas de efetivar o Acordo estão sendo debatidas na 22ª edição da Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas (COP22) em Marrakesh, Marrocos. (ecodebate)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Mar ameaça cidades

Aquecimento global pode submergir cidades pelo mundo!
Diversos munícipios ao redor do mundo estão em risco devido à elevação na temperatura no planeta.
Saiba quanto as marés subirão.
Segundo cientistas, nível do mar pode subir em até 1,2 metros.
Cientistas alertaram que diversas cidades ao redor do planeta podem estar em risco devido à elevação do nível do mar nas próximas décadas.
Um estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences mostra que se os países não conseguirem atingir as metas de emissões definidas no Acordo do Clima de Paris, podemos ver um aumento de 2°C na temperatura da Terra até 2040.
Isso causaria uma elevação de 15 centímetros no nível do mar em todo o planeta – e quarenta anos mais tarde poderíamos ver outro aumento de mais 60 centímetros.
Até 2100, Nova Iorque poderia experimentar uma elevação do nível do mar de cerca de 1,07 metros.
“Basicamente nós levamos 200 anos para elevar a temperatura do nosso planeta em 2 graus, e agora faremos isso novamente em apenas 40 anos. Este fato mostra que o que está acontecendo agora tem uma escala completamente diferente,” disse Svetlana Jevrejeva, do Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido.
Hull, cidade na Inglaterra.
No ano passado o Dr. Hugh Ellis, líder da Associação de Planejamento Urbano do Reino Unido (TCPA), fez um alerta ressaltando que comunidades britânicas como Hull poderiam correr um grande risco caso o nível do mar aumentasse em cerca de 1,2 metros.
O Dr. Ellis disse: “Há uma ou duas pessoas no Departamento para Comunidades e Governo Local analisando este tema, mas elas estão se planejando para um aumento de 60 centímetros até 2100. No entanto, a ciência indica que a elevação será de pelo menos o dobro disso.”
“Nós precisamos pensar em mover a população e estabelecer novas comunidades. Precisamos refletir e avaliar se estas cidades realmente têm um futuro.” (yahoo)

Aquecimento global e orçamento de carbono


A utilização dos combustíveis fósseis gerou muita riqueza nos últimos 240 anos. O uso de carvão mineral (depois petróleo e gás) forneceu a energia necessária para implementar o modelo de produção de bens e serviços em larga escala, desde o início das operações da máquina a vapor, aperfeiçoada por James Watt, em 1776. A Revolução Industrial e Energética propiciou uma grande elevação no padrão de consumo e de vida da população mundial. A esperança de vida ao nascer que estava em torno de 25 anos em 1800, ultrapassou os 70 anos no início do século XXI.
Mas a queima dos combustíveis fósseis também gerou um problema novo e inédito, nos últimos milhões de anos, que é o aumento da concentração de CO2 na atmosfera. Antes da decolagem da sociedade urbano-industrial a concentração de CO2 estava abaixo de 280 partes por milhão. As medições mostram que em 1860 a concentração atingiu 290 ppm. Em 1900 estava em 295 ppm. Chegou a 300 ppm em 1920 e atingiu 310 ppm em 1950. Em cerca de 150 anos o aumento foi de 30 ppm. Mas no ano 2000 chegou a 370 ppm e ultrapassou definitivamente as 400 ppm em 2016. Até 2020 vai ultrapassar 410 ppm. Ou seja, em 70 anos o aumento deve ficar em 100 ppm, mais de o triplo do período inicial da Revolução Industrial. As emissões anuais de CO2 passaram de cerca de 250 milhões de toneladas em 1880 para cerca de 10 bilhões de toneladas apenas pela queima de combustíveis fósseis em 2015 (um aumento anual de 40 vezes). Quanto mais carbono na atmosfera, maior é o efeito estufa e maiores são as temperaturas.
O gráfico mostra que existe uma relação muito forte entre as emissões de carbono e o aumento da temperatura global. Entre 1880 e 1900 a temperatura estava 0,2°C abaixo da média da temperatura do século XX. Entre 1901 e 1950 a média da temperatura ficou 0,15°C abaixo da média do século passado e entre 1951 a 2000 ficou 0,15°C acima da média. Porém, o ano de 1998 foi o mais quente do século XX e ficou 0,63°C acima da média secular. E o que estava ruim, piorou muito no século XXI, pois a temperatura em 2015 ficou 0,9°C acima da média e no primeiro semestre de 2016 ficou 1ºC acima da média do século XX. Veja no link o gráfico mostrando o aumento da temperatura nos últimos 20 mil anos (Earth Temperature Timeline).
Em 29/09/16 um grupo de sete renomados cientistas climáticos liderados por Robert Watson, ex-presidente do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, lançaram um documento (ver link abaixo) afirmando que é praticamente nula a chance de manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. Os cientistas apoiam o Acordo de Paris, mas acham que o ritmo de cortes nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), propostos nas INDCs, é totalmente insuficiente. Segundo Watson, na trajetória atual, o mundo pode chegar a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais em 2030 e em 2ºC até 2050. Certamente, se isto ocorrer, o nível do mar deve subir em torno de 2 metros até 2100, inundando várias cidades e áreas férteis.
Portanto, é necessário reduzir urgentemente as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Os seres humanos já lançaram 1,9 trilhões de toneladas de carbono na atmosfera. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), para evitar o pior cenário, o mundo só pode emitir, entre 2012 e 2100, 1.000 gigatoneladas (Gt) de CO2. Em termos médios, isso significa que o mundo só pode liberar no máximo 11,3 GtCO2 por ano até 2100. O problema é que as emissões estão atualmente em torno de 40 GtCO2, o que dá uma ideia do tamanho do desafio para fazer essa redução.


Relatório da UNEP, de 03/11/2016 (um dia antes da entrada em vigor do Acordo de Paris), diz que o mundo ruma para uma temperatura de 2,9º a 3,4º C até o final do século, mesmo se as INDCs do Acordo de Paris forem cumpridas. As emissões previstas para 2030 estão de 12 a 14 gigatons acima dos níveis necessários para limitar o aquecimento global a 2ºC.
Assim, o chamado “orçamento de carbono” não está sendo cumprido. As INDCs do Acordo de Paris são insuficientes para resolver o tamanho do desafio. O Brasil, por exemplo, fez uma opção errada por investir bilhões de dólares na exploração do pré-sal, que é uma alternativa cara, poluidora e que vai agravar as emissões de CO2. Se o dinheiro investido na exploração de combustíveis fósseis de águas profundas fosse utilizado na produção de energia eólica e solar, de forma descentralizada e com base no desenvolvimento local, o país teria limpado sua matriz energética e evitado tantos escândalos de corrupção como apontado pela operação Lava-Jato. Outra promessa não cumprida pelo governo é relativa à meta de reduzir o desmatamento da Amazônia. A taxa de desmatamento foi de 7 mil km2 em 2010, atingiu o nível mais baixo (4,5 mil km2) em 2012 e voltou a subir nos anos seguintes 5.891 km2 em 2013, 5.012 km2 em 2014 e 6.207 km2 em 2015. E as informações preliminares apontam para uma continuidade do aumento do desmatamento e das queimadas em 2016.
Além da emissão de CO2 em função da queima de combustíveis fósseis, outra fonte importante do efeito estufa é a emissão de metano pela pecuária. Estudo do Chatham House, o Real Instituto de Relações Internacionais do Reino Unido, indica que cerca de 15% dos poluentes que levam ao aquecimento global são provenientes da pecuária — seja pelo metano da digestão e estrume dos animais, ou pela produção de culturas para alimentação. Uma dieta vegetariana ou vegana poderia contribuir com a redução das emissões de GEE.
Caso realmente a temperatura chegue a 2ºC por volta do ano 2050, então o mundo pode entrar em um terreno perigoso, pois o aumento da temperatura provocará a queima de florestas e vegetações que vão liberar mais CO2 na atmosfera, além do degelo do Ártico e das áreas próximas ao polo norte que podem liberar o metano do permafrost (solo permanente congelado). Este processo pode liberar na atmosfera um gigantesco volume de metano e de dióxido de carbono.
Cientistas integrantes do Permafrost Carbon Research Network calculam que, nos próximos 30 anos, cerca de 45 bilhões de toneladas métricas de carbono originado do metano e do dióxido de carbono chegarão à atmosfera quando o permafrost degelar ao longo dos verões. Por volta de 2100, os pesquisadores preveem um cenário ainda mais sombrio: daqui até lá, 300 bilhões de toneladas métricas de carbono deverão ser liberados do permafrost, constituindo uma verdadeira bomba-relógio que vai acelerar o aquecimento global e a elevação do nível dos oceanos.
Assim, as emissões atuais podem aquecer em tal grau o Planeta que gere um efeito de retroalimentação e a emissão de GEE continue, mesmo depois da redução das emissões próprias das atividades antrópicas. Por conta disto, a pesquisadora americana Carolyn Snyder disse que a temperatura terrestre nos próximos milênios subiria cerca de 5°C mesmo se emissões de carbono parassem hoje e poderia chegar a 9ºC. caso as emissões de GEE fossem mantidas. Mesmo considerado exagerado, o estudo mostra a dramaticidade da situação quanto analisada no longo prazo.
O fato é que a concentração de CO2 no mundo já ultrapassou 400 ppm e o aquecimento pode ultrapassar 2ºC já em 2050. Isto vai exigir uma mudança radical da matriz energética, uma diminuição do impacto da pecuária e o aumento das áreas verdes. Porém, artigo publicado no blog #SavetheTrees mostra que o mundo planta 5 bilhões de árvores por ano e desmata 15 bilhões de árvores. São duas árvores derrubadas para cada habitante da Terra, um enorme holocausto biológico que dificulta a captura de carbono.
Quando maior for a procrastinação no corte das emissões mais caras e penosas serão as opções futuras. Depois da temperatura atingir 2º C o mundo terá de fazer emissões negativas, ou seja, desenvolver tecnologias de captura e armazenagem de carbono (CCS). O custo futuro para limpar o que a humanidade sujou nos últimos 240 anos será enorme. É por isto que Ulrich Beck, no livro, Sociedade de Risco, diz: “No novo conflito ecológico, por outro lado, o que está em jogo são negatividades: perdas, devastação, ameaças”. E, diante dos rendimentos decrescentes e das externalidades negativas, Herman Daly afirma: “Teremos, então, o que denomino crescimento deseconômico, produzindo ‘males’ mais rapidamente do que bens – tornando-nos mais pobres, e não mais ricos”. Crise econômica e crise ambiental podem gerar uma grande crise social e o aumento da violência.
Em síntese, a velocidade de emissão de carbono e outros GEE atualmente é, pelo menos, dez vezes maior do que a do pico natural de aquecimento global ocorrido há 56 milhões de anos, quando as temperaturas médias da Terra subiram 5º C. (Stassen, 08/02/2016). Ou seja, ou reduzimos drasticamente as emissões de GEE ou vamos desaparecer como os dinossauros. A diferença é que os dinossauros não tiveram culpa pelas mudanças climáticas daquele tempo. (ecodebate)

Acordo de Paris limita aumento da temperatura em até 2ºC


COP22 quer tirar do papel o Acordo de Paris que limita aumento da temperatura em até 2ºC.

COP22, em Marrakesh (Marrocos), quer tirar do papel o Acordo de Paris que limita o aumento da temperatura do planeta.
A 22ª edição da Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas (COP22) em Marrakesh, Marrocos, precisa sair do plano das boas intenções e tirar do papel o Acordo de Paris, se o mundo realmente quiser limitar o aumento da temperatura do planeta em até 2ºC em relação aos níveis pré-industriais.


Ambientalistas e entidades do setor ressaltam a importância simbólica e política para o mundo da COP21 na capital francesa, quando todos os 195 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovaram o acordo, depois de 20 anos de negociações desde a primeira conferência. O desafio agora é conseguir consenso sobre as regras.
O secretário executivo do Observatório do Clima, Carlos Hittl, ressaltou que uma questão relevante é garantir que as metas de redução de emissões, que são estabelecidas domesticamente, sejam reais e não números fictícios para venda de créditos.
“A COP de Paris foi o ponto de partida. A COP de Marrakesh tem por missão começar a implementar o Acordo de Paris, definir as regras e procedimentos, financiamentos, mecanismos de monitoramento e fiscalização efetivos, com transparência”. Em 2023 está previsto o primeiro balanço da aplicação das promessas. O pacto entrou em vigor na semana passada, depois de ter sido alcançado o quórum suficiente de países que ratificaram o acordo, entre eles o Brasil.
De acordo com o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Everton Lucero, o principal objetivo do Brasil nesta conferência será atrair investimentos para setores alinhados com as metas de redução de carbono, como os de agricultura de baixo carbono, de reflorestamento e recuperação e de energias renováveis. “Vamos buscar parcerias e cooperação internacionais que apoiem nossa estratégia”, disse ele. “O mercado não vai resolver o problema, mas vai facilitar a implementação das metas”.
Outro ponto fundamental é a ajuda aos países mais pobres para que consigam implementar políticas de redução de desmatamento e poluição. Ficou acordado que entre 2025 e 2030 seria mantido um Fundo Climático com US$100 bilhões por ano para financiar projetos sustentáveis. “É necessário que se avance em como esse montante de dinheiro será assegurado, como os países mais ricos vão dar esse aporte. Precisamos ter até 2020 dez vezes desse montante por ano”.
Para a presidente do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), Suzana Kahn, tanto essa conferência quanto as de 2017 e 2018 serão mais burocráticas. “Por exemplo, é preciso uniformizar o método de monitoramento de reduções de carbono, pois cada país colocou sua proposta, com ano base diferente, soma diferente. O mesmo vale para o monitoramento do fluxo de capitais para financiamento, que tem que ser transparente”, afirmou. “Para evitar que muitos países que precisam contribuir para o fundo coloquem na conta ajudas humanitárias que já costumam fazer”.
O diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), André Guimarães, também concorda que são muitas questões e centenas de interesses nacionais distintos, mas que a situação do planeta exige pressa. “Temos menos tempo e mais trabalho a ser feito. Este momento mais crítico exige um compromisso e um esforço da humanidade muito maior do que foi feito até agora e teremos que ser mais criativos também”, comentou. “Já estamos vendo uma série de ventos climáticos extremos, empresas já estão preocupadas, pois áreas de produção agrícolas hoje estão sofrendo com a falta de chuva, ilhas do Pacífico já começaram a perder território. Precisamos ser mais proativos”.
Brasil
O Brasil ratificou em setembro o acordo, e os objetivos da Contribuição Nacionalmente Determinada (INDC) agora são lei, com a aprovação do texto pelo Congresso Nacional. O país se compromete no documento a reduzir 37% nas emissões de CO2 até 2025 em relação aos níveis de 2005 e 43% até 2030. Outras metas brasileiras são aumentar a participação de bioenergia sustentável na matriz energética para aproximadamente 18%, restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, bem como aumentar em 45% a participação de energias renováveis na composição da matriz energética até 2030.
O Ministério do Meio Ambiente chegou a anunciar em setembro que apresentaria um rascunho do plano de implementação na COP22, mas voltou atrás. Segundo Lucero, o rascunho será apresentado no final de novembro e discutido com a sociedade ao longo do primeiro semestre do ano que vem. O processo de consultas será concluído em junho, e o documento final deve estar pronto em julho.
“Queremos que a estratégia tenha a contribuição dos ministérios de Minas e Energia, da Agricultura e do Planejamento e da Fazenda, por isso precisamos dar tempo a eles para que possam reagir e contribuir”, afirmou. “A partir da divulgação do rascunho, teremos diálogos estruturados com os setores econômicos relevantes, de acordo com nosso perfil de emissões, pela internet e em reuniões e seminários com cada setor”, acrescentou Lucero.
Além do Brasil, 61 países já ratificaram o texto, incluindo os maiores poluidores do planeta: os Estados Unidos e a China. De acordo com a conta oficial de emissões da Convenção do Clima, o Brasil responde por cerca de 2,5% de todas as emissões do planeta, que o deixa entre os dez maiores poluidores do mundo, embora bem atrás da China (responsável por cerca de 20% das emissões) e dos Estados Unidos (17,89%). (ecodebate)

Churrasco de domingo é vilão do aquecimento global


Para especialistas, ‘churrasco de domingo’ é vilão do aquecimento global.

Observatório do Clima diz que a carne, desde a criação do gado até a mesa, é responsável pela liberação de grande quantidade de gases que causam o aquecimento global. 
A picanha, a fraldinha e a maminha, bem salgadas, feitas na brasa, símbolos de um bom churrasco, estão se tornando inimigas do clima. É que a carne, desde a criação do gado até a mesa do brasileiro, é responsável pela liberação de grande quantidade de gases que causam o aquecimento global, segundo o Observatório do Clima (OC) – rede que reúne 40 organizações da sociedade civil. A recomendação é que o consumo de carne de boi seja menor e a produção mais eficiente.
Os impactos causados pela agropecuária são responsáveis por 69% das emissões de gases de efeito estufa do Brasil. Estão incluídos na conta poluentes decorrentes do processo digestivo e dejetos de rebanhos, o uso de fertilizantes e o desmatamento (43% das emissões nacionais).
Os números são do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima, divulgados no Rio de Janeiro.
De acordo com a coordenadora de Clima e Agropecuária do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola  (Imaflora), Marian Piatto, que integra a rede do observatório, somente o gado de corte é responsável por 65% das emissões de gases de efeito estufa na agropecuária.
Ela explica que um dos problemas está no sistema digestivo dos animais com dificuldades de processar o capim. “O gado bovino, quando se alimenta do capim, explicando de uma maneira bem simples, elimina metano por meio do arroto e do pum. Não é como nos carros, que vemos uma fumaça cinza, mas são poluentes”.
Marina lembra que o país tem um dos maiores rebanhos do mundo, cerca de 200 milhões de animais, o que agrava o problema. “É quase um por pessoa”, comparou.
Para chegar aos 69% das emissões nacionais do setor agropecuário, o coordenador do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa, Tasso Azevedo, acrescenta que, além dos problemas com o gado, entram na conta o transporte da carga, que, na maioria das vezes, usa diesel, o mais poluente dos combustíveis e o desmatamento para criação de pasto. Na Amazônia, onde avança o uso de terras para a atividade, é comum a ocupação de áreas derrubadas com o gado, denunciou Eron Martins, do Instituto Imazon.
“A relação entre a pecuária e o desmatamento é muito estreita porque a pecuária tem uma fluidez econômica muito rápida, o que facilita colocar a pecuária nos locais de expansão (desmatadas) para ter o direito daquela área mais tarde”, disse Martins. Ele contou que é comum a extração de madeira deixar áreas degradadas que, em seguida, acabam revertidas em pasto.

Soluções visam reduzir emissões
Segundo os especialistas, às vésperas de o acordo de Paris entrar em vigor em 2017, com metas para limitar o aumento da temperatura no planeta, há espaço na agropecuária para redução das emissões, como melhor manejo de pastagens e menor uso de fertilizantes. O governo, por sua vez, deve atrelar a concessão de subsídios, como o Plano Safra, às contrapartidas ambientais. Os ambientalistas, porém, são unânimes em recomendar menor consumo de carne.
“Cada bife que a gente come é responsável por impacto ambiental. Não comemos camarão e lagosta todo o dia, por que temos a necessidade de comer uma quantidade diária de carne bovina?”, questionou Marina. Uma meta internacional para tornar a carne brasileira mais sustentável foi descartada porque o destino de 80% do gado do país é a mesa do brasileiro, disse.
Para quem pensar em adiar uma mudança de hábitos à mesa, Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, alerta que o aquecimento global é responsável por ondas de calor, com sensação térmica de 50º, como no verão, no Rio de Janeiro, falta de chuvas, como em São Paulo, e desastres ambientais. “A gente está falando de qualidade de vida e de economia, mudanças climáticas são um risco para um país que depende da agricultura e da pecuária”, afirmou.
CNA questiona números
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) questionou os dados e disse que a conta do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa é uma “visão parcial” da produção.
“Se a gente for levar em conta que o Brasil emite menos de 4% das emissões globais, que o sistema leva em conta as emissões e não o balanço, se a gente considerar os esforços empreendidos para redução das emissões no Brasil – que vêm diminuindo – e o comprometimento da propriedade rural na conservação da biodiversidade, no estoque de carbono e na recuperação de áreas degradas, [poderá constatar] que a agropecuária é uma atividade muito menos impactante do que se pintou no relatório”, afirmou o coordenador de Sustentabilidade, Nelson Ananias Filho.
“Precisamos promover políticas de recuperação de pastagens em degradação para aumentar produtividade e emitir menos gases, produzindo comida e o nosso churrasco de fim de semana”. Nelson confirma que uma pastagem bem manejada sequestra até 90% de toda emissão da pecuária.
Para incentivar o setor, o Ministério da Fazenda, por meio do Plano Safra, apresenta aos produtores técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de produção sustentável.
“Para o governo, é inviável financiar toda mudança tecnológica do setor. O que fazemos é mostrar as coisas que estão na prateleira e que são viáveis”, disse o coordenador-geral de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Aloisio Lopes Pereira de Melo. (ecodebate)

Super El Niño não para de ganhar força

Super El Niño não para de ganhar força e tem data atualizada para atingir pico máximo. O Super El Niño de 2026 deve atingir seu pico máximo ...