quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Efeitos rápidos das mudanças climáticas nas plantas e seus ecossistemas

Pesquisa documenta os efeitos rápidos das mudanças climáticas nas plantas e seus ecossistemas.
Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu que as mudanças climáticas estão alterando drasticamente as comunidades de plantas terrestres e seus ecossistemas, em um ritmo tão rápido que ter uma linha de base estável para realizar experimentos está se tornando cada vez mais difícil.
Em um artigo intitulado “Ambient changes exceed treatment effects on plant species abundance in global change experiments”, publicado recentemente na revista Global Change Biology, o autor Adam Langley, PhD e coautor Samantha K. Chapman, ambos os professores adjuntos do Departamento de Biologia de Villanova.
Juntamente com uma equipe de 16 pesquisadores, documentaram descobertas que compararam a abundância de plantas ambientais (crescendo em condições naturais) com plantas em parcelas experimentalmente tratadas com dióxido de carbono elevado, nutrientes, água e aquecimento para simular futuras mudanças ambientais.
Os pesquisadores compararam a mudança na abundância de plantas ambientais para as tratadas. Usando um banco de dados de estudos de mudança global de longo prazo em um período de 30 anos, a equipe estimou a abundância de plantas em 791 espécies de plantas em parcelas ambientais e tratadas em 16 experimentos de mudança global em longo prazo, gerando 2.116 combinações de experimento-espécies-tratamento. Os resultados foram surpreendentes.
Para a maioria das espécies (57%), de acordo com o artigo, a magnitude da mudança ambiental foi maior do que a magnitude dos efeitos do tratamento – o oposto do resultado esperado pelos pesquisadores.
“Uma preponderância de evidências sugere que a mudança climática está alterando drasticamente as comunidades de plantas terrestres”, afirma o artigo.
A publicação do artigo sobre a Biologia da Mudança Global é particularmente oportuna dada a publicação em 07/10/18 do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas sobre mudanças climáticas.
Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu que as mudanças climáticas estão alterando drasticamente as comunidades de plantas terrestres e seus ecossistemas, em um ritmo tão rápido que ter uma linha de base estável para realizar experimentos está se tornando cada vez mais difícil.
“O relatório do IPCC afirma que já estamos na metade do caminho para o limite de aquecimento de 1,5°C, acima do qual teremos efeitos globais severos”, disse Langley. “Com as políticas atuais, é provável que superemos esse limite nos próximos 20 anos.”
Isso sinaliza que mudanças ainda mais dramáticas nas comunidades de plantas seriam esperadas nas próximas décadas, disse Langley. “Localmente, muitas espécies de plantas que estamos acostumadas a desaparecer, e as novas vão tomar seus lugares à medida que as populações de plantas migram, se ajustam ou se extinguem. O que esta grande mudança significa para o nosso planeta continua a ser visto”.
“Uma das principais conclusões do relatório do IPCC que apoia nossas descobertas é que as mudanças em muitos ecossistemas podem estar acontecendo mais rapidamente do que pensávamos”, concordou Chapman. “As plantas estão mudando sob nossos pés enquanto tentamos prever o futuro”.
O artigo aponta que os humanos estão alterando muitos dos fatores que controlam quais plantas são bem-sucedidas e quais fracassam. Por exemplo, a concentração ambiental de dióxido de carbono na atmosfera é agora cerca de 50% maior do que nos tempos pré-industriais. No final deste século, a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera poderia triplicar o nível pré-industrial, de acordo com Langley.
“As plantas são a base da cadeia alimentar e impulsionam o ciclo do carbono, os ciclos de nutrientes e os ciclos da água em que nos baseamos”, disse Langley. “Quando as espécies de plantas mudam, tudo o que há no ecossistema pode seguir.”
Relação da precipitação com a distribuição das comunidades florestais.
Ele acrescentou: “Estamos tentando simular como será a Terra Futura com a mudança global, mas, a mudança climática e a poluição por nutrientes estão mudando os ecossistemas tão rapidamente que é difícil experimentar além dessas mudanças. Diante de mudanças ambientais contínuas, nossos experimentos podem ser como ‘rearranjar espreguiçadeiras no Titanic’”. (ecodebate)

Organizações firmam compromisso para eliminar a poluição por plásticos


250 organizações firmam compromisso global para eliminar a poluição por plásticos em sua origem.
Um compromisso global para erradicar o desperdício e a poluição por plásticos em sua origem foi assinado por 250 organizações incluindo alguns dos maiores fabricantes, marcas, varejistas e recicladores de embalagens do mundo, além de governos e ONGs.

ONU
O Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico (fruto da iniciativa New Plastics Economy) é liderado pela Ellen MacArthur Foundation, em colaboração com a ONU Meio Ambiente, e será oficialmente lançado na Our Ocean Conference em Bali (29/10/18).
Seus signatários incluem empresas que juntas representam 20% de todas as embalagens plásticas produzidas globalmente. Entre elas, estão empresas de bens de consumo conhecidas, como: Danone, grupo H&M, L’Óréal, Mars, Incorporated, Natura Cosmetics, PepsiCo, The Coca-Cola Company e Unilever, além de importantes fabricantes de embalagens como Amcor, fabricantes de plásticos incluindo a Novamont, e a especialista em gestão de recursos Veolia (lista completa em anexo).
O Compromisso Global e sua visão para uma economia circular do plástico são apoiados pelo World Wide Fund for Nature (WWF), e foram endossados pelo Fórum Econômico Mundial, The Consumer Goods Forum (uma organização liderada por CEOs representando cerca de 400 varejistas e fabricantes de 70 países), e 40 universidades, instituições e acadêmicos. Mais de quinze instituições financeiras com mais de $2.5 trilhões em ativos sob gestão também endossaram o Compromisso Global, e mais de $200 milhões foram assegurados por cinco fundos de investimento para criar uma economia circular para o plástico.
O Compromisso Global tem como objetivo criar uma nova realidade para as embalagens plásticas. As metas serão revisadas a cada 18 meses, e se tornarão ainda mais ambiciosas nos próximos anos. As empresas que assinarem o compromisso publicarão anualmente dados indicativos do seu progresso a fim de gerar impulso e garantir transparência.
O documento quer introduzir uma “nova norma” para embalagens plásticas.
As metas incluem:
• Eliminar embalagens plásticas problemáticas ou desnecessárias e migrar de modelos de uso único para modelos de reuso.
• Inovar para garantir que 100% das embalagens plásticas possam ser reutilizadas, recicladas ou compostadas com facilidade e segurança até 2025.
• Circular o plástico produzido, aumentando consideravelmente a quantidade de plásticos reutilizados ou reciclados e transformados em novas embalagens ou produtos.
Eliminar os plásticos desnecessários ou problemáticos é uma parte essencial da visão do Compromisso Global, e facilitará a manutenção dos plásticos remanescentes na economia e fora do meio ambiente.
Dame Ellen MacArthur, fundadora da Ellen MacArthur Foundation, declarou: “Sabemos que limpar as nossas praias e oceanos é essencial, mas isso não impede a maré de plásticos que invade os oceanos todo ano. Nós precisamos redirecionar o nosso olhar para a origem desse fluxo. O Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico é um divisor de águas, com empresas, governos e outros ao redor do mundo se unindo em torno de uma visão clara do que precisamos para criar uma economia circular do plástico. Esse é apenas um passo no que será uma jornada desafiadora, mas um que poderá gerar grandes benefícios para a sociedade, a economia e o meio ambiente. Eu encorajo todas as empresas e governos a irem além e embarcarem em uma trajetória de inovação na criação de uma economia circular do plástico. Uma em que esse material nunca se torne resíduo ou poluição.”
Pavan Sukhdev, Presidente da WWF International, afirmou: “A crise do plástico só poderá ser solucionada com o esforço conjunto de todos os atores chave do sistema. A estratégia do World Wide Fund for Nature (WWF) para os plásticos é de promover, ampliar e acelerar um conjunto interligado de iniciativas pela mudança; por isso estamos trabalhando com outras organizações chave, como a Ellen MacArthur Foundation, para transmitir uma mensagem conjunta sobre os nossos ambiciosos compromissos compartilhados, e para desenvolver as ferramentas necessárias para cumprí-los em parceria com empresas, a sociedade civil, os governos e os cidadãos. A WWF, portanto, apoia o Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico, por considerar que é um importante passo para unir os esforços de empresas e governos ao redor do mundo em prol de soluções sistêmicas.”
A ONU Meio Ambiente, que lidera a Global Partnership on Marine Litter e sua Campanha Mares Limpos, também lançou no mês passado a Global Plastics Platform para apoiar esforços internacionais tratando da poluição por plásticos. A organização declarou que usaria seu poder de mobilização para promover o engajamento de governos e outros atores chave com o Compromisso Global. Os governos que assinam o Compromisso Global se comprometem a estabelecer políticas públicas e condições viabilizadoras para apoiar as suas metas e visão.
Dito por Erik Solheim, Diretor Executivo: “O plástico nos oceanos é um dos exemplos mais visíveis e perturbadores da crise da poluição por plásticos. O Compromisso Global da Nova Economia do Plástico é um dos conjuntos de metas mais ambiciosos que já vimos até hoje na luta para combater a poluição por plásticos. Ele define os passos a serem dados por empresas e governos a fim de encontrar uma solução para a origem da poluição por plásticos e nós urgimos a todos os que trabalham para endereçar esse problema global que o assinem.” (ecodebate)

Coleta de lixo eletrônico será permanente para empresas de informática do Rio de Janeiro

Lixo eletrônico
O Sindicato das Empresas de Informática do Estado do Rio de Janeiro (TI Rio) decidiu transformar a campanha de responsabilidade social de coleta de lixo eletrônico, que ocorria anualmente no mês de junho, em ação permanente. Resolução anunciada em 25/10/18 pela entidade representativa do setor.
A partir de agora, as empresas poderão solicitar a coleta gratuita durante todo o ano. Para isso, terão que agendar o serviço pelo e-mail diretoria@ti.rio.
Segundo a direção do TI Rio, o objetivo é estimular a adoção de práticas mais sustentáveis pelas empresas de informática do estado. “O TI Rio entende que, além da redução de custos e consequente vantagem econômica, a sustentabilidade também se apresenta como vantagem competitiva, na medida em que demonstra a responsabilidade empresarial no que tange aos aspectos sociais e ambientais, reforçando a imagem da organização com relação à ética”, diz o TI Rio.
Podem ser descartados computadores, monitores, celulares, baterias, entre outros.
Acumulado
No acumulado das campanhas de coleta feitas pelo TI Rio desde 2012, foram recolhidas 19 toneladas de lixo eletrônico, às quais foi dada destinação correta, pela organização Futura Ambiental, parceira do sindicato no projeto. A expectativa é que esse número cresça com a transformação do serviço de coleta em ação permanente.
O material que pode ser aproveitado é distribuído pela Futura Ambiental para instituições que atendem menores e para outras instituições carentes e o que não é aproveitado tem descarte consciente.
Podem ser coletados computadores e servidores completos; gabinetes; mouse; teclado; caixas de som; estabilizador/nobreak; fontes adaptadoras; cabos; drivers diversos; fontes de microcomputadores; impressoras; aparelhos de DVD/vídeo; telefone e fax; centrais telefônicas; placa mãe; notebook; placa de vídeo, som, rede; memória; processadores; HDs; celulares e máquinas fotográficas.
O aumento do lixo eletrônico está ligado diretamente às relações de consumo / descarte da população.
De acordo com o TI Rio, não serão aceitos na coleta pilhas; toners, lâmpadas e equipamentos de linha branca, como geladeiras e fogões. (ecodebate)

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Crise hídrica histórica ameaça 600 milhões de pessoas na Índia

Uma viagem pelo norte da Índia revela que a água subterrânea está desaparecendo.
Os parceiros de caminhada de Paul Salopek, Verinder Singh (à direita) e Siddharth Agarwal (ao fundo, bebendo água) se abastecem de água com uma carreta que passava pelo local.
“VOCÊS FAZEM algum truque de mágica?”, perguntam os camponeses que nos assistem passar debaixo do sol ofuscante no Deserto de Thar. Atravessamos a Índia em um burro de carga. Moradores nos confundem com artistas vagabundos, charlatões ambulantes e nômades de circo. A resposta é óbvia: sim, sabemos fazer mágica. Na verdade, todo mundo sabe.
O segredo está na água.
Os seres humanos são como poços móveis de água levemente salgada. Toda criança sabe, nossos corpos possuem a mesma fração de água—71%—da parte da superfície da Terra coberta pelos oceanos. Não há mistério nenhum nisso. Somos animais feitos de água em um planeta água. A água está em todos os lugares e ao mesmo tempo em lugar nenhum. Ela é um composto inquieto—transitório, agitado, está sempre em movimento. Sua forma muda constantemente de gasosa para líquida, depois para sólida e volta novamente. (Até mesmo congelada no Polo Sul em uma profunda calota de gelo com mais de dois quilômetros e um milhão de anos, ela ainda flui, mesmo que lentamente).
O oceano contém 97,25% de toda água do mundo. Os polos e geleiras detém 2%. E a absurdamente pequena gota potável que nos resta—os preciosos 0,75% de água doce líquida da qual o Homo sapiens depende para sobreviver—esbanjamos como loucos delirando no deserto.
A Índia é um país de 1,3 bilhão de habitantes e metade da população sofre com a crise hídrica. Mais de 20 cidades—Delhi, Bangalore e Hyderabad, entre outras—engolirão a seco todos os seus aquíferos nos próximos dois anos. O resultado disso será milhões de pessoas vivendo sem água subterrânea. Agricultores em Punjab, uma das principais regiões produtoras de cereais, reclamam que seus lençóis freáticos reduziram em 12, 18 ou 30 metros em apenas uma geração. A herança hídrica acumulada desde a última Era Glacial, por milhares de anos, vem sendo extraída incansavelmente pela agricultura industrial, a chamada Revolução Verde. E qual a solução proposta pelo governo?
Construir mais represas de grande porte (a Índia já tem 5 mil delas) e recanalizar o curso dos rios para matar a sede das regiões secas. Entretanto, as essenciais chuvas das monções aumentam de forma irregular devido às mudanças climáticas. E a demanda por água doce aumenta com os 16 milhões novos seres humanos que nascem a cada ano.
“E a conservação?  Ninguém fala sobre isso”, conta Arati Kumar-Rao, minha parceira de caminhada e fotógrafa da natureza que viveu com os agricultores da terra seca do Thar.
Poços centenários como esse marcam o Deserto de Thar em Rajastão.
A tecnologia de captação de água da chuva dos moradores do deserto da Índia é antiga e complexa. Eles observam cuidadosamente a rotação que ocorre na terra, notando leves depressões denominadas aagor—zonas de captação de chuva. Eles canalizam as escassas chuvas nesses declives quase imperceptíveis para tanques temporários chamados khadeen. Esses reservatórios abastecidos pela chuva foram cultivados durante séculos, talvez milênios, sem irrigação, gerando culturas resistentes à seca, como o painço.
Kumar-Rao e eu paramos em um poço no deserto. O sol é tóxico. Está 45°C. Estamos com sede. Passo um balde de lata pelo alçapão. Escuto um respingo. Puxo aquele peso maravilhoso pela corda.
Ah!” grita um homem. “O que vocês estão fazendo?”.
Ele saiu de uma cabana. Um pastor. Essa água da chuva é dele, coletada de forma radial, de muitos hectares próximos dali rachados pelo sol, nesse buraco cavado a mão. Ele diz que podemos beber o que quisermos—esse é um direito adquirido por todos os viajantes—mas não podemos usar para lavar nada.
Quando chegou a hora de Kumar-Rao e eu seguirmos caminhos diferentes, na cidade de peregrinação de Salasar, ela afundou seus pés machucados em um balde de líquido transparente.

O conforto da água dentro da água.
Siddharth Agarwal mede o nível de fluoreto da água nos poços dos vilarejos do Deserto de Thar.

Um átomo de oxigênio. Dois átomos de hidrogênio.
As moléculas da água são curvadas como a ponta de uma flecha, como um cotovelo. Com isso, elas possuem certa polaridade, uma carga infinitesimal, que juntas dão forma ao mundo. Elas são o solvente mágico, que une e dissolve as células do cérebro, as montanhas, o vapor do café matinal, as placas tectônicas.
Caminhei pelos contornos do Deserto de Thar.
Passei por vilas nas quais os diferentes usos da água estão silenciosamente intoxicando as pessoas. Antigamente, somente a água de chuva da superfície era suficiente para atender as demandas da humanidade. Hoje em dia, a agricultura moderna e o crescimento populacional marcam a terra com milhares de poços perfurados: capilares perfurados por máquinas cujas bombas extraem profundamente a água subterrânea. Contudo, esse tipo de abastecimento, antigamente inviável, não é saudável. Ela contém minerais. Fluoreto. Arsênio. Que variam dependendo do local. Isso é somente metade do problema da crise—não a quantidade, mas a qualidade.
“Vocês sabiam que o nível de fluoreto desta água está acima dos padrões de segurança?” pergunta aos camponeses reunidos o meu novo parceiro de caminhada, o ambientalista Siddharth Agarwal.
Agarwal, que viajou milhares de quilômetros à beira de rios da Índia, normalmente faz uma parada para testar a água das bicas dos vilarejos por onde passa. Ele utiliza um dispositivo acoplado em seu smartphone que mede os níveis de fluoreto. Algumas gotas de água são despejadas em um recipiente. Ele tira uma foto. A cor da água, analisada pelo aplicativo, revela o seu conteúdo mineral. Fluoreto em excesso causa a deformação de dentes e ossos.
Os camponeses concordam, sérios. Em geral, eles têm conhecimento sobre o fluoreto. Mas o que podem fazer? As autoridades prometeram um filtro. Enquanto esperam—alguns deles já esperam há anos—eles compram água entregue por um caminhão-tanque, ou bebem o veneno que mata lentamente. Os nossos corpos são poços vivos. Não é possível viver sem água.

“A superfície mais importante não é aquela sobre a qual andamos”, conta Agarwal. “É a camada de água que fica sob os nossos pés.”
Uma mulher trabalha no deserto de sal próximo da antiga cidade de Jaipur, em Ragastão.

Ele vê a paisagem por meio desse prisma em raio-X. As árvores mudam, assim como as plantações e a vida humana mudam, e tudo depende da topografia úmida que fica sob nós. Um submundo líquido que está desaparecendo.
Algumas semanas depois, ao cruzar a bacia do salobro Lago Sambhar próximo da cidade de Jaipur, observei as mulheres trabalhando. Elas ganham três dólares por dia e andam para trás cegamente hora após hora, varrendo o sal por uma extensa planície branca escaldante. A luz cheia de calor engole suas pernas e depois as devolve. Uma visão infernal. O abracadabra amargo de um bruxo. Na verdade, não. A culpa é toda nossa. (nationalgeographicbrasil)

Pesquisa revela quais lugares verão guerras pós-apocalípticas por água

Um relatório das Nações Unidas publicado na semana passada diz que nós temos cerca de uma década para controlar as mudanças climáticas, o que, sejamos honestos, não parece que vai acontecer. Então, arrume suas máscaras e armas, um futuro de Mad Max nos aguarda! Agora, como uma nova pesquisa aponta, nós sabemos até mesmo em que lugares da Terra as inevitáveis guerras pela água vão acontecer.
Deixando de lado o sarcasmo, o documento é bem sério, de verdade.
Publicado hoje no Global Environmental Change, o artigo identifica vários pontos por todo o globo onde “questões hidropolíticas”, nas palavras dos pesquisadores, provavelmente farão tensões geopolíticas emergirem, possivelmente chegando a conflitos.
Os autores do novo relatório, uma equipe do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia (CCI), dizem que os efeitos cada vez maiores das mudanças climáticas, em conjunto com tendências em curso de crescimento populacional, podem disparar instabilidades regionais e inquietações sociais em regiões onde a água potável é escassa e onde nações que fazem fronteira precisam gerir e compartilhar esse recurso.
Obviamente, causas de tensões geopolíticas e conflitos são complexas, mas o novo relatório deixa claro que não devemos subestimar o papel que a água terá no futuro. A competição por recursos aquáticos cada vez menores, dizem os autores, vai exacerbar tensões em uma escala global nas próximas décadas, com certas regiões mais vulneráveis que outras. Mas como os vários fatores que influenciam a demanda por água e sua disponibilidade podem afetar as populações por todo o mundo?
O novo estudo, liderado pelo cientista Fabio Farinosi, do CCI, foi uma tentativa de responder a essa questão crítica e também de criar um modelo que pudesse prever onde e quando as guerras por água podem surgir.
Além de delinear as áreas geográficas e países que têm mais probabilidade de passar por questões hidrossociais, os cientistas do CCI também esperam provocar conversas entre todas as partes envolvidas para evitar conflitos por água antes que eles comecem.
Os Estados Unidos não estão imunes a conflitos relacionados à água. O uso excessivo do rio Colorado foi um dos cinco pontos críticos identificados no novo estudo. Imagem: União Europeia.
A equipe de Farinosi usou uma abordagem com aprendizagem de máquina para investigar os vários fatores que tradicionalmente causam tensões relacionadas à água. Um algoritmo estudou os episódios anteriores de conflitos por recursos aquáticos, e eles não são poucos — dê uma olhada nesse impressionante banco de dados de conflitos relativos à água para ter uma noção de quão comuns são as guerras por recursos hídricos na nossa história.
O algoritmo considera acesso à água doce, estresse climático (dois cenários de emissão de gases do efeito estufa são considerados, um moderado e um extremo), tendências demográficas, pressão humana sobre o fornecimento de água e condições socioeconômicas, entre outros.
Olhando para os resultados, os pesquisadores descobriram que conflitos são mais prováveis de acontecer em áreas onde água “transfronteiriça” está presente, como um lago, uma bacia ou um rio compartilhados, ou quando a água doce é escassa, a densidade demográfica é alta, desequilíbrios de poder estão presentes e o estresse climático existe. Várias áreas potencialmente problemáticas foram identificadas, incluindo cinco pontos: os rios Nilo, Ganges-Bramaputra, Indo, Tigre-Eufrates e Colorado.
Mapa mostrando onde as interações relacionadas à água — boas e ruins — provavelmente acontecerão nos próximos 50 a 100 anos, dadas as tendências atuais da mudança climática e do crescimento populacional.
Em todo o mundo, os pesquisadores descobriram que as temperaturas cada vez mais altas e o crescimento populacional aumentarão as chances de conflitos transfronteiriços entre 75% e 95% nos próximos 50 a 100 anos. Isso não é nada animador, mas, como aponta Farinosi, isso não significa que cada um dos casos vai resultar em conflitos.
“Depende de quão preparados e equipados os países estarão para cooperar”, afirmou o pesquisador em um comunicado. “Esperamos que nossa pesquisa possa ajudar nisso, aumentando a conscientização sobre os riscos para que as soluções sejam buscadas com antecedência.”
Para isso, os pesquisadores do CCI também criaram um índice e um modelo para ajudar a identificar regiões com riscos de escalada de conflitos hidropolíticos. E eles estão trabalhando em uma análise mais aprofundada das bacias hídricas da África em colaboração com instituições locais.
O estudo revela algumas coisas assustadoras sobre nosso futuro, mas há algumas limitações cruciais. Os resultados foram gerados por computador e se baseiam em episódios históricos de conflitos por água. É uma análise normativa que não leva em conta desenvolvimentos futuros, como mudanças geopolíticas que poderiam exacerbar ou aliviar as tendências destacadas no estudo. A análise depende de dois cenários climáticos, mas o futuro pode mudar se começarmos a reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
De qualquer forma, o futuro parece árido. Se esses modelos estiverem corretos e falharmos em resolver as questões antes que elas cresçam, corremos o risco de estratificar ainda mais a população humana. Há muitas questões que nos dividem hoje, e as mudanças climáticas prometem deixar isso ainda pior. (uol)

Nitrogênio para as plantas está diminuindo com o aquecimento do clima

Estudo revela que a disponibilidade de nitrogênio para as plantas está diminuindo com o aquecimento do clima.
Disponibilidade de nitrogênio – A maioria dos ecossistemas terrestres, como florestas e terras que não foram tratadas com fertilizantes, estão se tornando mais oligotróficos.
Pesquisadores descobriram que as mudanças globais, incluindo o aquecimento das temperaturas e aumento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera, estão causando uma diminuição na disponibilidade de um nutriente fundamental para as plantas terrestres. Isso pode afetar a capacidade das florestas de absorver dióxido de carbono da atmosfera e reduzir a quantidade de nutrientes disponíveis para as criaturas que as comem.
“Mesmo que o dióxido de carbono atmosférico seja estabilizado em níveis baixos o suficiente para mitigar os impactos mais sérios da mudança climática, muitos ecossistemas terrestres exibirão cada vez mais sinais de redução de nitrogênio”, disse Andrew Elmore, co-autor do estudo. do Centro de Maryland para a ciência ambiental. “Evitar estes declínios na disponibilidade de nitrogênio enfatiza ainda mais a necessidade de reduzir as emissões de dióxido de carbono causadas pelo homem.”
Embora o foco na disponibilidade de nitrogênio seja frequentemente desenvolvido em regiões costeiras, como a Baía de Chesapeake, que luta contra a eutrofização – escoamento da poluição por nitrogênio de fazendas fechadas e gramados que alimentam as algas e leva à redução do oxigênio nas águas – A história é muito diferente em terras menos desenvolvidas, como as montanhas do oeste de Maryland.
“Essa ideia de que o mundo está inundado de nitrogênio e que a poluição por nitrogênio está causando todos esses efeitos ambientais tem sido o foco de conversas na literatura científica e na imprensa popular há décadas”, disse Elmore. “O que estamos descobrindo é que ele escondeu essa tendência de longo prazo em sistemas sem mudanças causadas pelo aumento do dióxido de carbono e por períodos de crescimento mais longos”.
Pesquisadores estudaram um banco de dados de química de folhas de centenas de espécies que foram coletadas em todo o mundo entre 1980-2017 e descobriram uma tendência global na diminuição da disponibilidade de nitrogênio. Eles descobriram que a maioria dos ecossistemas terrestres, como florestas e terras que não foram tratadas com fertilizantes, estão se tornando mais oligotróficos, o que significa que há poucos nutrientes disponíveis.
“Se o nitrogênio está menos disponível, tem o potencial de diminuir a produtividade da floresta. Chamamos isso de oligotrofização”, disse Elmore. “Na bacia florestal, não é uma palavra muito usada para sistemas terrestres, mas indica a direção em que as coisas estão indo.”
O nitrogênio é essencial para o crescimento e desenvolvimento das plantas. No chão da floresta, os micróbios quebram matéria orgânica, como folhas caídas e liberam nitrogênio no solo. A árvore recupera esse nitrogênio para construir proteínas e crescer. No entanto, como as árvores têm acesso a mais carbono, mais e mais micróbios estão se tornando nitrogênio e liberando menos nutrientes para as árvores.
“Este novo estudo acrescenta a um crescente conhecimento que as florestas não conseguirão sequestrar tanto carbono da atmosfera, como muitos modelos preveem, porque o crescimento da floresta é limitado pelo nitrogênio”, disse Eric Davidson, diretor da Universidade de Maryland. Laboratório Appalachian da Environmental Science. “Esses novos insights usando novas análises isotópicas fornecem uma nova linha de evidências de que diminuições nas emissões de carbono são urgentemente necessárias”.
Nos EUA e na Europa, as regulamentações sobre usinas termoelétricas a carvão reduziram a quantidade de deposição de nitrogênio como consequência das regulamentações do ar limpo que tentam combater a chuva ácida. Ao mesmo tempo, o aumento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera e as estações de crescimento mais longas estão aumentando a demanda de nitrogênio para o crescimento das plantas.
As plantas vão nos salvar do aquecimento global (só que não).
“Há agora várias linhas de evidência que apoiam a hipótese da oligotrofização”, disse o co-autor do estudo, Joseph Craine, um ecologista da Jonah Ventures. “Além do declínio na química das folhas, estamos vendo o gado pastando se tornando mais limitado pelas proteínas, as concentrações de proteína do pólen diminuindo e as reduções de nitrogênio em muitos riachos. Esses pontos estão começando a se conectar a um quadro abrangente de carbono circulando pelos ecossistemas.” (ecodebate)

sábado, 3 de novembro de 2018

Temperatura crescente e atividade humana aumentam as tempestades e as inundações

Temperaturas crescentes e atividade humana estão aumentando as tempestades e as inundações repentinas.
Precipitação e escoamento tempestuoso aumentaram drasticamente em resposta às mudanças climáticas e induzidas pelo homem.
Os furacões Florence e Michael nos EUA e o Super Tufão Mangkhut nas Filipinas mostraram o impacto generalizado e prejudicial dos extremos climáticos em ambos os ecossistemas e comunidades construídas, com enchentes causando mais mortes, bem como perdas de propriedade e agricultura, do que de quaisquer outros perigos severos relacionados ao clima. Essas perdas aumentaram nos últimos 50 anos e ultrapassaram US $ 30 bilhões por ano na última década.
Globalmente, quase um bilhão de pessoas agora vivem em várzeas, aumentando sua exposição a inundações de rios de eventos climáticos extremos e ressaltando a urgência em entender e prever esses eventos.
Pesquisadores da Columbia Engineering demonstraram pela primeira vez que os extremos do escoamento aumentaram drasticamente em resposta às mudanças climáticas e induzidas pelo homem. Suas descobertas, publicadas hoje na Nature Communications , mostram um grande aumento nos extremos de precipitação e de escoamento causados pela atividade humana e pela mudança climática.
A equipe, liderada por Pierre Gentine, professor associado de engenharia de terra e meio ambiente e afiliado ao Instituto da Terra, também descobriu que o escoamento de tempestades tem uma resposta mais forte do que a precipitação a mudanças induzidas pelo homem (mudanças climáticas, mudanças no uso da terra, etc.). Isso sugere que as respostas projetadas dos extremos de temporais de tempestade para mudanças climáticas e antrópicas vão aumentar dramaticamente, representando grandes ameaças ao ecossistema, afetando a resiliência da comunidade e os sistemas de infraestrutura.

Os pesquisadores descobriram que as mudanças nos extremos de escoamento de tempestades, na maioria das regiões do mundo, estão em linha ou acima dos extremos de precipitação. Eles observaram que diferentes respostas de precipitação e escoamento tempestuoso à temperatura podem ser atribuídas não apenas ao aquecimento, mas também a fatores como mudanças no uso e cobertura da terra, manejo da água e da terra e mudanças na vegetação que alteraram as condições de superfície subjacentes, feedbacks hidrológicos que, por sua vez, aumentaram o escoamento da tempestade.
Inundação em Lisboa.

A precipitação é gerada após a condensação do vapor de água na atmosfera, e a intensidade da precipitação é governada pela disponibilidade de vapor de água atmosférico. Como a atmosfera pode conter mais umidade à medida que a temperatura aumenta, os cientistas do clima esperam ver uma intensificação dos extremos de precipitação com a mudança climática.
Como estudos anteriores investigaram principalmente a resposta de precipitação, a equipe de Gentine decidiu examinar a resposta dos extremos de precipitação e de escoamento de tempestades às mudanças causadas naturalmente e antropogenicamente na temperatura da superfície e no conteúdo de umidade atmosférica. Eles realizaram uma análise hidrológica em escala global para caracterizar as respostas e seus mecanismos físicos subjacentes.
Os pesquisadores então avaliaram a influência da variabilidade ao longo de décadas na escala dos extremos de escoamento e temperatura, então compararam sistematicamente com as mudanças nos extremos de precipitação. Seus dados observados de escoamento diário vieram dos conjuntos de dados do Global Runoff Data Center (GRDC), e dados diários de precipitação e temperatura próxima à superfície do ar a partir do conjunto de dados Global Summary of the Day (GSOD).
Cheia em Paris: chuvas incessantes fizeram transbordar o rio Sena no começo do verão europeu.
A precipitação é governada tanto pela termodinâmica (relação do vapor de água com a temperatura) quanto pela dinâmica atmosférica. A equipe de Gentine planeja, em seguida, tentar dividir os impactos da dinâmica e termodinâmica na precipitação para obter uma compreensão mais profunda sobre a intensificação da precipitação. Eles também se concentrarão na detecção de mudanças devido ao aquecimento versus aquelas devidas à atividade humana, a fim de estabelecer um sistema adaptativo de gerenciamento de recursos hídricos. (ecodebate)

El Niño leva aquecimento dos oceanos a território desconhecido

El Niño excepcionalmente forte impulsiona aquecimento global dos oceanos e leva temperatura média da superfície do mar ao maior valor já reg...