sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Insustentabilidade do SUS: Subfinanciamento, Corrupção e Má Gestão

Diante de suas sólidas bases teóricas de fundação, o Sistema Único de Saúde (SUS) deveria ser um dos sistemas mais sustentáveis do país.

Não se tornou sustentável por conta de alguns fatores que descreveremos abaixo, mesmo assim tornou-se um símbolo nacional, assim como o Serviço Nacional de Saúde (NHS, sigla do sistema de saúde da Inglaterra), e se reergueram dos escombros para enfrentar a pandemia do Coronavírus. O NHS foi criado no governo socialista do Reino Unido após a segunda guerra mundial e sempre foi visto como sendo o melhor sistema de saúde do mundo. O SUS sofreu influência do NHS e foi criado por sanitaristas de esquerda do Brasil em 1988.

Os governos de direita tanto no Reino Unido quanto no Brasil, incluindo o governo Bolsonaro, tudo fizeram para destruir estes sistemas. Mas agora com a Pandemia do Coronavírus, perceberam que os hospitais privados, que são privilegiados com os recursos públicos, não tinham condições de enfrentar esta pandemia. O primeiro-ministro do Reino Unido já ofereceu alguns bilhões de dólares ao NHS, depois que foi atingido pelo vírus. Saúde é um bem público e assim deve ser entendido.

Em 2016, o governo Temer comemorou a aprovação pelo Congresso de uma PEC que limitou o teto de gastos, incluindo o SUS. Isto pode ser visto como uma ação criminosa, considerando a redução de direitos da população à saúde e à dignidade humana, além da violência e desrespeito à vida humana.

Com a perda de bilhões, a partir de 2017, o SUS vem mostrando o crescimento da mortalidade causada pela dengue, zika e chikungunha e a sua decadência. Com o coronavírus, não se fala mais na dengue, que está matando como nunca. Se o SUS não está dando conta da dengue, como enfrentar a pandemia do coronavírus? Nesta hora nos causa inveja o espírito público do povo britânico, onde nenhum político é contra o Sistema Nacional de Saúde (NHS, sigla em inglês), ao contrário de nossos políticos que decretaram a morte do SUS. Como salvar o povo destas epidemias, aliviando sofrimentos?

As influências políticas na gestão de saúde no Brasil são desastrosas, a partir da indicação de seus dirigentes que, em geral, não tem a qualificação adequada. Isto começa pelos cargos de ministros da saúde, que nem sempre tiveram uma formação nas nossas Escolas de Saúde Pública, entre as melhores do mundo. Os profissionais destas Escolas têm uma formação profunda em Gestão e Planejamento de Saúde, Políticas Públicas e Sociais, Saúde Pública e Coletiva, além de estudos epidemiológicos. Precisamos de um ministro da saúde com esta formação. Não confundir medicina com saúde. Os idealizadores do SUS, por exemplo, foram profissionais de saúde pública que raramente tiveram a chance de dirigir o sistema. Diante do poderio médico e das influências nocivas, as políticas de saúde no Brasil sempre foram desastrosas, apesar da ligação do SUS com nossas Escolas de Saúde Pública. Assim sendo, a má gestão e a corrupção do sistema ao longo dos anos não foram exceções.

Como explicar a realidade do SUS?

Desde que assumiu o governo, Bolsonaro desrespeita e debocha da ciência e a academia, como prática dos populistas de ultradireita. A indicação de seus três ministros da educação é um deboche à academia. As universidades foram menosprezadas, xingadas e sucateadas. No âmbito do meio ambiente a tragédia teve reconhecimento mundial, afetando a economia do país com os boicotes sofridos. Com o Coronavírus, sua prática foi criminosa, segundo profissionais e órgãos de saúde, além de insinuar uma fantasia nas preocupações mundiais sobre um vírus que assombra o mundo.

A melhor notícia deste ano foi o reconhecimento mundial de que o Brasil tem os melhores profissionais de saúde pública do mundo, levando ao acordo do Ministério da Saúde com a Universidade de Oxford e o Laboratório AstraZeneca para transferência de tecnologia de uma vacina contra o coronavirus. O mundo inteiro está apostando nesta vacina, que deverá ser produzida a partir do final do ano ou início de 2021. Foi a ciência brasileira, construída ao longo de décadas, e a qualidade dos cientistas brasileiros que permitiu este acordo, mesmo num governo que nega a ciência e a importância de seus cientistas.

Mesmo com esta qualidade na saúde pública, temos militares a frente do Ministério da Saúde insistindo na cloroquina, já denunciada pelo TCU como superfaturada pelo Exército. Pior, são militares que não entendem de saúde pública. Por ter tido muita influência de sanitaristas de esquerda, que foram contra a ditadura militar, é possível que o governo Bolsonaro queira transformar o SUS em barracas militares. Os milhares de profissionais do sistema que, em muitas ocasiões, foram chamados de heróis e heroínas, talvez não estejam percebendo que o papel deles e do SUS, em salvar vidas com ações públicas e coletivas, pode ser transformado em interesses puramente econômicos de mercado e de bolsa de valores.

Esperamos que o futuro presidente numa pós-pandemia torne o SUS sustentável, dentro do espírito para o qual foi criado. A classe política e o próprio povo no mundo inteiro começam a dar valor a um sistema de saúde pública e coletiva. Boris Johnson, de direita e primeiro-ministro da Inglaterra, saiu da UTI querendo investir mais no seu sistema de saúde (NHS). Já Bernie Sanders, há poucos meses, perdeu a indicação de candidato a Presidente nos Estados Unidos, por defender taxar os mais ricos, defendendo saúde para todos e educação universitária para todos como uma responsabilidade do Estado. Vendo os caixões em valas, os americanos hoje são favoráveis à saúde para todos. Parece ser necessário taxar as grandes fortunas no Brasil para proteger as pessoas.

Consolidação do SUS e do direito à saúde.

Com razão, no atual governo, muitos estão criticando a destruição da Amazônia, da nossa democracia, de nosso arcabouço legal e o autoritarismo, mas poucos estão falando sobre a destruição do SUS, que está no caminho do sepultamento com as milhares de vítimas do coronavírus. Vamos defender o que deveria ser um símbolo de sustentabilidade e orgulho de todos brasileiros, ou seja, o SUS e a saúde pública e coletiva para todos e não transformá-lo num puxadinho dos militares. Governos de esquerda ou direita devem aumentar os recursos do SUS, torná-lo mais democrático e universal e nunca pensarem na sua destruição. (ecodebate)

Como ações sustentáveis podem melhorar os negócios

Quando se fala em uma eficiente gestão de negócios, é comum lembrarmos da importância da presença digital e de um bom serviço de hospedagem de sites.

Em um mundo cada vez mais conectado, esses recursos são mais essenciais para promover a digitalização de negócios. A hospedagem de sites é fundamental para qualquer negócio na internet.

No entanto, hoje em dia um empreendimento não pode deixar de lado uma pauta relevante: a sustentabilidade.

Empresas que investem em iniciativas sustentáveis possuem condições de melhorar a imagem da marca perante o público. Além disso, tais organizações contribuem também para o bem do meio ambiente.

Na atual era digital, com o fluxo maior de informação, o público está mais atento e mais exigente quando o assunto são práticas sustentáveis.

Nesse texto você vai encontrar tópicos que abordam o tema da sustentabilidade aliada à tecnologia e ao marketing. Confira mais sobre o que você vai saber.

O que é a Sustentabilidade?

Marketing Verde – Como a sustentabilidade pode auxiliar a gestão de uma empresa

Dicas para tornar o seu negócio mais sustentável

Os clientes valorizam marcas sustentáveis

Desafios da Sustentabilidade nas empresas

O que é a Sustentabilidade?

A Sustentabilidade é um conjunto de práticas e ações que possuem o objetivo de suprir as necessidades atuais do homem sem comprometer o bem estar das gerações futuras. Tais práticas podem ser adotadas pelo cidadão comum no seu dia a dia, bem como por empresas de grande e pequeno porte.

A noção de sustentabilidade e a sua importância para os tempos modernos veio à tona na década de 80 e desde então vem ganhando cada vez mais força.

A Sustentabilidade consiste na utilização inteligente dos recursos naturais. Sendo assim, empresas podem e devem adotar ações capazes de viabilizar esse uso adequado dos nossos recursos.

A utilização de material reciclável em escritórios, assim como medidas que visam fazer as indústrias reduzir a poluição, são alguns exemplos de ações voltadas para a Sustentabilidade.

Marketing Verde – Como a Sustentabilidade pode auxiliar a gestão de uma empresa.

Em se tratando de sustentabilidade no segmento do empreendedorismo, muito se fala no Marketing Verde, que também pode ser chamado de ecomarketing ou marketing ambiental.

Esse tipo de marketing propõe ideias pautadas pela prática responsável de ações sustentáveis. Podemos aferir com isso que o Marketing Verde além de fazer bem para a marca da empresa, também faz bem para a saúde do planeta.

No entanto, vale salientar que no atual contexto os consumidores estão mais conscientes e de olhos abertos. Por isso, de nada adianta uma empresa transmitir uma imagem de amiga da natureza sem adotar de fato as práticas sustentáveis.

A partir do momento que o público encontra incoerências na postura da organização quando o assunto é cuidado com o meio ambiente, a imagem da marca é severamente prejudicada.

Dicas para tornar o seu negócio mais sustentável

Para adotar o Marketing Verde no dia a dia do seu negócio é necessário efetuar um planejamento, mudar determinados pontos da cultura da empresa e também métodos que sejam de acordo com o segmento de atuação da empresa.

Um pequeno empreendimento como uma loja, por exemplo, deverá adotar ações diferentes de uma grande indústria. São realidades distintas, mas que ainda assim são capazes de promover uma gestão preocupada com o meio ambiente.

Existem dicas para as empresas utilizarem práticas ecológicas de forma eficiente e planejada. Vamos ver quais são?

O uso de energias renováveis

Essa é uma possibilidade viável para o segmento das indústrias. Dependendo da estrutura e do campo de atuação, é interessante optar por fontes de energia pouco poluentes, como a eólica e a solar.

Entre as vantagens desse tipo de energia está a redução de recursos que prejudicam o meio ambiente.

Utilizar a reciclagem

Está aí uma prática que qualquer empreendimento tem condições de adotar, pois a reciclagem de materiais pode ser adotada no dia a dia da empresa. Um exemplo disso é a adoção de lixeiras com o intuito de separar os conteúdos descartados conforme com o material e a composição de cada um deles é um típico exemplo disso.

No entanto, a iniciativa pode ser ampliada por meio da utilização desses materiais para outros objetivos. Um exemplo disso são as embalagens de plástico, que podem ser utilizadas para a confecção de pequenos utilitários como um porta-lápis.

Além da reciclagem, outra medida importante para uma empresa adotar em suas práticas de sustentabilidade é a redução do consumo de energia. Um modo simples de fazer isso é usar a iluminação de LED que é mais econômica

Escolher os fornecedores adequados

As práticas de sustentabilidade no marketing verde não ficam restritas ao ambiente interno das empresas. É aí que entra a questão da escolha dos fornecedores.

Não basta a empresa se esforçar para adotar práticas sustentáveis se os fornecedores com quem ela trabalha não estão na mesma sintonia.

Diminuir a utilização do plástico

Que o plástico é um material útil para o nosso cotidiano não há dúvidas. Por outro lado, ele também pode ser um vilão quando o assunto é equilíbrio ambiental.

O plástico demora anos para se decompor e acaba se tornando um agente da poluição tanto em oceanos quanto em grandes centros urbanos. Nesse contexto, é válido que algumas empresas adotem medidas que tenham o objetivo de reduzir esse consumo de plástico.

No caso de restaurantes, por exemplo, é possível adotar medidas sustentáveis para reduzir o uso de materiais plásticos na sua rotina. A saída para isso é abandonar a utilização de canudos e adotar copos e embalagens compostos por materiais recicláveis.

Tal postura é bem vista pelos clientes e isso ajuda na consolidação de um público consumidor fiel à marca.

Adotar a cultura da economia colaborativa

Hoje em dia, o termo “economia colaborativa” é bastante mencionado no mercado. Mas afinal, no que ela consiste?

A economia colaborativa consiste em modelos de negócio que visa o compartilhamento de bens e espaços. Se você já utilizou os serviços de transportes como Uber ou de hospedagem como o Airbnb, então você já fez uso de recursos da economia colaborativa.

Um exemplo de economia colaborativa levando em conta a sustentabilidade pode ser adotado por uma pequena Startup. Nesse caso, a equipe da empresa pode trabalhar no regime de Home Office, reduzindo com isso gastos com transporte urbano.

Os espaços de coworking, nesse contexto, caem como uma luva, pois são iniciativas baseadas no conceito de economia colaborativa e servem como alternativa para empresas terem um local de trabalho.

Trabalhe com produtos orgânicos

Dependendo do tipo de negócio e ramo de atuação, é possível trabalhar com a venda ou produção de produtos orgânicos. Hoje em dia já existem consumidores, adeptos de iniciativas saudáveis e ecológicas, que priorizam esse tipo de produto.

Vários empreendimentos, nesse caso, já utilizam essa estratégia e disponibilizam apenas produtos orgânicos, ou seja, produtos que não utilizam agrotóxicos ou outros insumos artificiais em sua produção.

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Os clientes valorizam marcas sustentáveis

Na busca para atender bem e consolidar a marca entre os clientes, o marketing verde se torna um importante aliado. A ecologia hoje em dia é uma preocupação com o futuro do planeta.

Por essa razão, em tempos de problemas como aquecimento global e o surgimento de doenças ocasionados por intervenção humana em ambientes naturais, a sustentabilidade não é mais do que uma opção, mas sim é uma necessidade.

Nesse caso, os consumidores, cada vez mais conscientes, passam a exigir mais atitude das suas marcas preferidas. Qual é a procedência do material utilizado no sapato? Quantas árvores foram derrubadas para a fabricação desse móvel? Vocês fizeram testes em animais?

Tais perguntas são frequentes por vários consumidores quando a pauta é a compra de um produto ou serviço. Além disso, as redes sociais estão aí e elas se tornam o palco para os clientes mais exigentes cobrarem atitudes sustentáveis das empresas.

Por tudo isso, é importante que, na hora de estabelecer a visão e a missão de um negócio, os seus gestores não deixem de lado a sustentabilidade. Sendo assim, veja a seguir alguns dos benefícios que esse tipo de postura traz para o negócio.

Fidelidade à marca

Os clientes se sentem confiantes ao consumirem produtos feitos de maneira segura e respeitando o meio ambiente. Eles levam a sério empresas empenhadas em deixar um legado benéfico para o futuro do planeta.

Contudo, é interessante também destacar que até mesmo os funcionários podem se sentir estimulados a atuar em um ambiente consciente e responsável.

Destaque entre os concorrentes

As práticas sustentáveis podem trazer mais visibilidade para a empresa, se destacando inclusive entre os concorrentes.

Essa visibilidade é fundamental para promover a presença da marca no dia a dia dos consumidores.

Possibilidade para atrair investidores e novos talentos

A preocupação com pautas sustentáveis coloca a empresa no radar de investidores e possíveis parceiros de negócios.

Ela também possibilita atrair profissionais que estão entrando no mercado de trabalho e consideram importante estar alinhado com temas ecologicamente corretos.

Diminuição dos custos e dos desperdícios

A diminuição dos custos é mais uma das vantagens de aderir a pautas sustentáveis. Isso ocorre porque tais medidas economizam vários recursos e, em muitos casos, propiciam um aumento da produtividade dos funcionários.

Exemplos disso são desligar luzes desnecessárias, reutilizar a água e a instalação de equipamentos responsáveis por aquecimento e resfriamento geotérmico.

Com isso a empresa tem a possibilidade de reduzir a conta de luz, água e outros recursos, obtendo uma boa redução de custos.

A tecnologia da Cloud Computing, também conhecida como Computação em Nuvem, é um recurso bastante válido para auxiliar as empresas que querem adotar medidas ecologicamente corretas nos seus processos de trabalho.

O motivo para isso é que a Cloud Computing oferece ferramentas que permitem o armazenamento e o compartilhamento de arquivos sem necessitar gastar com pendrives, CDs e outras mídias.

A dica, nesse caso, é adotar ferramentas para a rotina de trabalho como o Google Drive, o Dropbox e o Asana. Essas ferramentas são apenas alguns exemplos práticos dos recursos que a Computação em Nuvem proporciona para uma empreendimento.

Inclusive, graças a elas é possível adotar o trabalho remoto, ou como você preferir chamá-lo, Home Office.

Aumento de vendas e mais lucros

Os clientes se tornam mais confiantes para comprarem os produtos de uma empresa que comprovadamente possui preocupações ambientais. Isso permite um aumento das vendas e também a captação de leads.

Desafio da sustentabilidade nas empresas

Apesar das evidentes vantagens, nem sempre é fácil adotar de forma imediata as práticas sustentáveis no dia a dia da empresa. Vamos ver alguns desses principais entraves?

Obter apoio dos colaboradores

Em alguns casos, dependendo do tipo de empresa, é necessário adotar novas tecnologias e alguns colaboradores podem oferecer resistência. Isso é normal, pois nem sempre é fácil alterar drasticamente a rotina.

Nesse caso, é válido adotar treinamentos, palestras e reuniões. Isso, aos poucos, auxilia a adoção de uma nova cultura empresarial.

Mudanças na visão dos gestores

Muitas vezes há grande resistência por partes de outros gestores em acreditar em ideias sustentáveis. Isso é um ponto negativo, pois estes profissionais são os principais incentivadores das equipes.

Dificuldade em adotar processos seguros

Dependendo das ações pretendidas é muito difícil adotar ou viabilizar processos em algumas empresas. Isso devido à estrutura, legislações ou até mesmo por questões logísticas.

Falta de tecnologias adequadas.

Algumas empresas precisam de certas tecnologias para viabilizarem as ações sustentáveis. E por conta disso, a ausência dessas tecnologias pode ser decisiva para implementar um sistema sustentável na empresa.

A Sustentabilidade diz respeito ao futuro não apenas das empresas, mas da sociedade.

Portanto, diante de tantas vantagens e da necessidade, o pensamento e as atitudes sustentáveis no ambiente de trabalho são fundamentais no empreendedorismo.

Por fim, os consumidores estão cada vez mais exigentes quanto à postura sustentável adotada pelas empresas. E isso se reflete nos negócios e também nas novas práticas de consumo das futuras gerações. (ecodebate)

Desmate amazônico em alta sinaliza aumento de queimadas

Desmatamento em alta sinaliza aumento das queimadas na Amazônia.

Os dados preliminares sobre os focos de incêndio do início do período de seca na Amazônia, que vai de maio a setembro, associados à alta do desmatamento no ano passado indicam aos pesquisadores que a região deverá sofrer com queimadas em grande quantidade em 2020, igual ou até mais do que 2019. Os especialistas ainda não cravam o que vai ocorrer, pois as queimadas costumam começar para valer em julho, mas os sinais são preocupantes.

Em 01/07/2020 o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontou que junho foi o maior número de queimadas desde 2007, com 4.596 focos de incêndios.

"A primeira coisa a dizer é que as queimadas estão associadas ao desmatamento. Para você reduzir o número de queimadas, tem que reduzir a área desmatada. O fogo não acontece de forma natural na Amazônia, Alguém tem que ir lá e acender esse fogo. O que temos visto é justamente o contrário. O desmatamento não está reduzindo, só aumenta a cada mês em relação ao ano passado, quando subiu muito se comparado aos anos anteriores", disse a diretora de ciência do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Ane Alencar, geógrafa e doutora em Recursos Florestais e Conservação pela Universidade da Flórida (EUA). O Ipam é uma organização científica não governamental e sem fins lucrativos.

"O fogo é a sequência do desmatamento no processo de conversão das florestas em pastagens ou outros usos. Com o aumento do desmatamento, as árvores derrubadas se transformam em combustível. Uma nota técnica recém-publicada pelo Ipam mostra que há 4.500 km² de florestas derrubadas no ano passado que não queimaram. Somando um ano mais seco com desmatamento em alta e tanta matéria derrubada que ainda não queimou, a temporada do fogo de 2020 pode ser pior que a do ano passado", analisa Suely Araújo, especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima e ex-presidente do IBAMA.

De agosto de 2018 a julho de 2019, período medido pelo Prodes, o mais confiável sistema de monitoramento do desmatamento, a Amazônia atingiu o recorde das derrubadas na década. Foram destruídos 9,7 mil km² de mata, o que representou um aumento de 29,5% na comparação com o período 2017/2018.

O Ipam analisou os dados de desmatamento de agosto do ano passado para cá e percebeu que ele pode ter continuado na curva ascendente. Se nada for feito nos próximos meses, é possível que o Prodes de 2019/2020 indique 12 mil km² ou até 15 mil km² de área desmatada, um aumento de até 50% na área desmatada na comparação com o ano anterior.

"Eu, se fosse do governo federal, estaria preocupadíssima. Porque se tem um setor que tem sido menos afetado pela pandemia é o agronegócio e ele é altamente vulnerável do ponto de vista da sua reputação. É perigosíssimo para nosso país dar uma mensagem de que o Brasil não está cuidando do meio ambiente. O indicador é claro, qualquer pessoa no mundo que trabalha com sensoriamento remoto consegue ver. Se hoje o governo fechar hoje o INPE, tem outros 300 grupos que trabalham com dados de desmatamento. Não tem como [o governo] dizer que está fazendo alguma coisa e não está, as pessoas têm como medir".

Para reduzir o fogo, diz Ane, é preciso combater o desmatamento com comando e controle, mostrando sinais claros de que o governo tem a intenção de combater a criminalidade e a ilegalidade.

Suely Araújo vai na mesma linha. "A narrativa governamental contra a fiscalização ambiental cumulada com o desmonte dos órgãos fiscalizadores tem levado à intensificação do desmatamento na Amazônia desde o início do governo. Está caracterizada sinalização no sentido de um 'liberou geral' em campo, que impulsiona o desmatamento e outras infrações ambientais, assim como a grilagem de terras".

O governo poderá colher o que tem plantado desde janeiro de 2019 a partir do enfraquecimento das operações de repressão a crimes ambientais do IBAMA. No último ano e meio, o IBAMA trocou três servidores de postos-chave na fiscalização. Diversas vezes Bolsonaro reclamou da fiscalização do órgão, chamando-a de "festa de multas".

O desmatamento da Amazônia no primeiro trimestre de 2020 foi 51% maior do que o do período equivalente de 2019. Um terço deste desmatamento aconteceu em Terras Públicas em processo de grilagem, ou seja, roubo do patrimônio de todos os brasileiros.

No segundo semestre de 2019, o governo Bolsonaro ficou acuado quando celebridades e chefes de Estado como o presidente francês, Emmanuel Macron, alertaram sobre os danos ambientais do fogo descontrolado na Amazônia e chamaram a atenção do mundo para a política ambiental do governo Bolsonaro.

De lá para cá, supostamente incomodados com as cobranças estrangeiras, Bolsonaro e seus principais auxiliares militares, como o ministro Augusto Heleno (GSI) e o vice-presidente Hamilton Mourão, resolveram reativar um Conselho de Defesa da Amazônia, presidido por Mourão. O organismo foi ocupado por 17 militares e nenhum fiscal ambiental do IBAMA, a carreira construída pelo Estado brasileiro para as atividades de campo na repressão aos crimes ambientais.

Os militares, com Mourão à frente, desencadearam a Operação Verde Brasil em duas etapas até agora, a primeira em agosto do ano passado, justamente para combater as queimadas, e a segunda em maio passado. Ainda em andamento, ela está orçada em R$ 60 milhões, o equivalente a cerca de 80% de todo o orçamento anual da área de fiscalização do IBAMA. Mourão já disse que a operação poderá ser prorrogada diversas vezes, sem prazo para acabar.

Mas há muitas dúvidas sobre a eficácia dessa estratégia. Para Suely Araújo, a operação não conseguiu mudar a imagem de impunidade passada pelo governo federal desde janeiro de 2019. Em abril, no meio a uma operação desencadeada pelo IBAMA em terras indígenas, dois coordenadores foram demitidos, o que foi interpretado como uma vitória por garimpeiros e madeireiros.

Para Ane Alencar, não há sinais de redução do desmatamento desde o início da operação militar na Amazônia. "Ainda dá tempo para dar um choque de realidade para esses desmatadores ilegais, dizer que o governo vai fazer alguma coisa. Precisa de um processo em que as pessoas sejam capturadas, surpreendidas, que isso saia em todos os jornais. Mostrar os garimpeiros. Mas o que houve no dia seguinte a uma operação? O chefe da operação foi demitido. O governo não pode dar esse sinal trocado de que está fazendo alguma coisa e na verdade não está".
 Desmate na Amazônia sobe durante pandemia e acumula alta de 35% em 2020.

Em 01/07/20 a reportagem de Gustavo Uribe e Danielle Brant na "Folha de S. Paulo" mostrou que Bolsonaro está preocupado com a possibilidade de fuga de capitais estrangeiros do país em repúdio à política ambiental do governo. Um grupo de investidores que detêm US$ 3,7 trilhões em ativos divulgou uma carta pela qual se mostram reticentes sobre a condução do tema ambiental no Brasil.

O governo prepara um pacote de medidas para tentar acalmar os investidores. Em 29/06/20 o Ministério da Defesa levou um grupo de jornalistas para a terra indígena Yanomami, em Roraima, a fim de mostrar que está ajudando a combater o alastramento do novo coronavírus. (uol)

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

40,6% das empresas introduziram inovações ambientais positivas entre 2015 e 2017

40,6% das empresas inovadoras introduziram inovações com impactos ambientais positivos entre 2015 e 2017.

Ação ambiental deixa empresas 'bem na foto'.

Entre 2015 e 2017, 40,6% das 39.329 empresas inovadoras introduziram mudanças de produto e/ou processo que ocasionaram impactos ambientais positivos.

É o que revela o módulo de Sustentabilidade e inovação ambiental, da Pesquisa de Inovação (PINTEC) 2017 do IBGE. A reciclagem de resíduos, águas residuais ou materiais para venda e/ou reutilização foi a categoria de impacto ambiental mais observada, apontada por 57,9% das empresas ecoinovadoras. Por outro lado, apenas 17,2% dessas empresas informaram a substituição de energia proveniente de combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis como impactos ocasionados.

A Indústria foi a atividade com maior percentual de empresas ecoinovadoras (43,1%), seguida por Eletricidade e gás (32,8%) e Serviços selecionados (21,8%). Entre os fatores que contribuíram para a decisão das empresas em introduzirem inovações que gerassem benefícios ambientais, destacaram-se melhorar a reputação (59,4%) e adequar-se aos códigos de boas práticas ambientais no seu setor de atuação (54,3%). Por outro lado, a disponibilidade de apoio governamental, subsídios ou outros incentivos para a inovação ambiental foi o fator motivador menos frequente (11,2%).

A pesquisa investigou ainda ações relacionadas à publicação de relatórios de sustentabilidade e à produção de energia renovável pelas empresas inovadoras e não inovadoras entre 2015 e 2017. Somente 4,1% do total das empresas publicaram relatório de sustentabilidade, sendo que, para as empresas inovadoras, este percentual é apenas um pouco maior (5,6%).

A produção de energia renovável foi ainda menos relatada pelas empresas: 2,6% no total e 4,2% entre as empresas inovadoras. No entanto, entre as empresas do setor de Eletricidade e gás o cenário foi bastante distinto, com 53,7% do total das empresas e 61,2% das inovadoras tendo produzido energia renovável no período.

Indústria é a atividade que mais implementa inovações com impactos ambientais

Das 39.329 empresas inovadoras, 15.975 apontaram ter tido algum tipo de impacto ambiental decorrente da introdução de inovações de produto e/ou processo, o que representa 40,6%. A reciclagem de resíduos, águas residuais ou materiais para venda e/ou reutilização foi a categoria de impacto ambiental mais apontada (57,9%), seguida da redução da contaminação do solo, da água, de ruído ou do ar (51,3%). Por outro lado, apenas 17,2% dessas empresas informaram a substituição de energia proveniente de combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis.

A Indústria foi a atividade com maior percentual de empresas ecoinovadoras (43,1%). Nesta atividade, assim como para o total das empresas com inovações ambientais, os impactos mais apontados foram a reciclagem de resíduos, águas residuais ou materiais (60,6%) e a redução da contaminação do solo, da água, de ruído ou do ar (53,1%). Já o menos apontado foi a substituição de energia de combustíveis fósseis por energia renovável (17,0%).

Já nas empresas de Eletricidade e gás (32,8%) e de Serviços selecionados (21,8%), a proporção de empresas ecoinovadoras é relativamente menor, uma vez que seus impactos ambientais não são tão evidentes quanto na Indústria.

Empresas de Eletricidade e gás, a substituição de energia de combustíveis fósseis por energia renovável foi o principal impacto observado (71,3%). Nas empresas de Serviços selecionados (em geral, empresas de tecnologia cujas atividades não estão diretamente relacionadas a processos produtivos), a redução da contaminação do solo, da água, de ruído ou do ar foi o impacto mais apontado (24,2%).

Observou-se, ainda, que quanto maior o porte, maior a proporção de empresas ecoinovadoras: na faixa com 500 e mais pessoas ocupadas, 55,9% das empresas inovadoras haviam implementado inovações ambientais, percentual que decresce até chegar a 39,7% nas empresas com 10 a 29 pessoas ocupadas.

Melhorar reputação é o principal fator para a introdução de inovações ambientais

Entre 2015 e 2017, do total de empresas ecoinovadoras, mais da metade decidiu por implementar suas inovações tanto para melhorar a reputação (59,4%) quanto pelos códigos de boas práticas ambientais no seu setor de atuação (54,3%). Fatores econômicos e institucionais também foram apontados como motivadores por uma considerável parcela de empresas: os elevados custos de energia, água ou matérias-primas e a necessidade de atender às normas ambientais existentes ou impostos incidentes sobre a contaminação foram apontados, respectivamente, por 49,5% e 46,1% das empresas inovadoras. Já a disponibilidade de apoio governamental, subsídios ou outros incentivos para a inovação ambiental foi o fator motivador menos apontado (11,2%).

Na Indústria, os fatores mais e menos apontados foram os mesmos do total das empresas: melhorar a reputação, informado por 60,6% das empresas ecoinovadoras, e disponibilidade de apoio governamental, subsídios ou outros incentivos, informado por apenas 11,5%.

Nas empresas de Eletricidade e gás, a demanda do mercado por inovação ambiental foi o fator mais apontado (82,1%), sendo que a melhora na reputação e as ações voluntárias também foram relevantes para 81,7% e 73,7%, respectivamente. Por outro lado, 21,9% das empresas inovaram com o intuito de atender aos requisitos necessários para consolidação de contratos públicos, sendo este o fator motivador menos frequente.

Nas empresas de Serviços selecionados, os códigos de boas práticas ambientais no seu setor de atuação foram os fatores mais apontados (62,2%). Como nas empresas industriais, a disponibilidade de apoio governamental, subsídios ou outros incentivos foi o fator motivador menos apontado (5,0%).

Apenas 4,2% das empresas inovadoras produziram algum tipo de energia renovável

A produção de algum tipo de energia renovável foi declarada por apenas 2,6% do total de empresas e 4,2% das empresas inovadoras. As empresas industriais foram as que relativamente menos produziram energia renovável, com 2,2% do total das empresas e 3,9% das empresas inovadoras.

Nos Serviços, apesar de também baixo, o percentual foi um pouco maior do que nas empresas da Indústria: 3,7% do total das empresas e 4,2% das empresas inovadoras.

Por outro lado, o cenário nas empresas de Eletricidade e gás foi bastante distinto, uma vez que 53,7% do total das empresas e 61,2% das inovadoras produziram energia renovável entre 2015 e 2017.

Por porte, observou-se que as grandes empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas foram as que mais produziram energias renováveis, com 18,8% do total e 19,6% das empresas inovadoras. Já nas pequenas empresas, com 10 a 29 pessoas ocupadas, estes percentuais foram de 2,1% e 3,2%, respectivamente.

Empresas de Eletricidade e gás são as que mais publicam relatório de sustentabilidade

A pesquisa também mostrou que apenas 4,1% do total de empresas e 5,6% das empresas inovadoras publicaram relatório de sustentabilidade entre 2015 e 2017. Na Indústria, esses percentuais foram de 4,3% e 5,9%, respectivamente. Nos Serviços, esta proporção é ainda menor, com 1,0% do total de empresas e 1,6% das empresas inovadoras.

Já as empresas de Eletricidade e gás apresentaram percentuais bastante superiores: 51,2% do total das empresas e 50,0% das empresas inovadoras publicaram relatórios de sustentabilidade.

 Observou-se, ainda, que o percentual de empresas que divulga relatórios anuais de sustentabilidade é diretamente proporcional ao tamanho, partindo de 3,0% para o total e 3,1% para as inovadoras, entre pequenas empresas com 10 a 29 pessoas ocupadas, até 25,0% do total e 31,0% de empresas inovadoras, entre as empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas. (ecodebate)

Mudança climática afeta disponibilidade d’água e aumenta danos causados por inundações e secas

Mudanças climáticas estão afetando a disponibilidade de água e estão exacerbando os danos causados pelas inundações e secas em todo o mundo.

Excesso e falta de água: faces das mudanças climáticas que exigem projeção e capacidade de resposta.

A ação da água relacionada ao clima é uma chave para nos trazer de volta aos trilhos para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 , garantir o acesso à água e ao saneamento para todos e manter um ambiente saudável.

A OMM realizou um briefing diplomático virtual em 02/07/20 sobre os planos para uma Coalizão sobre Água e Clima, com o objetivo de criar impulso na ação sobre a água e o clima através da implementação de atividades concretas nos níveis nacional, regional e global. Pretende-se que a coalizão reúna parceiros e membros da ONU, governos doadores, setor privado, organizações não-governamentais e instituições financeiras.

“Os impactos das mudanças climáticas são sentidos através da água: através de inundações, secas, inundações costeiras, derretimento de geleiras e incêndios florestais”, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas. “É necessário investir mais em redução de riscos de desastres, adaptação ao clima e resiliência”, disse ele.

“O estresse hídrico é um problema global”, disse ele. Ela tem impactos negativos nas economias, na saúde e no bem-estar e representa uma ameaça para o PIB futuro em grandes partes do mundo. A insegurança alimentar e a fome estão novamente em ascensão. O crescimento da população e as mudanças climáticas unirão forças para aumentar o número de pessoas que enfrentam a escassez de água, especialmente em partes do Oriente Médio, África e Ásia.

A OMM está comprometida em fortalecer os sistemas de monitoramento de enchentes e secas e em melhorar o intercâmbio de dados e informações hidrológicas, fundamentais para a tomada de decisões, disse ele a diplomatas.

Briefing foi organizado com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, UNESCO e Água da ONU, bem como com as missões permanentes da Finlândia, Alemanha e Tajiquistão nas Nações Unidas. Chegou uma semana antes do lançamento em 09/07, do Quadro de Aceleração Global para os ODS 6 da ONU .

“O mundo não está no caminho para alcançar a meta de desenvolvimento sustentável da água até 2030”, disse Gilbert F. Houngbo, presidente da ONU-Água e presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola. Ele disse que a pandemia do COVID-19 havia destacado quantos milhões de pessoas não tinham acesso à água para lavar as mãos.

“A seca parece ser um co-viajante com fragilidade”, disse o diretor executivo do PNUMA, Inger Anderson. Com a crescente escassez de água, projeta-se que no futuro uma em cada quatro crianças com menos de 18 anos – ou 600 milhões – esteja vivendo em áreas de extremo estresse hídrico.

Que poderá salvar o nosso planeta???

A água é uma parte central de todas as metas de desenvolvimento sustentável, não apenas o ODS 6, disse Shamila Nair-Bedouelle, diretora geral assistente de ciências naturais da UNESCO. A aceleração do ODS6 traria, portanto, múltiplos benefícios para todos os setores da sociedade. (ecodebate)

Risco da privatização ocorre num ambiente de regulação débil

Água e saneamento: ‘O risco da privatização ocorre em um ambiente de regulação débil’.

Senado aprovou em 24/06/2020 o novo marco legal do saneamento básico (PL 4.162/2019). O projeto, de iniciativa do governo, que havia sido aprovado em dezembro do ano passado na Câmara dos Deputados, segue agora para sanção presidencial. O texto abre caminho à privatização, pela concessão de serviços de estatais do setor para empresas que visam ao lucro, além de prejudicar a prestação do serviço pelas empresas públicas, ao tornar obrigatória a realização de licitações. A tendência à privatização do setor vai na contramão das tendências internacionais. Países como Estados Unidos e Alemanha reestatizaram seus serviços.

Em comentário ao blog do CEEFiocruz, o pesquisador da Fiocruz Minas Léo Heller, relator especial das Nações Unidas para água e saneamento, afirma que não há evidências de que ampliar a participação privada seja solução para o “quadro dramático” que vive o país, quanto ao acesso a saneamento básico. “O cenário é bastante preocupante, os argumentos dos senadores são muito frágeis e mostram ou má-fé de alguns ou despreparo de outros. O sofismo é a marca principal da racionalidade dos votos, cuja narrativa expõe a existência de um déficit enorme de saneamento no país, principalmente nas regiões Norte e Nordeste e nas favelas”, observa, ponderando que embora esse seja um diagnóstico do qual ninguém discorda, “não há casos na história do Brasil e na contemporaneidade em outros países, em que um quadro dramático como esse foi solucionado via privatização”.

Para ele, a única leitura a ser feita da aprovação do marco legal é que há uma visão “estritamente ideológica”, segundo a qual o melhor modelo para nosso país é de um Estado mínimo, com transferência de funções naturalmente assumidas pelo poder público para o setor privado. “É preocupante confirmar que o nosso Legislativo é conservador, alinhado com uma visão de direita ultraliberal”, analisa. “O momento será de pensarmos como setor de saneamento, no futuro, lidará com o ambiente regulatório imposto pela nova legislação”.
Confira o comentário na íntegra.

“O risco da privatização ocorre em um ambiente de regulação débil, como é a regulação no Brasil, muito recente”. Existem reguladores muito despreparados, tecnicamente frágeis. Trata-se de um ambiente que deixa em aberto às empresas privadas o exercício do que elas têm de mais nítido em seu DNA, que é a produção de lucro.

Esses riscos para os Direitos Humanos – ou para sua a violação – se apoiam em três pilares: a premissa da maximização de lucros, que caracteriza a ação das companhias privadas; o entendimento do saneamento como um monopólio natural, existindo, assim, uma enorme dificuldade de regular um prestador único, em ambientes em concorrência e monopolista; e a assimetria de poder, em que muitas vezes as companhias privadas são muito poderosas, ou as empresas nacionais com grande capacidade de lobby, são favorecida sem sua relação com governos geralmente frágeis. Qual é a resultante disso? Mais exclusão, ou a não inclusão daquelas populações que sem acesso aos serviços, além de aumento de tarifas e acessibilidade financeira comprometida.

Sem uma regulação adequada é muito provável que as companhias privadas não se interessem por atuar em determinados locais – Léo Heller

É sempre bom relembrar que quem não tem acesso a serviços adequados de água e saneamento no Brasil são, principalmente, grupos concentrados em zonas rurais, onde esses serviços sempre foram abandonados pelo governo brasileiro, e as periferias das grandes ou médias cidades, ou cidades muito pequenas. São populações e regiões pouco atrativas para o capital privado, e esse é o grande risco. Sem uma regulação adequada, em um país que ainda não amadureceu na sua democracia, na forma como gere os serviços públicos fica muito arriscado, e é muito provável que as companhias privadas não se interessem por atuar nesses locais. E, não há mecanismos que as façam atuar. Seria, por exemplo, interessante que, em processos licitatórios para as novas prestações de serviços, fosse incluído um mix de situações, em que uma companhia que se interessasse em atuar no Rio de Janeiro, por exemplo, tivesse que abranger as vilas e favelas, independentemente da situação de regularização fundiária dessas áreas.

Um subsídio cruzado que pode ser salutar para proteger as populações em situação de maior vulnerabilidade. (ecodebate)

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Junho registrou maior número de focos de queimadas na Amazônia dos últimos 13 anos

Queimadas na Amazônia – Junho/20 registrou maior número de focos de queimadas na Amazônia dos últimos 13 anos.

Apesar dos volumosos recursos gastos em operações militares, as queimadas na Amazônia já surgem com força.

Em junho de 2020, foram registrados 2.248 focos de calor no bioma Amazônia. Esse é o maior número de focos para o mês desde 2007, e representa um aumento de 19,57% em relação ao registrado em junho de 2019 (1.880).

Além disso, imagens de satélite mostraram uma série de grandes polígonos desmatados nos últimos meses, áreas que vêm sendo ignoradas pelas ações do governo brasileiro e do Conselho Nacional da Amazônia, liderado pelo vice-presidente Hamilton Mourão. Cerca de um mês depois do decreto (10.341/2020), que autoriza o emprego das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO), ao custo mensal de R$ 60 milhões de reais, o equivalente a quase 80% do orçamento anual de fiscalização do Ibama, a resposta aos mais altos índices de desmatamento dos últimos anos continua inócua.

[Veja as imagens de satélite aqui]

“As queimadas contribuem simultaneamente para as crises globais do clima, da biodiversidade e com a catástrofe sanitária na região. O Brasil precisará fazer mais, muito mais, se quiser detê-las, fortalecendo os órgãos de controle, com planos permanentes e metas claras, e não de operações pontuais e custosas”, comenta Rômulo Batista, da campanha e Amazônia do Greenpeace.

Com o início da temporada seca e com o período de queimadas criminosas batendo à porta, o quadro que vem se desenhando é catastrófico em muitos sentidos. Seja pela quantidade de árvores que vão tombar por conta dos incêndios, que pode levar à morte animais e colocar em risco nossa biodiversidade, seja pelo agravamento da vulnerabilidade das populações da Amazônia à Covid-19.

 “É difícil nutrir esperança de que a catástrofe ambiental que vimos no ano passado, marcada por uma série de queimadas criminosas, seja menor em 2020. Afinal, a contenção do colapso está nas mãos de um governo que joga contra o meio ambiente e vem se mostrando incapaz de combater a destruição do maior patrimônio de todos os brasileiros, a Amazônia”, completa Rômulo. (ecodebate)

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