terça-feira, 23 de dezembro de 2014

População mundial

Densidade populacional por país.
População mundial é o número total de pessoas que existem no planeta.
O número total da população do planeta atingiu 7 bilhões de pessoas em 31/10/2011. De acordo com projeções populacionais, este valor continua a crescer a um ritmo sem precedentes antes do século 20. Entretanto, a taxa de crescimento vem caindo desde que os índices de crescimento atingiram seu auge em 1963. A população está em explosão demográfica desde a Revolução Industrial que começou na Inglaterra em meados do século XIII.
Em 2002, a "Population Reference Bureau" (organização sem fins lucrativos especializada em estudos demográficos) publicou uma estimativa onde afirma que mais de 106 bilhões de pessoas já viveram na Terra. A estimativa foi classificada pelo próprio autor como semi-científica, dada a falta de dados demográficos para 99% do período desde o qual a espécie humana existe no planeta. Previsões de Cientistas americanos dizem que o mundo terá 11 bilhões de pessoas em 2090.
Mapa da densidade populacional no mundo em 1994; observe a alta concentração ao longo dos rios Gange, Yangtzé e Amarelo, na Europa Ocidental, na ilha de Java e na megalópole Bos-wash.
A Ásia abriga mais de 60% da população mundial, com quase quatro bilhões. A China e a Índia sozinhas têm 21% e 17% respectivamente. Essa marca é seguida por África com 840 milhões de pessoas, 12,7% da população mundial. Os 710 milhões de pessoas da Europa correspondem a 10,8% da população mundial. A América do Norte tem uma população de 514 milhões (8%), a América do Sul, 371 milhões (5,6%) e a Oceania em torno de 60 milhões (0,9%).
Demografia da juventude
De acordo com o CIA World Factbook, 27.4% da população mundial está abaixo dos 15 anos de idade.Segundo algumas estimativas, há hoje um bilhão de jovens no mundo entre as idades de 15 e 24 anos.
A década de 1990 foi responsável pelo maior número de nascimentos, especialmente após 1995, apesar do fato de a taxa de nascimentos não estar tão alta quanto na década de 1960.

População por região mostrando sua percentagem na população mundial (1750-2005)
A seguir são mostradas estimativas de quando a marca de cada mil milhões (bilhão) de pessoas foi atingida:
Crescimento da população mundial
População – Ano – Tempo para o próximo bilhão (anos)
1 bilhão – 1802 - 126
2 bilhões – 1928 - 33
3 bilhões – 1961 - 13
4 bilhões – 1974 - 13
5 bilhões – 1987 - 12
6 bilhões – 1999 - 12
7 bilhões – 2011 - 15
8 bilhões* - 2026 - 24
9 bilhões* - 2050 - 20
10 bilhões* - 2070 - 26
11 bilhões* - 2096 - não calculado
(*) estimativa
Estimativa da população mundial: Cerca de 7279 milhões de pessoas (7.279 bilhões). (wikipedia)

Geodemografia e a população no leste da Ásia

A geodemografia e a concentração da população mundial no leste da Ásia
A população mundial em 2010 era de 6,916 bilhões de habitantes, sendo de 36 milhões na Oceania, 740 milhões na Europa, 940 milhões nas Américas, 1 bilhão na África e 4,2 bilhões na Ásia, segundo a Divisão de População da ONU.
Para Livi-Bacci (2014), a distribuição geodemográfica da população mundial flutuou acentuadamente na história. Porém, um pequeno círculo da Ásia concentra mais da metade da população mundial.
Nove países dominam este círculo, sendo China (1,360 bilhão de habitantes), Índia (1,205 bilhão), Indonésia (240 milhões), Paquistão (173 milhões), Bangladesh (151 milhões), Japão (127 milhões), Filipinas (93 milhões), Vietnã (89 milhões) e Tailândia (66 milhões). Estes nove países tinham uma população de 3,504 bilhões de habitantes em 2010.
O crescimento populacional desta região tem raízes históricas distantes. Mas, atualmente, estes nove países apresentam baixo crescimento populacional, sendo que o Japão já tem uma população em declínio. A China vai entrar em uma fase de decrescimento demográfico por volta de 2030 e deve perder, no mínimo, 400 milhões de habitantes até 2100.
A Tailândia e o Vietnã devem entrar na fase de declínio populacional em 2024 e 2044, respectivamente. A Índia vai continuar crescendo em ritmo lento até o ano de 2064, quando entrará para o clube dos países decrescentistas.
Indonésia, Bangladesh e Paquistão também vão apresentar declínio da população na segunda metade do século XXI. Somente as Filipinas deve manter o crescimento demográfico até 2100, mas em ritmo cada vez mais lento.
Ou seja, atualmente a maior parte da população mundial vive dentro de um círculo que tem como destaque nove países com alta densidade demográfica. Mas ao longo do século XXI o crescimento populacional vai ocorrer com maior intensidade fora deste círculo, especialmente na África subsaariana. A Ásia vai continuar sendo o continente mais populoso do mundo, mas deve perder posição relativa no total de habitantes do globo. (ecodebate)

domingo, 21 de dezembro de 2014

Como famílias com insegurança alimentar enfrentam a fome

Pesquisa inédita mostra como famílias com insegurança alimentar enfrentam a fome
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 18/12/14, pela primeira vez, uma pesquisa sobre as estratégias que as famílias brasileiras em situação de insegurança alimentar usaram para enfrentar o problema. Os dados estão no suplemento de Segurança Alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2013 e mostram que a maioria dos entrevistados comprou fiado para enfrentar a falta de comida em casa no ano passado.
Cerca de 43% dos domicílios brasileiros pagou depois pelo alimento consumido para não passar fome, enquanto 27,8% pediram alimentos emprestados a parentes, vizinhos ou amigos. Aproximadamente 7,2% desse grupo disseram que deixou de comprar supérfluos e 5% pediram dinheiro emprestado. A carne foi cortada da dieta de 3,5% desse público para que não faltasse comida na mesa. Os que receberam alimentos da comunidade, vizinhos, parentes e amigos representavam 3,3%, e 2,8% prestaram pequenos serviços a parentes e amigos em troca de alimentos. Os dados revelam ainda que 7,1% tomaram outras atitudes.
Em uma análise regional, a pesquisa mostra que comprar fiado foi a principal opção das famílias em situação de risco no Nordeste (53,8%), no Norte (50,2%) e no Centro-Oeste (37,3%). Pedir alimentos emprestados a parentes, vizinhos e/ou amigos foi a principal estratégia usada por esse público no Sul (34,2%) e Sudeste (33,5%).
Para o IBGE, os domicílios com insegurança alimentar leve são aqueles em que foi detectada alguma preocupação com a quantidade e qualidade dos alimentos disponíveis. Naqueles com insegurança alimentar moderada, os moradores conviveram com a restrição de alimento em termos quantitativos. Já nos domicílios com insegurança alimentar grave, os membros da família passaram por privação de alimentos, cujo grau mais extremo é a fome.
Quanto à ocupação do público-alvo da pesquisa, os dados revelam que, em 2013, 54,7% dos 14,3 milhões de moradores em situação de insegurança alimentar moderada ou grave, com 10 anos de idade ou mais, estavam ocupados. Entre os ocupados, 31,5% estavam em atividades agrícolas.
Em relação à posse de bens, 98,3% dos domicílios em segurança alimentar tinham geladeira, enquanto nos lares com insegurança grave esse percentual era 85,8%. A pesquisa identificou que, quanto mais intensa a situação de insegurança, menor a proporção de domicílios com refrigeradores.
Na comparação com a última edição do Suplemento de Segurança Alimentar, de 2009, aumentou a proporção dos lares com eletrodomésticos como máquina de lavar, computador e telefone – mesmo entre os domicílios em insegurança alimentar grave. Cerca de 10% dos domicílios com pessoas em situação grave de insegurança alimentar tinham microcomputador com acesso à internet.
Os dados da pesquisa mostram que quanto mais intensa a situação de insegurança menor a proporção de domicílios atendidos por serviços de saneamento básico: 34,4% dos domicílios de pessoas em situação de insegurança alimentar grave eram atendidos por rede de coleta de esgoto; 73,6%, por rede geral de abastecimento de água e 75,2%, por coleta de lixo.
Além disso, 78,9% dos domicílios com insegurança alimentar tinham rendimento per capita até um salário mínimo (excluindo os sem rendimento) e 2,2%, mais de dois salários mínimos. Por outro lado, 53,5% dos domicílios com segurança alimentar têm rendimento per capita acima de um salário mínimo e 23,9% mais de dois salários mínimos.
Conviviam com insegurança grave 4,8% da população até 4 anos de idade e 4,9% da população de 5 anos a 17 anos. Na população de 65 anos ou mais de idade, 2,4% convivem com insegurança alimentar.
Os domicílios cuja pessoa de referência era negra ou parda registraram prevalências de insegurança alimentar maiores do que as dos domicílios com pessoa de referência da cor branca. Entre os domicílios com pessoa de referência preta ou parda, 29,8% estavam em situação de insegurança alimentar, enquanto para os brancos a prevalência foi 14,4%. Dos 93,2 milhões de moradores brancos, 17,2% conviviam com a insegurança alimentar. Para os 106,6 milhões de moradores negros, este percentual subiu para 33,4%.
Os indicadores apontam ainda que, dos 55,5 milhões de moradores com menos de 18 anos, 79,8% frequentavam escola ou creche. Entre os 6,2 milhões que viviam em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave, esse percentual era 75,7%. (agenciabrasil)

Insegurança alimentar cai, mas ainda atinge 52 milhões

Insegurança alimentar cai no Brasil, mas ainda atinge 52 milhões, mostra IBGE
O número de domicílios em situação de insegurança alimentar no Brasil continua caindo, mas ainda existem cerca de 52 milhões de brasileiros sem acesso diário à comida de qualidade e na quantidade satisfatória. Segundo o suplemento de Segurança Alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2013, divulgado hoje (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 65,3 milhões de domicílios registrados, 22,6% estavam em situação de insegurança alimentar. Esse percentual era 29,5% em 2009 e 34,8% em 2004, anos anteriores da pesquisa. 
Dos 14,7 milhões de domicílios com algum tipo de insegurança (22,6%), em 9,6 milhões (14,8%) moravam 34,5 milhões de pessoas (17,1%) da população residente em domicílios particulares em situação de segurança alimentar leve. Nesses lares havia a preocupação quanto ao acesso aos alimentos no futuro. Os domicílios com moradores vivendo em situação de insegurança alimentar moderada representavam 4,6% do total. Ao todo 10,3 milhões de pessoas nessa situação ou 5,1% conviviam com limitação de acesso quantitativo aos alimentos. A prevalência de domicílios com pessoas em situação de insegurança alimentar grave era 3,2%. Em números absolutos, 7,2 milhões de pessoas ou 3,6% dos moradores de domicílios particulares reportaram alguma experiência de fome no período investigado. Em 2009, esse percentual era 5% e em 2004, 6,9%.
Para o IBGE, os domicílios com insegurança alimentar leve são aqueles em que foi detectada alguma preocupação com a quantidade e qualidade dos alimentos disponíveis. Naqueles com insegurança alimentar moderada, os moradores conviveram com a restrição de alimento em termos quantitativos. Já nos domicílios com insegurança alimentar grave, os membros da família passaram por privação de alimentos, cujo grau mais extremo é a fome.
O estudo mostra também que a prevalência dos três níveis de insegurança alimentar caíram entre 2009 e 2013. O número de famílias em situação de segurança alimentar aumentou cerca de oito pontos percentuais em quatro anos ao alcançar 77,4% dos domicílios em 2013. Aproximadamente 150 milhões de pessoas tinham acesso regular e permanente a alimentos de qualidade em quantidade suficiente, segundo o estudo. 
De acordo com a pesquisa, a área rural concentrava o maior número de domicílios com indivíduos em situação de insegurança alimentar: 35,3% (13,9% moderada ou grave). Na área urbana, esse percentual era 20,5% (6,8% moderada ou grave). Em 2009, o índice foi 43,7% e 29,3%, respectivamente. Nos domicílios particulares urbanos em situação de insegurança alimentar moderada ou grave viviam 7,4% da população urbana, enquanto nos domicílios rurais moravam 15,8% da população. 
Em relação às regiões do território nacional, o Norte e o Nordeste tinham o maior número de domicílios com pessoas em situação de insegurança alimentar (36,1% e 38,1%, respectivamente) no ano passado. Nas demais regiões esse percentual não chegou a 20%. O Sudeste apresentou o menor índice, 14,5%. Norte e Nordeste também concentravam os maiores percentuais de domicílios com pessoas em situação de insegurança alimentar grave (6,7% e 5,6%). No Sul e Sudeste, a prevalência ficou em 1,9% e 2,3%. Por outro lado, entre 2004 e 2013, o incremento mais expressivo do percentual de domicílios com pessoas comendo bem foi identificado no Nordeste (15,5 pontos percentual), com aumento de 46,4% para 61,9%.
O Espírito Santo foi o estado com o maior índice de segurança alimentar (89,65%), seguido de Santa Catarina (88,9%) e São Paulo (88,4%). As unidades da Federação com as menores prevalências foram: Maranhão (39,1%) e Piauí (39,1%), onde menos da metade dos domicílios particulares tinha alimentação assegurada, apesar do aumento de 3,6 e 3,3 pontos percentuais. No Nordeste, todos os estados apresentaram taxas inferiores à média nacional (77,4%). Na Região Norte, apenas Rondônia registrou prevalência de segurança alimentar acima da média nacional, 78,4%. (agenciabrasil)

Insegurança alimentar nos domicílios cai entre 2009 e 2013

PNAD 2013: insegurança alimentar nos domicílios cai de 30,2% em 2009 para 22,6% em 2013
O percentual de domicílios particulares brasileiros que se encontravam em algum grau de insegurança alimentar caiu de 30,2% em 2009 para 22,6% em 2013. No ano passado, 52,0 milhões de pessoas residentes em 14,7 milhões de domicílios apresentavam alguma restrição alimentar ou, pelo menos, alguma preocupação com a possibilidade de ocorrer restrição, devido à falta de recursos para adquirir alimentos. Entre 2009 e 2013, houve queda de 3,2 milhões de domicílios (ou 14,2 milhões de moradores) em situação de insegurança alimentar.
A insegurança alimentar grave apresentou reduções importantes em relação aos levantamentos anteriores. Esse indicador caiu de 6,9% em 2004 para 5,0% em 2009 e, em 2013, atingiu seu patamar mais baixo: 3,2%. São domicílios onde, além dos membros adultos, as crianças, quando havia, também passavam pela privação de alimentos.
Dos 65,3 milhões de domicílios particulares no Brasil, 77,4% estavam em situação de segurança alimentar em 2013. Eram 50,5 milhões de residências com 149,4 milhões de pessoas, o equivalente a 74,2% dos moradores em domicílios particulares do país. Isso significa um aumento de 9,1 milhões de domicílios (ou 21,7 milhões de moradores) em situação de segurança alimentar em quatro anos.
A insegurança alimentar era maior nas regiões Norte e Nordeste, atingindo, respectivamente, 36,1% e 38,1% dos domicílios, bem como na área rural (35,3%). Além disso, a insegurança alimentar era maior em domicílios onde residiam menores de 18 anos (28,8%), entre os pretos e pardos (33,4%) e para aqueles com um a três anos de estudo (13,7% com insegurança alimentar moderada ou grave).
Essas são algumas das informações do levantamento suplementar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2013 sobre segurança alimentar. Ele foi realizado pelo IBGE em convênio com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), assim como ocorreu nas edições de 2004 e 2009. A publicação completa referente a 2013 e os dados reponderados de 2004 e 2009 podem ser acessados na páginawww.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/seguranca_alimentar_2013/.
A pesquisa utiliza a classificação da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), considerando o período de referência dos três últimos meses anteriores à data da entrevista. São domicílios em condição de segurança alimentar aqueles onde os moradores tiveram acesso aos alimentos em quantidade e qualidade adequadas e sequer se sentiam na iminência de sofrer qualquer restrição no futuro próximo. Os domicílios com insegurança alimentar leve são aqueles nos quais foi detectada alguma preocupação com a quantidade e qualidade dos alimentos disponíveis. Nos domicílios com insegurança alimentar moderada, os moradores conviveram com a restrição quantitativa de alimento. Por fim, nos domicílios com insegurança alimentar grave, além dos membros adultos, as crianças, quando havia, também passavam pela privação de alimentos, podendo chegar à sua expressão mais grave, a fome.
Em 2013, a pesquisa registrou 65,3 milhões de domicílios particulares no Brasil. Destes, 50,5 milhões (77,4%) estavam em situação de segurança alimentar. Nestes domicílios moravam 149,4 milhões de pessoas, o equivalente a 74,2% dos moradores em domicílios particulares do país. Os 14,7 milhões de domicílios particulares restantes (22,6%) se encontravam em algum grau de insegurança alimentar. Neles viviam cerca de 52,0 milhões de pessoas (25,8%).
A prevalência de domicílios com pessoas em situação de insegurança alimentar leve foi estimada em 14,8%, ou 9,6 milhões de domicílios, onde viviam 34,5 milhões de pessoas (17,1% da população residente em domicílios particulares). A proporção de domicílios particulares com moradores vivendo em situação de insegurança alimentar moderada foi 4,6% (equivalente a 3,0 milhões), onde moravam 10,3 milhões de pessoas (5,1% dos moradores). Do total de domicílios, 3,2% (2,1 milhões) foram classificados como sofrendo insegurança alimentar grave. Esta situação atingia 7,2 milhões de pessoas (3,6%).
Em relação aos anos anteriores da investigação (2004 e 2009), a prevalência de domicílios em situação de segurança alimentar aumentou (65,1%, em 2004 e 69,8%, em 2009). Em 2004, o percentual de domicílios particulares em insegurança alimentar leve, moderada e grave eram, respectivamente, 18,0%, 9,9% e 6,9%. Em 2009, as prevalências eram 18,7%, 6,5% e 5,0%. De 2004 para 2009, houve crescimento do percentual de insegurança leve e redução dos percentuais de insegurança alimentar moderada e grave. No entanto, de 2009 para 2013, a prevalência de insegurança alimentar reduziu nos três níveis. Nesse período, houve queda de 3,2 milhões de domicílios (ou 14,2 milhões de moradores) em situação de insegurança alimentar e aumento de 9,1 milhões de domicílios (ou 21,7 milhões de moradores) em situação de segurança alimentar.
Insegurança alimentar moderada ou grave é maior na área rural (13,9%)
As prevalências de insegurança alimentar na área rural eram maiores que as verificadas nas áreas urbanas. Em 2013, enquanto 20,5% dos domicílios da área urbana tinham moradores em situação de insegurança alimentar (6,8% moderada ou grave), na área rural, a proporção foi 35,3% (13,9% moderada ou grave). Nos domicílios particulares urbanos em insegurança alimentar moderada ou grave viviam 7,4% da população urbana, enquanto nos rurais viviam 15,8% da população rural.
Enquanto na área rural, em relação a 2009, houve queda na proporção de domicílios em situação de insegurança alimentar moderada ou grave (15,6%, em 2009, para 13,9%, em 2013), para os domicílios em situação de insegurança alimentar leve houve aumento na proporção (19,5% para 21,4%). Deste modo, a prevalência de segurança alimentar não registrou variação significativa (64,8% para 64,7%) entre esses anos. Entretanto, na área urbana, a proporção de domicílios em segurança alimentar aumentou, passando de 70,7%, em 2009, para 79,5%, em 2013. A prevalência de domicílios em insegurança alimentar moderada ou grave na área urbana, em 2013, era 6,8% (10,8% em 2009).
As cinco grandes regiões apresentaram prevalências de domicílios em situação de insegurança alimentar de forma diferenciada. As regiões Norte e Nordeste apresentaram as maiores proporções (36,1% e 38,1%, respectivamente). Nas demais regiões, o percentual de domicílios em situação de insegurança alimentar ficou abaixo dos 20%: 14,5% na Sudeste; 14,9% na Sul; e 18,2% na Centro-Oeste. Considerando a insegurança alimentar grave, o panorama de desigualdade regional permanece. Nas regiões Norte e Nordeste, as proporções de domicílios onde algum morador passou pela experiência de fome foram 6,7% e 5,6%, respectivamente. Nas regiões Sudeste e Sul, a prevalência ficou em 1,9% e, na Centro-Oeste, 2,3%.
Em relação a 2004 e 2009, houve aumento do percentual de domicílios que não tinham qualquer preocupação com restrição quantitativa na alimentação em todas as regiões. Contudo, no período de 2004 a 2013, a região Nordeste foi a que registrou o aumento mais expressivo (15,5 pontos percentuais) de domicílios em situação de segurança alimentar, pois em 2004 menos da metade (46,4%) dos domicílios estavam nesta condição e, em 2013, essa proporção passou a 61,9%, embora ainda seja a menor prevalência de segurança alimentar entre as regiões. Embora apenas 26,2% dos domicílios particulares do país estejam situados nesta região, ela concentra 44,2% dos domicílios em situação de insegurança alimentar.
Após ter apresentado um pequeno aumento da prevalência de segurança alimentar de 2004 para 2009 (de 68,8% para 69,8%), a região Centro-Oeste registrou, deste último ano para 2013, um aumento de 12,1 pontos percentuais, atingindo 81,8% dos domicílios. O aumento da proporção de domicílios com segurança alimentar observada no Centro-Oeste se deu praticamente apenas na área urbana, onde a proporção passou de 68,4% para 82,2%.
Em todas as grandes regiões, em 2013, a proporção de domicílios com moradores em situação de segurança alimentar era maior na área urbana que na rural, diferente do observado em 2009, quando nas regiões Sul e Centro-Oeste a prevalência de segurança alimentar era maior na área rural. A região Norte apresentou o maior percentual de domicílios em situação de insegurança alimentar moderada ou grave na área urbana (13,1%) e a Nordeste na área rural (20,1%).
Considerando as unidades da Federação, em 2013, o Espírito Santo apresentou a maior prevalência de segurança alimentar (89,6%), seguido por Santa Catarina (88,9%) e São Paulo (88,4%). As unidades da Federação com as menores prevalências foram Maranhão (39,1%) e Piauí (44,4%), que sequer chegavam à metade dos domicílios particulares com alimentação assegurada. Em relação a 2009, esses estados registraram aumentos de 3,8 e 3,0 pontos percentuais, respectivamente.
No Nordeste, todos os estados apresentaram taxas de prevalência de segurança alimentar inferiores à média nacional (77,4%). Na região Norte, apenas Rondônia registrou prevalência de segurança alimentar (78,4%) acima da média nacional.
Comprar fiado foi a principal atitude adotada pelas famílias com falta de alimento
Pela primeira vez, a PNAD investigou qual a estratégia utilizada pelas famílias em situação de insegurança alimentar. Comprar fiado foi a principal atitude adotada (43,3%), seguida por pedir alimentos emprestados a parentes, vizinhos e/ou amigos (27,8%); deixar de comprar alimentos supérfluos (7,2%); pedir dinheiro emprestado (5,0%); comer menos carnes (3,5%); receber alimentos da comunidade, vizinhos, parentes e amigos (3,3%), prestar pequenos serviços a parentes e amigos em troca de alimentos (2,8%) ou outras atitudes (7,1%). Nas grandes regiões, comprar fiado foi a principal atitude no Nordeste (53,8%), Norte (50,2%) e Centro-Oeste (37,3%). Pedir alimentos emprestados a parentes, vizinhos e/ou amigos foi a principal atitude no Sul (34,2%) e Sudeste (33,5%).
Proporção de posse de bens duráveis é menor em domicílios com insegurança alimentar
Em relação à posse de bens, 98,3% dos domicílios em segurança alimentar possuíam geladeira, ao passo que, entre os com insegurança grave, 85,8% possuíam este bem. Estas diferenças ocorreram para todos os bens investigados e, quanto mais intensa a situação de insegurança, menor era a proporção de domicílios que possuíam o bem em questão, para a maioria dos bens. As maiores diferenças entre a proporção de domicílios em situação de segurança alimentar e a de insegurança alimentar grave, de acordo com a posse de bens, ocorreram para a máquina de lavar roupa (64,5% contra 21,8%), o microcomputador (54,8% contra 13,8%) e o microcomputador com acesso à internet (48,2% contra 10,0%).
Em relação a 2009, os indicadores mostraram, tanto para domicílios em situação de segurança alimentar quanto em insegurança alimentar, aumento na proporção daqueles com posse dos bens investigados pela pesquisa, mesmo entre os domicílios em insegurança alimentar grave. Em 2009, 6,0% deles possuíam computador, em 2013, 13,8%. Ainda entre os domicílios em insegurança alimentar grave, em 2013, 10,0% possuíam microcomputador com acesso à Internet, contra 3,3% em 2009.
Em 2013, o comportamento em relação à posse de bens foi diferente para os domicílios que não possuíam telefone fixo, mas tinham telefone celular e para aqueles com posse de motocicleta. Entre os domicílios em segurança alimentar, 50,2% possuíam apenas telefone celular, para aqueles em insegurança alimentar leve, o percentual aumentava para 66,9%, para aqueles com insegurança alimentar moderada, aumentava ainda mais para 69,2%, e voltando a reduzir entre os domicílios com insegurança alimentar grave (64,0%). Considerando os domicílios onde existiam motocicleta, foi entre aqueles com insegurança alimentar leve que se observou a maior proporção (23,7%).
Domicílios com insegurança alimentar são menos atendidos por serviços e têm mais moradores
Em relação aos serviços pesquisados, quanto mais intensa a situação de insegurança, menor era a proporção de domicílios atendidos. Os domicílios em insegurança alimentar leve eram menos atendidos pela rede coletora de esgotamento sanitário (44,2%) do que aqueles em segurança alimentar (63,2%). A proporção de domicílios em insegurança alimentar grave atendidos por este serviço era ainda menor (34,4%). Entre os domicílios com segurança alimentar, 92,0% tinham lixo coletado diretamente; 87,2% contavam com a rede geral de abastecimento de água e 98,8% tinham banheiro. Para aqueles em insegurança alimentar grave, os percentuais foram 75,2%; 73,6% e 87,5%, respectivamente.
A proporção de domicílios com mais moradores era maior entre aqueles com insegurança alimentar. Enquanto apenas 1,7% dos domicílios em situação de segurança alimentar tinham sete ou mais moradores, para aqueles em insegurança alimentar moderada ou grave, o percentual era de 7,4%. Nos domicílios onde existia pelo menos um morador de menos de 18 anos de idade em segurança alimentar, 3,6% tinham sete moradores ou mais e para aqueles em insegurança alimentar, 13,7%.
78,9% dos domicílios em insegurança alimentar moderada ou grave tem rendimento per capita de até um salário mínimo
A distribuição dos domicílios em segurança alimentar por classes de rendimento domiciliar per capita mostra que há uma ligeira concentração deles nas classes mais elevadas: 53,5% dos domicílios nestas condições estavam na classe de rendimento mensal domiciliar per capita acima de um salário mínimo, sendo 23,9% na classe de mais de dois salários mínimos. Por outro lado, 78,9% dos domicílios em insegurança alimentar pertenciam à classe de rendimento per capita de até um salário mínimo (excluindo os sem rendimento) e 2,2% à de mais de dois salários mínimos.
Na área urbana, 56,4% dos domicílios em segurança alimentar possuíam rendimento médio mensal domiciliar per capita superior a um salário mínimo, enquanto 15,7% dos domicílios em insegurança alimentar moderada ou grave possuíam este rendimento. A maior concentração destes domicílios estava na classe de mais de meio a um salário mínimo (30,7%).
Na área rural, enquanto 32,7% dos domicílios em segurança alimentar tinham rendimento médio mensal domiciliar per capita superior a um salário mínimo, nos domicílios em insegurança alimentar moderada ou grave o percentual era de 7,2%. Na área rural, 35,9% dos domicílios em insegurança alimentar moderada ou grave tinham rendimento de até 1/4 do salário mínimo e 28,9% tinham de mais de 1/4 a meio salário mínimo.
Domicílios com menores de 18 anos tem maior insegurança alimentar
Os domicílios particulares com pelo menos um morador de menos de 18 anos de idade registraram prevalências de insegurança alimentar acima da verificada em domicílios onde só viviam adultos. Foram classificados em situação de segurança alimentar 83,4% dos domicílios sem moradores menores de 18 anos, enquanto a presença de algum morador abaixo desta idade reduzia a prevalência para 71,2%. Este comportamento dos dados se repetiu em todas as grandes regiões, sendo na Nordeste onde se verificou a maior diferença (70,7% contra 54,7%) e na Sul a menor (88,3% contra 81,3%).
Entre 2009 e 2013, a prevalência de segurança alimentar aumentou para todas as grandes regiões, contudo aconteceu com mais intensidade nos domicílios onde existia a presença de moradores com menos de 18 anos, especialmente no Sudeste (10,5 pontos percentuais) e Centro-Oeste (13,4 pontos percentuais).
No Brasil, em 2013, conviviam com insegurança grave 4,8% da população de zero a quatro anos de idade e 4,9% da população de cinco a 17 anos de idade. Na população de 65 anos ou mais de idade esta proporção foi 2,4%. No período de 2009 a 2013, o aumento da prevalência de segurança alimentar ocorreu com mais intensidade para os moradores de grupos etários mais jovens. Em 2009, 56,6% das crianças de zero a quatro anos de idade viviam em domicílios em que não havia sido reportada qualquer preocupação com uma possível falta de alimentos por não haver dinheiro suficiente para comprá-los. Em 2013, este percentual aumentou para 65,8%. No grupo de cinco a 17 anos, a prevalência de segurança alimentar aumentou de 57,9% em 2009 para 66,8% em 2013, enquanto que para o grupo de 65 anos ou mais de idade subiu de 76,2% em 2009 para 82,4% em 2013.
Insegurança alimentar é maior em domicílios chefiados por mulheres e por pretos ou pardos
A prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave era maior nos domicílios cuja pessoa de referência eram mulheres, tanto em domicílios particulares (9,3%) quanto em domicílios particulares com pelo menos um morador de menos de 18 anos de idade (10,7%). Para domicílios onde a pessoa de referência era um homem os percentuais foram 6,9% e 7,2%, respectivamente.
Regionalmente, a proporção de domicílios em que os moradores passavam por algum tipo de restrição aos alimentos, de uma forma geral, era maior naqueles onde a pessoa de referência era do sexo feminino, exceto na região Nordeste, onde a estimativa foi de 23,7% quando a pessoa de referência era homem e 23,5% quando era mulher. Na região Norte foram identificadas as maiores prevalências de insegurança alimentar grave tanto em domicílios cuja pessoa de referência era uma mulher (7,7%) como em domicílios cuja pessoa de referência era um homem (6,2%). Por outro lado, foi no Nordeste onde se verificaram as maiores prevalências de insegurança alimentar moderada: 9,6% nos domicílios com pessoa de referência mulher e 8,4% naqueles onde a pessoa de referência era homem.
Os domicílios cuja pessoa de referência era da cor ou raça preta ou parda registraram prevalências de insegurança alimentar maiores em todas as suas dimensões do que os domicílios com pessoa de referência da cor ou raça branca. Entre os domicílios com pessoa de referência preta ou parda, 29,8% estava em situação de insegurança alimentar, enquanto para os brancos a prevalência foi de 14,4%.
Maior escolaridade reduz incidência de insegurança alimentar
Para o Brasil, urbano ou rural, quanto maior o nível de escolaridade dos moradores, menor a prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave. Em 2013, 13,7% dos moradores com um a três anos de estudo estavam em situação de insegurança alimentar moderada ou grave. Para aqueles com 15 anos ou mais de estudo, o percentual era de 1,2%. As grandes regiões apresentaram o mesmo comportamento, contudo Nordeste e Norte apresentaram percentuais de moradores em insegurança alimentar moderada e grave mais elevados que as demais regiões, em qualquer nível de escolaridade. Entre 2009 e 2013, houve redução da insegurança alimentar moderada ou grave em todos os níveis de escolaridade, especialmente entre aqueles com um a três anos de estudo (19,5%, em 2009).
Dos 55,5 milhões de moradores de 18 anos ou menos de idade, no total de domicílios particulares, 79,8% frequentavam escola ou creche, e entre os 6,2 milhões que viviam em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave, esse percentual era de 75,7%. Em relação a 2009, embora o percentual de moradores de menos de 18 anos que frequentavam escola ou creche tenha aumentado (78,3%, em 2009) este fato não foi tão significativo para os que viviam em domicílios em situação de insegurança alimentar moderada ou grave (75,3%, em 2009).
A cor ou raça dos moradores teve impactos diferenciados na prevalência de insegurança alimentar. Do total de 93,2 milhões de moradores brancos, 17,2% conviviam ao menos com a preocupação de que os alimentos pudessem faltar devido à falta de dinheiro para comprar mais. Para os 106,6 milhões de moradores pretos ou pardos, este percentual subia para 33,4%.
Não foi verificada diferença na proporção de homens e mulheres sujeitos à restrição alimentar. Em 2013, estes percentuais foram estimados em 25,8% dos moradores homens e moradoras mulheres de domicílios particulares. Em termos absolutos, correspondia a 25,3 milhões de homens e 26,8 milhões de mulheres.
54,7% das pessoas em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave trabalhavam
Em 2013, dos 14,3 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade que moravam em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave, 54,7% estavam ocupados. Entre os ocupados, 31,5% estavam em atividades agrícolas. O cenário nas áreas urbana e rural, em relação à atividade, foi diferenciado. No rural, 73,7% dos ocupados estavam em atividades agrícolas, contra 12,7% na área urbana.
Dos domicílios cuja pessoa de referência estava ocupada, 22,7% estavam em algum nível de insegurança alimentar. Analisando pela posição na ocupação, entre os empregadores a prevalência era a menor (7,0%) e entre os trabalhadores na produção para próprio consumo ou na construção para o próprio uso, 45,8% estavam com insegurança alimentar. Entre os trabalhadores domésticos a prevalência de insegurança alimentar também era elevada, 34,2%. (ecodebate)

Iniciativas evitam o desperdício e alimenta 1,6 milhão de brasileiros

Iniciativas evitam o desperdício e comida que iria para o lixo alimenta mais de 1,6 milhão de brasileiros
Mais de 100 iniciativas evitam o desperdício e ajudam a combater a fome no Brasil. Sobras próprias para consumo são recolhidas em feiras e centrais de abastecimento e distribuídas em instituições e comunidades.
O trabalho deste grupo começa quando o fim da feira se aproxima: Daniel Ferratoni e Lucila Matos espalham contêineres entre as barracas para recolher frutas, verduras e legumes que iriam para o lixo. Eles são idealizadores do Banco de Alimentos de Santos, no litoral norte paulista, uma organização focada em combater o desperdício e distribuir esses alimentos em comunidades em situação vulnerável.
Todas as quartas-feiras, Daniel, engenheiro, e Lucila, formada em relações internacionais, recolhem em torno de 200 quilos de comida. “Os feirantes separam para a gente principalmente talos e folhas de alimentos, como brócolis e cenoura, que o cliente não leva na hora da compra”, diz Daniel. “Mas também recolhemos caixas fechadas de frutas e vegetais mais perecíveis que eles não conseguem vender”, completa.
“Gosto de ajudar, sei que essa comida mata a fome de muita gente”, diz Lívia, feirante há 22 anos e uma das colaboradoras mais fiéis. Nesta quarta-feira, a barraca dela doou vagem, jiló, chuchu, pepino, brócolis e tomate.
Maycon Henrique, Lucila Matos, Daniel Ferratoni e Douglas Carvalho, do Banco de Alimentos de Santos.
A iniciativa em Santos, fundada em janeiro, buscou inspiração dentro e fora do Brasil. Lucila acompanhou o trabalho em Bonn e Colônia, na Alemanha – um dos países pioneiros, onde mais de 900 bancos de alimentos estão em funcionamento. “De lá, trouxemos a ideia de distribuir os alimentos diretamente nas comunidades. Aqui no Brasil, a maioria recolhe a comida e entrega em instituições”, conta.
Combate ao desperdício
O primeiro banco de alimentos do Brasil surgiu em 1994, fundado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), em São Paulo. O movimento, com o objetivo de combater o desperdício e a fome, se expandiu num ritmo tímido entre as outras unidades do país, e algumas ONGs, como a Banco de Alimentos SP e a Banco de Alimentos de Porto Alegre, foram criadas com o mesmo objetivo.
O primeiro banco de alimentos criado com verba do governo federal surgiu somente em 2003. Atualmente, são 78, apoiados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). “Eles estão em funcionamento em todas as regiões do país, em 24 estados, 16 capitais, com uma cobertura de 60% dos municípios acima de 300 mil habitantes”, informou o MDS à DW Brasil.
Essas regiões são estratégicas, porque concentram grandes redes varejistas, indústrias alimentícias e centrais de abastecimento – locais onde, segundo o ministério, as perdas e o desperdício de alimentos são alarmantes.
Atualmente, cerca de 100 projetos funcionam no Brasil, somando os administrados pela sociedade civil e pelo Estado. A comida recolhida é fonte de alimento para mais de 1,6 milhão de pessoas no país, calcula o governo federal.
Todos os anos, estima-se que 1,3 bilhão de toneladas de alimentos bons para o consumo sejam descartados. No Brasil, um dos maiores produtores agrícolas mundiais, esse número é de quase 27 milhões. Ao mesmo tempo, cerca de 805 milhões de pessoas passam fome no mundo, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Comida recolhida pelo Banco de Alimentos de Santos é distribuída entre 100 famílias da comunidade Alemoa.
Fila na hora da partilha
Em Santos, o alimento recolhido na feira é transportado por uma Kombi “coletiva”, usada em outro projeto social na região. A comida é distribuída entre 100 famílias da comunidade Alemoa, bairro de baixa renda, endereço de 970 famílias.
Na casa da líder comunitária, Maria Lúcia Cristina Jesus Silva, as caixas coletadas são pesadas e, na sequência, distribuídas. “Muita gente sobrevive com isso”, conta Maria, moradora da comunidade desde 1974.
Uma hora antes da partilha, uma fila começa a se formar. Os moradores trazem uma sacola, recebem uma senha e podem escolher o que levar para casa. “Eu pego para mim e para minha vizinha, que está doente”, conta Antônio, 63 anos, desempregado.
O projeto de Daniel e Lucila foi fundado a partir de um financiamento coletivo de internautas. Eles não têm salários e contam com oito voluntários. Maycon Henrique, de 14 anos, sempre participa às quartas-feiras, depois que sai da escola. “Eu gosto de ajudar minha comunidade. E sempre levo para casa alface, melancia e melão que iriam para o lixo. Minha mãe também gosta.” (ecodebate)

Desperdício de alimentos – quem paga essa conta?

Há mais de duas décadas, o tema chama a atenção de especialistas em segurança alimentar e, mais recentemente, também de ativistas que defendem o meio ambiente. A perda de alimentos também significa perda de recursos naturais. Hoje, um terço do que é produzido no campo não chega à mesa do consumidor.
No Brasil, 60% dos alimentos produzidos no campo já são desperdiçados entre a colheita, o transporte e o manuseio. Outros 30% se perdem nas Centrais de Abastecimento, as Ceasas, e mais 10% são jogados fora nos supermercados e nas residências.
A equipe de reportagem mostra como e onde ocorre grande parte dessa perda de alimentos, e apresenta exemplos de gente que encontrou maneiras de contribuir para mudar essa realidade. (ecodebate)

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