segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Países mais ameaçados pelo aumento do nível do mar

O aquecimento global é o maior risco da sociedade contemporânea. Em artigo anterior, com base em um relatório divulgado no mês de maio de 2016 pela Christian Aid, mostrei como 20 grandes cidades serão afetadas pelo aquecimento global. Os últimos dados mostram que a temperatura nos primeiros 12 meses de setembro de 2015 a agosto de 2016 ficou 1ºC acima da média do século XX.

Quanto mais a temperatura esquenta, maiores são as áreas de degelo da Groenlândia, da Antártica e dos glaciares. A água que derrete aumenta o nível do mar. Uma avaliação do Banco Mundial estima que se as temperaturas globais subirem 2°C até 2100, o aumento médio do nível do mar poderá ficar entre 80 cm e 1 metro até o final do século. Além disto, o aquecimento global deve provocar tempestades e furacões como o tufão Haiyan que devastou as Filipinas em 2013. Chuvas mais fortes e a elevação do nível do mar vão provocar grandes inundações nas áreas costeiras das grandes cidades dos países mais populosos.

O relatório da Christian Aid mostra que a população exposta ao risco, no total dos 25 países mais vulneráveis, era de 510 milhões no ano 2000, deve passar para 824 milhões em 2030 e atingir 1,3 bilhão de pessoas até 2060.

A China será o país mais afetado com 245 milhões de pessoas sob risco das mudanças climáticas em 2060. A Índia vem em segundo lugar com 216 milhões de pessoas. Bangladesh vem em seguida com 110 milhões de pessoas. Em quarto lugar aparece a Indonésia com 94 milhões e em quinto o Vietnã com 80,4 milhões de pessoas em risco. Dois países da África aparecem na ordem seguinte, sendo o Egito com 63,5 milhões e a Nigéria com 57,7 milhões de pessoas sob risco de inundações.

Os Estados Unidos aparecem em oitavo lugar com 43,9 milhões de pessoas sob risco. O Brasil aparece em 15º lugar, com 18,7 milhões de pessoas sob risco dos efeitos do aquecimento global e do aumento do nível do mar.

O Reino Unido aparece em 22º lugar, com uma população de 8,8 milhões de pessoas sob risco de inundações. Um aquecimento de dois graus pode colocar Londres debaixo d’água, como mostra a ilustração abaixo. As perdas seriam incalculáveis para toda a Grã-Bretanha.
Evidentemente, os prejuízos não ficarão restritos a estes 25 países. Todo o planeta será afetado. O relatório da Christian Aid conclui com a seguinte reflexão:
“A mudança climática não é um conceito abstrato, mas sim uma realidade cada vez mais sentida por milhões de pessoas em todo o mundo. Para aquelas que vivem em regiões costeiras e têm suas vidas ameaçadas, este relatório mostra que esse impacto só vai ficar mais grave ao longo das décadas. As alterações climáticas desempenharão um papel cada vez maior nos desastres humanitários, especialmente ao longo do litoral. Por isso que é vital que tenhamos alguma reflexão conjunta e que a mitigação do clima e a adaptação se tornem uma parte essencial dos esforços nacionais e internacionais para fazer face às crises humanitárias. Ano passado houve o Acordo de Paris e a Cúpula Humanitária. Se quisermos garantir o padrão de vida das populações costeiras, com resiliência em face às ameaças humanitárias, é essencial que estas duas vertentes atuem conjuntamente com um objetivo único”.
Relatório do Banco Mundial (GFDRR, 2016) mostra que, em 2050, um montante de US$ 158 trilhões em ativos estarão em risco de inundação e o número de 1,3 bilhão de pessoas estarão em risco de se tornarem “refugiados” do clima. O relatório considera que os prejuízos causados por desastres já estão aumentando ao longo das últimas décadas e a tendência é piorar, impulsionado em grande parte pela mudança climática e a urbanização. Em relatório anterior (GFDRR, Bringing Resilience to Scale), divulgado na conferência de riscos, nas últimas duas décadas, os eventos climáticos extremos já afetaram mais de quatro bilhões de pessoas, matando mais de 600.000 e causando $ 1,9 trilhão em perdas econômicas.
Os crescentes prejuízos provocados pelas mudanças climáticas devem aumentar a probabilidade de a economia internacional entrar na fase conhecida como “estagnação secular”, com baixa produtividade e baixo crescimento econômico. Numa situação de aumento das desigualdades, o mundo pode ver o encontro do choque ambiental e o choque social.
Malé, Capital das Maldivas.
O aquecimento global é um fenômeno típico da “Sociedade de Risco”, como definiu Ulrich Beck. Crescem as externalidades negativas. As mudanças climáticas, provocadas pela concentração de CO2 tal como descrito acima, não são fenômenos naturais, mas “incertezas fabricadas” que podem gerar uma grande catástrofe global. Segundo Beck, estas “incertezas fabricadas” caracterizam-se por três aspectos: “deslocalização” (suas causas e consequências não se limitam a um local ou espaço geográfico – são onipresentes); “incalculabilidade” (são incalculáveis); e “não-compensabilidade” (é o fim do sonho da segurança da modernidade em tornar os perigos cada vez mais controláveis). O desafio do aquecimento global é um fenômeno que se encaixa na definição de Beck sobre imperativos cosmopolitas: se não houver cooperação haverá fracasso!
Portanto, é urgente reverter a tendência de aumento das emissões de gases de efeito estufa e evitar as consequências nefastas do aumento da temperatura global. Caso contrário, toda a humanidade e a vida na Terra estarão em risco. (ecodebate)

Nível do mar sobe ao ritmo mais rápido em 2 800 anos

Entre 1900 e 2000, os oceanos e os mares do planeta subiram cerca de 14 centímetros, mostra conjunto de artigos publicados em prestigiada revista científica.
Escultura do artista Jason deCaires Taylor: aumento do nível do mar é um dos efeitos colaterais do aquecimento global que mais preocupam.
Os níveis do mar estão subindo ao ritmo mais rápido já registrado nos últimos 2 800 anos, e as emissões liberadas por atividades humanas dos nocivos gases de efeito estufa, vilões do aquecimento global, são as principais responsáveis.
O alerta vem de um conjunto de artigos publicados nesta semana na prestigiada revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências (PNAS).
Segundo os estudos, até a década de 1880 (durante o período de industrialização do mundo), o ritmo mais rápido de elevação do nível dos oceanos foi de 3 centímetros a 4 centímetros por século. Mas no século 20, sozinho, os mares do mundo subiram nada menos do que 14 centímetros.
As pesquisas ilustram o crescente poder dos computadores para simular as complexas interações entre o clima, o derretimento do gelo polar e os oceanos do planeta — ao todo, mais de 6 milhões de anos de dados climáticos foram analisados.
Seus resultados somam-se à crescente coleção de evidências de que a humanidade contribui, em muito, para o aumento da temperatura global e a consequente elevação do nível do mar. Parte do aumento é devido ao derretimento das geleiras e outra parte ao aumento da temperatura da água, que se expande quando fica mais quente.
Pelas projeções dos cientistas, até 2100, os oceanos do mundo poderão subir ainda mais — entre 28 centímetros e 131 centímetros, dependendo do volume de emissões de gases efeito estufa que as indústrias e veículos liberarem na atmosfera. 
“Nós definitivamente estamos confiantes de que a elevação do nível do mar vai continuar a acelerar se houver mais aquecimento, o que inevitavelmente ocorrerá”, disse ao The New York Times o geofísico Stefan Rahmstorf, do Potsdam Institute for Climate Impact Research, autor de um dos estudos publicados.
O aumento do nível do mar é um dos efeitos colaterais do aquecimento global que mais preocupam os cientistas. Mantidos os atuais padrões de emissões, a elevação de 4ºC na temperatura tem potencial suficiente para submergir terras que atualmente são o lar de mais de 500 milhões de pessoas.
1. Para eles, o desafio da sobrevivência já começou
Ao longo dos últimos 20 anos, o nível dos mares subiu uma média de 8 centímetros como resultado do aquecimento das águas e do derretimento das geleiras. Até o final deste século, ele pode aumentar em um metro ou mais, segundo previsões do último Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), principal referência científica no assunto. Essa alta reserva um futuro sombrio para muitas cidades costeiras e nações insulares no mundo e coloca mais de 40 milhões de pessoas em situação de risco. A sentença severa já ameaça a existência de micronações, como as Maldivas, o país mais baixo e plano da Terra, e Kiribati, um pequeno país no Pacífico que estuda a ideia radical de mudar toda a sua população para uma nova ilha. Não por acaso os líderes destes pequenos Estados insulares representam algumas das vozes mais apaixonadas, firmes e exigentes nas discussões da COP21, a conferência mais importante sobre clima da ONU, que acontece em Paris. Afinal, se o mundo não chegar a um acordo capaz de frear o ritmo das mudanças climáticas, estes micro países serão os primeiros a sofrer as piores consequências por estarem na linha de frente do perigo. Para eles, o desafio da sobrevivência já começou.
2. Ilhas Maldivas
Um micro país no meio do Oceano Índico é uma vítima fácil para o aumento do nível do mar. No último século, as água já subiram 20 centímetros em algumas partes do país. De acordo com o levantamento da Ong Co+Life, uma elevação brusca poderia varrer do mapa esse paraíso de praias de areia branquinha, palmeiras e atóis de corais. Temendo o pior, o governo local já estuda comprar um novo território para o seu povo.
3. Ilhas Salomão, no Pacífico
Pequeno país insular localizado a leste da Papua-Nova Guiné, no Oceano Pacífico, as pacatas Ilhas Salomão ganharam o noticiário mundial em fevereiro de 2013, após serem atingidas por um tsunami que matou cinco pessoas. Embora possa parecer pontual, a tragédia é a face mais radical de um drama vivido diariamente pela população local, formada por pouco de mais de 500 mil habitantes. Comunidades inteiras estão se realocando para evitar catástrofes a medida que a maré sobe. As ilhas com altitudes mais baixas são as mais atingidas.
4. Ilhas Marshall
Se nos dias de maré alta, a população das Ilhas Marshall já sofre com os danos da invasão da água salgada, uma alta brusca de quase um metro até o fim do século é uma sentença de morte para a região. O mar já cobriu parte do território e está erodindo a costa, enquanto secas e cheias castigam ainda mais o arquipélago, formado por 29 atóis e ilhas de corais entre a Austrália e o Havaí.
5. Kiribati
Outro pequeno país insular que pode estar com os dias contados é Kiribati, um arquipélago formado por 32 atóis no Oceano Pacífico. Com o aumento do nível do mar circundante, o presidente de Kiribati, Anote Tong, prevê que seu país provavelmente se tornará inabitável dentro de 30 a 60 anos. Ele está atrás de um novo lar para os 100 mil habitantes da região, que tem sofrido com a invasão de água salgada que prejudica a agricultura local. Durante discurso na COP 21, em Paris, Tong agradeceu publicamente a nação de Fiji por ter concordado em receber o seu povo se o pior acontecer.
6. Tuvalu
Na arena internacional, o pequeno conjunto de nove ilhas localizado no oceano pacífico, entre a Austrália e o Havaí, é um dos que mais trabalha para se fazer ouvir em meio aos interesses de grandes nações nas negociações climáticas. Com área de 26 km², o minúsculo Estado corre o risco de submergir diante do aumento do nível do mar. Nos últimos anos, as inundações constantes já vêm atrapalhando a produção de cultivos locais e a obtenção de água potável.
7. Seicheles
Nação insular localizada no Oceano Índico, as Seicheles são constituídas por vários arquipélagos localizados a noroeste de Madagáscar. Com uma população de 87 mil habitantes, foi uma das primeiras nações a ligar o alarme global sobre o impacto das alterações climáticas e da consequente ameaça da elevação do mar para pequenos países insulares.
8. Delta do Mekong
Densamente povoado, a região do Delta do Mekong, uma das mais férteis do Vietnã, pode tornar-se vítima das mudanças climáticas. Um aumento do nível do mar inundaria rapidamente as fazendas de camarões, os vilarejos e os cultivos agrícolas, que garantem trabalho e sustento para os moradores locais. Segundo previsões mais pessimistas, até 2100, o mar engolirá 5% do território e 7% das terras agrícolas.
9. Delta do Ganges, Bangladesh
Bangladesh é um país com poucas elevações acima do nível do mar, com grandes rios em todo seu território situado ao sul da Ásia. A estimativa é que 120 milhões de pessoas que vivem no delta do Ganges estão ameaçadas pela elevação do nível do mar. Os desastres naturais como inundações, ciclones tropicais, tornados e marés em rios são normais em Bangladesh todos os anos.
10. Ar irrespirável
(abril)

Catástrofe climática e a rápida elevação do nível do mar

“O nível do mar pode subir vários metros numa escala de tempo de 50 a 150 anos” - James Hansen (2016).
Ninguém mais duvida do aquecimento global. 197 países assinaram, em 2015, o Acordo de Paris, da COP-21, com a intenção de conter o aquecimento em no máximo 2ºC até 2100. Antes da COP-22, no Marrocos, ocorrida em novembro de 2016, o Acordo de Paris foi ratificado e já está em vigor. Agora vem a parte mais difícil que é limitar a temperatura até o máximo de 1,5ºC.
Mas tudo indica que o mundo caminha para a maior temperatura dos últimos 5 milhões de anos e as perspectivas são sombrias (Alves, 19/09/2016). Em consequência, a elevação do nível do mar é uma realidade inquestionável e está aumentando desde o final do século XIX. Segundo relatório do IPCC (Gregory, 2013), a taxa de aumento foi de 1,5 mm, ao ano, entre 1901-1990 e passou para 3,2 mm, ao ano, entre 1993-2010, como mostra a figura acima. No século XX, houve um aumento de, aproximadamente, 20 cm do nível do mar.
Acontece que essa taxa está se acelerando. Segundo o mesmo autor (Gregory, 2013), numa projeção considerada hoje em dia conservadora, o mais provável é que o aumento do nível do mar alcance 60 cm a 1 metro até 2100. Somente entre 1993 e 2016 o aumento foi de 9 cm. A NASA calcula em 3,5 mm a elevação em 2016. Como a temperatura está subindo, o mais provável é que esta taxa suba também.
Artigo de Nicola Jones (05/05/2016), no site e360 Yale, coloca com clareza as tendências mais recentes. Ela começa dizendo que 99% do gelo de água doce do planeta está preso nas calotas da Antártica e da Groenlândia e que o degelo, especialmente desta última, poderá fazer o nível do mar aumentar 1,8 metro (seis pés) no século XXI e muito mais no século XXII. O site Climate Central tem uma série de mapas mostrando o efeito da subida do nível do mar em 1,8 metros.
Neste quadro, a catástrofe climática será implacável. Relatório do Banco Mundial, divulgado em maio de 2016, prevê que 1,3 bilhão de pessoas serão afetadas pelas inundações nas próximas décadas e o prejuízo material pode chegar a US$ 158 trilhões. Será um desastre para a população e a economia internacional. O relatório diz: “Tomorrow’s risk is being built today. We must therefore move away from risk assessments that show risk at a single point in the present and move instead towards risk assessments that can guide decision makers towards a resilient future”.
No longo prazo o cenário é apocalíptico. Contudo, não é preciso esperar tanto, pois o ano de 2016 já foi pródigo em eventos extremos e desastres climáticos. Houve chuvas torrenciais e inundações em vários países. Logo no início de janeiro, diversas cidades da Inglaterra e da Escócia ficaram debaixo d’água e tiveram as piores inundações em séculos. O ciclone Roanu atingiu o sul de Bangladesh e deixou 23 mortos e 500 mil deslocados em junho de 2016. O tufão Nepartak matou três pessoas em Taiwan e forçou 420 mil habitantes a deixarem suas casas na China em julho de 2016. Um grande volume de chuvas no Estado da Louisiana, no sul dos Estados Unidos, deixou pelo menos 15 mortos e milhares de pessoas em abrigos de emergência em agosto de 2016. A Cruz Vermelha americana declarou que o desastre natural é pior a acontecer no país desde o Furacão Sandy, há 4 anos.
Estes são alguns poucos exemplos dos alagamentos que já provocam milhares de mortes, geram milhões de refugiados e causam prejuízos materiais de bilhões de dólares. As fotos abaixo mostram as inundações que atingiram diversas regiões da França em junho de 2016.
Mas o que já parece muito ruim, pode ficar ainda muito pior se o aquecimento global se acelerar e aumentar a taxa de elevação do nível do mar. Artigo de Robert M. DeConto e David Pollard, publicado na revista Nature (31/03/216) mostra que no último período interglacial (130.000 a 115.000 anos atrás), com temperaturas pouco acima das atuais, a média global de aumento do nível do mar (GMSLR) foi de 6 a 9 metros. Os autores mostram que, se as emissões de GEE continuarem no nível atual, somente a Antártica tem o potencial de contribuir com mais de um metro de elevação do nível do mar até 2100 e mais de 15 metros até 2500. Assim, no pior cenário de emissões de gases de efeito estufa, o nível médio do mar subiria cerca de 2 metros até o fim do século, extinguindo nações insulares e gerando grande quantidade de refugiados do clima em cidades como Rio de Janeiro, Londres, Miami, Xangai, etc.
Em artigo publicado no mês de março, no periódico Atmospheric Chemistry and Physics Discussion, o cientista James Hansen e colegas (2016) afirmam que o aumento da temperatura em 2ºC pode ser extremamente perigoso, pois pode gerar super-furacões e elevar o nível do mar, no longo prazo, em vários metros, ameaçando as áreas costeiras em geral, especialmente as mais povoadas. Os autores consideram que as mudanças de temperatura em 2065, 2080 e 2096 podem fazer a elevação do nível do mar chegar a 0,6, 1,7 ou 5 m, nas respectivas datas (Hansen, 2016, p. 3766).
Assim, é importante levar em consideração o que o site Climate Central está mostrando em termos de subida do mar e também as chances de inundações por tempestades. As probabilidades de desastres vão dobrar até 2030. Os estudos científicos estimam um aumento de 0,6 metros a 2 metros do aumento do nível do mar no século XXI. Na costa leste dos Estados Unidos, pelo menos 5 milhões de pessoas vivem em 2,6 milhões de domicílios localizados em até 1,2 metro acima da maré alta. Se o nível do mar chegar a algo parecido com 2 metros então o desastre será de elevada proporção. A figura abaixo mostra com ficará Miami se os 2 metros forem alcançados.
Os cenários apontados pela ciência não deixam dúvidas de que há uma catástrofe desenhada à frente. Mas em vez de reduzir os riscos, a população mundial continua crescendo (deve passar de 7 bilhões em 2011 para 11,2 bilhões em 2100) e a economia cresce em ritmo ainda mais acelerado. O mundo está cada vez mais dependente do transporte de longa distância. Aumenta a percentagem da população nas cidades e também a proporção da produção econômica (PIB) localizada nas áreas urbanas. As cidades que são principais responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa (GEE) serão as áreas mais afetadas. A maioria das grandes cidades do mundo está em áreas litorâneas e perto de algum grande rio. Isto as torna mais vulneráveis ao aumento do nível do mar e ao aumento das precipitações que geram inundações e alagamentos.
Novo estudo liderado por James Hansen e mais 11 cientistas (04/10/2016) mostra que a temperatura da Terra está em torno de 1,25ºC acima do período pré-industrial e o ritmo de aumento é de 0,18ºC por década. Nesta taxa, o Planeta vai repetir a temperatura do período Eemiano, que terminou a 115 mil anos atrás, quando havia muito menos gelo e o mar estava entre 6 e 9 metros acima dos níveis atuais. O estudo lança um alerta e mostra que as metas (INDCs) do Acordo de Paris não são suficientes para evitar a catástrofe climática.
Artigo de Tobias Friedrich et. al., publicado na revista Science (09/11/2016) sugere que o clima da Terra poderia ser mais sensível aos gases de efeito estufa do que se pensava, elevando o espectro de um cenário apocalíptico da elevação da temperatura de mais de 7ºC dentro do espaço de uma vida. Se a temperatura da Terra subir 7ºC, poderia desencadear o tipo de aquecimento global que transformaria o Planeta em um inferno.
Pode ser modesta a previsão do Banco Mundial, que estima em 1,3 bilhão de pessoas o número da população afetada pelas mudanças climáticas. Provavelmente este número seja apenas das pessoas que vão ficar debaixo d’água. Mas o número de pessoas afetadas será muito maior, pois uma crise de grandes proporções nas cidades litorâneas não deixará intactas as populações do interior que dependem da mobilidade das pessoas e dos bens e serviços que circulam nos portos e aeroportos das cidades costeiras.
Se o aquecimento global continuar em sua trajetória ascendente, mesmo antes de atingir 6 a 9 metros, a catástrofe pode ser ampla, geral e irrestrita. (ecodebate)

Consequências do degelo





O degelo é uma das consequências do aquecimento global. A Groenlândia é um exemplo de área que está sendo bastante afetada por esse fenômeno.
O constante processo de elevação da temperatura média global, desencadeado principalmente pela intensificação do efeito estufa, está provocando uma série de fenômenos maléficos ao meio ambiente, como é o caso do degelo, uma das consequências do aquecimento global.
As regiões polares são as mais atingidas pelo degelo, pois o derretimento dessas áreas está ocorrendo de forma muito rápida. Conforme cientistas ambientais, o degelo agrava ainda mais o aquecimento da Terra, haja vista que durante esse processo ocorre a liberação de gases prejudiciais ao meio ambiente.
Pesquisas realizadas confirmam que o Oceano Ártico teve sua área reduzida em 14%, além da camada de gelo ter se tornado 40% mais fina. A Antártida, por sua vez, perdeu 3.000 km2 de extensão, em consequência de uma elevação de 2,5°C desde 1940. Com o derretimento das calotas do Ártico e da Antártica, uma grande camada de água, proveniente do gelo, fluirá para os oceanos, podendo contribuir para a elevação do nível do mar. Tal ocorrência ameaça milhões de pessoas em todo o mundo.
Degelo na Groelândia
Outra área bastante afetada pelo degelo é a Groelândia. Conforme pesquisa divulgada pela revista Science, o degelo na Groelândia triplicou nos últimos anos. Atualmente, o gelo dessa região derrete a um ritmo muito acelerado, sendo que esse processo tem se intensificado desde 2004.
Conforme dados da Worldwatch Institute, as principais cordilheiras do mundo estão sofrendo significativas reduções em massa de gelo e neve. Monitoramentos revelam que as geleiras dos Alpes recuaram cerca de 35%. Um artigo da revista britânica Science, de outubro de 2002, afirma que a capa de neve a qual cobre o monte Kilimanjaro, na Tanzânia, pode desaparecer em 20 anos.
De acordo com cientistas da Universidade de Edimburgo e da Universidade de Londres, a quantidade de gelo derretido chega a 125 trilhões de toneladas por ano. Fato que proporciona um aumento no nível do mar, que, apesar de ser de poucos centímetros em algumas regiões, já é o suficiente para promover um desequilíbrio ambiental. Em 2010, o nível dos oceanos deverá estar aproximadamente um metro acima do que estava previsto pelo Painel do Clima das Nações Unidas (IPCC).
A elevação da temperatura global está afetando o equilíbrio ambiental, atingindo todos os tipos de vida. Várias espécies de animais marinhos e peixes estão ameaçadas pelo degelo. Um exemplo bastante representativo é a redução do gelo na Antártica, a qual fez com que a população de pinguins diminuísse em 33%.

Calcula-se que aproximadamente 200 milhões de indivíduos serão afetados com o aumento do nível do mar, e que 60% da população residente em áreas costeiras terão que migrar para outras regiões. (uol)


sábado, 3 de dezembro de 2016

Degelo ártico ameaça ecossistemas com consequências catastróficas


Degelo ártico ameaça os ecossistemas locais e pode ter consequências catastróficas

Degelo ártico ameaça resto do mundo. Relatório apresenta 19 pontos críticos em que mudanças climáticas na região polar podem causar impactos permanentes; temperaturas em partes do Ártico estão até 20ºC mais altas que a média.

O Ártico enfrenta mudanças climáticas bruscas que ameaçam os ecossistemas locais e podem ter consequências catastróficas para o restante do planeta. É o que mostra o Arctic Resilience Report, relatório resultante de cinco anos de pesquisa de cientistas do Instituto de Pesquisas Ambientais de Estocolmo.
O relatório apresenta 19 “pontos de virada” já em curso ou próximos de entrar em curso, que podem ser desencadeados pelo derretimento da banquisa (camada de mar congelado que recobre o Oceano Ártico) na região. Esses pontos de virada são caracterizados por mudanças rápidas ou bruscas em um sistema natural, que podem causar alterações irreversíveis em outros ecossistemas próximos. Verões sem gelo marinho, o colapso de sistemas de pesca do Ártico, transformação de paisagens e mudanças de solo e vegetação estão entre as possíveis consequências cujos efeitos poderiam afetar mais regiões do planeta.
Um desses pontos é o chamado “feedback de albedo”, ou a mudança no padrão de absorção de radiação pela superfície. Com o aquecimento global, o gelo e a neve (que são brancos e rebatem a maior parte da radiação solar de volta para o espaço) dão lugar à tundra, mais escura, que absorve radiação e esquenta mais a região. Isso, por sua vez, eleva a temperatura do solo, liberando gás metano da matéria orgânica antes congelada, que eleva ainda mais as temperaturas, num círculo vicioso. Já a mudança na distribuição de gelo no oceano pode causar mudanças que chegam até a Ásia.
O mais temido desses “pontos de virada” é a perda do gelo marinho permanente na bacia do Ártico, o que causaria problemas sérios para espécies como o urso polar, mas também mudaria os padrões meteorológicos em boa parte do hemisfério Norte, já que o regime de ventos na região é controlado em parte pelo Oceano Ártico. Embora o IPCC (o painel do clima da ONU) tenha descartado que o gelo da região já tenha atingido o ponto de virada, o monitoramento da banquisa em 2016 tem deixado os cientistas de cabelo em pé.
A extensão mínima de gelo marinho no verão foi a segunda menor registrada desde o início das medições com satélites, no fim dos anos 1970. E, neste inverno, o gelo está derretendo em algumas regiões em vez de se recompor, como seria esperado. Alguns locais têm registrado temperaturas até 20°C superiores à média para novembro.
“Sistemas sociais e biofísicos do Ártico estão profundamente ligados com os sistemas sociais e biofísicos do nosso planeta. Mudanças rápidas, dramáticas e sem precedentes nessa sensível região provavelmente serão sentidas em outros lugares. Como lembramos com frequência, o que acontece no Ártico não se restringe somente ao Ártico”, afirma o documento.
“O Ártico está passando por mudanças rápidas e dramáticas, e é fundamental e urgente desenvolver resiliência na região. Essa resiliência não depende apenas do comprometimento e imaginação das comunidades locais; a população precisa de apoio de governos e outros parceiros para encontrar soluções sabendo que terão auxílio externo para implementar seus planos”, conclui. (ecodebate)

Trump, negacionismo e o aquecimento global

A ameaça que emergiu da recente eleição norte-americana pairou sobre a Conferência do Clima (COP22) realizada em Marrakech, encerrada em 18/11/16. Isto ocorreu devido às polêmicas declarações sobre o aquecimento global do presidente eleito Donald Trump, que afirmou que o conceito “foi criado por e para os chineses, para que a indústria manufatureira não seja competitiva” e completou dizendo que “Nova York está congelante, está nevando. Nós precisamos do aquecimento global”.
Durante a campanha eleitoral Trump afirmou que retiraria os Estados Unidos do Acordo de Paris, que já foi ratificado por mais de 100 países e entrou em vigor dia 04/11/16. A ratificação do acordo em prazo recorde constitui um dos maiores avanços da humanidade no combate às mudanças climáticas.
A escolha de integrantes de sua equipe de transição parece confirmar as promessas de campanha e contribui para aumentar a preocupação quanto aos desdobramentos para o acordo climático. Para tratar as questões energéticas e ambientais, Trump indicou o lobista da indústria de combustíveis fósseis, Myron Ebell, reconhecido cético da teoria predominante sobre o aquecimento global.
O senhor Ebell faz parte de um grupo de intelectuais denominado Cooler Heads Coalition (Coalizão de cabeças frias, em tradução literal), financiado pela indústria de petróleo para combater o que qualificam de exageros acerca das mudanças climáticas. Além disso, Ebell é diretor da organização conservadora Competitive Enterprise Institute formada também por céticos em relação ao aquecimento do planeta.


No mesmo momento em que estes fatos decorrentes da eleição norte-americana ocorriam, a COP22, em 08/11/16 divulgou dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM) demonstrando que os últimos cinco anos foram os mais quentes dos registrados. Isto implica num aumento do nível do mar devido à inesperada rapidez no derretimento da camada de gelo polar. Atualmente o gelo do oceano ártico dos últimos cinco anos está 28% menor que a média dos 29 anos anteriores. Segundo a OMM as temperaturas se aproximam perigosamente da meta estabelecida na COP21.

São esses dados irrefutáveis e comprovados por várias agências internacionais e mesmo norte-americanas, como a Agencia Espacial (NASA) e a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), que os seguidores de Trump não aceitam e pretendem combater.

Mesmo a hipótese de não retirada imediata dos Estados Unidos da discussão sobre mudanças climáticas pode ser problemática, pois a tendência é que os representantes do futuro governo dos Estados Unidos emperrem a continuidade das pesquisas e do debate, bloqueando as iniciativas que até agora propiciaram avanços importantes e ajudaram a construir uma unanimidade internacional nunca antes observada.

Por outro lado, há um aspecto que pode ser considerado. As posições radicais do grupo liderado por Trump poderão fazer com que aumente a coesão dos demais países, fortalecendo posições contrárias aos céticos do aquecimento global. Esse movimento já começou e fez sua primeira aparição na COP22, que se encerrou em meados de novembro. Houve uma forte e unânime reação dos países contra as ameaças de retrocesso no acordo e repudio às ameaças vindas do presidente eleito.

O documento final da 22ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP22) constitui uma resposta aos céticos. Foi definido um plano de ação para implantar e monitorar o Acordo de Paris até dezembro de 2018, e de forma enfática se reiterou que o “clima global está esquentando em um nível alarmante e sem precedentes e a comunidade internacional tem o dever urgente de responder”. (ecodebate)

Compromisso de reduzir aquecimento global não tem volta


COP 22: compromisso de reduzir aquecimento global não tem volta, dizem organizações.


Os países participantes da 22ª Conferência das Partes sobre Mudança do Clima (COP 22) reafirmaram o compromisso de reduzir o aquecimento global e de construir uma agenda de trabalho para chegar a esse objetivo em dois anos. A avaliação é do secretário executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, e do coordenador da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Marcelo Furtado.
A conferência, que teve início em 07/11/16 e terminou em 18/11/16, no Marrocos, teve o objetivo de regulamentar os detalhes sobre o Acordo de Paris. Esse pacto representa um esforço de mais de 190 países para conter as emissões de gases de efeito estufa e, com isso, limitar o aumento da temperatura média global a bem abaixo de 2°C.


Ritll e Furtado lembraram que a COP 21, realizada em 2015, na França, teve um caráter político. Já a conferência deste ano foi técnica, com o objetivo de definir a agenda de trabalho. “O Brasil contribuiu para que a gente tivesse a construção de uma agenda que pode entregar bons resultados nos próximos dois anos. Depende do empenho de todos os países”, disse Rittl.
Os países deram um sinal inequívoco que o compromisso não tem volta”, ressaltou Furtado.
Para Rittl, é hora de o Brasil fazer a lição de casa e definir como vai tirar o compromisso do papel. O secretário executivo destacou que o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, afirmou, na conferência, que a meta do Brasil é limitar o aquecimento a 1,5°C e instigou outros países a fazerem o mesmo.
Rittl defende que o Brasil inclua as mudanças climáticas como tema central da sua agenda de desenvolvimento. Atualmente, na avaliação dele, esse assunto é um tema acessório. Ele acrescentou que é preciso realizar o cadastro ambiental rural, recuperar áreas desmatadas ilegalmente e vincular o crédito rural a medidas de cuidados com o meio ambiente.
Para Furtado, existe um compromisso no Brasil não só do governo, mas também das organizações da sociedade civil e do setor privado “em fazer acontecer. Vai exigir uma orquestração conjunta. É muito importante o papel do setor privado e dos organismos de financiamento”, destacou.
Furtado defendeu a implementação do Código Florestal, assistência técnica para programas de baixo carbono e ampliação dos estudos de estratégias de restauração de áreas degradadas. Ele também defendeu a remuneração de proprietários de áreas com florestas em pé, além de financiamentos mais generosos para quem pratica a agricultura de baixo carbono.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgou uma avaliação preliminar do governo brasileiro sobre a COP 22. O documento aponta que a conferência deste ano representa um “ponto de partida”, com foco na definição do chamado “livro de regras”, que estabelecerá como será a implementação das obrigações assumidas em Paris.
O informe também expõe a posição adotada pelos representantes brasileiros na conferência, como a visão de que o Acordo de Paris é irreversível e de que é necessário acelerar os trabalhos para que ele seja implementado. Além disso, aponta a necessidade, debatida na COP 22, de os países desenvolvidos ampliarem seu nível de financiamento, definindo um “mapa do caminho” que demonstre como se chegará ao objetivo dos US$ 100 bilhões anuais em 2020.
O Brasil participou da COP com 271 delegados, entre representantes do governo, da academia, de entidades privadas e de organizações não governamentais. No total, foram 87 participantes ligados ao governo – incluindo 16 parlamentares – e 184 da sociedade civil. (ecodebate)


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