sábado, 3 de novembro de 2018

Temperatura crescente e atividade humana aumentam as tempestades e as inundações

Temperaturas crescentes e atividade humana estão aumentando as tempestades e as inundações repentinas.
Precipitação e escoamento tempestuoso aumentaram drasticamente em resposta às mudanças climáticas e induzidas pelo homem.
Os furacões Florence e Michael nos EUA e o Super Tufão Mangkhut nas Filipinas mostraram o impacto generalizado e prejudicial dos extremos climáticos em ambos os ecossistemas e comunidades construídas, com enchentes causando mais mortes, bem como perdas de propriedade e agricultura, do que de quaisquer outros perigos severos relacionados ao clima. Essas perdas aumentaram nos últimos 50 anos e ultrapassaram US $ 30 bilhões por ano na última década.
Globalmente, quase um bilhão de pessoas agora vivem em várzeas, aumentando sua exposição a inundações de rios de eventos climáticos extremos e ressaltando a urgência em entender e prever esses eventos.
Pesquisadores da Columbia Engineering demonstraram pela primeira vez que os extremos do escoamento aumentaram drasticamente em resposta às mudanças climáticas e induzidas pelo homem. Suas descobertas, publicadas hoje na Nature Communications , mostram um grande aumento nos extremos de precipitação e de escoamento causados pela atividade humana e pela mudança climática.
A equipe, liderada por Pierre Gentine, professor associado de engenharia de terra e meio ambiente e afiliado ao Instituto da Terra, também descobriu que o escoamento de tempestades tem uma resposta mais forte do que a precipitação a mudanças induzidas pelo homem (mudanças climáticas, mudanças no uso da terra, etc.). Isso sugere que as respostas projetadas dos extremos de temporais de tempestade para mudanças climáticas e antrópicas vão aumentar dramaticamente, representando grandes ameaças ao ecossistema, afetando a resiliência da comunidade e os sistemas de infraestrutura.

Os pesquisadores descobriram que as mudanças nos extremos de escoamento de tempestades, na maioria das regiões do mundo, estão em linha ou acima dos extremos de precipitação. Eles observaram que diferentes respostas de precipitação e escoamento tempestuoso à temperatura podem ser atribuídas não apenas ao aquecimento, mas também a fatores como mudanças no uso e cobertura da terra, manejo da água e da terra e mudanças na vegetação que alteraram as condições de superfície subjacentes, feedbacks hidrológicos que, por sua vez, aumentaram o escoamento da tempestade.
Inundação em Lisboa.

A precipitação é gerada após a condensação do vapor de água na atmosfera, e a intensidade da precipitação é governada pela disponibilidade de vapor de água atmosférico. Como a atmosfera pode conter mais umidade à medida que a temperatura aumenta, os cientistas do clima esperam ver uma intensificação dos extremos de precipitação com a mudança climática.
Como estudos anteriores investigaram principalmente a resposta de precipitação, a equipe de Gentine decidiu examinar a resposta dos extremos de precipitação e de escoamento de tempestades às mudanças causadas naturalmente e antropogenicamente na temperatura da superfície e no conteúdo de umidade atmosférica. Eles realizaram uma análise hidrológica em escala global para caracterizar as respostas e seus mecanismos físicos subjacentes.
Os pesquisadores então avaliaram a influência da variabilidade ao longo de décadas na escala dos extremos de escoamento e temperatura, então compararam sistematicamente com as mudanças nos extremos de precipitação. Seus dados observados de escoamento diário vieram dos conjuntos de dados do Global Runoff Data Center (GRDC), e dados diários de precipitação e temperatura próxima à superfície do ar a partir do conjunto de dados Global Summary of the Day (GSOD).
Cheia em Paris: chuvas incessantes fizeram transbordar o rio Sena no começo do verão europeu.
A precipitação é governada tanto pela termodinâmica (relação do vapor de água com a temperatura) quanto pela dinâmica atmosférica. A equipe de Gentine planeja, em seguida, tentar dividir os impactos da dinâmica e termodinâmica na precipitação para obter uma compreensão mais profunda sobre a intensificação da precipitação. Eles também se concentrarão na detecção de mudanças devido ao aquecimento versus aquelas devidas à atividade humana, a fim de estabelecer um sistema adaptativo de gerenciamento de recursos hídricos. (ecodebate)

A Antártida acabou de soltar um iceberg de um trilhão de toneladas no oceano

Como esperado, um iceberg com a metade do tamanho da Jamaica (e maior que o Distrito Federal) finalmente se soltou da plataforma de gelo Larsen C, da Antártida. Chamado de A68, o pedaço de gelo de 5.800 km2 é um dos maiores já registrados — mas o que acontece agora, tanto para o iceberg quanto para a plataforma de gelo, é apenas palpite.
A fissura que vinha crescendo há anos finalmente chegou ao mar, entre 10 e 12 de julho, liberando o dominante pedaço de gelo no oceano. O evento de separação em si não teria sido dramático para um observador, já que o iceberg tremendamente pesado agora se dirigirá lentamente para o norte no Mar de Weddell. O A68 contém o dobro do volume de água do Lago Erie, mas não contribuirá para o aumento do nível do mar porque já está deslocando uma enorme quantidade de água do mar.
A questão agora é o que acontecerá depois. A plataforma de gelo Larsen C foi reduzida em mais de 12%, e a complexidade da Península Antártica foi alterada, talvez para sempre. A plataforma de gelo restante deve crescer nos próximos anos, mas uma pesquisa da Universidade de Swansea sugere que a região agora é mais precária e menos estável. Há uma boa chance de que a Larsen C possa seguir os passos de sua vizinha, a Larsen B, que entrou em colapso depois de um evento de parto similar em 2002.
Imagem pancromática da NASA Suomi VIIRS, de 12 de julho de 2017, confirmando a separação.
“Estamos antecipando esse evento há meses e ficamos surpresos quanto tempo demorou para que a fenda rompesse os últimos quilômetros de gelo. Continuaremos monitorando o impacto desse evento de parto na plataforma de gelo Larsen C e o destino desse enorme iceberg “, disse Adrian Luckman, investigador principal do Projeto MIDAS, com sede no Reino Unido, que acompanha o iceberg de perto Nos últimos meses.
“Temos esperado esse evento há meses e ficamos surpresos com quanto tempo demorou para que a fenda rompesse os últimos quilômetros de gelo. Continuaremos monitorando tanto o impacto desse evento de separação na plataforma de gelo Larsen C e o destino desse enorme iceberg “, disse Adrian Luckman, investigador principal do Projeto MIDAS, com sede no Reino Unido, que tem monitorado o iceberg de perto nos últimos meses.
Quanto ao iceberg em si, ele é agora um dos maiores já registrados, e seu destino é difícil de prever. Luckman diz que ele pode permanecer inteiro, mas é mais provável que ele se quebre em fragmentos.
“Parte do gelo pode permanecer na área por décadas, enquanto partes do iceberg podem se dirigir para o norte, em águas mais quentes”, disse Luckman em um comunicado.
Existe uma tentação em atribuir esse evento de separação raro e dramático à mudança climática, mas cientistas têm se esforçado bastante para ressaltar que isso provavelmente é uma ocorrência natural. É isso que as prateleiras de gelo fazem — elas crescem até o ponto de colapso, e então o ciclo se repete. Escrevendo no The Conversation, Luckman explica:
Esse evento também tem sido amplamente, mas de forma muito simplista, ligado às mudanças climáticas. Isso não é surpreendente, porque mudanças notáveis nas geleiras da Terra e nas placas de gelo são normalmente associadas a temperaturas ambientais em crescimento. Os colapsos das (plataformas de gelo) Larsen A e B já foram associados ao aquecimento regional, e a separação do iceberg deixará a Larsen C em sua posição mais recuada em registros que remontam há mais de cem anos.
No entanto, em imagens de satélite da década de 1980, a fenda já era claramente uma característica há muito tempo estabelecida, e não há evidências diretas para vincular seu crescimento recente ao aquecimento atmosférico, o que não é sentido profundamente o bastante dentro da plataforma de gelo, ou ao aquecimento do oceano, que é uma fonte improvável de mudanças, considerando que maior parte da Larsen C tem engrossado recentemente. Provavelmente é cedo demais para jogar a culpar por esse evento diretamente nas mudanças climáticas geradas por seres humanos.
Mas tudo isso não significa que a mudança climática não seja relevante para essa história. O que acontece depois — tanto para a camada de gelo como para o novo iceberg — pode ser definitivamente influenciado por águas mais quentes, alterações nos padrões de fluxo de vento e água e assim por diante. De certa forma, a história da Península Antártica, da Larsen C e de seu novo bebê A68 acaba de começar. (uol)

Ondas de calor cada vez maiores podem piorar ainda mais as viagens aéreas

No mês passado, enquanto uma onda de calor recorde atravessava o sudoeste dos Estados Unidosdezenas de voos foram cancelados quando as condições de calor intenso dificultaram a partida de aviões. Uma nova pesquisa agora sugere que esse não foi um evento isolado e que o aquecimento global poderia tornar cada vez mais difícil a decolagem de aviões pelo mundo nas próximas décadas.
O problema tem a ver com a aerodinâmica básica. À medida que o ar fica mais quente, a sua densidade diminui, e, nesse ar mais fino, as asas são menos capazes de gerar elevação. Quando fica super quente, em cerca de 48,8ºC, um piloto esperando pela decolagem precisa começar a levar certos fatores em consideração, como o tipo de aeronave, o comprimento da pista, o peso do avião e assim por diante. Em alguns casos, um avião cheio de passageiros e suas bagagens não poderá decolar com segurança quando a temperatura estiver aumentando.
Uma nova pesquisa publicada na Climate Change mostra que, conforme as temperaturas ao redor do mundo aumentam, e com as ondas de calor mais frequentes, as companhias aéreas serão confrontadas com esse problema regularmente. De acordo com o estudo, 10% a 30% dos aviões totalmente carregados podem não ser capazes de voar durante as partes mais quentes do dia no futuro, forçando as companhias aéreas a removerem combustível, carga ou passageiros. Como alternativa, as empresas podem esperar por horas mais frescas para voar, como durante a noite. Independentemente disso, isso provavelmente representará uma grande dor de cabeça para companhias aéreas e passageiros.
“Nossos resultados sugerem que a restrição de peso pode impor um custo não trivial na companhia aérea e impactar as operações de aviação em todo o mundo”, disse o autor principal do estudo, Ethan Coffel, estudante de doutorado da Universidade Columbia, em um comunicado.
Como foi observado no estudo, as temperaturas médias globais aumentaram em quase 1°C desde 1980, e espera-se que atinja outros 3°C até 2100 se as emissões continuarem crescendo descontroladamente. A mudança climática também está alterando os padrões climáticos, tornando as ondas de calor mais prevalentes. Coffel e seus colegas projetam temperaturas diárias máximas anuais em aeroportos de todo o mundo para subir de 4° a 8°C até 2080. E essas ondas de calor, dizem os pesquisadores, provavelmente produzirão os maiores problemas.
Para entender as dificuldades de voos futuros em um mundo em aquecimento, a equipe de Coffel usou modelos climáticos pré-existentes e observações da NOAA-NCEI Global Historical Climatology Network (GHCN). Os pesquisadores consideraram modelos de desempenho em uma ampla gama de jatos, incluindo o Boeing 737-800 comum e mais de uma dúzia dos aeroportos mais movimentados do mundo, incluindo nos Estados Unidos, na Europa, no Oriente Médio, na China e no Sul da Ásia.
Os aeroportos que enfrentarão maiores desafios por causa das futuras ondas de calor serão aqueles que apresentam pistas de curta distância, altitudes elevadas e, sem surpresa, uma propensão para as ondas de calor. Se tudo permanecer o mesmo (ou seja, se não fizermos nada para reduzir as emissões de gases de efeito estufa), o estudo projeta que alguns dos aviões terão que reduzir as capacidades de combustível e os pesos da carga útil em até 4% nos dias mais quentes. Isso poderia significar uma redução de 12 a 13 passageiros em uma embarcação média de 160 lugares. Nos casos mais extremos, um avião grande em uma pista curta teria que reduzir seus passageiros pela metade.
Mais evidências de que a viagem aérea será miserável em um futuro mais quente.
Para resolver esses problemas, os pesquisadores sugerem a criação de novos motores ou carroçarias e a expansão dos comprimentos de pista. Mas essas soluções são caras e, para alguns aeroportos, simplesmente impossíveis. Também precisamos começar a corrigir essa coisa que é a mudança climática. (uol)

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Eliminar as emissões de usinas a carvão na Índia e na China aumentará anos à vida

Eliminar as emissões das usinas a carvão na Índia e na China pode acrescentar anos à vida das pessoas.
Nova pesquisa [The impact of power generation emissions on ambient PM2.5 pollution and human health in China and India] calcula mudanças na mortalidade e expectativa de vida devido à geração de energia.
Os 2,7 bilhões de pessoas que vivem na China e na Índia – mais de um terço da população mundial – costumam respirar um pouco do ar mais sujo do planeta. A poluição do ar é um dos maiores contribuintes para a morte em ambos os países, ocupando o 4º lugar na China e 5º na Índia, e as emissões nocivas de centrais a carvão são um dos principais fatores contribuintes.
Em um estudo recente, pesquisadores da Universidade de Harvard queriam saber como a substituição de usinas a carvão na China e na Índia por energia limpa e renovável poderia beneficiar a saúde humana e salvar vidas no futuro.
Os pesquisadores descobriram que eliminar as emissões nocivas das usinas de geração de energia poderia economizar cerca de 15 milhões de anos de vida na China e 11 milhões de anos de vida na Índia.
Pesquisas anteriores exploraram a mortalidade pela exposição ao material particulado fino (conhecido como PM2.5) na Índia e na China, mas poucos estudos quantificaram o impacto de fontes específicas e regiões de poluição e identificaram estratégias eficientes de mitigação.
Usando modelos de química atmosférica de última geração, os pesquisadores calcularam mudanças anuais específicas em termos de mortalidade e expectativa de vida devido à geração de energia. Usando a abordagem específica da província, os pesquisadores conseguiram restringir as áreas de maior prioridade, recomendando atualizações para as tecnologias existentes de geração de energia nas províncias de Shandong, Henan e Sichuan, na China, e Uttar Pradesh, na Índia, devido às suas contribuições dominantes aos riscos atuais à saúde.
“Este estudo mostra como os avanços na modelagem e expansão das redes de monitoramento estão fortalecendo a base científica para estabelecer prioridades ambientais para proteger a saúde dos cidadãos chineses e indianos”, disse Chris Nielsen, diretor executivo do Projeto Harvard-China e coautor do estudo. “Isso também mostra em que medida os países de renda média poderiam se beneficiar com a transição para fontes de eletricidade não-fósseis à medida que crescem”. (ecodebate)

Corte de emissões de gases é a única maneira garantida de alcançar a meta climática

Corte de emissões de gases é a única maneira garantida de alcançar a meta climática; Geoengenharia e outras tecnologias não resolverão o problema.
Os países ainda precisam reduzir suas emissões de dióxido de carbono (CO2) para alcançar a meta climática do Acordo de Paris, especialmente se tal meta for agora 1,5ºC em vez de 2ºC. Depender do plantio de árvores e de soluções tecnológicas alternativas, tais como a geoengenharia, não solucionará o problema.
“Não podemos depender da geoengenharia para atingir as metas do Acordo de Paris,” diz Helene Muri, pesquisadora do Programa de Ecologia Industrial da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU). Ela foi uma das principais autoras de um artigo recente na revista Nature Communications que analisou diferentes projetos climáticos de geoengenharia que visam limitar o aquecimento global.
A temperatura média da Terra está aumentando. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, recomendou limitar este aquecimento para menos de 2°C, e melhor ainda se para menos de 1,5°C. Estas metas foram estabelecidas no Acordo de Paris de 2015, que foi ratificado por quase todas as nações.
Várias opções em geoengenharia estão entre as soluções sendo consideradas. Elas envolvem a interferência direta no sistema climático da Terra para impedir que a temperatura aumente tanto quanto previsto, devido à crescente quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera. A geoengenharia compreende a redução dos níveis atmosféricos de CO2 ou a redução do efeito do Sol.
Não testado, incerto e arriscado
É possível remover os gases de efeito estufa da atmosfera com a ajuda da tecnologia ou capturar mais CO2 por plantar milhões de árvores? É possível refletir mais radiação do Sol por injetar partículas na atmosfera?
“Várias técnicas poderiam ajudar a limitar a mudança climática. Mas elas são tecnologias não testadas, incertas e arriscadas que apresentam muitos problemas éticos e práticos de viabilidade,” diz Helene e seus colegas.
Resumindo, os pesquisadores dizem que nós não sabemos o suficiente sobre essas tecnologias e suas consequências de uso.
Obstáculos
Por exemplo, o plantio de árvores provoca problemas políticos graves. Muitas terras foram desflorestadas para cultivar comida, o que limita a área que poderia ser reflorestada. Além disso, pesquisas recentes questionam se mais áreas florestais poderiam realmente diminuir a temperatura. Dados de simulações da NTNU e da Universidade de Giessen mostram que a temperatura poderia na verdade aumentar, pelo menos localmente.
Outra proposta de mitigação é o uso de biochar, carvão vegetal colocado no solo para armazenar carbono que escaparia para a atmosfera como CO2. Neste caso, a dúvida é se é realmente viável tomar essa medida em uma escala suficientemente grande para fazer a diferença. Os pesquisadores chegaram a um consenso? Não.
Que dizer de adicionar nutrientes ao mar para estimular o fito plâncton a sequestrar carbono? Essa proposta envolve fertilizar áreas do oceano que são pobres em ferro. Porém, os efeitos colaterais poderiam ser enormes, prejudicando ciclos de nutrientes locais e talvez até aumentando a produção de N2O, outro gás de efeito estufa.
Nós simplesmente não temos conhecimento suficiente ainda. Algumas soluções em potencial poderiam até prejudicar mais do que ajudar. Os autores do artigo incentivam mais debates e aprendizado.
NETs e planos aéreos
Que dizer das “tecnologias de emissão negativa”, abreviadas em inglês como NETs? As NETs envolvem a remoção dos gases de efeito estufa da atmosfera, especificamente o CO2. Certas técnicas propostas poderiam funcionar bem em escala global. Mas algumas delas são caras e ainda estão em sua fase inicial, tecnologicamente falando.
Já existem protótipos para a captura de carbono diretamente do ar. Esta tecnologia demonstra grande potencial, mas exigiria grande quantidade de energia e ampla infraestrutura para aplicação em larga escala. Estimativas de custo variam de US$20 a US$1000 por tonelada capturada de CO2. Se você considerar que os países emitiram mais de 40 bilhões de toneladas de CO2 apenas em 2017, torna-se claro que financiar essa tecnologia seria inviável.
Adicionar partículas ao ar exigiria reabastecimentos regulares e provavelmente aviões ou drones exclusivos para a tarefa. O conceito pode ser viável, mas os efeitos colaterais não estão claros.
E assim vai, uma grande proposta após a outra. Em resumo, estas ideias não são o bastante, chegaram muito tarde ou são caras demais.
“Nenhuma das técnicas propostas pode ser realisticamente implementada em escala global nas próximas décadas. Em outras palavras, não podemos depender destas tecnologias para contribuir significativamente em manter o aumento da temperatura média abaixo de 2 graus Celsius, muito menos abaixo de 1,5°C, diz o autor Mark Lawrence, Diretor do Instituto de Estudos Avançados em Sustentabilidade (IASS), em Potsdam, Alemanha.
Não há substitutos para o corte de emissões
As reduções na emissão de gases ainda poderiam salvar a meta de 2°C do Acordo de Paris. Mas o desafio em atingir tal meta é que a crescente população da Terra, que também teve um aumento estável no padrão de vida, terá de diminuir a emissão atual de gases de efeito estufa na atmosfera.
Nova York processa Exxon por enganar investidores sobre clima.
A maioria dos cenários do IPCC incluem alguma forma de geoengenharia, em geral reflorestamento e bioenergia, aliada à captura e armazenamento de carbono, especialmente se o alvo for limitar o aumento de temperatura a 1,5°C até o fim deste século.
Os pesquisadores deste estudo alertam contra depender de soluções ao invés de reduzir as emissões. Caso contrário, há o perigo de ver as soluções tecnológicas como substitutas do corte de emissões, o que elas não são. (ecodebate)

Alimentar 10 bilhões de pessoas até 2050 dentro dos limites planetários pode ser alcançável

Alimentar 10 bilhões requer uma mudança global em direção a dietas saudáveis e mais baseadas em vegetais, reduzindo à metade a perda de alimentos e o desperdício, dizem os pesquisadores.
Hortaliças.
Uma mudança global em direção a dietas saudáveis e mais baseadas em vegetais, reduzindo pela metade a perda e o desperdício de alimentos, e melhorando as práticas agrícolas e tecnologias são necessárias para alimentar 10 bilhões de pessoas de forma sustentável até 2050, segundo um novo estudo.
A adoção dessas opções reduz o risco de ultrapassar os limites ambientais globais relacionados à mudança climática, o uso de terras agrícolas, a extração de recursos de água doce e a poluição dos ecossistemas por meio da aplicação excessiva de fertilizantes, de acordo com os pesquisadores.
O estudo, publicado na revista Nature, é o primeiro a quantificar como a produção e o consumo de alimentos afetam as fronteiras planetárias que descrevem um espaço operacional seguro para a humanidade, além do qual os sistemas vitais da Terra podem se tornar instáveis.
Opções para manter o sistema alimentar dentro dos limites
Sprimgmann argumenta que, sem uma ação concertada, descobrimos que os impactos ambientais do sistema alimentar poderiam aumentar de 50 a 90% até 2050 como resultado do crescimento populacional e do aumento das dietas ricas em gorduras, açúcares e carne.
Nesse caso, todas as fronteiras planetárias relacionadas à produção de alimentos seriam superadas, algumas delas por mais de duas vezes. O estudo, financiado pela EAT como parte da Comissão EAT-Lancet Commission for Food, Planet and Health and by Wellcome’s “Our Planet, Our Health”, em parceria com Livestock Environment and People, combinou contas ambientais detalhadas com um modelo do sistema global de alimentos, rastreia a produção e o consumo de alimentos em todo o mundo.
Com esse modelo, os pesquisadores analisaram várias opções que poderiam manter o sistema alimentar dentro dos limites ambientais.
Eles encontraram:
* A mudança climática não pode ser suficientemente mitigada sem mudanças na dieta em direção a dietas mais baseadas em vegetais. Adotar mais dietas “flexíveis”, baseadas em plantas em todo o mundo, poderia reduzir as emissões de gases de efeito estufa em mais da metade e também reduzir outros impactos ambientais, como a aplicação de fertilizantes e o uso de terras cultiváveis e água doce, de um décimo a um quarto.
* Além das mudanças na dieta, é necessário melhorar as práticas e tecnologias de manejo na agricultura para limitar as pressões sobre terras agrícolas, extração de água doce e uso de fertilizantes. Aumentar os rendimentos agrícolas das terras agrícolas existentes, equilibrar a aplicação e a reciclagem de fertilizantes e melhorar a gestão da água poderiam, juntamente com outras medidas, reduzir esses impactos em cerca de metade.
* Finalmente, reduzir pela metade a perda e o desperdício de alimentos é necessário para manter o sistema alimentar dentro dos limites ambientais. A redução da perda de alimentos e do desperdício poderia, se alcançada globalmente, reduzir os impactos ambientais em até um sexto (16%).
Investimentos adequados e combater a perda de alimentos
“Muitas das soluções analisamos estão sendo implementadas em algumas partes do mundo, mas elas precisam de forte coordenação global e rápido aumento de escala para fazer seus efeitos sentidos“, diz Springmann.
“O melhoramento das tecnologias de cultivo e práticas de gestão exigirá o aumento do investimento em infra-estrutura pública, os esquemas de incentivos certos para os agricultores, incluindo mecanismos de apoio para adotar melhores práticas disponíveis, e melhor regulamentação, por exemplo, de uso de fertilizantes e qualidade da água ”, diz Line Gordon , diretor executivo do Stockholm Resilience Center e autor do relatório.
Para Fabrice de Clerck, diretor da ciência no EAT, combater a perda e o desperdício de alimentos exigirá medidas em toda a cadeia alimentar, desde o armazenamento e transporte, passando pela embalagem e rotulagem de alimentos, até mudanças na legislação e comportamento comercial que promovam cadeias de fornecimento sem desperdício.
Como alimentar 10 bilhões de pessoas até 2050?
“Quando se trata de dietas, abordagens abrangentes de políticas e negócios são essenciais para possibilitar mudanças na dieta em direção a dietas saudáveis e mais baseadas em plantas, além de atraentes para um grande número de pessoas. Aspectos importantes incluem programas escolares e do local de trabalho, incentivos econômicos e rotulagem, e o alinhamento de diretrizes alimentares nacionais com as evidências científicas atuais sobre alimentação saudável e os impactos ambientais de nossa dieta”, acrescenta Springmann. (ecodebate)

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Consumidores não reconhecem que produção de alimentos ameace o meio ambiente

A ameaça ao meio ambiente causada pelo processo de produção, consumo e desperdício de alimentos não é reconhecida por 91% dos consumidores.
A constatação é da organização ambiental WWF, em levantamento com 11 mil pessoas de dez países, entre eles o Brasil.
Brasnorte, MT, Brasil: Árvore em meio a plantação de soja.
A pesquisa divulgada em 16/10/18, considerado Dia Mundial da Alimentação, mostra que, apesar do sistema alimentar ser o maior consumidor de recursos naturais e também o maior emissor de gás de efeito estufa, a maioria dos entrevistados, principalmente jovens, não faz a conexão deste processo com a ameaça à natureza.
De acordo com o estudo, 40% dos jovens entre 18 e 24 anos acham que a ameaça ao planeta é menos que significante e apenas 9% deles acreditam que a forma de produção de alimentos é a maior ameaça. Nessa faixa etária, 11% respondeu que não vê nenhuma ameaça.
A consciência sobre o assunto é maior entre as pessoas com mais de 55 anos. Mais da metade dos entrevistados nessa idade, acreditam que a produção e consumo de alimentos representam ameaça significante à natureza.
Segundo a WWF, a cadeia de produção de alimentos usa 34% do solo e 69% da água disponível nos rios. É ainda a maior causa de desmatamento e perda de habitat. A organização aponta ainda que um terço de todos os alimentos produzidos nunca é consumido e o volume desperdiçado é responsável por um terço das emissões de gases de efeito estufa provocadas pelo sistema alimentar.
Na última semana, relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) destacou o prazo curto para conter os problemas que o sistema de alimentos acarreta para a questão das mudanças climáticas. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, se o mundo não evitar o aquecimento global acima de 1,5°, em relação ao nível pré-industrial, haverá resultados catastróficos e devastadores até o fim deste século para a humanidade.
Entre as consequências destacadas pelos cientistas, estão algumas consideradas duradouras ou até irreversíveis, como a perda de ecossistemas, da biodiversidade, de habitats naturais e espécies, aumento do nível do mar, além de impacto na saúde humana, na produção de alimentos (com redução dos campos de milho, arroz, trigo e outros grãos) e no acesso à água.
Na pesquisa da WWF, 80% dos entrevistados sentem que o problema pode ser resolvido. Para 66%, os governos devem agir mais e outros 60% querem que as empresas aumentem seus esforços para conter o problema.
A WWF diz que é possível fazer que o sistema alimentar funcione para as pessoas e para a natureza se a comida for produzida de forma mais sustentável, distribuída de forma mais justa e consumida de maneira mais responsável. “Precisamos aumentar a conscientização das pessoas sobre de onde a comida vem e mudar nossos comportamentos para garantir o funcionamento adequado de todo o sistema”, diz João Campari, líder da Prática de Alimentos do WWF.
A organização desenvolve o sistema chamado Food 2.0 para garantir segurança alimentar e conservação. A ação é promovida por 100 programas relacionadas a alimentos em todo o mundo e envolve governos, produtores de alimentos, empresas, organizações não governamentais que devem promover mudanças no setor focando em três eixos: Produção Sustentável, Dietas Sustentáveis e Perda de Alimentos e Resíduos. (ecodebate)

Pontos de inflexão climática não são problemas para um futuro distante

Pontos de inflexão climática não são problemas para um futuro distante. O planeta já está cruzando limiares críticos, como o colapso general...