quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Taxa de Desmatamento na Amazônia é a maior desde 2006

Desmatamento flagrado pelo IBAMA.

Representantes do governo brasileiro já chegaram à COP 26 sabendo da má notícia, mas insistiram em vender uma imagem supostamente sustentável.

A estimativa da taxa oficial de desmatamento na Amazônia Legal divulgada hoje por meio do Programa Prodes, aponta que 13.235 km² foram desmatados entre agosto/2020 e julho/2021.

O anúncio chega na semana seguinte ao encerramento da COP 26, onde o governo brasileiro tentou limpar sua imagem, mesmo sabendo que mais um recorde de desmatamento já havia sido batido, uma vez que o documento divulgado tem data de 27/10/21, ou seja, antes da COP 26. O anúncio também ocorre ao mesmo tempo em que o cerco para o desmatamento começa a se fechar: a comissão da União Europeia publicou em 17/11/21 o projeto da nova legislação do bloco que veda a compra de produtos ligados ao desmatamento.

“Apesar das tentativas recentes do governo em limpar sua imagem, a realidade se impõe mais uma vez. Os mais de 13 mil km² não surpreendem quem acompanhou os últimos três anos de desmonte na gestão ambiental brasileira e as tentativas de enfraquecer o arcabouço legal para a proteção do meio ambiente. Fica evidente que as ações necessárias por parte do Brasil para conter o desmatamento e as mudanças climáticas não virão deste governo que está estacionado no tempo e, ainda vê a floresta e seus povos como empecilho ao desenvolvimento”, declara Cristiane Mazzetti, porta-voz da campanha da Amazônia do Greenpeace.

Desmatamento na Amazônia tem a maior taxa em 15 anos.

Os dados divulgados pelo INPE representam um aumento de 21,97% na taxa de desmatamento em relação ao ano anterior. Esta é a maior taxa de desflorestamento já registrada, desde 2006. Na média, houve um aumento de 52,9% na área desmatada nos três anos de governo Bolsonaro (média de 11.405 km² entre 2019 e 2021) em relação à média dos três anos anteriores (média de 7.458 km² entre 2016 e 2018). “O governo atual, com sua política antiambiental, elevou drasticamente o patamar de desmatamento na maior floresta tropical do planeta. Estes são níveis inaceitáveis perante a emergência climática que vivemos no Brasil e no mundo, com extremos climáticos e seus impactos cada vez mais devastadores e frequentes”, comenta Cristiane. “E essa situação só vai piorar, se o Senado aprovar o PL da Grilagem, que beneficia invasores de terras públicas e incentiva ainda mais desmatamento”, completa.

Amazônia Legal tem maior desmatamento desde 2006.

No período em que a taxa foi medida, 32% dos alertas de desmatamento se concentraram nas Florestas Públicas Não Destinadas, alvo frequente de grilagem de terras. A última audiência pública do Senado para discutir o PL 2633/2020, já aprovado na Câmara dos Deputados deve acontecer na próxima semana, com isso a matéria pode ser votada em Plenário logo na sequência. (ecodebate)

Saiba o que são as Soluções baseadas na Natureza

Saiba o que são as Soluções baseadas na Natureza – SbN.
Ações se inspiram na natureza para amenizar problemas ambientais e são importantes para que o Brasil alcance metas do Acordo de Paris.

Entre 31/10 e 12/11/21 líderes mundiais, organizações e ativistas se reuniram em Glasgow, na Escócia, para a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP26. O Brasil, país com a segunda maior área de florestas do mundo, se comprometeu novamente a investir para reverter o desmatamento e a degradação ambiental até 2030.

Comprometeram-se também com a meta países como Austrália, China, Estados Unidos, Guatemala, Rússia, Turquia e União Europeia. Essas nações ficam obrigadas a realizar investimentos públicos e aplicar fundos de iniciativa privada para atingi-la. Alguns desses fundos foram levantados para aumentar os investimentos em bioeconomia e Soluções baseadas na Natureza (SbN), expressão que foi citada várias vezes na COP26.

De acordo com Nicole Brassac de Arruda, pesquisadora do Lactec, centro de ciência e tecnologia, se a redução dos impactos da intervenção humana não pode ser feita de forma integral, as SbN são caminhos para absorver carbono e regular o ciclo hidrológico, reduzindo o desmatamento e o risco de enchentes. “As SbN simulam o funcionamento da natureza em iniciativas que buscam diminuir a vulnerabilidade dos espaços a eventos como enchentes e erosão do solo”, explica.

A pesquisadora enfatiza que as SbN permitem avanços na direção do desenvolvimento sustentável das cidades: “Quando são incentivadas pelo poder público, auxiliam na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, além de promover saúde e bem-estar para a população”.

O que são as Soluções baseadas na Natureza

As SbN são um conceito que se baseia em processos naturais para impactar de forma positiva a sociedade, o meio ambiente e a economia. Segundo a Aliança Brasil em Soluções Baseadas na Natureza, elas são essenciais para que o Brasil consiga cumprir outra meta com a qual se comprometeu: o Acordo de Paris. A seguir, confira como funcionam quatro exemplos de Soluções baseadas na Natureza.

1 – Jardins de chuva

Altamente impermeabilizado, o solo nos espaços urbanos faz com que a água das chuvas escoe com maior velocidade e tenha menor infiltração no solo, o que contribui para a ocorrência de enchentes e a menor recarga das águas subterrâneas.

Os jardins de chuva são projetados para tratar, reter e absorver essa água que escoa de ruas, telhados e gramados, permitindo que mais dela penetre no solo e seja reincorporada ao ciclo hidrológico. Compostos de arbustos, flores e demais espécies de vegetação, esses jardins são plantados em áreas de encostas naturais ou depressões do terreno em espaços urbanos. Para compô-los, é ideal escolher espécies de plantas nativas e resistentes, que possam receber bastante água em um curto período de tempo e pouca nos períodos de seca.

2 – Parques lineares

Os parques lineares são construídos no entorno de corpos d’água como rios e córregos, formando uma linha verde ao longo de seus trajetos. Assim como os jardins de chuva, quando associados ao planejamento da cidade, esses parques multifuncionais podem se tornar uma alternativa aos problemas de drenagem urbana e a regularização do ciclo da água.

Segundo a pesquisadora do Lactec, contrapor a impermeabilização do solo é um desafio: “A construção de parques lineares de maneira isolada não é uma resposta única para problemas de enchentes, por exemplo. No contexto das SbN, devem ser consideradas várias soluções de integração entre a infraestrutura verde e a infraestrutura cinza, buscando a resolução dos problemas da cidade”.

3 – Recuperação de áreas verdes degradadas

No caminho que faz pela superfície terrestre até voltar aos corpos de água, superficiais ou subterrâneos, as águas pluviais podem arrastar consigo solo, folhas, galhos e, inclusive, poluentes. Atividades de conservação ambiental como a recomposição de mata ciliar e demais áreas verdes degradadas e o uso de plantas de cobertura na agricultura — que protegem o solo de erosão e auxiliam na infiltração da água — podem reduzir essa poluição nas bacias hidrográficas, além de contribuir para a recarga de aquíferos.

4 – Estações de tratamento de esgoto baseadas na natureza

Também conhecidos como alagados construídos, são sistemas de tratamento de esgoto domésticos ou industriais baseados em processos biológicos como a fitorremediação. Esse processo utiliza plantas para remover diferentes tipos de poluentes da água com baixo custo de energia. A água que passa por este tratamento pode, então, ser reutilizada para os mais diversos fins, de acordo com a qualidade atingida pelo processo — o que diminui a pressão sobre os recursos hídricos.

As SBN podem render impactos positivos do ponto de vista socioeconômico, além do ambiental.

Soluções baseadas na natureza podem diminuir emissões globais.

Sobre o Lactec

Instituto privado sem fins lucrativos, o Lactec é um dos maiores centros de ciência e tecnologia do Brasil. (ecodebate)

Aquecimento global acelera a frequência dos extremos de calor

A frequência de extremos de calor e temperaturas e chuvas recordes têm aumentado em todo o mundo como resultado do aquecimento global, de acordo com um projeto de pesquisa internacional liderado pela Universidad Complutense de Madrid (UCM) e envolvendo a participação do Instituto de Geociências (CSIC- UCM).

O estudo, publicado na Climate and Atmosphere Science estima que a ocorrência de temperaturas recordes é oito vezes maior do que o que seria esperado sem o aquecimento global e que pelo menos uma em cada quatro novas chuvas recordes é causada pelas mudanças climáticas.

“Embora as mudanças observadas nas temperaturas globais sejam aparentemente pequenas, em torno de 0,2ºC por década, tem havido um aumento desproporcional na frequência de climas extremos. Esse aumento incomum teria sido impossível sem o aquecimento global de origem antropogênica”, indica Alexander Robinson, É investigadora do Departamento de Ciências da Terra e Astrofísica da UCM e do IGEO (CSIC-UCM).

Outra das conclusões do estudo é que as regiões tropicais, que incluem países vulneráveis com menor nível de responsabilidade pelo aquecimento global, são as que estão experimentando os maiores aumentos de condições climáticas extremas.

“As informações obtidas permitem monitorar os efeitos do aquecimento global e manter o nível de conscientização pública sobre esse problema. Além disso, as análises regionais são úteis como ferramenta informativa e como suporte nas negociações sobre mudanças climáticas entre diferentes países”, conclui Robinson.

Níveis sem precedentes

Para realizar o estudo, os pesquisadores analisaram as temperaturas médias mensais e a precipitação diária em estações terrenas ao redor do globo para determinar a frequência histórica de eventos extremos de diferentes magnitudes e registrar eventos em nível global e regional. Esses resultados foram comparados com a evolução esperada em um clima estacionário – sem mudanças climáticas.

“Podemos afirmar que a ocorrência de eventos recordes nas últimas décadas é inédita no registro instrumental e sua frequência tem aumentado com o aquecimento global. índice de aquecimento global”, acrescenta David Barriopedro, pesquisador do IGEO.

(ecodebate)

Aproveitamento integral dos alimentos garante alimentação sem desperdício e mais nutritiva

Publicação gratuita desenvolvida por estudantes de Nutrição e Metabolismo da USP ensina receitas para o aproveitamento integral dos alimentos.
Você sabia que é possível diminuir o desperdício de alimentos na hora de preparar refeições? Além disso, o uso de talos, cascas e sementes pode contribuir para uma alimentação mais nutritiva e saborosa. Para orientar a população sobre o aproveitamento integral dos alimentos com receitas e dicas, alunos do curso de Nutrição e Metabolismo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP criaram o livro digital Um pouco de história e 10 receitas para tornar o desperdício zero.

A publicação gratuita e didática é resultado da iniciativa da Liga Acadêmica de Sustentabilidade e Alimentação Coletiva (Lasac) e do Centro Estudantil Josué Castro (Cejoca). As duas organizações estudantis de estudantes da FMRP desenvolvem anualmente um projeto social voltado para a população (confira no vídeo abaixo).

“Orientar sobre o aproveitamento integral dos alimentos é importante, pois propicia maior aporte de nutrientes para o organismo. Os talos, cascas, folhas e sementes são ricos em vitaminas, minerais e proteínas; são fontes de fibra que ajudam a regular o intestino; e ainda podem ter antioxidantes que fortalecem a saúde, aumentam a imunidade e retardam o envelhecimento”, explica Stefani Justa, diretora de marketing da Lasac e secretária do Cejoca.

O desperdício é definido pelo descarte intencional de alimentos que poderiam ser consumidos, mas possuem aparência desagradável. “Em 2019, o mundo desperdiçou cerca de 17% de toda a produção de alimentos mundial e a maior parte é gerada nos domicílios, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e a organização inglesa Waste and Resources Action Programme”, conta Stefani.

Para incentivar o aproveitamento integral dos alimentos, o e-book traz receitas de preparo de torta com sobra de arroz e talos de couve, brócolis, couve-flor e acelga; farofa de folhas e talos de beterraba, rabanete e brócolis; bolinho de sobras de arroz e feijão; carne louca com casca de banana; bolinho com folhas e talos de brócolis; bolo de banana com casca; doce de casca de laranja e de entrecasca de melancia; pudim de pão e abacaxi; suco de abacaxi com couve; e bolo de laranja com casca.

Livro oferece receitas e explica sobre aproveitamento integral de alimentos.

“Com criatividade e com checagem se os alimentos realmente estão adequados para o consumo, é possível aproveitar até carne assada, carne moída, arroz, macarrão, hortaliças, feijão, pão, frutas e leite”, comenta a aluna do curso de Nutrição e Metabolismo da FMRP, Stefani.

O livro digital ainda dá dicas de como evitar o desperdício, confira:

• Planejar: o planejamento das compras do mês pode auxiliar na compra do que é realmente necessário, diminuindo o risco de excesso que pode estragar.

• Conservar: o armazenamento adequado dos alimentos é importante para evitar a proliferação de micro-organismos.

• Aproveitar integralmente os alimentos: evitar o descarte de cascas, folhas, talos e sementes;

• Descartar: não descartar o alimento considerando apenas a aparência, pois, em muitos casos, ele poderia ser aproveitado retirando apenas a parte imperfeita.

Como fazer uma composteira

Uma alternativa para redução do desperdício proposta pelo e-book é a prática da compostagem das cascas, talos, folhas e sementes que não podem ser consumidos. A compostagem é um processo de decomposição que transforma o resíduo orgânico em adubo rico em nutrientes para as plantas.

“A compostagem é importante, pois produzindo adubo a partir de lixo orgânico, que seria descartado em aterros, evita a poluição do solo, dos lençóis freáticos e a produção de gás metano, que polui a atmosfera. O húmus produzido na compostagem é rico em nutrientes e pode ser utilizado na agricultura, em jardins e plantas, substituindo os produtos químicos”, explica Stefani.

Entre os materiais que podem ser inseridos estão: frutas, verduras, legumes, pó e filtro de café, casca de ovo, guardanapos, palitos, serragem, folhas secas e sachê de chá. Já na lista de não compostáveis estão restos de carne, laticínios, óleos, gorduras, alimentos cozidos, papel higiênico usado, fezes de animais e alimentos salgados.

O passo a passo de como montar a composteira caseira em baldes ou no chão pode ser conferido na página 37 do e-book, neste link.

Clique aqui para acessar o e-book Um pouco de história e 10 receitas para tornar o desperdício zero.

Clique no player para ver o vídeo de apresentação da edição de 2021 do projeto social desenvolvido pelos estudantes da FMRP:

Assista ao interessante vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=hz9xpbg-GkQ.

Carne louca de casca de banana, bolinho de brócolis com folhas e talos e doce de casca de laranja são algumas das receitas disponíveis no livro.

Receitas com cascas, folhas e sementes garantem alimentação sem desperdício e mais nutritiva.

Publicação gratuita desenvolvida por estudantes de Nutrição e Metabolismo da USP ensina receitas para o aproveitamento integral dos alimentos. (ecodebate)

Desmatamento da Amazônia em outubro/21 é o maior em 5 anos

Dados divulgados pelo instituto mostram ainda que houve uma alta de 5% na comparação com outubro de 2020.

• Número de alertas de desmatamento da Amazônia foi o maior para o mês de outubro/2021 em cinco anos

• Dados foram divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE)

• De acordo com o órgão, a área sob risco tem 877 km², um recorde em relação à série histórica

O número de alertas de desmatamento da floresta Amazônica foi o maior para o mês de outubro em cinco anos, segundo o Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE).

Dados divulgados pelo instituto mostram ainda que houve uma alta de 5% na comparação com outubro de 2020.

De acordo com o órgão, a área sob risco tem 877 km², um recorde em relação à série histórica.

Os números foram calculados com base na área conhecida como Amazônia Legal, formada pelos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, além de uma parte do Maranhão.

Os alertas do INPE são divulgados a partir dos sinais de mudanças da cobertura vegetal nas áreas desmatadas ou em processo de degradação.

Em seu discurso na conferência climática, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, defendeu o governo federal.

Os alertas do INPE são divulgados a partir dos sinais de mudanças da cobertura vegetal nas áreas desmatadas ou em processo de degradação.

"Para conter o desmatamento ilegal na Amazônia, o governo federal dobrou os recursos destinados às agências ambientais federais e promoveu abertura de concursos para 739 novos agentes ambientais", disse.

A delegação brasileira vinha sendo criticada por ativistas climáticos por não divulgar o Prodes, dado oficial do desmatamento, também medido pelo INPE. Com base em números de agosto de um ano a julho do ano seguinte, ele costuma estar disponível no começo de novembro.

A falta de controle no corte ilegal da floresta pode prejudicar as negociações feitas na conferência climática pelo Itamaraty, que foi elogiado por adotar uma posição mais flexível e procurar consensos que permitissem concluir a regulamentação do Acordo de Paris.

"As emissões acontecem no chão da floresta, não nas plenárias de Glasgow", afirmou Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. "E o chão da floresta está nos dizendo que este governo não tem a menor intenção de cumprir os compromissos que assinou na COP26". (yahoo)

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Futuro neutro em carbono também depende da Amazônia conservada

Assegurar a neutralidade climática global, o chamado “net zero” no planeta, precisa da Amazônia conservada, com suas florestas removendo carbono da atmosfera.

Um dos temas centrais na COP, financiamento pode trazer recursos para o território, mas é essencial que eles beneficiem de fato a floresta, a biodiversidade e as pessoas, afirma iniciativa Uma Concertação pela Amazônia; rede avaliou que mecanismos podem contribuir para o desenvolvimento sustentável da região.

Assegurar a neutralidade climática global, o chamado “net zero” no planeta, até a metade do século, e manter a meta de conter o aquecimento global em 1,5°C dentro do alcance está entre os principais objetivos da COP 26, a Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática, que está acontecendo em Glasgow.

Em paralelo, muitas empresas e governos já têm se comprometido a chegar ao “net zero” de suas operações e atividades nas próximas décadas. Mas, para que o mundo seja carbono neutro, ele precisa da Amazônia conservada, com suas florestas removendo carbono da atmosfera.

Para que o bioma cumpra essa função, porém, é preciso deter o desmatamento e a degradação ambiental na região e levar recursos financeiros para o bioma, aplicando-os em ações concretas, que tragam benefícios reais para sua biodiversidade, florestas e para suas populações, alerta a iniciativa Uma Concertação pela Amazônia, que reúne 400 lideranças para criar soluções para a conservação e o desenvolvimento sustentável do território amazônico.

Estudos divulgados em 2020 e 2021 mostram que a Amazônia já está emitindo mais carbono do que absorvendo. Entre as causas principais estão o desmatamento e a degradação ambiental. “Nesta COP, em que a centralidade das florestas para o combate às mudanças climáticas se tornou evidente, foi mostrado que o mundo está disposto a contribuir para inverter o sinal do carbono na Amazônia. E o financiamento entra como um tema crucial”, destaca Lívia Pagotto, responsável pela curadoria de conhecimento da Concertação.

Muitas iniciativas, como a assinatura de um memorando de entendimento entre a Coalizão LEAF (iniciativa que pretende mobilizar ao menos US$ 1 bilhão em recursos públicos e privados para o pagamento de países ou governos locais por resultados em termos de redução de desmatamento) e o Consórcio de Governadores da Amazônia Legal, a Declaração para Florestas e o Acordo Global do Metano, anunciados em Glasgow, bem como acordos para ajudar os povos indígenas e comunidades tradicionais, prometeram recursos financeiros. “É essencial que esses recursos cheguem até a ponta, beneficiando de forma efetiva a floresta e seus serviços ecossistêmicos, bem como as populações que vivem no território”, afirma Lívia.

COP 26 teve a fase final de negociações, que foram concluídas em 14/11/21 e o financiamento segue sendo um dos assuntos-chave. Os resultados em torno desse tema podem ter efeitos diretos na Amazônia, pois podem contribuir para atrair recursos internacionais ou mesmo alavancar o uso de incentivos e mecanismos já disponíveis no Brasil.

Recursos e mecanismos financeiros para cada Amazônia

A iniciativa Uma Concertação pela Amazônia avaliou quais tipos de investimentos são necessários para a região, capazes de promover o desenvolvimento sustentável, mantendo a floresta em pé e trazendo qualidade de vida para a população. A conclusão foi uma proposta que aponta diferentes mecanismos financeiros a serem usados em cada uma das “amazônias” que existem no bioma, para que os recursos, ao chegarem à ponta, levem a impactos positivos do ponto de vista não apenas ambiental, como econômico e social.

A Concertação aborda a região amazônica a partir de quatro grandes agrupamentos, ou quatro “amazônias”: áreas conservadas; áreas em transição, que estão em processo de conversão, mas ainda não consolidada – o chamado “arco do desmatamento”; áreas convertidas (o uso do solo é voltado para agricultura e pecuária); e as cidades.

“Criamos essa classificação, entre outros objetivos, para ajudar a organizar os caminhos e entender as diferentes atividades econômicas e mecanismos financeiros que podem contribuir para que a Amazônia alcance um modelo de desenvolvimento sustentável, que mantenha sua riqueza natural e cultural e promovendo a melhor qualidade de vida das pessoas”, afirma Inaiê Santos, co-facilitadora do Grupo de Trabalho de Bioeconomia da Concertação.

A Amazônia conservada precisa ser mantida intacta. Assim, do ponto de vista econômico, ela precisa de ações que promovam a conservação florestal, negócios da sociobioeconomia, turismo de natureza, economia criativa e economia solidária. Projetos de REDD+ e mecanismos como o de carbono – mas não só - são indicados.

Já a Amazônia em transição é um ponto bastante crítico, pois é a que mais sofre a pressão do desmatamento. São áreas em que é preciso conter a derrubada da vegetação nativa e promover a restauração e regeneração da floresta e da biodiversidade. Para isso, a Concertação propõe uma economia florestal ligada à restauração, como silvicultura de espécies nativas e sistemas agroflorestais.

Na Amazônia já convertida, a economia de commodities agrominerais deve atuar de forma a ter o menor impacto ambiental e social possível. Por isso, a aposta da Concertação são os programas de incentivo à agricultura de baixo carbono, como o Plano ABC, programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), incentivos fiscais e financeiros com contrapartidas para conservação e a eliminação de incentivos a produtos sem rastreabilidade comprovada.

“O elemento central na Amazônia convertida é rastrear as cadeias de valor em toda a sua extensão para identificar e conter os impactos negativos. As atividades também precisam estar conectadas com a questão da preservação e não devem aumentar a pressão por desmatamento. Pelo contrário, elas precisam contribuir para invertermos o sentido da transição que observamos hoje, com práticas agrícolas mais sustentáveis”, afirma Inaiê, da Concertação.

Já na Amazônia das cidades, em que predominam os setores de serviço e indústria, o foco deve estar em incentivos e recursos que aumentem a produtividade nesses setores e os relacionem com a conservação, com a economia circular e com iniciativas inspiradas em soluções baseadas na natureza.

Para que esses incentivos e mecanismos funcionem de fato, é preciso, ainda, que haja quem coloque os projetos e programas de pé. “É o que chamamos de capacidades locais, ou seja, que organizações da sociedade civil, municípios, estados e outros entes, como associações comunitárias, sejam capazes de elaborar e executar projetos e programas”, lembra Inaiê. Um ambiente institucional e de governança robustos também são fundamentais, acrescenta.

Também alerta para o cuidado necessário com os compromissos “net zero”. “Os compromissos net zero vêm sendo criticados pela falta de transparência. Será fundamental que os compromissos sejam acompanhados da indicação de ações estratégicas específicas, bem como marcos intermediários, exigindo esforços reais de mitigação”, afirma.

Essas premissas e propostas estão reunidas no documento“Uma Agenda pelo Desenvolvimento da Amazônia”, que a Concertação apresentou na COP 26. Ele está disponível para leitura e download no site da Concertação: concertacaoamazonia.com.br. (ecodebate)

Mudança climática pode piorar a situação de fome no mundo

Mudança Climática – Mais de 300 milhões de pessoas devem sofrer com a insegurança alimentar até 2050, aponta estudo.

Novo relatório da Visão Mundial mostra como as mudanças climáticas afetam a produção de alimentos e o acesso das pessoas a nutrientes; entidade aponta que se negociações da COP26 fracassarem, crianças serão as mais afetadas.
Figura: os 10 países que mais poluem (esquerda) em comparação com os 10 países com mais pessoas em situação aguda de insegurança alimentar.

Um novo relatório divulgado em 10/11/21 pela Visão Mundial – ONG humanitária de proteção da infância e da adolescência – aponta que 26% das crianças em todo o mundo sofreram de má-nutrição em 2020 e que a situação pode piorar se o quadro atual de mudanças climáticas não for revertido. De acordo com o estudo, o número de pessoas que enfrentam crises de fome aumentou de forma constante nos últimos cinco anos pela primeira vez em décadas. Se a mesma trajetória dos últimos for mantida, a entidade prevê que mais de 300 milhões de pessoas enfrentarão a insegurança alimentar até 2030.

O documento foi publicado faltando poucos dias para o encerramento da COP26, como forma de alertar líderes globais sobre as consequências desastrosas que um fracasso nas negociações em Glasgow pode ter sobre populações de todo o planeta. Intitulado “Mudança Climática, Fome e Futuros das Crianças”, o relatório estuda a ligação entre as alterações no clima e o risco de fome nas populações, em especial as consequências em longo prazo na desnutrição de crianças.

“Crianças em todo o mundo têm relatado que experimentam o impacto devastador das mudanças climáticas todos os dias – e seus avisos devem ser ouvidos em alto e bom som pelos líderes da COP26”, diz o CEO e presidente internacional da Visão Mundial, Andrew Morley.

“Ouvimos histórias de partir o coração, de que a água está se tornando escassa e os meios de subsistência das famílias destruídos por tempestades, enchentes e secas recorrentes, que podem levar à fome e à desnutrição com riscos para a vida. As crianças muitas vezes não têm escolha a não ser abandonar a escola e são forçadas a trabalhar ou se casar por seus pais, que lutam para sobreviver”, completa.

Segundo o estudo, enquanto os países economicamente mais ricos produzem a grande maioria das emissões de gases de efeito estufa, os eventos climáticos extremos impactam, desproporcionalmente, os países de baixa renda de maneira mais aguda.

Em 2018, Madagascar contribuiu com apenas 0,06% das emissões globais de gases de efeito estufa, mas está enfrentando o que poderia ser o primeiro quadro de fome na história moderna causado pelas mudanças climáticas, com a insegurança alimentar afetando um total estimado de 1,14 milhão de pessoas.

Para comunidades em países em desenvolvimento, em especial na África e na América Latina, uma alta dependência da produção agrícola local se traduz um alto risco de devastação devido a eventos meteorológicos extremos. “Uma colheita que não dê certo pode ter resultados imediatos e consequências no comércio local, além de danos a longo prazo, limitando o acesso a alimentos nutritivos”, alerta i relatório, elaborado a partir de estatísticas de entidades como o Programa Alimentar Mundial e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

Em comparação com 2019, houve um acréscimo de pessoas afetadas pela fome, em 2020, de 46 milhões África, 57 milhões na Ásia e cerca de 14 milhões na América Latina e Caribe. “Quase uma em cada três pessoas no mundo (2,37 bilhões) não teve acesso a alimentos adequados em 2020 – um aumento de quase 320 milhões de pessoas em apenas um ano”, revela o documento da Visão Mundial.

“Conflitos, Covid-19 e mudança climática estão interagindo para criar novos e agravantes focos de fome e estão revertendo os ganhos que as famílias tiveram para escapar da pobreza”, explica o diretor de Advocacy e Relações Institucionais da Visão Mundial, Welinton Pereira. (ecodebate)

A infraestrutura verde que o planejamento urbano deixou de reconhecer

A infraestrutura verde que o planejamento urbano frequentemente deixa de reconhecer abrange a vegetação espontânea, os quintais particulares...